segunda-feira, 11 de maio de 2026

Eduardo Galeano: As veias abertas da América Latina - Primeira Parte: Um Químico Alemão Derrotou os Vencedores da Guerra do Pacífico (3)

 A Pobreza do Homem como resultado da riqueza da terra


PRIMEIRA PARTE 

As Fontes Subterrâneas do Poder

     35. Um Químico Alemão Derrotou os Vencedores da Guerra do Pacífico
          A história do salitre, seu apogeu e sua queda, é muito ilustrativa da ilusória duração das prosperidades latino americanas no mercado mundial: o sempre efêmero sopro das glórias e o peso sempre perdurável das catástrofes.
     Em meados do século passado, as negras profecias de Malthus pairavam sobre o Velho Mundo. A população europeia crescia vertiginosamente e era imprescindível conferir nova vida aos solos cansados, para que a produção de alimentos pudesse aumentar em proporção equivalente. O guano teve suas propriedades fertilizantes revelada nos laboratórios britânicos; a partir de 1840, desde a costa peruana, começou sua exportação em grande escala. Os alcatrazes e as gaivotas, alimentados pelos fabulosos cardumes de correntes que lambem as margens, tinham acumulado nas ilhas e ilhotas, desde tempos imemoriais, grandes montanhas de excrementos ricos em nitrogênio, amoníaco, fosfatos e sais alcalinos: o guano se conservava puro nas costas sem chuva do Peru [1]. Pouco depois do lançamento internacional do guano, a química agrícola descobriu que eram ainda maiores as propriedades nutritivas do salitre, e em 1850 já era muito intenso o seu emprego como adubo em campos europeus. As terras do velho continente dedicadas ao cultivo do trigo, empobrecidas pela erosão, recebiam avidamente os carregamentos de nitrato de soda provenientes das salitreiras peruanas de Tarapacá e, em seguida, da província boliviana de Antofagasta [2]. Graças ao salitre e ao guano, que jaziam nas costas do Pacífico “quase ao alcance dos barcos que vinham buscá-los” [3], o fantasma da fome se afastou da Europa
     A oligarquia de Lima, soberba e presunçosa como nenhuma outra, continuava enriquecendo à farta e acumulando símbolos de seu poder nos palácios e nos mausoléus de mármore de Carrara que a capital levantava em meio a desertos de areia. Antigamente, as grandes famílias limenhas tinham prosperado à custa da prata de Potosí, e agora passavam a viver da merda dos pássaros e do grumo branco e brilhante das salitreiras. O Peru acreditava que era independente, mas a Inglaterra ocupava o lugar da Espanha. “O país se sentiu rico”, escrevia Mariátegui, “o Estado usou sem medida o seu crédito, entregou-se ao desperdício, hipotecando seu futuro às finanças inglesas.” Em 1868, segundo Romero, os gastos e as dívidas do Estado já eram muito maiores do que o valor das vendas para o exterior. Os depósitos de guano serviam de garantia para os empréstimos britânicos, e a Europa jogava com os preços; a rapina dos exportadores fazia estragos: aquilo que a natureza havia acumulado nas ilhas ao longo de milênios era dilapidado em poucos anos. Entrementes, nos pampas salitreiros – conta Bermúdez –, os trabalhadores sobreviviam em choças “miseráveis de uma só peça que mal ultrapassavam a altura de um homem, feitas de pedras, caliça e barro”.
     A exploração do salitre rapidamente se estendeu até a província boliviana de Antofagasta, embora o negócio não fosse boliviano e sim peruano, e mais do que peruano, chileno. Quando o governo da Bolívia quis aplicar um imposto às salitreiras que operavam em seu território, os batalhões militares do Chile invadiram a província para nunca mais sair. Até aquela época, o deserto fizera o papel de zona de amortecimento para os conflitos entre Chile, Peru e Bolívia. O salitre desencadeou a luta. A guerra do Pacífico começou em 1879 e foi até 1883. As forças armadas chilenas, que já em 1879 tinham ocupado também os portos peruanos da região do salitre, Patillos, Iquique, Pisagua, Junín, entraram vitoriosas em Lima, e no dia seguinte a fortaleza de Callao se rendeu. A derrota provocou a mutilação e a sangria do Peru. A economia nacional perdeu seus dois principais recursos, paralisaram-se as forças produtivas, caiu a moeda, fechou-se o crédito exterior [4]. O colapso, advertia Mariátegui, não trouxe consigo uma liquidação do passado: a estrutura da economia colonial permaneceu invicta, embora lhe faltassem suas fontes de sustentação. A Bolívia, por sua vez, não se deu conta do que perdera com a guerra: a mina de cobre mais importante do mundo atual, Chuquicamata, localiza-se exatamente na província agora chilena de Antofagasta. Mas... e os vencedores?
     O salitre e o iodo somavam 5 por cento das rendas do Estado chileno em 1880; dez anos depois, mais de metade das receitas fiscais provinham da exportação de nitrato dos territórios conquistados. No mesmo período, triplicaram os investimentos ingleses no Chile: a região do salitre tornou se uma feitoria britânica [5]. Os ingleses se apossaram do salitre empregando procedimentos nada custosos. O governo do Peru expropriara as salitreiras em 1875, pagando com bônus; a guerra reduziu o valor desses papéis, cinco anos depois, à décima parte. Alguns aventureiros ousados, como John Thomas North e seu sócio Robert Harvey, aproveitaram-se da conjuntura. Enquanto chilenos, peruanos e bolivianos trocavam tiros no campo de batalha, os ingleses se apropriaram dos bônus graças aos créditos que lhes foram proporcionados, sem dificuldade alguma, pelo anco de Valparaíso e outros bancos chilenos. Por eles estavam lutando os soldados, embora não o soubessem. O governo chileno recompensou prontamente o sacrifício de North, Harvey, Inglis, James, Bush, Robertson e outros laboriosos homens de empresa: em 1881 determinou a devolução das salitreiras aos seus legítimos donos, isto quando já a metade dos bônus passara às mãos prodigiosas de especuladores britânicos. Para financiar esse saque não saíra da Inglaterra nem um único pêni.
     Ao abrir-se a década de 90, o Chile destinava à Inglaterra três quartas partes de suas exportações, e da Inglaterra recebia quase a metade de suas importações; sua dependência comercial era ainda maior do que aquela que, na mesma época, afetava a Índia. A guerra havia concedido ao Chile o monopólio mundial dos nitratos naturais, mas o rei do salitre era John Thomas North. Uma de suas empresas, a Liverpool Nitrate Company, pagava dividendos de 40 por cento. Esse personagem havia desembarcado no porto de Valparaíso, em 1866, com apenas dez libras esterlinas no bolso do velho traje coberto de pó; 30 anos depois, os príncipes e os duques, os políticos mais proeminentes e os grandes industriais sentavam-se à mesa de sua mansão londrina. North inventara para si um posto de coronel e se filiara, como correspondia a um cavalheiro de seu quilate, ao Partido Conservador e à Loja Maçônica de Kent. Lorde Dorchester, Lorde Randolph Churchill e o marquês de Stockpole participavam de suas festas extravagantes, nas quais North dançava fantasiado de Henrique VIII [6]. Enquanto isso, em seu distante reino do salitre, os obreiros chilenos não folgavam no domingo, trabalhavam até dezesseis horas diárias e recebiam salários com fichas que perdiam metade de seu valor nos armazéns das empresas.
     Entre 1886 e 1890, sob a presidência de José Manuel Balmaceda, o Estado chileno executou, conforme Ramírez Necochea, “os planos de progresso mais ambiciosos de sua história”. Balmaceda impulsionou o desenvolvimento de algumas indústrias, realizou importantes obras públicas, renovou a educação, tomou providências para romper o monopólio da empresa britânica de ferrovias em Tarapacá e contratou com a Alemanha o primeiro e único empréstimo que o Chile não recebeu da Inglaterra em todo o século passado. Em 1888, anunciou que era necessário nacionalizar os distritos salitreiros mediante a constituição de empresas chilenas, e se negou a vender aos ingleses as terras salitreiras de propriedade do Estado. Três anos depois sobreveio a guerra civil. North e seus colegas financiaram regiamente os rebeldes [7], e os barcos de guerra britânicos bloquearam o litoral do Chile, enquanto em Londres a imprensa bradava contra Balmaceda, “ditador da pior espécie”, “carniceiro”. Derrotado, Balmaceda se suicidou. O embaixador inglês informou ao Foreign Office: “A comunidade britânica não faz segredo de sua satisfação pela queda de Balmaceda, cujo triunfo, acredita-se, teria trazido sérios prejuízos para os interesses comerciais britânicos”. De imediato se apequenaram os investimentos estatais em estradas, ferrovias, colonização, educação e obras públicas, ao mesmo tempo em que as empresas britânicas ampliavam seus domínios.
     Às vésperas da Primeira Guerra Mundial, dois terços da receita nacional do Chile provinham da exportação de nitratos, mas o pampa salitreiro estava mais amplo e alheio do que nunca. A prosperidade não tinha servido para desenvolver e diversificar o país, mas, ao contrário, só servira para acentuar suas deformações estruturais. O Chile funcionava como um apêndice da economia britânica: o mais importante abastecedor de adubos do mercado europeu não tinha direito a uma vida própria. E então um químico alemão, em seu laboratório, derrotou os generais que, tempos antes, haviam triunfado no campo de batalha. O aperfeiçoamento do processo Haber-Bosch para produzir nitratos, obtendo o nitrogênio do ar, derrubou definitivamente o salitre e provocou uma estrepitosa queda da economia chilena. A crise do salitre era a crise do Chile, profunda ferida, porque o Chile vivia do salitre e para o salitre – e o salitre estava em mãos estrangeiras.
     No resseco deserto de Tamarugal, onde os reflexos da terra podem queimar os olhos, fui testemunha do arrasamento de Tarapacá. Ali havia 120 usinas salitreiras na época do apogeu e agora resta apenas uma em funcionamento. No pampa não há umidade nem carunchos, de modo que não só foram vendidas as máquinas como sucata, mas também as tábuas de pinho de Oregon das melhores casas, as folhas de zinco e até parafusos e pregos em boas condições. Surgiram operários especializados em desmanchar povoados: eram os únicos que conseguiam trabalho nessas imensidões arrasadas e abandonadas. Vi os escombros e os buracos, os povoados fantasmas, as linhas mortas da Nitrate Railways, os fios mudos do telégrafo, os esqueletos das usinas salitreiras despedaçadas pelo bombardeio dos anos, as cruzes dos cemitérios batidas à noite pelo vento frio, os montes esbranquiçados da caliça que ia sobrando nas escavações. “Aqui corria o dinheiro e todos acreditavam que nunca acabaria”, contaram-me os aldeões sobreviventes. O passado parece um paraíso comparado com o presente, e até os domingos, que em 1889 não existiam para os trabalhadores e que logo foram conquistados pacificamente na luta sindical, são lembrados com todos os seus fulgores: “Cada domingo no pampa salitreiro”, contava-me um velho muito velho, “era para nós uma festa nacional, um novo 18 de setembro a cada semana”. Iquique, o maior porto do salitre, “porto de primeira” segundo seu slogan oficial, tinha sido o cenário de mais de uma matança de operários, mas seu teatro municipal, de estilo belle époque, recebia os melhores cantores da ópera europeia antes de Santiago.

continua na página 234...
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[1] SAMHA ER, Ernst. Sudamérica, biografía de un continente. Buenos Aires, 1946.
      As aves guaneiras são as mais valiosas do mundo, escrevia Robert Cushman Murphy muito depois do apogeu, “por seus rendimentos em dólares em cada digestão”. Estão acima, dizia, do rouxinol de Shakespeare que cantava na sacada de Julieta, acima da pomba que sobrevoou a Arca de Noé e, de resto, das tristes andorinhas de Bécquer. ROMERO, Emílio. Historia económica del Perú. Buenos Aires, 1949.
[2]  BERMÚDEZ, Óscar. Historia del salitre desde sus orígenes hasta la Guerra del Pacífico. Santiago de Chile, 1963.
[3] MARIÁTEQUI, José Carlos. Siete ensayos de interpretación de la realidad peruana. Montevideo, 1970.
[4] O Peru perdeu a província salitreira de Tarapacá e algumas importantes ilhas guaneiras, mas conservou as jazidas de guano da costa norte. O guano continuava sendo o principal fertilizante da agricultura peruana, até que, a partir de 1960, o auge da farinha de pescado aniquilou os alcatrazes e as gaivotas. As empresas pesqueiras, em sua maioria norte-americanas, arrasaram rapidamente os bancos de anchovinhas próximos da costa, para alimentar com farinha peruana os porcos e as aves dos Estados Unidos e da Europa, e os pássaros guaneiros passaram a perseguir os pescadores mar afora, cada vez mais longe. Sem resistência para o regresso, caíam no mar. Outros não iam, e assim era possível ver, em 1962 e 1963, bandos de alcatrazes procurando comida na principal avenida de Lima: quando já não podiam mais levantar voo, tombavam mortos nas ruas da cidade.
[5] RAMÍREZ NECOCHEA, Hernán. Historia del imperialismo en Chile. Santiago de Chile, 1960.
[6] RAMÍREZ NECOCHEA, Hernán. Balmaceda y la contrarrevolución de 1891. Santiago de Chile, 1969.
[7] O Senado encabeçava a oposição ao presidente, e era notória a atração de muitos de seus membros pelas libras esterlinas. O suborno de chilenos, segundo os ingleses, era “um costume do país”. Assim o definiu em 1897 o sócio de North, Robert Harvey, durante o processo que alguns pequenos acionistas entraram contra ele e outros diretores da The Nitrate Railways Co. Explicando o desembolso de 100 mil libras para subornos, disse Harvey: “A administração pública no Chile, como você sabe, é muito corrompida (...). Não digo que seja necessário subornar juízes, mas acredito que muitos membros do Senado, escassos de recursos, vão tirar algum benefício de parte desse dinheiro em troca de seus votos; e ele também serviu para impedir que o governo em absoluto se negasse a ouvir nossos protestos e reclamações (...).” RAMÍREZ NECOCHEA, op. cit.
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As Fontes Subterrâneas do Poder
Primeira Parte: Um Químico Alemão Derrotou os Vencedores da Guerra do Pacífico (3)
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o petróleo da Venezuela... o petróleo no pré-sal do Brasil... os minerais nas terras raras do Brasil... ?

Émile Zola - Germinal: Quinta Parte - (IV.a)

Germinal


Émile Zola

Tradução de Francisco Bittencourt

Quinta Parte

IV


     E o bando, pela planície rasa, toda branca de geada, sob o pálido sol de inverno, marchava, saindo da estrada, atravessando as plantações de beterraba.
     Na Fourche-aux-Boeufs, Etienne tomou o comando. Sem fazê-los parar, começou a gritar ordens e a organizar a marcha. Jeanlin corria na frente, emitindo com sua cometa uma música bárbara. Nas primeiras filas avançavam as mulheres, algumas armadas com paus, a de Maheu com um fulgor selvagem nos olhos, que pareciam procurar ao longe a cidade da justiça prometida; a Queimada, a mulher de Levaque e a filha de Mouque marchavam como soldados esfarrapados indo para a guerra. Em caso de encontro, queriam ver se os policiais ousariam bater nas mulheres. Em seguida vinham os homens, numa confusão de gado, formando uma retaguarda amplíssima, eriçada de barras de ferro, dominada por um único machado, o de Levaque, cujo gume reverberava ao sol. No centro, Etienne não perdia de vista Chaval, forçando-o a caminhar na sua frente, enquanto Maheu, atrás, sombrio, observava Catherine, única mulher entre aqueles homens, obstinando-se em marchar ao lado do amante, para impedir que lhe fizessem mal. Cabeças descobertas esguedelhavam-se ao vento; somente se ouvia o bater dos tamancos, semelhante a um tropel de gado solto, guiado apenas pelo toque selvagem de Jeanlin. 
     De repente, ouviu-se um novo grito: 

— Pão! Pão! Pão!

     Era meio-dia, a fome de seis semanas de greve despertava nos estômagos vazios, aguilhoada por essa marcha em campo aberto. As raras côdeas da manhã, as poucas castanhas da filha de Mouque já iam longe; e os estômagos gritavam, e esse sofrimento vinha aumentar a raiva contra os traidores. 

— Às minas! Nada de trabalho! Pão!

     Etienne, que em casa não quisera comer a sua parte, sentia no peito uma sensação insuportável de vazio, mas não se queixava. De tempos em tempos, apanhava seu cantil e tomava um gole de genebra, sentindo-se tão trêmulo, que julgava precisar daquilo para ir até o fim. Seu rosto se afogueava, uma chama iluminava seus olhos, mas a cabeça permanecia fria, pois ainda queria evitar estragos inúteis.
     Ao chegarem ao caminho de Joiselle, um britador de Vandame, que se reunira à turba por vingança contra seu patrão, levou os companheiros para a direita, gritando: 

— À Gaston-Marie! Vamos parar a bomba! Que as águas destruam a Jean-Bart!

     A multidão, arrastada, já se dirigia para lá, apesar dos protestos de Etienne, que lhes suplicava que deixassem o esgoto trabalhar. De que serviria destruir as galerias? Apesar de todo o seu ódio, isso era uma coisa que revoltava seu coração de operário. Maheu também achava injusto atacar uma máquina. Mas o britador continuava a lançar seu brado de vingança; foi preciso que Etienne gritasse mais forte: 

— À Mirou! Lá é que estão os traidores! À Mirou! À Mirou! Com um gesto fizera que a multidão entrasse no caminho da esquerda, enquanto Jeanlin, outra vez na vanguarda, tocava com mais força. Houve uma grande reviravolta, a Gaston-Marie, por ora, estava salva.

     E os quatro quilômetros que os separavam da Mirou foram vencidos em meia hora num passo acelerado, através da planície interminável. Este lado do canal era cortado por uma longa fita de gelo. Somente as árvores das margens, transformadas pela geada em candelabros gigantescos, rompiam a uniformidade monótona, que se prolongava e se perdia no céu do horizonte, como um mar. Uma ondulação do terreno ocultava Montsou e Marchiennes. Era a imensidade nua.
     Estavam chegando à mina quando viram um capataz colocar-se num passadiço da triagem para recebê-los. Todos conheciam muito bem o tio Quandieu, o decano dos contramestres de Montsou, um ancião com a pele e os cabelos muito brancos, que devia andar pelos setenta, um verdadeiro milagre de boa saúde nas minas. 

— Que é que vocês vêm fazer aqui, súcia de vadios? — gritou ele. O bando estacou. Esse não era um patrão, era um companheiro.

     Retinha-os o respeito por aquele velho operário. 

— Há homens trabalhando na mina — disse Etienne. — Manda-os saírem. 
— É verdade, há homens trabalhando, talvez umas seis dúzias, os outros tiveram medo de vocês, corja de biltres! — replicou o velho Quandieu. — Mas previno-os de que nenhum deles sairá, ou eu ajustarei contas com vocês!

     Houve exclamações, os homens empurraram, as mulheres avançaram. Descendo rapidamente do passadiço, o contramestre estava agora barrando a porta.
     Maheu decidiu intervir: 

— Velho, é o nosso direito. Como havemos de conseguir que a greve seja geral, se não forçarmos os companheiros a estarem do nosso lado?

     O velho permaneceu silencioso por um momento. Evidentemente sua ignorância em matéria de coalizão igualava a do britador. Finalmente, respondeu:

 — É o direito de vocês, não digo o contrário. Mas eu estou cumprindo ordens. Estou sozinho aqui. Os homens têm de trabalhar no fundo até as três horas, e trabalharão até as três horas.

     As últimas palavras foram abafadas pelas vaias. Ameaçaram-no com o punho, as mulheres berravam como loucas, soprando-lhe no rosto seu bafo quente. Mas ele mantinha-se firme, a cabeça erguida, em sua barbicha e seus cabelos de uma brancura de neve. E a coragem infundia-lhe tal vigor, que se podia ouvi-lo claramente, por cima da gritaria: 

— Vão para o inferno! Aqui não passam. Juro pelo sol que nos ilumina, prefiro morrer a deixar vocês tocarem nos cabos. Não empurrem, ou eu me atiro no poço na frente de todos. Houve um estremecimento e a turba recuou, amedrontada. Ele continuou: 
— Qual é o cachorro que não compreende isto? Eu não passo de um operário como vocês. Mandaram-me tomar conta disto aqui e eu tomo.

     A inteligência do velho Quandieu não ia mais longe, obstinado na sua teimosia do dever militar, o cérebro tapado, o olho míope pela tristeza negra de meio século de fundo de mina. Os companheiros olhavam-no, tocados, sentindo em si o eco do que lhes dizia, essa obediência de soldado, a fraternidade e a resignação no perigo. Acreditando que eles ainda hesitavam, repetiu: 

— Jogo-me no poço na frente de vocês!

     Um grande movimento fez girar o bando. Todos voltaram as costas e a correria recomeçou pela estrada reta, que se estendia pelo infinito, por entre as terras. De novo os gritos se elevavam: 

— À Madeleine! À Crèvecoeur! Nada de trabalho! Pão! Pão! No meio da multidão, no entusiasmo da marcha, houve uma algazarra. Era Chaval, diziam, que quisera aproveitar-se da história de Mirou para escapar. Etienne acabava de agarrá-lo por um braço, ameaçando-o de fazê-lo em pedaços ao menor sinal de traição. O outro debatia-se, protestando, enfurecido: 
— Então onde é que estamos? Não se é mais livre? Estou tiritando de frio há já uma hora, preciso lavar-me. Larga meu braço!

     Realmente, ele estava sentindo os efeitos do carvão grudado à pele, e seu suéter quase não o protegia do frio. 

— Caminha, ou somos nós que te lavaremos — respondeu Etienne. — Ninguém te mandou exagerar pedindo derramamento de sangue.

     Continuavam quase correndo; Etienne acabou por se voltar para Catherine, que ainda se mantinha ao lado do outro. Desesperava-o senti-la tão próxima, tão miserável, tiritando sob a velha jaqueta de homem, com as calças enlameadas. Devia estar morta de fadiga e contudo, não deixava de correr. 

— Tu podes ir embora — disse ele afinal.

     Catherine pareceu não entender. Seus olhos, ao encontrarem os de Etienne, brilharam somente com uma rápida chama de censura E não parou. Por que quereria que ela abandonasse seu homem? Chaval, na verdade, não era bom; até a espancava em certas ocasiões Mas era o seu homem, aquele que a possuíra primeiro. O que a enfurecia é que se atirassem mais de mil contra ele. Tê-lo-ia defendido, não por ternura, mas por orgulho. 

— Vai-te embora! — repetiu violentamente Maheu.

     A ordem do pai fez que diminuísse o passo. Tremia, as lágrimas enchiam-lhe as pálpebras. Depois, apesar do medo que sentia, voltou e tomou seu lugar, sempre correndo. Então deixaram-na.
     O bando atravessou a estrada de Joiselle, seguiu por um instante a de Cron, depois subiu para Cougny. Desse lado, chaminés de fábricas riscavam o horizonte plano, galpões de madeira, oficinas de tijolos, com portas enormes e cheias de poeira, desfilavam ao longo da estrada. Passaram sucessivamente pelas casas baixas de dois conjuntos habitacionais mineiros, o dos Cent-Quatre-Vingts, depois o dos Soixante-Seize. E de cada um deles, ao chamado da cometa, ao clamor lançado por todas as bocas, saíram famílias, homens, mulheres, crianças, também correndo, unindo-se à retaguarda dos companheiros. Quando chegaram diante da Madeleine eram bem uns mil e quinhentos. A estrada descia em declive suave, e a vaga marulhante dos grevistas teve de contornar o aterro, antes de se espalhar no pátio da mina.
     Nesse momento não deviam ser mais de duas horas. Mas os contramestres, advertidos, tinham apressado a subida, e, quando o bando chegou, a saída dos operários já estava terminando, tendo ficado no fundo da mina apenas uns vinte homens, que logo depois desembarcaram do elevador. Fugiram, tendo sido perseguidos a pedradas. Dois foram espancados, outro deixou a manga da jaqueta no local. Esta caça ao homem salvou o material: os cabos e as caldeiras não foram tocados. E já a vaga rolava em direção à mina vizinha.
     Esta, Crèvecoeur, encontrava-se a apenas quinhentos metros da Madeleine. O bando caiu novamente no meio da saída dos operários. Uma operadora de vagonetes foi apanhada e açoitada pelas mulheres, as calças rasgadas, as nádegas expostas diante dos homens, que riam. Os aprendizes recebiam tabefes, os britadores escaparam cheios de marcas azuis pelo corpo e o nariz sangrando. E nessa ferocidade crescente, nessa antiga necessidade de vingança cuja loucura fervia em todas as cabeças, os gritos continuavam, estrangulando-se, a morte aos traidores, o ódio ao trabalho mal pago, o rugido do estômago querendo pão. Puseram-se a cortar os cabos, mas a lima estava gasta, demorava muito, agora que estavam com a febre de seguir adiante, sempre adiante. Nas caldeiras uma torneira foi quebrada enquanto a água, jogada com grandes baldes nas fornalhas, fazia estourar as grelhas de ferro fundido.
     Fora falou-se em marchar sobre a Saint-Thomas. Esta era a mina mais disciplinada, a greve não a atingira; nela, cerca de setecentos homens deviam ter descido. Isto dava raiva, esperariam por eles armados de porretes em formação de batalha campal, para ver quem cairia primeiro. Mas correu o boato de que havia policiais em Saint-Thomas, os policiais da manhã, de quem tinham feito troça. Como sabiam? Ninguém podia responder. Não importa! Ficaram com medo e decidiram-se pela Feutry-Cantel. E a vertigem voltou a possuí-los, encontraram-se novamente na estrada, batendo tamancos, empolgados: à Feutry-Cantel! Os covardes de lá deviam ser, pelo menos, uns quatrocentos; iam se divertir à grande! Situada à distância de três quilômetros, a mina ficava oculta num vale, próxima do Scarpe. Já estavam subindo a ladeira dos Gessais, para além do caminho de Beaugnies, quando uma voz na multidão aventou a ideia de que talvez a cavalaria estivesse na Feutry-Cantel. Então, de uma ponta à outra da coluna, correu o murmúrio de que a cavalaria lá estava. Uma hesitação refreou o passo da marcha, o pânico começava a soprar naquela região adormecida pelo desemprego e que pareciam percorrer havia séculos. Por que não haviam encontrado os soldados? Esta impunidade os perturbava, misturando-se à ideia da repressão que sentiam aproximar-se.

continua na página 288...
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O pai de Zola tinha 44 anos quando conheceu Émilie-Aurélie Aubert, numa de suas viagens a Paris. Apesar da grande diferença de idade — a moça não chegara aos vinte anos —, acabaram casando-se. O resultado dessa união foi Émile Zola, nascido em 12 de abril de 1840, durante uma estada do casal em Paris. O menino mal conheceu o pai: em 1847, François faleceu. 
As coisas ficaram difíceis. Sozinha e com grandes esforços, a mãe procurou equilibrar o orçamento doméstico e fazer que o filho estudasse. De certa forma, ela teve sucesso: Zola foi aluno do Colégio Notre-Dame e do Colégio de Aix. Quando o rapaz atingiu a maioridade, partiu com Émilie para Paris e, graças a um amigo da família, conseguiu um emprego na Alfândega.
Em dezembro de 1859, concluía sua primeira obra em prosa, Les Grisettes de Provence (As Costureirinhas de Provença). Continuava, porém, desconhecido e insatisfeito. Ele mesmo costumava dizer: "Ser sempre desconhecido é chegar a duvidar de si; nada engrandece os pensamentos de um autor como o sucesso".
Assim, no início de 1866, deixou o emprego para dedicar-se à literatura. 
Abandonou o romantismo de seus anos de adolescência e passou a admirar outros autores: Balzac (1799-1850), Stendhal (1783-1842), Flaubert (1821-1880). Essa guinada para o realismo devia-se principalmente às suas últimas leituras: das teorias evolucionistas de Darwin (1809-1882) até o Tratado da Hereditariedade Natural do Dr. Lucas, passando pela Filosofia da Arte de Taine (1328-1893). No entanto, o que parece tê-lo feito decidir-se pelo realismo foi a Introdução ao Estudo da Medicina Experimental (1865), de Claude Bernard (1813-1878). Essa obra foi importante para o rumo que Zola imprimiria a toda a sua obra: o rigor científico no romance, cujo objetivo, diria ele, é o mesmo das experiências de laboratório, isto é, o conhecimento da realidade. O que Claude Bernard havia feito com o corpo humano Zola faria com as paixões e os meios sociais.
Para fazer Germinal, Zola não se satisfez com a simples busca de documentos. Foi passar alguns meses numa região mineira. Morou em cortiços, bebeu cerveja e genebra nos botequins e desceu ao fundo dos poços para observar de perto o trabalho dos operários. Aos poucos foi se familiarizando com o meio onde viviam aqueles homens. Descobriu quais as principais doenças causadas pela mineração. Sentiu o problema dos baixos salários, os sacrifícios dos mineiros, a gota que cai com uma regularidade incrível sobre seus rostos, a dificuldade de empurrar um vagonete por um corredor estreito, o drama do salto na escuridão que eles têm de dar para poderem sobreviver. Numa passagem admirável, descreve a emoção de uma greve de operários. Mostra seu ódio animal. Um ódio que destrói tudo à sua passagem. Uma violência viva nos corpos que querem libertar-se, mesmo à custa da total destruição. Mostra também o amor feito sobre o carvão, os pequenos dramas das dívidas, as brigas no cortiço, a promiscuidade de pais e filhos em casas muito pequenas. A obra obteve enorme repercussão.
Em 29 de setembro de 1901, em Paris, Émile Zola morre asfixiado pelo gás do aquecedor.

Victor Hugo - Os Miseráveis: Mário, Livro Sexto - Conjunção de duas estrelas/V — Caem vários raios sobre «Mame» Bougon

Victor Hugo - Os Miseráveis

Terceira Parte - Mário

Livro Sexto — Conjunção De Duas Estrelas

     V — Caem vários raios sobre «Mame» Bougon

             No dia seguinte, mame Bougon, como Courfeyrac, que não respeitava coisa nenhuma, chamava à velha porteira principal locatária e criada do casarão Gorbeau, cujo verdadeiro nome, como já dissemos, era Madame Bougon mame Bougon, estupefata, reparou que Mário tornava a sair de casaco novo. 
     Efetivamente, o mancebo voltou ao Luxemburgo, porém não passou além do seu banco do meio da álea, no qual, como no dia antecedente, se sentou, contemplando de longe e vendo distintamente o chapelinho branco, o vestido preto e especialmente o clarão azul. Não se mexeu do lugar em que estava, recolhendo a casa somente quando se fecharam as portas do Luxemburgo. Como não tivesse visto o senhor Leblanc e sua filha retirar-se, concluiu que tinham saído pela grade que fica do lado da rua de Oeste. Passado tempo, quando tudo o que passara então lhe veio ao pensamento, não pôde, por mais que fizesse, lembrar-se onde fora jantar nesse dia.
     Ao outro dia, que era o terceiro, foi mame Bougon fulminada com terceiro raio. Mário tornou a sair com o casaco novo. 

— Três dias a fio! — exclamou ela.

     Bem tentou segui-lo para o espreitar, porém, Mário andava depressa e tinha o passo larguíssimo; era como um hipopótamo no encalço de uma cabra montês. Perdeu-o de vista, portanto, dentro de dois minutos, e recolheu-se a casa esbaforida, quase sufocada pela asma, furiosa. 

— Trazer a roupa melhor a uso e dar estafas destas à gente! — rosnou ela. — Isto só de quem não tem juízo nenhum!

     Mário caminhara em direção ao Luxemburgo.
     A jovem e o senhor Leblanc lá estavam. Mário aproximou-se-lhes o mais que lhe foi possível, fingindo ler num livro, mas ficou ainda muito longe, e foi depois sentar-se num banco, onde se demorou quatro horas, a ver saltar de um para outro lado os pardais, que pareciam zombar dele.
     Decorreram assim quinze dias. Mário ia ao Luxemburgo, não já para passear, mas para ir sentar-se no mesmo lugar, e sem saber porquê. Depois de ali chegar não se mexia. Vestia em cada dia o fato novo, apesar de não se mostrar, e recomeçava no dia seguinte. Ela era decididamente dotada de maravilhosa beleza.
     A única observação que se poderia fazer semelhante a uma crítica, era a contradição entre o olhar, que era triste, e o sorriso, que era alegre, lhe dava ao rosto um tanto ou quanto de desvairamento, o que era origem de que em certos momentos aquele meigo rosto se tornasse extraordinário, sem deixar de ser encantador.

continua na página 532...
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Victor-Marie Hugo (1802—1885) foi um novelista, poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista pelos direitos humanos francês de grande atuação política em seu país. É autor de Les Misérables e de Notre-Dame de Paris, entre diversas outras obras clássicas de fama e renome mundial.
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Segunda Parte
Os Miseráveis: Mário, Livro Sexto - V —  Caem vários raios sobre «Mame» Bougon
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Victor Hugo
OS MISERÁVEIS 
Título original: Les Misérables (1862)
Tradução: Francisco Ferreira da Silva Vieira 

sábado, 9 de maio de 2026

um mulherão e cinco homens (2)

um mulherão e cinco homens (2)

baitasar


as mães desacordam antes do sol, um desadormecer cansado, é preciso preparar o café com um sorriso apressado, muitas tarefas de cuidar e educar, Vocês não me peguem nada que não seja de vocês, o lugar de comer é em casa. Não esqueçam a merenda!

plantava sementes enquanto partes de si mesma ficava pelo caminho, um mulherão e cinco homens

a vozearia dos guris se espalhava, mauro, rogério, ricardo, rubem, o Milton já se fora para a fábrica de balanças Santo Antônio, saia nas madrugadas da manhã e voltava já noite adiantada, nós, os quatro filhos, ficávamos com a Elci, como tantos filhos e filhas, naqueles dias era assim, esse mulherão carregava sonhos que ficaram pelo caminho, fingimentos verdadeiros e verdades inventadas, rotinas de palavras doces, passos acelerados entre o tanque das roupas imundas da filharada e a cozinha da comida amorosa, no caminho, gestos escondidos nas sombras do silêncio

aquela fortaleza invisível continua planejando nossas vidas, correndo pelos nossos caminhos, mulher corajosa, amorosa, determinada, suportando nossas partes de esperança em silêncio, não reclamava, uma peregrinação sem tréguas para cumprir no tempo das horas essa combinação silenciosa de entrega e desassombro, cuidando da febre e dos medos, entre sua angústia e cansaço, não desistiu

não aceitou deixar seus filhos num calabouço com pão, água e sem escola, queria mais, não desistiu, Vocês vão pra escola, e pronto! Não quero escutar queixas da professora, entenderam? Quando saírem da escola vão saber que valeu a pena.

nunca, durante esse tempo de guri, me perguntei como se impunha forçar ombros e pernas para alicerçar e escorar nossa pequena família de homem e guris, uma tarefa cumprida no dia-a-dia, de domingo à domingo, exigindo de si mesma mais e mais, cada vez mais

nunca foi um ensaio, sempre foi para valer, muitas vezes, com lágrimas e olhar desenxabido

o tempo do nosso desmame era inevitável, tínhamos sentimentos amontoados e desencontrados, cada um no seu tempo e do seu jeito, desgrudando sem soltar, sem mau humor, gritarias, choro ou culpa, em silêncio, uma outra vida cheia de surpresas vivendo do jeito que dá, o abraço no lugar do colo

continuo me permitindo sentir saudade, o amor que tenho e o beijo doce na boca alimentam lembranças de contentamento, mesmo que o tempo da tristeza não passe, preciso chegar em casa, esquecer sem esquecimento e sempre com a necessidade da proximidade do perfume do café passado, o aroma do pão fresco, o leite derramando na fervura, sentindo a ventania do nosso amor que ela transformava em brisa

sim, ela continua em nós

te amo, mãe

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um mulherão e cinco homens (2)

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Cinema: Quilombo

Um símbolo da resistência negra contra a escravidão


"Num engenho de Pernambuco, por volta de 1650, um grupo de escravizados se rebela e ruma ao Quilombo dos Palmares, onde existe uma nação de ex-escravizados fugidos que resiste ao cerco colonial, entre eles Ganga Zumba, um príncipe africano. Tempos depois, seu herdeiro e afilhado, Zumbi, contesta as ideias conciliatórias de Ganga Zumba (Príncipe) e enfrenta o maior exército jamais visto na história colonial brasileira"






"Filme de 1984 dirigido por Cacá Diegues, baseado nos livros Ganga Zumba, de João Felício dos Santos e Palmares, de Décio de Freitas. Nos primórdios de nossa civilização, os negros africanos trazidos pelos portugueses para o trabalho escravo nas plantações de cana-de-açúcar, que não suportavam os maus tratos dos senhores, fugiam para o interior do país e se organizavam em comunidades. A mais famosa foi a do Quilombo dos Palmares, cuja história é contada nesse filme. Nesse Quilombo não havia só negros escravizados fugitivos, mas, índios e brancos que eram perseguidos ou estavam insatisfeitos com a vida que levavam na Colônia. Ganga Zumba (Toni Tornado) é o líder; o rei da comunidade. Dandara (Zezé mota) é sua mulher; Zumbi (Antônio Pompeo) e Ana Ferro (Vera Fischer). Quatro importantes personagens desse filme de dramaticidade. Uma aula dada por Cacá Diegues sobre um dos mais sombrios e lindos episódios de nossa história. Um elenco brilhante, conta com Jofre Soares, Camila Pitanga, Antônio Pitanga, Jonas Bloch, Milton Gonçalves, Dona Zica (ela mesma, esposa de Cartola), Daniel Filho, Maurício do Valle, Toni TOrnado, João Nogueira entre outros. Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes e premiado no Festival de Miami 1984 (EUA)."

É um filme de coprodução brasileira e francesa de 1984, do gênero drama.

Direção
Carlos Diegues

Roteiristas
Carlos Diegues
João Felicio dos Santos
Décio Freitas

Elenco
Bené Batista como Ibualama/Xangô
Jonas Bloch  como Samuel
Zózimo Bulbul como Homem de Pedra
Emmanuel Cavalcanti como Lins
Arduíno Colassanti como Blaer
Jorge Coutinho como Salé
Babaú da Mangueira
Roberto de Cleto como Padre Mello
Chico Díaz como Anunciação
Aniceto do Império
Maurício do Valle como Dominingos Jorge Velho
Sabrina Fidalgo
Daniel Filho como Fernão Carrilho
Jorge Fino como Iabu
Vera Fischer como Ana de Ferro
Léa Garcia
Milton Gonçalves como Escravo moribundo
Thiago Justino como Tité
Markus Konká como Katambo
Carlos Kroeber como Tourinho
Carlos Lagoeíro como André Tourunho
Swami Leeladahar como Bernardo
Wilson Macalé como Cabinda/Xangô
Eduardo Machado
Sergio Maia como Teodoro
Scarlet Moon
Luis Motta como Bezerra
Zezé Motta como Dandara
Kim Negro como Homem do Milho
João Nogueira como Rufino
Waldir Onofre como Henchman
Grande Otelo como Babá
José Márcio Passos como Vicente
Paulão como Lua Lua
Antônio Pitanga como Acaiuba
Camila Pitanga como Menina
Ruy Polanah como Navarro
Antônio Pompêo como Zumbi
Thelma Reston como Mrs. Olímpia
Alaide Santos como Acotirene
Namba Santos como Namba
Adalberto Silva como Aroroba
Evandro Rocha como Professor
Embaixador como Congo
Regina Rocha como Gongoba
Márcio Alexandre como Henrique
Eduardo Silva como Camuanga
Victor Cantero como Mágico
Delanir Cerqueira como Indegro
Joel Silva como Tolentino
Jofre Soares como Canindé
Sandro Solviatti como Capitão do mato
Paulo Henrique Souto como Padeiro
Tony Tornado como Ganga Zumba
Dona Zica do Cartola

Música
Gilberto Gil
Waly Salomão 



Zumbi e a Consciência Negra 
- Eduardo Bueno




A Morte e a Donzela / Vá e Veja / Elas por Elas / O Samurai Corvo Errante / O Caso Collini / Meu Vizinho Adolf /
O Vento Silencioso da Montanha / Eles Não Usam Black Tie / O Homem Que Copiava / 
Sonata de Outono / Música da Alma / No Fim do Arco-Íris / Vidas Secas / O som ao redor /
A Estrada da Vida / Fuga pela Fronteira / Os Invisíveis / Depois de Horas / Jovens Mães /
O Carteiro e o Poeta / Sonhos / 1900 / Dersu Uzala / Hamnet (Trailer) / Vinhas da Ira / O Leitor / A Surpresa /
Kagemusha: O Guerreiro das Sombras / Blow Up / Profissão: Repórter / Rebecca: A Mulher Inesquecível /
O Assalto do Trem Pagador / Interlúdio / O Espírito da Colmeia / A Onda / Nouvelle Vague / Ensaio sobre a cegueira /
Barrabás / O Baile / Ladrões de bicicleta / Vlado - 30 anos depois / Morangos Silvestres / 1984 / 
Quilombo /  
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Zumbi (A Felicidade Guerreira)




Zumbi (A Felicidade Guerreira) · Gilberto Gil
Quilombo (Original Motion Picture Soundtrack)
℗ 1984 Warner Music Brasil Ltda.
Produtor: Gilberto Gil
Vocal: Gilberto Gil
Produtor: Liminha
Compositor: Gilberto Gil


Quilombo, o eldorado negro - Gilberto Gil 
| (Quilombo - Cacá Diegues - 1984)



Cenas de "Quilombo", de Cacá Diegues, com a versão da música "Quilombo, o eldorado negro", presente no início do filme e não no álbum da trilha sonora.


é só deixar rolar a trilha sonora do filme