sábado, 11 de abril de 2026

Você sabia... Ponto e vírgula (;)

Lara Brenner


PONTO E VÍRGULA 

A forma correta de usar PONTO E VÍRGULA em seus textos.
 
Como usar ponto e vírgula? Para que ele serve, afinal? 
Vamos falar hoje sobre algumas regras envolvendo essa pontuação esquecida ou desconhecida por muitos; descubra quando usar PONTO E VÍRGULA e veja exemplos práticos para entender melhor a forma correta de empregá-lo em seus textos (será que usei corretamente?).

Moby Dick: 56 - Das representações menos errôneas de baleias

Moby Dick

Herman Melville

56 - Das representações menos errôneas de baleias e representações genuínas de cenas da pesca baleeira
 
     A propósito das representações monstruosas de baleias, estou aqui fortemente tentado a contar histórias ainda mais monstruosas sobre aquelas que se encontram em certos livros, antigos e modernos, sobretudo em Plínio, Purchas, Hackluyt, Harris, Cuvier, &c. Mas deixarei tal assunto de parte.
     Sei de apenas quatro esboços publicados do grande Cachalote; de Colnett, de Huggins, de Frederick Cuvier e de Beale. No capítulo anterior, os de Colnett e de Cuvier foram mencionados. O de Huggins é muito melhor que o deles; mas, de longe, o de Beale é o melhor de todos. Todos os desenhos de Beale desta baleia são bons, exceto a figura do meio na figura das três baleias em várias posições, que abre o segundo capítulo. O frontispício, botes atacando Cachalotes, sem dúvida calculado para provocar o ceticismo civilizado de certos cavalheiros, é admiravelmente preciso e natural no seu efeito geral. Alguns desenhos de Cachalotes de J. Ross Browne são bastante corretos quanto aos contornos; mas muito mal gravados. Mas isso não é por culpa dele.
     Da Baleia Franca, os melhores esboços estão em Scoresby, mas foram desenhados numa escala pequena demais para oferecer uma impressão satisfatória. Ele tem apenas uma representação de uma cena de pesca baleeira, e isso é uma deficiência grave, pois é apenas por essas representações, quando são bem feitas, que se pode ter uma ideia verdadeira da baleia viva tal como os seus caçadores a veem.
     Mas, tomadas em conjunto, não há dúvida de que as mais belas representações de baleias e de cenas de pesca baleeira, embora não sejam as mais corretas em alguns detalhes, são duas grandes gravuras francesas, bem executadas e tiradas das pinturas de um certo Garneray. Representam, respectivamente, assaltos ao Cachalote e à Baleia Franca. Na primeira gravura, um nobre Cachalote é retratado em plena majestade de sua força, quando surge, embaixo do bote, das profundezas do oceano, carregando para o alto, no seu dorso, os tremendos destroços de tábuas arrebentadas. A proa do bote está parcialmente intacta, e é representada equilibrando-se sobre a espinha do monstro; e de pé nessa proa, apenas nesse lampejo do tempo único e imensurável, vê-se um remador, semiencoberto pelo sopro fervente da baleia, preparando-se para saltar, como que de um precipício. O movimento de toda a cena é maravilhosamente belo e verdadeiro. A selha da ostaxa pela metade flutua no mar embranquecido; as hastes de madeira dos arpões atirados surgem obliquamente em meio às águas; as cabeças dos homens da tripulação dispersas, nadando ao redor da baleia, mostram expressões de terror, enquanto na distância negra e tempestuosa se vê o navio adernar na cena. Alguns erros crassos podem ser vistos nos detalhes anatômicos dessa baleia, mas deixemos estar; pois, ainda que disso dependesse a minha própria vida, eu jamais poderia fazer um desenho tão bom.
     Na segunda gravura, o bote prepara-se para abordar o flanco coberto de cracas de uma enorme Baleia Franca em movimento, que faz rolar a sua massa negra incrustada de algas pelo oceano, tal como um deslizamento de pedras musgosas nos penhascos da Patagônia. Seus jatos são verticais, densos e negros como a fuligem; assim que, ao ver uma fumaça assim abundante na chaminé, poder-se-ia pensar que havia, nas volumosas entranhas abaixo, uma farta ceia sendo preparada. Aves marinhas bicam pequenos caranguejos, mariscos e outras guloseimas e macarrões marinhos, que a Baleia Franca por vezes carrega em seu dorso pestilento. E o tempo todo o Leviatã de lábios espessos avança pelas profundezas, deixando em seu rastro toneladas de um tumulto de coágulos brancos e balançando o bote esquálido nas ondas, como um esquife pego pelas pás de um barco a vapor oceânico. Assim, o primeiro plano é todo uma comoção furiosa, mas no segundo plano, num admirável contraste artístico, veem-se a superfície vítrea de um mar acalmado, as velas abandonadas e pensas do navio exangue e a massa inerte de uma baleia morta, uma fortaleza conquistada, com a bandeira da captura indolentemente desfraldada no mastro enfiado no buraco do sopro.
     Não sei quem é, nem quem foi o pintor Garneray. Mas aposto que era versado na prática de seu tema, ou foi maravilhosamente instruído por algum experiente baleeiro. Os Franceses são mestres na pintura de ação. Observem todas as pinturas da Europa: onde se encontra uma galeria assim, de viva comoção e respirando sobre tela, como nos triunfais corredores de Versalhes; onde o espectador, perplexo, luta para atravessar por entre consecutivas batalhas da França; onde cada espada parece uma cintilação da Aurora Boreal, e os sucessivos reis e Imperadores com as suas armas avançam, como uma carga de centauros coroados? Não inteiramente indignos de um lugar naquela galeria, são essas cenas de batalhas navais de Garneray.
     A aptidão natural dos Franceses para apreender o lado pitoresco das coisas parece estar manifesta, em especial, nas pinturas e gravuras que fizeram de suas cenas de pesca baleeira. Sem um décimo da experiência de pesca dos Ingleses, e nem um milésimo da experiência dos Norte-Americanos, não obstante, forneceram aos dois países os únicos desenhos completos e capazes de transmitir o verdadeiro espírito da caça à baleia. Na sua maior parte, os desenhistas de baleias Ingleses e Norte-Americanos parecem contentar-se plenamente ao apresentar um esboço mecânico das coisas, como o contorno vazio de uma baleia; o que, em termos de efeitos pitorescos, é equivalente a fazer um esboço do contorno de uma pirâmide. Mesmo Scoresby, o renomado caçador de Baleias Francas, depois de nos dar um retrato do corpo estirado de uma Baleia da Groenlândia, e três ou quatro delicadas miniaturas de narvais e marsopas, apresenta uma série de gravuras clássicas de ganchos de botes, facas de esquartejar e fateixas; e, com a diligência microscópica de um Leuwenhoeck, submete à inspeção do mundo trêmulo noventa e seis fac-símiles ampliados de cristais de neve do Ártico. Não pretendo vilipendiar o excelente viajante (respeito-o como veterano), mas, num assunto de tal importância, por certo foi um lapso não ter procurado uma declaração de autenticidade de todos os cristais junto a um juiz de paz da Groenlândia.
     Além das belas gravuras de Garneray, há outras duas gravuras Francesas dignas de nota, de uma pessoa que assina “H. Durand”. Uma delas, ainda que não exatamente adequada ao nosso propósito atual, merece no entanto ser mencionada por outros motivos. É uma cena vespertina tranquila entre as ilhas do Pacífico; um baleeiro Francês ancorado na praia, em plena calmaria, abastece lentamente o navio com água; as velas frouxas do navio e as folhas compridas das palmeiras ao fundo pendem no ar sem brisa. O efeito é muito bonito, considerando-se o fato de apresentar os audazes pescadores sob um dos seus raros aspectos de descanso oriental. A outra gravura é algo bastante diverso: o navio parado em mar aberto, no próprio cerne da vida leviatânica, ao lado de uma Baleia Franca; a embarcação (no ato de se interpor) atraca-se ao monstro como se fosse um cais; e um bote, afastando-se rapidamente da cena da ação, vai dar caça às baleias distantes. Os arpões e lanças estão apontados; três remadores colocam o mastro em seu buraco; enquanto, devido a um movimento súbito do mar, o pequeno bote ergue a proa para fora da água, como um cavalo empinado. Do navio, o vapor dos tormentos da baleia sobe como a fumaça sobre uma aldeia de ferreiros; e, a barlavento, uma nuvem negra, surgindo com promessas de chuvas e trovoadas, parece apressar a atividade dos marinheiros exaltados.

Continua na página 259...
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Leia também:
Moby Dick: Etimologia, Excertos, Citações / Moby Dick: 1  - Miragens
55 - Das representações monstruosas de baleias / 56 - Das representações menos errôneas de baleias /          
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Moby Dick é um romance do escritor estadunidense Herman Melvillesobre um cachalote (grande animal marinho) de cor branca que foi perseguido, e mesmo ferido várias vezes por baleeiros, conseguiu se defender e destruí-los, nas aventuras narradas pelo marinheiro Ishmael junto com o Capitão Ahab e o primeiro imediato Starbuck a bordo do baleeiro Pequod. Originalmente foi publicado em três fascículos com o título "Moby-Dick, A Baleia" em Londres e em Nova York em 1851.
O livro foi revolucionário para a época, com descrições intrincadas e imaginativas do personagem-narrador, suas reflexões pessoais e grandes trechos de não-ficção, sobre variados assuntos, como baleias, métodos de caça a elas, arpões, a cor do animal, detalhes sobre as embarcações, funcionamentos e armazenamento de produtos extraídos das baleias. O romance foi inspirado no naufrágio do navio Essex, comandado pelo capitão George Pollard, que perseguiu teimosamente uma baleia e ao tentar destruí-la, afundou. Outra fonte de inspiração foi o cachalote albino Mocha Dick, supostamente morta na década de 1830 ao largo da ilha chilena de Mocha, que se defendia dos navios que a perturbavam. A obra foi inicialmente mal recebida pelos críticos, assim como pelo público por ser a visão unicamente destrutiva do ser humano contra os seres marinhos. O sabor da amarga aventura e o quanto o homem pode ser mortal por razões tolas como o instinto animal, sendo capaz de criar seus fantasmas justamente por sua pretensão e soberba, pode valer a leitura.

E você com o quê se identifica?

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Teatro musical brasileiro

Missa dos Quilombos


"A Missa dos Quilombos foi celebrada em 20 de novembro de 1981, em Recife (PE), para um público de 8 mil pessoas. A TV Senado contou a história dessa celebração criada por Dom Pedro Casaldáliga e Pedro Tierra, com música de Milton Nascimento, a missa foi presidida por dom José Maria Pires junto com dom Helder Câmara e dom Pedro Casaldáliga, no documentário A Missa dos Quilombos. O ato religioso denunciou as consequências da escravidão e do preconceito no Brasil e se transformou numa cerimônia de fé, comunhão, música e ritmo, a partir da atitude revolucionária de membros da Igreja Católica em favor da introdução das referências culturais de diferentes povos na eucaristia."


Abertura 
Abertura: Trancados Na Noites / Peixinhos Do Mar / Marcha E Canto À Maria / Baridjumokô

Disco gravado ao vivo na Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens, Caraça, MG, em março de 1982. As faixas 1 e 15 foram gravadas ao vivo em Santiago e Compostela (Espanha), em julho de 1992. Idealização, direção, arranjos e regência: Milton Nascimento.





A De Ó - (Estamos Chegando...)




Cenas do "Ofertório", "Louvação à Mariama" e "Marcha Final de Banzo e Esperança" do espetáculo "Missa dos Quilombos", montagem da Companhia Ensaio Aberto para o musical de Milton Nascimento, Pedro Casaldáliga e Pedro Tierra, com direção de Luiz Fernando Lobo e direção musical de Túlio Mourão. 


Ofertório





Cenas "Louvação à Mariama" e "Marcha Final de Banzo e Esperança"




O curta-documentário "A História da Primeira Missa dos Quilombos" traz depoimentos de oito pessoas que testemunharam a celebração: o cantor e compositor Milton Nascimento, o bispo dom José Maria Pires, a ativista e poetisa Inaldete Pinheiro, uma das fundadoras do Movimento Negro do Recife; além da historiadora Marieta Borges, o ex-padre Reginaldo Veloso e os padres Clóvis Cabral, Jacques Trudel e José Augusto Esteves. Também participa o teólogo Sérgio Vasconcelos.

Negra Fé
"A História da Primeira Missa dos Quilombos"
(documentário)




Missa dos Quilombos - Dom Hélder Câmara 
- Poema: "ORAÇÃO DE MARIMA".



Um poema tão necessário nestes dias de extermínio e genocídio, uma busca civilizatória pela vida de todos e todas.


Espumas Flutuantes - Onde estás?

Castro Alves

À memória de Meu Pai, 
de Minha Mãe 
e de Meu Irmão 
O. D. C. 

ONDE ESTÁS?

É meia-noite... e rugindo 
 Passa triste a ventania, 
 Como um verbo de desgraça, 
 Como um grito de agonia. 
 E eu digo ao vento, que passa 
 Por meus cabelos fugaz: 
 “Vento frio do deserto, 
 Onde ela está? Longe ou perto? 
 Mas, como um hálito incerto, 
 Responde-me o eco ao longe: 
 “Oh! minh’amante, onde estás?... 

Vem! É tarde! Por que tardas? 
 São horas de brando sono, 
 Vem reclinar-te em meu peito 
 Com teu lânguido abandono!... 
 ‘Stá vazio nosso leito... 
 ‘Stá vazio o mundo inteiro; 
 E tu não queres qu’eu fique 
 Solitário nesta vida... 
 Mas por que tardas, querida?... 
 Já tenho esperado assaz... 
 Vem depressa, que eu deliro 
 Oh! minh’amante, onde estás?... 

Estrela — na tempestade, 
 Rosa — nos ermos da vida, 
 Íris — do náufrago errante, 
 Ilusão — d’alma descrida, 
 Tu foste, mulher formosa! 
 Tu foste, ó filha do céu!... 
 ... E hoje que o meu passado 
 Para sempre morto jaz... 
 Vendo finda a minha sorte, 
 Pergunto aos ventos do norte... 
 “Oh! minh’amante, onde estás?”

Bahia


A BOA VISTA

Sonha, poeta, sonha! Aqui sentado 
 No tosco assento da janela antiga, 
 Apoias sobre a mão a face pálida, 
 Sorrindo — dos amores à cantiga. 
Álvarez Azevedo 

Era uma tarde triste, mas límpida e suave... 
 Eu — pálido poeta — seguia triste e grave 
 A estrada, que conduz ao campo solitário, 
 Como um filho, que volta ao paternal sacrário, 
 E ao longe abandonando o múrmur da cidade 
 — Som vago, que gagueja em meio à imensidade —, 
 No drama do crepúsculo eu escutava atento 
 A surdina da tarde ao sol, que morre lento.

A poeira da estrada meu passo levantava, 
 Porém minh’alma ardente no céu azul marchava 
 E os astros sacudia no vôo violento 
 — Poeira, que dormia no chão do firmamento.

A pávida andorinha, que o vendaval fustiga, 
 Procura os coruchéus da catedral antiga. 
 Eu — andorinha entregue aos vendavais do inverno, 
 Ia seguindo triste pra o velho lar paterno.

Como a águia, que do ninho talhado no rochedo 
 Ergue o pescoço calvo por cima do fraguedo, 
 — (Pra ver no céu a nuvem, que espuma o firmamento, 
 E o mar, — corcel, que espuma ao látego do vento...) 
 Longe o feudal castelo levanta a antiga torre, 
 Que aos raios do poente brilhante sol escorre! 
 Ei-lo soberbo e calmo o abutre de granito 
 Mergulhando o pescoço no seio do infinito, 
 E lá de cima olhando com seus clarões vermelhos 
 Os tetos, que a seus pés parecem de joelhos!...

Não! minha velha torre! Oh! atalaia antiga, 
 Tu olhas esperando alguma face amiga, 
 E perguntas talvez ao vento, que em ti chora: 
 “Por que não volta mais o meu senhor d’outrora? 
 Por que não vem sentar-se no banco do terreiro 
 Ouvir das criancinhas o riso feiticeiro, 
 E pensando no lar, na ciência, nos pobres
Abrigar nesta sombra seus pensamentos nobres? 
 .............................................................................. 
 Onde estão as crianças — grupo alegre e risonho 
 — Que escondiam-se atrás do cipreste tristonho... 
 Ou que enforcaram rindo um feio Pulchinello, 
 Enquanto a doce Mãe, que é toda amor, desvelo, 
 Ralha com um rir divino o grupo folgazão. 
 Que vem correndo alegre beijar-lhe a branca mão?...” 

É nisto que tu cismas, ó torre abandonada, 
 Vendo deserto o parque e solitária a estrada. 
 No entanto eu — estrangeiro, que tu já não conheces — 
 No limiar de joelhos só tenho pranto e preces.

Oh! deixem-me chorar!... Meu lar... meu doce ninho! 
 Abre a vetusta grade ao filho teu mesquinho! 
 Passado — mar imenso!... inunda-me em fragrância! 
 Eu não quero lauréis, quero as rosas da infância. 

Ai! Minha triste fronte, aonde as multidões 
 Lançaram misturadas glórias e maldições... 
 Acalenta em teu seio, ó solidão sagrada! 
 Deixa est’alma chorar em teu ombro encostada!

Meu lar está deserto... Um velho cão de guarda 
 Veio saltando a custo roçar-me a testa parda 
 Lamber-me após os dedos, porém a sós consigo 
 Rusgando com o direito, que tem um velho amigo...

Como tudo mudou-se!... O jardim ‘stá inculto 
 As roseiras morreram do vento ao rijo insulto... 

A erva inunda a terra; o musgo trepa os muros 
 A urtiga silvestre enrola em nós impuros 
 Uma estátua caída, em cuja mão nevada 
 A aranha estende ao sol a teia delicada!... 
 Mergulho os pés nas plantas selvagens, espalmadas, 
 As borboletas fogem-me em lúcidas manadas... 
 E ouvindo-me as passadas tristonhas, taciturnas, 
 Os grilos, que cantavam, calaram-se nas furnas... 

Oh! jardim solitário! Relíquia do passado! 
 Minh’alma, como tu, é um parque arruinado! 
 Morreram-me no seio as rosas em fragrância, 
 Veste o pesar os muros dos meus vergéis da infância. 
 A estátua do talento, que pura em mim s’erguia, 
 Jaz hoje — e nela a turba enlaça uma ironia!... 
 Ao menos como tu, lá d’alma num recanto 
 Da casta poesia ainda escuto o canto, 
— Voz do céu, que consola, se o mundo nos insulta, 
 E na gruta do seio murmura um treno oculta.  

Entremos!... Quantos ecos na vasta escadaria, 
 Nos longos corredores respondem-me à porfia!...

Oh! casa de meus pais!... A um crânio já vazio, 
 Que o hóspede largando deixou calado e frio, 
 Compara-te o estrangeiro — caminhando indiscreto 
 Nestes salões imensos, que abriga o vasto teto.

Mas eu no teu vazio — vejo uma multidão 
 Fala-me o teu silêncio — ouço-te a solidão!... 
 Povoam-se estas salas...

E eu vejo lentamente 
 No solo resvalarem falando tenuamente 
 Dest’alma e deste seio as sombras venerandas 
 Fantasmas adorados — visões sutis e brandas... 

Aqui... além... mais longe... por onde eu movo o passo, 
 Como aves, que espantadas arrojam-se ao espaço, 
 Saudades e lembranças s’erguendo — bando alado — 
 Roçam por mim as asas voando pra o passado. 
 
Boa Vista, 18 de novembro de 1867 

continua pag 47...
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No álbum do artista Luís C. Amoêdo / Onde estás? /       
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Antônio Frederico de Castro Alves - foi um poeta, dramaturgo e advogado brasileiro, considerado o principal representante da terceira geração do romantismo no Brasil. Ficou conhecido por seus poemas abolicionistas, que renderam-lhe a alcunha de "poeta dos escravos".
Nascimento: 14 de março de 1847, Castro Alves, Bahia - Falecimento: 6 de julho de 1871 (24 anos), Salvador, Bahia. 
Influenciado por: Gonçalves Dias, Lord Byron, Victor Hugo, 
Formação: Faculdade de Direito do Recife | FDR, Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP) 
Pais: Clélia Brasília da Silva Castro, Antônio José Alves
Irmãos: Adelaide Alves, Cassiano José Alves
O “poeta dos escravos” foi um poeta sensível aos graves problemas sociais do seu tempo. Expressou sua indignação contra as tiranias e denunciou a opressão do povo.
A poesia abolicionista é sua melhor realização nessa linha, denunciando energicamente a crueldade da escravidão e clamando pela liberdade. Seu poema abolicionista mais famoso é “O Navio Negreiro”.

MPB: Mama África

Chico César


Mama África/Brilho de Beleza/Pra Não Dizer que Não Falei das Flores 
(Ao Vivo)





Mama África
A minha mãe é mãe solteira
E tem que fazer mamadeira
Todo dia
Além de trabalhar como empacotadeira
Nas Casas Bahia

Mama África
A minha mãe é mãe solteira
E tem que fazer mamadeira
Todo dia
Além de trabalhar como empacotadeira
Nas Casas Bahia

Mama África tem tanto o que fazer
Além de cuidar, neném
Além de fazer denguim
Filhinho tem que entender
Mama África vai e vem
Mas não se afasta de você

Mama África
A minha mãe é mãe solteira
E tem que fazer mamadeira
Todo dia
Além de trabalhar como empacotadeira
Nas Casas Bahia

Quando Mama sai de casa
Seus filhos se olodunzam
Rola o maior jazz
Mama tem calo nos pés

Mama precisa de paz
Mama não quer brincar mais
Filhinho dá um tempo
É tanto contratempo
No ritmo de vida de mama (vocês)

(Mama África)
(A minha mãe é mãe solteira)
E tem que fazer mamadeira
Todo dia
Além de trabalhar como empacotadeira
Nas Casas Bahia

Mama África
A minha mãe é mãe solteira
E tem que fazer mamadeira
Todo dia
Além de trabalhar como empacotadeira
Nas Casas Bahia

Deve ser legal
Ser negão no Senegal
Deve ser legal
Ser negão no Senegal

Deve ser legal
Ser negão no Senegal
Deve ser legal
Ser negão no Senegal

Mama África
A minha mãe é mãe solteira
E tem que fazer mamadeira
Todo dia
Além de trabalhar como empacotadeira
Nas Casas Bahia

Mama África (vocês)
(A minha mãe é mãe solteira)
(E tem que fazer mamadeira)
(Todo dia)
Além de trabalhar como empacotadeira
Nas Casas Bahia

Mama África
A minha mãe
A minha mãe
A minha mãe




“Béradêro: Chico César e Mama África” 
(Documentário)