contos e poesia no butekudu baitasar.
a humanidade solidária e amorosa construída com todos incluídos num outro mundo possível, por la vida... siempre!
li nas redes sociais: "se tua religião te faz odiar pessoas por qualquer razão, procura frequentar um buteku e paga os mesmos 10% ao garçom!", enfim... "descobri que a seu tempo vão me chorar e esquecer."
Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (Sapé, 20 de abril de 1884 – Leopoldina, 12 de novembro de 1914) foi um poeta e professor brasileiro reconhecido como um dos principais expoentes do simbolismo e do pré-modernismo brasileiro. Augusto dos Anjos, talvez, o mais sombrio dos poetas brasileiros, foi também o mais original. Sua obra poética, composta por apenas um livro de poemas, não se encaixa em nenhuma escola literária, embora tenha sido influenciado por características do Naturalismo e do Simbolismo, a produção única de Augusto dos Anjos não pode ser enquadrada em nenhum desses movimentos. E por isso pode ser classificado juntamente aos seus contemporâneos do Pré-Modernismo.
Digitalização dos originais
Edição de referência: Rio de Janeiro: [s. n.], 1912. páginas 5-11.
Trata‐se de uma referência, a mais fiel possível, a um documento original. Neste sentido, foi mantida a integridade e a autenticidade da fonte, não realizando alterações.
Obra publicada em 1912
Obras que entraram em domínio público pela lei 5988 de 1973
na fôrma definitiva, restituida á versão authentica.
com uma inlroducção bibliographica e annotações de
AFRANIO PEIXOTO
ESPUMAS FLUCTUANTES
reproducção fiel da edição original de 1870
HYMNOS DO EQUADOR
publicações posthumas e poesias inéditas
OS ESCRAVOS
texto integral, parte inédita, com
A CACHOEIRA DE PAULO AFFONSO
GONZAGA, OU A REVOLUÇÃO DE MINAS
drama em 4 actos, segundo a edição original
VÁRIOS INÉDITOS — CORRESPONDÊNCIA
conforme autographos e manuscriptos authenticos
ESPUMAS FLUCTUANTES
Bahia - 1870
A' MEMÓRIA
DE
MEU PAE,
DE
MINHA MÃE
E DE
MEU IRMÃO
O. D. C
Poesias Lyricas
O CORAÇÃO
O coração é o colibri dourado
Das veigas puras do jardim do céu.
Um — tem o mel da granadilha agreste,
Bebe os perfumes, que a bonina deu.
O outro — vôa em mais virentes balsas,
Pousa de um riso na rubente flor.
Vive do mel — a que se chama — crenças —,
Vive do aroma — que se diz — amor. —
Recife, 1865.
Espumas Fluctuantes, Edição original: XXXII
PENSAMENTO DE AMOR
Quero viver de esperança
Quero tremer e sentir!
Na tua trança cheirosa
Quero sonhar e dormir.
A. DE AZEVEDO.
O' pallida madona de meus sonhos,
Doce filha dos serros de Engadi!
Vem inspirar os sonhos do poeta,
Rosa branca da lyra de David.
Todo o amor que em meu peito repousava,
Como o orvalho das noites ao relento,
A teu seio elevou-se, como as nevoas,
Que se perdem no azul do firmamento.
Aqui... além... mais longe, em toda a parte,
Meu pensamento segue o passo teu.
Tu és a minha luz, — sou tua sombra,
Eu sou teu lago, — se tu és meu céu.
Lá, no theatro, ao som das harmonias,
Vendo-te a fronte altiva e peregrina...
Eu apertava o seio murmurando:
"Oh! mata-me de amor, mulher divina!"
A' tarde, quando chegas á janella,
A trança solta, onde suspira o vento,
Minha alma te contempla de joelhos...
A teus pés vae gemer meu pensamento.
Inda hontem, á noite, no piano
Os dedos teus corriam no teclado;
Que, ás caricias destas mãos formosas,
Gemia e suspirava apaixonado.
Depois cantaste... e a ária suspirosa
Veio n'alma accender-me mais desejos;
Dir-se-ia que essas notas eram doces
Como sussurro de amorosos beijos.
Oh! diz'-me, diz'-me, que ainda posso um dia
De teus lábios beber o mel dos céus;
Que eu te direi, mulher dos meus amores:
— Amar-te ainda é melhor do que ser Deus!
Bahia, 1865.
____________________ Cf. com um manuscripto de Augusto Alvares Guimarães, num livro de versos do Poeta, cm. por D. Ade
laide de Castro Alves Guimarães. Em baixo da pagina
havia esta nota, relativa á derradeira estância: "esta
ultima estrophe está riscada". Pbl. sob o titulo "****"
na "s"" (VP) Edição das Espumas Fluctuantes, de
Seraphim José Alves, Rio de Janeiro (1881): "appendice": X. Sob o titulo "Anceios" vem na edição da A
Cachoeira de Paulo Affonso, de Cruz Coutinho, Rio,
1882, "appendice": V. Nas Poesias, Bahia (1913) : XLV,
tem o titulo "Devaneios". O adoptado aqui é o authentico, que lhe deu o Poeta. Segundo me referiu D. Simy Carvalho, a Amzalack destinatária da "Hebréa", foi esta poesia dirigida
a sua linda irmã Esther, depois sra. José Henschel. As
reminiscencias "do theatro", "ao piano", "á janella", da
"trança solta onde suspira o vento", "cantando..." são
confirmadas por outros testemunhos deste namoro. A
confissão é tão explicita, que não ousou o Poeta escrever o nome da amada: vae declarado nos "Anjos da
meia noite", soneto "Esther".
Antônio Frederico de Castro Alves - foi um poeta, dramaturgo e advogado brasileiro, considerado o principal representante da terceira geração do romantismo no Brasil. Ficou conhecido por seus poemas abolicionistas, que renderam-lhe a alcunha de "poeta dos escravos".
Nascimento: 14 de março de 1847, Castro Alves, Bahia - Falecimento: 6 de julho de 1871 (24 anos), Salvador, Bahia.
Influenciado por: Gonçalves Dias, Lord Byron, Victor Hugo,
Formação: Faculdade de Direito do Recife | FDR, Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP)
Pais: Clélia Brasília da Silva Castro, Antônio José Alves
Irmãos: Adelaide Alves, Cassiano José Alves
O “poeta dos escravos” foi um poeta sensível aos graves problemas sociais do seu tempo. Expressou sua indignação contra as tiranias e denunciou a opressão do povo.
A poesia abolicionista é sua melhor realização nessa linha, denunciando energicamente a crueldade da escravidão e clamando pela liberdade. Seu poema abolicionista mais famoso é “O Navio Negreiro”.
Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (Sapé, 20 de abril de 1884 – Leopoldina, 12 de novembro de 1914) foi um poeta e professor brasileiro reconhecido como um dos principais expoentes do simbolismo e do pré-modernismo brasileiro. Augusto dos Anjos, talvez, o mais sombrio dos poetas brasileiros, foi também o mais original. Sua obra poética, composta por apenas um livro de poemas, não se encaixa em nenhuma escola literária, embora tenha sido influenciado por características do Naturalismo e do Simbolismo, a produção única de Augusto dos Anjos não pode ser enquadrada em nenhum desses movimentos. E por isso pode ser classificado juntamente aos seus contemporâneos do Pré-Modernismo.
Digitalização dos originais
Edição de referência: Rio de Janeiro: [s. n.], 1912. páginas 5-11.
Trata‐se de uma referência, a mais fiel possível, a um documento original. Neste sentido, foi mantida a integridade e a autenticidade da fonte, não realizando alterações.
Obra publicada em 1912
Obras que entraram em domínio público pela lei 5988 de 1973
na fôrma definitiva, restituida á versão authentica.
com uma inlroducção bibliographica e annotações de
AFRANIO PEIXOTO
ESPUMAS FLUCTUANTES
reproducção fiel da edição original de 1870
HYMNOS DO EQUADOR
publicações posthumas e poesias inéditas
OS ESCRAVOS
texto integral, parte inédita, com
A CACHOEIRA DE PAULO AFFONSO
GONZAGA, OU A REVOLUÇÃO DE MINAS
drama em 4 actos, segundo a edição original
VÁRIOS INÉDITOS — CORRESPONDÊNCIA
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ESPUMAS FLUCTUANTES
Bahia - 1870
A' MEMÓRIA
DE
MEU PAE,
DE
MINHA MÃE
E DE
MEU IRMÃO
O. D. C
Poesias Lyricas
DALILA
Fair delect oi nature
MILTON (Parodia* loat).
Foi desgraça, meu Deus!... Não!... Foi loucura
Pedir seiva de vida — á sepultura,
Em gelo — me abrasar,
Pedir amores — a Marco sem brio,
E a. rebolcar-me em leito immundo e frio
— A ventura buscar.
Errado viajor — sentei-me á alfombra
E adormeci da mancenilha á sombra
Em berço de setim...
Embalava-me a brisa no meu leito...
Tinha o veneno a lacerar-me o peito
— A morte dentro em mim...
Foi loucura!... No occaso — tomba o astro;
A estatua branca e pura de alabastro
— Se mancha em lodo vil...
Quem rouba a estrella — á tumba do occidente ?
Que Jordão lava na lustrai corrente
O marmóreo perfil?...
Talvez!... Foi sonho!... Em noite nevoenta
Ella passou sósinha, macilenta
Tremendo a soluçar...
Chorava — nenhum echo respondia...
Sorria — a tempestade além bramia...
E ella sempre a marchar.
E eu disse-lhe: Tens frio? — arde minha alma.
Tens os pés a sangrar? — podes em calma
Dormir no peito meu.
Pomba errante — é meu peito um ninho vago!
Estrella — tens minha alma — immenso lago —
Reflecte o rosto teu!...
E amamos... Este amor foi um delírio...
Foi ella minha crença, foi meu lirio,
Minha estrella sem véu...
Seu nome era o meu canto de poesia,
Que com o sol — penna de ouro — eu escrevia
Nas lâminas do céu.
Em seu seio escondi-me... como á noite
Incauto colibri, temendo o açoite
Das iras do tufão,
A cabecinha esconde sob as asas,
Faz seu leito gentil por entre as gazas
Da rosa do Japão.
E depois... embalei-a com meus cantos
Seu passado esqueci... lavei com prantos
Seu lodo e maldição...
... Mas um dia acordei... E mal desperto
Olhei em torno a mim... — Tudo deserto...
Deserto o coração...
Ao vento, que gemia pelas franças
Por ella perguntei... de suas trancas
A' flor que ella deixou...
Debalde... Seu lugar era vazio...
E meu lábio queimado e o peito frio,
Foi ella que o queimou...
Minha alma nodoou no osculo immundo,
Bem como Satanaz — beijando o mundo —
Manchou a creação,
Simoun — crestou-me da esperança as flores...
Tormenta — ella afogou nos seus negrores
A luz da inspiração...
Vai, DalilaL. E' bem longa tua estrada...
E' suave a descida — terminada
Em barathro cruel.
Tua vida — é um banho de ambrosia...
Mais tarde a morte e a lâmpada sombria
Pendente do bordel.
Hoje flores... A musica soando...
As perlas do Champagne gottejando
Em taças de crystal.
A volúpia a escaldar na louca insomnia...
Mas suffoca os festins de Babylonia
A legenda fatal.
Tens o seio de fogo e a alma fria.
O sceptro empunhas lubrico da orgia
Em que reinas tu só!...
Mas que finda o ranger de uma mortalha,
A enxada do coveiro que trabalha
A revolver o pó.
Não te maldigo, não!... Em vasto campo
Julguei-te — estrella, — e eras — pyrilampo
Em meio á cerração...
Prometheu — quis dar luz á fria argilla...
Não pude... Pede a Deus, louca Dalila,
A luz da redempção !...
Recife, 1864.
__________________
Espumas Fluctuantes, Edição original: XXXIX. Pbl. na "Imprensa Acadêmica", de S. Paulo, n". 7,
de 5 de Julho de 1868, quasi sem alteração: apenas, na
9.* estância, ultimo verso: "Foi ella que gelou". A importância desta versão é, porem, a data: "Recife —
Setembro de 1864". 1) Dalila (titulo). Não é a personagem biblica,
como se poderia immediatamente pensar, mas a da ficção de Octavio Feuillet, heroina symbolica que dá o
nome a um drama, em 3 actos e 6 quadros, representa
do em Paris em 1857 pela primeira vez e, depois, por
toda a parte. No Brasil foi levado á scena muitas vezes
e Castro Alves o àpplaudiu, representado por Furtado
Coelho e Eugenia Câmara, a qual encarnava Leonora,
princeza Falconieri, a Dalila que rende os Sansões,
cortezã de excelsa formosura e coração insensível, que
immola perversamente as affeiçôes que desperta e provoca, até as vidas que lhe consagram. O nosso Poeta
vingou no seu canto os artistas, como o desgraçado André Roswein, o "cysne dalmata", que se degrada e
morre por ella, traiçoeira Dalila. 2) Marco (estância i\, v. 4). Na versão da "Imprensa Acadêmica" vem accentuada assim a palavra,
que é como se lê o original francês: "Marco". Personagem principal do drama Les Filies de Marbre, de
Theodore Barrière et Lambert Thiboust, em 5 actos,
representando em 1853 em Paris e depois também por
toda a parte. No Brasil constava do repertório de Furtado Coelho e Eugenia Câmara. As Mulheres de Mármore têm uma dupla celebridade: foram a refutação da these de Alexandre Dumas Filho na Dama das Ca
melias, tentativa de rehabilitação das cortezãs, pelo
amor, e imitação quasi plagiaria, pela Dalila, de Octavio Feuillet. Marco é uma Dalila, como foi depois a.
Leonora, a hetaira que devora os patrimônios e degrada os talentos, insensivel a tudo, excepto ao oiro,
como as "mulheres de mármore", do prefacio, que é o
começo symbolico do drama. Em Athenas, rico amador
encomenda a Phidias três estatuas de mulher, Phryné,
Lais, Aspasia, as quaes tão bellas saem do cinzel que
ao próprio criador apaixonam. Por isso, não quer o
artista entregá-las ao dono, mas apenas restituir-lhe o
dinheiro recebido antecipadamente, ao que não convém
este. Diogenes intervém: as próprias estatuas o decidirão: "Qual preferem dos dois — um, pobre artista, de
gênio e de coração, ou o outro, velho idiota, rico de
oiro?" As mulheres de mármore sorriem a este. O philosopho exclama: "Eu bem vos reconheço, ó mulheres
de mármore, cortezãs do presente, cortezãs do futuro!" Marco, uma destas, em Paris e na época contemporânea, é como as outras, e o drama doloroso e
commovido anda em torno delia. Na poesia de Castro Alves ha allusões claras a situações do drama: Raphael, o moço escultor, de gênio e
sensibilidade, quando se desenlaça da traçoeira que o
empobreceu e degradou, não tem mais gênio nem entusiasmo. O "lábio queimado", o "peito frio", crestadas "as flores da esperança", afogada "a luz da inspiração", nada mais lhe resta, senão morrer. Não creio
que em 1864, quando a escreveu Castro Alves, houvesse allusão pessoal: a poesia traduz apenas, em verso,
uma impressão de teatro.
_______________
Antônio Frederico de Castro Alves - foi um poeta, dramaturgo e advogado brasileiro, considerado o principal representante da terceira geração do romantismo no Brasil. Ficou conhecido por seus poemas abolicionistas, que renderam-lhe a alcunha de "poeta dos escravos".
Nascimento: 14 de março de 1847, Castro Alves, Bahia - Falecimento: 6 de julho de 1871 (24 anos), Salvador, Bahia.
Influenciado por: Gonçalves Dias, Lord Byron, Victor Hugo,
Formação: Faculdade de Direito do Recife | FDR, Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP)
Pais: Clélia Brasília da Silva Castro, Antônio José Alves
Irmãos: Adelaide Alves, Cassiano José Alves
O “poeta dos escravos” foi um poeta sensível aos graves problemas sociais do seu tempo. Expressou sua indignação contra as tiranias e denunciou a opressão do povo.
A poesia abolicionista é sua melhor realização nessa linha, denunciando energicamente a crueldade da escravidão e clamando pela liberdade. Seu poema abolicionista mais famoso é “O Navio Negreiro”.
Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (Sapé, 20 de abril de 1884 – Leopoldina, 12 de novembro de 1914) foi um poeta e professor brasileiro reconhecido como um dos principais expoentes do simbolismo e do pré-modernismo brasileiro. Augusto dos Anjos, talvez, o mais sombrio dos poetas brasileiros, foi também o mais original. Sua obra poética, composta por apenas um livro de poemas, não se encaixa em nenhuma escola literária, embora tenha sido influenciado por características do Naturalismo e do Simbolismo, a produção única de Augusto dos Anjos não pode ser enquadrada em nenhum desses movimentos. E por isso pode ser classificado juntamente aos seus contemporâneos do Pré-Modernismo.
Digitalização dos originais
Edição de referência: Rio de Janeiro: [s. n.], 1912. páginas 5-11.
Trata‐se de uma referência, a mais fiel possível, a um documento original. Neste sentido, foi mantida a integridade e a autenticidade da fonte, não realizando alterações.
Obra publicada em 1912
Obras que entraram em domínio público pela lei 5988 de 1973
na fôrma definitiva, restituida á versão authentica.
com uma inlroducção bibliographica e annotações de
AFRANIO PEIXOTO
ESPUMAS FLUCTUANTES
reproducção fiel da edição original de 1870
HYMNOS DO EQUADOR
publicações posthumas e poesias inéditas
OS ESCRAVOS
texto integral, parte inédita, com
A CACHOEIRA DE PAULO AFFONSO
GONZAGA, OU A REVOLUÇÃO DE MINAS
drama em 4 actos, segundo a edição original
VÁRIOS INÉDITOS — CORRESPONDÊNCIA
conforme autographos e manuscriptos authenticos
ESPUMAS FLUCTUANTES
Bahia - 1870
A' MEMÓRIA
DE
MEU PAE,
DE
MINHA MÃE
E DE
MEU IRMÃO
O. D. C
Poesias Lyricas
MOCIDADE E MORTE
E perto avisto o porto
Immenso, nebuloso e sempre noite
Chamado — Eternidade. —
LAURINDO.
Laeciate ogni speranza, vol ch'entrate.
DANTE.
_________________
Oh! eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre, que embalsama os ares;
Ver minh'alma adejar pelo infinito,
Qual branca vela n'amplidão dos mares.
No seio da mulher ha tanto aroma...
Nos seus beijos de fogo ha tanta vida...
— Árabe errante, vou dormir á tarde
A' sombra fresca da palmeira erguida.
Mas uma voz responde-me sombria:
Terás o somno sob a lagea fria.
Morrer... quando este mundo é um paraiso,
E a alma um cysne de douradas plumas:
Não! o seio da amante é um lago virgem...
Quero boiar á tona das espumas. Vem! formosa mulher — camelia pallida,
Que banharam de pranto as alvoradas,
Minh'alma é a borboleta, que espaneja
O pó das asas lúcidas, douradas...
E a mesma voz repete-me terrível,
Com gargalhar sarcástico: — impossível!
Eu sinto em mim o borbulhar do gênio.
Vejo além um futuro radiante:
Avante! — brada-me o talento n'alma
E o echo ao longe me repete — avante! —
O futuro... o futuro... no seu seio...
Entre louros e bênçãos dorme a gloria!
Após — um nome do universo n'alma,
Um nome escripto no Pantheon da historia.
E a mesma voz repete funerária:
Teu Pantheon — a pedra mortuaria!
Morrer — é ver extincto dentre as nevoas
O phanal, que nos guia na tormenta:
Condemnado,— escutar dobres de sino,
—
Voz da morte, que a morte lhe lamenta —
Ai! morrer — é trocar astros por cirios,
Leito macio por esquife immundo,
Trocar os beijos da mulher — no visco
Da larva errante no sepulcro fundo.
Ver tudo findo... só na lousa um nome,
Que o viandante a perpassar consome.
E eu sei que vou morrer... dentro em meu peito
Um mal terrível me devora a vida:
Triste Ahasverus, que no fim da estrada,
Só tem por braços uma cruz erguida.
Sou o cypreste, qu'inda mesmo flórido,
Sombra de morte no ramal encerra!
Vivo — que vaga sobre o chão da morte,
Morto — entre os vivos a vagar na terra.
Do sepulcro escutando triste grito
Sempre, sempre bradando-me: maldito! —
E eu morro, ó Deus! na aurora da existência,
Quando a sede e o desejo em nós palpita...
Levei aos lábios o dourado pomo,
Mordi no fruto podre do Asphaltita.
No triclinio da vida — novo Tantalo —
O vinho do viver ante mim passa...
Sou dos convivas da legenda Hebraica,
O stylete de Deus quebra-me a taça.
E' que até minha sombra é inexorável,
Morrer ! morrer! soluça-me implacável.
Adeus, pallida amante dos meus sonhos!
Adeus, vida! Adeus, gloria! amor! anhelos!
Escuta, minha irmã, cuidosa enxuga
Os prantos de meu pae nos teus cabellos.
Fora louco esperar! fria rajada
Sinto que do viver me extingue a lampa...
Resta-me agora por futuro — a terra,
Por gloria — nada, por amor — a campa.
Adeus!... arrasta-me uma voz sombria
Já me foge a razão na noite fria!...
1864
_________________
Espumas Fluctuantes, Edição original: VII.
Pbl. em S. Paulo, por volta de 1868-69, s°b o titulo
"O Phtysico" (titulo que encontrei no índice das poesias que deviam formar os Dramas d'alma — Poesias
de Castro Alves — Bahia — e que depois se chamaram
Espumas Fluctuantes, manuscripto do Poeta cm. por
D. Adelaide de Castro Alves Guimarães) apenas com
uma alteração no texto, na 7* estância, v. 6, que diz:
"Já da tremula vida extingue a lampa..."
Isto consta de um livro manuscripto de poesias de
Castro Alves, que colleccionou Joaquim Polycarpo
Aranha Júnior, contemporâneo e admirador do Poeta,
e que as transcrevia á medida que eram publicadas nos
jornaes do tempo, segundo me informa Alberto Faria.
Alem desta, ahi se encontram "As três irmãs do Poeta";
"Ode ao 2 de julho"; "Quem dá aos pobres empresta
a Deus"; "Gonzaga" (Epílogo de um drama); "A
Maciel Pinheiro"; "Um dia Pygmalião o estatuario..."
(Ao actor Joaquim Augusto); "Vozes d'Africa";
"Hebréa (a uma judia)"; "Perseverando"; "Pedro
Ivo"; "Dalila"; "O laço de fita"; "E tarde";
"Adeus"; "As duas ilhas"; "Bôa-noite"; "Basta de
covardia! A hora sôa" (Adeus meu canto); "A Bôa
Vista"; "A Bailada do Desesperado"; "Fatalidade",
o "Phantasma e a Canção", "O derradeiro amor de
Byron"; "Rezas"; "Anceios" (Devaneios, ou ****,
ou, definitivamente, "Pensamento de Amor") ; "O Século"; "O Navio Negreiro". A propósito de cada uma
indicarei as raras variantes. Esse titulo "O Phtysico",
depois felizmente substituído, denuncia, já em 1864, se
não a certeza, as apprehensões de Castro Alves, sobre a
doença que o ameaçava.
1) Mordi no fruto podre do Asphaltita (estância
6* v. 4). Nas margens do Lago Asphaltita ou Mar Morto ha duas espécies vegetaes, cujos frutos receberam o
nome de pomos de Sodoma: uma asclepiadacea, Calotropis procera, dá frutos amarellos, do tamanho de uma
pequena laranja, cheios de uma paina sedosa, que se
pode tecer; a outra, solanacea, Solaneum sodomeum, o
limão de Lot, dos Árabes, fruto enganador, de conteúdo
escuro e granuloso, como areia, acre, como cinza.
Talvez seja este o da tradição, que chamou Castro Alves — o fruto podre do Asphaltita.
Antônio Frederico de Castro Alves - foi um poeta, dramaturgo e advogado brasileiro, considerado o principal representante da terceira geração do romantismo no Brasil. Ficou conhecido por seus poemas abolicionistas, que renderam-lhe a alcunha de "poeta dos escravos".
Nascimento: 14 de março de 1847, Castro Alves, Bahia - Falecimento: 6 de julho de 1871 (24 anos), Salvador, Bahia.
Influenciado por: Gonçalves Dias, Lord Byron, Victor Hugo,
Formação: Faculdade de Direito do Recife | FDR, Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP)
Pais: Clélia Brasília da Silva Castro, Antônio José Alves
Irmãos: Adelaide Alves, Cassiano José Alves
O “poeta dos escravos” foi um poeta sensível aos graves problemas sociais do seu tempo. Expressou sua indignação contra as tiranias e denunciou a opressão do povo.
A poesia abolicionista é sua melhor realização nessa linha, denunciando energicamente a crueldade da escravidão e clamando pela liberdade. Seu poema abolicionista mais famoso é “O Navio Negreiro”.
_______________
LIVRARIA FRANCISCO ALVES
RIO DE JANEIRO
S. PAULO - BELLO HORIZONTE
1921
3º Ciclo de Conferências - "O adeus de Castro Alves"
A vez primeira que eu fitei Teresa, Como as plantas que arrasta a correnteza, A valsa nos levou nos giros seus... E amamos juntos... E depois na sala Adeus eu disse-lhe a tremer coa fala...
E ela, corando, murmurou-me: adeus.
Uma noite... entreabriu-se um reposteiro... E da alcova saía um cavaleiro Inda beijando uma mulher sem véus... Era eu... Era a pálida Teresa! Adeus lhe disse conservando-a presa...
E ela entre beijos murmurou-me: adeus!
Passaram tempos... séclos de delírio Prazeres divinais... gozos do Empíreo... . . . Mas um dia volvi aos lares meus. Partindo eu disse -- Voltarei!... descansa!... Ela, chorando mais que uma criança,
Ela em soluços murmurou-me: adeus!
Quando voltei... era o palácio em festa!... E a voz dEla e de um homem lá na orquestra Preenchiam de amor o azul dos céus. Entrei! . . . Ela me olhou branca . . . surpresa! Foi a última vez que eu vi Teresa!...
Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (Sapé, 20 de abril de 1884 – Leopoldina, 12 de novembro de 1914) foi um poeta e professor brasileiro reconhecido como um dos principais expoentes do simbolismo e do pré-modernismo brasileiro. Augusto dos Anjos, talvez, o mais sombrio dos poetas brasileiros, foi também o mais original. Sua obra poética, composta por apenas um livro de poemas, não se encaixa em nenhuma escola literária, embora tenha sido influenciado por características do Naturalismo e do Simbolismo, a produção única de Augusto dos Anjos não pode ser enquadrada em nenhum desses movimentos. E por isso pode ser classificado juntamente aos seus contemporâneos do Pré-Modernismo.
Digitalização dos originais
Edição de referência: Rio de Janeiro: [s. n.], 1912. páginas 5-11.
Trata‐se de uma referência, a mais fiel possível, a um documento original. Neste sentido, foi mantida a integridade e a autenticidade da fonte, não realizando alterações.
Obra publicada em 1912
Obras que entraram em domínio público pela lei 5988 de 1973
Eu (Augusto dos Anjos, 1912)
Augusto dos Anjos
Poesia brasileira
Augusto dos Anjos: O Gênio da Matéria e a Metafísica do Espanto
Antônio Frederico de Castro Alves - foi um poeta, dramaturgo e advogado brasileiro, considerado o principal representante da terceira geração do romantismo no Brasil. Ficou conhecido por seus poemas abolicionistas, que renderam-lhe a alcunha de "poeta dos escravos".
Nascimento: 14 de março de 1847, Castro Alves, Bahia - Falecimento: 6 de julho de 1871 (24 anos), Salvador, Bahia.
Influenciado por: Gonçalves Dias, Lord Byron, Victor Hugo,
Formação: Faculdade de Direito do Recife | FDR, Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP)
Pais: Clélia Brasília da Silva Castro, Antônio José Alves
Irmãos: Adelaide Alves, Cassiano José Alves
O “poeta dos escravos” foi um poeta sensível aos graves problemas sociais do seu tempo. Expressou sua indignação contra as tiranias e denunciou a opressão do povo.
A poesia abolicionista é sua melhor realização nessa linha, denunciando energicamente a crueldade da escravidão e clamando pela liberdade. Seu poema abolicionista mais famoso é “O Navio Negreiro”.