domingo, 2 de agosto de 2026

Dostoiévski - Os Irmãos Karamazov Livro 3 (VI. Smierdiákov)

Os Irmãos Karamazov

Fiódor Dostoiévski


PRIMEIRA PARTE
LIVRO III
OS SENSUAIS
VI
SMIERDIÁKOV
  
     Encontrou Fiódor Pávlovitch ainda à mesa. Como de hábito, a mesa fora posta no salão e não na sala de jantar. Era a peça maior da casa, mobiliada com certa pretensão antiquada. Os móveis, bastante antigos, eram brancos, cobertos por um estofo vermelho, meio seda, meio algodão. Havia tremós de molduras pretensiosas, esculpidas à velha moda, igualmente brancas e douradas. Nas paredes, cuja tapeçaria branca estava rasgada em muitos lugares, figuravam dois grandes retratos, o de um antigo governador-geral da província, e o de um prelado, também morto desde muito tempo. No ângulo que fazia face à porta de entrada encontravam-se vários ícones, diante dos quais ardia uma lâmpada durante a noite, menos por devoção do que para iluminar a sala. Fiódor Pávlovitch deitava-se muito tarde, às 3 ou 4 horas da madrugada, e até então passeava de lá para cá ou meditava em sua poltrona. Tornara-se isso um hábito. Passava muitas vezes a noite sozinho, depois de ter despedido os criados, mas a maior parte do tempo o criado Smierdiákov dormia na antecâmara, deitado em cima de uma comprida arca. À chegada de Aliócha, o jantar estava no fim, haviam-se servido a sobremesa e o café. Fiódor Pávlovitch gostava de doces, após o jantar, com conhaque. Ivã estava tomando café com seu pai. Os criados, Gregório e Smierdiákov, conservavam-se perto da mesa. Amos e servidores achavam-se visivelmente de bom humor. Fiódor Pávlovitch ria às gargalhadas; desde o vestíbulo, reconheceu Aliócha sua risada semelhante a latidos, que lhe era tão familiar. Concluiu dali que seu pai, ainda longe da embriaguez, encontrava-se em felizes disposições.

— Ei-lo afinal! — exclamou Fiódor Pávlovitch, encantado com a chegada de Aliócha. — Vem sentar te conosco. Queres café forte? É famoso e está fervendo. Não te ofereço conhaque porque estás jejuando. Mas se quiseres... Não, dar-te-ei antes licores de boa qualidade. Smierdiákov, abre o armário, eles se acham na segunda prateleira, à direita, aqui estão as chaves. Ufa! 

     Aliócha fez gesto de que recusava os licores. 

— Servi-los-ão mesmo assim para nós, já que não queres. Dize-me, já jantaste?  

     Aliócha respondeu que sim; na realidade, comera um pedaço de pão e beber a um copo de kvas na cozinha do padre abade

— Tomarei de bom grado uma xícara de café quente. — Ah! o espertalhão! Não recusa o café! Será preciso esquentá-lo? Mas não, está ainda fervendo. É café famoso, preparado por Smierdiákov. É mestre em fazer café, tortas e sopas de peixe. Virás um dia tomar a sopa de peixe aqui. Avisa-me com antecedência. A propósito, não te disse que transportasses teu colchão e teus travesseiros hoje mesmo? Já o fizeste? Ah! ah! ah!
— Não, não os trouxe — respondeu Aliócha, também rindo. — Ah! tiveste medo, no entanto, tiveste medo! Serei capaz de fazer- te sofrer, meu querido? Escuta, Ivã, não posso resistir, quando ele me fita nos olhos, rindo. A alegria dilata-me as entranhas, somente ao vê-lo. Gosto dele! Aliócha, vem receber minha bênção.

     Aliócha levantou-se, mas Fiódor Pávlovitch reconsiderara.

— Não, farei somente um sinal-da cruz, assim, vai-te sentar. Pois bem, ficarás contente, a propósito de teu assunto favorito, vais rir. A burra de Balaão falou, e que linguagem a dela!

     A burra de Balaão não era outro senão o criado Smierdiákov, rapaz de 24 anos, insociável e taciturno, embora não fosse selvagem ou acanhado; pelo contrário, era arrogante e parecia desprezar todo mundo. Chegou o momento de falar a seu respeito, ainda que pouco. Educado por Marfa Ignátievna e Gregório Vassílievitch, o garoto, "natureza ingrata", segundo a expressão de Gregório, crescera selvagem no seu canto. Na sua infância, tinha prazer em enforcar os gatos, enterrando-os depois com grande cerimonial. Para fazer isto, cobria-se com uma colcha de cama, à guisa de casula, e cantava, agitando um simulacro de turíbulo por cima do cadáver. Tudo isso no maior mistério. Gregório surpreendeu-o um dia e chicoteou-o rudemente. Durante uma semana, o garoto enfurnou-se num canto, olhando de través.

"Ele não gosta de nós, o monstro", dizia Gregório a Marfa. "Aliás, não gosta de ninguém. És verdadeiramente um ser humano?", perguntou ele uma vez a Smierdiákov. "Mas não, nasceste da umidade do banheiro..."

     Smierdiákov, como se viu posteriormente, jamais lhe perdoara essas palavras. Gregório ensinou-o a ler e a história sagrada desde que completou doze anos. Mas esta tentativa foi infeliz. Um dia, numa das primeiras lições, o menino pôs-se a rir.

— Que tens? — perguntou Gregório, olhando-o severamente por cima de seus óculos. 
— Nada. Deus criou o mundo no primeiro dia; o sol, a lua e as estrelas no quarto dia. Donde vinha, pois, a luz do primeiro dia?

     Gregório ficou estupefato. O menino olhava seu amo com ar irônico, seu olhar parecia mesmo provocá-lo. Gregório não pôde conter-se:

"Eis donde ela veio!", exclamou, esbofeteando-o violentamente.

     O menino não se moveu, mas meteu-se de novo no seu canto por vários dias. Uma semana depois, teve ele uma primeira crise de epilepsia, doença que não o deixou mais dali por diante. Tendo conhecimento disso, Fiódor Pávlovitch mudou logo sua maneira de tratar o garoto. Até então olhava-o com indiferença, se bem que não o repreendesse nunca e lhe desse 1 copeque todas as vezes em que o encontrava. Quando estava de bom humor, mandava-lhe sobremesa de sua mesa. A doença do menino provocou sua solicitude; mandou buscar um médico; ensaiou-se um tratamento, mas Smierdiákov era incurável. Em média, tinha uma crise uma vez por mês, a intervalos irregulares. Os ataques variavam de intensidade, ora fracos, ora violentos.
     Fiódor Pávlovitch proibiu terminantemente que Gregório batesse no menino e deu-lhe acesso à sua casa. Proibiu igualmente qualquer estudo até nova ordem.
     Um dia — tinha Smierdiákov então quinze anos — Fiódor Pávlovitch viu-o lendo os títulos das obras através dos vidros da biblioteca. Fiódor Pávlovitch possuía uma centena de volumes, mas nunca fora visto a folheá-los. Deu logo as chaves a Smierdiákov. "Toma, serás meu bibliotecário; senta-te e lê, será melhor do que andares à toa pelo pátio. Toma isto", e Fiódor Pávlovitch deu-lhe Serões na Quinta de Dikanhka¹.

[1]  Primeira coletânea de novelas de Gógol (1831).

     Esse livro não agradou ao rapaz, que o acabou de ler com ar sombrio, sem ter rido uma vez sequer.

— Pois bem! Não é divertido? — perguntou Fiódor Pávlovitch. Smierdiákov permaneceu calado. — Responde, pois, imbecil.
— Só há mentiras, aqui dentro — resmungou Smierdiákov, sorrindo.
— Vai-te para o diabo, alma de lacaio! Espera, eis aqui a História Universal, de Smarágdov. Aqui tudo é verdadeiro. Lê.  

     Mas Smierdiákov não chegou a ler dez páginas. Achava aquilo enfadonho. Não se falou mais em biblioteca.
     Em breve Marfa e Gregório levaram ao conhecimento de Fiódor Pávlovitch que Smierdiákov, pouco a pouco se tornara de trato muito difícil, fazendo-se requintado; contemplando seu prato de sopa, examinava-o curvado, enchia uma colherada, que olhava à luz.

— Uma barata, talvez? — perguntava por vezes Gregório. 
— Ou então uma mosca? — insinuava Marfa. 

      O meticuloso rapaz não respondia nunca, mas procedia da mesma maneira com o pão, a carne, todas as comidas; pegando um pedaço com seu garfo, estudava-o à luz, como num microscópio, e, após reflexão, decidia-se a levá-lo à boca. "Dir-se-ia que é o filho de um senhor", murmurava Gregório, olhando-o.
     Posto ao corrente dessa mania de Smierdiákov, decretou Fiódor Pávlovitch logo que tinha ele vocação para cozinheiro e mandou-o a aprender sua arte em Moscou. Passou ali vários anos e voltou bastante mudado de aspecto; envelhecido demasiadamente para sua idade, enrugado, amarelecido, assemelhava-se a um skópiets. Moralmente, era quase o mesmo de antes da partida; sempre um verdadeiro selvagem que não procurava absolutamente a sociedade. Não dizia palavra em Moscou, como se soube mais tarde. A própria cidade muito pouco o interessara. Tendo ido uma vez ao teatro, voltou descontente.
     Usava roupas de linho convenientes, escovava cuidadosamente seus ternos duas vezes por dia; gostava muito de engraxar suas botas elegantes, de bezerra, com uma graxa inglesa especial, que as fazia reluzir como um espelho. Revelou-se excelente cozinheiro.
     Fiódor Pávlovitch decidiu pagar-lhe ordenado, que era quase todo gasto em roupas, pomadas, perfumes, etc. Parecia fazer tão pouco caso das mulheres quanto dos homens, mostrando se para com elas empertigado e quase inabordável. Fiódor Pávlovitch pôs-se a considerá-lo de um ponto de vista um pouco diferente. Suas crises tornavam se mais frequentes. Marfa substituía-o naqueles dias na cozinha, o que não convinha absolutamente a seu amo.

— Por que tens crises mais frequentemente? — E olhava carrancudo para o novo cozinheiro. — Deverias arranjar mulher, queres que te case? 

     Mas Smierdiákov não respondia nada àquelas palavras, que o tornavam lívido de despeito.
     Fiódor Pávlovitch ia-se embora, dando de ombros. Sabia-o visceralmente honesto, incapaz de tomar ou roubar o que quer que fosse, e era o essencial. Estando bêbado, perdeu Fiódor Pávlovitch em seu pátio três cédulas de 100 rublos que acabara de receber e só se deu conta disso no dia seguinte. Ao cascavilhar em seus bolsos, viu-os em cima da mesa. Smierdiákov tinha-os achado e trazido na véspera. "Nunca encontrei outro igual a ti, meu bravo", disse laconicamente Fiódor Pávlovitch, e presenteou-o com 10 rublos.
     É preciso acrescentar que não somente estava certo de sua honestidade, mas tinha afeição por ele, muito embora o rapaz lhe fizesse má cara, como aos outros. Se alguém que o visse perguntasse: "Por que se interessa esse rapaz, que é que o preocupa sobretudo?" não se teria podido responder, olhando-o. Entretanto, em casa, no pátio ou na rua, parava por vezes, pensativo, e ficava assim uma dezena de minutos. O rosto de Smierdiákov nada teria revelado a um fisionomista; nenhum pensamento, pelo menos, mas somente uma espécie de contemplação.
     Há um notável quadro do pintor Kramskói, intitulado O Contemplativo. Uma floresta no inverno; sobre a estrada vê-se um mujique, vestido com um cafetã rasgado e com sapatos de tília. Ali está numa solidão profunda e parece refletir, mas não pensa, contempla alguma coisa. Se se desse nele um encontrão, estremeceria e olharia como quem desperta, mas sem compreender. Na verdade, voltaria logo a si, mas se lhe perguntassem em que pensava, certamente não se lembraria de nada, mas, em compensação, decerto guardaria para si a impressão sob cujo império se achava durante, sua contemplação. Essas impressões são-lhe caras e se acumulam nele, imperceptivelmente, sem que o perceba; com que fim, ele o ignora.
     Um dia, talvez, depois de havê-las armazenado durante anos, deixará tudo e partirá para Jerusalém, a fim de tratar talvez de sua salvação. Ou então deitará fogo à sua aldeia natal ou faça mesmo as duas coisas sucessivamente.
     Há muitos contemplativos em nosso povo. Smierdiákov era certamente um tipo desse gênero e armazenava avidamente suas impressões, quase sem conhecer a razão disso.

continua na página 183...
_____________________
___________________
_______________

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski, nascido em Moscou, 11 de novembro de 1821 — falecido em São Petersburgo, 9 de fevereiro de 1881, foi um escritor, filósofo e jornalista russo. É considerado por muitos um dos maiores romancistas e pensadores da história, bem como um dos maiores «psicólogos» que já existiu, ao considerar a designação e etimologia mais ampla do termo, como investigador da psique.
Os Irmãos Karamazov é um romance de Fiódor Dostoiévski, escrito em 1879, uma das mais importantes obras das literaturas russa e mundial, ou, conforme afirmou Freud: "a maior obra da história". Freud considera esse romance, juntamente com Édipo Rei e Hamlet, três importantes livros a respeito do embate pai e filho, e retratam o complexo de Édipo.

Tolstói - A Felicidade Conjugal (2ªParte: 2 - A nossa viagem para Petersburgo)

A Felicidade Conjugal

Liev Tolstói

Segunda Parte
2

     A nossa viagem para Petersburgo, a semana passada em Moscou, os parentes dele e os meus, a instalação no apartamento novo, a estrada, as novas cidades, os rostos novos — tudo isso passou como um sonho. Tudo isso era tão variado, novo, alegre, tudo isso aparecia tão cálida e intensamente iluminado pela sua presença, pelo seu amor, que a pacata vida de roça pareceu-me algo muito distante no tempo e insignificante. Para meu grande espanto, em lugar da altivez mundana e da frieza que eu esperara encontrar nas pessoas, todos me recebiam com um carinho tão sincero, com tamanha alegria (não só os parentes, mas também os estranhos) que, segundo parecia, todos eles só haviam pensado em mim e era só a mim que esperavam, para que eles mesmos também se sentissem bem. De maneira igualmente inesperada para mim, apareceram para meu marido muitos conhecidos mesmo no círculo da sociedade que me parecia mais elevado, e dos quais ele nunca me falara; e frequentemente era-me estranho e desagradável ouvir dele juízos severos sobre algumas dessas pessoas, que me pareciam tão bondosas.
     Eu não podia compreender por que ele os tratava tão secamente e por que evitava muitas relações que me pareciam lisonjeiras. No meu entender, quanto mais pessoas bondosas se conhecesse, melhor, e todos eram bondosos.

— Está vendo como nos instalaremos? — disse ele, antes de deixarmos a aldeia — Aqui, somos pequenos Cresos, e lá seremos nada ricos, e por isso devemos morar na cidade somente até a Semana Santa e não frequentar a sociedade, senão vamos encalacrar-nos; e também para ti eu não gostaria... 
— Para quê a sociedade? — respondia eu. — Vamos apenas visitar os parentes, frequentar teatros, assistir à ópera, ouvir boa música, e, antes da Páscoa, voltaremos para o campo.

     Mal chegamos a Petersburgo, porém, estes planos ficaram esquecidos. Encontrei-me de repente num mundo tão novo e feliz, fui envolvida por tantas alegrias, interesses tão novos surgiram diante de mim, que renunciei num átimo, ainda que inconscientemente, a todo o meu passado e a todos os projetos desse passado. “Aquilo foi tudo à toa, umas brincadeiras; ainda não começara; mas eis a vida de verdade! E o que mais vai acontecer?” — pensava eu. A inquietação e um começo de angústia, que me perturbavam na roça, desapareceram por completo, num instante, como que por milagre. O amor pelo marido tornou-se mais repousado, e ali nunca me acudiu à mente a pergunta de se ele me amava menos. Ademais, eu não podia duvidar de seu amor, qualquer pensamento meu era compreendido imediatamente, qualquer sentimento partilhado, qualquer vontade satisfeita por ele. A sua tranquilidade desaparecera ali ou não me irritava mais. Além disso, eu sentia que, além do seu amor por mim, ele também se extasiava comigo. Frequentemente, depois de uma visita, de travar relações com alguém ou de uma recepção em nossa casa, quando eu, tremendo interiormente, com medo de errar, cumpria a função de dona de casa, ele dizia: “Mas que menina! Que bonito! Não se atemorize. Palavra que está bom!”. E eu ficava muito contente. Pouco depois da nossa chegada, ele escrevera uma carta à mãe, e, quando me chamou para acrescentar umas linhas, não quis deixar ler o que escrevera, em consequência do que eu naturalmente o exigi e li. “A senhora não reconhecerá Macha — escrevia ele — e eu mesmo não a reconheço. De onde lhe vem esta simpática e graciosa confiança em si, esta afabilidade, e mesmo uma inteligência típica da sociedade, além do jeito amável? E tudo isso simples, agradável, bonachão. Todos estão entusiasmados com ela, e eu mesmo não me canso de extasiar-me, e, se fosse possível, amá-la-ia mais ainda.”

“Ah! Então, assim é que eu sou!” — pensei. E senti bem-estar e alegria, pareceu-me até que o amava ainda mais. O meu êxito junto a todas as nossas relações foi completamente inesperado para mim. De todos os lados me diziam ora que eu agradara particularmente ao titio, ora que a tia estava completamente louca por mim, um me dizia que em Petersburgo não havia mulheres como eu, uma outra me afirmava que me bastava querer para me tornar a mulher mais fina da sociedade. Sobretudo uma prima de meu marido, a princesa D., mulher da sociedade já entrada em anos, e que de repente se apaixonara por mim, dizia-me mais que todos coisas lisonjeiras, que me faziam girar a cabeça. Quando, da primeira vez, a prima convidou-me para um baile e pediu isso a meu marido, ele dirigiu-se a mim e, com um sorriso ladino, quase imperceptível, perguntou se eu queria ir. Acenei afirmativamente a cabeça e senti que corava.

— Parece uma criminosa confessando o que tem vontade de fazer — disse ele, com um riso bonachão. 
— Mas tu dizias que nós não podemos frequentar a sociedade, e também não gostas disso — respondi, sorrindo e dirigindo-lhe um olhar súplice. 
— Se tens muita vontade, vamos — disse ele. 
— É melhor ficar em casa, palavra. 
— Mas queres? Muito? — tornou ele a perguntar.

     Não respondi.

— A sociedade ainda não é grande mal — prosseguiu —, mas o que é ruim e feio são os desejos sociais insatisfeitos. Temos que ir sem falta, e iremos — concluiu decidido. 
— Para ser sincera contigo — retruquei —, eu desejava este baile mais que tudo no mundo.

     Fomos, e o prazer que experimentei superou todas as minhas expectativas. No baile, ainda mais que antes, tive a impressão de ser o centro, junto ao qual tudo se movimentava, que somente para mim estava iluminado aquele grande salão, tocava a música e se reunira toda aquela gente, que se extasiava comigo. Todos, a começar pelo cabeleireiro e pela empregada e acabando com os dançarinos e com os velhos que cruzavam o salão, pareciam dizer-me ou dar-me a entender que me amavam. A opinião geral que se formou a meu respeito nesse baile, e que me foi transmitida pela prima, consistia em que eu era de todo diferente das demais mulheres e que havia em mim algo peculiar, da roça, singelo e encantador. Este êxito lisonjeou-me tanto que eu disse francamente ao meu marido como gostaria de nesse ano ir ainda a uns dois ou três bailes, “e isso para me fartar bem deles”, acrescentei, com uma dose de fingimento íntimo.
     Meu marido concordou de bom grado e, nos primeiros tempos, acompanhou-me com evidente prazer, alegrando-se com os meus êxitos e, segundo parecia, completamente esquecido do que afirmara antes, ou tendo renunciado a isso.
     Ulteriormente, tornou-se claro que ele se aborrecia e achava penosa a vida que levávamos. Mas eu tinha mais em que pensar; mesmo notando às vezes o seu olhar atento e sério, fixado interrogativamente em mim, eu não lhe compreendia a significação. Estava tão ofuscada com este amor que eu, parecia-me, subitamente despertara em todos os estranhos, com este ar de elegância, de prazer e de novidade, que eu respirava ali pela primeira vez, a tal ponto desaparecera de súbito a influência moral dele, que me esmagava, era para mim tão agradável não só igualar-me a ele nesse mundo, mas até colocar-me acima dele, e por isso amá-lo ainda mais, de modo mais independente, que eu não conseguia compreender o que ele podia ver de desagradável para mim na vida em sociedade. Eu experimentava o sentimento novo para mim de orgulho e autossatisfação, quando, entrando num baile, via todos os olhos dirigidos para mim, e quando ele, como que se constrangendo de confessar perante a multidão a sua posse sobre mim, apressava-se a deixar-me e perdia-se na turba negra dos fraques. “Espere! — pensava eu com frequência, procurando com os olhos, no fundo do salão, o seu vulto não notado, às vezes expressando tédio — espere! — pensava — chegaremos em casa e compreenderás e verás para quem eu me esforcei em ser bonita e brilhante, e o que eu amo em tudo o que me rodeia esta noite.” Eu mesma tinha sinceramente a impressão de que os meus êxitos alegravam-me unicamente por causa dele, para que eu estivesse em condições de sacrificá-los por ele. A vida em sociedade, pensava eu, só podia tornar-se nociva se eu me sentisse atraída por algum dos homens que eu encontrava ali e assim despertasse o ciúme do meu marido; mas ele confiava tanto em mim, parecia tão tranquilo e indiferente, e eu via todos aqueles jovens tão insignificantes em comparação com ele, que mesmo o único, a meu ver, perigo da sociedade não me atemorizava. Mas, não obstante isso, a atenção de muitos homens que encontrava dava-me prazer, lisonjeava o meu amor-próprio, obrigava a pensar que havia certo mérito em meu amor pelo meu marido, e tornava a minha maneira de tratá-lo mais autoconfiante e como que mais descuidada.

— Eu te vi conversar muito animado com N. N. — disse eu de uma feita em que voltávamos de um baile, ameaçando-o com o dedo e nomeando uma das damas conhecidas de Petersburgo, com quem ele realmente conversara aquela noite. Eu dissera-o para sacudi-lo um pouco, pois estava particularmente silencioso e entediado. 
— Ah, para que falar assim? E ainda mais tu, Macha! — deixou ele escapar entre os dentes, com uma careta, que parecia causada por uma dor física. — Como isso não combina conosco! Deixa isso para os demais; estas relações falsas podem estragar as nossas verdadeiras, e eu ainda tenho a esperança de que voltemos às verdadeiras.

     Envergonhei-me e fiquei calada.

— Vão voltar essas relações, Macha? Qual é a tua impressão? — perguntou ele. 
— Elas nunca se estragaram, nem vão se estragar — disse eu, e era justamente a minha opinião na época. 
— Deus queira — disse ele —, pois já é tempo de voltarmos para o campo.

     Mas ele só me disse isso uma vez, o resto do tempo parecia-me sentir-se tão bem como eu, que experimentava tamanha alegria e contentamento. E se às vezes ele se aborrece — consolava-me eu —, também eu me entediei por sua causa na roça; e se as nossas relações chegaram a modificar-se um pouco, tudo voltará a ser como antes, logo que fiquemos a sós com Tatiana Siemiônovna, em nossa casa de Nikólskoie.
     Assim decorreu o inverno, imperceptivelmente para mim, e, contrariamente aos nossos planos, passamos em Petersburgo mesmo a Semana Santa. Na semana seguinte, quando já nos preparávamos para viajar, as malas feitas, meu marido, que estava comprando presentes e objetos para amenizar a vida na aldeia, encontrava-se num estado de ânimo particularmente carinhoso e alegre. A prima inesperadamente veio visitar-nos e pediu que ficássemos até sábado, a fim de ir à recepção da condessa R. Ela dizia que esta insistia muito na minha presença, que o príncipe M., então em Petersburgo, ainda no baile anterior manifestara a intenção de conhecer-me, somente por isso ia à recepção, e dizia que eu era a mulher mais bonitinha de toda a Rússia. A cidade inteira estaria lá, e, numa palavra, seria muito feio se eu não comparecesse.
     Meu marido estava então na outra ponta da sala de visitas, conversando com alguém.

— Então, virá, Marie? — perguntou a prima. 
— Nós queríamos voltar depois de amanhã para a roça — respondi vacilante, depois de dirigir um olhar ao meu marido. Os nossos olhos encontraram-se, ele virou apressadamente o rosto. 
— Vou convencê-lo a ficar — disse a prima — e nós vamos deixar todo mundo tonto no sábado. Certo? 
— Isso estragaria os nossos planos, e nós já fizemos as malas — respondi, começando a render-me. 
— Seria melhor que ela fosse esta noite saudar o príncipe — disse o meu marido da outra ponta da sala, num tom de irritação contida, que eu nunca lhe ouvira. 
— Ah! Ele está enciumado, é a primeira vez que vejo isso — riu a prima. — Mas não é por causa do príncipe, Sierguiéi Mikháilovitch, que eu a estou convencendo, é por causa de nós todos. Como a condessa R. insistiu em que ela viesse! 
— Depende dela — disse meu marido com frieza e saiu. 

     Vi que estava mais perturbado que de costume; isto me atormentou e eu não disse nada à prima. Apenas ela partiu, fui ter com o meu marido. Ele estava caminhando pensativo de um canto a outro e não me viu nem ouviu entrar na sala nas pontas dos pés.

“Ele já está imaginando a nossa querida casa de Nikólskoie — pensei, olhando para ele —, o café matinal na clara sala de visitas, os campos, os mujiques, os serões na sala de repouso e as misteriosas ceias noturnas. Não! — decidi comigo mesma — Vou trocar todos os bailes do mundo e a lisonja de todos os príncipes pela sua alegre perturbação, pelos seus suaves carinhos.” Quis dizer-lhe que não iria à recepção, que não tinha vontade, quando, de repente, ele se voltou e, vendo-me, ficou sombrio e mudou a expressão humilde e pensativa do rosto. Seu olhar tornou a expressar penetração, sabedoria e uma serenidade protetora. Não queria que eu visse nele uma pessoa comum; precisava apresentar se sempre perante mim como um semideus sobre um pedestal.

— O que queres, minha amiga? — perguntou, voltando-se descuidada e tranquilamente para mim.

     Não respondi. Fiquei magoada porque ele escondia-se de mim, porque não queria permanecer do jeito como eu o amava.

— Queres ir sábado à recepção? — perguntou-me. 
— Eu queria — respondi —, mas isso não te agrada. E além disso, as malas já estão feitas — acrescentei.

     Nunca ele me olhara com tamanha frieza, nunca falara comigo tão friamente.

— Não vou partir antes de terça-feira, e mandarei desfazer as malas — disse ele —, por isso podes ir, se tens vontade. Vai, por favor. Eu não vou partir.

     Tal como sempre nas ocasiões de perturbação, pôs-se a caminhar nervoso pelo quarto, sem olhar para mim.

— Decididamente, não te compreendo — disse eu, parada no mesmo lugar e seguindo-o com os olhos —, dizes que estás sempre tão calmo (ele jamais o dissera). Por que falas comigo de modo tão estranho? Estou pronta a sacrificar por ti este prazer, e tu me exiges, com um tom irônico que nunca usaste comigo, que eu vá. 
— E então?! Tu fazes sacrifício (deu uma entonação peculiar a essa frase), e eu faço sacrifício também, o que pode haver de melhor? A luta da grandeza de alma. Para que então felicidade conjugal?

     Era a primeira vez que eu lhe ouvia palavras tão exasperadamente zombeteiras. A sua zombaria não me envergonhou, mas ofendeu-me, e a exasperação não me assustou, mas comunicou-se a mim. Era ele quem me dizia isso, ele que sempre temera uma frase que pudesse prejudicar as nossas relações, ele que era sempre simples e franco? E por quê? Exatamente porque eu quisera sacrificar-lhe um prazer, no qual não podia ver nada de ruim, e porque um instante antes disso eu o compreendia e amava tanto. Trocaram-se os nossos papéis: ele evitava as palavras simples e diretas, enquanto eu as procurava.

— Tu mudaste muito — disse eu, depois de um suspiro. — Em que sou culpada diante de ti? Não é essa recepção e sim algo mais velho e diferente que tens contra mim no coração. Para quê a insinceridade? Não eras tu quem a temia tanto em outros tempos? Deves dizer francamente: o que tens contra mim? — “O que terá para dizer?” — pensei, lembrando envaidecida que não tinha nada a me censurar em todo aquele inverno.

     Fui para o centro do quarto, de modo que ele precisava passar perto de mim, e fiquei olhando para ele. “Vai aproximar-se, abraçar-me, e tudo estará acabado” — acudiu-me à mente e tive até pena de que não fosse mais necessário demonstrar-lhe que não tinha razão. Mas ele parou na extremidade do quarto e me olhou.

— Continuas não compreendendo? — perguntou.
— Não. 
— Neste caso, vou dizer-te uma coisa. Tenho nojo, pela primeira vez tenho nojo do que sinto e não posso deixar de sentir. — Deteve-se, aparentemente assustado com o som rude da sua voz. 
— E então? — perguntei, com lágrimas de indignação. 
— Tenho nojo porque o príncipe achou-te bonitinha e porque, por causa disso, corres ao encontro dele, esquecendo o marido, a ti mesma, a dignidade de mulher, e não queres compreender o que deve sentir em teu lugar o teu marido, se em ti mesma não existe sentimento de dignidade; pelo contrário, vens dizer ao marido que fazes sacrifício, isto é, “apresentar-me perante Sua Alteza é uma grande felicidade para mim, mas eu a sacrifico”.

     Quanto mais ele falava, mais se inflamava com o som da própria voz, que soava com um tom áspero, grosseiro, mordaz. Eu nunca o vira nem esperara ver desse jeito; o sangue afluiu-me ao coração, eu tinha medo, mas ao mesmo tempo perturbava-me um sentimento de vergonha imerecida e de amor-próprio ofendido, e vinha-me uma vontade de vingar-me do meu marido.

— Eu já o esperava há muito — disse —, fala, fala. 
— Não sei o que esperavas — prosseguiu ele —, quanto a mim, podia esperar o pior, vendo-te diariamente nessa lama e ociosidade, em meio ao luxo da sociedade estúpida; e acabei por compreender... Compreendi o seguinte: hoje, senti vergonha e dor como nunca; dor por mim, quando a tua amiga penetrou-me no coração com as suas mãos sujas e pôs-se a falar de ciúme, do meu ciúme, e por quem? Por um homem que nem eu nem tu conhecemos. E tu, como se fosse de propósito, não queres compreender-me e queres sacrificar-me o quê?... Tenho vergonha por ti, pela tua humilhação!... Uma sacrificada! — repetiu ele.

“Ah! Então é este o poder do marido — pensei. — Ofender e humilhar uma mulher sem nenhuma culpa. Nisso é que consistem os direitos do marido, mas eu não me submeterei a eles.”

— Não, eu não sacrifico nada a ti — disse eu, sentindo dilatarem-se desmesuradamente as narinas e o sangue abandonar-me o rosto. — Vou sábado à recepção, vou sem falta. 
— E que Deus te conceda grande prazer, mas tudo está acabado entre nós dois! — gritou ele, já num acesso de incontido furor. — Mas tu não vais me atormentar mais. Fui um tolo porque... — começou novamente, mas tremeram-lhe os lábios, e ele conteve-se, com evidente esforço, de concluir o que começara.

     Eu temia-o e odiava-o nesse instante. Queria dizer-lhe muita coisa e vingar-me de todas as ofensas; mas, se abrisse a boca, cairia em pranto e me diminuiria perante ele. Calada, saí do quarto. Mas apenas deixei de ouvir seus passos, fiquei horrorizada com o que fizéramos.
     Tive medo, porque parecia romper-se para sempre aquela ligação, que era toda a minha felicidade, e quis voltar. “Mas estará ele suficientemente tranquilizado, para compreender-me, quando eu lhe estender em silêncio a mão e olhar para ele? — pensei. — Compreenderá a minha generosidade? E o que acontecerá se ele chamar a minha aflição de fingimento? Ou certo de estar com a razão, com um orgulho tranquilo, aceitar o meu arrependimento e me perdoar? E por que, por que ele, que eu tanto amei, ofendeu-me tão cruelmente?...”
     Dirigi-me não para ele, mas para o meu quarto, onde fiquei muito tempo sentada sozinha, chorando, lembrando horrorizada cada palavra da conversa que tivéramos, substituindo esses termos por outros, acrescentando palavras de bondade, e lembrando novamente, com horror e um sentimento de ofensa, tudo o que sucedera. Quando, à noitinha, saí para o chá e, na presença de S., que nos visitava, encontrei-me com meu marido, senti que, a partir desse dia, um abismo tinha se cavado entre nós. S. perguntou-me quando viajaríamos. Não tive tempo de lhe responder.

— Terça-feira — respondeu meu marido —, nós ainda iremos à recepção da condessa R. Tu vais mesmo, não é verdade? — disse, dirigindo-se a mim.

     Assustei-me com o som dessa voz singela e olhei timidamente para meu marido. Os seus olhos estavam fixos diretamente em mim, o olhar era mau e zombeteiro, a voz fria e regular.

— Sim — respondi.

     Mais tarde, quando ficamos a sós, aproximou-se de mim e estendeu-me a mão.

— Esquece, por favor, tudo o que eu te disse.

     Tomei-lhe a mão, um sorriso trêmulo apareceu-me no rosto, e lágrimas estavam prontas a escorrer-me dos olhos, mas ele retirou a mão e, como que temendo uma cena sentimental, sentou-se na poltrona, bastante afastado de mim. “Será possível que ele continue a julgar-se com a razão?”, pensei, e a explicação, que já tinha pronta, bem como o pedido de não ir àquela recepção detiveram-se sobre a minha língua.

— Temos que escrever a mamãe que adiamos a partida — disse ele —, senão, ficará preocupada. 
— E quando pretendes partir? — perguntei. 
— Terça-feira, depois da recepção — respondeu. 
— Espero que não seja por minha causa — disse eu, fitando-o nos olhos, mas os dele estavam somente olhando e não me diziam nada, como que toldados com algo. De súbito, seu rosto pareceu-me velho e desagradável. 

     Fomos à recepção, e relações boas, amistosas, pareciam novamente estabelecidas entre nós; mas essas relações eram de todo diferentes das anteriores.
     Na recepção, eu estava entre umas senhoras, quando o príncipe acercou-se de mim, de modo que eu tive de me levantar, a fim de conversar com ele. Levantando-me, procurei involuntariamente meu marido com os olhos e vi que, no outro canto da sala, ele me olhava, e que, nesse momento, virava a cabeça. De repente, senti tanta vergonha e mágoa que me confundi morbidamente, e um rubor cobriu-me o rosto e o pescoço, sob o olhar do príncipe. Mas eu tive de ficar ali de pé e ouvir o que ele me dizia, examinando-me de cima. A nossa conversa foi breve, ele não tinha um lugar para se sentar junto a mim, e provavelmente percebeu que eu me sentia muito constrangida. A conversa versou sobre o baile anterior, sobre o lugar em que eu passava o verão etc. Ao afastar-se de mim, manifestou o desejo de conhecer meu marido, e eu os vi conversando na outra extremidade do salão. O príncipe, provavelmente, disse algo a meu respeito, pois, em meio à conversa, sorriu e olhou na minha direção.
     Meu marido de repente corou, fez uma saudação profunda e afastou-se do príncipe. Corei também, tive vergonha da ideia que o príncipe faria de mim e, sobretudo, de meu marido. Tive a impressão de que todos notaram o meu embaraço, quando eu falava com ele, bem como a estranha conduta de meu marido; Deus sabe como podiam explicá-la; não estariam mesmo a par da minha conversa com ele? A prima acompanhou-me até nossa casa, e, pelo caminho, conversamos sobre meu marido. Não me contive e contei-lhe tudo o que sucedera entre nós por causa dessa infeliz recepção. Ela procurou acalmar-me, dizendo que era uma desavença insignificante e muito comum, que não deixaria vestígios; explicou-me também, do seu ponto de vista, o caráter de meu marido, achou que ele se tornara muito arredio e orgulhoso; concordei com ela, e tive a impressão de que eu mesma passara a compreendê-lo melhor, com mais tranquilidade.
     Mas depois, a sós com ele, este juízo a seu respeito ficou como um crime sobre a minha consciência, e eu senti que o abismo entre nós tornara-se ainda maior.

Leia também...
Primeira Parte:
Segunda Parte: 
1- Os dias, as semanas, dois meses de solitária vida / 2 - A nossa viagem para Petersburgo /  
___________________

Liev Tolstói é um escritor russo nascido em 9 de setembro de 1828 e morreu em 20 de novembro 1910. De família aristocrata, ficou órfão de pai e mãe ainda na infância. Mais tarde, iniciou a Faculdade de Direito, mas abandonou o curso logo depois, e participou da Guerra da Crimeia. Seu sucesso como escritor ocorreu já com a publicação de suas três primeiras obras, uma trilogia composta pelos livros Infância, Adolescência e Juventude. No entanto, suas obras mais conhecidas são Guerra e Paz e Anna Karenina.
Liev Tolstói, um dos maiores romancistas da literatura mundial, deixou um legado incomparável com suas obras-primas. Suas narrativas transcendem o tempo e continuam a ressoar com leitores de todas as gerações. Tolstói aborda temas como amor, guerra, moralidade e redenção, oferecendo uma rica reflexão sobre a condição humana.

________________________

Título original: Semeynoye Schast'ye (1859)
Tradução: Luís Cardoso (1861-?)
2014 © Centaur Editions
centaur.editions@gmail.com

sábado, 1 de agosto de 2026

Cinema: O Último Quarteto


     "Um sensível filme em português que combina música clássica, emoção e drama familiar, perfeito para quem aprecia filme de drama, histórias sobre família, grandes interpretações.

Um quarteto de cordas consagrado, após décadas de harmonia artística, vê sua estrutura interna ruir quando a fragilidade humana invade o palco. A doença de um dos membros expõe tensões antigas, desperta ambições sufocadas e acende desejos que sempre estiveram à espreita. Entre a morte que se aproxima, o choque de egos e a luxúria que ameaça ultrapassar todos os limites, cada músico é forçado a confrontar o que realmente sustenta uma vida dedicada à arte: disciplina, amor, sacrifício — ou simplesmente a necessidade desesperada de permanecer relevante. O quarteto, antes uma máquina perfeita, torna-se um campo de batalha emocional onde a música tenta sobreviver ao caos.

O teste final de uma amizade: eles precisam tocar Beethoven sem parar no meio do caos e da luta para se manterem juntos em face da morte, da competição de egos e da luxúria insuprimível, onde tudo deveria ser técnica, precisão e autocontrole.





Direção:
Yaron Zilberman

Roteiristas:
Yaron Zilberman
Seth Grossman

A Late Quartet (2012) é um emocionante filme de drama sobre amizade, música e os desafios que surgem quando uma vida inteira dedicada à arte começa a mudar. Após 25 anos de sucesso, um renomado quarteto de cordas vê seu futuro ameaçado quando o violoncelista descobre que sofre de Parkinson e anuncia sua aposentadoria.

A notícia desperta antigas rivalidades, conflitos familiares, paixões reprimidas e disputas de ego entre os músicos. Enquanto tentam decidir o futuro do grupo e preparar a apresentação de uma das mais desafiadoras obras de Beethoven, cada integrante enfrenta escolhas que podem mudar sua carreira, seus relacionamentos e sua própria identidade.


Elenco:
Catherine Keener como Juliette Gelbart
Christopher Walken como Peter Mitchell
Philip Seymour Hoffman como Robert Gelbart
Mark Ivanir como Daniel Lerner
Imogen Poots como Alexandra Gelbart
Madhur Jaffrey como Dr. Nadir
Liraz Charhi como Pilar
Wallace Shawn como Gideon Rosen
Pamela Quinn como Instrutora de aulas para pessoas com Parkinson
Grupo de Parkinson do Brooklyn / Participantes da aula para pessoas com Parkinson
Cristian Puig como Violonista de flamenco
Rebeca Tomas como Dançarina de flamenco
Megan McQuillan como Executivo da Sotheby's
David Redden como Leiloeiro
Ted Hartley como Licitante vencedor
Stephen Payne como Jack
Alyssa Lewis como Menininha no metrô
Quarteto de Cordas Attacca / Quarteto de Estudantes da Juilliard
Keiko Tokunaga como Violinista
Luke Fleming como Violista
Andrew Yee como Steve, o Violoncelista
Amy Schroeder como Aluna da Juilliard Classroom
Anne Sofie von Otter como Miriam Mitchell
Nina Lee como Nina Lee
Jasmine Hope Bloch como Estudante de violoncelo (não creditado)
Kevin Cannon como Ator (não creditado)
Marty Krzywonos como Taxista (não creditado)
Rebecca Merle como Mulher em um café (não creditado)
Lawrence Sharp como Espectador do concerto (não creditado)


__________________

Parte 02:
Parte 03: 
Parte 04:

MPB: Só louco

Dorival Caymmi



Dorival Caymmi - Só louco




Só louco
Amou como eu amei
Só louco
Quis o bem que eu quis

Ô, insensato coração
Por que me fizeste sofrer?
Porque de amor para entender
É preciso amar, porque...

Só louco
Amou como eu amei
Só louco
Quis o bem que eu quis

Ô, insensato coração
Por que me fizeste sofrer?
Porque de amor para entender
É preciso amar, porque...

Só louco, só louco
Só louco, só louco

Ô, insensato coração
Por que me fizeste sofrer?
Porque de amor para entender
É preciso amar, porque...

Só louco, só louco
Só louco, só louco


MPB Especial com Dorival Caymmi




Dorival Caymmi e Gal Costa - Só louco
1981





É doce morrer no mar - Dorival Caymmi (1959)




Saudades da Bahia - Dorival Caymmi e Tom Jobim






Nem Eu - Dorival Caymmi e Gal Costa
(1994)



Não fazes favor nenhum
Em gostar de alguém
Nem eu, nem eu, nem eu
Quem inventou o amor

Não fui eu
Não fui eu, não fui eu
Não fui eu, nem ninguém
O amor acontece na vida

Estavas desprevenida
E por acaso eu também
E como o acaso é importante, querida
De nossas vidas a vida
Fez um brinquedo também

Não fazes favor nenhum
Em gostar de alguém
Nem eu, nem eu, nem eu
Quem inventou o amor

Não fui eu

Não fui eu, não fui eu
Não fui eu, nem ninguém


As canções praieiras de Dorival Caymmi no olhar de 
José Miguel Wisnik e Arthur Nestrovski




Castro Alves - O Maior Poeta Brasileiro (b)

Obras Completas de Castro Alves

Reproducção fiel da edição original de 1870 

PRIMEIRO VOLUME 
ESPUMAS FLUCTUANTES 

EDIÇÃO COMMEMORAT1VA DO CINCOENTENARIO DO POETA 
na fôrma definitiva, restituida á versão authentica. 
 com uma inlroducção bibliographica e annotações de 
AFRANIO PEIXOTO

ESPUMAS FLUCTUANTES 
 reproducção fiel da edição original de 1870 

HYMNOS DO EQUADOR 
publicações posthumas e poesias inéditas 

OS ESCRAVOS 
texto integral, parte inédita, com 
A CACHOEIRA DE PAULO AFFONSO
 
GONZAGA, OU A REVOLUÇÃO DE MINAS 
drama em 4 actos, segundo a edição original 

VÁRIOS INÉDITOS — CORRESPONDÊNCIA 
conforme autographos e manuscriptos authenticos


O MAIOR POETA BRASILEIRO

continuando...

     Mas os trovões que prenunciavam os cataclysmos cósmicos e sociaes, do outro lado do> oceano, com Hugo, esmoreceram, e se pôde com o tempo ouvir os accordes lyricos e apaixonados da voz desse mesmo immenso e outro poeta, e, com ella, outras vozes tão sentidas e delicadas desse tempo, as de Lamartine e de Musset.
     Aqui a campanha da Abolição teria o seu pri meiro êxito em 71, para conseguir todo e definitivo em 88; no anno immediato o Brasil alcançava a Republica. O "Poeta dos Escravos", como o Brasil lhe chamava, o "poeta republicano" como lhe chamaria Nabuco¹), o poeta nacional que fora Castro Alves, preenchera o seu destino, attingido esse ideal livre e democrático, exactamente quando a forma literária desses seus poemas tornara á simplicidade lyrica, ou á perfeição parnasiana.

[1] JOAQUIM NABUCO — Minha Formação, Rio, Paris, 1900, p. 7.

     Foi então, que se começou também a ouvir o outro Castro Alves, o definitivo Castro Alves, ly rico e commovido, poeta ás vezes perfeito, sempre original, que cantou o amor e a natureza, com uma sinceridade e uma espontaneidade ainda não conseguidas no Brasil, e que abafara, na sua gloria ruidosa, o poeta social. Ao poeta épico, de cujos alguns poemas pôde Alberto de Oliveira dizer que "exceptas algumas estâncias camoneanas não conheço em nossa lingua outros versos tão vibrantes"¹) substituiu-se o lyrico²) delicioso e in timo, e este não passará, porque é eterno o senti mento humano e só os grandes poetas o sabem exprimir, para os outros que o sentem e soffrem sem expressão. Mudara Castro Alves de feição, sem deixar de ser o mesmo, e entretanto com aquella originalidade, já proclamada, mas que primeiro lhe viu o difficil juizo de Machado de Assis, quando, em 68, exclamava pelo "Correio Mercantil": "Achei um poeta original", "a musa do Sr. Castro Alves tem feição própria"³). Com elle viria a concordar um moderno, José Oiticica, dizendo que criara essas três coisas que não existiam na poética nacional antes delle: a paisagem brasileira, o estylo brasileiro, o thema social brasileiro"4). Para o louvar, ou fazer-lhe apenas justiça, não preciso palavras minhas.

[1] ALBERTO DE OLIVEIRA — Prefacio ás "Espumas Fluctuantes" ed. Garnier, 1913. P- 6"7.
[2] JOSÉ VERÍSSIMO — Castro Alves, "Jornal do Commercio, Rio, 14 de Agosto 1899: "Não sei se não haverá quem prefira hoje a parte puramente lyrica dos seus cantos."
[3] MACHADO DE ASSIS — Resposta ao Cons. José de Alencar, "Correio Mercantil", Rio, 1 Março, 1868.
[4] JOSÉ OITICICA — Um ponto de literatura brasileira, "Jornal do Commercio", Rio, 25 de Dezembro, 1913, p. 21-23.

     Fez-lhe alguém, inconsideradamente, uma censura, que é o maior elogio que se pode attribuir a um artista: conseguir revelar-se. Seriam as confidencias intimas dos seus versos: "é certo que encobriu pouco ou antes nada, de sua alma, aos leitores mais extranhos e indifferentes"¹). A arte é o triumpho esthetico do individualismo; numa fórmula concisa, e persuasiva, alludindo ao que ha nella de pessoal e na sciencia de collectivo, Hugo definiu: — "L'art, c'est moi; Ia science, c'est vous..." Poesia, então, é essencialmente sentimento e o que podemos exprimir, com sinceridade, será apenas, e quando muito, o próprio. E foi com essa sinceridade de Castro Alves, que "ninguém desferiu ainda mais maviosamente as cordas mais santas do amor humano", e só por isso é que "a natureza sorri, irradia e magôa-se nos seus versos", como affirmou Ruy Barbosa²). Aos provectos como este, contraponho os mais recentes, para provar a concordância: um jovem critico, Ronald de Carvalho³) diz de um dos seus poemas: "As admiráveis e perfeitas estrophes da poesia Sub tegmine fagi, que é uma das mais bellas de nossa lingua e onde ha qualquer coisa do melhor Hugo e do mais profundo Lamartine, na sua exaltação religiosa, da arte e da natureza..."

[1] JOAQUIM NABUCO — Castro Alves, II, "A Reforma", Rio, 24 Abril, 1873.
[2] RUY BARBOSA — Op. cit., p. 12.
[3] RONALD DE CARVALHO — Pequena Historia da Literatura Brasileira, ed. Briguiet, Rio. 1919. p. 242.

     Essa perfeição de forma, aliás menos prezada no tempo, de românticos sem disciplina, o que até forçaria á reacção parnasiana, não era rara nos poemas de Castro Alves, cheios de idéas, de imagens e de apuro no estylo. Escreveu José Veríssimo das "Vozes d'África": ha ahi "eloqüência da melhor espécie, sentimento, emoção, e sobre tudo uma elevada idealização artística da situação do Continente maldito e das reivindicações que o nosso ideal humano lhe attribue. E, com todas essas qualidades, uma perfeição rara de forma"¹). Continua ainda assim, exaltado no louvor, que muitos annos depois será também o de Luís Murat²) :"Vozes dAfrica" são um primor de forma; não se pôde exigir mais, do gosto e da mestria de um artista". Na sua obra, muitos poemas, e numerosas estrophes, de outros muitos, merecem destes gabos. A prova é que a affirmativa de José Veríssimo, que nas Miniaturas, de Gonçalves Crespo, vira "a primeira manifestação da poesia parnasiana no Brasil", oppõe-se Alberto de Oliveira, o maior dos nossos parnasianos, lembrando que as Espumas Fluctuantes, em 1870, antecedem de um anno áquelle livro e ahi, nos sonetos d'"Os anjos da meia noite" ia Castro Alves em evolução "para as novas formas de cunho artistico mais leve e delicado da poesia parnasiana". O critico compara dois sonetos, do Castro e do Crespo, e não lhes acha differença no accento da emoção e no lavor da fôrma. O grande romântico attingia, pois, a perfeição parnasiana, pela primeira vez conseguida no Brasil³). Que lhe faltou pois? Apenas tempo, mais edade para polir e aperfeiçoar, o que não sahiu perfeito de seu gênio apenas mal transposta a adolescência, nessa mocidade tonta em que a infinita maioria nem tem a consciência da vida, quanto mais de uma obra a realizar. Emen daria erros, evitaria excessos, talvez repudiasse "as palavras a cavallo", "os palavrões de pennacho" como os que o ridiculo de Aristophanes denunciava no divino E'schylo; talvez, quando lhe fosse escasseando o gênio, com a velhice, fizesse pacto com a grammatica, de não a offender nunca mais4), commodidade que, ainda sem talento, confere no Brasil, nessa idade rhetorica que vamos vivendo, foros de escriptor a quem escreva mal e sem idéas, mas segundo as taes regrinhas; seria tudo o que o gênio desabrochado, fecundado, de vez, sazonado, pode dar de maturidade perfeita e feliz. O que foi, porém, esses poucos annos bastaram para mostrá-lo, como se a sua compleição extraordinária não carecesse de mais. Guilherme de Castro Alves, seu irmão, teria inteira razão de o definir:
     Elle era grande e bom : massa p'ra deuses!

[1] JósÉ VERÍSSIMO — "Jornal do Commercio", Rio, 14 Agosto, 1899.
[2] LUIZ MURAT — "Jornal do Commercio", Rio, 3 Outubro, 1920.
[3] ALBERTO DE OLIVEIRA — O soneto brasileiro — "Revista de Lingua Portuguesa — Rio. 1920. n " 8.
[4] Aliás se alguma vez, inadvertidamente, a aggravou, poderia reclamar illustres precedentes Accusa Horacio a Homero de haver alguma vez dormitado. Faguet apontou desses defeitos no mesmo Flaubert. Entre os nossos, não poupam os incontentaveis aos maiores, de Camões a Ruy Barbosa. Em compensação os grammaticos, que escrevem certo, escrevem mal. Um delles, que por acaso escrevia bem, Paulo Stapfer, pôde dizer: "La correction sans tache ne brille que chez quelques écrivains secondaires..." (Recréations grammaticales, Paris, 1900, p. 205.) Castro Alves não o era: bem ao contrario, foi de primeira ordem.


*

     Intencionalmente, deixei que dissessem delle outros, e os maiores, os mais doutos e mais justos: poeta humano e humanitário, faz-se arauto e defensor de uma grande causa, e torna-se o poeta nacional, senão nacionalista; a natureza do Brasil retrata-se em suas imagens, como num espelho encantado, e as nossas paisagens e as nossas aspirações cantam nos seus versos incomparaveis; nunca uma fúria sonorosa foi tão sublime aqui, ou teve mais ternos accentos a lyra commovida do amor; como vate é vidente, e propheta, e annuncia a liberdade dos ingênuos em 71, a Abolição e a Republica mais tarde: — iria adiante, num appello aos "filhos do Novo-Mundo", que viriam a salvar a Civilização, nos campos de França, assolados pelos Bárbaros em 1914, para se não repetir o crime de 1870; romântico exaltado, tem o culto da idéa e da fôrma e avança literariamente, como idealmente, sobre o seu tempo, no apuro de escrever, como no de pensar...
     Isto é o que vemos daqui. De além-mar conta-se que, ouvindo Eça de Queiroz ler, a Eduardo Prado, "As aves de Arribação", aqui detivera o outro:

A's vezes quando o sol nas matas virgens 
 A fogueira das tardes accendia...

para exclamar: — "Ahi está, em dois versos, toda a poesia dos trópicos". Nos outros, em muitos dos outros de Castro Alves, é que os nacionaes e os extrangeiros podem compreender toda a poesia do Brasil; Um outro grande poeta, á altura de o julgar, Antônio Nobre, viria a dizer delle: "O maior poeta brasileiro..."¹). 

[1] ANTÔNIO NOBRE — Correspondência, publicada na revista "A Rajada", Rio, Abril, 1920, p. 51: "Já os lestes de certo, (a vários poetas franceses e lusitanos, indicados) e lerias por ventura o maior poeta brasileiro (olá, se é) Castro Alves, o autor das Espumas Fluctuantes!" (Carta a Baltar).

     A eleição, pelos sábios e doutos, pode engrandecer qualidades raras e de apreço difficil, por extravagantes, por isso nem sempre comprehensiveis; a nomeada, pelo vulgo, de ouvintes e leitores, mesmo quando não seja movida pela paixão do momento, pôde ser o indicio de uma subalternidade que ao nivel dos applausos ponha o applaudido. Se as duas concordam, porém, não ha restricção para o mérito devidamente denunciado por uns e justa mente consagrado pelos outros. Castro Alves teve em vida as duas benemerencias; não desmereceu de uma dellas nesses cincoenta annos que decorrem de sua morte: e da outra? Também. E' a razão de ser desta introducção bibliographica. Dizia Veríssimo, dos delle, que "poucos livros brasileiros e menos de versos tem sido tão lidos". E isso, porque lhe computava as das Espumas Fluctuantes em "oito ou dez edições"¹). Aqui trago um ról de quasi cincoenta, de todas as suas obras, e, só daquelle livro, "vinte e três". Nenhum poeta, nenhum escriptor brasileiro, nesse tempo, alcançou sequer de longe approximar-se delle. Castro Alves, o grande poeta nacional que Alencar, Machado de Assis, Ruy Barbosa, Nabuco, Euclydes da Cunha, José Veríssimo, tantos e tantos mais... o escol da intelligencia brasileira exaltou' á nossa admiração, foi também o eleito do Povo Brasileiro, da innumeravel multidão dos leitores que o prefere a todos os mais. O Veredicto da Posteridade está apurado: é o primeiro poeta, o maior poeta brasileiro.

A.P.

[1] JOSÉ VERÍSSIMO — Historia da Literatura Brasileira, cit. P. 334-6.  

continua página 19...
_________________

O Maior Poeta Brasileiro(a) / O Maior Poeta Brasileiro (b) /  
_________________

Antônio Frederico de Castro Alves - foi um poeta, dramaturgo e advogado brasileiro, considerado o principal representante da terceira geração do romantismo no Brasil. Ficou conhecido por seus poemas abolicionistas, que renderam-lhe a alcunha de "poeta dos escravos".
Nascimento: 14 de março de 1847, Castro Alves, Bahia - Falecimento: 6 de julho de 1871 (24 anos), Salvador, Bahia. 
Influenciado por: Gonçalves Dias, Lord Byron, Victor Hugo, 
Formação: Faculdade de Direito do Recife | FDR, Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP) 
Pais: Clélia Brasília da Silva Castro, Antônio José Alves
Irmãos: Adelaide Alves, Cassiano José Alves
O “poeta dos escravos” foi um poeta sensível aos graves problemas sociais do seu tempo. Expressou sua indignação contra as tiranias e denunciou a opressão do povo.
A poesia abolicionista é sua melhor realização nessa linha, denunciando energicamente a crueldade da escravidão e clamando pela liberdade. Seu poema abolicionista mais famoso é “O Navio Negreiro”.
_______________

LIVRARIA FRANCISCO ALVES 
RIO DE JANEIRO 
S. PAULO - BELLO HORIZONTE 
1921