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sábado, 14 de junho de 2025

Como É Que Se Esquece Alguém Que Se Ama

Miguel Esteves Cardoso

Mundo Dos Poemas






Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?

As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar.

Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e ações de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência.

O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.

É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.

Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injeção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.

Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.

O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar."


________________

Miguel Esteves Cardoso (MEC) nasceu em Lisboa, em 1955, e quis ser escritor desde que se lembra de ler. Tem duas filhas, Sara e Tristana Esteves Cardoso, e um casamento com Maria João Esteves Cardoso. Autor de uma obra que abarca todos os gêneros, MEC foi o primeiro influenciador do país, mesmo antes de se falar em influenciadores. Há quatro décadas que traça um original retrato de um dos mais antigos países do mundo, chamado Portugal.

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Quando as dores e os medos do escrevinhador se eternizam para fora si mesmo...

Redação Lux em 3 de Janeiro de 2012 às 09:08

Na passada quarta-feira, a crónica de Miguel Esteves Cardoso no Público continha a notícia que tanto ele como a mulher, Maria João, esperavam ouvir há muito tempo. Desta feita, era uma crónica escrita a esperança.

«Desta vez, a Maria João teve sorte. Nunca tinha visto uma médica a chorar. Foi a Maria João que puxou as lágrimas, quando a Dra. Teresa Ferreira lhe disse que não havia mais metástases dentro dela. Ficámos os três a chorar e a olhar para os outros olhos a chorar», escreveu o autor.

Depois de ter enfrentado um cancro da mama em 2009 e de, posteriormente, ter vencido as metástases deste no pulmão, Maria João tinha sabido há cerca de um mês que o cancro se tinha alastrado para o cérebro.

«A minha amada já tinha esquecido o futuro. (...) Estava convencida que estava cheia de metástases. Doía-lhe o corpo todo. Tinha desanimado. Estava preparada para a morte», confessou Miguel Esteves Cardoso na mesma crónica.

Porém, as boas notícias chegaram semanas depois da operação e deram novo alento à vida de ambos. «Depois - mas não logo, porque não é de momento para o outro que se desmorre - voltou a ver a vida pela frente. (...) A Maria João tem chorado por razões tristes. Desta vez estava a chorar de felicidade», sublinhou.




domingo, 16 de fevereiro de 2025

Los Poetas del Amor... Miguel Hernández (España)

Los Poetas del Amor (110)



Miguel Hernández, el Poeta del Pueblo






VIENTOS DEL PUEBLO ME LLEVAN

Os ventos do povo me carregam,
os ventos do povo me arrastam,
Eles espalharam meu coração
e eles jogam fora da garganta.

Os bois curvam suas testas,
impotentemente manso,
antes das punições:
os leões a levantam
e ao mesmo tempo eles punem
com sua pata clamorosa.

Eu não sou de uma cidade de bois,
Eu sou de uma cidade que está tomada
depósitos de leões,
desfiladeiros de águias
e cadeias de montanhas de touros
com orgulho no mastro da bandeira.
Os bois nunca prosperaram
nos pântanos da Espanha.
Quem falou em colocar um jugo
no pescoço desta raça?
Quem colocou o furacão
nunca jugos ou grilhões,
Ninguém parou o raio
prisioneiro numa gaiola?

Asturianos de bravura,
Bascos de pedra blindada,
Valencianos da alegria
e castelhanos de coração,
lavrado como a terra
e graciosa como asas;
Andaluzes do relâmpago,
nascido entre guitarras
e forjado em bigornas
torrentes de lágrimas;
extremos de centeio,
Galegos de chuva e calma,
Catalães de firmeza,
Aragonês de nascimento,
Múrcios de dinamite
propagado por frutos,
Leoneses, navarro, proprietários
de fome, suor e machado,
reis da mineração,
senhores da fazenda,
homens que entre as raízes,
como raízes galantes,
você vai da vida para a morte,
você vai do nada ao nada:
Eles querem colocar jugos em você
gente da erva,
jugos que você deve deixar
quebrados de costas.
Crepúsculo dos Bois
o amanhecer está raiando.

Os bois morrem vestidos
de humildade e cheiro de estábulo:
as águias, os leões
e os touros da arrogância,
e atrás deles, o céu
Não fica nublado nem acaba.
A agonia dos bois
tem um rosto pequeno,
o do animal macho
toda a criação cresce.

Se eu morrer, deixe-me morrer
com a cabeça erguida.
Morto e vinte vezes morto,
a boca contra a grama,
Vou cerrar os dentes
e a barba foi decidida.

Cantando espero a morte,
que há rouxinóis que cantam
acima dos rifles
e no meio de batalhas.






Poemas recitados. Um espaço para poesia recitada na voz de Tomás Galindo.
Música de fundo: Montana Skies - Gringo Flamenco


Vientos del pueblo me llevan,
vientos del pueblo me arrastran,
me esparcen el corazón
y me aventan la garganta.

Los bueyes doblan la frente,
impotentemente mansa,
delante de los castigos:
los leones la levantan
y al mismo tiempo castigan
con su clamorosa zarpa.

No soy de un pueblo de bueyes,
que soy de un pueblo que embargan
yacimientos de leones,
desfiladeros de águilas
y cordilleras de toros
con el orgullo en el asta.
Nunca medraron los bueyes
en los páramos de España.
¿Quién habló de echar un yugo
sobre el cuello de esta raza?
¿Quién ha puesto al huracán
jamás ni yugos ni trabas,
ni quién al rayo detuvo
prisionero en una jaula?

Asturianos de braveza,
vascos de piedra blindada,
valencianos de alegría
y castellanos de alma,
labrados como la tierra
y airosos como las alas;
andaluces de relámpagos,
nacidos entre guitarras
y forjados en los yunques
torrenciales de las lágrimas;
extremeños de centeno,
gallegos de lluvia y calma,
catalanes de firmeza,
aragoneses de casta,
murcianos de dinamita
frutalmente propagada,
leoneses, navarros, dueños
del hambre, el sudor y el hacha,
reyes de la minería,
señores de la labranza,
hombres que entre las raíces,
como raíces gallardas,
vais de la vida a la muerte,
vais de la nada a la nada:
yugos os quieren poner
gentes de la hierba mala,
yugos que habéis de dejar
rotos sobre sus espaldas.
Crepúsculo de los bueyes
está despuntando el alba.

Los bueyes mueren vestidos
de humildad y olor de cuadra:
las águilas, los leones
y los toros de arrogancia,
y detrás de ellos, el cielo
ni se enturbia ni se acaba.
La agonía de los bueyes
tiene pequeña la cara,
la del animal varón
toda la creación agranda.

Si me muero, que me muera
con la cabeza muy alta.
Muerto y veinte veces muerto,
la boca contra la grama,
tendré apretados los dientes
y decidida la barba.

Cantando espero a la muerte,
que hay ruiseñores que cantan
encima de los fusiles
y en medio de las batallas.


Poemas de Miguel Hernandez

00:03 Para la libertad
01:32 Andaluces (Aceituneros)

03:43 Nanas de la cebolla

La cebolla es escarcha
cerrada y pobre.
Escarcha de tus días
y de mis noches.
Hambre y cebolla,
hielo negro y escarcha
grande y redonda.

En la cuna del hambre
mi niño estaba.
Con sangre de cebolla
se amamantaba.
Pero tu sangre,
escarchada de azúcar
cebolla y hambre.

Una mujer morena
resuelta en lunas
se derrama hilo a hilo
sobre la cuna.
Ríete niño
que te traigo la luna
cuando es preciso.

Tu risa me hace libre,
me pone alas.
Soledades me quita,
cárcel me arranca.
Boca que vuela,
corazón que en tus labios
relampaguea.

Es tu risa la espada
más victoriosa,
vencedor de las flores
y las alondras.
Rival del sol.
Porvenir de mis huesos
y de mi amor.

Desperté de ser niño:
nunca despiertes.
Triste llevo la boca:
ríete siempre.
Siempre en la cuna
defendiendo la risa
pluma por pluma.

Al octavo mes ríes
con cinco azahares.
Con cinco diminutas
ferocidades.
Con cinco dientes
como cinco jazmines
adolescentes.

Frontera de los besos
serán mañana,
cuando en la dentadura
sientas un arma.
Sientas un fuego
correr dientes abajo
buscando el centro.

Vuela niño en la doble
luna del pecho:
él, triste de cebolla,
tú satisfecho.
No te derrumbes.
No sepas lo que pasa
ni lo que ocurre.

06:26 El niño yuntero

Carne de yugo, ha nacido
más humillado que bello,
con el cuello perseguido
por el yugo para el cuello.

Nace, como la herramienta,
a los golpes destinado,
de una tierra descontenta
y un insatisfecho arado.

Entre estiércol puro y vivo
de vacas, trae a la vida
un alma color de olivo
vieja ya y encallecida.

Empieza a vivir, y empieza
a morir de punta a punta
levantando la corteza
de su madre con la yunta.

Empieza a sentir, y siente
la vida como una guerra,
y a dar fatigosamente
en los huesos de la tierra.

Contar sus años no sabe,
y ya sabe que el sudor
es una corona grave
de sal para el labrador.

Trabaja, y mientras trabaja
masculinamente serio,
se unge de lluvia y se alhaja
de carne de cementerio.

A fuerza de golpes, fuerte,
y a fuerza de sol, bruñido,
con una ambición de muerte
despedaza un pan reñido.

Cada nuevo día es
más raíz, menos criatura,
que escucha bajo sus pies
la voz de la sepultura.

Y como raíz se hunde
en la tierra lentamente
para que la tierra inunde
de paz y panes su frente.

Me duele este niño hambriento
como una grandiosa espina,
y su vivir ceniciento
revuelve mi alma de encina.

Lo veo arar los rastrojos,
y devorar un mendrugo,
y declarar con los ojos
que por qué es carne de yugo.

Me da su arado en el pecho,
y su vida en la garganta,
y sufro viendo el barbecho
tan grande bajo su planta.

¿Quién salvará este chiquillo
menor que un grano de avena?
¿De dónde saldrá el martillo
verdugo de esta cadena?

Que salga del corazón
de los hombre jornaleros,
que antes de ser hombres son
y han sido niños yunteros.


09:00 Vientos del pueblo -v

11:59 Elegía - A Ramón Sijé

(En Orihuela, su pueblo y el mío, se
me ha muerto como del rayo Ramón Sijé,
a quien tanto quería)

Yo quiero ser llorando el hortelano
de la tierra que ocupas y estercolas,
compañero del alma, tan temprano.

Alimentando lluvias, caracolas
y órganos mi dolor sin instrumento,
a las desalentadas amapolas

daré tu corazón por alimento.
Tanto dolor se agrupa en mi costado
que por doler me duele hasta el aliento.

Un manotazo duro, un golpe helado,
un hachazo invisible y homicida,
un empujón brutal te ha derribado.

No hay extensión más grande que mi herida,
lloro mi desventura y sus conjuntos
y siento más tu muerte que mi vida.

Ando sobre rastrojos de difuntos,
y sin calor de nadie y sin consuelo
voy de mi corazón a mis asuntos.

Temprano levantó la muerte el vuelo,
temprano madrugó la madrugada,
temprano estás rodando por el suelo.

No perdono a la muerte enamorada,
no perdono a la vida desatenta,
no perdono a la tierra ni a la nada.

En mis manos levanto una tormenta
de piedras, rayos y hachas estridentes
sedienta de catástrofes y hambrienta.

Quiero escarbar la tierra con los dientes,
quiero apartar la tierra parte a parte
a dentelladas secas y calientes.

Quiero minar la tierra hasta encontrarte
y besarte la noble calavera
y desamordazarte y regresarte.

Volverás a mi huerto y a mi higuera:
por los altos andamios de las flores
pajareará tu alma colmenera

de angelicales ceras y labores.
Volverás al arrullo de las rejas
de los enamorados labradores.

Alegrarás la sombra de mis cejas,
y tu sangre se irá a cada lado
disputando tu novia y las abejas.

Tu corazón, ya terciopelo ajado,
llama a un campo de almendras espumosas
mi avariciosa voz de enamorado.

A las ladas almas de las rosas
del almendro de nata te requiero,
que tenemos que hablar de muchas cosas,
compañero del alma, compañero.


14:53 Yo no quiero más luz que tu cuerpo ante el mío

Yo no quiero más luz que tu cuerpo ante el mío:
claridad absoluta, transparencia redonda.
Limpidez cuya extraña, como el fondo del río,
con el tiempo se afirma, con la sangre se ahonda..

¿Qué lucientes materias duraderas te han hecho,
corazón de alborada, carnación matutina?
Yo no quiero más día que el que exhala tu pecho.
Tu sangre es la mañana que jamás se termina.

No hay más luz que tu cuerpo, no hay más sol: todo ocaso.
Yo no veo las cosas a otra luz que tu frente.
La otra luz es fantasma, nada más, de tu paso.
Tu insondable mirada nunca gira al poniente.

Claridad sin posible declinar. Suma esencia
del fulgor que ni cede ni abandona la cumbre.
Juventud. Limpidez. Claridad. Transparencia
acercando los astros más lejanos de lumbre.

Claro cuerpo moreno de calor fecundante.
Hierba negra el origen; hierba negra las sienes.
Trago negro los ojos, la mirada distante.
Día azul. Noche clara. Sombra clara que vienes.

Yo no quiero más luz que tu sombra dorada
donde brotan anillos de una hierba sombría.
En mi sangre, fielmente por tu cuerpo abrasada,
para siempre es de noche: para siempre es de día.





_________________

     Em Orihuela, um pequeno povoado do Levante espanhol, rodeada do oásis exuberante da huerta del Segura, nascido Miguel Hernández em 30 de outubro de 1910. Filho de um contratante de ganado, sua infância e adolescência transcorrem pela aireada e luminosa serra oriolana tras um pequeno ódio de cabras. No meio da naturalidade contemplamos maravilhados seus mistérios: a lua e as estrelas, a luz, as propriedades de diversas hierbas, os ritos da fecundação dos animais. Por las tardes ordeña las cabras e se dedique a repartir la leche pelo vecindario. Só a breve paréntesis de uns anos interrompeu esta vida para ajudar a Escola da Ave Maria, anexa ao Colégio de Santo Domingo, onde estuda gramática, aritmética, geografia e religião, descobrindo seu extraordinário talento. Em 1925, nos primeiros anos de idade, você abandonou o colégio para voltar a conduzir cabras pelas cercanias de Orihuela. Mas ele sabe embelezar esta vida monótona com a leitura de numerosos livros de Gabriel e Galán, Miró, Zorrilla, Rubén Dario, que caíram em suas mãos e depositaram em seu espírito ávido o germe da poesia. Às vezes se escrevia versos à sombra de uma árvore realizando seus primeiros experimentos poéticos. Ao atrasar merodea pelo vizinho conhecendo Ramón e Gabriel Sijé e os irmãos Fenoll, cuja panaderia se convierte na tertúlia do pequeno grupo de aficionados às letras. Ramón Sijé, jovem estudante de direito na universidade de Múrcia, o orientou em suas palestras, o guia para os clássicos e a poesia religiosa, a correção e a alienação para prosseguir sua atividade criadora. O mundo de suas palestras é amplo. O jovem pastor estava levando a cabo um maravilhoso esforço de autoeducação com livros que você encontra na biblioteca do Círculo de Belas Artes. Dom Luis Almarcha, cônigo desde a catedral, orienta suas palestras e presta também livros. Poco a poco irá ler os grandes autores do Siglo de Oro: Cervantes, Lope, Calderón, Góngora e Garcilaso, junto com alguns autores modernos como Juan Ramón e Antonio Machado. No chifre de Efén Fenoll, que está muito perto de sua casa, passa longas horas em agradável tertúlia discutindo de poesia, recitando versos e recebendo preciosas sugestões do culto Ramón Sijé que acude allí a visitar sua novia Josefina Fenoll. Desde 1930, Miguel Hernández começou a publicar poemas no semanário El Pueblo de Orihuela e no diário El Día de Alicante. Seu nome começou a soar em revistas e diários levantinos.
     A eclosão da Guerra Civil em julho de 1936 o forçou a tomar uma decisão. Miguel Hernández, sem dúvida, encara com integridade e entusiasmo a República. Ele não só entrega toda a sua pessoa, mas sua criação lírica também se torna uma arma de denúncia, um testemunho, um instrumento de luta, às vezes entusiasmada, às vezes silenciosa e desesperada. Como voluntário, ele se juntou ao 5º Regimento, após uma viagem a Orihuela para se despedir de sua família. Ele foi enviado para construir fortificações em Cubas, perto de Madri. Emilio Prados consegue ser transferido para a 1ª Companhia do Quartel-General de Cavalaria como Comissário de Cultura do Batalhão El Campesino. Passa por várias frentes: Boadilla del Monte, Pozuelo, Alcalá. 
     No meio da guerra, ele conseguiu escapar brevemente para Orihuela para se casar com Josefina Manresa em 9 de março de 1937. Poucos dias depois, ele teve que marchar para a frente de Jaén. É uma vida muito agitada de viagens contínuas e atividade literária. Tudo isso e a tensão da guerra fizeram com que ele desenvolvesse anemia cerebral aguda, o que o obrigou, por prescrição médica, a se retirar para Cox para se recuperar. Várias obras curtas de Teatro na Guerra e dois livros de poemas que permaneceram como um vigoroso testemunho deste momento de guerra: Viento del pueblo (1937) e El hombre acecha (1939).
     Na primavera de 1939, diante da dissolução geral da frente republicana, Miguel Hernández tentou cruzar a fronteira portuguesa e foi devolvido às autoridades espanholas. Assim começa sua longa peregrinação pelas prisões: Sevilha, Madri. É difícil imaginar a vida nas prisões nos meses após a guerra. Inesperadamente, em meados de setembro de 1939, ele foi libertado. Infelizmente, movido pelo amor à família, ele vai para Orihuela, onde é novamente preso no seminário de San Miguel, que foi transformado em prisão. O poeta — como ele mesmo diz com amargura — continua "percorrendo" as prisões de Madri, Ocaña, Alicante, até que seu corpo indefeso desenvolve uma "tuberculose pulmonar aguda" que se espalha para ambos os pulmões, atingindo proporções tão alarmantes que até mesmo a tentativa de transferi-lo para o Sanatório Penitenciário de Porta Coeli é impossível. Em meio a dores excruciantes, hemorragias agudas e ataques de tosse, Miguel Hernández está definhando inexoravelmente. Em 28 de março de 1942, ele morreu aos trinta e um anos.


Museu Miguel Hernández

Miguel Hernández, poesia. 
Este é um documentário sobre recepção de visitantes que traz um perfil pessoal e literário do poeta. É uma prévia, uma síntese do que o visitante verá no museu.



sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

Dormi Contigo Junto Ao Mar Na Ilha

Pablo Neruda







A Noite na Ilha

Dormi contigo toda a noite
junto ao mar, na ilha.
Eras doce e selvagem entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.

Os nossos sonos uniram-se
talvez muito tarde
no alto ou no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento agita,
em baixo como vermelhas raízes que se tocam.

0 teu sono separou-se
talvez do meu
e andava à minha procura
pelo mar escuro
como dantes,
quando ainda não existias,
quando sem te avistar
naveguei a teu lado
e os teus olhos buscavam
o que agora
— pão, vinho, amor e cólera —
te dou às mãos cheias,
porque tu és a taça
que esperava os dons da minha vida.

Dormi contigo
toda a noite enquanto
a terra escura gira
com os vivos e os mortos,
e ao acordar de repente
no meio da sombra
o meu braço cingia a tua cintura.
Nem a noite nem o sono
puderam separar-nos.

Dormi contigo
e, ao acordar, tua boca,
saída do teu sono,
trouxe-me o sabor da terra,
da água do mar, das algas,
do âmago da tua vida,
e recebi teu beijo,
molhado pela aurora,
como se me viesse
do mar que nos cerca.

- Em "Os Versos do Capitão"


Mundo Dos Poemas 


Se Você Me Esquecer


Se você me esquecer
Eu quero que você saiba uma coisa
Você sabe como é isso
Se eu olhar para para a lua cristalina
No ramo vermelho do outono chegando
Se eu tocar perto do fogo
A cinza impalpável
ou o corpo enrugado do ramo
Tudo me leva a você
Como se tudo oque existe
Aromas, luzes, metais
Fossem pequenos barcos que navegam
em direção aquelas ilhas que esperam por mim
Bem agora, se pouco a pouco você deixar de me amar
Eu devo parar de te amar pouco a pouco
Se de repente você me esquecer
Não olhe para mim
Pois eu já devo ter esquecido você
Se você acha que isso é longo e louco
O vento das bandeiras
que passa através da minha vida
Você decide, Mas lembre-se, se você
Deixar me na costa do coração onde criei raízes
Nesse dia, nessa hora
Eu vou cruzar meus braços
E minhas raízes partirão para procurar outra terra.
Mas se, cada dia, cada hora
Você sentir que está destinada pra mim
Com sua doçura implacável
Se cada dia uma flor, escalar até seus lábios a minha procura
Lembre-se
Em mim todo esse fogo também existe
Em mim nada é extinguido ou esquecido
Meu amor se alimenta do seu amor
E enquanto você viver, eu estarei em seus braços.







terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Amar Por Inteiro

Plácido de Oliveira


narração de Mundo Dos Poemas








se não te basta
os trilhos de uma poesia
sem fim
caminhemos juntos a poetar
   as horas passam lentas
     mais risos
mais esperança
  talvez dor
  as folhas no vento dançando
   histórias de um tempo lento
       segredos que se chegam e vão
    o sol,
talvez               a chuva
     bebamos a alegria
a dança do tempo            não se cansa
mas sempre haverá uma nova chance
para                            poetar,
         não desperdice


"Navegue"
Fernando Pessoa


Poema & Poesia


Navegue, descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar, o lugar deles
é lá.

Admire a lua, sonhe com ela, mas não queira trazê-la para a terra.

Curta o sol, se deixe acariciar por ele, mas lembre-se que o seu calor é

para todos.

Sonhe com as estrelas, apenas sonhe, elas só podem brilhar no céu.

Não tente deter o vento, ele precisa correr por toda parte, ele tem pressa

de chegar sabe-se lá onde.

Não apare a chuva, ela quer cair e molhar muitos rostos, não pode molhar só

o seu.

As lágrimas? Não as seque, elas precisam correr na minha, na sua, em todas

as faces.

O sorriso! Esse você deve segurar, não deixe-o ir embora, agarre-o!

Quem você ama? Guarde dentro de um porta jóias, tranque, perca a chave!

Quem você ama é a maior jóia que você possui, a mais valiosa.

Não importa se a estação do ano muda, se o século vira e se o milênio é

outro, se a idade aumenta; conserve a vontade de viver, não se chega à

parte alguma sem ela.

Abra todas as janelas que encontrar e as portas também.

Persiga um sonho, mas não deixe ele viver sozinho.

Alimente sua alma com amor, cure suas feridas com carinho.

Descubra-se todos os dias, deixe-se levar pelas vontades, mas não

enlouqueça por elas.

Procure, sempre procure o fim de uma história, seja ela qual for.

Dê um sorriso para quem esqueceu como se faz isso.

Acelere seus pensamentos, mas não permita que eles te consumam.

Olhe para o lado, alguém precisa de você.

Abasteça seu coração de fé, não a perca nunca.

Mergulhe de cabeça nos seus desejos e satisfaça-os.

Agonize de dor por um amigo, só saia dessa agonia se conseguir tirá-lo

também.

Procure os seus caminhos, mas não magoe ninguém nessa procura.

Arrependa-se, volte atrás, peça perdão!

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar

necessário.

Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.

Se achar que precisa voltar, volte!

Se perceber que precisa seguir, siga!

Se estiver tudo errado, comece novamente.

Se estiver tudo certo, continue.

Se sentir saudades, mate-a.

Se perder um amor, não se perca!

Se achá-lo, segure-o!

"Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada".

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Los Poetas del Amor... Gaspar Núñez de Arce (España)

Los Poetas del Amor (107)



Oh amor eterno, que em sua carreira imortal,
você dá vida e movimento aos seres,
com que admiração entusiástica sinto por você,
embora invisível, pulsa em todos os lugares!
Seu escravo toda a criação,
treme e anima com sua respiração,
e sua grandeza é tal que o pensamento
Deus proclamaria você, se Deus não existisse.
Os átomos impalpáveis ​​se combinam
com sua respiração magnética e profunda:
você cria, você transforma, você ilumina,
e no céu infinito, nas profundezas
mar, na terra você domina atônito,
amor, amor eterno, alma do mundo!



EL REO DE MUERTE

¡Oh, vedle, vedle! ¿Turbia y ardiente la mirada,
en brazos de su culpa que le acrimina austera,
tan lejos y tan cerca de la insondable nada,
del mundo que le arroja, del polvo que le espera!...
¡Luchando con extrañas y horribles agonías
que traen ante sus ojos en rápida carrera
sus inocentes horas, sus conturbados días,
el cuadro pavoroso de su existencia entera!

Ayer, aunque entre sombras, el porvenir incierto
brindábale ilusiones de amor y de ventura,
y hoy, asomado al borde de su sepulcro abierto,
contempla horripilado la eternidad oscura.
La muerte, que le acosa con misterioso grito,
despierta los terrores de su conciencia impura:
quiere llamar, y apaga sus voces el delito,
quiere huir, y le asalta la hambrienta sepultura.

¡Ay, si recuerda entonces el dulce hogar sereno
donde pasó ignorada su infancia soñadora,
la amante y pobre madre que le llevó en su seno,
único ser acaso que le disculpa y llora!
¡Ay triste de él si al lado del hondo precipicio
su amparo no le presta la fe consoladora;
la fe que se levanta potente en el suplicio
y da sus alas de ángel al alma pecadora!

¡Miradle! Cada paso que hacia el cadalso avanza
de su agitada vida los horizontes cierra:
apágase en sus ojos la luz de la esperanza
y el peso de la muerte fatídico le aterra.
¡Ay, ten valor! Si un día de imprevisión y dolo
te puso con los hombres y con la ley en guerra,
mañana entre los muertos abandonado y solo
en su profundo olvido te envolverá la tierra.

Aparta tu mirada terrífica y sombría
de esa apiñada turba que bulle en el camino
para gozar del triste placer de tu agonía
y presenciar el término de tu fatal destino.
¡Oh! no la empuja sólo su imbécil sentimiento
hacia el cadalso infame que espera al asesino.
¡Hasta la cumbre misma del Gólgota sangriento
siguió también los pasos del Redentor divino!



¡AMOR!

¡Oh eterno amor, que en tu inmortal carrera,
das a los seres vida y movimiento,
con qué entusiasta admiración te siento,
aunque invisible, palpitar doquiera!
Esclava tuya la creación entera,
se estremece y anima con tu aliento,
y es tu grandeza tal, que el pensamiento
te proclamara Dios, si Dios no hubiera.
Los impalpables átomos combinas
con tu soplo magnético y profundo:
tú creas, tú trasformas, tú iluminas,
y en el cielo infinito, en el profundo
mar, en la tierra atónito dominas,
¡amor, eterno amor, alma del mundo!



Conciencia





MISERERE

Es de noche: el monasterio
que alzó Felipe Segundo
para admiración del mundo
y ostentación de su imperio,
yace envuelto en el misterio
y en las tinieblas sumido.
De nuestro poder, ya hundido,
último resto glorioso,
parece que está el coloso
al pie del monte, rendido.

El viento del Guadarrama
deja sus antros oscuros,
y estrellándose en los muros
del templo, se agita y brama.
Fugaz y rojiza llama
surca el ancho firmamento,
y a veces, como un lamento,
resuena el lúgubre son
con que llama a la oración
la campana del convento.

La iglesia, triste y sombría,
en honda calma reposa,
tan helada y silenciosa
como una tumba vacía.
Colgada lámpara envía
su incierta luz a lo lejos,
y a sus trémulos reflejos
llegan, huyen, se levantan
esas mil sombras que espantan
a los niños y a los viejos.

De pronto, claro y distinto
la regia cripta conmueve
ruido extraño, que aunque leve,
llena el mortuorio recinto.
Es que el César Carlos Quinto,
con mano firme y segura
entreabre su sepultura,
y haciendo una horrible mueca,
su faz carcomida y seca
asoma por la hendidura.

Golpea su descarnada
frente con tenaz empeño,
como quien sale de un sueño
sin acordarse de nada.
Recorre con su mirada
aquel lugar solitario,
alza el mármol funerario,
y arrebatado y resuelto
salta del sepulcro, envuelto
en su andrajoso sudario.

-¡Hola! -grita en son de guerra
con aquella voz concisa,
que oyó en el siglo, sumisa
y amedrentada la tierra.
-¡Volcad la losa que os cierra!
Vástagos de imperial rama,
varones que honrais la fama,
antiguas y excelsas glorias,
de vuestras urnas mortuorias
salid, que el César os llama.

Contestando a estos conjuros,
un clamor confuso y hondo
parece brotar del fondo
de aquellos mármoles duros.
Surgen vapores impuros
de los sepulcros ya abiertos:
la serie de reyes muertos
después a salir empieza,
y es de notar la tristeza,
el gesto despavorido
de los que han envilecido
la corona en su cabeza.

Grave, solemne, pausado,
se alza Felipe Segundo,
en su lucha con el mundo
vencido, mas no domado.
Su hijo se despierta al lado,
y detrás del rey devoto,
aquel que humillado y roto
vio desmoronarse a España,
cual granítica montaña,
a impulsos del terremoto.

Luego el monarca enfermizo,
de infausta y negra memoria,
en cuya Edad, nuestra gloria
como nieve se deshizo.
Bajo el poder de su hechizo
se estremece todavía.
¡Ay qué terrible armonía,
qué oscuro enlace se nota
entre aquel mísero idiota
y su exhausta monarquía!

Con terrífica sorpresa
y en silencioso concierto
todos los reyes que han muerto
van saliendo de su huesa.
La ya apagada pavesa
cobra los vitales bríos
y se aglomeran sombríos
aquellos yertos despojos,
aquellas cuencas sin ojos,
aquellos cráneos vacíos.

De los monarcas en pos,
respondiendo al llamamiento,
cual si llegara el momento
del santo juicio de Dios,
acuden de dos en dos
por claustros y corredores,
príncipes, grandes señores,
prelados, frailes, guerreros,
favoritos, consejeros,
teólogos e inquisidores.

¡Qué es mirar como serpea
por su semblante amarillo
el fosforescente brillo
que la podredumbre crea!
¡Qué espíritu no flaquea
con mil terrores secretos,
viendo aquellos esqueletos,
que ante el César, que los nombra,
se deslizan por la sombra
mudos, absortos, inquietos!

¡Cuántas altas potestades,
cuántas grandezas pasadas,
cuántas invictas espadas,
cuántas firmes voluntades
en aquellas soledades
muestran sus restos livianos!
¡Cuántos cráneos soberanos,
que el genio habitara en vida,
convertidos en guarida
de miserables gusanos!

Desde el triste panteón
en que se agolpa y hacina,
hacia el templo se encamina
la fúnebre procesión.
Marcha con pausado son
tras del rey que la congrega,
y cuando a la iglesia llega,
inunda la altiva nave
un resplandor tibio y suave,
que ni deslumbra ni ciega.

Guardando el regio decoro,
como en los siglos pasados,
reyes, príncipes, prelados
toman asiento en el coro.
Después en tropel sonoro
por el templo se derrama,
rindiendo culto a la fama
con que llena las historias,
aquel haz de muertas glorias,
que el César convoca y llama.

Por mandato soberano
de Carlos, que el cetro ostenta
llega al órgano y se sienta
un viejo esqueleto humano.
La seca y huesosa mano
en el gran teclado imprime,
y la música sublime
que a inmensos raudales brota,
parece que en cada nota
reza y llora, canta y gime.

Uniendo al acorde santo
su voz, los muertos despojos
caen ante el ara de hinojos
y a Dios elevan su canto.
Honda expresión del quebranto,
aquel eco de la tumba
crece, se dilata, zumba,
y al paso que va creciendo
resuena con el estruendo
de un mundo que se derrumba:

«Fuimos las ondas de un río
»caudaloso y desbordado.
»Hoy la fuente se ha secado,
»hoy el cauce está vacío.
»Ya ¡oh Dios! nuestro poderío
»se extingue, se apaga y muere.
»¡Miserere!

»¡Maldito, maldito sea
»aquel portentoso invento
»que dió vida al pensamiento
»y alas de luz a la idea!
»El verbo animado ondea
»y como el rayo nos hiere.
»¡Miserere!

»¡Maldito el hilo fecundo
»que a los pueblos eslabona,
»y busca, y cuenta, y pregona
»las pulsaciones del mundo!
»Ya en el silencio profundo
»ninguna injusticia muere.
»¡Miserere!

»Ya no vive cada raza
»en solitario destierro,
»ya con vínculo de hierro
»la humana especie se enlaza.
»Ya el aislamiento rechaza,
»ya la libertad prefiere.
»¡Miserere!

»Rígido y brutal azote
»con desacordado empuje
»sobre las espaldas cruje
»del rey y del sacerdote.
»Ya nada existe que embote
»el golpe ¡oh Dios! que nos hiere.
»¡Miserere!

»Mas ¡ay! que en su audacia loca,
»también el orgullo humano
»pone en los cielos su mano
»y a ti, Señor, te provoca.
»Mientras blasfeme su boca,
»ni paz ni ventura espere.
»¡Miserere!

»No en la tormenta enemiga:
»no en el insondable abismo:
»el mundo lleva en sí mismo
»el rayo que le castiga.
»Sin compasión ni fatiga
»hoy nos mata; pero muere.
»¡Miserere!

»Grande y caudaloso río,
»que corres precipitado
»ve que el nuestro se ha secado
»y tiene el cauce vacío.
»¡No prevalezca el impío,
»ni la iniquidad prospere!
»¡Miserere!»

Súbito, con sordo ruido
cruje el órgano y estalla,
la luz se amortigua, y calla
el concurso dolorido.
Al disiparse el sonido
del grave y solemne canto
llega a su colmo el espanto
de las mudas calaveras,
y de sus órbitas hueras
desciende abundoso llanto.

A medida que decrece
la luz misteriosa y vaga,
todo murmullo se apaga
y el cuadro se desvanece.
Con el alba que aparece
el cortejo se evapora,
y mientras la blanca aurora
esparce su lumbre escasa,
a lo lejos silba y pasa
la rauda locomotora.



Gritos del combate





________________

Gaspar Núñez de Arce (Valladolid, 4 de agosto de 1834 – Madrid, 9 de junho de 1903) foi um poeta e político espanhol que evoluiu do romantismo para o realismo literário. Foi governador civil de Barcelona, ​​​​deputado por Valladolid em 1865 e ministro do Ultramar, Interior e Educação do partido progressista de Sagasta. Nomeado académico em 1874.
Filho de um modesto carteiro, a família queria que seguisse a carreira eclesiástica, mas ele recusou entrar no seminário e fugiu para Madrid. Lá iniciou alguns estudos e ingressou na redação do El Observador, jornal liberal. Fundou então o jornal El Bachiller Honduras, que leva o nome do pseudônimo que adotou para assinar seus artigos, e onde defendeu uma política que unificasse as diferentes ramificações do liberalismo. Em 1849 ingressou no mundo da literatura com a estreia da peça teatral Amor y orgullo em Toledo.
A sua participação como cronista na Campanha Africana (1859-1860) foi uma das causas do seu posterior envolvimento na vida política. Foi preso na prisão de Cáceres por causa dos seus ataques à política conservadora do general Narváez. Com a queda de Isabel II, foi eleito secretário da Junta Revolucionária da Catalunha e escreveu o Manifesto a la Nación publicado pelo governo provisório em 26 de outubro de 1868. Foi também governador civil de Barcelona, ​​​​deputado por Valladolid em 1865 e ministro de Assuntos Ultramarinos, Interior e Educação com o partido progressista de Sagasta. Nomeado senador vitalício em 1886, sua saúde o levou a abandonar a atividade política em 1890. Ingressou na Real Academia da Língua em 8 de janeiro de 1874 e foi presidente da Associação de Escritores e Artistas Espanhóis durante o período de 1882 a 1903. 
Começou a escrever teatro em colaboração com Antonio Hurtado, e continuou sua dramaturgia sozinho, na qual se destaca o drama histórico, El haz de leña (1872), sobre Felipe II e o príncipe Don Carlos, onde não segue a lenda negra e tenta permanecer fiel à realidade histórica (e mesmo assim domina o valor poético sobre o teatral). Ele também escreveu Dívidas de Honra (1863), Quien debe paga (1867), Justiça Providencial (1872) e outras obras.
Sua produção poética obteve maior repercussão: Gritos del combate e Raimundo Lulio, este último em tercetos, foram publicados em 1875; no primeiro, talvez o seu mais famoso livro de poesia, estão as peças "A Darwin", "A Voltaire", "La duda", "Tristeza" e "El miserere". O último lamento de Lord Byron, em oitava real, La selva oscura, inspirado em Dante Alighieri, e El vertigo, em décimas, são de 1879. A visão de Fray Martín (1880), La pesca (1884), onde se declara um grande amante e observador da natureza, Maruja (1886), etc. Deixou Luzbel y Hernán el lobo (1881) inacabado. Seus poemas históricos diferem dos românticos por não tentarem descrever ambientes, talvez por influência do monólogo dramático de Robert Browning.
Busto de Gaspar Núñez de Arce no Campo Grande de Valladolid.
Os seus escritos teóricos, especialmente o Discurso da Poesia, lido em 3 de dezembro de 1887 no Ateneo de Madrid e reproduzido posteriormente na segunda edição dos Gritos del combate (primeira edição em 1875) com ampliações, mostram-no como um poeta muito consciente de a missão do escritor na sociedade como poeta cívico, e com extensa formação em poesia clássica espanhola e estrangeira, especialmente anglo-saxônica. Definiu a poesia como “A arte mestra por excelência, pois contém todas as outras em si, conta para atingir os seus fins com meios excepcionais: esculpe com a palavra como escultura em pedra; Ele anima suas concepções com a cor, como a pintura, e usa o ritmo, como a música. A sua obra, extensa e diversificada, inclui desde epigramas de Humoradas a poemas pacifistas, e outros em que expressa a crise da sua fé religiosa. Sua poesia lembra em certos momentos a de Gabriel García Tassara. Foi um grande criador de versos, cuja forma o obcecou, ​​recusando-se a apressar a inspiração.
Seu estilo busca a simplicidade expressiva e evita tanto a retórica quanto Campoamor, embora não incorra no prosaísmo deste autor: “Existe algo tão ridículo quanto uma prosa complicada, carregada de ornamentos, dissolvida em tropos...? (...) Declaro-o francamente: nada me é tão insuportável como a prosa poética, não expressiva, mas barulhenta...». Sustentou, porém, como este, que o ritmo era tudo no verso, pois “suprimir o ritmo, a métrica e a rima, seria o mesmo que matar a traição da poesia”. Falando de Robert Browning, ele diz: “os poetas... não devem escrever para serem explicados, mas para serem sentidos”, e aqui temos outra das características de sua poesia: o predomínio do sentimental sobre o racional, das sensações sobre os conceitos.
( Biografia retirada da Wikipedia).

terça-feira, 22 de outubro de 2024

Los Poetas del Amor... Manuel Acuña Narro (México)

Los Poetas del Amor (106)


Pois bem, preciso te dizer que te adoro,
dizer que te amo de todo o coração;
que sofro muito, que choro muito,
que já não posso fazer tanto, e ao grito com que te imploro,
eu te imploro e falo com você em nome da minha última ilusão.

Às vezes penso em te dar meu eterno adeus,
apagar você das minhas memórias e fugir dessa paixão;
mas se tudo for em vão e a alma não te esquecer,
o que você quer que eu faça, pedaço da minha vida,
o que você quer que eu faça com esse coração?



ANTE UN CADAVER

¡Y bien! aqui estás ya... sobre la plancha
donde el gran horizonte de la ciencia
la extensión de sus límites ensancha.

Aqui donde la rígida experiencia
viene a dictar las leyes superiores
a que está sometida la existencia.

Aquí donde derrama sus fulgores
ese astro a cuya luz desaparece
la distinción de esclavos y señores.

Aquí donde la fábula enmudece
y la voz de los hechos se levanta
y la superstición se desvanece.

Aquí donde la ciencia se adelanta
a leer la solución de ese problema
cuyo sólo enunciado nos espanta.

Ella que tiene la razón por lema
y que en tus labios escuchar ansía
la augusta voz de la verdad suprema.

Aquí está ya... tras de la lucha impía
en que romper al cabo conseguiste
la cárcel que al dolor te retenía.

La luz de tus pupilas ya no existe,
tu máquina vital descansa inerte
y a cumplir con su objeto se resiste.

¡Miseria y nada mas! dirán al verte
los que creen que el imperio de la vida
acaba donde empieza el de la muerte.

Y suponiendo tu misión cumplida
se acercarán a ti, y en su mirada
te mandarán la eterna despedida.

Pero, ¡no!... tu misión no está acabada,
que ni es la nada el punto en que nacemos
ni el punto en que morimos es la nada.

Círculo es la existencia, y mal hacemos
cuando al querer medirla le asignamos
la cuna y el sepulcro por extremos.

La madre es sólo el molde en que tomamos
nuestra forma, la forma pasajera
con que la ingrata vida atravesamos.

Pero ni es esa forma la primera
que nuestro ser reviste, ni tampoco
será su última forma cuando muera.

Tú sin aliento ya, dentro de poco
volverás a la tierra y a su seno
que es de la vida universal el foco.

Y allí, a la vida en apariencia ajeno,
el poder de la lluvia y del verano
fecundará de gérmenes tu cieno.

Y al ascender de la raíz al grano,
irás del vergel a ser testigo
en el laboratorio soberano;

Tal vez, para volver cambiado en trigo
al triste hogar donde la triste esposa
sin encontrar un pan sueña contigo.

En tanto que las grietas de tu fosa
verán alzarse de su fondo abierto
la larva convertida en mariposa;

Que en los ensayos de su vuelo incierto
irá al lecho infeliz de tus amores
a llevarle tus ósculos de muerto.

Y en medio de esos cambios interiores
tu cráneo lleno de una nueva vida,
en vez de pensamientos dará flores,

en cuyo cáliz brillará escondida
la lágrima tal vez con que tu amada
acompañó el adiós de tu partida.

La tumba es el final de la jornada,
porque en la tumba es donde queda muerta
la llama en nuestro espíritu encerrada.

Pero en esa mansión a cuya puerta
se extingue nuestro aliento, hay otro aliento
que de nuevo a la vida nos despierta.

Allí acaban la fuerza y el talento,
allí acaban los goces y los males
allí acaban la fe y el sentimiento.

Allí acaban los lazos terrenales,
y mezclados el sabio y el idiota
se hunden en la región de los iguales.

Pero allí donde el ánimo se agota
y perece la máquina, alli mismo
el ser que muere es otro ser que brota.

El poderoso y fecundante abismo
del antiguo organismo se apodera
y forma y hace de él otro organismo.

Abandona a la historia justiciera
un nombre sin cuidarse, indiferente,
de que ese nombre se eternice o muera.

El recoge la masa únicamente,
y cambiando las formas y el objeto
se encarga de que viva eternamente;

La tumba sólo guarda un esqueleto
mas la vida en su bóveda mortuoria
prosigue alimentándose en secreto.

Que al fin de esta existencia transitoria
a la que tanto nuestro afán se adhiere,
la materia, inmortal como la gloria,
cambia de formas; pero nunca muere.


Nocturno




NOCTURNO
A Rosario

¡Pues bien!, yo necesito decirte que te adoro,
decirte que te quiero con todo el corazón;
que es mucho lo que sufro, que es mucho lo que lloro,
que ya no puedo tanto, y al grito en que te imploro,
te imploro y te hablo en nombre de mi última ilusión.

Yo quiero que tú sepas que ya hace muchos días
estoy enfermo y pálido de tanto no dormir;
que están mis noches negras, tan negras y sombrías,
que ya se han muerto todas las esperanzas mías,
que ya no sé ni dónde se alzaba el porvenir.

De noche, cuando pongo mis sienes en la almohada
y hacia otro mundo quiero mi espíritu volver,
camino mucho, mucho, y al fin de la jornada,
las formas de mi madre se pierden en la nada,
y tú de nuevo vuelves en mi alma a aparecer.

Comprendo que tus besos jamás han de ser míos,
comprendo que en tus ojos no me he de ver jamás;
y te amo y en mis locos y ardientes desvaríos,
bendigo tus desdenes, adoro tus desvíos,
y en vez de amarte menos te quiero mucho más.

A veces pienso en darte mi eterna despedida,
borrarte en mis recuerdos y huir de esta pasión;
mas si es en vano todo y el alma no te olvida,
¿qué quieres tú que yo haga, pedazo de mi vida,
qué quieres tú que yo haga con este corazón?

Y luego que ya estaba concluido el santuario,
tu lámpara encendida, tu velo en el altar,
el sol de la mañana detrás del campanario,
chispeando las antorchas, humeando el incensario,
y abierta allá a lo lejos la puerta del hogar...

¡Qué hermoso hubiera sido vivir bajo aquel techo,
los dos unidos siempre y amándonos los dos;
tú siempre enamorada, yo siempre satisfecho,
los dos una sola alma, los dos un solo pecho,
y en medio de nosotros mi madre como un Dios!

¡Figúrate qué hermosas las horas de esa vida!
¡Qué dulce y bello el viaje por una tierra así!
Y yo soñaba en eso, mi santa prometida;
y al delirar en eso con alma estremecida,
pensaba yo en ser bueno por ti, no más por ti.

Bien sabe Dios que ese era mi más hermoso sueño,
mi afán y mi esperanza, mi dicha y mi placer;
¡bien sabe Dios que en nada cifraba yo mi empeño,
sino en amarte mucho en el hogar risueño
que me envolvió en sus besos cuando me vio nacer!

Esa era mi esperanza... mas ya que a sus fulgores
se opone el hondo abismo que existe entre los dos,
¡adiós por la vez última, amor de mis amores;
la luz de mis tinieblas, la esencia de mis flores;
mi lira de poeta, mi juventud, adiós!


MISTERIO

Si tu alma pura es un broche
que para abrirse a la vida
quiere la calma adormecida
de las sombras de la noche;

Si buscas como un abrigo
lo más tranquilo y espeso,
para que tu alma y tu beso
se encuentren sólo conmigo;

Y si temiendo en tus huellas
testigos de tus amores,
no quieres ver más que flores,
más que montañas y estrellas;

Yo sé muchas grutas, y una
donde podrás en tu anhelo,
ver un pedazo de cielo
cuando aparezca la luna.

Donde a tu tímido oído
no llegarán otros sones
que las tranquilas canciones
de algún ruiseñor perdido.

Donde a tu mágico acento
y estremecido y de hinojos,
veré abrirse ante mis ojos
los mundos del sentimiento.

Y donde tu alma y la mía,
como una sola estrechadas,
se adormirán embriagdas
de amor y melancolía.

Ven a esta gruta y en ella
yo te daré mis desvelos,
hasta que se hunda en los cielos
la luz de la última estrella.

Y antes que el ave temprana
su alegre vuelo levante
y entre los álamos cante
la vuelta de la mañana.

Yo te volveré al abrigo
de tu estancia encantadora,
donde el recuerdo de esa hora
vendrás a soñar conmigo...

Mientras que yo en el exceso
de la pasión que me inspiras
iré a soñar que me miras,
e iré a soñar que te beso.


AMOR

¡Amar a una mujer, sentir su aliento,
y escuchar a su lado
lo dulce y armonioso de su acento;
tener su boca a nuestra boca unida
y su cuello en el nuestro reclinado,
es el placer mas grato de la vida,
el goce mas profundo
que puede disfrutarse sobre el mundo!
Porque el amor al hombre es tan preciso,
como el agua a las flores,
como el querube ardiente al paraíso;
es el prisma de mágicos colores
que transforma y convierte
las espinas en rosas,
y que hace bella hasta la misma muerte
a pesar de sus formas espantosas.
Amando a una mujer, olvida el hombre
hasta su misma esencia,
sus deberes mas santos y su nombre;
no cambia por el cielo su existencia;
y con su afán y su delirio, loco,
acaricia sonriendo su creencia,
y el mundo entero le parece poco...
Quitadle al zenzontle la armonia,
y al águila su vuelo,
y al iluminar espléndido del día
el azul pabellón del ancho cielo,
y el mundo seguirá... Mas la criatura,
del amor separada
morirá como muere marchitada
la rosa blanca y pura
que el huracán feroz deja tronchada;
como muere la nube y se deshace
en perlas cristalinas
cuando le hace falta un sol que la sostenga
en la etérea región de las ondinas.
¡Amor es Dios!, a su divino fiat
brotó la tierra con sus gayas flores
y sus selvas pobladas
de abejas y de pájaros cantores,
y con sus blancas y espumosas fuentes
y sus limpias cascadas
cayendo entre las rocas a torrentes;
brotó sin canto ni armonía...
Hasta que el beso puro de Adán y Eva,
resonando en el viento,
enseñó a las criaturas ese idioma,
ese acento magnífico y sublime
con que suspira el cisne cuando canta
y la tórtola dulce cuando gime,
¡Amor es Dios!, y la mujer la forma
en que encarna su espíritu fecundo;
él es el astro y ella su reflejo,
él es el paraíso y ella el mundo...
Y vivir es amar. A quien no ha sentido
latir el corazón dentro del pecho
del amor al impulso,
no comprende las quejas de la brisa
que vaga entre los lirios de la loma,
ni de la virgen casta la sonrisa
ni el suspiro fugaz de la paloma.
¡Existir es amar! Quien no comprende
esa emoción dulcisima y suave,
esa tierna fusión de dos criaturas
gimiendo en un gemido,
en un goce gozando
y latiendo en unísono latido...
Quien no comprende ese placer supremo,
purísimo y sonriente,
ese miente si dice que ha vivido;
si dice que ha gozado, miente.
Y el amor no es el goce de un instante
que en su lecho de seda
nos brinda la ramera palpitante;
no es el deleite impuro
que hallamos al brillar una moneda
del cieno y de la infamia entre lo oscuro;
no es la miel que provoca
y que deja, después que la apuramos,
amargura en el alma y en la boca...
Pureza y armonía,
ángeles bellos y hadas primorosas
en un Edén de luz y de poesía,
en un pensil de nardos y de rosas,
Todo es el amor.
Mundo en que nadie
llora o suspira sin hallar un eco;
fanal de bienandanza
que hace que siempre ante los ojos radie
la viva claridad de una esperanza.
El amor es la gloria,
la corona esplendente
con que sueña el genio de alma grande
que pulsa el arpa o el acero blande,
la virgen sonriente.
El Petrarca sin Laura,
no fuera el vate del sentido canto
que hace brotar suspiros en el pecho
y en la pupila llanto.
Y el Dante sin Beatriz no fuera el poeta
a veces dulce y tierno,
y a veces grande, aterrador y ronco
como el cantor salido del infierno...
Y es que el amor encierra
en su forma infinita
cuanto de bello el universo habita,
cuanto existe de ideal sobre la tierra.
Amor es Dios, el lazo que mantiene
en constante armonía
los seres mil de la creación inmensa;
y la mujer la diosa,
la encarnación sublime y sacrosanta
que la pradera con su olor inciensa
y que la orquesta del Supremo canta,
¡Y salve, amor! emanación divina...
...¡Tú, más blanca y más pura
que la luz de la estrella matutina!
¡Salve, soplo de Dios!...
Y cuando mi alma
deje de ser un templo a la hermosura,
ven a arrancarme el corazón del pecho
ven a abrir a mis pies la sepultura

Enero de 1869.


A CH. . .

Si supieras, niña ingrata,
lo que mi pecho te adora;
si supieras que me mata
la pasión que por ti abrigo;
tal vez, niña encantadora,
no fueras tan cruel conmigo.

Si supieras que del alma
con tu desdén ha volado
fugaz y triste la calma,
y que te amo más mil veces,
que las violetas al prado
y que a los mares los peces;

tal vez entonces, hermosa,
oyeras el triste acento
de mi querella amorosa;
y atendiendo a mi reclamo,
mitigaras mi tormento
con un beso y un "yo te amo".

Si supieras, dulce dueño,
que tú eres del alma mía
el sólo y único sueño;
y que al mirar tus enojos,
la ruda melancolía
baña en lágrimas mis ojos;

tal vez entonces me amaras,
y con tus labios de niño
mis labios secos besaras;
y cariñosa y sonriente
a mi constante cariño
no fueras indiferente.

Ámame, pues, niña pura
ya que has oído el acento
del que idolatrarte jura;
y atendiendo a mi reclamo,
ven y calma mi tormento
con un beso y un "yo te amo".


Acuña La Película




_________________

Manuel Acuña Narro, médico e poeta, nasceu na cidade de Saltillo, Coahuila, em 27 de agosto de 1849. Viveu numa época em que a sociedade mexicana era dominada por uma intelectualidade filosófico-positivista, bem como por uma tendência romântica na poesia. Filho de Francisco Acuña e Refugio Narro. Ele recebeu suas primeiras cartas de seus pais. Posteriormente estudou no Colégio Josefino da cidade de Saltillo e por volta de 1865 mudou-se para o México, onde ingressou no Colégio de San Ildefonso como aluno interno, onde estudou Matemática, Latim, Francês e Filosofia. Mais tarde, em janeiro de 1868, iniciou seus estudos na Faculdade de Medicina. Ele era um aluno distinto, mas inconstante. Quando morreu, em 1873, tinha apenas completado o quarto ano de carreira. Nos primeiros meses dos estudos médicos viveu num humilde quarto do antigo convento de Santa Brígida, de onde se mudou para o quarto número 13, no corredor inferior do segundo pátio da Faculdade de Medicina, o mesmo que outro infeliz homem viveu anos antes, o poeta mexicano Juan Díaz Covarrubias.
Ali se reuniram muitos dos jovens escritores da época, Juan de Dios Peza, Manuel M. Flores, Agustín F. Cuenca, Gerardo M. Silva, Javier Santamaría, Juan B. Garza, Miguel Portilla, Vicente Morales e outros. Foi lá que, numa tarde de julho de 1872, alguns poetas do grupo inscreveram pensamentos e estrofes numa caveira, como se estivessem num álbum.
Em 1868 Acuña iniciou sua breve carreira literária. Deu-se a conhecer com uma elegia pela morte do companheiro e amigo Eduardo Alzúa. No mesmo ano, impulsionado pelo renascimento cultural que se seguiu ao triunfo da República, participou, junto com Agustín F. Cuenca e Gerardo Silva, entre outros intelectuais, da fundação da Sociedade Literária Nezahualcóyotl, dentro da qual deu a conhecer os seus primeiros versos. Os trabalhos apresentados na sociedade foram publicados na revista "El Anáhuac" (México 1869) e em um folhetim do jornal La Iberia intitulado Ensaios Literários da Sociedade Nezahualcóyotl. Este panfleto pode ser considerado uma das obras de Acuña, pois contém, além de obras de outros escritores, onze poemas e um artigo em prosa de sua autoria.
Ele tinha 24 anos e já havia provado o mel da glória em 9 de maio de 1871... Nessa data estreou “O Passado”, drama de sua inspiração que teve boa recepção do público. Além disso, os críticos já o haviam reconhecido como um poeta proeminente. Rosario de la Peña foi a mulher que mais esteve ligada aos seus últimos anos, foi o grande amor da sua vida e, ao que parece, pesou tanto no seu espírito que teve muito a ver com a sua trágica morte. Na verdade, a atratividade desta mulher é reservada como um dos mistérios da história, pois foi a mesma Rosário que despertou igualmente a paixão desesperada de Acuña, o desejo de Flores, a adoração senil de Ramírez e o carinho devotado de Marti.
Os extremos poéticos destes quatro literatos eram fonte de satisfação e lisonja para ela, cuja casa era frequentemente convertida num encontro onde cada um apresentava os seus novos versos, e se discutia e debatia filosofia ou bibliografia. Manuel Acuña era apaixonado por Rosario de la Peña. O seu imenso e desenfreado amor por ela foi a causa, ou pelo menos a razão mais fundamentada, para que a sua existência tenha sido interrompida quando o seu génio e a sua qualidade como escritor já eram reconhecidos nos meios intelectuais e ninguém duvidava do seu futuro de sucesso.
O que passava pela sua mente ou pelo seu coração perturbado em 6 de dezembro de 1873? É um segredo que ele levou para o túmulo depois de ingerir cianeto de potássio para acabar com sua existência. O cadáver do poeta, de cujos olhos fechados, dizem, corriam lágrimas como ele próprio previra:

"como devem chorar na última hora
as pálpebras imóveis de um homem morto"

Os versos de Acuña percorreram todos os domínios da língua castelhana e são admirados e repetidos por toda a parte, pois entre eles há muitos que bastam para revelar a sua genialidade. Acuña foi vítima do tédio, da nostalgia moral, daquela doença sem nome que murcha as flores da alma quando mal desabrocham. Nos seus últimos dias viveu de uma forma estranha: as suas vigílias eram constantes; Li e escrevi até de madrugada; Gostava de beber um café grosso, que Manuel Flores chamava de “o néctar negro dos sonhos brancos” e tinha um aspecto jovial que servia de máscara à sua secreta tristeza. A sua morte trágica é o resultado de uma perda cerebral: ninguém parece ser a causa dela e são conselhos triviais que correm pela boca das massas. Em Saltillo honraram sua memória construindo um belo teatro que leva seu nome e tem um pátio em forma de lira. No México, devido ao esforço constante de alguns de seus amigos, especialmente Luis A. Escandón e Agapito Silva, foi construído um monumento para ele, que nesta data já está concluído no cemitério de Dolores, onde estiveram por ordem do Autoridade transferiu seus restos mortais. Dizem que quando os restos mortais foram exumados na manhã do dia 29 de novembro, encontraram as roupas intactas, cobrindo os ossos; Tinha todos os cabelos que lhe caíam do crânio ao primeiro impulso do ar, e o Dr. Abel F. González encontrou no bolso do colete uma peseta do ano de 1830. Ele cunha "se não roubar a própria glória tão prematuramente " como me diz o inspirado Núñez de Arce, falando dele, ele seria hoje uma das maiores personalidades literárias do México. As composições que deixou escritas revelam tudo o que ele poderia se tornar: o destino apagou a chama de sua vida, mas não conseguirá apagar sua memória imperecível.

quarta-feira, 4 de setembro de 2024

Los Poetas del Amor... Mario Benedetti (Uruguay)

Los Poetas del Amor (105)


Porque eu tenho você e não
porque eu penso em você
porque a noite está de olhos abertos
porque a noite passa e eu digo amor

porque você é minha
porque você não é minha
porque olho para você e morro
e pior do que morrer
se não olhar para você amor
se não olhar para você

você é linda dos pés até a alma


É uma lástima que você não esteja comigo
quando olho para o relógio e são quatro




Bienvenida

Se me ocurre que vas a llegar distinta
no exactamente más linda
ni más fuerte
ni más dócil
ni más cauta
tan solo que vas a llegar distinta
como si esta temporada de no verme
te hubiera sorprendido a vos también
quizá porque sabes
cómo te pienso y te enumero

después de todo la nostalgia existe
aunque no lloremos en los andenes fantasmales
ni sobre las almohadas de candor
ni bajo el cielo opaco

yo nostalgio
tu nostalgias
y cómo me revienta que él nostalgie

tu rostro es la vanguardia
tal vez llega primero
porque lo pinto en las paredes
con trazos invisibles y seguros

no olvides que tu rostro
me mira como pueblo
sonríe y rabia y canta
como pueblo
y eso te da una lumbre
inapagable
ahora no tengo dudas
vas a llegar distinta y con señales
con nuevas
con hondura
con franqueza

sé que voy a quererte sin preguntas
sé que vas a quererme sin respuestas.


Esta ciudad es de mentira

No puede ser.
Esta ciudad es de mentira.
No puede ser que las palmeras se doblen
a acariciar la crin de los caballos
y los ojos de las putas sean tiernos
como los de una Venus de Lucas Cranach
no puede ser que el viento levante las polleras
y que todas las piernas sean lindas
y que los consejales vayan en bicicleta
del otoño al verano y viceversa.

No puede ser.
Esta ciudad es de mentira.
No puede ser que nadie sienta rubor de mi pereza
y los suspiros me entusiasmen tanto como los hurras
y pueda escupir con inocencia y alegría
no ya en el retrato sino en un señor
no puede ser que cada azotea con antenas
encuentre al fin su rayo justiciero y puntual
y los suicidas miren el abismo y se arrojen
como desde un recuerdo a una piscina.

No puede ser.
Esta ciudad es de mentira.
No puede ser que las brujas sonrían a quemarropa
y que mi insomnio cruja como un hueso
y el subjefe y el jefe de policía lloren
como un sauce y un cocodrilo respectivamente
no puede ser que yo esté corrigiendo las pruebas
de mi propio elogiosísimo obituario
y la ambulancia avance sin hacerse notar
y las campanas suenen sólo como campanas.

No puede ser.
Esta ciudad es de mentira.
O es de verdad
y entonces
está bien
que me encierren.




Poemas Famosos




Corazón Coraza



Ricardo Villalba


Porque te tengo y no
porque te pienso
porque la noche está de ojos abiertos
porque la noche pasa y digo amor
porque has venido a recoger tu imagen
y eres mejor que todas tus imágenes
porque eres linda desde el pie hasta el alma
porque eres buena desde el alma a mí
porque te escondes dulce en el orgullo
pequeña y dulce
corazón coraza

porque eres mía
porque no eres mía
porque te miro y muero
y peor que muero
si no te miro amor
si no te miro

porque tú siempre existes dondequiera
pero existes mejor donde te quiero
porque tu boca es sangre
y tienes frío
tengo que amarte amor
tengo que amarte
aunque esta herida duela como dos
aunque te busque y no te encuentre
y aunque
la noche pase y yo te tenga
y no.



Poemas del Alma




Amor de tarde

Es una lástima que no estés conmigo
cuando miro el reloj y son las cuatro
y acabo la planilla y pienso diez minutos
y estiro las piernas como todas las tardes
y hago así con los hombros para aflojar la espalda
y me doblo los dedos y les saco mentiras.

Es una lástima que no estés conmigo
cuando miro el reloj y son las cinco
y soy una manija que calcula intereses
o dos manos que saltan sobre cuarenta teclas
o un oído que escucha como ladra el teléfono
o un tipo que hace números y les saca verdades.

Es una lástima que no estés conmigo
cuando miro el reloj y son las seis.
Podrías acercarte de sorpresa
y decirme "¿Qué tal?" y quedaríamos
yo con la mancha roja de tus labios
tú con el tizne azul de mi carbónico.