contos e poesia no butekudu baitasar.
a humanidade solidária e amorosa construída com todos incluídos num outro mundo possível, por la vida... siempre!
li nas redes sociais: "se tua religião te faz odiar pessoas por qualquer razão, procura frequentar um buteku e paga os mesmos 10% ao garçom!", enfim... "descobri que a seu tempo vão me chorar e esquecer."
Roda de samba em SP discute machismo e feminismo negro
Apesar de o Brasil ter muitas cantoras e compositoras renomadas, as rodas de samba geralmente são espaços ocupados por homens. Mas um grupo de mulheres negras decidiu ocupar esses espaços em São Paulo, pra discutir o machismo e feminismo negro.
Já nem sei há quanto tempo Nossa vida é uma vida só E nada mais
Nossos dias vão passando E você sempre deixando Tudo pra depois
Todo dia a gente ama Mais você não quer deixar nascer O fruto desse amor
Não entende que é preciso Ter alguém em nossa vida Seja como for
Você diz que me adora Que tudo nessa vida sou eu Então eu quero ver você Esperando um filho meu Entao eu quero ver você Esperando um filho meu
(refrão)
Pare de tomar a pílula Pare de tomar a pílula Pare de tomar a pílula Porque ela não deixa o nosso filho nascer (3x) Você diz que me adora Que tudo nessa vida sou eu Entao eu quero ver você Esperando um filho meu Entao eu quero ver você Esperando um filho meu
Pare de tomar a pílula Pare de tomar a pílula Pare de tomar a pílula Porque ela não deixa o nosso filho nascer (3x)
Composição: Ana Maria / Odair José
A noite Mais Linda do Mundo
Vamos fazer dessa noite A noite mais linda do mundo Vamos viver nessa noite A vida inteira num segundo Felicidade Não existe O que existe na vida São momentos felizes Vamos fazer dessa noite A noite mais linda do mundo Vamos viver nessa noite A vida inteira num segundo Felicidade Não existe O que existe na vida São momentos felizes A gente pode ser feliz Viver a vida sem sofrer É não pensar no que vai ser, Oh! Não me pergunte se amanhã O nosso amor vai existir Não me pergunte Pois não sei.
Composição: Donizette
Zeca Baleiro, Odair José e Paulo Diniz
Entrevista do cantor Odair José
Eu vou tirar você desse lugar
Olha, a primeira vez que eu estive aqui Foi só pra me distrair Eu vim em busca do amor
Olha, foi então que eu lhe conheci Naquela noite fria Em seus braços, meus problemas esqueci
Olha, a segunda vez que eu estive aqui Já não foi pra distrair Eu senti saudades de você
Olha, eu precisei do seu carinho Pois eu me sentia tão sozinho E já não podia mais lhe esquecer
Eu vou tirar você desse lugar Eu vou levar você pra ficar comigo E não me interessa o que os outros vão pensar
Eu vou tirar você desse lugar Eu vou levar você pra ficar comigo E não me interessa o que os outros vão pensar
Eu sei que você tem medo de não dar certo Pensa que o passado vai estar sempre perto E que um dia eu posso me arrepender
Eu quero que você não pense em nada triste Pois quando o amor existe Não existe tempo pra sofrer
Eu vou tirar você desse lugar Eu vou levar você pra ficar comigo E não me interessa o que os outros vão pensar
Eu vou tirar você desse lugar Eu vou levar você pra ficar comigo E não me interessa o que os outros vão pensar
Composição: Odair Jose
Deixe essa vergonha de lado
Eu já sei que essa casa onde você diz morar Onde todo dia no portão eu venho lhe esperar não é a sua casa
Eu já sei que o seu quarto fica lá no fundo E se você pudesse fugir desse mundo e nunca mais voltar
Eu já sei que esse garoto que você leva pra brincar E que todo dia na escola você vai buscar não é o seu irmão
Ele é filho dessa gente importante E às vezes também é seu por um instante Apenas dentro do seu coração
Deixe essa vergonha de lado! Pois nada disso tem valor Por você ser uma simples empregada não vai modificar o meu amor
Eu já sei porque você não me convida pra entrar E se falo nessas coisas, você procura disfarçar Fingindo não entender
Eu já sei porque você não me apresenta seus pais Eu entendo a razão de tudo isso que você faz: É medo de me perder
Eu já sei que na verdade nada disso você quis você simplesmente pensou em ser feliz Aí, não quis dizer
Mas você tem uma coisa, pode ter certeza O amor que você tem por mim é a maior riqueza Que eu preciso ter
Deixe essa vergonha de lado! Pois nada disso tem valor Por você ser uma simples empregada não vai modificar o meu amor
Peleia, negro, peleia pela tua independência Semeia, negro, semeia teus direitos na querência que a razão vença a lança
"Porém, o imaginário do ser gaúcho está associado com o rural, com o pampa, com uma indumentária e com hábitos específicos. A identidade do povo rio-grandense remete-se a um passado ideal que silencia a presença do índio e do negro como elementos formadores da “raça gaúcha”. Pauta-se pelo contraste a outras identidades e forma-se pela negação e silenciamento do outro, relacionando-se somente a um certo homem, de uma certa região e de uma certa etnia." A Revolução Farroupilha através da música: A construção do Negro Gaúcho
Lanceiros Negros
João Quintana Vieira
Sem anos de escola Nem leitos e estradas Na causa farrapa um pelotão de escravos Partiu da senzala buscando horizontes Repontando anseios por campos de brabo (???) Mãos com cicatrizes e pés calejados Empunhando as lanças rumo ao fim sinistro Sustentando a guerra que eles não fizeram Brigas de governos ou de alguns ministros Sustentando a guerra que eles não fizeram Brigas de governos ou de algum ministro E no Ponche Verde as flores que nascem Parecem bandeiras da luta tenaz Onde os combatentes e Lanceiros Negros Plantaram com sangue a semente da paz E no Ponche Verde as flores que nascem Parecem bandeiras da luta tenaz Onde os combatentes e Lanceiros Negros Plantaram com sangue a semente da paz Com ventos e chuva Tomaram o relento Propiaram saudades Deixada nos biongos* Carregaram sonhos De nação mais justa Para tombar peleando Lá pelos Porongos A diplomacia calou forças brutas Pelotões de escravos foram libertados E os campos da paz resistindo aos tempos Guardaram conquistas daqueles tratados E os campos da paz resistindo aos tempos Guardaram conquistas daqueles tratados E no Ponche Verde as flores que nascem Parecem bandeiras da luta tenaz Onde os combatentes e Lanceiros Negros Plantaram com sangue a semente da paz E no Ponche Verde as flores que nascem Parecem bandeiras da luta tenaz Onde os combatentes e Lanceiros Negros Plantaram com sangue a semente da paz Onde os combatentes e Lanceiros Negros Plantaram com sangue a semente da paz A semente da paz, a semente da paz
*casebre, biboca, choça.
O Negro de 35
César Passarinho
A negritude trazia a marca da escravidão Quem tinha a pele polianga vivia na escuridão Desgarrado e acorrentado, sem ter direito à razão Castrado de seus direitos não tinha casta nem grei* Nos idos de trinta e cinco, quando o caudilho era o rei E o branco determinava, fazia e ditava a lei Apesar de racional, vivia o negro na encerra E adagas furavam palas, ensangüentando esta terra Da solidão das senzalas tiraram o negro pra guerra (Peleia, negro, peleia pela tua independência Semeia, negro, semeia teus direitos na querência) Deixar o trabalho escravo, seguir destino campeiro As promessas de igualdade aos filhos no cativeiro E buscando liberdade o negro se fez guerreiro O tempo nas suas andanças viajou nas asas do vento Fez-se a paz, voltou a confiança, renovaram pensamentos A razão venceu a lança e apagou ressentimentos Veio a lei Afonso Arinos cultivando outras verdades Trouxe a semente do amor para uma safra de igualdade Porque o amor não tem cor, sem cor é a fraternidade (Peleia, negro, peleia com as armas da inteligência Semeia, negro, semeia teus direitos na querência)
*Nação, povo
Negro da Gaita Cesar Passarinho
Mata o silêncio dos mates, a cordeona voz trocada E a mão campeira do negro, passeando aveludada Nos botões chora segredos, que ele juntou pela estrada
(Quando o negro abre essa gaita Abre o livro da sua vida Marcado de poeira e pampa Em cada nota sentida)
Quando o pai que foi gaiteiro, desta vida se ausentou O negro piá solitário, tal como pedra rolou E se fez homem proseando, com a gaita que o pai deixou
E a gaita se fez baú para causos e canções Do negro que passa a vida, mastigando solidões E vai semeando recuerdos, por estradas e galpões
Lanceiros Negros Oliveira Silveira
Carga de lança - diante do inimigo a noite uma noite pontuda de ir rasgando entranhas como rasgava roupas pele carne tudo a sanha de não velhos açoites. Carga de lança - no campo da luta a noite negra e pontiaguda Sombras noturnas rolam no horizonte, há nuvens de sangue no chão. E cada lanceiro estendido é uma noite pisoteada - roupas e entranhas rasgadas - noite que ficou para sempre libertada. Carga de lança - noite alforriada.
Os Lanceiros Negros demonstraram grande capacidade de luta e combatividade durante a guerra farrapa. Descrevendo sua participação nas batalhas, Garibaldi - o "herói dos dois mundos" - diz:
Já os terríveis lanceiros (...), todos livres e todos domadores de cavalos, tinham feito um movimento de avanço envolvendo o flanco direito do inimigo, que se viu obrigado fazer-lhes frente também pela direita, em desordem. Os valentes libertos, imponentes pela ferocidade, se faziam mais firmes do que nunca e aquele incomparável pelotão, composto de escravos alforriados pela República, selecionados entre os mais hábeis domadores da Província, todos negros, exceto os oficiais superiores, parecia uma floresta de lanças. O inimigo jamais tinha visto pelas costas estes verdadeiros filhos da liberdade, que tão bem combatiam por ela. Suas lanças mais longas do que o normal, suas caras negríssimas, suas robustas extremidades, endurecidas pelo constante e fatigante exercício, e sua perfeita disciplina, infundiam terror ao inimigo. Garibaldi, Giuseppe. Memórias. Buenos Aires: Biblioteca de La Nación, 1910, p. 132.
Trecho do encarte Revolução Farroupilha, 5 edição. Publicação do Gabinete do Deputado Raul Carrion. Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul.