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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Onde estão as mulheres na roda de samba?

Empoderadas do Samba





Roda de samba em SP discute machismo e feminismo negro













Apesar de o Brasil ter muitas cantoras e compositoras renomadas, as rodas de samba geralmente são espaços ocupados por homens. Mas um grupo de mulheres negras decidiu ocupar esses espaços em São Paulo, pra discutir o machismo e feminismo negro.








sábado, 7 de novembro de 2015

interessante os ícones com as filosofias e psicologias daqui dali... suas prisões e liberdades: brega ou popular?

Odair José




o fazedor de crônicas musicais






Pare De Tomar A Pílula


Já nem sei há quanto tempo
Nossa vida é uma vida só
E nada mais

Nossos dias vão passando
E você sempre deixando
Tudo pra depois

Todo dia a gente ama
Mais você não quer deixar nascer
O fruto desse amor

Não entende que é preciso
Ter alguém em nossa vida
Seja como for

Você diz que me adora
Que tudo nessa vida sou eu
Então eu quero ver você
Esperando um filho meu
Entao eu quero ver você
Esperando um filho meu


(refrão)

Pare de tomar a pílula
Pare de tomar a pílula
Pare de tomar a pílula
Porque ela não deixa o nosso filho nascer
(3x)

Você diz que me adora
Que tudo nessa vida sou eu
Entao eu quero ver você
Esperando um filho meu
Entao eu quero ver você
Esperando um filho meu

Pare de tomar a pílula
Pare de tomar a pílula
Pare de tomar a pílula
Porque ela não deixa o nosso filho nascer
(3x)


Composição: Ana Maria / Odair José




A noite Mais Linda do Mundo




Vamos fazer dessa noite
A noite mais linda do mundo
Vamos viver nessa noite
A vida inteira num segundo
Felicidade
Não existe
O que existe na vida
São momentos felizes
Vamos fazer dessa noite
A noite mais linda do mundo
Vamos viver nessa noite
A vida inteira num segundo
Felicidade
Não existe
O que existe na vida
São momentos felizes
A gente pode ser feliz
Viver a vida sem sofrer
É não pensar no que vai ser, Oh!
Não me pergunte se amanhã
O nosso amor vai existir
Não me pergunte
Pois não sei.



Composição: Donizette




Zeca Baleiro, Odair José e Paulo Diniz





Entrevista do cantor Odair José





Eu vou tirar você desse lugar




Olha, a primeira vez que eu estive aqui
Foi só pra me distrair
Eu vim em busca do amor

Olha, foi então que eu lhe conheci
Naquela noite fria
Em seus braços, meus problemas esqueci

Olha, a segunda vez que eu estive aqui
Já não foi pra distrair
Eu senti saudades de você

Olha, eu precisei do seu carinho
Pois eu me sentia tão sozinho
E já não podia mais lhe esquecer

Eu vou tirar você desse lugar
Eu vou levar você pra ficar comigo
E não me interessa o que os outros vão pensar

Eu vou tirar você desse lugar
Eu vou levar você pra ficar comigo
E não me interessa o que os outros vão pensar

Eu sei que você tem medo de não dar certo
Pensa que o passado vai estar sempre perto
E que um dia eu posso me arrepender

Eu quero que você não pense em nada triste
Pois quando o amor existe
Não existe tempo pra sofrer

Eu vou tirar você desse lugar
Eu vou levar você pra ficar comigo
E não me interessa o que os outros vão pensar

Eu vou tirar você desse lugar
Eu vou levar você pra ficar comigo
E não me interessa o que os outros vão pensar



Composição: Odair Jose




Deixe essa vergonha de lado





Eu já sei que essa casa onde você diz morar
Onde todo dia no portão eu venho lhe esperar
não é a sua casa

Eu já sei que o seu quarto fica lá no fundo
E se você pudesse fugir desse mundo e nunca mais
voltar

Eu já sei que esse garoto que você leva pra brincar
E que todo dia na escola você vai buscar
não é o seu irmão

Ele é filho dessa gente importante
E às vezes também é seu por um instante
Apenas dentro do seu coração

Deixe essa vergonha de lado!
Pois nada disso tem valor
Por você ser uma simples empregada
não vai modificar o meu amor

Eu já sei porque você não me convida pra entrar
E se falo nessas coisas, você procura disfarçar
Fingindo não entender

Eu já sei porque você não me apresenta seus pais
Eu entendo a razão de tudo isso que você faz:
É medo de me perder

Eu já sei que na verdade nada disso você quis
você simplesmente pensou em ser feliz
Aí, não quis dizer

Mas você tem uma coisa, pode ter certeza
O amor que você tem por mim é a maior riqueza
Que eu preciso ter

Deixe essa vergonha de lado!
Pois nada disso tem valor
Por você ser uma simples empregada
não vai modificar o meu amor




quarta-feira, 16 de setembro de 2015

um certo homem, de uma certa região e de uma certa etnia... um Negro Gaúcho

Lanceiros Negros



Peleia, negro, peleia pela tua independência
Semeia, negro, semeia teus direitos na querência
que a razão vença a lança








"Porém, o imaginário do ser gaúcho está associado com o rural, com o pampa, com uma indumentária e com hábitos específicos. A identidade do povo rio-grandense remete-se a um passado ideal que silencia a presença do índio e do negro como elementos formadores da “raça gaúcha”. Pauta-se pelo contraste a outras identidades e forma-se pela negação e silenciamento do outro, relacionando-se somente a um certo homem, de uma certa região e de uma certa etnia." A Revolução Farroupilha através da música: A construção do Negro Gaúcho



Lanceiros Negros
João Quintana Vieira



Sem anos de escola
Nem leitos e estradas
Na causa farrapa um pelotão de escravos
Partiu da senzala buscando horizontes
Repontando anseios por campos de brabo (???)
Mãos com cicatrizes e pés calejados
Empunhando as lanças rumo ao fim sinistro
Sustentando a guerra que eles não fizeram
Brigas de governos ou de alguns ministros
Sustentando a guerra que eles não fizeram
Brigas de governos ou de algum ministro
E no Ponche Verde as flores que nascem
Parecem bandeiras da luta tenaz
Onde os combatentes e Lanceiros Negros
Plantaram com sangue a semente da paz
E no Ponche Verde as flores que nascem
Parecem bandeiras da luta tenaz
Onde os combatentes e Lanceiros Negros
Plantaram com sangue a semente da paz
Com ventos e chuva
Tomaram o relento
Propiaram saudades
Deixada nos biongos*
Carregaram sonhos
De nação mais justa
Para tombar peleando
Lá pelos Porongos
A diplomacia calou forças brutas
Pelotões de escravos foram libertados
E os campos da paz resistindo aos tempos
Guardaram conquistas daqueles tratados
E os campos da paz resistindo aos tempos
Guardaram conquistas daqueles tratados
E no Ponche Verde as flores que nascem
Parecem bandeiras da luta tenaz
Onde os combatentes e Lanceiros Negros
Plantaram com sangue a semente da paz
E no Ponche Verde as flores que nascem
Parecem bandeiras da luta tenaz
Onde os combatentes e Lanceiros Negros
Plantaram com sangue a semente da paz
Onde os combatentes e Lanceiros Negros
Plantaram com sangue a semente da paz
A semente da paz, a semente da paz



*casebre, biboca, choça.










O Negro de 35
César Passarinho



A negritude trazia a marca da escravidão
Quem tinha a pele polianga vivia na escuridão
Desgarrado e acorrentado, sem ter direito à razão
Castrado de seus direitos não tinha casta nem grei*
Nos idos de trinta e cinco, quando o caudilho era o rei
E o branco determinava, fazia e ditava a lei
Apesar de racional, vivia o negro na encerra
E adagas furavam palas, ensangüentando esta terra
Da solidão das senzalas tiraram o negro pra guerra
(Peleia, negro, peleia pela tua independência
Semeia, negro, semeia teus direitos na querência)
Deixar o trabalho escravo, seguir destino campeiro
As promessas de igualdade aos filhos no cativeiro
E buscando liberdade o negro se fez guerreiro
O tempo nas suas andanças viajou nas asas do vento
Fez-se a paz, voltou a confiança, renovaram pensamentos
A razão venceu a lança e apagou ressentimentos
Veio a lei Afonso Arinos cultivando outras verdades
Trouxe a semente do amor para uma safra de igualdade
Porque o amor não tem cor, sem cor é a fraternidade
(Peleia, negro, peleia com as armas da inteligência
Semeia, negro, semeia teus direitos na querência)


*Nação, povo













Negro da Gaita
Cesar Passarinho


Mata o silêncio dos mates, a cordeona voz trocada
E a mão campeira do negro, passeando aveludada
Nos botões chora segredos, que ele juntou pela estrada

(Quando o negro abre essa gaita
Abre o livro da sua vida
Marcado de poeira e pampa
Em cada nota sentida)

Quando o pai que foi gaiteiro, desta vida se ausentou
O negro piá solitário, tal como pedra rolou
E se fez homem proseando, com a gaita que o pai deixou

E a gaita se fez baú para causos e canções
Do negro que passa a vida, mastigando solidões
E vai semeando recuerdos, por estradas e galpões






Lanceiros Negros
Oliveira Silveira


Carga de lança - diante do inimigo
a noite
              uma noite pontuda
de ir rasgando entranhas
como rasgava roupas
                       pele
                       carne
                       tudo
a sanha
                      de não velhos açoites.

Carga de lança - no campo da luta
a noite
                      negra e pontiaguda
Sombras noturnas rolam no horizonte,
há nuvens de sangue no chão.
E cada lanceiro estendido
é uma noite pisoteada
- roupas e entranhas rasgadas -
noite que ficou
para sempre libertada.

Carga de lança - noite alforriada.






Os Lanceiros Negros demonstraram grande capacidade de luta e combatividade durante a guerra farrapa. Descrevendo sua participação nas batalhas, Garibaldi - o "herói dos dois mundos" - diz:
Já os terríveis lanceiros (...), todos livres e todos domadores de cavalos, tinham feito um movimento de avanço envolvendo o flanco direito do inimigo, que se viu obrigado fazer-lhes frente também pela direita, em desordem. Os valentes libertos, imponentes pela ferocidade, se faziam mais firmes do que nunca e aquele incomparável pelotão, composto de escravos alforriados pela República, selecionados entre os mais hábeis domadores da Província, todos negros, exceto os oficiais superiores, parecia uma floresta de lanças. O inimigo jamais tinha visto pelas costas estes verdadeiros filhos da liberdade, que tão bem combatiam por ela. Suas lanças mais longas do que o normal, suas caras negríssimas, suas robustas extremidades, endurecidas pelo constante e fatigante exercício, e sua perfeita disciplina, infundiam terror ao inimigo.  Garibaldi, Giuseppe. Memórias. Buenos Aires: Biblioteca de La Nación, 1910, p. 132.

Trecho do encarte Revolução Farroupilha, 5 edição. Publicação do Gabinete do Deputado Raul Carrion. Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul.