A Pobreza do Homem como resultado da riqueza da terra
PRIMEIRA PARTE
As Fontes Subterrâneas do Poder
37. Os mineiros do estanho, por baixo e por cima da terra
Há pouco menos de um século, um homem quase morto de
fome lutava contra as rochas em meio às desolações do
altiplano da Bolívia. A dinamite explodiu. Quando ele se
aproximou para recolher os pedaços de pedra triturados
pela explosão, deslumbrou-se. Tinha nas mãos cacos do
mais rico veio de estanho do mundo. Ao amanhecer do dia
seguinte, montou a cavalo rumo a Huanuni. A análise das
amostras confirmou o valor do achado. O estanho podia ser
levado diretamente do veio para o porto, sem necessidade
de passar por processo algum de concentração. Aquele
homem se tornou o rei do estanho, e quando morreu a
revista Fortune afirmou que ele era um dos dez
multimilionários mais multimilionários do planeta. Chamava
se Simón Patiño. Da Europa, durante muitos anos, fez e
derrubou presidentes e ministros bolivianos, planificou a
fome dos operários e organizou suas matanças, ramificou e
estendeu sua fortuna pessoal: a Bolívia era um país que
existia só para servi-lo.
A partir das jornadas revolucionárias de abril de 1952, a Bolívia
nacionalizou o estanho. No entanto, aquelas
riquíssimas minas agora já eram pobres. No cerro Juan del
Valle, onde Patiño descobrira o fabuloso filão, a lei do
estanho se reduzira 120 vezes. Das 156 mil toneladas de
rocha que saem mensalmente pelas bocas das minas, são
recuperadas apenas 400. As perfurações já somam, em
quilômetros, uma distância duas vezes maior do que aquela
que separa a mina da cidade de La Paz: o cerro, por dentro,
é
um formigueiro atravessado por infinitas galerias,
corredores, túneis e chaminés. Está a caminho de tornar-se
uma casca oca. A cada ano perde um pouco mais de altura,
e a lenta derrubada vai carcomendo sua crista: de longe,
parece um dente cariado.
Antenor Patiño não só recebeu uma considerável
indenização pelas minas que seu pai espremeu, como
também manteve o controle do preço e do destino do
estanho expropriado. Da Europa, não cessava de sorrir.
“Mister Patiño é o afável rei do estanho boliviano”,
seguiriam comentando as crônicas sociais muitos anos
depois da nacionalização
[1]. Porque a nacionalização,
conquista fundamental da revolução de 1952, não modificou
o papel da Bolívia na divisão internacional do trabalho. A Bolívia seguiu exportando o material bruto, e quase todo o
estanho ainda é refinado nos fornos de Liverpool da
empresa Williams, Harvey and Co., que pertence a Patiño. A
nacionalização das fontes de produção de qualquer matéria
prima, como ensina a dolorosa experiência, não é suficiente.
Um país pode continuar tão condenado à impotência como
antes, ainda que, nominalmente, torne-se o dono de seu
subsolo. Ao longo de sua história, a Bolívia produziu
minerais brutos e discursos refinados. Abundam a retórica e
a miséria; desde sempre, escritores afetados e doutores de
fraque se devotaram à absolvição dos culpados. De cada
dez bolivianos, seis ainda não sabem ler; a metade das
crianças não frequenta a escola. Recém em 1971, a Bolívia
terá em funcionamento sua própria fundição nacional de
estanho, levantada em Oruro, ao cabo de uma história
interminável de traições, sabotagens, intrigas e sangue
derramado
[2]. Esse país que, até agora, não podia produzir
seus próprios lingotes, dá-se ao luxo de contar com oito
faculdades de Direito, destinadas à fabricação de vampiros
de índios.
[1] The New York Times de 13 de agosto de 1969 o definia nesses termos, ao
descrever em êxtase as férias do duque e da duquesa de Windsor no castelo do
século XVI que Patiño possui nos arredores de Lisboa. “Agrada-nos dar aos
empregados um pouco de calma e de paz”, confessava a senhora, enquanto
explicava para Charlotte Curtis seu programa do dia.
Depois, é o tempo das férias de montanha na Suíça; os fotógrafos e os
jornalistas perseguem os condes e os artistas da moda em Saint Moritz. Uma
milionária de 50 anos acaba de perder o segundo marido, vice-presidente da
Ford, e sorri diante dos flashes: anuncia seu próximo casamento com um
jovenzinho que a toma pelo braço e olha com olhos assustados. Ao lado, outro
casal do grande mundo. Ele é um homem de baixa estatura e traços indígenas:
sobrancelhas espessas, olhos duros, nariz achatado, pômulos salientes. Antenor
Patiño continua parecendo boliviano. Numa revista, Antenor aparece fantasiado
de príncipe oriental, com turbante e tudo, entre vários príncipes autênticos que
se reuniram no palácio do barão Alexis de Rédé: a princesa Margarita da
Dinamarca, o príncipe Enrique, María Pía de Saboya e seu primo o príncipe
Miguel de Bourbon-Parma, o príncipe Lobckowitz e outros trabalhadores.
[2] Quando o general Alfredo Ovando anunciou, em julho de 1966, que se
chegara a um acordo com a empresa alemã Klochner para a instalação dos
fornos estatais, disse também que teriam um novo destino “essas pobres minas
que, até agora, só serviram para abrir buracos nos pulmões de nossos irmãos
mineiros”. Esses homens que dão sua vida ao mineral, escrevia Sergio Almaraz
Paz (El poder y la caída. El estaño en la historia de Bolivia. La Paz; Cochabamba,
1967), “não o possuem. Nunca o possuíram, nem antes nem depois de 1952.
Porque o que acontece é que o estanho, para aproveitamento imediato, nada
vale senão com o brilhante aspecto de um lingote. O mineral, pó pesado de
terroso aspecto, certamente não serve para nada, ou só serve para ser
despejado à boca do forno.
Almaraz Paz contou a história de um industrial, Mariano Peró, que ao longo de
30 anos sustentou uma guerra solitária para que o estanho boliviano fosse
refinado em Oruro e não em Liverpool. Em 1946, poucos dias depois da queda
do presidente nacionalista Gualberto Villarroel, Peró entrou no Palacio Quemado.
Ia recolher dois lingotes de estanho. Eram os primeiros lingotes produzidos em
sua fundição de Oruro, e já não havia sentido que aquele par de símbolos, que
encarnavam a nação, continuassem decorando o gabinete do Presidente da
República. Villarroel tinha sido enforcado num poste da Plaza Murillo e a partir
de sua queda o poder da rosca oligárquica fora restaurado. Mariano Peró
apanhou os lingotes e foi embora com eles. Estavam manchados de sangue
seco.
Contam que, há um século, o ditador Mariano Melgarejo
obrigou o embaixador da Inglaterra a beber um barril inteiro
de chocolate, como castigo por ter recusado um copo de
chicha. Depois o embaixador teve de desfilar pela rua
principal de La Paz, montado ao contrário num burro. E foi
devolvido para Londres. Dizem que então a rainha Vitória,
enfurecida, mandou trazer o mapa da América do Sul,
desenhou com giz uma cruz sobre a Bolívia e decretou: “A Bolívia não existe”. Para o mundo, de fato, a Bolívia não
existia e nem existiu depois: o saque da prata e,
posteriormente, do estanho, não passaram de um exercício
do direito natural dos países ricos. Afinal, as embalagens de
lata identificam os Estados Unidos tanto quanto o emblema
da águia e a torta de maçã. Mas tal embalagem não é só
um símbolo pop dos Estados Unidos; embora não se saiba, é
também um símbolo da silicose nas minas de Huanuni e
Século XX: a lata contém estanho, e os mineiros bolivianos
morrem com os pulmões apodrecidos para que o mundo
possa consumir estanho barato. Meia dúzia de homens fixa
seu preço mundial. Para os consumidores de conservas ou
os manipuladores da Bolsa, que importa a dura vida do
mineiro da Bolívia? Os norte-americanos compram a maior
parte do estanho que é refinado no planeta: para manter
em dado limite os preços, periodicamente ameaçam lançar
no mercado suas enormes reservas do mineral, compradas
por muito menos do que a cotação, a preços de
“contribuição democrática” nos anos da Segunda Guerra
Mundial. Segundo os dados da FAO, o cidadão médio dos
Estados Unidos consome cinco vezes mais carne e leite e
vinte vezes mais ovos do que um habitante da Bolívia. E os
mineiros estão muito abaixo da média nacional. No
cemitério de Catavi, onde os cegos rezam pelos mortos em
troca de uma moeda, dói encontrar, entre as lápides
escuras dos adultos, um sem-número de cruzes brancas
sobre as tumbas pequeninas. De cada duas crianças
nascidas nas minas, morre uma pouco tempo depois de
abrir os olhos. A outra, a que sobrevive, seguramente vai
ser mineira quando crescer. E antes dos 30 anos já não terá
pulmões.
O cemitério range. Debaixo dos túmulos, foram cavados
incontáveis túneis, cavernas de boca estreita onde mal
cabem os homens que ali se introduzem como viscachas,
em busca do mineral. Novas jazidas de estanho se
acumularam nos aterros ao longo dos anos, toneladas de
resíduos sobre resíduos despejados em gigantescos montes
cinzentos que, assim, somaram estanho ao estanho da
paisagem. Quando cai a chuva com violência das nuvens
próximas, os desempregados se agacham ao longo das ruas
de terra de Llallagua, onde os homens se embriagam
desesperadamente nas bodegas de chicha: vão recolhendo
e calculando o peso do estanho arrastado pela chuva. Ali o
estanho é um deus de lata que reina sobre os homens e as
coisas, e está presente em todos os lugares. Não é só no
ventre do velho cerro de Patiño que há estanho. Anunciado
pelo brilho negro da cassiterita, há estanho até nas paredes
de adobe dos acampamentos. Há estanho também na lama
amarelada que avança arrastando as sobras da mina, e há
estanho ainda nas águas envenenadas que correm da
montanha; o estanho está presente na terra e na rocha, na
superfície e no subsolo, nas areias e nas pedras do leito do
rio Seco. Nessas terras áridas e pedregosas, a quase 4 mil
metros de altitude, onde não cresce o pasto e onde tudo,
até as pessoas, tem a cor escura do estanho, os homens
sofrem estoicamente seu obrigado jejum e não conhecem a
festa do mundo. Vivem em acampamentos, amontoados em
casas de uma única peça de chão batido; o vento cortante
entra pelas frestas. Um informe universitário sobre a mina
de Colquiri revela que, de cada dez rapazes pesquisados,
seis dormem na mesma cama de suas irmãs, e acrescenta:
“Muitos pais se sentem constrangidos quando seus filhos os
observam durante o ato sexual”. Não há banheiros; as
latrinas são pequenos cubículos cheios de imundície e
moscas: as pessoas preferem usar os quintais, áreas
abertas, onde ao menos circula o ar, apesar do lixo e dos
excrementos acumulados e dos porcos que se refocilam
felizes. Também é coletivo o serviço de água: é preciso
esperar que a água chegue e se apressar, fazer a fila,
recolher a água do tanque público com latões de gasolina
ou jarros de barro. A comida é escassa e de mau aspecto:
batatas, macarrão, arroz, farinha, milho miúdo e um naco
de carne dura.
Estávamos no fundo do cerro Juan del Valle. O uivo
penetrante de uma sirene, que chamava os trabalhadores
do primeiro turno, ressoara no acampamento algumas horas
antes. Recorrendo galerias, passávamos do calor tropical ao
frio polar e novamente ao calor, sem sair, durante horas, de
uma mesma atmosfera envenenada. Aspirando aquele ar
espesso – umidade, gases, pó, fumaça –, podíamos
compreender por que os mineiros, em poucos anos, perdem
os sentidos do olfato e do gosto. Enquanto trabalhavam,
todos mastigavam folhas de coca com cinza, e isto também
era parte da obra de aniquilação, pois a coca, como se sabe,
ao atenuar a fome e mascarar a fadiga, vai apagando o
sistema de alarmas com que conta o organismo para
continuar vivo. Mas o pior era o pó. Os capacetes com
lâmpada acoplada irradiavam um rebuliço de círculos de luz
que salpicavam a gruta negra e deixavam ver, à sua
passagem, cortinas de um pó branco e denso: o implacável
pó da sílica. O mortal alento da terra vai envolvendo pouco
a pouco. No primeiro ano, sentem-se os primeiros sintomas,
e em dez anos entra-se no cemitério. Dentro da mina são
usadas perfuratrizes suecas em seus últimos modelos, mas
os sistemas de ventilação e as condições de trabalho não
melhoraram com o tempo. Na superfície, os trabalhadores
independentes usam picareta e pesadas marretas de doze
libras para lutar com a rocha, exatamente como há 100
anos, e peneiras, filtros, coadores para concentrar o
material em campo aberto. Ganham centavos e trabalham
como animais. No entanto, muitos deles têm, ao menos, a
vantagem do ar livre. Dentro da mina, os obreiros são
presos condenados sem apelação a morrer por asfixia.
Cessara o estrépito das brocas e os operários faziam
uma pausa enquanto aguardávamos a explosão de mais de
vinte cargas de dinamite. A mina também proporciona
mortes rápidas e sonoras: basta um erro na contagem das
detonações ou que a mecha demore mais do que o normal
para arder. Basta também que uma rocha solta, um pesado
fragmento desprenda-se sobre um crânio. Ou basta o
inferno da metralhadora: a noite de São João de 1967 foi a
última conta de um longo rosário de matanças. De
madrugada, os soldados tomaram posição nas colinas,
joelhos no chão, e lançaram um furacão de balas sobre os
acampamentos iluminados pelas fogueiras da festa
[3]. Mas
a morte lenta e silenciosa é a especialidade da mina. O
vômito de sangue, a tosse, a sensação de um peso de
chumbo nas costas e uma aguda opressão no peito são os
sinais que a anunciam. Depois do exame médico vêm as
peregrinações burocráticas, que nunca se acabam. Dão o
prazo de três meses para desocupar a casa.
[3] “Quando me sento, bêbado estou. Três, quatro, vejo as gentes. Não posso
comer só. Uma huahua eu sou, pois. Uma criança.” Saturnino Condori, velho
pedreiro do acampamento mineiro da mina Século XX, há mais de três anos está
deitado numa cama do hospital de Catavi. É uma das vítimas da matança da
noite de São João, em 1967. Ele nem sequer estivera a festejar. Ofereceram-lhe
um pagamento triplo para que trabalhasse no sábado, 24, e então,
diferentemente dos demais, resolveu não se afundar no delírio da chicha e da
farra. Deitou-se cedo. Nessa noite sonhou que um cavaleiro atirava espinhos em
seu corpo. “Me atirou espinhos grandes”. Despertou várias vezes, pois a chuva
de balas sobre o acampamento começou às cinco da manhã. “Meu corpo se
desarranjou, se desmanchou, uma mornidão me pegou e eu assustado,
assustado, assim eu estava. Minha mulher disse: anda, foge. Mas eu não tinha
feito nada, nem tinha ido a parte alguma. Anda, anda, ela disse. Tiroteios havia
de noite, que será isso, que será, pap-pap-pap-pap-pap e eu despertando e
dormindo assim, aos poucos, e nem assim escapei. Minha mulher disse: anda
logo, anda, foge. Mas o que vão me fazer, eu digo, sou um pedreiro particular, o
que vão me fazer?” Ele despertou por volta das oito da manhã. Ergueu-se na
cama. A bala atravessou o teto, atravessou o chapéu de sua mulher e rebentou
sua coluna vertebral.
Já havia cessado o estrépito das brocas e a explosão
logo estremeceria aquele veio escorregadio cor de café e
lembrando uma cobra. Agora era possível falar. O volume da
coca inflava as bochechas dos operários e pelas comissuras
de seus lábios escorria uma baba esverdeada. Um mineiro
passou, apressado, chapinhando no barro entre os trilhos da
galeria. “Esse é novato”, disseram-me, “viu só? Com sua
calça do exército e o blusão amarelo sobressai sua
juventude. Ele entrou agorinha e como trabalha. Ainda é um
bom braço. Ainda não sente nada.”
Os tecnocratas e os burocratas não morrem de silicose,
mas vivem dela. O gerente geral da COMI OL, Corporação
Mineira Boliviana, ganha 100 vezes mais do que um obreiro.
De um barranco que cai a pique no leito do rio, no limite de
Llallagua, pode-se ver o pampa de María Barzola. Chama-se
assim em homenagem a uma militante operária que, há
quase 30 anos, à frente de uma manifestação, caiu com a
bandeira da Bolívia cosida ao corpo pelas rajadas de
metralhadoras. E além do pampa de María Barzola pode-se
ver o melhor campo de golfe da Bolívia: é o campo usado
pelos engenheiros e principais funcionários de Catavi. O
ditador René Barrientos reduziu à metade o salário de fome
dos mineiros, em 1964, ao mesmo tempo em que elevou a
remuneração de técnicos e burocratas proeminentes. Os
estipêndios do pessoal superior são secretos. Secretos e em
dólares. Há um poderoso grupo assessor formado por
técnicos do anco Interamericano de Desenvolvimento, da
Aliança para o Progresso e da banca estrangeira credora,
cujos conselhos orientam a mineração nacionalizada da Bolívia
de tal modo que, nesta altura, a COMIBOL,
convertida num Estado dentro do Estado, constitui uma
propaganda viva contra a nacionalização de qualquer coisa.
O poder da velha rosca oligárquica foi substituído pelo
poder de numerosíssimos membros de uma “nova classe”
que têm dedicado seus melhores esforços para sabotar por
dentro a mineração estatal. Os engenheiros não só
torpedearam todos os projetos e planos destinados à
criação de uma fundição nacional, como também
colaboraram para que as minas do Estado ficassem
fechadas nos limites das velhas jazidas de Patiño, Aramayo
e Hochschild, em acelerado processo de esgotamento de
reservas. Entre fins de 1964 e abril de 1969, o general Barrientos rompeu a barreira do som na entrega dos
recursos do subsolo boliviano ao capital imperialista, com a
aberta cumplicidade de técnicos e gerentes. Sergio Almaraz,
num de seus livros
[4], conta a história da concessão dos
aterros de estanho à International Mining Processing Co.
Com um capital declarado de apenas cinco mil dólares, a
empresa de tão pomposo nome obteve um contrato que lhe
permitirá ganhar mais de 900 milhões.
[4] ALMARAZ PAZ, op. cit.
continua na página 248...
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Febre do Ouro, Febre da Prata
O Rei Açúcar e Outros Monarcas Agrícolas
As Fontes Subterrâneas do Poder
Primeira Parte: Dentes de cobre sobre o Chile (4)
Primeira Parte: Os mineiros do estanho, por baixo e por cima da terra (5)
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o petróleo é da Venezuela... o petróleo no pré-sal é do Brasil... os minerais nas terras raras são do Brasil... ?