quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Odisseia: Parte II (Canto VIII.a - Recepção de Odisseu pelos Feácios)

Odisseia


Homero

Tradução: Carlos Alberto Nunes


Parte II
Os Relatos na Casa de Alcínoo — Odisseu na Ilha de Calipso e na Feácia¹ 
Canto VIII

Recepção de Odisseu pelos Feácios 

    “Faz-se uma assembleia dos Feácios acerca do estrangeiro e um navio é preparado para enviar Odisseu. Os nobres Feácios jantam na casa de Alcínoo. Depois disso, os Feácios e Odisseu competem com o disco. Então, Demódoco canta primeiro acerca do Adultério de Ares e de Afrodite, depois acerca da entrada do Cavalo de Madeira. Odisseu chora e Alcínoo pergunta por que ele chora, quem ele é e de onde vem.” (Scholie H V)

   Logo que a Aurora, de dedos de rosa, surgiu matutina, 
prestes do leito se ergueu o poder consagrado de Alcínoo 
e, juntamente, o divo Odisseu, eversor de cidades, 
a quem servia de guia o poder consagrado de Alcínoo 
para o conselho, na praça, que perto das naus construíra. 
Todos se foram sentar nos assentos de pedra polida, 
bem juntos. Palas Atena, no entanto, percorre a cidade 
sob a exterior aparência do arauto de Alcínoo sensato, 
determinada em mandar o divino Odisseu para casa.

E, apresentando-se a todos, dizia-lhe estas palavras: 
   “Ide, Feácios, que sois conselheiros e guias do povo, 
ide ao conselho, na praça, porque conheçais o estrangeiro, 
hóspede novo de Alcínoo prudente, depois de jogado 
no vasto mar, sem destino. Parece um dos deuses eternos.” 
   Essas palavras em todos o ardor e o desejo excitavam. 
Logo se encheram os bancos da praça de gente, que vinha 
de toda parte. Forçoso lhes era admirar, espantados, 
o filho astuto de Laertes, porque pelas largas espáduas 
graça divina derrama-lhe Atena e por sobre a cabeça,

forte e mais alto deixando-o que um homem, de bela aparência, 
para que fosse possível tornar-se estimado de todos, 
considerado e temido, e também vencedor nos certames 
múltiplos, quando os Feácios quisessem medir-se com ele.¹ 
Logo que se reuniram e juntos os viu na assembleia, 
disse aos presentes Alcínoo, arengando, as seguintes palavras: 
“Ora escutai-me, Feácios, que sois conselheiros e guias, 
quanto vos digo e no peito me ordena falar-vos o espírito. 
Este estrangeiro que vedes — ignoro-lhe o nome — buscou-me, 
ou do nascente errabundo, ou dos homens que ficam no ocaso.   

Súplice pede que à pátria o enviemos por modo seguro. 
Como de nosso costume, aprestemos-lhe logo a partida. 
Nunca pedinte nenhum, tendo vindo ao palácio em que habito, 
dele magoado sairá, por lhe havermos negado retorno. 
Eia! Nau negra lancemos, sem mora, à corrente divina, 
nova e sem uso. Cinquenta e mais dois marinheiros se escolham 
entre os da classe do povo; os melhores e mais comprovados. 
Logo que os remos fixados tiverdes em todos os bancos, 
vinde de novo. Depois preparai, sem demora, o banquete 
dentro da minha morada, que a todos contente ofereço.

Isso aos rapazes inculco; mas vós, ó cetrados regentes, 
todos deveis reunir-vos no belo palácio em que habito, 
para que o hóspede seja por modo condigno acolhido. 
Não se recuse ninguém. Mandai vir o divino Demódoco, 
o aedo que obteve os deuses poder deleitar-se com a música, 
como lhe pede o furor, que no peito a cantar o estimula.” 
   Tendo isso dito, se ergueu; os cetrados regentes o imitam, 
sem exceção; ao divino cantor foi buscar logo o arauto. 
Tal como fora ordenado, cinquenta e mais dois escolheram 
moços do povo, que a areia do mar infecundo já pisam.

Logo que foram chegados ao mar e ao navio, puxaram 
para bem longe da praia, em mar fundo, essa nau de cor negra. 
Mastro lhe fixam; depois, neste, a vela, cuidando, em seguida, 
de nos toletes os remos prender com estropos de couro, 
tudo de acordo com as regras, e a cândida vela desprendem. 
Longe da praia ancoraram; depois, sem demora, de novo 
para o palácio esplendente se foram, de Alcínoo sensato. 
Pórticos, salas e pátios de gente infinita se encheram, 
velhos alguns, outros moços, que muitos ao paço afluíram. 
   Ordens tiveram do rei de matar doze nédios carneiros,

oito cevados de dentes recurvos e dois bois tardonhos. 
Ledos lhes tiram os couros e o grato banquete adereçam. 
   Já pelo arauto trazido o cantor divinal se aproxima, 
que tanto a Musa distingue, e a quem males e bens concedera: 
tira-lhe a vista dos olhos, mas cantos sublimes lhe inspira. 
Junto de uma alta coluna, em cadeira de enfeites de prata 
fê-lo Pontónoo sentar-se, no meio dos ledos convivas. 
Prende-lhe o arauto o sonoro instrumento num gancho, que estava 
por sobre a sua cabeça, e lhe ensina aonde a mão levantasse 
para alcançá-lo. Coloca-lhe ao lado uma mesa e uma cesta,

perto uma jarra com vinho, porque ele à vontade bebesse. 
Todos as mãos estendiam, visando a alcançar as viandas. 
Tendo assim, pois, a vontade da fome e da sede saciado, 
a Musa logo o incitou a falar sobre os feitos dos homens, gestas 
de heróis, cuja fama o alto céu, nesse tempo, atingira, 
a dissensão entre Aquiles Pelida e Odisseu, tão falada, 
quando no lauto banquete dos deuses os dois se avieram 
com feios e ásperos ditos. Alegra-se no íntimo o chefe 
de homens, o Atrida Agamémnone, ao ver que os melhores brigavam 
entre os Aquivos, que assim profetado lhe fora por Febo

no templo sacro de Pito, ao transpor-lhe a soleira de pedra 
para a consulta. Este o ponto inicial das desgraças que sobre 
Dânaos e Teucros rolaram, segundo de Zeus o decreto. 
   Isso narrava o famoso cantor. Odisseu, entrementes, 
com as mãos fortes o manto de púrpura para a cabeça 
puxa, encobrindo-a com o fim de esconder as feições majestosas. 
Envergonhava-se, sim, de que o vissem chorar os Feácios. 
Sempre, porém, que o divino cantor a canção terminava, 
ei-lo que o rosto de novo descobre, enxugando-lhe as lágrimas, 
e a taça em punho, adornada com alças, aos deuses oferta.

Mas, se de novo retorna à canção, aplaudido e animado 
pelos mais nobres Feácios, a quem seu cantar comprazia, 
volta Odisseu a gemer, escondendo outra vez a cabeça. 
Dos convidados nenhum percebera que pranto vertia, 
com exceção só de Alcínoo, que atento notara o ocorrido, 
pois se encontrava ao seu lado e lhe ouvia os gemidos do peito. 
Logo a seguir os Feácios, amantes do remo, concita: 
   “Ora escutai-me, Feácios, que sois conselheiros e guias; 
já temos todos saciado a vontade nos dons do banquete, 
como, também, nas canções, que acompanham os lautos repastos.

Ora saiamos da sala e passemos às provas atléticas, 
para que possa o nosso hóspede, quando entre os seus encontrar-se, 
de volta à pátria, contar como em todos os jogos primamos, 
no pugilato e na luta, no salto e no rápido curso.” 
   Diz e levanta-se; em massa os cetrados regentes o imitam. 
Foi pelo arauto num gancho prendido o instrumento sonoro; 
toma o cantor pela mão e o conduz para fora da sala, 
a percorrer o caminho, que todos os outros faziam 
dos mais notáveis Feácios, com o fim de admirar as disputas. 
Ei-los que vão para a praça, de povo infinito seguidos.

Moços se aprestam em número imenso, de nobre prosápia. 
Alça-se Acrôneo, seguido do forte Nauteu e de Ocíalo, 
mais Elatreu, Eretmeu e Primneu; depois deste Anquíalo, 
Anabesíneo, Ponteu, depois desses Prooreu, o ágil Tóone 
e o guapo Anfíalo, filho do grande Políneo Tectônida. 
Alça-se Euríalo, filho de Náubolo, herói de presença 
como a do deus Ares forte e que, após o viril Laodamante, 
entre os Feácios primava na forma exterior impecável. 
Três belos filhos de Alcínoo, de forma perfeita, se adiantam: 
Hálio, Clitôneo, que a um deus se assemelha, e o viril Laodamante.

Pés, em primeiro lugar, exp’rimentam em rápidos cursos. 
Partem do ponto fixado e à carreira dão logo começo; 
rapidamente prosseguem, do solo a poeira se eleva. 
Prima entre todos no rápido curso o perfeito Clitôneo. 
Quanto consegue uma junta de mulas arar sem deter-se 
um sulco apenas, aos mais se avantaja e da meta aproxima-se. 
Logo depois se exp’rimentam nas lutas, que dores produzem. 
Conquanto fortes, se viram vencidos os mais por Euríalo; 
salta mais longe que todos os outros rapazes Anfíalo; 
mas Elatreu vence a todos, com longe jogar o seu disco.

No pugilato, o viril Laodamante, de Alcínoo nascido. 
   Mas, depois que deleitaram com os jogos seus nobres espíritos, 
diz Laodamante, o viril descendente de Alcínoo, o seguinte: 
   “Vamos, amigos, pergunte-se agora ao estrangeiro se sabe 
ou se aprendeu qualquer jogo. Seu todo não mostra ser fraco. 
Vede quão fortes as coxas e as pernas e, mais ainda, os braços; 
vede-lhe o forte pescoço, são mostras de força. Nem mesmo 
lhe falta o viço dos anos, senão que os trabalhos o abatem. 
Sim, não conheço mais duro trabalho, que a luta nas ondas; 
prostra qualquer que até então se prezasse de forte e robusto.”

Disse-lhe Euríalo, então, em resposta as seguintes palavras: 
“Sim, Laodamante, estas tuas palavras são muito oportunas. 
Chama-o tu mesmo; aproxima-te e faze o convite adequado.” 
   Logo que ouviu tal conselho, avançou para o meio do campo 
o que de Alcínoo nascera, e a Odisseu deste modo interpela: 
   “Hóspede pai, exp’rimenta, também, vir medir-te conosco 
se qualquer jogo aprendeste; é forçoso que algum também saibas, 
que maior glória não há para um homem, enquanto está vivo, 
do que nas lutas das mãos ou dos pés sair sempre galhardo. 
Vamos! dissipa as tristezas do peito e abalança-te à prova.

Por muito tempo não tens que esperar o retorno, que a nave 
já está provida e no mar, e escolhidos os teus companheiros.” 
   Disse-lhe, então, em resposta, Odisseu, o guerreiro solerte: 
“Qual, Laodamante, o motivo de assim me atirares remoques? 
De preferência a desporto, meu peito dá abrigo a tristezas, 
que hei tantos males e tanto infortúnio contínuo sofrido. 
Ora me encontro no vosso congresso, a esperar que me enviem 
de volta à pátria, a implorar o regente e, com ele, o seu povo.” 
   Lança-lhe Euríalo a réplica, então, da seguinte maneira: 
“Hóspede não te assemelhas a um homem que entenda de jogos,

como é costume entre as gentes, que folgam no seu exercício, 
mas ao que folga viajar em galeras, de bancos providas, 
chefe de chusmas, que vive a mercar, tão somente, nos barcos, 
só tendo em mente o seu lucro e o que possa trazer de tornada, 
ganho com fraude. De fato, não tens aparência de atleta.” 
   Com torvo aspecto lhe disse Odisseu, o guerreiro solerte: 
   “Não te expressaste com senso; assemelhas-te a homem protervo. 
Bem se depreende que os deuses não cedem a todos os homens 
dons primorosos, ou seja na forma, no engenho, ou eloquência. 
Este, na forma exterior, pode ser de aparência somenos,

mas recompensam-no os deuses com o dom da palavra; os que o veem 
sentem prazer indizível, pois ele, com gesto seguro, 
sempre se expressa modesto e se exalta da turba indistinta. 
Se pelas ruas passeia, honrarias divinas recolhe. 
Aos imortais outros são, na aparência exterior, semelhantes, 
mas são privados seus ditos da graça, que os torna aceitáveis, 
tal como tu; na aparência sem mácula; doutra maneira 
nem mesmo um deus te gerara; mas frívolo tens o intelecto. 
Eis que fizeste abalar-me no peito com teus ditos fúteis 
o coração; inexperto não sou, como inculcas maligno,

em nenhum jogo. Ufanava-me, é certo, de ser dos primeiros, 
quando confiava no viço da idade e na força do braço. 
Hoje, os trabalhos e as dores me abatem, que muito hei sofrido, 
tanto nas lutas dos homens, bem como nas ondas penosas. 
Seja, porém! Apesar do sofrer que refiro, desejo 
exp’rimentar-me; tua fala mordaz conseguiu decidir-me.”² 
   Disse; e assim mesmo vestido com o manto, tomou dum dos discos, 
bem mais espesso e maior, e de peso excedente ao dos outros 
quantos folgavam jogar os Feácios amantes do remo. 
Fê-lo girar à sua volta e soltou-o da mão poderosa.
continua página 767...
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Prelúdio
Parte I
Parte II
Canto V.a / Canto V.b / Canto V.c / Canto VI.a / Canto VI.b / Canto VII.a / Canto VII.b / Canto VIII.a /                             
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Homero é considerado o maior poeta da Grécia Antiga. Estima-se que tenha vivido entre os séculos IX e VIII a.C. Sua obra foi composta e transmitida oralmente, e, devido à falta de evidências, alguns estudiosos chegam até a duvidar de sua existência.
Atribui-se a Homero, tradicionalmente, a autoria das obras Ilíada e Odisseia, dois clássicos que reconstituem a civilização grega com incrível riqueza de detalhes.
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[1] Este trecho descreve a chegada de Odisseu ao povo dos Feácios, pouco antes de ele revelar plenamente sua identidade e narrar suas aventuras. 
     Alguns pontos importantes da passagem:
- Aurora, de dedos de rosa é uma fórmula poética muito recorrente em Homero. Ela marca o início de um novo dia e aparece diversas vezes ao longo da epopeia.
- Alcínoo, rei dos Feácios, conduz Odisseu à assembleia pública para apresentar o estrangeiro ao povo.
- Atena continua atuando como protetora de Odisseu. Disfarçada de arauto, ela percorre a cidade convocando os cidadãos para ver o recém-chegado.
- A deusa também concede ao herói uma beleza e majestade sobrenaturais, tornando-o mais alto, mais imponente e mais admirável aos olhos dos Feácios.
- O trecho reforça um tema central da epopeia: a relação entre os deuses e os homens. O sucesso de Odisseu não depende apenas de sua inteligência, mas também do favor divino.
     Literariamente, a cena funciona como uma preparação para o reconhecimento do herói. Até esse momento, Odisseu é apenas um náufrago desconhecido; aqui, Atena começa a construir sua imagem pública, garantindo que ele seja recebido com respeito, admiração e honra.
     Também chama atenção a caracterização de Odisseu como “eversor de cidades”, expressão que destaca sua fama como guerreiro e estrategista, especialmente por seu papel na Guerra de Troia.
     Em resumo, este é um trecho de transição importante: Odisseu deixa a condição de estrangeiro anônimo e começa a ser apresentado à comunidade que finalmente lhe dará os meios para regressar a Ítaca.

[2] Este é um dos momentos mais interessantes da permanência de Odisseu entre os Feácios, porque revela não apenas sua habilidade física, mas principalmente sua dignidade e inteligência diante da provocação.
     O contexto:
- Durante os jogos organizados por Alcínoo, o jovem feácio Euríalo insulta Odisseu. Ao vê-lo recusar inicialmente as competições, conclui que ele não é um atleta nem um guerreiro, mas um mercador interessado apenas em lucros.
- O insulto é particularmente grave no universo heroico da Odisseia. Chamar um herói de comerciante não é exatamente uma ofensa hoje, mas, para a aristocracia guerreira da Grécia homérica, equivalia a negar sua honra, coragem e valor.
     A resposta de Odisseu:
- Odisseu não reage imediatamente com violência. Primeiro ele faz algo característico de sua personalidade: responde com um discurso.
- Ele afirma que os deuses distribuem seus dons de maneira desigual: alguns recebem beleza física; alguns recebem beleza física; poucos possuem ambos.     
     A crítica a Euríalo é elegante e devastadora. Em resumo, Odisseu diz: Você é bonito, mas carece de inteligência. O contraste é central ao trecho. Euríalo representa a aparência sem prudência; Odisseu, embora exausto e marcado pelo sofrimento, representa a união de experiência, discernimento e verdadeira grandeza.
     Um retrato do herói maduro:
Há também um aspecto muito humano quando Odisseu afirma: "quando confiava no viço da idade e na força do braço". Ele reconhece que já não está em sua melhor forma. Os anos de guerra, as tempestades, os naufrágios e as perdas deixaram marcas. Esse reconhecimento é importante porque mostra um herói diferente de Aquiles, da Ilíada. Aquiles encarna a juventude, a força e o ímpeto. Odisseu encarna a resistência, a experiência e a inteligência adquiridas pelo sofrimento.
     A virada dramática:    
pesar disso, a provocação atinge seu orgulho: "tua fala mordaz conseguiu decidir-me." Odisseu resolve competir não para divertir-se, mas para defender sua honra. Logo depois, nos versos seguintes da narrativa, ele demonstra sua superioridade nos jogos atléticos, lançando o disco muito mais longe que todos os concorrentes.
     O trecho desenvolve um tema recorrente da Odisseia: a diferença entre aparência e essência.
     Euríalo julga Odisseu pela aparência de náufrago cansado e desconhecido. O leitor, porém, sabe que diante dele está o conquistador de Troia, um dos maiores heróis da Grécia.
     Homero cria assim uma ironia dramática: o jovem arrogante acredita estar avaliando um homem comum, quando está insultando justamente o mais famoso guerreiro presente na praça.
     Por isso, essa passagem não é apenas uma discussão. É o momento em que o herói oculto começa a revelar, pouco a pouco, sua verdadeira grandeza.

MPB: Romaria

Elis Regina




É de sonho e de pó
O destino de um só
Feito eu perdido em pensamentos
Sobre o meu cavalo

É de laço e de nó
De gibeira, o jiló
Dessa vida
Cumprida a Sol

Sou caipira, Pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida

Sou caipira, Pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida

O meu pai foi peão
Minha mãe, solidão
Meus irmãos perderam-se na vida
Em busca de aventuras

Descasei, joguei
Investi, desisti
Se há sorte, eu não sei
Nunca vi

Sou caipira, Pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida

Sou caipira, Pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida

Me disseram, porém
Que eu viesse aqui
Pra pedir em romaria e prece
Paz nos desaventos

Como eu não sei rezar
Só queria mostrar
Meu olhar, meu olhar, meu olhar

Sou caipira, Pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida

Sou caipira, Pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida

Sou caipira, Pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida

Autor: Renato Teixeira

Renato Teixeira e Almir Sater

A verdadeira(?) história de ‘Tocando em Frente’? Existem DUAS versões!




Maria Bethânia - Tocando em Frente



Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais

Hoje me sinto mais forte
Mais feliz, quem sabe
Só levo a certeza
De que muito pouco sei
Ou nada sei

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente

Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
E no outro vai embora

Cada um de nós compõe a sua história
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais

Cada um de nós compõe a sua história
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz


Elis Regina - Querelas do Brasil



Elis Regina - Última Entrevista - JOGO DA VERDADE




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Deus me proteja / Vem pra cá / Leva / Trem das Onze / Romaria /                   

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Cinema: A vida de Brian

Monty Python


O filme conta a história de um um judeu comum cujo nascimento coincide com o de Jesus e que acaba confundido com o Messias. Ele vive uma vida paralela a de Jesus Cristo e se alia a grupos contra o domínio romano. Brian é um predestinado, e acaba por viver cenas bíblicas e ter que enfrentar desafios semelhantes aos do Messias. É uma comédia satírica de 1979 do grupo britânico Monty Python que acompanha Brian Cohen. A trama usa humor irreverente para criticar fanatismo religioso, política e comportamento de massas. Inteligente, provocadora e cheia de cenas icônicas, tornou-se um clássico cult e é considerada por muitos uma das melhores comédias de todos os tempos.

O filme está dividido em 9 pequenas partes. Quando termina uma das partes a seguinte começa na sequência. As partes 8 e 9 são legendadas.

A Vida de Brian - Dublado - Parte 1 de 9




Direção;
Terry Jones

Roteiristas:
Graham Chapman
John Cleese
Terry Gilliam

Elenco:
Graham Chapman como Homem Sábio #2 / Brian Cohen / Biggus Dickus
John Cleese como Homem Sábio #1 / Reg / Autoridade judaica / Primeiro Centurião / Dirk, o Mortal /                                   Arthur
Terry Gilliam como O Homem Ainda Mais Adiante / Revolucionário / Carcereiro / 
                                Profeta de Sangue e Trovão / Frank / Membro da platei / Crucificado
Eric Idle como Mr. Cheeky / Stan aka Loretta / Harry, o Pechinchador / Mulher Culpada / Warris / 
                        Jovem Extremamente Monótono / Assistente do carcereiro / Otto / Cantor crucificado
Terry Jones como Mandy Cohen / Colin / Simon the Holy Man / Bob Hoskins / Transeunte santo /                                       Assistente da Crucificação Alarmado

Michael Palin como Hpmem sábio #3 / Mr. Big Nose / Francis / Mrs. A / Ex-Leper / Locutor /                                                   Ben / Pontius Pilate / Profeta Entediante / Eddie / / Seguidor de Calçados / 
                                 Nisus Wettus
Terence Bayler como Gregory
Carol Cleveland como Mrs. Gregory
Kenneth Colley como Jesus
Neil Innes como A Weedy Samaritan
Charles McKeown como Falso Profeta / Blind Man / Giggling Guard / Stig
John Young como Matias, filho de Deuteronômio de Gate
Gwen Taylor como Mrs. Big Nose
Sue Jones-Davies como Judith
Peter Brett
John Case como Esposa de Pilatos
Chris Langham como Alfonso / Guarda Risonho
Andrew MacLachlan como Another Official Stoners Helper / Guarda Risonho
Bernard McKenna como Parvus / Official Stoners Helper / Guarda Risonho
Spike Milligan coomo Spike
Randy Feelgood como Homem / Mulher (não creditado)
George Harrison como Mr. Papadopolous (não creditado)
Charles Knode como Transeunte (não creditado)
Monty Python / Eles mesmos (não creditado)


Monty Python, também conhecidos como os Pythons, foram um grupo britânico de comédia formado em 1969, composto por Graham Chapman (8 de janeiro de 1941 / 4 de outubro de 1989), John Cleese(27 de outubro de 1939 - 86 anos), Terry Gilliam (22 de novembro de 1940 - 85 anos), Eric Idle (29 de março de 1943 - 83 anos), Terry Jones (1º de fevereiro de 1942 / 21 de janeiro de 2020) e Michael Palin (nascido em 5 de maio de 1943 - 83 anos). O grupo ganhou destaque no Reino Unido pela série de esquetes de comédia Monty Python's Flying Circus, que foi exibida na BBC de 1969 a 1974. O trabalho deles então se desenvolveu em uma coleção maior que incluía shows ao vivo, filmes, álbuns, livros e musicais; sua influência na comédia foi comparada à influência dos Beatles na música. O programa de esquetes deles foi chamado de "um momento importante na evolução da comédia televisiva".



Monty Python,  A Vida de Brian 
Resenha com spolier... kkkkkkk




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Parte 02:
Parte 03: 
Parte 04:
Parte 05:
20. Tommy, o Filme - Parte 2 / 21. Chariot / 22. A vida de Brian /