terça-feira, 1 de setembro de 2026

Marcel Proust - A Prisioneira (Se minha vida com Albertine)

em busca do tempo perdido

volume V
A Prisioneira

continuando...

      Se minha vida com Albertine devia impedir-me de ir a Veneza, de viajar, pelo menos eu teria podido, há pouco, se estivesse sozinho, conhecer as jovens midinettes espalhadas ao sol daquele belo domingo e em cuja beleza eu colocava uma grande parte da vida desconhecida que as animava. Os olhos que vemos não estão inteiramente penetrados por um olhar cujas imagens, lembranças, expectativas, desdéns não conhecemos e dos quais não os podemos separar? Essa existência, que é a da criatura que passa, não haverá de dar, conforme ela seja, um valor variável ao franzir das sobrancelhas, à dilatação das narinas? A presença de Albertine me impedia de ir ter com elas e talvez, desse modo, de cessar de desejá-las. Aquele que quer manter em si mesmo o desejo de continuar a viver e a crença em algo mais delicioso que as coisas costumeiras, deve passear; pois as ruas e as avenidas estão cheias de Deusas. Mas as Deusas não permitem que nos aproximemos delas. Aqui e ali, entre as árvores, à entrada de qualquer botequim, uma criada velava como uma ninfa à entrada de um bosque sagrado, enquanto que ao fundo três moças estavam sentadas junto ao imenso arco de suas bicicletas colocadas a seu lado, como três imortais debruçadas da nuvem ou do fabuloso corcel sobre o qual realizavam suas viagens mitológicas. Reparei que de cada vez que Albertine encarava aquelas moças por um instante, com profunda atenção, logo se voltava para mim. Mas eu não me atormentava muito nem com a intensidade dessa contemplação, nem com a brevidade que a intensidade compensava; de fato, quanto a esta última; ocorria muitas vezes que Albertine, fosse por cansaço, fosse por maneira de olhar própria de pessoa atenta, considerava assim, numa espécie de meditação, seja meu pai ou seja Françoise; e, quanto à sua rapidez em voltar-se para mim, podia ser motivada pelo fato de que Albertine, conhecendo minhas suspeitas, podia querer, mesmo não sendo justificadas, evitar provocá-las. Aliás, essa atenção, que teria me parecido culposa da parte de Albertine (e tanto quanto o seria se tivesse por objeto os rapazes), eu a dava, sem me sentir absolutamente culpado - e achando que Albertine o era por me impedir, com sua presença, de parar e descer-, a toda às midinettes. A gente acha inocente desejar e atroz que o outro deseje. E esse contraste entre o que diz respeito, ou a nós ou então àquela a quem amamos, não se refere unicamente ao desejo, mas também à mentira. Haverá coisa mais usual que ela, quer se trate, por exemplo, de encobrir as fraquezas diárias de uma saúde que se deseja impingir como boa, quer se trate de dissimular um vício, ou de ir, sem causar mágoa a outrem, à coisa que se prefere? A mentira é o instrumento mais necessário de conservação, e o mais utilizado. Ora, justo ela que temos a pretensão de banir da vida daquela a quem amamos, é ela que espionamos, é ela que farejamos, que detestamos por todo canto. Ela nos perturba, é bastante para provocar um rompimento, parece esconder as maiores faltas, a menos que não as esconda tão bem que não as suspeitemos. Estranho estado esse em que ficamos de tal modo sensíveis a um agente patogênico que a sua difusão universal torna inofensivo para os outros e tão grave para o infeliz que acaba por não ter mais imunidade contra ele! A vida dessas lindas jovens (devido a meus longos períodos de reclusão, eu as encontrava tão raramente) me parecia, como se dá com todos aqueles a quem a facilidade de realizações não amorteceu a potência de conceber, algo tão diverso do que eu conhecia, tão desejável, como as mais maravilhosas cidades que a viagem promete. A decepção causada pelas mulheres que eu conhecera, nas cidades aonde fora, não me impedia de me deixar levar pela atração de outras e de crer na sua realidade. 
     Assim, da mesma forma que ver Veneza - Veneza, de quem eu sentia também a nostalgia naqueles dias primaveris e que o casamento com Albertine me impediria de conhecer - ver Veneza num panorama que Ski talvez tivesse declarado ser mais belo de tonalidade que a cidade real, em nada me teria substituído a viagem a Veneza, viagem cuja distância, determinada sem minha participação, parecia me indispensável transpor da mesma forma, por mais bonita que fosse a midinette que uma alcoviteira me obtivesse artificialmente, não poderia em nada substituir, para mim, aquela que, rebolando os quadris, passava naquele instante sob as árvores, rindo com uma amiga. A que eu pudesse ter encontrado num bordel, ainda que fosse mais bonita, não seria a mesma coisa, pois não olhamos para os olhos de uma garota que não conhecemos como o faríamos para uma plaqueta de opala ou de ágata. Sabemos que o pequeno raio de luz que os irisa ou os grãos de brilhante que os fazem cintilar são tudo o que podemos ver de um pensamento, de uma vontade, de uma memória, onde residem a casa de família que não conhecemos, os amigos queridos que invejamos. Chegara apossar-nos de tudo isso, que é tão difícil, tão arisco, é o que dá ao olhar o seu valor, muito mais do que a simples beleza material (pelo que se pode explicar que um rapaz desperte todo um romance na imaginação de uma mulher que ouviu dizer que ele era o príncipe de Gales, e que não lhe dê mais atenção ao saber que se enganou); encontrar a midinette no bordel é encontrá-la vazia dessa vida ignorada que a penetra, e que aspiramos possuir com ela, é nos aproximarmos de olhos que de fato se tornaram simples pedras preciosas, de um nariz cujo franzir é tão destituído de significado como o de uma flor. Não, essa midinette desconhecida que ali passava, e da qual me parecia tão indispensável, se eu quisesse continuar a crer na sua realidade, experimentar-lhe as resistências adaptando-lhes o meu procedimento, arriscando-me a ouvir desaforos, voltando à carga, obtendo um encontro, esperando-a à saída do emprego, conhecendo episódio por episódio tudo o que compunha a vida dessa garota, atravessando aquilo de que se formava para ela o prazer que eu procurava e a distância que seus hábitos diversos e sua vida especial colocavam entre mim e a atenção, o favor que eu queria atingir e captar quanto fazer uma longa viagem de trem se eu quisesse acreditar na realidade de Pisa, que eu veria e que não seria apenas um espetáculo de exposição universal. Mas as próprias semelhanças que existem entre o desejo e a viagem fizeram com que eu prometesse a mim mesmo penetrar um pouco mais fundo na natureza dessa força invisível mas tão poderosa como as crenças, ou como, no mundo físico, a pressão atmosférica, que erguia tão alto as cidades, as mulheres, enquanto eu não as conhecia, e que se ocultava debaixo delas logo que eu me aproximava, fazendo-as desabar repentinamente no terra-a-terra da mais trivial realidade. Mais adiante, uma outra mocinha estava de joelhos junto a sua bicicleta, consertando-a. Uma vez terminados os reparos, a jovem ciclista montou na bicicleta, mas sem cavalgá-la como o teria feito um homem. Por um momento a bicicleta balançou, e o jovem corpo parecia ter adquirido um véu, uma asa imensa, e logo vimos afastar-se a toda velocidade a jovem criatura meio humana, meio alada, anjo ou perl prosseguindo a sua viagem.
     Eis do que exatamente me privava a presença de Albertine, a minha vida com Albertine. Do que me privava? Não deveria eu pensar do que, ao contrário, ela me gratificava?
     Se Albertine não vivesse comigo, se ela fosse livre, eu teria imaginado, e com razão, todas essas mulheres como objetos possíveis e prováveis do seu desejo, do seu prazer. Elas me apareceriam todas como essas dançarinas que, num balé diabólico, representando as Tentações para uma pessoa, atiram suas flechas no coração de outra. As midinettes, as moças, as atrizes, como as teria odiado! Objeto de horror, seriam excluídas por mim da beleza do universo. O cativeiro de Albertine, permitindo-me não mais sofrer por causa delas, restituía-as à beleza do mundo.
     Inofensivas, tendo perdido o aguilhão que enfia no coração o ciúme; era-me permitido admirá-las, afagá-las com o olhar, talvez mais intimamente em outro dia. Encerrando Albertine, eu ao mesmo tempo devolvera ao universo todas aquelas asas reluzentes que sussurravam nas avenidas, nos bailes, nos teatros, e que se tornavam tentadoras para mim porque ela já não podia sucumbir à sua tentação: Elas compunham a beleza do mundo. Tinham feito antigamente a de Albertine. Porque a vira como um pássaro misterioso, depois como uma grande atriz da praia, desejada, talvez conquistada, é que eu a achara maravilhosa. Uma vez cativo em minha casa o pássaro que eu tinha visto uma tarde caminhar a passos vagarosos sobre o molhe, cercado da congregação das outras jovens semelhantes à gaivotas vindas não se sabe de onde, Albertine perdera todas as suas cores, com todas as chances que os outros tinham de a possuir. Aos poucos perdera a sua beleza. Eram necessários passeios como este, em que eu a imaginava sem mim, abordada por tal mulher ou tal rapaz, para que eu a revisse no esplendor da praia, ainda que o meu ciúme estivesse num plano diverso do que o declínio dos prazeres de minha imaginação. Mas, apesar desses bruscos sobressaltos em que, desejada por outros, ela se me tornava bela outra vez, eu bem podia dividir sua temporada em minha casa em dois períodos: o primeiro, em que ela era ainda, embora menos a cada dia, a reluzente atriz da praia; e o segundo, em que, transformada na sombria prisioneira, reduzida a seu eu amortecido, eram-lhe precisos esses clarões, em que eu me recordava do passado, para lhe restituir as cores.
     Às vezes, nas horas em que ela me era mais indiferente, voltava-me a lembrança de um momento longínquo em que, na praia, quando ainda não a conhecia, não longe de certa senhora com quem eu estava em muito maus termos e com a qual agora estava quase seguro de que ela tivera relações, Albertine desatava a rir, olhando-me de modo insolente. O mar, brunido e azul, sussurrava em torno; ao sol da praia, Albertine, no meio de suas amigas, era a mais bela, era uma garota magnífica, que, no quadro habitual de águas imensas, infligira-me aquela afronta, preciosa para a dama que a admirava. Tal afronta era definitiva, pois a dama talvez voltasse a Balbec, talvez constatasse a ausência de Albertine na praia luminosa e sussurrante. Ignorava, porém, que a moça vivia em minha casa, só para mim. As águas imensas e azuis, o esquecimento das preferências que tinha por esta moça e que se dirigiam a outras, haviam recaído sobre a afronta que me fizera Albertine, prendendo-a num deslumbrante e infrangível escrínio. Então o ódio por aquela mulher me mordia o coração; também por Albertine, mas um ódio mesclado de admiração pela bela jovem adulada, de maravilhosa cabeleira, e cujo estalar de riso na praia era uma afronta. A vergonha, o ciúme, a recordação dos primeiros desejos e do quadro cintilante haviam devolvido a Albertine a sua beleza, o seu valor de outrora. E assim alternava, com o tédio um tanto pesado que eu sentia junto dela, um desejo fremente, cheio de imagens magníficas e saudades, conforme ela estivesse a meu lado no quarto, ou eu lhe restituísse a liberdade em minha memória, no molhe, em seus alegres trajes de praia, ao sabor dos instrumentos de música do mar. Albertine, ora saída desse ambiente, possuída e sem grande valor, ora mergulhada nele, escapando-me num passado que eu não poderia conhecer, ofendendo-me junto àquela senhora, junto da amiga, tanto quanto o salpico das ondas ou a ofuscação do sol, Albertine recolocada na praia ou reposta no meu quarto, numa espécie de amor anfíbio.
     Além, um grupo numeroso jogava bola. Todas essas meninas tinham querido aproveitar o sol, pois esses dias de fevereiro, mesmo quando são tão brilhantes, não duram até tarde, e o esplendor de sua luz não atrasa a vinda de seu declínio. Antes que este chegasse, tivemos um pouco de penumbra, porque, depois de descer até o Sena, onde Albertine admirou -e com sua presença me impediu de admirar os reflexos de velas vermelhas sobre a água azul e invernal, uma casa de telhas acocorada ao longe como uma única papoula no claro horizonte de que Saint-Coud parecia, mais longe ainda, a petrificação fragmentária, friável e cheia de pregas, saltamos do carro e caminhamos por muito tempo. Durante alguns momentos eu até lhe dava o braço, e parecia-me que o anel que o seu braço fazia sob o meu unia numa só criatura nossas pessoas e ligava nossos destinos um ao outro. A nossos pés, nossas sombras paralelas, mais juntas e aproximadas, formavam um desenho encantador. Sem dúvida já me parecia maravilhoso em casa que Albertine morasse comigo, que fosse ela quem se estendesse em minha cama.
     Mas era como a exportação para fora, em plena natureza, que diante daquele lago de Bois, de que eu tanto gostava, ao pé das árvores, que fosse justamente a sua sombra, a sombra pura e simplificada de sua perna, de seu busto, que o sol tivesse de pintar numa aquarela, ao lado da minha, sobre a areia da alameda. E eu achava um encanto, mais imaterial sem dúvida, porém não menos íntimo, na aproximação, na fusão de nossas sombras do que na de nossos corpos. Depois voltamos para o carro. E este tomou por pequenas alamedas sinuosas onde as árvores de inverno, vestidas de heras e de sarças, como ruínas, pareciam levar à casa de um mágico. Mal saímos de sua cobertura ensolarada, encontramos, para deixar o Bois; o dia claro, tão claro ainda que eu julgava ter tempo de fazer tudo o que desejava antes de jantar, quando, só alguns instantes depois, no momento em que nosso carro se aproximava do Arco do Triunfo, foi com um brusco movimento de surpresa e pavor que avistei, sobre Paris, a lua cheia e prematura, como o mostrador de um relógio parado que nos faz pensar que estamos atrasados. Tínhamos dito ao cocheiro que voltasse para casa. Para Albertine, era também voltar para a minha casa. A presença das mulheres que precisam nos deixar para regressar a casa, por mais amadas que sejam, não nos dá essa paz que eu desfrutava na presença de Albertine, sentada no fundo do carro a meu lado, presença que nos encaminhava; não ao vazio das horas em que se fica separado, mas à reunião mais estável ainda e melhor definida dentro do meu lar, que também era o seu símbolo material do meu poder sobre ela. É claro que, para possuir, é preciso ter desejado. Não passamos uma linha, uma superfície, um volume, sem que nosso amor o ocupe. Mas Albertine não fora para mim, durante nosso passeio, como Rachel o fora antigamente, uma poeira vã de carne e tecidos. A imaginação de meus olhos, de meus lábios, de minhas mãos, tinha, em Balbec, tão solidamente construído e tão ternamente cinzelado o seu corpo, que agora naquele carro, para tocar esse corpo, por contê-lo, eu não tinha necessidade de me apertar contra Albertine, nem mesmo vê-la, bastava-me ouvi-la, e, se ela se calava, sabê-la junto a mim; meus sentimentos retrançados envolviam-na inteirinha e, quando, chegando em frente da casa, ela desceu com toda a naturalidade, eu parei um instante para dizer ao chofer que voltasse para me buscar, mas meus olhares ainda a envolviam, enquanto ela desaparecia sob o arco, e era sempre essa mesma calma inerte e doméstica o que eu desfrutava ao vê-la assim pesada, purpúrea, opulenta e cativa, entrar naturalmente em casa comigo, como uma mulher que fosse minha, e, protegida pelos muros, desaparecerem nossa casa.
     Infelizmente, ela parecia sentir-se prisioneira e ser da opinião daquela Sra. de La Rochefoucauld, que, como lhe perguntassem se não estava contente por viver numa residência tão bonita como Liancourt, respondeu que "não existe uma bela prisão", a julgar pelo ar tristonho e cansado que exibiu aquela noite durante o jantar, nós dois sozinhos no seu quarto. A princípio não reparei nisso; e eu é que fiquei desolado ao pensar que, se não fosse Albertine (pois com ela eu teria de morrer de ciúmes num hotel onde ela ficaria o dia todo em contato com tantas pessoas), poderia naquele instante estar jantando em Veneza, numa daquelas pequenas salas de jantar de teto rebaixado como um porão de navio, e de onde se vê o Grande Canal através de janelinhas arqueadas em molduras mouriscas.
     Devo acrescentar que Albertine admirava muito, em nossa casa, um grande bronze de Barbedienne, que com muita razão Bloch achava extremamente feio. Tinha-a menos talvez de se admirar que eu o conservasse. Eu jamais buscara, como ele, fazer um conjunto de mobílias artísticas, compor peças, era preguiçoso demais para isso, muito indiferente ao que estivesse habituado a ter diante dos olhos. Já que o meu gosto não se preocupava, eu tinha o direito de não matizar os interiores. Apesar disso, poderia talvez me desfazer do bronze. Mas as coisas feias e extravagantes são utilíssimas, pois têm, junto às pessoas que não nos compreendem, que não têm o nosso gosto, e das quais podemos estar enamorados, um prestígio que não teria uma peça ilustre que não revela a sua beleza. Ora, as pessoas que não nos compreendem são justamente as únicas junto às quais pode nos ser útil usar de um prestígio diante de criaturas superiores apenas por sermos inteligentes. Por mais que Albertine principiasse a ter um certo gosto, ela ainda mostrava algum respeito por aquele bronze; e esse respeito se refletia sobre mim numa consideração que, vindo dela, importava-me infinitamente mais do que conservar um bronze um tanto desonroso, visto que amava Albertine.
     Mas a ideia da minha escravidão cessou de repente de me pesar, e eu aspirava a prolongá-la ainda mais, pois parecia-me perceber que Albertine sentia cruelmente a sua. Sem dúvida, cada vez que eu lhe perguntava se não se aborrecia em minha casa, dizia-me sempre que não sabia onde poderia ser mais feliz. Muitas vezes, porém, tais palavras eram desmentidas por um ar de nostalgia, de nervosismo.
     Certamente, se ela tivesse os gostos que eu julgara que possuísse, esse impedimento de jamais satisfazê-los deveria ser tão irritante para ela como tranquilizador para mim; tranquilizador a ponto de que a hipótese de que a acusara injustamente teria me parecido a mais verossímil, se nela não encontrasse muita dificuldade em explicar aquele cuidado extraordinário que Albertine punha em nunca estar sozinha, nunca estar livre, em nunca parar um momento diante da porta ao entrar, em se fazer acompanhar ostensivamente, cada vez que ia telefonar, por alguém que pudesse me repetir as suas palavras, por Françoise, por Andrée, em me deixar sempre sozinho com esta última, sem dar a impressão que fosse de propósito quando tinham saído juntas, para que eu pudesse obter um relatório minucioso de sua saída. Com essa maravilhosa docilidade, contrastavam certos movimentos de impaciência, logo reprimidos, que me fizeram especular se Albertine não teria formado o projeto de romper as cadeias. Alguns fatos acessórios apoiavam minha suposição. Assim, um dia em que eu saíra sozinho, tendo encontrado Gisele perto de Passy, conversamos de uma coisa ou outra.
     Em pouco, muito feliz de poder informá-la, disse-lhe que via Albertine constantemente. Gisele me perguntou onde poderia encontrá-la, pois tinha justamente uma coisa a lhe dizer.

- O que é? 
- Coisas das amiguinhas dela. 
- Que amiguinhas? Eu podia talvez lhe informar, o que não impediria que você a procurasse depois. 
- Oh, amigas de antigamente; não me recordo os seus nomes - respondeu Gisele com um ar vago, batendo em retirada.

     Deixou-me, julgando ter falado com tanta prudência que tudo só me poderia parecer bem claro. Mas a mentira é tão pouco exigente, necessita de tão pouco para se manifestar! Se se tratasse de amiguinhas de antigamente, de quem ela nem mesmo recordava os nomes, por que precisaria justamente falar delas a Albertine? Este advérbio, bem parecido a uma expressão cara à Sra. Cottard: "isso vem a calhar" - só podia aplicar-se a uma coisa especial, oportuna, talvez urgente, referindo-se a pessoas determinadas. Aliás, nada como a forma de abrir a boca, como quando se vai bocejar, com um ar vago ao me dizer (e quase recuando com o corpo, desde que dava marcha a ré a partir daquele momento na nossa conversa): 

- Ah, não sei, não me lembro dos seus nomes - para fazer de seu rosto e, combinado com ele, da sua voz, um rosto de mentira, da mesma forma que o ar bem diverso, conciso, animado, indiscreto do "tinha justamente", significava uma verdade. Nada mais perguntei a Gisele. De que adiantaria? Certo, ela não mentia da mesma maneira que Albertine.

     E evidentemente as mentiras desta me doíam mais. Porém havia entre elas um ponto comum, o próprio fato da mentira que, em certos casos, é uma evidência. Não da realidade que se oculta sob essa mentira. Sabemos que, embora cada assassino em particular pense ter, realizado tão bem o seu trabalho que nunca será descoberto, ele é quase sempre é capturado. Contrariamente, os mentirosos raramente são apanhados e, entre eles; mais especialmente as mulheres que amamos. Ignoramos aonde ela foi, o quê andou fazendo lá, mas, no momento mesmo em que ela fala, quando fala de outra coisa sob a qual está o que ela não diz, a mentira é logo descoberta. E o nosso ciúmes redobra, pois percebemos a mentira e não chegamos a conhecer a verdade. Em Albertine, a sensação da mentira era dada por diversas particularidades que já vimos no decorrer desta narrativa, mas principalmente pelo fato de que, ao mentir, o seu relato pecava ou por insuficiência, omissão, inverossimilhança, ou, ao contrário, por excesso de pequenos fatos destinados a torná-lo verossímil. O verossímil, apesar do que o mentiroso imagina, não é de modo algum a verdade. Quando, ao se ouvir alguma coisa verdadeira, escuta-se algo que é apenas verossímil, que o é talvez mais que a verdade, que o é talvez demais, o ouvido um tanto musical sente que não é exatamente aquilo, como se dá com um verso errado, ou uma palavra lida em voz alta por outra pessoa. O ouvido o sente e, se amamos, o coração se alarma. Por que não considerarmos então, quando mudamos toda a nossa vida por não sabermos se uma mulher passou pela rua de Berri ou pela rua Washington, por que não considerarmos que esses poucos metros de diferença, e a própria mulher, serão reduzidos a um centésimo milionésimo de seu tamanho (isto é, a uma grandeza que não podemos distinguir), para isso bastando-nos ter a prudência de ficar alguns anos sem ver tal mulher, e o que era um Gulliver, em bem maiores proporções, se tornará uma liliputiana que nenhum microscópio-ao menos o do coração, pois o da memória indiferente é mais poderoso e menos frágil-terá condições de perceber. Seja como for, se havia um ponto em comum -a própria mentira-entre as de Albertine e de Gisele, esta, contudo, não mentia da mesma forma que Albertine, tampouco da mesma maneira que Andrée, mas suas respectivas mentiras se encaixavam tão bem umas nas outras, apresentando sempre grande variedade, que o pequeno grupo exibia a solidez impenetrável de certas firmas comerciais, de livraria ou de imprensa por exemplo, onde o infeliz autor jamais há de chegar a saber, a despeito da diversidade das personalidades componentes, se está sendo logrado ou não. O diretor do jornal ou da revista mente com uma atitude de sinceridade tanto mais solene quanto precisa dissimular em várias ocasiões que faz exatamente a mesma coisa, e se entrega às mesmas práticas mercantis que condena em outros diretores de jornal ou de teatro, em outros editores, quando tomou partido, erguendo contra eles o estandarte da Sinceridade. O fato de ter proclamado (como chefe de um partido político, como qualquer coisa) ser atroz mentir, obriga na maioria das vezes a mentir mais que os outros, sem por isso abandonar a máscara solene, nem depor a tiara augusta da sinceridade. O sócio do "homem sincero" mente de outra forma e de modo mais ingênuo. Engana o autor como engana a mulher, com truques de vaudeville. O secretário da redação, homem honesto e grosseiro, mente com simplicidade, como o arquiteto que nos promete que nossa casa ficará pronta numa ocasião em que ela nem sequer estará começada. O redator-chefe, alma angélica, rodopia entre outros três, e, sem saber de que se trata, leva-lhes, por escrúpulo fraterno e carinhosa solidariedade, o auxílio precioso de uma palavra insuspeita.
     Estes quatro personagens vivem em constantes dissensões que a chegada do autor faz cessar. Acima das rixas particulares, cada qual se lembra do grande dever militar devida em ajuda ao "corpo" ameaçado. Sem o perceber, eu há muito vinha exercendo o papel desse autor diante do "pequeno grupo". Se Gisele havia pensado, ao dizer "justamente", em determinada amiguinha de Albertine disposta a viajar com ela desde que minha amiga, sob qualquer pretexto, deixasse-me, e em avisar Albertine de que era chegada a hora, ou que em breve chegaria, teria preferido deixar-se fazer em pedaços a dizê-lo. Então, era de todo inútil fazer-lhe perguntas.
     Encontros como os de Gisele não eram os únicos a acentuar as minhas dúvidas. Por exemplo, eu admirava as pinturas de Albertine. E estas, distrações comoventes da cativa, impressionaram-me tanto que lhe dei meus parabéns. 

- Não, são muito ruins, e eu nunca tive uma aula sequer de desenho. 
- Mas certa noite, em Balbec, você me disse que tinha ficado para ter uma aula de desenho.

     Lembrei-lhe o dia e falei que entendera logo que não se davam lições de desenho àquela hora.
     Albertine enrubesceu. 

- É verdade -disse -, eu não tomava lições de desenho, menti muito para você a princípio, isto eu reconheço. Mas não minto mais. - 

     Eu tanto quisera saber quais eram as numerosas mentiras do princípio! Mas de antemão sabia que suas confissões seriam novas mentiras. Assim, limitei-me a beijá-la. Perguntei-lhe apenas qual era uma dessas mentiras. Respondeu: 

- Por exemplo: sim, que o ar marinho me fazia mal. - 

     Deixei de insistir diante daquela má vontade.

continua na página 75...
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Leia também:

Volume 1
Volume 2
Volume 3
Volume 4
Volume 5
A Prisioneira (Prefácio)
A Prisioneira (Se minha vida com Albertine)


Por que é tão difícil ler EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO, de Marcel Proust?




Boa noite, Clássicas... L'Inverno - Vivaldi

Antonio Lucio Vivaldi

4 de março de 1678 – 28 de julho de 1741

A versão original do Concerto para violino e cordas em Fá menor, "Inverno" (L'Inverno, RV 297), de Vivaldi, é a melhor! Com Cynthia Miller Freivogel (violino barroco) e o premiado grupo de música antiga Voices of Music.

O fim do inverno se aproxima, e nada melhor do que reverenciar essa estação com Vivaldi. Em L’Inverno, ele traduz o frio cortante, o vento que açoita e a quietude gelada em música, conduzindo o ouvinte por uma paisagem sonora que oscila entre a dureza da estação e a promessa de renovação, o movimento que transforma frio, vento, rigidez e depois alívio em música. À medida que o inverno se despede, sua obra nos lembra da beleza que existe até nos dias mais frios.





Voices of Music e os instrumentos deste vídeo:
Hanneke van Proosdij e David Tayler, diretores
Maria Caswell, viola barroca, anônima, Mittenwald, c. 1800
Cynthia Miller Freivogel, violino barroco de Johann Paul Schorn, Salzburgo, Áustria, 1715
Lisa Grodin, violino barroco de Paulo Antonio Testore, Milão, Itália, 1736
Katherine Heater, órgão barroco de Winold van der Putten, Finsterwolde, Países Baixos, 2004 (baseado em instrumentos do norte da Alemanha do início do século XVIII)
Carla Moore, violino barroco de Johann Georg Thir, Viena, Áustria, 1754
Maxine Nemerovski, violino barroco de Joseph Gaffino, Paris, 1769
Farley Pearce, violone de George Stoppani, Manchester, 1985 (baseado em Amati, 1560)
Hanneke van Proosdij, cravo italiano de manual único de Johannes Klinkhamer, Amsterdã, 2000 (baseado em Cristofori, Florença, c. 1725)
Elisabeth Reed, violoncelo barroco, anônimo, 1673
David Tayler, arquialaúde de Andreas von Holst, Munique, 2012
(baseado em Magno Tieffenbrucker, Veneza, c. 1610)
Tanya Tomkins, violoncelo barroco, Lockey Hill, Londres, Inglaterra, 1798
Gabrielle Wunsch, violino barroco de Lorenzo Carcassi, Florença, Itália, 1765


Vivaldi não foi apenas um compositor prolífico; ele moldou a linguagem musical do início do século XVIII. Sua influência se espalhou pela Europa enquanto ele ainda estava vivo, afetando desde a técnica violinista até a própria forma do concerto.

Durante sua vida, suas obras circularam amplamente graças a editores de cidades como Amsterdã, que publicaram seus concertos. Isso fez com que músicos da França, Alemanha, Holanda, Itália e Áustria estudassem e imitassem seu estilo.

Johann Sebastian Bach, por exemplo, transcreveu vários concertos de Vivaldi para teclado e órgão, absorvendo sua clareza formal e energia rítmica.

Jovens compositores viam nele um modelo de modernidade.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Augusto dos Anjos - As Scismas do Destino III

Augusto dos Anjos

EU 

Á MEMORIA DE MEU PAE

Á minha Mãe — Cordula C. R. dos Anjos
Á minha Mulher — Esther Fialho R. dos Anjos
Á minha filhinha — Gloria
Aos meus irmãos


As Scismas do Destino

 III

«Homem! por mais que a Idéa desintegres, 
Nessas perquisições que não têm pausa, 
Jamais, magro homem, saberás a causa 
De todos os phenómenos alegres!

Em vão, com a bronca enxada árdega, sondas
A estéril terra, e a hyalina lâmpada ôca, 
Trazes, por perscrutar (oh! sciencia louca!) 
O conteúdo das lagrimas hediondas.

Negro e sem fim é esse em que te mergulhas 
Lugar do Cosmos, onde a dôr infrene 
E' feita como é feito o kerosene 
Nos recôncavos húmidos das hulhas! 

Porque, para que a Dor perscrutes, fora 
Mister que, não como és, em synthese, antes 
Fosses, a reflectir teus semelhantes, 
A própria humanidade soffredôra! 

A universal complexidade é que Ella 
Comprehende. E si, por vezes, se divide, 
Mesmo ainda assim, seu te do não reside 
No quociente isolado da parcella!  

Ah ! Como o ar immortal a Dôr não finda ! 
Das papillas nervosas que ha nos tactos 
Veio e vai desde os tempos mais transactos 
Para outros tempos que hão de vir ainda ! 

Como o machucamento das insomnias 
Te estraga, quando toda a estuada Idéa 
Dás ao soffrego estudo da nymphéa 
E de outras plantas dicotyledoneas!

A diaphana água alvissima e a hórrida áscua 
Que da ignea flamma bruta, estriada, espirra; 
A formação molecular da myrrha, 
O cordeiro symbolico da Paschoa;

As rebelladas cóleras que rugem 
No homem civilisado, e a elle se prendem 
Como ás pulseiras que os mascates vendem 
A adherencia teimosa da ferrugem; 

O orbe feraz que bastos tojos acres 
Produz; a rebellião que, na batalha, 
Deixa os homens deitados, sem mortalha, 
Na sangueira concreta dos massacres; 

Os sanguinolentissimos chicotes 
Da hemorrhagia; as nodoas mais espessas, 
O achatamento ignóbil das cabeças, 
Que ainda degrada os povos hottentótes; 

O Amor e a Fome. a fera ultriz que o fojo 
Entra, á espera que a mansa victima o entre, 
—Tudo que gera no materno ventre 
A causa physiologica do nojo;

As pálpebras inchadas na vigilia, 
As aves moças que perderam a aza, 
O fogão apagado de uma casa, 
Onde morreu o chefe da familia; 

O trem particular que um corpo arrasta 
Sinistramente pela via-férrea, 
A crystallisação da massa térrea, 
O tecido da roupa que se gasta; 

A água arbitrária que hiúlcos caules grossos 
Carrega e come; as negras fôrmas feias 
Dos arachnideos e das centopeias, 
O fogo-fatuo que illumina os ossos;  

As projecções flammivomas que offuscam, 
Como uma pincelada rembrandtesca, 
A sensação que uma coalhada fresca 
Transmitte ás mãos nervosas dos que a buscam;

0 antagonismo de Typhon e Osiris, 
O homem grande opprimiudo o homem pequeno, 
A lua falsa de um paraseleuo, 
A mentira meteórica do arco-iris;

Os terremotos que, abalando os solos. 
Lembram paióes de pólvora explodindo, 
A rotação dos fluidos produzindo 
A depressão gsológica dos pólos; 

O instincto de procrear, a anciã legitima 
Da alma, affrontando ovante aziagos riscos, 
O juramento dos guerreiros priscos 
Mettendo as mãos nas glândulas da victima; 

As differenciações que o psychoplásma 
Humano soffre na mania mystica, 
A pezada oppressão característica 
Dos 10 minutos de um accesso de asthma; 

E, (comquanto contra isto ódios regougues) 
A utilidade fúnebre da corda 
Que arrasta a rêz, depois que a rêz engorda, 
A' morte desgraçada dos açougues. 

Tudo isto que o terráqueo abysmo encerra 
Fôrma a complicação desse barulho 
Travado entre o dragão do humano orgulho 
E as forças inorgânicas da terra! 

Por descobrir tudo isto, embalde cansas! 
Ignoto é o germen dessa força activa 
Que engendra, em cada céllula passiva, 
A heterogeneidade das mudanças! 

Poeta, feto malsão, creado com os suecos 
De um leite máu, carnívoro asqueroso, 
Gerado no atavismo monstruoso 
Da alma desordenada dos malucos;  

Ultima das creatúras inferiores 
Governada por átomos mesquinhos, 
Teu pé mata a uberdade dos caminhos 
E esterilisa os ventres geradores!

O áspero mal que a tudo, em torno, trazes, 
Análogo é ao que, negro e a seu turno, 
Traz o ávido phyllóstomo nocturno 
Ao sangue dos mammiferos vorazes! 

Ah ! Por mais que, com o espirito, trabalhes 
A perfeição dos seres existentes, 
Has de mostrar a carie dos teus dentes 
Na anatomia horrenda dos detalhes!  

O Espaço-esta abstracção spencereana 
Que abrange as relações de co-existencia 
E' só ! Não tem nenhuma dependência 
Com as vertebras mortaes da espécie humana! 

As radiantes ellipses que as estrellas 
Traçam, e ao espectador falsas se antolham 
São verdades de luz que os homens olham 
Sem poder, no entretanto, comprehendel-as. 

Em vão, com a mão corrupta, outro ether pedes 
Que essa mão, de esqueléticas phalanges, 
Dentro dessa água que com a vista abranges, 
Também prova o principio de Archimedes! 

A fadiga feroz que te esbordôa 
Ha de deixar-te essa medonha marca, 
Que, nos corpos inchados de anasárca, 
Deixam os dedos de qualquer pessoa!  

Nem terás no trabalho que tiveste 
A misericordiosa toalha amiga, 
Que affaga os homens doentes de bexiga 
E enxuga, á noite, as pústulas da peste!

Quando chegar depois a hora tranquilla, 
Tu serás arrastado, na carreira, 
Como um cepo inconsciente de madeira 
Na evolução orgânica da argilia! 

Um dia comparado com um millenio 
Seja, pois, o teu ultimo Evangelho. 
E' a evolução do novo para o velho 
E do homogêneo para o heterogêneo! 

Adeus ! Fica-te ahi, com o abdômen largo 
A apodrecer!. E's poeira, e embalde vibras! 
O corvo que comer as tuas fibras 
Ha de achar nellas um sabor amargo!» 

Continua na página 40...
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Leia também:
  O Deus-Verme / As Scismas do Destino I /  As Scismas do Destino II / As Scismas do Destino III /  
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Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (Sapé, 20 de abril de 1884 – Leopoldina, 12 de novembro de 1914) foi um poeta e professor brasileiro reconhecido como um dos principais expoentes do simbolismo e do pré-modernismo brasileiro.
Augusto dos Anjos, talvez, o mais sombrio dos poetas brasileiros, foi também o mais original. Sua obra poética, composta por apenas um livro de poemas, não se encaixa em nenhuma escola literária, embora tenha sido influenciado por características do Naturalismo e do Simbolismo, a produção única de Augusto dos Anjos não pode ser enquadrada em nenhum desses movimentos. E por isso pode ser classificado juntamente aos seus contemporâneos do Pré-Modernismo.

Digitalização dos originais
Edição de referência: Rio de Janeiro: [s. n.], 1912. páginas 5-11.
Trata‐se de uma referência, a mais fiel possível, a um documento original. Neste sentido, foi mantida a integridade e a autenticidade da fonte, não realizando alterações. 
Obra publicada em 1912
Obras que entraram em domínio público pela lei 5988 de 1973
Eu (Augusto dos Anjos, 1912)
Augusto dos Anjos
Poesia brasileira

Augusto dos Anjos: O Gênio da Matéria e a Metafísica do Espanto




domingo, 30 de agosto de 2026

Cinema: Os Cafajestes

Cinema Novo

o ano é 1962

Os cafajestes é uma filme brasileiro de 1962, do gênero drama, escrito e dirigido por Ruy Guerra. Teve participação no roteiro de Miguel Torres. Foi o primeiro filme dirigido por Ruy Guerra no Brasil. A atriz Norma Bengell protagonizou o primeiro nu frontal do cinema brasileiro neste filme. Em novembro de 2015 o filme entrou na lista feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos. Foi listado por Jeanne O Santos, do Cinema em Cena, como "clássicos nacionais".

Sinopse: Ao saber que o pai rico está à beira da falência, o mimado Vavá convoca o amigo Jandir com um plano para arrumar dinheiro rápido: eles vão chantagear um tio de Vavá tirando fotos comprometedoras da amante dele, Leda.


Festival de Berlim 1962 (Alemanha) indicado ao Urso de Ouro.

Direção; 
Ruy Guerra

Roteiristas:
Ruy Guerra
Miguel Torres






Elenco:
Norma Bengell como Leda 
Hugo Carvana como Fotógrafo
Lucy de Carvalho como Vilma
Germana de Lamare como Garota do Forte
Marina Ferraz
Daniel Filho como Vavá
Glauce Rocha como Prostituta
Aline Silva como Garota do Cadillac
Fátima Sommer como Garota do Catecismo
Jece Valadão como Jandir


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Parte 02:
Parte 03: 
Parte 04:
Parte 05:



Cena icônica com Norma Bengell, a mulher mais desejada do Brasil 
| Grandes Cenas: Os Cafajestes

Análise fílmica da cena "Nua na Praia" no filme "Os Cafajestes" (Ruy Guerra, 1962). Contém entrevista inédita com o cineasta Ruy Guerra e um depoimento da atriz Norma Bengell.






Provocações | Norma Bengel | 2010
Maravilhosa!




Cinema Novo Brasileiro




a consciência é essencial


Roda Viva | Norma Bengell | 1988



Cinema Documentário: Bossa Nova - O Brasil que a gente gostaria de ser

Coisa Mais Linda: Histórias e Casos da Bossa Nova


"Enquanto o Cinema Novo tentava nos mostrar o Brasil que não queremos ver, a Bossa Nossa tentava nos mostrar o Brasil que gostaríamos de ser." Cacá Diegues

"Coisa Mais Linda: Histórias e Casos da Bossa Nova" é um documentário que narra a história e os casos do movimento musical que se tornou um fenômeno cultural no Brasil, começando nos anos 50 e atingindo seu ápice em 1962. O filme é dirigido por Paulo Thiago e apresenta um painel histórico, musical e informativo sobre a Bossa Nova, incluindo entrevistas e apresentações exclusivas de artistas como Roberto Menescal, Carlos Lyra, Johnny Alf e Leny Andrade. O documentário é uma obra que celebra a riqueza e a diversidade da música brasileira, destacando a Bossa Nova como um dos seus mais importantes e influentes movimentos.


Direção:
Paulo Thiago

Roteirista:
Paulo Thiago





Elenco:
Johnny Alf / Self
Leny Andrade / Self
Billy Blanco / Self
Ronaldo Boscoli / Self (cenas de arquivo)
Sérgio Cabral / Self
Elizeth Cardoso / Self (cenas de arquivo)
Oscar Castro-Neves / Self
Alaíde Costa / Self
Arthur da Távola / Self
Vinicius de Moraes / Self (cenas de arquivo)
Tárik de Souza / Self
Carlos Diegues / Self
João Donato / Self
Durval Ferreira / Self
Astrud Gilberto / Self (cenas de arquivo)
João Gilberto / Self (cenas de arquivo)
Antônio Carlos Jobim / Self (cenas de arquivo)
Paulo Jobim / Self
Joyce / Self
Nara Leão / Self (cenas de arquivo)
Carlos Lyra / Self
Kay Lyra / Self
Roberto Menescal / Self
Luís Carlos Miele / Self
Nelson Motta / Self
Iko Castro Neves / Self
Sérgio Ricardo / Self
Wanda Sá / Self
Silvinha Telles / Self (cenas de arquivo)
Otávio Terceiro / Self


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Mais cinema-documentário:

O Gênio da Geografia / João sem medo / Bossa Nova - O Brasil que a gente gostaria de ser / 


Sylvinha Telles 1960 - "Se é Tarde, Me Perdoa"