domingo, 17 de maio de 2026

Émile Zola - Germinal: Quinta Parte - (IV.b)

Germinal


Émile Zola

Tradução de Francisco Bittencourt

Quinta Parte

IV


     Sem que soubessem de onde partia, uma nova palavra de ordem lançou-os para outra mina. 

— À Victoire! À Victoire!

      Será que não havia policiais ou cavalaria na Victoire? Não sabiam. Todos pareciam tranquilizados. E, dando meia volta, desceram para o lado de Beaumont, atalhando pelos campos para voltarem à estrada de Joiselle. O leito da estrada de ferro barrava a passagem; atravessaram-no pondo abaixo as cercas. Agora aproximavam-se de Montsou, a lenta ondulação dos terrenos era mais baixa, alargando o mar das plantações e beterraba, muito ao longe, até as casas escuras de Marchiennes.
      Desta vez era uma caminhada de cinco quilômetros bem contados. Tamanho entusiasmo os empurrava que nem sentiam o cansaço atroz, os pés alquebrados e esfolados. O bando era cada vez maior, aumentando sempre com os companheiros apanhados pelo caminho e nos conjuntos habitacionais. Quando atravessaram o canal pela ponte Magache e se apresentaram diante da Victoire, já eram dois mil. Mas já tinham dado três horas, o trabalho terminara, não havia um só homem no fundo da mina. A decepção que sentiram explodiu em vãs ameaças, a única coisa que fizeram foi receber a cacos de tijolos os operários do desaterro que chegavam para pegar o trabalho. Invadiram a mina, que, deserta, passou a pertencer-lhes. E, no seu desapontamento por não terem uma cara de traidor para esbofetear, atiraram-se às coisas. Um bolsão de rancor rebentava neles, uma pústula envenenada, que se enchera aos poucos. Anos e anos de fome os torturavam com uma sede de massacre e destruição.
     Atrás de um galpão, Etienne divisou uns carregadores que enchiam uma carroça de carvão. 

— Deem o fora! — ordenou ele. — Daqui não sai um pedaço!

     À sua ordem, acorreram uns cem grevistas, e os carregadores mal tiveram tempo de escapar. Enquanto uns desatrelavam os cavalos, que, assustados, partiram a galope, ferroados nas ancas, outros emborcavam a carroça e quebravam os varais.
     Levaque, com violentas machadadas, destruía os cavaletes para pôr abaixo os passadiços. Como resistissem, teve a ideia de arrancar os trilhos, de cortar a linha de um extremo a outro do pátio. Em seguida, todo o bando trabalhava para o mesmo fim. Maheu fez saltar os suportes de ferro fundido dos carris com a sua barra de ferro, que usava como alavanca. Enquanto isso, a Queimada, liderando as mulheres, invadia o depósito de lâmpadas, onde os porretes, dirigidos para todos os lados, cobriam o chão de estilhaços. A mulher de Maheu, fora de si, batia tão forte como a de Levaque. Todas elas ficaram cobertas de azeite, a filha de Mouque limpava as mãos na saia, rindo de ver-se tão suja. Por brincadeira, Jeanlin tinha-lhe despejado uma lâmpada pescoço abaixo.
     Mas essas vinganças não enchiam a barriga. Os estômagos gritavam mais alto. E a grande lamentação dominou outra vez o tumulto: 

— Pão! Pão! Pão!

     Justamente na Victoire, um antigo contramestre tinha uma cantina. Certamente com medo, abandonara a sua barraca. Quando as mulheres voltaram, tendo os homens acabado de destruir a linha férrea assediaram a cantina, cujas janelas cederam imediatamente. Não encontraram pão, só havia dois pedaços de carne crua e um de batatas. Mas, enquanto pilhavam, descobriram umas cinquenta garrafas de genebra, que desapareceram como uma gota de água na areia.
     Etienne, que já esvaziara seu cantil, pôde reabastecê-lo. Pouco a pouco, uma embriaguez perigosa, a embriaguez dos famintos, congestionava seus olhos, fazia que seus dentes parecessem de lobo entre os lábios pálidos. De repente notou que Chaval tinha escapado durante o tumulto. Pôs-se a praguejar e alguns homens correram para caçar o fugitivo, que se escondia com Catherine por trás de um monte de lenha. 

— Ah! cachorro sem-vergonha! — berrou Etienne. — Então tens medo de te comprometer? E eras tu que na floresta pedias a greve dos mecânicos para parar as bombas!... Agora queres escapar, deixando-nos sozinhos na enrascada, hem? Pois muito bem, com mil raios! Vamos voltar à Gaston-Marie, eu quero que tu quebres a bomba. É isso! com mil raios! tu vais quebrá-la!

     Estava bêbado, ele próprio lançava seus homens contra a bomba que tinha salvo algumas horas antes. 

— À Gaston-Marie! A Gaston-Marie!

     Todos o aclamaram e se precipitaram, enquanto Chaval, agarrado pelos ombros, arrastado, empurrado violentamente, continuava a pedir que o deixassem lavar-se. 

— Vai-te embora! — gritou Maheu a Catherine, que também corria.

     Desta vez ela nem sequer recuou, levantando para seu pai uns olhos ardentes, e continuou a correr.
     Outra vez o bando invadiu a planície rasa. Voltava sobre seus passos, pelas compridas estradas retas, pelas terras cada vez mais amplas. Eram quatro horas; o sol, que se punha no horizonte, lançava no solo gelado as sombras daquelas hordas, de grandes gestos furiosos.
     Desviaram-se de Montsou, dirigindo-se mais para cima, para a estrada de Joiselle. E, para não darem a volta pela Fourche-aux-Boeufs, passaram pelos muros da Piolaine. Naquele momento, precisamente, os Grégoire acabavam de sair para visitar o notário, antes de irem jantar com os Hennebeau, onde deveriam encontrar Cécile. A propriedade parecia dormir, com sua avenida de tílias deserta, sua horta e seu pomar pelados pelo inverno. Nada se movia na casa, cujas janelas fechadas se embaciavam devido ao aquecimento interno. E do profundo silêncio emanava uma impressão de bonomia e bem-estar, a sensação patriarcal de camas fofas e mesa farta, de felicidade tranquila em que decorria a existência dos proprietários.
     Sem parar, o bando lançou olhares sombrios através das grades, ao longo dos muros protetores, eriçados de cacos de garrafa. E o grito recomeçou: 

— Pão! Pão! Pão!

     Apenas os cães responderam com latidos furiosos, dois enormes dinamarqueses de pelo fulvo, que se punham nas patas traseiras, de goelas arreganhadas. E, por trás de uma persiana fechada, não havia mais que as duas criadas. Melanie, a cozinheira, e Honorine, a camareira, atraídas por aquele grito, suando de medo, empalidecendo ao verem desfilar aquele bando de selvagens. As duas caíram de joelhos, julgando-se mortas, ouvindo uma pedra, uma só, que quebrava o postigo da janela ao lado. Era mais uma de Jeanlin, que fabricara uma funda com um pedaço de corda, e, de passagem, enviava lembranças aos Grégoire. Mas já voltara a soprar a sua cometa e a turba sumia-se ao longe, com o grito cada vez mais fraco: 

— Pão! Pão! Pão!

     Quando chegaram à Gaston-Marie, eram ainda em maior número, mais de dois mil e quinhentos furiosos, quebrando tudo, varrendo tudo, com a força impetuosa de uma torrente. Os policiais tinham passado por ali uma hora antes, seguindo depois para os lados da Saint-Thomas, mal informados por camponeses, sem mesmo tomarem a precaução, na sua pressa, de deixar uma guarnição de alguns homens, para proteger a mina. Em menos de quinze minutos as fornalhas foram emborcadas, as caldeiras, esvaziadas, as construções, invadidas e devastadas. Mas a bomba era o alvo principal. Não bastou que parasse com um último sopro de vapor, atiravam-se contra ela como a uma pessoa viva, a quem quisessem tirar a vida. 

— Dá o primeiro golpe! — repetia Etienne, metendo um martelo na mão de Chaval. — Vamos! Não juraste como os outros?

     Chaval tremia, recuava. E no acotovelamento o martelo caiu, enquanto os outros, sem esperar mais, destruíram a bomba com barras de ferro, tijolos, com tudo o que encontravam à mão. Alguns chegaram a esbordoá-la com varas. Os parafusos saltavam, as peças, de aço e de cobre deslocavam-se, como membros arrancados. Um golpe de enxada violentíssimo fez em pedaços o corpo de ferro fundido e a água jorrou. A bomba, ao esvaziar-se, fez um ruído de gargarejo, semelhante a um arranco de agonia.
     Era o fim. O bando voltou para fora, enlouquecido, atropelando-se atrás de Etienne, que não largava Chaval. 

— Morte para o traidor! Ao poço! Ao poço!

     O infeliz, lívido, gaguejava, voltando, com a obstinação imbecil da idéia fixa, à sua necessidade de se lavar. 

— Espera; se isso te incomoda — disse a mulher de Levaque —, aqui está a tina!

     Havia ali um charco, uma infiltração das águas da bomba. Estava branco, coberto por uma espessa camada de gelo. Empurraram-no naquela direção, quebraram o gelo e forçaram-no a mergulhar a cabeça na água gélida. 

— Vamos, mergulha! — repetia a Queimada. — Diabo! se não entrares, jogamos-te aí dentro... E agora vais beber um trago, vais, sim! como os animais, com o focinho no cocho!

     E ele teve de beber de quatro pés. Todos riam, com a maior crueldade. Uma mulher puxou-lhe as orelhas, outra jogou-lhe no rosto um punhado de esterco que encontrara na estrada, ainda fresco. Seu velho suéter não prestava mais, todo esfarrapado. E ele, desvairado, dava encontrões, empurrava, tentando fugir.
     Maheu o maltratava, a mulher estava entre as mais ferozes, ambos dando vazão ao seu antigo rancor; a própria filha de Mouque, que de ordinário permanecia em bons termos com seus namorados, estava fora de si, chamava-lhe inútil, dizia que ia arrancar-lhe as calças para ver se ele ainda era um homem.
     Etienne fez que se calasse. 

— Chega! Com esse, apenas um de nós pode dar conta do recado... Se queres, eu e tu resolvemos o problema.

     Seus punhos se fecharam, seus olhos iluminavam-se com um furor homicida, a embriaguez transformava-se em desejo de matar. 

— Estás pronto? Um de nós dois vai ficar aqui... Deem-lhe uma faca. Eu já tenho a minha.

     Catherine, esgotada, apavorada, olhava para ele. Lembrava-se das suas confidências, da sua necessidade de dar cabo de alguém quando bêbado, envenenado a partir do terceiro copo, a tal ponto seus pais viciados no álcool tinham injetado aquela peçonha no seu corpo. Bruscamente ela arremeteu contra ele, esbofeteou-o com suas mãos de mulher, gritando-lhe na cara, sufocada de indignação: 

— Covarde! Covarde! Covarde!... Já não chegam todas essas atrocidades? Queres assassiná-lo, agora que ele não pode mais manter-se em pé!

     Virou-se para o pai e para a mãe, para todos os outros. 

— Vocês não passam de uns covardes! Covardes, ouviram? Pois matem-me com ele. Arranco os olhos de vocês, se o tocarem outra vez. Covardes!

     E pôs-se na frente do seu homem, defendendo-o; esquecia as surras, esquecia a vida de miséria, arrebatada pela ideia de que pertencia a ele, já que por ele fora escolhida, e que era uma vergonha para si própria que o destruíssem assim.
     Etienne, com os tapas da moça, ficara pálido. O primeiro ímpeto foi de atacá-la, mas depois, tendo passado a mão pelo rosto, num gesto de homem que se desembriaga, disse a Chaval, no meio de um grande silêncio: 

— Ela tem razão, chega disso... Vai-te embora!

     Sem mais esperar, Chaval saiu correndo, e Catherine atrás dele. A multidão, boquiaberta, viu-os desaparecer na volta do caminho. A mulher de Maheu murmurou então: 

— Você errou, devia mantê-lo conosco. Certamente ele vai fazer alguma traição.

     Mas o bando pusera-se novamente em marcha. Já eram quase cinco horas; o sol, rubro como brasa na fímbria do horizonte, incendiava a imensa planície. Um vendedor ambulante que passava informou-lhes que a cavalaria estava descendo para os lados da Crèvecoeur. A notícia fê-los retroceder e espalhou-se outra palavra de ordem: 

— Para Montsou! À direção! Pão! Pão! Pão!

continua na página 293...
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O pai de Zola tinha 44 anos quando conheceu Émilie-Aurélie Aubert, numa de suas viagens a Paris. Apesar da grande diferença de idade — a moça não chegara aos vinte anos —, acabaram casando-se. O resultado dessa união foi Émile Zola, nascido em 12 de abril de 1840, durante uma estada do casal em Paris. O menino mal conheceu o pai: em 1847, François faleceu. 
As coisas ficaram difíceis. Sozinha e com grandes esforços, a mãe procurou equilibrar o orçamento doméstico e fazer que o filho estudasse. De certa forma, ela teve sucesso: Zola foi aluno do Colégio Notre-Dame e do Colégio de Aix. Quando o rapaz atingiu a maioridade, partiu com Émilie para Paris e, graças a um amigo da família, conseguiu um emprego na Alfândega.
Em dezembro de 1859, concluía sua primeira obra em prosa, Les Grisettes de Provence (As Costureirinhas de Provença). Continuava, porém, desconhecido e insatisfeito. Ele mesmo costumava dizer: "Ser sempre desconhecido é chegar a duvidar de si; nada engrandece os pensamentos de um autor como o sucesso".
Assim, no início de 1866, deixou o emprego para dedicar-se à literatura. 
Abandonou o romantismo de seus anos de adolescência e passou a admirar outros autores: Balzac (1799-1850), Stendhal (1783-1842), Flaubert (1821-1880). Essa guinada para o realismo devia-se principalmente às suas últimas leituras: das teorias evolucionistas de Darwin (1809-1882) até o Tratado da Hereditariedade Natural do Dr. Lucas, passando pela Filosofia da Arte de Taine (1328-1893). No entanto, o que parece tê-lo feito decidir-se pelo realismo foi a Introdução ao Estudo da Medicina Experimental (1865), de Claude Bernard (1813-1878). Essa obra foi importante para o rumo que Zola imprimiria a toda a sua obra: o rigor científico no romance, cujo objetivo, diria ele, é o mesmo das experiências de laboratório, isto é, o conhecimento da realidade. O que Claude Bernard havia feito com o corpo humano Zola faria com as paixões e os meios sociais.
Para fazer Germinal, Zola não se satisfez com a simples busca de documentos. Foi passar alguns meses numa região mineira. Morou em cortiços, bebeu cerveja e genebra nos botequins e desceu ao fundo dos poços para observar de perto o trabalho dos operários. Aos poucos foi se familiarizando com o meio onde viviam aqueles homens. Descobriu quais as principais doenças causadas pela mineração. Sentiu o problema dos baixos salários, os sacrifícios dos mineiros, a gota que cai com uma regularidade incrível sobre seus rostos, a dificuldade de empurrar um vagonete por um corredor estreito, o drama do salto na escuridão que eles têm de dar para poderem sobreviver. Numa passagem admirável, descreve a emoção de uma greve de operários. Mostra seu ódio animal. Um ódio que destrói tudo à sua passagem. Uma violência viva nos corpos que querem libertar-se, mesmo à custa da total destruição. Mostra também o amor feito sobre o carvão, os pequenos dramas das dívidas, as brigas no cortiço, a promiscuidade de pais e filhos em casas muito pequenas. A obra obteve enorme repercussão.
Em 29 de setembro de 1901, em Paris, Émile Zola morre asfixiado pelo gás do aquecedor.

sábado, 16 de maio de 2026

Cinema: Che - O Argentino (Parte 2)

Che, o maior revolucionário do seu tempo

Parte Dois

Parte final da cinebiografia do revolucionário Ernesto "Che" Guevara, personagem histórico importantíssimo para a revolução cubana.


Direção
Steven Soderbergh

Roteiristas
Peter Buchman
Ernesto 'Che' Guevara : memórias "Reminiscências da Guerra Revolucionária Cubana"






Elenco
Julia Ormond como Lisa Howard  
Benicio Del Toro como Ernesto Che Guevara
Oscar Isaac como Interpreter
Pablo Guevara como Convidado para o jantar #1
Franklin Díaz como Convidado para o jantar #2
Armando Suárez Cobián como Convidado para o jantar #3
Rodrigo Santoro como Raúl Castro
María Isabel Díaz Lago como María Antonia
Demián Bichir como Fidel Castro
Mateo Gómez como Diplomata Cubano #1
Ramon Fernandez como Héctor
Yul Vazquez como Alejandro Ramírez
Jose Caro como Esteban
Pedro Adorno como Epifanío Díaz
Jsu Garcia como Jorge Sotús
Luis Alfredo Rodríguez Sánchez como Mensageiro Rebelde #1
Santiago Cabrera como Camilo Cienfuegos
Roberto Santana como Juan Almeida
Vladimir Cruz como Ramiro Valdés Menéndez
Marisé Álvarez como Vilma Espín
Jorge Perugorría como Vilo (Juan Vitalo Acuña)
Elvira Mínguez como Celia Sánchez
Unax Ugalde como Vaquerito (Roberto Rodríguez)
Christian Nieves como Oñate Cantinflás
Andres Munar como Joel Iglesias Leyva
Lidy Paoli López como Quike Escalona
Francisco Cabrera como Rebel Guide
Pedro Telémaco como Eligio Mendoza
Milo Adorno como Mario Leal
Miguel Ángel Suárez como Médico do Exército
Alfredo De Quesada como Israel Pardo
Roberto Urbina como Guile Pardo
Juan Pedro Torriente como Pedro Chape
Io Bottoms como Maquiadora
Manuel Cabral como Homem cubano no bar #1
Oscar A. Colon como Homem cubano no bar #2
Sam Robards como Tad Szulc
Jay Potter como Richard Hottelet
Stephen Mailer como Paul Niven
René Lavan como Diplomata Cubano #2
Octavio Gómez Berríos como Otto 
Blanca Lissette Cruz como María
Laura Andújar como Laura
Georgina Borri como Velha #1
Alejandro Renteria como Umberto
Israel Lugo como Omar
Bryant Huffman como Cuervo
Xavier Antonio Morales como Cúmplice de Esteban
José Luis Gutiérrez como Polo
Jon DeVries como Sen. Eugene McCarthy
Leslie Lyles como Foliona #1
Meg Gibson como Foliona #2
Alex Manette como Folião #3
Elvis Nolasco como Folião #4
Sheridan Lowell
como Folião #5
Eugenio Monclova como Emilio Cabrera
Luis Gonzaga Hernandez como Lalo Sardiñas
Jose A. Nieves como Dr. Julio Martínez Páez
Joksan Ramos como Raúl Chibás
Javier Ortiz como Felipe Pazos
Edgar Ramírez como Ciro Redondo García
Luis Rosario como Rebelde Luís
Osmin Hernandez como Gustavo (Santa Fé)
Julio Cesar Morales como Jesús 
Leonardo Castro como Médico do Exército
Oscar De La Fe Colon como Cara da Bazuca #1
Luis Arriaga como Cara da Bazuca #2
Monique Gabriela Curnen como Secretária
P.J. Benjamin como Capitão Stanton
Al Espinosa como Manifestante furioso #1
Ana Maria Andricain como Manifestante furiosa #2
Michael Countryman como Embaixador dos EUA - Stevenson
Victor Rasuk como Rogelio Acevedo
Jorge Armando como Enrique Acevedo
Kahlil Mendez como Leonardo Tamayo Núñez
Aris Mejias como Carmen
Carlitos Ruiz Ruiz como Ventríloquo (Albertico)
Armando Riesco como Benigno (Dariel Alarcón Ramírez)
Othello Rensoli como Pombo (Harry Villegas)
Victoria Espinosa como Velha #2
Joe Urla como Embaixador da Nicarágua 
Diego Arria como Embaixador da Venezuela 
Omar Chagall como Embaixador do Panamá  
Eduardo Cortés como Sánchez Mosquera
Joaquín Méndez como Faustino Pérez
Pablo Venegas Colón como René Ramos Latour
Jerry Nelson Soto como Nico Torres
Jose Brocco como Ovidio Díaz Rodríguez 
Norman Santiago como Tuma (Carlos Coello)
Juan Carlos Arvelo como Rolando Cubela
Roy Sánchez-Vahamondes como Faure Chomón
Yamil Collazo como Enrique Oltuski
Alejandro Carpio como Eloy Gutiérrez Menoyo
Andres Santiago Bravo como Hermes Peña Torres
Aurelio Lima como Victor Bordón Machado
Catalina Sandino Moreno como Aleida March
Alba Caraballo como Amiga de Aleida
Doel Alicea como Mensageiro de Oltusk
Rafael Alvarez como Tenente Pérez Valencia
osé Cotté como Dr. Fernández Mell
Naya Tanya Rivera como Mulher na multidão
Néstor Rodulfo como Miguel (Manuel Hernández Osorio)
Luis Alberto García como Coronel Joaquín Casillas Lumpuy
Teofilo Torres como Coronel Hernández
Ernesto Faxas como Fernández Suero
Ricardo Alvarez como Antonio Jiménez
Miguel Rodarte como Homem com marreta
Rafael Simón como Mensageiro Rebelde #2
Bruno Bichir como Coronel Rojas
Gerardo Albarrán como Policial
Guillermo Ríos como Comandante Gómez Calderón
Victor Angulo Villacis como Trabalhador da Cruz Vermelha
Fernando Gutiérrez Vargas como Assessor de Hernández
Ramiro Garza Balboa como Homem cumprimentando Che
Carmen Mahiques como Cozinheira na Embaixada de Cuba
Euriamis Losada como Carlos
Jorge Alberti como Soldado Hector (não creditado)
Fernando Arroyo como Soldado (não creditado)
Javier Bellido Cintron como Soldado Jose (não creditado)
Lou D'Amato como Delegado da ONU (não creditado)
Ramiro 'Ramir' Delgado Ruiz como Rebelde Ferido (não creditado)
Dave Dyshuk como Fotógrafo de imprensa (não creditado)
Jonathan Fret como Companheiro de Aleida (não creditado)
Rodyniel Gonzalez como Menino Galinha (não creditado)
Gilbert Guash como Soldado Rebelde (não creditado)
Brian Hopson como Delegado das Nações Unidas (não creditado)
Lemaris Lorenzo como Estudante (não creditado)
Fran Mendez como Rebelde Cubana (não creditado)
Rebecca Merle como Manifestante nas Nações Unidas (não creditado)
Keila Michelle como Convidada para a festa de Ano Novo (não creditado)
Robert Myers como Diplomata da ONU (não creditado) 
Ragini Parmar como Embaixador do Paquistão (não creditado)
Jean Pierre Prats como Soldado (não creditado)
Alexandra Tejeda Rieloff como Manifestante da ONU (não creditado)
Ektor Rivera como Soldado Batista (não creditado)
Naya Taina Rivera como Senhora na multidão (não creditado)
Kent Sladyk como Diplomata romeno em ONU (não creditado)
Susie Stewart Rubio como Manifestante #2 (não creditado)
Bernat Tort-Ortiz como Rebelde Cubano (não creditado)
Guillermo Valedon como David Salvador (não creditado)
Gerardo Vega como Cuban Rebel (não creditado)
Tania Vega como Filha de Juan Carlos Esteves

A Morte e a Donzela / Vá e Veja / Elas por Elas / O Samurai Corvo Errante / O Caso Collini / Meu Vizinho Adolf /
O Vento Silencioso da Montanha / Eles Não Usam Black Tie / O Homem Que Copiava
Sonata de Outono / Música da Alma / No Fim do Arco-Íris / Vidas Secas / O som ao redor /
A Estrada da Vida / Fuga pela Fronteira / Os Invisíveis / Depois de Horas / Jovens Mães /
O Carteiro e o Poeta / Sonhos / 1900 / Dersu Uzala / Hamnet (Trailer) / Vinhas da Ira / O Leitor / A Surpresa /
Kagemusha: O Guerreiro das Sombras / Blow Up / Profissão: Repórter / Rebecca: A Mulher Inesquecível /
O Assalto do Trem Pagador / Interlúdio / O Espírito da Colmeia / A Onda / Nouvelle Vague / Ensaio sobre a cegueira /
Barrabás / O Baile / Ladrões de bicicleta / Vlado - 30 anos depois / Morangos Silvestres / 1984
Quilombo / Casanova de Fellini / Che: O Argentino (Parte 1)Che: O Argentino (Parte 2) /   
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  • Lisa Howard: 
  • Qual é a qualidade mais importante que um revolucionário deve possuir?
  • Ernesto Che Guevara: 
  • O amor.
  • Lisa Howard: 
  • Amor?
  • Ernesto Che Guevara: 
  • Amor pela humanidade... pela justiça e pela verdade. Um verdadeiro revolucionário vai aonde é necessário.

Victor Hugo - Os Miseráveis: Mário, Livro Sexto - Conjunção de duas estrelas / VI — Mário prisioneiro

Victor Hugo - Os Miseráveis

Terceira Parte - Mário

Livro Sexto — Conjunção De Duas Estrelas

     VI — Mário prisioneiro

             Estava Mário, num dos últimos dias da semana, como costumava, sentado no seu banco, com um livro aberto na mão, do qual havia duas horas não voltava uma única folha. De repente estremeceu. Passava-se o que quer que era no extremo em que estava o outro banco. O senhor Leblanc e sua filha acabavam de se levantar, a jovem dera o braço a seu pai e dirigiam-se ambos para o meio da álea onde estava Mário; este fechou o livro, tornou depois a abri-lo, e fez diligência para ler. Mário tremia. A auréola tomava a sua direção. «Meu Deus!» pensava ele. «Nem terei tempo de tomar uma atitude». Entretanto, o homem de cabelos brancos e a jovem continuavam a avançar. Mário julgava que isto durava havia um século, quando não era mais do que um segundo. «O que vêm eles fazer para este lado?» perguntou a si mesmo. «O quê! Pois ela vem passar por aqui Os seus pés vão pisar a areia desta álea a dois passos de mim!» Sentia-se transtornado, desejava ser belo, quisera ter ao peito uma condecoração. Ouvia aproximar-se o ruído suave e cadente de seus passos e imaginava que o senhor Leblanc lhe lançava olhos irritados. «Dar-se-á o caso que me venha falar?» pensava. Em seguida baixou a cabeça; quando a ergueu vi-os quase ao pé de si. A jovem passou e olhou para ele e fitou-o com uma doçura pensativa, que o fez estremecer desde os pés até a cabeça. Pareceu-lhe que o repreendia de ter estado tanto tempo sem se lhe aproximar e que lhe dizia: Sou eu que me aproximo. Mário sentiu-se deslumbrado na presença daquelas pupilas cheias de raios e de abismos, que lhe acendiam como que uma fogueira no cérebro. Vir ela ter com ele, que júbilo! E olhá-lo como ela o olhou! Mais bela do que nunca se lhe afigurou naquela hora! Bela de uma beleza a um tempo feminina e angélica, de uma beleza completa que faria cantar Petrarca e curvar o joelho a Dante. Parecia-lhe que se sentia librado na amplidão do espaço, quando realmente o torturava a aflição de se ver com as botas cobertas de pó.
     E Mário acreditava piamente que ela lhe tinha olhado também para as botas.
     Seguiu-a com os olhos até a perder de vista e depois principiou a passear pelo Luxemburgo como um louco. É provável que por vezes se risse consigo só e falasse em voz alta. É certo que fitava com tal ternura as amas de meninos que por ali andavam também a passear, que cada qual o julgava enamorado de si.
     Passado algum tempo saiu do Luxemburgo, na esperança de se tornar a encontrar com a donzela na rua.
     Ao chegar às arcadas do Odeon, encontrou Courfeyrac e disse-lhe: 

— Anda daí jantar comigo!

     E lá foram ambos para o Rousseau, onde gastaram seis francos. Mário comeu como um lobo. Deu seis soldos ao criado que os serviu e à sobremesa disse para Courfeyrac: 

— Já leste o jornal onde vem o belo discurso de Audry de Puyraveau?

     O mancebo estava loucamente enamorado.
     Depois de jantar disse para Courfeyrac: 

— Anda daí ao teatro, que eu pago!

     E foram a caminho da Porta de S. Martinho ver o ator Frederico na Estalagem dos Adrefs. Mário divertiu-se a não poder mais.
     Nem assim, porém, o abandonou o predomínio da sua natural intratabilidade. Na ocasião em que saiu do teatro voltou a cara para não ver as pernas a uma modista que ia a saltar uma enxurrada, e ao ouvir dizer a Courfeyrac: «Quem me dera cá para a minha coleção!», estremeceu quase horrorizado.
     Courfeyrac convidou-o para irem no dia seguinte almoçar ao café Voltaire. Mário foi e comeu ainda mais do que no dia antecedente. Estava pensativo, mas muito alegre. Dir-se-ia que aproveitava todas as ocasiões de rir às gargalhadas. Apresentaram-lhe um provinciano que nunca na sua vida conhecera e ele abraçou-o com toda a cordialidade. Havendo-se formado em volta da mesa um círculo de estudantes, que se entretinham a falar das tolices vomitadas do alto das cadeiras da Sorbonna, tolices que ficavam ao Estado por bom dinheiro, a conversa recaiu sobre as faltas e lacunas dos dicionários, e prosódias de Quicherat, e quando a discussão estava mais animada, Mário interrompeu-a para exclamar. 

— Mas hão-de confessar que é uma agradável coisa o ser condecorado! 
— Ora isto é que é uma ratice! — disse Courfeyrac em voz baixa a Jean Prouvaire. 
— E eu digo que é uma coisa muito séria — respondeu Jean Prouvaire.

     E era-o, efetivamente. Mário estava nessa primeira hora violenta e cheia de encantos que preludia as grandes paixões.
     Tudo isto operara-o um olhar.
     Quando se acha carregada a mina, quando estão aparelhados os materiais do incêndio, não há coisa mais simples. Um olhar é uma faísca.
     Acabara tudo. Mário amava uma mulher. O seu destino principiava a envolver-se nas dobras do mistério.
     O olhar das mulheres assemelhava-se a certas máquinas de numerosas rodas, na aparência tranquilas, na realidade medonhas. Todos os dias passamos por elas sossegados, alheados do pensamento de um perigo, impunes da nossa descuidosa serenidade. Uma ocasião chega em que até da sua existência nos mostramos olvidados. Giramos em torno a elas, falamos, rimos e de repente sentimo-nos apanhados, e tudo acaba! Travou de nós a máquina, apanhou-nos o olhar. Apanhou-nos, pouco importa porque parte ou como, por qualquer parte do vosso pensamento que andava alheada, por alguma distração que veste. Estais perdido. Sereis arrebatado em peso por esse olhar. Apoderar-se-á de vós um encadeamento de forças misteriosas. Em vão vos debateis, que todo o socorro dos homens se vos torna impossível. Ides cair de roda em roda, de angústia em angústia, de tortura em tortura, vós, o vosso espírito, a vossa fortuna, o vosso porvir, a vossa alma; e dessa horrorosa máquina saireis, ou desfigurado pela vergonha ou transfigurado pela paixão, conforme verdes caído, ou em poder de uma criatura má ou em poder de um nobre coração.

continua na página 534...
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Victor-Marie Hugo (1802—1885) foi um novelista, poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista pelos direitos humanos francês de grande atuação política em seu país. É autor de Les Misérables e de Notre-Dame de Paris, entre diversas outras obras clássicas de fama e renome mundial.
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Segunda Parte
Os Miseráveis: Mário, Livro Sexto - VI — Mário prisioneiro
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Victor Hugo
OS MISERÁVEIS 
Título original: Les Misérables (1862)
Tradução: Francisco Ferreira da Silva Vieira 

Cantos à beira-mar - Minha terra

Maria Firmina dos Reis


Cantos à beira-mar

Minha terra 
Oferecida ao distinto literato o Sr. Francisco Sotero dos Reis.

Minha alma não está comigo. Não anda entre os nevoeiros 
 dos Órgãos, envolta em neblina, balouçada em castelos de 
 nuvens, nem rouquejando na voz do Trovão. Lá está ela.¹” 
G. Dias

Maranhão! Açucena entre verdores, 
Gentil filha do mar – meiga donzela, 
Que a nobre fronte, desprendida a coma, 
Dos seios do Oceano levantaste! 
Quanto és nobre, e formosa – sustentando 
Nas mãos potentes – como cetro de Ouro, 
O Bacanga caudal, – o Anil ameno! 
O curso de ambos tu, Senhora – domas, 
E seus furores a teus pés se quebram. 
Oh! como é belo contemplar-te posta 
Mole sultana num divã de prata, 
Cobrando amor, adoração, respeito; 
Dando de par ao estrangeiro – o beijo, 
E a fronte ornando de lauréis viçosos! 
Pátria minha natal, – ninho de amores... 
Ai! miséria de mim... quisera dar-te 
Na lira minha mavioso canto, 
Canto exaltado que elevar-te fora 
‘Té onde levas a nobreza tua! 
Porém o estro deserdado, e pobre, 
Sonha, e não pode obrar o seu intento.

Campeia indolente no leito gentil, 
Cercada das vagas amenas, danosas; 
Das vagas macias, quebradas, cheirosas 
Do salso Bacanga, do fértil Anil.
Formosa rainha, c’roada de louros, 
Altiva levanta tua fronte gentil; 
Que Deus concedeu-te de graças – tesouros, 
Criando-te o mínimo do vasto Brasil.

Exalta teus filhos fervente entusiasmo 
E quebram num dia sangrento grilhão! 
Contempla a Europa tal feito – com pasmo... 
E bradas: sou livre!... com grata efusão.

Maranhão! Açucena entre verdores, 
Campeando gentil, bela, e donosa; 
Como em haste mimosa altiva rosa, 
Como lírio do val cobrando amores.

És ninfa sobre as águas balouçada, 
Descuidosa brincando em salsa praia; 
No pego mergulhada a nívea saia, 
A nobre fronte de festões ornada.

Princesa do oceano! a fronte alçaste 
Por tantos séculos abatida, e triste... 
Um eco aqui repercutir-se – ouviste, 
E as vis algemas sob os pés quebraste!

Quebraste os ferros – que o Brasil não sofre, 
Sequer um dia ser escravo, – não. 
És livre, és grande! Tão sublime ação 
Quem fez jamais – e tanto assim de chofre?!...

O grito lá da serra do Ipiranga, 
O grito todo amor, fraternidade, 
Ecoou no teu seio! a liberdade, 
Pairou sobre o Anil, sobre o Bacanga!

Eis-te bela, coroada, e sedutora, 
Pomposa, e descuidada, sobranceira; 
Em teu divã gentil, gentil, sultana, 
Filha das vagas, e do mar senhora,

A unânime grito se erguia a cativa 
Que jaz a dormir; 
E ao som prolongado que os ecos repetem 
Desperta a sorrir:

Os braços distende – que agora é rainha: 
Quebrou-se o grilhão! 
Com a fronte cingida de louros tão gratos 
Se erguem Maranhão!

O pego, as florestas, os campos que regem 
Os vastos sertões, 
Entoam seu hino de amor, liberdade! 
Ao som dos canhões

E prados, e bosques, e sendas bordadas 
De verdes tapizes, 
E ribas salgadas, e gratos mangueiros, 
Se julgam felizes...

E as auras despertam, tecendo mimosos 
Festejos a mil! 
E o grato Bacanga parece em amplexo 
Ligar-se ao Anil.

Campeia indolente no leito gentil 
Domina as florestas os gratos vergéis; 
Renova na fronte singelos lauréis, 
Esmalta o império do vasto Brasil.

[1]  Ilha de São Luís

continua na página 187...
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Cantos à beira-mar - Dedicatória / Minha terra /   
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Maria Firmina dos Reis nasceu em São Luís, no Maranhão, no dia 11 de outubro de 1825. Filha bastarda de João Pedro Esteves e Leonor Felipe dos Reis. Foi uma escritora brasileira, considerada a primeira romancista brasileira.
Em 1847, aos 22 anos, ela foi aprovada em um concurso público para a Cadeira de Instrução Primária, sendo assim a primeira professora concursada de seu Estado. Maria demonstrou sua afinidade com a escrita ao publicar “Úrsula” em 1859, primeiro romance abolicionista, primeiro escrito por uma mulher negra brasileira.
O romance “Úrsula” consagrou Maria Firmina como escritora e também foi o primeiro romance da literatura afro-brasileira, entendida esta como produção de autoria afrodescendente. Em 1887, no auge da campanha abolicionista, a escritora publica o livro “A Escrava”, reforçando sua postura antiescravista.

Ao aposentar-se, em 1880, fundou uma escola mista e gratuita. Maria morre aos 92 anos, na cidade de Guimarães, no dia 11 de novembro de 1917.
Em 1975, Maria recebe uma homenagem de José Nascimento Morais Filho que publica a primeira biografia da escritora, Maria Firmina: fragmentos de uma vida.
A importância da obra de Firmina, primeira escritora negra de que se tem notícia em nossa literatura, se deve ao pioneirismo na denúncia da opressão a negros e mulheres no Brasil do século XIX. Antes do Navio negreiro de Castro Alves, declamado pela primeira vez em 1868, Firmina já descrevia em seu livro Úrsula, de 1859, a crueldade do tráfico de pessoas sequestradas na África e transportadas nos porões dos “tumbeiros”. Neste mesmo romance, a crítica da escritora abrange o retrato lamentável da condição feminina da época ao delinear personagens como o pai de Tancredo ou o comendador, tiranos não só de escravos, mas também de mulheres. 
Maria Firmina foi uma voz profundamente legítima e dissonante que não encontrou acolhida e reconhecimento em seu tempo. Longe de fracassar, essa voz ressoa hoje cheia de significado, recriminando males que ainda assombram e permeiam nossa sociedade.

George Orwell - 1984: Parte 1.3 (Winston sonhava com sua mãe)

1984 - George Orwell

Tradução: Alexandre Hubner e Heloisa Jahn

Parte 1


3.
     
     Winston sonhava com sua mãe. Devia estar com uns dez ou onze anos quando a mãe desaparecera, pensou. Era uma mulher alta, majestosa, mais para calada, de movimentos lentos e cabeleira clara magnífica. Do pai, lembrava-se com menos clareza: moreno, magro, sempre vestindo roupas escuras impecáveis (Winston se lembrava especialmente das solas finíssimas de seus sapatos), e de óculos. Sem dúvida os dois haviam sido engolidos por um dos primeiros grandes expurgos dos anos 1950.
     Naquele momento a mãe estava sentada em algum lugar muito abaixo dele com sua irmã mais moça no colo. A única lembrança que Winston guardava da irmã era a de um bebê minúsculo, frágil, sempre em silêncio, com grandes olhos atentos. As duas tinham os olhos erguidos para ele. Estavam no interior de algum lugar subterrâneo — talvez o fundo de um poço ou de uma sepultura muito profunda —, mas era um lugar que, mesmo já estando tão abaixo do lugar onde ele estava, continuava a mover-se para baixo. As duas estavam no salão de um navio que naufragava, de olhos fixos nele, lá em cima, através da água que se turvava. Ainda havia ar no salão, elas ainda conseguiam vê-lo e ele a elas, mas o tempo todo as duas iam afundando, afundando nas águas verdes que um instante mais tarde haveria de ocultá-las para sempre. Ele estava fora, na luz, no espaço, enquanto elas eram sugadas para a morte, e estavam lá embaixo porque ele estava aqui em cima. Ele sabia e elas sabiam, ele via no rosto delas que elas sabiam. Não havia censura nem no rosto nem no coração delas, simplesmente a consciência de que teriam de morrer para que ele pudesse continuar vivo, e que isso era parte da ordem inevitável das coisas.
     Ele não conseguia se lembrar do que acontecera, mas em seu sonho sabia que de alguma maneira a vida de sua mãe e a de sua irmã haviam sido sacrificadas à sua. Era um desses sonhos que, mesmo mantendo o cenário onírico característico, são uma continuação da vida intelectual da pessoa, e em que tomamos consciência de fatos e ideias que continuamos achando novos e valiosos depois que acordamos. A questão que naquele momento atingiu Winston como um golpe foi o fato de que a morte de sua mãe, quase trinta anos antes, fora trágica e dolorosa de um modo que já não seria possível. Ele se dava conta de que a tragédia pertencia aos tempos de antigamente, aos tempos em que ainda havia privacidade, amor e amizade, e em que os membros de uma família se amparavam uns aos outros sem precisar saber por quê. A memória de sua mãe atormentava seu coração porque ela morrera amando-o, quando ele era jovem e egoísta demais para poder retribuir seu amor, e porque, de alguma maneira, ele não se lembrava como, ela se sacrificara a uma concepção de lealdade privada e inalterável. Eram coisas que, ele percebia, não poderiam acontecer agora. Agora havia medo, ódio e dor, mas não dignidade na emoção, não tristezas profundas ou complexas. Winston tinha a sensação de ver todas essas coisas nos grandes olhos de sua mãe e de sua irmã, olhando para ele lá de baixo, através da água verde, centenas de braças abaixo, sem nunca parar de afundar.
     No momento seguinte viu-se sobre uma relva curta e viçosa numa tarde de verão em que os raios oblíquos do sol douravam o solo. A paisagem que contemplava era uma recorrência tão frequente em seus sonhos que nunca se sentia totalmente seguro de tê-la ou não tê-la visto na vida real. Em suas divagações, chamava-a de Terra Dourada. Era um pasto antigo recortado pelas dentadas dos coelhos e percorrido por uma trilha sinuosa, com um ou outro promontório de toupeira. Na sebe irregular do outro lado do campo, a brisa balançava muito suavemente os ramos dos olmos, com suas folhas estremecendo de leve em densas massas que lembravam cabelos de mulher. Em algum lugar bem próximo mas que o olhar não alcançava, havia uma torrente límpida movendo-se devagar; nela, os robalinhos nadavam nas poças sob os chorões.
     A garota de cabelo escuro vinha pelo campo na direção dele. Com um único movimento ela se despojou da roupa e jogou-a para um lado com desdém. Seu corpo era branco e liso, mas Winston não sentia desejo. Na verdade, mal olhou para aquele corpo, pois estava tomado de admiração pelo gesto da moça jogando a roupa para um lado. Com sua graça e displicência, era um gesto que parecia aniquilar toda uma cultura, todo um sistema de pensamento, como se o Grande Irmão, o Partido e a Polícia das Ideias pudessem ser todos jogados no nada com um único e glorioso movimento de braço. Aquele era um gesto que também pertencia aos tempos de antigamente. Winston acordou com a palavra “Shakespeare” nos lábios.
     A teletela emitia um zumbido de rachar o crânio que se manteve no mesmo diapasão por trinta segundos. Com efeito, eram sete e quinze da manhã, hora em que os funcionários dos escritórios precisam se levantar. Winston arrancou o próprio corpo da cama com dificuldade — nu, pois os membros do Partido Exterior recebiam somente três mil cupons de vestuário por ano, e um pijama custava seiscentos — e apanhou uma camiseta encardida e um short que estavam jogados sobre uma cadeira. Atividades Físicas começaria em três minutos. No instante seguinte ele se viu dobrado ao meio por uma violenta crise de tosse que quase sempre o atacava logo depois que ele acordava. A tosse esvaziara seus pulmões tão completamente que ele só conseguiu voltar a respirar depois que se deitou de costas e aspirou o ar profundamente algumas vezes. Tinha as veias dilatadas pelo esforço de tossir e a úlcera varicosa começara a comichar.

“Grupo de trinta a quarenta!”, ganiu uma voz feminina de furar os tímpanos. “Grupo de trinta a quarenta! Para seus lugares, por favor. Trinta a quarenta!”

     Winston ficou em posição de sentido diante da teletela, na qual a imagem de uma mulher bastante jovem, muito magra mas musculosa, vestindo túnica e sapatos de ginástica, já ocupara seu lugar. 

“Dobrando os braços, esticando os braços!”, berrou ela. “Me acompanhem. Um, dois, três, quatro! Um, dois, três, quatro! Vamos lá, camaradas, quero ver um pouco mais de energia! Um, dois, três, quatro! Um, dois, três, quatro!...”

     A dor do ataque de tosse não afastara por completo da cabeça de Winston a impressão deixada pelo sonho, e o movimento rítmico do exercício a recompôs em parte. Enquanto jogava mecanicamente os braços para diante e para trás, ostentando no rosto a expressão de prazer compenetrado vista como correta para a execução das Atividades Físicas, ele se esforçava para recuar o pensamento para o período difuso de sua primeira infância. Era extraordinariamente difícil. Até o fim da década de 1950, nenhum problema; daí em diante, tudo desbotava. Na ausência de todo e qualquer registro externo a que recorrer, até mesmo o contorno de sua própria vida perdia a nitidez. A pessoa conseguia evocar os acontecimentos mais notáveis, que muito provavelmente jamais haviam ocorrido. Lembrava-se de detalhes de incidentes sem conseguir recompor sua atmosfera, e havia longos períodos em branco aos quais não conseguia atribuir fato algum. Naquele tempo tudo era diferente. Mesmo os nomes dos países e suas formas no mapa, tudo era diferente. A Pista de Pouso Um, por exemplo, na época não era chamada assim: na época seu nome era Inglaterra, ou Grã-Bretanha, embora Londres — disto ele estava seguro — sempre tivesse se chamado Londres.
     Winston não conseguia se lembrar de jeito nenhum de uma época em que seu país não estivesse em guerra, mas era evidente que existira um intervalo bastante prolongado de paz durante sua infância, porque uma de suas memórias mais antigas era de um ataque aéreo que aparentemente pegara todo mundo de surpresa. Talvez fosse na época em que Colchester fora atingida pela bomba atômica. Ele não se lembrava do ataque em si, mas lembrava-se da mão de seu pai apertando a sua enquanto os dois desciam, desciam, desciam correndo para chegar a algum lugar profundamente enterrado no chão, dando voltas e mais voltas numa escada em espiral que retinia debaixo de seus pés e que acabou cansando tanto as suas pernas que ele começou a choramingar e os dois foram forçados a parar para descansar. A mãe, com seu jeito lento e desconectado, vinha logo atrás deles. Trazia sua irmãzinha no colo — ou quem sabe fosse apenas uma trouxa de cobertores que ela carregava: não sabia muito bem se a irmã já havia nascido àquela altura. Por fim haviam chegado a um lugar barulhento, entupido de gente, que ele percebera ser uma estação de metrô.
     Havia pessoas sentadas sobre toda a superfície do piso de pedra e também pessoas comprimidas umas contra as outras, sentadas em beliches de metal, umas por cima das outras. Winston, sua mãe e seu pai arrumaram um lugar no chão, e perto deles havia um velho e uma velha sentados lado a lado num beliche. O velho vestia um terno escuro bem-posto e tinha o cabelo muito branco coberto por um boné preto, de pano: seu rosto estava rubro e seus olhos azuis cheios de lágrimas. Cheirava a gim. Parecia que o gim exalava de sua pele como suor, e seria possível imaginar que as lágrimas que lhe brotavam dos olhos fossem puro gim. Mas embora estivesse um pouco bêbado, ele também sofria sob o peso de uma dor genuína e intolerável. À sua maneira infantil, Winston entendeu que alguma coisa terrível, alguma coisa que estava além do perdão e que jamais poderia ser remediada, acabara de suceder. Ao mesmo tempo, teve a impressão de que sabia que coisa era essa. Alguém que o velho amava, uma netinha, talvez, havia sido morto. O velho repetia a pequenos intervalos de tempo:

“A gente não devia ter confiado neles. Bem que eu falei, Mãe, não foi? É nisso que dá confiar neles. Eu disse e repeti. A gente não devia ter confiado naqueles canalhas.”

     Mas quem eram esses canalhas em quem eles não deviam ter confiado Winston já não conseguia se lembrar.
     Desde mais ou menos aquela época, a guerra fora literalmente contínua, embora, a rigor, não tivesse sido o tempo todo a mesma guerra. Durante vários meses, em seus tempos de criança, houvera combates confusos nas ruas de Londres, e de alguns deles Winston guardava uma lembrança nítida. Só que seria praticamente impossível reconstruir a história de todo aquele período, dizer quem lutava contra quem neste ou naquele dado momento, pois não havia registros escritos e os relatos orais jamais se referiam a algum quadro político diferente do vigente. Naquele momento, por exemplo, em 1984 (se é que estavam em 1984), a Oceania estava em guerra com a Eurásia e era aliada da Lestásia. Nunca, em nenhuma declaração pública ou privada, era admitido que as três potências alguma vez tivessem se agrupado de modo diferente. Na verdade, como Winston sabia muito bem, há não mais de quatro anos a Oceania estava em guerra com a Lestásia e em aliança com a Eurásia. Só que isso não passava de uma amostra de conhecimento furtivo que ele por acaso possuía graças ao fato de sua memória não estar corretamente controlada. Em termos oficiais, a troca de aliados jamais acontecera. A Oceania estava em guerra com a Eurásia: em consequência, a Oceania sempre estivera em guerra com a Eurásia. O inimigo do momento sempre representava o mal absoluto, com o resultado óbvio de que todo e qualquer acordo passado ou futuro com ele era impossível.
     O assustador, refletiu Winston pela décima milésima vez enquanto forçava os ombros dolorosamente para trás (com as mãos nos quadris, giravam o tronco da cintura para cima, um exercício considerado benéfico para os músculos das costas), o assustador era que talvez tudo aquilo fosse verdade. Se o Partido era capaz de meter a mão no passado e afirmar que esta ou aquela ocorrência jamais acontecera — sem dúvida isso era mais aterrorizante do que a mera tortura ou a morte.
     O Partido dizia que a Oceania jamais fora aliada da Eurásia. Ele, Winston Smith, sabia que a Oceania fora aliada da Eurásia não mais de quatro anos antes. Mas em que local existia esse conhecimento? Apenas em sua própria consciência que, de todo modo, em breve seria aniquilada. E se todos os outros aceitassem a mentira imposta pelo Partido — se todos os registros contassem a mesma história —, a mentira tornava-se história e virava verdade. “Quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado”, rezava o lema do Partido. E com tudo isso o passado, mesmo com sua natureza alterável, jamais fora alterado. Tudo o que fosse verdade agora fora verdade desde sempre, a vida toda. Muito simples. O indivíduo só precisava obter uma série interminável de vitórias sobre a própria memória. “Controle da realidade”, era a designação adotada. Em Novafala: “duplipensamento”.

“Descansar!”, bramou a instrutora, com uma leve ponta de cordialidade.

     Winston largou os braços ao longo do corpo e pouco a pouco voltou a encher os pulmões com ar. Sua mente deslizou para o labiríntico mundo do duplipensamento. Saber e não saber, estar consciente de mostrar-se cem por cento confiável ao contar mentiras construídas laboriosamente, defender ao mesmo tempo duas opiniões que se anulam uma à outra, sabendo que são contraditórias e acreditando nas duas; recorrer à lógica para questionar a lógica, repudiar a moralidade dizendo-se um moralista, acreditar que a democracia era impossível e que o Partido era o guardião da democracia; esquecer tudo o que fosse preciso esquecer, depois reinstalar o esquecido na memória no momento em que ele se mostrasse necessário, depois esquecer tudo de novo sem o menor problema: e, acima de tudo, aplicar o mesmo processo ao processo em si. Esta a última sutileza: induzir conscientemente a inconsciência e depois, mais uma vez, tornar-se inconsciente do ato de hipnose realizado pouco antes. Inclusive entender que o mundo em “duplipensamento” envolvia o uso do duplipensamento.
     A instrutora ordenava que ficassem novamente em posição de sentido.

“E agora vamos ver quais de nós são capazes de encostar a mão nos dedos dos pés!”, disse entusiasmada. “Inclinem-se todos sem dobrar os joelhos, por favor, camaradas. Um-dois! Um-dois!...”

     Winston abominava aquele exercício, que provocava dores agudas que iam de seus calcanhares a suas nádegas e que muitas vezes acabavam lhe provocando um novo ataque de tosse. A sensação semiprazerosa abandonou suas meditações. O passado, refletiu ele, não fora simplesmente alterado; na verdade fora destruído. Pois como fazer para verificar o mais óbvio dos fatos, quando o único registro de sua veracidade estava em sua memória? Tentou se lembrar do ano em que ouvira a primeira menção ao Grande Irmão. Achava que devia ter sido em algum momento dos anos 1960, mas era impossível ter certeza. Nas histórias do Partido, é evidente que o Grande Irmão aparecia como o líder e o guardião da Revolução desde seus primeiríssimos dias. Seus feitos haviam sido recuados gradualmente no tempo até atingir o mundo fabuloso dos anos 1940 e 50, quando os capitalistas, com seus estranhos chapéus cilíndricos, ainda circulavam pelas ruas de Londres a bordo de grandes automóveis cintilantes ou em carruagens puxadas por cavalos e equipadas com laterais de vidro. Impossível saber o que era verdade e o que era mentira nessa fábula. Winston não conseguia se lembrar sequer da data em que o próprio Partido passara a existir. Não lhe parecia que tivesse ouvido a palavra Socing antes de 1960, mas quem sabe na expressão utilizada pela Velhafala — ou seja, “Socialismo inglês” — ela um dia tivesse sido de uso corrente. Tudo se desmanchava na névoa. Às vezes, de fato, era possível apontar uma mentira específica. Não era verdade, por exemplo, que, como afirmavam os livros de história do Partido, o Partido tivesse inventado o avião. Winston se lembrava de que na sua mais tenra infância já existiam aviões. Só que era impossível provar o que quer que fosse. Nunca havia a menor prova de nada. Uma única vez em toda a sua vida ele tivera nas mãos uma prova documental irrefutável da falsificação de um fato histórico. E naquela ocasião...

“Smith!”, berrou a voz rabugenta na teletela. “6079 Smith W! Isso mesmo, você! Incline-se mais, por favor! Você não está dando tudo o que pode. Não está se esforçando. Incline-se, por favor! Assim! Agora está melhor, camarada. Posição de descanso, todo o pelotão. Olhem para mim.”

     Um suor quente repentino brotara por todo o corpo de Winston. Seu rosto permanecia completamente inescrutável. Nunca dê mostras de desânimo! Nunca dê mostras de ressentimento! Uma simples chispa no olhar podia ser sua perdição. Ficou observando enquanto a instrutora erguia os braços acima da cabeça e — impossível dizer “graciosamente”, mas com notável exatidão e eficiência — inclinou-se e encaixou a ponta dos dedos das mãos embaixo dos dedos dos pés.

“Assim, camaradas! É assim que eu quero que vocês façam o exercício. Olhem de novo como eu faço. Tenho trinta e nove anos e pari quatro filhos. Agora olhem.” Ela voltou a dobrar o corpo. “Vocês podem ver que os meus joelhos não estão dobrados. Todos vocês são capazes de fazer isso. Basta querer”, acrescentou ao endireitar o corpo. “Qualquer pessoa com menos de quarenta e cinco anos é perfeitamente capaz de tocar os dedos dos pés. Nem todos têm o privilégio de lutar na linha de frente, mas pelo menos podemos nos manter em forma. Pensem em nossos rapazes no fronte de Malabar! E nos marinheiros nas Fortalezas Flutuantes! Imaginem só o que eles têm de aguentar! Agora vamos tentar de novo. Assim está melhor, camarada, muito melhor”, acrescentou em tom estimulante quando Winston, num arranco violento, conseguiu tocar os dedos dos pés sem dobrar os joelhos pela primeira vez em vários anos.

continua na página 35...
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Parte 1.2 ( Quando apoiou a mão na maçaneta) / Parte 1.3 (Winston sonhava com sua mãe) /        
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George Orwell (pseudônimo de Eric Arthur Blair) nasceu em 25 de junho de 1903, na Índia. Com menos de um ano de idade, o escritor foi morar na Inglaterra, onde estudou no Eton College. Mais tarde, trabalhou na Polícia Imperial Indiana, na Birmânia, e, também, lutou na Guerra Civil Espanhola, ao lado dos republicanos.
Foi apenas em 1945 que o autor teve sucesso em sua carreira literária, com a publicação de seu livro A revolução dos bichos. Depois, o romancista publicou, em 1949, sua obra mais famosa, o livro 1984, que, assim como aquele, condena os regimes totalitários. Ele faleceu em 21 de janeiro de 1950, em Londres.
Mil novecentos e oitenta e quatro é um romance distópico do escritor inglês George Orwell. Foi publicado em 8 de junho de 1949 pela Secker & Warburg como o nono e último livro de Orwell concluído em vida.