domingo, 29 de setembro de 2013

Mafalda fará 50 anos!


A garotinha que nos faz sorrir e pensar completa 50 anos em 2014

SUL 21






Nubia Silveira

Você se lembra dessa garotinha aí ao lado? Simpática, inteligente, defensora do meio ambiente, preocupada com os rumos da política, ela conquistou amigos pelo mundo todo. Fala vários idiomas, do galego ao dinamarquês. E, mais do que a repressão, odeia sopa. Com essa dica, você – logicamente – lembrou o nome dela. Mafalda se prepara para comemorar 50 anos, em 2014. O dia do nascimento (única data aceita pelo seu criador) é 29 de setembro de 1964, quando, pela primeira vez, apareceu como personagem de uma historieta, nas páginas do semanário argentino Primera Plana. No ano seguinte, mudou-se para El Mundo.

Mafalda é a grande criação do argentino Joaquín Lavado, filho de espanhóis. Conhecido por Quino, desde que nasceu, ele só soube seu verdadeiro nome ao entrar na escola. O apelido o distinguia do tio Joaquín Tejón, pintor e desenhista. Foi ele quem ajudou Quino a descobrir sua vocação ainda nos primeiros anos de vida.

O nome escolhido para a personagem que faria tanto sucesso se deve a uma história em quadrinhos que Quino criou, em 1963, para o lançamento de uma linha de produtos eletrodomésticos. Os produtos se chamavam Mansfield e todos os personagens da HQ tinham nomes iniciados com M. A campanha foi abortada, mas Quino ficou com Mafalda.

O surgimento da menina que olha penalizada para o mundo, a sua mãe, dedicada a cuidar do marido e dos filhos, e o seu pai, que parece um velho aos 37 anos, coincide com o início da ditadura brasileira e a eleição de Arturo Illia, na Argentina. O peronismo havia sido proscrito e os hermanos passavam a viver um novo período político, mais aberto e democrático do que o enfrentado pelos brasileiros.







Turma de amigos

O traço simples, leve, limpo e expressivo de Quino transforma em obra de arte cada quadro de uma tira. Os pequenos detalhes compõem as historietas que nos fazem sorrir e pensar. Os temas são os cotidianos: as guerras mundiais, o engarrafamento no trânsito, o alto custo de vida, as férias na praia, o aprendizado escolar.

Mafalda, com um laço no alto da cabeça, muda da dúvida ao espanto, apenas levantando a cabeça, abrindo ou fechando a boca. O mesmo acontece com a sua turma. Quino é preciso na sua criação. As dúvidas e angústias de Filipe não poderiam ser representadas por outro garotinho que não aquele de cabelo e queixo que avançam muito além do pescoço. Quem imaginaria Manolo, o tosco que só pensa em ser dono de uma rede de supermercados, de outra forma que não o gordinho atarracado, com cabelos espetados?

A egoísta e, muitas vezes, invejosa Susanita, que só pensa em casar e ter filhos, é desenhada com um cabelo volumoso, nariz pequeno e cara de velha. A característica de Miguelito, também cheio de dúvidas, mas menos angustiado do que Filipe, são os cabelos, formado por folhas como as da alface.

Mais tarde, surgiram Libertad, pequena como a liberdade, menor do que o nenê Guile, irmão de Mafalda. Desde cedo, ele aprende a protestar contra as injustiças e a falta de liberdade de expressão. Ele odeia mortadela e – horror dos horrores – se delicia com uma sopa. E que nome melhor poderia ter a 

tartaruga de estimação, se não burocracia?





A turminha de Quino foi mudando de casa, passando por novos jornais e revistas, e conquistando espaço em outros países. As tiras passaram a ser reunidas em pequenos livretos. A coleção completa é composta por 10 livretos, pois em 1973 Quino decidiu não mais desenhá-las. Só voltou a desenhar a personagem para algum momento ou campanha específica, como a lançada pela Unicef, em 1977, pela Declaração dos Direitos da Criança.



Quino e a estátua de sua Mafalda | Foto: saraivaconteudo.com.br

Imortal sucesso

Quino afasta-se de Mafalda e segue com a sua produção de humor gráfico. Apesar de não mais desenhar as tiras, Mafalda não morre. Cresce na preferência dos leitores. O sucesso é tão grande que, ao completar 30 anos, em 1994, tornou-se nome de praça, em Buenos Aires. Na capital argentina, ela e seus amigos, também, deram nome a ruas.

Hoje, no bairro de San Telmo, argentinos e turistas costumam posar para fotos ao lado da estátua de Mafalda. O bairro foi escolhido porque faz parte da história das tiras. Em 1964, quando começou a desenhar a personagem, Quino vivia em San Telmo, a meia quadra de onde hoje está a estátua. Muitos locais ali o inspiraram e fazem parte das tiras. Um exemplo é o edifício envidraçado, na frente do qual a menina e os amigos sentavam para acompanhar o movimento da rua.
Mafalda completará 50 anos, sem nunca ter crescido. E é certo que ela continua atual. O mundo não mudou. Mafalda ainda pode olhar para o globo terrestre, após ouvir o noticiário internacional, e dizer-lhe condoída: “Se você tivesse fígado… que hepatite, hein?”

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O preto se transformô num pombo

Ensaio 21
baitasar
Começô o começo de tudo pro siô Barros, ele havia de tê o qui siá Casta costurô, com tanto cuidado, desde a morte do pai, o Conde Cantão: a iniciação do esposo na Irmandade. Ela mesma cobiçava sê daquela união, chegô se oferecê pra fazê esse começo solene e reservado, mais foi avisada qui a associação não era lugá da mulhé. O seu paradeiro de direção na vida era cuidá dos conforto do marido e a continuação da vida. Foi rejeitada. Ficô com o esposo, mais ainda não deu continuação na vida. Não existe perfeição, cada coisa tem seu tempo e seu jeito.
E assim, lá estava ele, o marido. Aprovado.
Nos assunto da Irmandade, ele tava sozinho, a siá Casta não podia sê útil, não era conhecimento pra mulhé. Naquele mundo, a sabedoria era do homem e a ignorância da mulhé; no território do casarão, ele precisava se curvá pra sabedoria da mulhé, té fazia questão de mostrá sua inocência, não era abelhudo, mostrava o seu exemplo, Dona Casta, cada um fica no cercado que Deus criou, é a vontade Dele, um mundo do homem, e outro, o da mulher. Um mundo branco, outro preto, gente qui come, gente qui morre de fome, branco qui lê, preto qui nem sabe se tem nome, não devia de sê dividido assim, mais vai continuá assim, enquanto Deus não virá mulhé ou ficá preto.
O padrinho daquele batizado do siô Cabral era o padre da obra santa, mais não tinha sermão pra sê dado, apenas qui todos precisava se juntá no redô da cada um, Meu filho, se a Vila lucra, a vida de cada um tem um benefício, então, a Irmandade ganha. A Vila é um negócio que precisa se manter em nome de Deus
—        O que é a Irmandade, padre? — o homem vestido de preto já tava pronto, com a resposta na ponta da língua, gostava da decifração qui tinha pronta, quase abriu o sorriso da satisfação, não abriu pra não deixá escapá o ruído revelado da cobra, o guizo-de-cascavel na preparação do bote. Não queria espantá, tinha qui convencê, gostava demais de tá no controle
—        A Irmandade cuida da Vila... — ele é um caminho qui a Irmandade usa pra paralisá a gente da Vila, escondê o conhecimento dos cordeiro e amarrá os pensamento do medo. Ele sabe sussurrá segredos de arrepiá e de salvá da morte, gosta de engaiolá as pessoa. Carrega na língua a promessa da vida eterna e o fracasso da morte — ... é uma confraria discreta, destinada aos homens com fé no progresso da Vila e fé em Deus, uma festa discreta
—        E o que eu tenho que fazer? — o siô de bobo não tinha nada, não era coco, não era chocolate, não tava ali obrigado, nem brigado. Sabia qui precisava aceitá os mistério e fingí querê as revelação, descobrí os caminho das pedra, nunca mais sê pobre ou fraco — Estou aqui por mim, e minha esposa, dona Casta.
—        Muito bem, o sinhozinho precisa passar à iniciação. — o siô Cabral não conhecia esse tal começo. Lembrô da estreia com as puta, sabia o qui era fingimento, o qui era verdade, não importava, tava pagando pelo divertimento, Se é parecido, acho que vou gostar, não tinha como sabê, não tinha como fugí, era hora de enfiá o seu nome na goela abaixo daquela gente, com a própria língua, do jeito qui eles achava qui era melhó
—        E o que é isso, padre? — parecia pergunta pra adiá o começo, não queria aparentá sê tão fácil de pescá, nem parecê um pescado sem valô
—        Vosmecê entra como noviço, até chegar ao grau de artífice. — o siô quase perdeu a paciência com as palavra do padre, a aparência qui fala, mais não diz nada.
Um pequeno triná veio da sala do lado, fez pará as conversa e os resmungo. O padre endireitô o corpo curvado e alterô a voz
—        Sinhô Barros Cabral... é preciso colocar essa venda. — o siô não sabia dessa parte, caminhá com as vista tapada era oferecê muita confiança pra quem não merecia, pelo menos, não merecia por enquanto, mostrô hesitação. O homem de preto curvô as costa, parecia lhe dizendo algum segredo — Pode ficar manso, estarei do seu lado.
Confiado o siô só fica quando tá na casa da Maria Cobra, no entretenimento das menina, sente qui tá em casa, um lugá qui não precisa fingí vontade de fazê, nem de dizê, Que assim seja.
O padre colocô a venda nas vista do siô, depois pegô na sua mão e o levô té a sala do lado, recheada com os homem do salão, podia sentí na carne e no osso qui tudo olhava ele e o padre, sentiu vontade de rí e contá alguma história da Maria Cobra, sabia qui não ia fazê isso, mais qui deu vontade, deu
—        O senhor pode nos apresentar o candidato.
O padre parô no centro do salão, na frente dos três mascarado, o do meio, mais grande na altura, parecia sê o dono da cerimônia de acolhimento, o padrinho do siô se dirigiu pra ele
—        Este é o sinhô Menino Barros Cabral, casado com dona Casta Cantão Barros Cabral, filha do finado Conde Cantão, possessor das terra do Humaitá, no caminho para a Aldeia dos Anjos.
O maió dos três encapuzado foi o único faladô
—        O senhor deve jurar que não vai falar a ninguém sobre o que ouvir aqui, e também, sobre o que vier a ver.
Queria olhá nas vista de cada um e fazê aquele juramento de compromisso com todos, um comprometimento de honra da palavra dada, coisa qui nem cogitava de pedí pros negro de sua posse, Os negros não têm palavra, não têm honra, precisam sentir medo, é preciso o acoite mais as correntes para prender, controlar, corrigir, educar e ensinar: quem manda e quem tem a obrigação de obedecer.
Quando a noite fez menção de descê na fazenda Humaitá, a siá Casta deu ordem pra preta Rita retirá a louça do jantá e chamá a Milagres
—        Siá Casta, a Milagres foi fazê serviço de mato, recolhê lenha...
—        Quando voltar avise que quero lhe ver, para as recomendações do dia de amanhã. E ocê quando terminar pode se retirar.
—        O recado vai sê dado.
Depois qui siá se retirô, ela balançô o olhá pra longe, na direção do mato
—        Ô meu Pai, mensageiro dos segredo, pra quem nada é novidade, tudo qui acontece já foi acontecido antes.
A Milagres tava ali cantando, dançando e conversando, levava o problema e pedia a solução, um remédio mágico, para o mais novo feito o mais velho, louvaminhando aquele qui deveria sê louvado antes de qualqué empreitada
—        Trouxe para sua fome: frutas, doces e pimenta, vinho e o sangue desse animal de penas.
Milagres degolô o animal e verteu o sangue nos lugares da mata, depois colocô junto dos alimento, na cabaça
—        Peço, ao meu Pai, qui leve té minha mãe o pedido de tê um filho, qui pode sê uma filha.

Ela bailava como o vento, seu corpo desprendia o perfume do amô qui levava té Josino a dança, o vento flutuava com o assopro qui dava a cada giro, té  qui o preto se transformô num pombo, ganhando a liberdade pra voá té as carne irresistível da Milagres. Ela dançava, ele enlouquecia. Os dois tava em transe, lambuzados com o gosto do outro. Ela balançava pelos cantos da mata as dança do amô e da sedução. Josino se deixava atraí por tanto encanto. Não via o rosto da Milagres, escondido pela cascata de contas. O seu olhá curioso antecipava sua belezura e o prazê do amô. Tinha vindo a pedido, no propósito de enraizá as terra da sua bela esposa, tava com o corpo tomado em possessão pelo baobá. Os dois entoava as cantiga de Oxum, amante ardorosa de formas finas, qui oferecia momentos de raro prazer aos amantes em seu leito, té parecia castigá os homem qui lhe sucumbia pela sede do deleite. Sem Oxum e as mulhé, o homem não tem podê sobre a fecundidade, fica sem filho pra criá, sem braço novo pra guerreá, sem linhagem pra contá suas memória. A mulhé faz a vida prosperá.
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Ensaio 20B - O talento pra engaiolá

Auto-ajuda: em meio ao mar

Caruso


as lâmpadas e a esteira branca saindo atrás de uma nuvem, os olhos no mar, as lágrimas dizendo: te quero bem, tanto tanto bem, sabes. Os olhos são verdadeiros e não querem confundir as palavras nem o canto que aquece o sangue dentro das veias. As têmporas brancas latejam, o brilho e o vento dói, ah... essa felicidade, como é profundo o mar


Lucio Dalla




Luciano Pavarotti & Lucio Dalla




Felicità




Felicidade

Se todas estrelas do mundo
Em um certo momento
Caíssem do céu
Toda uma série de astros
De poeira branca desocupassem o céu
Mas o céu sem os seus olhos
Não brilharia mais
Se toda a gente do mundo
Sem nenhuma razão
Levantasse a cabeça
E voasse alto
Sem o seu burburinho
Aquele aflito ruído
A terra pobre coração
Não bateria mais
Me falta sempre um elástico
Para segurar as cuecas
Pois as cuecas
No momento mais belo se vão pro chão
Como um sonho perdido
Talvez um sonho importante
Um amigo traído
Até eu fui traído
Mas não importa mais
No escuro do céu
As cabeças calvas e brancas
As nossas palavras se movem cansadas
Não nos entendemos mais
Mais tenho vontade de falar
E de ficar escutando
Continuar a me fazer de burro
Me portar mal
E depois não fazer mais
Ah...
Felicidade
Em qual trem noturno viajarás
Eu sei...
Que passarás
Mas como sempre, apressada,
Não vais parar
Se trata de flutuar
Prendendo-a com calma
Se fazer transportar
Dentro de dois olhos grandes
Talvez azuis
E para poder me libertar,
Atravessar um mar medieval
Encarar um dragão estrábico
Mas os dragões bebês
Não existem mais
Talvez por isto os sonhos
Sejam assim pálidos e brancos
E passeiam cansados
Pelas antenas insossas
Das várias TVs
E nós voltamos à casa
Levados por um senhor elegante
Sempre dizendo sim
E todo mundo aplaude
Mas não gostamos disto
Mas se este mundo
É um mundo de faz de conta
Então para ser feliz
Basta um nada, talvez uma canção
Ou sabe lá o que
Senão seria o caso
De experimentar fechar os olhos
Então, de olhos fechados
Quem sabe o que vai ser
Ah...
Felicidade
Em qual trem noturno viajarás
Eu sei...
Que passarás
Mas como sempre, apressada,
Não vais parar
Ah...
Felicidade
Em qual trem noturno viajarás
Eu sei...
Que passarás
Mas como sempre, apressada,
Não vais parar
Ah...
Felicidade
Em qual trem noturno viajarás
Eu sei...
Que passarás
Mas como sempre, apressada,
Não vais parar


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Auto-ajuda: Com ou sem você

Auto-ajuda: Mafalda

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Talvez justamente por ser popular

A vida e a morte no exílio

Jango

Silva, Juremir Machado da, 1962-
         Jango: a vida e a morte no exílio / Juremir Machado da Silva. 2.ed. - Porto Alegre, RS: L&PM, 2013.


















quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O talento pra engaiolá

Ensaio 20B
baitasar
O siô Barros chegô  na reunião da Irmandade, uma espécie de clube fechado qui reúne pra fortalecê as aliança de cada um e os interesse de todos. Alguns chega afirmá qui os elemento da Irmandade é unido pelos laço do parentesco com a Vila, cúmplices da loja, onde um cuida do outro e todos cuida de cada um. A confraria cultiva entre si uma amizade afetuosa, mais obriga rígidas regra, qui jamais pode sê quebrada: “Unida pela conquista do chão e do grão”. A confiança tá embaixo de tudo, não tem regulamento escrito, mais a regra não pode saí da firmeza, do respeito e da fé, é a pedra qui fundô a Irmandade da prosperidade.
Fazê os gesto da educação, e não apertá mão de cada um dos exibido ali, era uma das regra da boa manha, qui a siá Casta lhe ensinô. Já na entrada o siô Barros percebeu qui a fidalguia tava toda ali, e agradeceu, mais uma vez, siá Casta, Minha senhora, ainda bem que me fez vir, um homem de negócios não pode perder uma oportunidade como essa. A lembrança da esposa lhe trouxe uma inquietação, uma novidade qui lhe pareceu boba, O que dona Casta estaria fazendo, por certo, se preparando para dormir, ah, se ela tivesse uma pequena conversa com a Maria Cobra, pensando melhor, não, esposa é esposa, rameira é rameira
—        Sua benção, padre. — ele tava lá, no coração, no estômago e no intestino da Vila, virô Conde só de casá com a siá Casta, um pé de chumbo qui entrô na fidalguia, pela porta do fundo, é verdade, isso é um tempo qui não é tempo. O padre, o senhor Intermediário, entrô pela porta lateral, tem a missão de garantí uma saída de emergência pra fidalguia
—        Deus lhe abençoe, meu filho.
Um a um, foi se oferecendo pros cumprimento das palavra com educação, té qui ficô sem as mão, chapéu e as palavra, não era eles, era deles. Via o qui dona casta lhe tinha avisado, É bom ir, mas cuidado, tem muito olho ganancioso no mesmo lugar. Não tinha medo, mais sabia qui o desfavô e o oferecimento tão sempre junto, é preciso tê um bom atravessadô pra deixá tudo controlado com os dono de tudo.
O suô do siô Barros misturava com as água da praia, rezava pra não tê ninguém passando as vista no serviço do lugá. Deu um sorriso pra ele mesmo quando se deu conta qui tava rezando de verdade, queria mesmo sê atendido, Não sei quem é mais sem-vergonha, quem reza ou quem escuta a reza, ele queria tá lá, gozá a própria tramoia, se elogiá, isso lhe apetecia, mais não podia colocá as duas vista no desembarcá dos donativo para o seu barco. Aproximo da janela qui lhe mostrava a esquina das arma, não se via nada, Isso é bom, quem não é visto não pode ser reconhecido.
Virô as costa pra janela, pela primeira vez, olhô o salão com as vista do pirata, pronto pra embarcá, desimpedido e disposto, Havia eu de parecer ridículo, parado aqui, fingindo que não sabia que estava fingindo a doação, lá na praia, voltando de volta, quase aconselhô o padre intermediário qui ao cavalo dado não se olha, nem se conta os dente. Achô melhó qui não, fechá a boca pra não entrá mosca, as fidalguia parecia tão encantada, tão feliz sendo enganada.
No fundo, o siô tinha medo do padre Intermediário reclamá dos causo ao seu superiô, qui leva pro superiô de cima, té chegá aonde não deve chegá, no bem de cima, qui, na maioria da vez, não sabe dos fato ocorrido. Acho té, qui a razão dos pobre, puta e escravo sê tão esquecido, é não tê intermediário bão, as resposta qui desce não tem nada vê com as pergunta qui sobe. Vá sabê qui pergunta foi feita. Quanto menos medianeiro melhó pra diminuí a dô dos desafinado.
O juiz das lei, o Visconde Madeiro, enfiado na sua roupa preta, qui lhe contrastava com a brancura dos cabelo e das costeletas imensas, conversava animado com o coronel Sião, dono das pulícia, homem da maió importância no vê das pessoa de bem da Vila, junto tava o Dr. Garganta, com sua voz rouca e seu cachimbo, o acusadô dos malfeitô. O prendedô, o acusado e o julgado, tudo no mesmo balaio.
O siô Barros qui tava ali porque casô com a siá Casta, única filha do Conde, um homem com título e posses, mais qui preferiu pagá com a vida as dívida do jogo, perdeu as mão pra não entregá os anel. Acho qui as criatura das lei também sabia, Meu marido, não esqueça que existem as leis para os naturais das classes ínfimas e os outros homens, e leis para a Irmandade, a lei aparenta ser igual, mas disfarça
—        Boa noite, a todos os senhores, mui dignos e valorosas autoridades da nossa Vila. — era o padre Intermediário qui dava as boas-vinda. O siô Barros correu as vista no salão qui pareceu ficá misterioso, o Visconde Madeiro, o chefe das pulícia e o douto acusadô não tavam no alcance das pessoa qui se podia vê. uma qui outra lanterna do salão foi sendo assoprada. O padre tava do seu lado, E quem estaria na porta recebendo tantos fingidos, quem, o Sinhô Superior, teria deixado na porta, e esse Deus, seria o mesmo dos pobre, putas e dos escravos, a quem o Intermediário servia, ao Deus que se reinventa, ao Deus do bem que vence o mal, ao Deus da ingenuidade santa de ser escravo para se salvar, o siô não sabe nem ninguém sabe quem ele é, Deus por Deus, quem é ocê
—        Senhor Barros Colombo, por favor. — não tinha um plano de resgate digno de sê apreciado, tinha sido condenado, não precisava mais ficá encoberto da Irmandade e das claridade do dia, acabava ali, o seu deleite solitário: não se ouve nada, não se sabe nada do qui é acontecido no capinzal, a esquina das água, encoberta na escuridão, é bão não conversá as ideia revolucionária de reaproveitá as doação, nega tudo, sempre.
Virô de frente pra janela, nenhum movimento no capinzal, desviro, parecia qui tudo no salão lhe prestava atenção, tava agitado, quase descontrolado
—        Estamos todos aqui, para ceder às boas razões do nosso anfitrião. — o siô Barros precisô desviá a atenção qui jogava sobre todos e viro pra cumprimentá o Governadô
—        Boa noite, senhor governador.
—        Tenho escutado maravilhas da sua fazenda, ela fica pros lado do caminho que leva até a Aldeia dos Anjos?
—        Sim, mas é bondade sua. — eis um olhá perigoso, juntô num só o jeito ambicioso e o desumano, capaz do ataque mais desalmado. A fidalguia conhece a sua fama por espigas madura, carne gorda raspada dos osso e preto riscado em carne-viva. O governadô tem coleção de cipó de boi, uns ganha sem pedí, outros pede o mimo com as marca dos preto: couro e sangue cheirando de morte. Os motivo pra juntá tanta chibata diferente é o desumano, fazê do medo um feitio de vivê, um talento pra engaiolá os submisso e os desobediente. O medo destrava a covardia, o apavoramento arranca do pensamento a valentia e a calma
—        O conde da dona Casta, já está convidado para uma visita na rua da Igreja, vou lhe mostrar minha coletânea de chicotes e chibatas. Tenho uma que acaba com o negro, uma chibata matadora.
—        Não quero lhe incomodar com minha visita de insignificância.
—        Não se preocupe com as insignificâncias, deixe que eu decido o tamanho, o acanhado não se enfrenta do mesmo jeito que o apreciável, de qualquer modo, lhe espero amanhã.
—        Um convite do Governador é um ordem para mim.
—        Vou lhe mostrar a chibata do bandeirante Domingos Velho, consegui num acerto da sorte, da oração e da devoção. O homem foi um destemido, gostava de caçar os teimosos, pena que estragou muita mercadoria, mas foi um bravo! Um desbravador! O tempo ainda vai lhe reservar um lugar de honra entre os nossos heróis. Nossas crianças precisam conhecer essas histórias.
O siô Barros não sabia o qui dizê, conhecia as história do bandeirante qui monto sua milícia e ficava à disposição da melhó oferta: degolá os índio, prendê ou arrebentá os negro, e mais a participação no saque. Uma milícia de analfabetos e descalços qui meteu medo nos branco, quase acabô com os índio, desconjuntô os negro qui colocô as mão.

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Leia também:

Ensaio 19B - O baobá embriagado pelo gosto da fertilidade

domingo, 15 de setembro de 2013

Cuide dessa garganta e desses pés

"Cantando na Chuva"


Que venha a chuva, estou pronto para mais uma semana!

Cada um descarrega a sua dança onde lhe for possível, onde lhe deixam. Dançar na chuva, nas ruas, nas orações, nos salões ou nos galpões, nos transforma em borboletas. Por que você não dança? Prefere envelhecer em segurança no deserto? Enquanto espera, escute esse conto de negros e negras: "Quando a boca do homem encontrou a boca da mulher, as vista dos dois se fecharam, as pernas da terra se abriram, o baobá lhe entrou a raiz até o fim. Não tinham afobação, um queria sentir no outro o amor do tempo antigo, quando a criação veio como uma mágica, o tempo em que o homem era árvore, a árvore-mundo, a mulher era a continuação de tudo, a terra. O rei negro achava que dominava a terra, até que ela fazia o baobá sentir o amor dos milagres, o gosto da fertilidade."



Gene Kelly



Trailer




Dancing in the dark, at the Central Park




Salsa life




Salsa House En Cuba




Rumba




Iansã




Xangô




Exu




Kuduro Dance




Angolan Kuduru




Danças Afro-Brasileiras

sábado, 14 de setembro de 2013

Bom dia!

Carmina Burana

Carl Orff


Escolha o coral ou a orquestra, ou o maestro, ou a cidade, ou o documentário, um pouco da história, saber ou não saber, ou quem sabe... sei lá, escolha tudo ou nada! Mas ouça um pedacinho, um tiquinho de nada da nossa possível humanidade e embriague-se pelo gosto da nossa fertilidade. Conheci mulheres que chuparam cadáveres e juraram que foi por amor; conheci homens que esfolaram os nós dos dedos e juraram que foi amor em defesa da honra: estranho esse amor, esse estranho feitiço de gozar a morte. No quarto há uma cama, sobre a cama um homem, sobre o homem um menino com medo de escutar a música do piano. Ele, como o rebanho das pessoas, acomodou os costumes nas suas maneiras com a vida, construiu as próprias prisões como almas caridosas que se desapegam dos sonhos, mas ainda têm as alucinações da carne. Não conseguem esquecer a Carmina
 



Koninklijke Chorale Cæcilia




UC Davis Symphony Orchestra, University Chorus and Alumni Chorus




Seiji Ozawa




Capella of Saint Petersburg




Filarmonica de Stat Sibiu




in Paris




Carl Orff documentary

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

O baobá embriagado pelo gosto da fertilidade

Ensaio 19B
baitasar
Depois da carga desembarcada da carroça, os dois negro foram deixado na senzala da obra santa, qui não era na obra santa, a obra santa não sujava as mão com o sofrimento dos negro, mais qui oferecia salvação oferecia, té praqueles qui beijava a cruz marcado com ferro e brasa e sangue e dô as corrente e a chibata, era o tempo da menos valia um negro liberto qui dois acorrentado, de qualquer jeito e maneira, a senzala da obra santa ficava no galpão do Joca Lampião, pros lado da Arsenal, a mesma praia qui viu os preto despedaçado nas boca da cachorrada. O Joca não tinha nada de santo, muito pelo contrário, dormia com o negro Varão, qui o padre fingia qui não sabia já qui não via, é bem assim, o qui o seu coração não sente é porque as vista ainda não viu ou não quis vê, as vista procura o interesse de vê, ocê vê o qui qué vê, o coração sente o qui ocê qué vê, pode té dizê qui isso é pouco de quase nada, nem lhe interessa essa conversa, mais presta atenção nas coisa qui ocê não qué vê e fingi qui não tem importância e pergunte por que tem medo de abrí as vista, pará de se escondê dos pensamento dentro dos pensamento.
Antes de sê deixado na solidão do galpão, foi muito instruído pelo Capitão bastardo sobre a importância de não fazê nenhum comentário sobre o embarque das prancha no barco do siô, como se fosse interesse dos preto o qui um branco roubava do outro, fingia qui dava, mais não dava ou dava e depois tirava
—        Capitão...
—        Fala, negro.
—        Esse deus do branco deve sê cego ou surdo...
—        Cala a boca, criolo... o siô Barros diz qui ele escreve o certo pelas linha torta.
—        O siô escreve torto?
—        Não é esse siô, é o outro Siô... chega dessa conversa, criolo, agora é hora de dormí, recuperá no sono as força, é tempo de guardá a língua. — o tombo na rede de dormí foi o mesmo nos dois escravo: com fome, com sede, ardido como as lambida do cipó de boi. O bastardo falava como se nada tivesse acontecido, como se fosse natural sê assim, uns bate, outros apanha, se fez crime ocê tem castigo, se ocê mentiu também tem repreensão, se ocê é negro ganha corretivo, como se o castigo pudesse mudá a cô do preto, talvez não fosse pra mudá a cô, mais humilhá o preto e fazê ele respondê, Sim, siô, sim, siô, sim siô sim siô simsiô
—        Amanhã, ocês recuperam a fome e a sede. — o bastardo se ocupô dos dois té qui se acomodaram nos pano balançante, as rede pendurada com argola boiando por cima da terra qui eles molha com o suô e aduba com o sangue.
O cansaço faz o sono tomá conta do corpo, vem como o animal qui cai no fojo espalhado no mato, com suas estaca pontiaguda, uma ponta fincada no chão, a outra olhando pra cima, a boca aberta esperando a sua hora, té qui o animal pisa nos galho esparramado, escondendo os dente e a garganta da armadilha, o buraco se abre, o Josino desce na emboscada do sono, um lugá de vivê do seu jeito as vontade de sê liberto, um preto alforriado de importância pra sua Milagres, as estaca vira estrela, um rio de estrela interminável qui devolve os dois pra terra dos avoengo, de volta ao começo de tudo.
A muié vem voante na brisa das árvore té chegá do seu lado, anunciando o seu amô ao rei negro, pronta pra cantá as história do homem e da muié dos começo antes de tudo, as dô e as saudade carregada no sangue e nas lembrança das cicatriz, os mapa dos caminho qui andô té chegá aqui, longe da casa, a terra do umbigo. Os fiô é o sonho qui plantô pra tê razão de lutá, uma luta solitária pra não branqueá, não beijá a cruz pra tem alma de branco, queria sonhá com os seus orixá, com as cantoria, as dança, as história, queria continuá a negra dos espírito nas feitiçaria.
A muié voante tem nas mão o milho, a batata, a mandioca, o gado fica escondido no olho, tá molhada do suô da noite, perfumada com as suas água de muié. A voz doce e as mão assanhada tirava o Josino do sono enquanto dormia e encontrava a fartura dos alimento da terra. O espírito erguido olhava ele qui dormia: grande, forte, um preto brilhoso, os cabelos raspado, a respiração alta, áspera, calorosa, indecente, as marca ardida no rosto, os rabisco do cipó de boi no peito e nas costa, as perna imensa, os pé gigante, um preto todo grande, um baobá.
Agarrado na mão da sua preta voltava voante té a pedra do amô, o lugá da sua alforria, do seu casamento, de fazê revivê as lembrança qui carrega no sangue, na cô, nas memória qui vê com as vista fechada. Era quando ela não lhe deixava dizê nada, usava uma das mão no peito do baobá, ele cabia inteiro na pedra qui ela chamava terra dos antepassado, com a outra mão ajudava derramá o milho, a batata, a mandioca, té a boca ficá cheia, depois engolia o alimento, ela é a terra, o lugá qui faz tudo continuá.
A sua planície é o berço do Josino, ela não queria deixá o rei negro se aliviá té o fim do sonho, apertava a mão e empurrava o alimento na embocadura da alma, té o fundo da carne, nem o homem nem o lugá qui faz tudo continuá conseguia respirá, desacendê aquela fome de amô.  Rolavam na pedra, té qui o baobá deitava por cima, descia té as raiz do lugá de continuá a vida, beijava e atiçava, depois a sua boca mordia e caçoava, fazia brincadeira com a casca dos pé da Milagres. A lua crescente assistia desavergonhada, delirando. As estrela sumia e aparecia, parecia qui brincava e piscava. O fogo lambia, subia as labareda té os joelho qui tremeluzia o baobá embriagado, as mão cismada com a cintura da preta não parava de agarrá e soltá. Não tava mais desconfiado com a vida, escalava as perna, as mão subia sem pressa apressada, dava o tempo de se apaixoná de novo e de novo, firmava nas duas cuia preta, a boca queria e não queria subí, as mão não esperava, ficava roçando com o polegá num e noutro ponto moreno, arrebitado em cima do coração. O zunzunzum continuava nas virilha, a pelagem preta encaracolada, encrespada, lhe entrava na boca e sai nos intestino, a saliva engravidava misturada com as água da muié qui erguia a garupa da pedra, se oferecia e pedia, Me entra, me entra, a língua lhe entrava, a labareda consumia o baobá enraizando no lugá qui faz tudo continuá.
O rei negro continuava o caminho da boca pelo corpo da Milagres encantada, Ah, meu preto encantado, me carrega na tua boca encantada, me faz encantada, té qui a boca chegava no seio espetado, uma ponta fincada na carne, a outra olhando pra cima, ousada, esperando a sua hora, té qui a lámbida lhe passa toda molhada e o buraco se abriu, o Josino queria a armadilha dos dois bico rijo, teso, humano, selvagem, qui se oferecia pra amamentá, Me toma, me toma, a boca sugava as água, té sê o rio da vida qui se despeja no lago, o milho, a batata, a mandioca, a carne comida. E a terra servia o sustento da vida.
Quando a boca do homem encontrô a boca da muié, as vista dos dois se fechô, as perna da terra se abriu, té qui o baobá lhe entrô a raiz té o fim, não tinham afobação, um queria sentí no outro o amô do tempo antigo, quando a criação veio como uma mágica, o tempo qui o homem era árvore, a árvore-mundo, o rei negro achava qui dominava a terra, té qui ela fazia o baobá sentí o amô dos milagres, o gosto da fertilidade. Os dois vira encantamento num novelo de perna pra dormí, os galho brotando , as chuva dos olho do baobá molhando a planície da terra arreganhada, a vida se renova. O baobá não qué esquecê, faz tudo de novo: desce té as raiz e molha a casca dos pé da muié encantada, rola a terra qui fica acomodada, virada com as costa pras vista do baobá. A árvore-mundo se dobra sobre a terra e engravida mais uma e outra vez.
O Josino baobá agarrô o sono na pedra do amô dum jeito qui Milagres arredondô, Minha preta, ocê tá linda com esse jeito crescente, Mentira, to feia, Bobice, sua planície parece a lua crescendo, Num sonho ocê não sabe o que é verdadeiro, Nem a vida sabe, ela só sabe qui é vida.
Os dois não sabe como o siô e o bastardo encontraram o lugá dentro do sono, nem deu tempo de entendê o pai qui ordenô ao filho, Abre, eu quero ver a cor, o filho bastardo desenrolô a chibata e estalô no ventre das Milagres. Josino não suportô e abriu as vista. Não podia vê, não podia deixá o filho nascê com as marca do cipó de boi.
Naqueles dias, não ia dormí mais, nem vê Milagres

—        Esse maldito devê do Capitão bastardo não é com a vida.

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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Auto-ajuda: Com ou sem você... U2

U2



É preciso rejuntar a vontade com o corpo, acabar com os excessos da tristeza, abraçar uma árvore, uma caminhante descalça.


Impossível resistir ao amor de viver com ou sem você. Não quero ser as pedras em seus olhos nem as coisas retorcidas, e você? Quer o quê? Uma cama de espinhos? Não! Com ou sem você... posso escolher as lembranças do desprezo ou bajulação, mas escolho as lembranças do amor. Uma doce loucura de amor. Continuo esperando o amor, mesmo porque sem o amor vou parecer mais triste que alegre. E não quero desocupar a vida da quentura dos abraços. 

E você se entrega mesmo com as mãos amarradas e o corpo ferido à noite do aconchego do colo. Você se foi pro lugar de morar com a sua gente, não vou mais ganhar, não vou mais perder. Com ou sem você. E você se entrega. Eu pude viver com ou sem você quando eu era uma menina. Era a coisa certa a fazer, mas cresci e me tornei uma mulher com ou sem você. Sei que tenho vontade para isso. Você deixou as lembranças das palavras. É tempo de escolher as lembranças, não quero desaprender o amor embutido no sopro da respiração. 

É um lindo dia com ou sem você. Não vou deixar escapar a minha respiração, todas as cores reaparecem nesse lindo dia, não existe caso perdido. Escuta com os ouvidos da atenção e as chuvas do coração: as lembranças podem ser miragem, ou não, tapeação e iluminura caminham uma ao lado da outra. Com ou sem você as chuvas do coração ficam fora do controle.  










... não quero desocupar a vida da quentura dos abraços...












... não quero desaprender o amor embutido no sopro da respiração...












... escuta com os ouvidos da atenção e as chuvas do coração...













... sem o amor vou parecer mais triste que alegre...










Fora de Controle



Segunda de manhã
Dezoito anos de amanhecer
Eu digo, "Como vai? "
Você diz, "Como vai? "

Era uma manhã triste
Despertei o mundo com gritos
Eu estava muito triste
Eles estavam muito alegres

Eu sentia que estava tudo fora de controle
Eu tinha uma opinião que estava tudo fora de controle

Garotos e garotas vão à escola
E as garotas, elas têm filhos
Não como este

Eu sentia que estava tudo fora de controle
Eu tinha uma opinião que estava tudo fora de controle

Eu sentia que estava tudo fora de controle
Eu tinha uma opinião que estava tudo fora de controle

Eu lutei contra o destino
Há sangue no portão do jardim
O homem disse "Infância
Está na sua infância"

Um dia eu vou morrer
A escolha não será minha
Será muito tarde?
Não se pode lutar contra o destino

Eu sentia que estava tudo fora de controle
Eu tinha uma opinião que estava tudo fora de controle




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domingo, 8 de setembro de 2013

o nosso reino

aos mortos dá-se terra e silêncio

valter hugo mãe


mãe, valter hugo, 1971-
        o nosso reino / valter hugo mãe. -
São Paulo: Editora 34, 2012 (1ª Edição).



















sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Dava com uma das mão, tirava com a outra

Ensaio 18B
baitasar
O Capitão continuava sentado nas pedra da beirada do rio, a chibata enrolada e protegendo a cintura. Não era homem de confiá nos outro, muito menos, deixá a incumbência do serviço na vontade dos negro, Escravos sem índole, se deixo por conta, ficam enfiados em cantorias e danças, as feitiçarias desses negros só respeitam a mão que controla o rebenque. O olhá do Capitão ia do palheiro té os dois preto qui desembarcava as madeira da carroça. Ele montava o fumo e a palha embaixo da lua crescente. O barco do siô Barros tava encostado na esquina das água, no meio do capinzal, embalava com as ondulação do rio enquanto recebia as madeira atabafada.
Não tinha chilique no jeito de enrolá a palha, era pacientoso, não alarmava por susto, tava sempre preparado pros avisado e desavisado, mais, naquela noite, ansiava pelo seu chimarrão qui precisava sê atrasado. Sentia falta do mate amargo e a água quente. Na incumbência de vigiá aquele serviço secreto, não tinha razão iluminá a escuridão, a fogueira podia esperá, não era o causo de fazê o fogo pra fervura a água da chaleira. Não podia chamá atenção de algum espiadô, não queria se arriscá com bisbilhotice, O serviço deve ser secreto, no escuro e longe da ponte, Entendi, siô Barros, o patrão lhe metia nos apuro, não lhe perguntava nada, nem lhe chamava pelo apelido: fiô.
O coração lhe subia a garganta, mais não mexia nenhum nervo, te qui explodia a fúria
—        Criolo, cuidado! As tábuas não podem molhá! — ele quebrava o silêncio das tábuas sendo desembarcada, não conseguia evitá, parecia qui o bastardo precisava alertá qui ele mandava, existe gente assim, não basta comandá, subí na vida, tem qui dominá a esperança do outro. O Capitão queria um pouco mais, ele queria branqueá. Sabia qui ia morrê sem o nome do siô e sem o reconhecimento do pai, mais queria a confiança do siô, queria sê alforriado, queria podê casá com moça branca.
Não mostrava os dente pros negro se não fosse pra mordê, um infame aborrascado. Tudo era causo de castigo no modo de pensá do bastardo, era e não era nada, tinha e não tinha nada, filho sem pai da escrava Rita, a nêga Rita do siô, qui fez questão de levá junto, té a siá Casta lhe deu pouca importância, Vosmecê pode ter as escravas que quiser, mas não me arrume uma amante branca. A mãe do bastardo também não era nada. Dava importância mostrá pros olho do siô qui não sentia pena nem dó dos negro, riscava o couro com sangue e sal, Hoje, acordei com o pensamento de não acabá o dia sem fazê salmora rosada. Lembrô das ordem do pai, Me façam o desembarque do jeito escondido. E ordem do siô é ordem qui precisa de cumprimento.
O Josino aproveitô o descuido do grito, o desconcerto do bastardo
—        Capitão... — o adulterado qui carregava na cara a vista verde do pai, num olho, e a vista preta da mãe, no outro olho, não parô de vigiá os dois negro carregadô, não interrompeu os trabalho com o palheiro, nem mudô a boca ou a posição das vista, a verde nos escravo, a preta no palheiro
—        O que é, negro? — o Josino qui começô aquela conversa arriscada, chegô a pensá qui seria melhó adiá ou esquecê a prosa, mais a língua não conseguiu ficá escondida na boca, Meu preto, tem tempo pra tudo, é preciso paciência, Não quero mais proteção, quero reparação, Ocê é o meu siô, o siô da Milagres, escutá o siô dos Milagres qui ocê tem dentro
—        Posso lhe fazê uma pergunta? — o adulterado não mexeu com nada na cara, esperô terminá o fumigadô, mais não lhe olhô o tempo duma piscadela, enfiô o palheiro terminado na saca dos pronto, começô outro
—        Fale, logo. — nenhum podia mais recuá do palavrório, nem o qui ia perguntá, nem o outro, qui não ia respondê
—        Essas madeira se parece com as madeira qui foi largada no Largo da Quitanda... não faz muitos dia.
O Capitão do olho verde ficô acautelado, nenhum naco do peçonho se mexeu. A voz não saiu do jeito qui queria, não foi grito, vontade não lhe faltava, não foi sussurro, mais se pareceu com o chocalho da boiquira antes do bote
—        Isso não foi pergunta, é conversa de assunto qui não interessa nos olho do negro. Ocê só tem uma obrigação no pensamento, no caso de ocê pensá, é claro, apenas um cuidado: obedecê, fazê os serviços pra não sofrê os horrores do inferno. Eu sô o inferno!
—        Pensava qui as tábua era pra obra santa...
—        E desde quando criolo pensa? — tem vez qui é preciso sabê do perigo qui pode deitá o fogo na casa. O Josino não parõ pra escutá o capitão esverdeado, continuava descarregando no barco as tábua em questão, E pelo jeito das prancha, pensô Josino, esse reparte nem chegô descê no canteiro das obra santa. Ficô encilhada, esperando as providência da retirada, parte do donativo voltava pro doadô, qui dava com uma das mão, tirava com a outra.
O Capitão acabô mais um cigarro de palha, levantô da pedra, parô na frente do Josino, a prancha apoiada nas costa do escravo
—        Criolo não mete o nariz onde não é devido. Isso é assunto do siô e não cabe na boca do criolo, se o criolo insistì com essa curiosidade, aquela negra, qui parece não sabê o qui é melhó pra ela, vai recebê notícia qui não é boa... — os pé do Josino afundava na areia da água, parecia qui a prnacha lhe enfiava pra dentro da garganta da terra molhada — ... vai sabê qui o criolo dela fugiu e não voltô. Deixô ela pra trás. E o siô vai precisá colocá outro criolo na rede da negra Milagres.
Os dois preto se olhava, nos olho as faísca pulava, Tem tempo, Josino, tem tempo pra tudo, Mais minha preta, Tem hora, meu preto, essa não é a boa hora. A brisa carregava a fedentina dos peixe morto, os resto do pescado qui foi perdido com as miudeza desentranhada, tudo boiava, o fedô e as entranha
—        Ocê qué o meu lugá na rede?
—        Eu não sou negro!
—        Eu sei, ocê é um bastardo.
As faísca devorava os olho um do outro. Quem sabe pescá não degenera pela fome, sabe escutá o encantamento suave do rio lambendo as perna do pescadô, É preciso sabê esperá, respeitá as vontade do intestino, ele tem hora e tempo pra funcioná.
O Josino desviô do bastardo do mato, entrô na água e embarcô outra tábua. Não soltô o suspiro qui queria. Ergueu as vista e viu as lanterna amarela brilhando, anunciando as ruas da vila. O Betobento já tava na sua lida. A brisa apodrecida, o barulho das águas conformada em chegá e partí, nenhum desespero
—        Um tempinho de descanso? — a pergunta inesperada do Tição desconcertô o capitão bastardo, a primeira vez qui um negro se atrevia tanto
—        É claro que não... não tem necessidade do descanso, quanto antes ocês terminam o serviço mais cedo tiram os pé do rio. — desenrolô a chibata e estalô na água, tinha recuperado a força da mão, depois acertô os dois, alvo fácil, tavam afundado té os joelho. Os dois balançaram descontrolado e desceram na água té as virilha — terminem o que foi começado.
As prancha parecia com os osso raspado de um cadáver maldito qui ninguém reclama. Os dois preto na água parecia o cadáver maldito qui todo branco qué escondê, mais antes, precisá usá, esfolá, fatiá té perdê a serventia. Josino sentiu qui a brisa vinha com aviso da sua preta, endireitô as costa e ficô parado, a prancha deitada por cima, té qui ela lhe encontrô, coçô o carinho qui carregava, Meu preto, ocê precisa tê mais cuidado, tem gente com gosto só em odiá.

Mais um estalo do chicote.

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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Auto-ajuda: Imaginem a humanidade, a justiça... está escrito no metrô

Simon And Garfunkel





Sem campos de destruição, sem bombas! Sem fome sem dor Desculpem-me é tudo que você precisa dizer, mas não diz



Apenas segure a minha mão, não tenha medo, pergunte meu nome, por favor, não me faça implorar, mas se for preciso eu imploro, além do escuro, pela paz. 
Não derrame lágrimas no Paraíso. Você saberia o meu nome se escutasse o João. Imagine-se ouvindo as palavras do João: Uma humanidade, uma justiça, sem campos de destruição. Somos apenas um mundo, não mande o sol para o Inferno, nem faça as lágrimas derramarem dos meus olhos, eu consigo enxugar, mas não consigo juntar os pedaços do sol.
Pare de conversar sem falar, chega de ouvir sem escutar.
Eu não consigo enxugar todas as minhas lágrimas, águas turbulentas ou águas mansas, de qualquer maneira, são elas que me fazem navegar como uma ponte na escuridão das suas bombas. Estamos todos do mesmo lado. Construa pontes, não nos lance na escuridão. Não quebre o som do silêncio 



Simon Garfunkel
Sound Of Silence










Vá até o metrô, as palavras estão lá. Imagine o metrô, é fácil você tentar. Espero que um dia você se junte a nós. Não sou um sonhador, apenas não quero viver morrendo de medo. Viver morrendo como vermes insaciáveis no ventre. Você continua falando, não está escutando minhas vozes, você ama a guerra. Tolo, digo eu, você é um tolo, um câncer que cresce como silenciosas gotas de chuva num poço, preso nas paredes do seu Inferno de bombas




Eric Clapton
Tears In Heaven








As bombas saem do seu ventre facilmente... vermes insaciáveis. 
Eu sei, você ama a guerra! 
Lembro Hiroshima e Nagasaki. E você me diz não consegue evitar. Não sei as palavras certas, espero que não sejam morte e guerra que você tenha para dizer. 
Gerações e canções passam e pouco muda, você continua matando. Olhando do sofá as vidas se vão despedaçadas facilmente. Não posso perdoá-lo, isso não é nenhuma piada sobre mim ou sobre você, é sobre a dor e o sofrimento que não tem cura. 
Pelo menos, nessa noite, não jogue bombas, pense melhor, talvez não exista o Paraíso, só o Inferno das suas bombas. 
É preciso ser forte para matar, você diz. Não é preciso ser forte para matar, basta ter vontade, é preciso ser forte para não matar. A vida não lhe pertence



Dire Straits
Brothers In Arms










Não quero o Inferno das suas bombas de fome, egoísmo e águas turbulentas do Paraíso material. Navegue e brilhe com todos e todas



Simon and Garfunkel
Bridge over trouble water










Um dia, as pessoas que se curvaram para você, lerão as palavras do profeta no metrô, desistirão do céu material... para viverem em paz! As árvores voltarão a crescer verdes e as rosas vermelhas. Sinta... o mundo é maravilhoso sem as suas bombas no brilho abençoado do dia e nas escuridão sagrada da noite. 
O Senhor das Armas sabe dizer: eu te amo? É tudo que precisa dizer. O Senhor das Armas sabe parar de matar? É tudo que precisa fazer, mas você só diz, Tudo sempre foi assim, então por que se preocupar?... Mas eu teimo em dizer que o seu Paraíso é o Inferno, não existe um Paraíso celestial. Eu o chamo de ingênuo. Você tenta me calar e me chama de arrogante.
Desculpe é tudo que precisamos dizer, mas não dizemos.
Não quero o Inferno das suas bombas de fome e egoísmo. Eu sei, você teima que o caminho ao Paraíso celestial exige sacrifício. Foda-se




John Lennon
Imagine









Então, querida... todo o resto é por acaso
tudo sempre foi assim, então por que se preocupar




Dire Straits
Why Worry?









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Auto-ajuda: Com ou sem você