Odisseia
Homero
Tradução: Carlos Alberto Nunes
Parte II
Os Relatos na Casa de Alcínoo — Odisseu na Ilha de Calipso e na Feácia¹
Canto VIII
Recepção de Odisseu pelos Feácios
“Faz-se uma assembleia dos Feácios acerca do estrangeiro e um navio é
preparado para enviar Odisseu. Os nobres Feácios jantam na casa de Alcínoo.
Depois disso, os Feácios e Odisseu competem com o disco. Então, Demódoco
canta primeiro acerca do Adultério de Ares e de Afrodite, depois acerca da
entrada do Cavalo de Madeira. Odisseu chora e Alcínoo pergunta por que ele
chora, quem ele é e de onde vem.” (Scholie H V)
prestes do leito se ergueu o poder consagrado de Alcínoo
e, juntamente, o divo Odisseu, eversor de cidades,
a quem servia de guia o poder consagrado de Alcínoo
para o conselho, na praça, que perto das naus construíra.
Todos se foram sentar nos assentos de pedra polida,
bem juntos. Palas Atena, no entanto, percorre a cidade
sob a exterior aparência do arauto de Alcínoo sensato,
determinada em mandar o divino Odisseu para casa.
Euríalo julga Odisseu pela aparência de náufrago cansado e desconhecido. O leitor, porém, sabe que diante dele está o conquistador de Troia, um dos maiores heróis da Grécia.
Homero cria assim uma ironia dramática: o jovem arrogante acredita estar avaliando um homem comum, quando está insultando justamente o mais famoso guerreiro presente na praça.
Por isso, essa passagem não é apenas uma discussão. É o momento em que o herói oculto começa a revelar, pouco a pouco, sua verdadeira grandeza.
E, apresentando-se a todos, dizia-lhe estas palavras:
“Ide, Feácios, que sois conselheiros e guias do povo,
ide ao conselho, na praça, porque conheçais o estrangeiro,
hóspede novo de Alcínoo prudente, depois de jogado
no vasto mar, sem destino. Parece um dos deuses eternos.”
Essas palavras em todos o ardor e o desejo excitavam.
Logo se encheram os bancos da praça de gente, que vinha
de toda parte. Forçoso lhes era admirar, espantados,
o filho astuto de Laertes, porque pelas largas espáduas
graça divina derrama-lhe Atena e por sobre a cabeça,
forte e mais alto deixando-o que um homem, de bela aparência,
para que fosse possível tornar-se estimado de todos,
considerado e temido, e também vencedor nos certames
múltiplos, quando os Feácios quisessem medir-se com ele.¹
Logo que se reuniram e juntos os viu na assembleia,
disse aos presentes Alcínoo, arengando, as seguintes palavras:
“Ora escutai-me, Feácios, que sois conselheiros e guias,
quanto vos digo e no peito me ordena falar-vos o espírito.
Este estrangeiro que vedes — ignoro-lhe o nome — buscou-me,
ou do nascente errabundo, ou dos homens que ficam no ocaso.
Súplice pede que à pátria o enviemos por modo seguro.
Como de nosso costume, aprestemos-lhe logo a partida.
Nunca pedinte nenhum, tendo vindo ao palácio em que habito,
dele magoado sairá, por lhe havermos negado retorno.
Eia! Nau negra lancemos, sem mora, à corrente divina,
nova e sem uso. Cinquenta e mais dois marinheiros se escolham
entre os da classe do povo; os melhores e mais comprovados.
Logo que os remos fixados tiverdes em todos os bancos,
vinde de novo. Depois preparai, sem demora, o banquete
dentro da minha morada, que a todos contente ofereço.
Isso aos rapazes inculco; mas vós, ó cetrados regentes,
todos deveis reunir-vos no belo palácio em que habito,
para que o hóspede seja por modo condigno acolhido.
Não se recuse ninguém. Mandai vir o divino Demódoco,
o aedo que obteve os deuses poder deleitar-se com a música,
como lhe pede o furor, que no peito a cantar o estimula.”
Tendo isso dito, se ergueu; os cetrados regentes o imitam,
sem exceção; ao divino cantor foi buscar logo o arauto.
Tal como fora ordenado, cinquenta e mais dois escolheram
moços do povo, que a areia do mar infecundo já pisam.
Logo que foram chegados ao mar e ao navio, puxaram
para bem longe da praia, em mar fundo, essa nau de cor negra.
Mastro lhe fixam; depois, neste, a vela, cuidando, em seguida,
de nos toletes os remos prender com estropos de couro,
tudo de acordo com as regras, e a cândida vela desprendem.
Longe da praia ancoraram; depois, sem demora, de novo
para o palácio esplendente se foram, de Alcínoo sensato.
Pórticos, salas e pátios de gente infinita se encheram,
velhos alguns, outros moços, que muitos ao paço afluíram.
Ordens tiveram do rei de matar doze nédios carneiros,
oito cevados de dentes recurvos e dois bois tardonhos.
Ledos lhes tiram os couros e o grato banquete adereçam.
Já pelo arauto trazido o cantor divinal se aproxima,
que tanto a Musa distingue, e a quem males e bens concedera:
tira-lhe a vista dos olhos, mas cantos sublimes lhe inspira.
Junto de uma alta coluna, em cadeira de enfeites de prata
fê-lo Pontónoo sentar-se, no meio dos ledos convivas.
Prende-lhe o arauto o sonoro instrumento num gancho, que estava
por sobre a sua cabeça, e lhe ensina aonde a mão levantasse
para alcançá-lo. Coloca-lhe ao lado uma mesa e uma cesta,
perto uma jarra com vinho, porque ele à vontade bebesse.
Todos as mãos estendiam, visando a alcançar as viandas.
Tendo assim, pois, a vontade da fome e da sede saciado,
a Musa logo o incitou a falar sobre os feitos dos homens, gestas
de heróis, cuja fama o alto céu, nesse tempo, atingira,
a dissensão entre Aquiles Pelida e Odisseu, tão falada,
quando no lauto banquete dos deuses os dois se avieram
com feios e ásperos ditos. Alegra-se no íntimo o chefe
de homens, o Atrida Agamémnone, ao ver que os melhores brigavam
entre os Aquivos, que assim profetado lhe fora por Febo
no templo sacro de Pito, ao transpor-lhe a soleira de pedra
para a consulta. Este o ponto inicial das desgraças que sobre
Dânaos e Teucros rolaram, segundo de Zeus o decreto.
Isso narrava o famoso cantor. Odisseu, entrementes,
com as mãos fortes o manto de púrpura para a cabeça
puxa, encobrindo-a com o fim de esconder as feições majestosas.
Envergonhava-se, sim, de que o vissem chorar os Feácios.
Sempre, porém, que o divino cantor a canção terminava,
ei-lo que o rosto de novo descobre, enxugando-lhe as lágrimas,
e a taça em punho, adornada com alças, aos deuses oferta.
Mas, se de novo retorna à canção, aplaudido e animado
pelos mais nobres Feácios, a quem seu cantar comprazia,
volta Odisseu a gemer, escondendo outra vez a cabeça.
Dos convidados nenhum percebera que pranto vertia,
com exceção só de Alcínoo, que atento notara o ocorrido,
pois se encontrava ao seu lado e lhe ouvia os gemidos do peito.
Logo a seguir os Feácios, amantes do remo, concita:
“Ora escutai-me, Feácios, que sois conselheiros e guias;
já temos todos saciado a vontade nos dons do banquete,
como, também, nas canções, que acompanham os lautos repastos.
Ora saiamos da sala e passemos às provas atléticas,
para que possa o nosso hóspede, quando entre os seus encontrar-se,
de volta à pátria, contar como em todos os jogos primamos,
no pugilato e na luta, no salto e no rápido curso.”
Diz e levanta-se; em massa os cetrados regentes o imitam.
Foi pelo arauto num gancho prendido o instrumento sonoro;
toma o cantor pela mão e o conduz para fora da sala,
a percorrer o caminho, que todos os outros faziam
dos mais notáveis Feácios, com o fim de admirar as disputas.
Ei-los que vão para a praça, de povo infinito seguidos.
Moços se aprestam em número imenso, de nobre prosápia.
Alça-se Acrôneo, seguido do forte Nauteu e de Ocíalo,
mais Elatreu, Eretmeu e Primneu; depois deste Anquíalo,
Anabesíneo, Ponteu, depois desses Prooreu, o ágil Tóone
e o guapo Anfíalo, filho do grande Políneo Tectônida.
Alça-se Euríalo, filho de Náubolo, herói de presença
como a do deus Ares forte e que, após o viril Laodamante,
entre os Feácios primava na forma exterior impecável.
Três belos filhos de Alcínoo, de forma perfeita, se adiantam:
Hálio, Clitôneo, que a um deus se assemelha, e o viril Laodamante.
Pés, em primeiro lugar, exp’rimentam em rápidos cursos.
Partem do ponto fixado e à carreira dão logo começo;
rapidamente prosseguem, do solo a poeira se eleva.
Prima entre todos no rápido curso o perfeito Clitôneo.
Quanto consegue uma junta de mulas arar sem deter-se
um sulco apenas, aos mais se avantaja e da meta aproxima-se.
Logo depois se exp’rimentam nas lutas, que dores produzem.
Conquanto fortes, se viram vencidos os mais por Euríalo;
salta mais longe que todos os outros rapazes Anfíalo;
mas Elatreu vence a todos, com longe jogar o seu disco.
No pugilato, o viril Laodamante, de Alcínoo nascido.
Mas, depois que deleitaram com os jogos seus nobres espíritos,
diz Laodamante, o viril descendente de Alcínoo, o seguinte:
“Vamos, amigos, pergunte-se agora ao estrangeiro se sabe
ou se aprendeu qualquer jogo. Seu todo não mostra ser fraco.
Vede quão fortes as coxas e as pernas e, mais ainda, os braços;
vede-lhe o forte pescoço, são mostras de força. Nem mesmo
lhe falta o viço dos anos, senão que os trabalhos o abatem.
Sim, não conheço mais duro trabalho, que a luta nas ondas;
prostra qualquer que até então se prezasse de forte e robusto.”
Disse-lhe Euríalo, então, em resposta as seguintes palavras:
“Sim, Laodamante, estas tuas palavras são muito oportunas.
Chama-o tu mesmo; aproxima-te e faze o convite adequado.”
Logo que ouviu tal conselho, avançou para o meio do campo
o que de Alcínoo nascera, e a Odisseu deste modo interpela:
“Hóspede pai, exp’rimenta, também, vir medir-te conosco
se qualquer jogo aprendeste; é forçoso que algum também saibas,
que maior glória não há para um homem, enquanto está vivo,
do que nas lutas das mãos ou dos pés sair sempre galhardo.
Vamos! dissipa as tristezas do peito e abalança-te à prova.
Por muito tempo não tens que esperar o retorno, que a nave
já está provida e no mar, e escolhidos os teus companheiros.”
Disse-lhe, então, em resposta, Odisseu, o guerreiro solerte:
“Qual, Laodamante, o motivo de assim me atirares remoques?
De preferência a desporto, meu peito dá abrigo a tristezas,
que hei tantos males e tanto infortúnio contínuo sofrido.
Ora me encontro no vosso congresso, a esperar que me enviem
de volta à pátria, a implorar o regente e, com ele, o seu povo.”
Lança-lhe Euríalo a réplica, então, da seguinte maneira:
“Hóspede não te assemelhas a um homem que entenda de jogos,
como é costume entre as gentes, que folgam no seu exercício,
mas ao que folga viajar em galeras, de bancos providas,
chefe de chusmas, que vive a mercar, tão somente, nos barcos,
só tendo em mente o seu lucro e o que possa trazer de tornada,
ganho com fraude. De fato, não tens aparência de atleta.”
Com torvo aspecto lhe disse Odisseu, o guerreiro solerte:
“Não te expressaste com senso; assemelhas-te a homem protervo.
Bem se depreende que os deuses não cedem a todos os homens
dons primorosos, ou seja na forma, no engenho, ou eloquência.
Este, na forma exterior, pode ser de aparência somenos,
mas recompensam-no os deuses com o dom da palavra; os que o veem
sentem prazer indizível, pois ele, com gesto seguro,
sempre se expressa modesto e se exalta da turba indistinta.
Se pelas ruas passeia, honrarias divinas recolhe.
Aos imortais outros são, na aparência exterior, semelhantes,
mas são privados seus ditos da graça, que os torna aceitáveis,
tal como tu; na aparência sem mácula; doutra maneira
nem mesmo um deus te gerara; mas frívolo tens o intelecto.
Eis que fizeste abalar-me no peito com teus ditos fúteis
o coração; inexperto não sou, como inculcas maligno,
em nenhum jogo. Ufanava-me, é certo, de ser dos primeiros,
quando confiava no viço da idade e na força do braço.
Hoje, os trabalhos e as dores me abatem, que muito hei sofrido,
tanto nas lutas dos homens, bem como nas ondas penosas.
Seja, porém! Apesar do sofrer que refiro, desejo
exp’rimentar-me; tua fala mordaz conseguiu decidir-me.”²
Disse; e assim mesmo vestido com o manto, tomou dum dos discos,
bem mais espesso e maior, e de peso excedente ao dos outros
quantos folgavam jogar os Feácios amantes do remo.
Fê-lo girar à sua volta e soltou-o da mão poderosa.
[1] Este trecho descreve a chegada de Odisseu ao povo dos Feácios, pouco antes de ele revelar plenamente sua identidade e narrar suas aventuras.
continua página 767...
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Prelúdio
Parte I
Canto II.a / Canto II.b / Canto III.a / Canto III.b / Canto IV.a / Canto IV.b / Canto IV.c / Canto IV.d /
Parte II
Canto V.a / Canto V.b / Canto V.c / Canto VI.a / Canto VI.b / Canto VII.a / Canto VII.b / Canto VIII.a /
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Homero é considerado o maior poeta da Grécia Antiga. Estima-se que tenha vivido entre os séculos IX e VIII a.C. Sua obra foi composta e transmitida oralmente, e, devido à falta de evidências, alguns estudiosos chegam até a duvidar de sua existência.
Atribui-se a Homero, tradicionalmente, a autoria das obras Ilíada e Odisseia, dois clássicos que reconstituem a civilização grega com incrível riqueza de detalhes.
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Alguns pontos importantes da passagem:
- Aurora, de dedos de rosa é uma fórmula poética muito recorrente em Homero. Ela marca o início de um novo dia e aparece diversas vezes ao longo da epopeia.
- Alcínoo, rei dos Feácios, conduz Odisseu à assembleia pública para apresentar o estrangeiro ao povo.
- Atena continua atuando como protetora de Odisseu. Disfarçada de arauto, ela percorre a cidade convocando os cidadãos para ver o recém-chegado.
- A deusa também concede ao herói uma beleza e majestade sobrenaturais, tornando-o mais alto, mais imponente e mais admirável aos olhos dos Feácios.
- O trecho reforça um tema central da epopeia: a relação entre os deuses e os homens. O sucesso de Odisseu não depende apenas de sua inteligência, mas também do favor divino.
Literariamente, a cena funciona como uma preparação para o reconhecimento do herói. Até esse momento, Odisseu é apenas um náufrago desconhecido; aqui, Atena começa a construir sua imagem pública, garantindo que ele seja recebido com respeito, admiração e honra.
Também chama atenção a caracterização de Odisseu como “eversor de cidades”, expressão que destaca sua fama como guerreiro e estrategista, especialmente por seu papel na Guerra de Troia.
Em resumo, este é um trecho de transição importante: Odisseu deixa a condição de estrangeiro anônimo e começa a ser apresentado à comunidade que finalmente lhe dará os meios para regressar a Ítaca.
[2] Este é um dos momentos mais interessantes da permanência de Odisseu entre os Feácios, porque revela não apenas sua habilidade física, mas principalmente sua dignidade e inteligência diante da provocação.
- O insulto é particularmente grave no universo heroico da Odisseia. Chamar um herói de comerciante não é exatamente uma ofensa hoje, mas, para a aristocracia guerreira da Grécia homérica, equivalia a negar sua honra, coragem e valor.
A resposta de Odisseu:
- Odisseu não reage imediatamente com violência. Primeiro ele faz algo característico de sua personalidade: responde com um discurso.
- Ele afirma que os deuses distribuem seus dons de maneira desigual: alguns recebem beleza física; alguns recebem beleza física; poucos possuem ambos.
O contexto:
- Durante os jogos organizados por Alcínoo, o jovem feácio Euríalo insulta Odisseu. Ao vê-lo recusar inicialmente as competições, conclui que ele não é um atleta nem um guerreiro, mas um mercador interessado apenas em lucros.- O insulto é particularmente grave no universo heroico da Odisseia. Chamar um herói de comerciante não é exatamente uma ofensa hoje, mas, para a aristocracia guerreira da Grécia homérica, equivalia a negar sua honra, coragem e valor.
A resposta de Odisseu:
- Odisseu não reage imediatamente com violência. Primeiro ele faz algo característico de sua personalidade: responde com um discurso.
- Ele afirma que os deuses distribuem seus dons de maneira desigual: alguns recebem beleza física; alguns recebem beleza física; poucos possuem ambos.
A crítica a Euríalo é elegante e devastadora. Em resumo, Odisseu diz: Você é bonito, mas carece de inteligência. O contraste é central ao trecho. Euríalo representa a aparência sem prudência; Odisseu, embora exausto e marcado pelo sofrimento, representa a união de experiência, discernimento e verdadeira grandeza.
Um retrato do herói maduro:
Um retrato do herói maduro:
Há também um aspecto muito humano quando Odisseu afirma: "quando confiava no viço da idade e na força do braço". Ele reconhece que já não está em sua melhor forma. Os anos de guerra, as tempestades, os naufrágios e as perdas deixaram marcas. Esse reconhecimento é importante porque mostra um herói diferente de Aquiles, da Ilíada. Aquiles encarna a juventude, a força e o ímpeto. Odisseu encarna a resistência, a experiência e a inteligência adquiridas pelo sofrimento.
A virada dramática: pesar disso, a provocação atinge seu orgulho: "tua fala mordaz conseguiu decidir-me." Odisseu resolve competir não para divertir-se, mas para defender sua honra. Logo depois, nos versos seguintes da narrativa, ele demonstra sua superioridade nos jogos atléticos, lançando o disco muito mais longe que todos os concorrentes.
O trecho desenvolve um tema recorrente da Odisseia: a diferença entre aparência e essência.Euríalo julga Odisseu pela aparência de náufrago cansado e desconhecido. O leitor, porém, sabe que diante dele está o conquistador de Troia, um dos maiores heróis da Grécia.
Homero cria assim uma ironia dramática: o jovem arrogante acredita estar avaliando um homem comum, quando está insultando justamente o mais famoso guerreiro presente na praça.
Por isso, essa passagem não é apenas uma discussão. É o momento em que o herói oculto começa a revelar, pouco a pouco, sua verdadeira grandeza.