sábado, 10 de outubro de 2026

Massa e Poder - A Ordem: Negativismo e esquizofrenia

Elias Canetti

A ORDEM

     Negativismo e esquizofrenia

          Um ser humano pode esquivar-se de ordens não lhes dando ouvidos; pode esquivar-se deixando de executá-las. O aguilhão — e nunca se insistirá demais neste ponto - somente aparece com a execução de ordens. É a própria ação realizada sob pressão alheia, de fora para dentro, o que leva o homem à formação de aguilhões. A ordem que é levada à ação estampa sua forma exata no executante; da força com que é dada, de sua aparência, de sua superioridade e de seu conteúdo dependem a profundidade e a dureza com que ela pode estampar-se. Ela sempre permanece como algo isolado, e desta forma é inevitável que todo homem finalmente acumule uma porção de aguilhões, tão isolados como o foram as ordens recebidas. Sua capacidade de aderência nos homens é surpreendente, nada penetra tão profundamente neles e nada chega a ser tão indissolúvel. É possível que chegue um momento no qual um indivíduo esteja tão repleto de aguilhões que já não tenha sensibilidade para nenhuma outra coisa; excetuando-se esses aguilhões, ele não sente mais coisa alguma.
     Sua defesa cm relação a novas ordens se converte então numa questão vital. Ele procura não ouvi-las, para não ter de aceitá-las . Quando é obrigado a ouvi-las, não as compreende, desviando-se delas de maneira ostensiva, fazendo o contrário do que lhe é ordenado. Quando lhe dizem para avançar, retrocede. Quando lhe dizem para retroceder, avança. Não se pode cede. Quando se pode dizer que ele seja livre em relação à ordem. Trata-se de uma reação desastrada ou até mesmo impotente, pois de certa forma ela é também determinada pelo conteúdo da ordem. É esta reação que a psiquiatria designa como negativismo; ele desempenha um papel especialmente importante entre os esquizofrênicos.
     Nos esquizofrênicos o que mais chama a atenção é a carência de contato. Eles estão muito mais isolados do que os demais. Frequentemente dão a impressão de estarem enrijecidos dentro de si mesmos; é como se não existisse nenhum tipo de relação entre eles e os demais; como se nada entendessem; como se nada quisessem entender. Sua obstinação é como a das estátuas de pedra. Não existe uma posição na qual eles não possam enrijecer. No entanto estas mesmas pessoas, noutras fases de sua enfermidade, se comportam repentinamente de maneira diametralmente oposta. Mostram-se de uma sugestionabilidade que assume proporções fantásticas. Fazem tudo o que lhes é ensinado ou que se pede a eles com tal rapidez, com tal perfeição que é como se nós mesmos estivéssemos dentro deles, fazendo as coisas por eles. Trata-se de ataques de servilismo que lhes acontecem repentinamente. "A escravidão da sugestão", como foi definido por um deles. De estátuas passam a ser zelosos escravos do dever, e levam ao extremo, de um modo que às vezes parece ridículo, qualquer coisa que se lhes peça.
     O contraste entre estas duas atitudes é tão grande que se torna difícil compreendê-lo; mas se por um momento nos abstrairmos da maneira como estas atitudes se apresentam dentro deles, se os contemplarmos, por assim dizer, de fora para dentro, não se pode negar que ambos os estados são bastante conhecidos também na vida dos seres "normais". A diferença é que, neste caso, esses estados servem a um determinado fim e dão a impressão de ser menos exagerados.
     O soldado que não dá atenção a qualquer estímulo externo, que permanece rígido, parado onde foi colocado, que não abandona seu posto, a quem ninguém pode induzir a fazer algo que normalmente faria e que já fez com muito agrado, esse soldado corretamente treinado para seu serviço encontra-se artificialmente num estado de negativismo. É verdade que em determinadas circunstâncias ele também pode agir, mas única e exclusivamente por ordens de seu superior. Ele foi adestrado neste negativismo para agir apenas sob determinadas ordens. Trata-se de um negativismo que se deixa manipular, pois está no arbítrio e no poder do superior levá-lo ao estado extremo oposto. Assim que a autoridade competente ordena algo ao soldado, ele se comporta com o mesmo zelo e com o mesmo servilismo do esquizofrênico em sua fase oposta.
     É necessário acrescentar que o soldado sabe muito bem por que age dessa maneira. Ele obedece porque se encontra sob ameaça de morte. Num capítulo anterior já descrevemos como ele se habitua pouco a pouco a este estado, chegando no fim a adaptar-se a ele de dentro para fora. Deve realçar-se apenas uma coisa: a inconfundível semelhança externa que existe entre o soldado em serviço e o esquizofrênico.
     Mas uma ideia bastante distinta se impõe aqui e ela me parece importante. O esquizofrênico, no seu estado de extrema sugestionabilidade, comporta-se como membro de uma massa. Ele é igualmente impressionável, cede de igual maneira a todo e qualquer estímulo externo. Somente não percebemos que ele poderia estar neste estado porque está sozinho. Como não vemos massa alguma em torno dele, não nos ocorre supor que ele — do seu próprio ponto de vista — se sente como se a ela pertencesse: ele é um pedaço desprendido de massa. Esta afirmação somente pode ser demonstrada se entrarmos nas representações internas dos próprios enfermos. Inumeráveis são os exemplos que podem ser citados. Uma mulher declara ter "todos os seres humanos no seu ventre". Outra "ouvia os mosquitos conversando". Um homem escutou "729 mil moças", outro "as vozes sussurrantes de toda a humanidade". Nas representações dos esquizofrênicos aparecem — por trás de disfarces múltiplos — todas as espécies de massa que existem; seria até mesmo possível começar a estudar a massa a partir deste ponto de vista. A meta de um trabalho especial será reunir e revisar as representações de massa dos esquizofrênicos. Sua classificação irá mostrar a grandiosa integridade e amplitude existente nelas.
     Vale a pena perguntar por que os dois estados opostos que mencionamos aqui são necessários para o esquizofrênico. Para compreendê-los é preciso lembrar o que ocorre com um indivíduo, assim que ele entra na massa. A liberação das distâncias obrigadas foi narrada e designada como descarga. Para complementar podemos acrescentar que os aguilhões-ordens que estão acumulados em cada indivíduo fazem parte destas distâncias obrigadas. Na massa todos os seres individuais são iguais entre si, nenhum tem o direito de mandar nos outros; também seria possível dizer que todos mandam em todos. Não só não se formam novos aguilhões: o indivíduo se desfaz ao mesmo tempo de todos os antigos. Por assim dizer ele escapuliu de casa e deixou seus aguilhões para trás, no sótão, onde jazem amontoados. Este sair de tudo o que faz suas rígidas uniões, seus limites e cargas é o motivo principal do sentimento de elevação, quase de euforia, que o homem sente dentro da massa. Em parte alguma ele se sente mais livre, e, se ele deseja tão ardentemente continuar sendo massa, isto se deve ao fato de saber o que irá acontecer depois. Quando ele retornar a si, quando voltar para sua casa, voltará a encontrar-se com tudo isso: limites, cargas e aguilhões.
      O esquizofrênico que está tão sobrecarregado de aguilhões a ponto de ficar por momentos paralisado por causa deles, sucumbe à ilusão do estado oposto: o estado de massa. Enquanto ele se encontra na massa não sente seus aguilhões. Ele saiu — pelo menos assim pensa — de si mesmo, e embora isso aconteça de maneira insegura e duvidosa, ele parece extrair daí um alívio temporário para o seu tormento; sente-se como se estivesse novamente relacionado com os demais. O valor desta redenção, é claro, é apenas ilusório. Justamente onde inicia sua libertação o esperam novas e mais intensas coerções. Mas a natureza completa da esquizofrenia não é o assunto que desejamos estudar aqui. Basta lembrarmo-nos de um fato: ninguém necessita mais da massa do que o esquizofrênico, tão repleto de aguilhões-ordens que se sente asfixiado por eles. Incapaz de encontrar a massa fora, ele se abandona a ela dentro de si.
continua na página 182...
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ELIAS CANETTI nasceu em 1905 em Ruschuk, na Bulgária, filho de judeus sefardins. Sua família estabeleceu-se na Inglaterra em 1911 e em Viena em 1913. Aí ele obteve, em 1929, um doutorado em química. Em 1938, fugindo do nazismo, trocou Viena por Londres e Zurique. Recebeu em 1972 o prêmio Büchner, em 1975 o prêmio Nelly-Sachs, em 1977 o prêmio Gottfried-Keller e, em 1981, o prêmio Nobel de literatura. Morreu em Zurique, em 1994. 
Além da trilogia autobiográfica composta por A língua absolvida (em A língua absolvida Elias Canetti, Prêmio Nobel de Literatura de 1981, narra sua infância e adolescência na Bulgária, seu país de origem, e em outros países da Europa para onde foi obrigado a se deslocar, seja por razões familiares, seja pelas vicissitudes da Primeira Guerra Mundial. No entanto, mais do que um simples livro de memórias, A língua absolvida é a descrição do descobrimento do mundo, através da linguagem e da literatura, por um dos maiores escritores contemporâneos), Uma luz em meu ouvido (mas talvez seja na autobiografia que seu gênio se evidencie com maior clareza. Com este segundo volume, Uma luz em meu ouvido, Canetti nos oferece um retrato espantosamente rico de Viena e Berlim nos anos 20, do qual fazem parte não só familiares do escritor, como sua mãe ou sua primeira mulher, Veza, mas também personagens famosos como Karl Kraus, Bertolt Brecht, Geoge Grosz e Isaak Babel, além da multidão de desconhecidos que povoam toda metrópole) e O jogo dos olhos (em O jogo dos olhos, Elias Canetti aborda o período de sua vida em que assistiu à ascensão de Hitler e à Guerra Civil espanhola, à fama literária de Musil e Joyce e à gestação de suas próprias obras-primas, Auto de fé e Massa e poder. Terceiro volume de uma autobiografia escrita com vigor literário e rigor intelectual, O jogo dos olhos é também o jogo das vaidades literárias exposto com impiedade, o jogo das descobertas intelectuais narrado com paixão e o confronto decisivo entre mãe e filho traçado com amargo distanciamento), já foram publicados no Brasil, entre outros, seu romance Auto de fé e os relatos As vozes de Marrakech, Festa sob as bombas e Sobre a morte.
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Copyright @ 1960 by Claassen Verlag GmbH, Hamburg
Copyright @ 1992 by Claassen Verlag GmbH, Hildescheim
Título original Masse und Macht

"Não há nada que o homem mais tema do que o contato com o desconhecido."

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e você... conhece alguém que em meio a nossa danação geral em 2020, 2021 e 2022, NÃO sentiu empatia por nós, os sobreviventes, nem mesmo pelos nossos mortos e mortas, e apenas repetia: NÃO sou coveiro!?
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e perguntas sem respostas te incomodam?

Edgar Allan Poe - Contos: Os fatos do caso do Sr. Valdemar

Edgar Allan Poe - Contos


Os fatos do caso do Sr. Valdemar

Decerto não pretendo considerar como o menor motivo de admiração que o extraordinário caso do sr. Valdemar tenha suscitado debate. Teria sido um milagre de outro modo — sobretudo, dadas as circunstâncias. Devido ao desejo de todas as partes envolvidas de manter o episódio longe do público, pelo menos por ora, ou até que tenhamos novas oportunidades de investigação — devido aos nossos esforços de empreendê-la — um relato deturpado ou exagerado chegou à sociedade e tornou-se fonte de inúmeras distorções desagradáveis e, muito naturalmente, de grande dose de incredulidade.
     
     Faz-se necessário agora que eu forneça os fatos — na medida em que eu mesmo os compreenda. São, sucintamente, os seguintes:
     Minha atenção, nos últimos três anos, tem sido repetidamente atraída para a questão do mesmerismo; e, cerca de nove meses atrás, ocorreu-me, muito subitamente, que na série de experimentos até então efetuados, sucedera uma omissão das mais notáveis e deveras inexplicável: — nenhuma pessoa ainda fora mesmerizada in articulo mortis. Permanecia por ser verificado, primeiro, se, em tais condições, existia no paciente alguma suscetibilidade à influência magnética; segundo, se, caso existisse, ela era prejudicada ou ampliada pela condição; terceiro, em que medida, ou por qual duração de tempo, os avanços da Morte podiam ser detidos pelo processo. Havia outros pontos a averiguar, mas esses foram os que mais excitaram minha curiosidade — em especial este último, pelo caráter imensamente importante de suas consequências.
     Procurando à minha volta alguém por cujo intermédio eu pudesse testar essas particularidades, fui levado a pensar em meu amigo, o sr. Ernest Valdemar, o conhecido compilador da Bibliotheca Forensica e autor (sob o nom de plume de Issachar Marx) das versões polonesas de Wallenstein e Gargantua. O sr. Valdemar, que residia a maior parte do tempo no Harlem, em Nova York, desde o ano de 1839, é (ou era) particularmente notável pela extrema magreza de sua pessoa — seus membros inferiores parecendo muito com os de John Randolph; e, além disso, pela alvura de suas suíças, em violento contraste com o negror dos cabelos — estes, consequentemente, sendo no mais das vezes tomados por uma peruca. Seu temperamento era marcadamente nervoso e fazia dele um bom instrumento para o experimento mesmérico. Em duas ou três ocasiões eu o pus para dormir com pouca dificuldade, mas fiquei desapontado com outros resultados que sua peculiar constituição naturalmente me levara a antecipar. Sua vontade não ficou em período algum positivamente, ou inteiramente, sob meu controle e, com respeito a sua clarividência, não fui capaz de executar com ele nada que me fosse digno de confiança. Sempre atribuí meu fracasso nesses aspectos ao estado deteriorado de sua saúde. Por alguns meses antes que eu viesse a conhecê-lo, seus médicos o haviam diagnosticado com uma tísica crônica. Tinha o costume, de fato, de falar calmamente sobre seu óbito iminente, como um assunto que não era para ser evitado nem lastimado.
     Quando as ideias às quais aludi me ocorreram, nada mais natural é claro que me viesse à mente o sr. Valdemar. Eu conhecia a firme filosofia do homem bem demais para recear escrúpulos de sua parte; e ele não tinha parentes na América que pudessem interferir. Conversamos francamente sobre o assunto; e, para minha surpresa, seu interesse pareceu vivamente despertado. Eu disse, para minha surpresa; pois, embora sempre se prestasse de boa vontade a meus experimentos, nunca antes manifestara o menor sinal de apreciação pelo que eu fazia. Sua doença era de uma espécie que admitiria o cálculo exato com respeito à época do término em morte; e foi finalmente combinado entre nós que ele mandaria me chamar cerca de vinte e quatro horas antes do período anunciado por seus médicos como sendo o de seu passamento.
     Faz agora mais de sete meses desde que recebi, do próprio sr. Valdemar, o seguinte bilhete:

   Meu caro P——,
   Pode vir agora mesmo. D—— e F—— estão de acordo que não devo durar além de amanhã à meia-noite; e acho que acertaram o momento com bastante precisão.
                              Valdemar

     Recebi esse bilhete cerca de meia hora após ele ter sido escrito e, quinze minutos depois, encontrava-me no quarto do moribundo. Eu não o via havia dez dias e fiquei consternado com a assustadora alteração que o breve intervalo operara em sua pessoa. Seu rosto exibia um matiz plúmbeo; os olhos estavam totalmente embaciados; e a emaciação era tão extrema que a pele fora rachada pelos ossos malares. A expectoração era excessiva. O pulso, mal perceptível. Conservava, todavia, de um modo assaz notável, tanto as faculdades mentais como um certo grau de força física. Falava com clareza — tomou alguns medicamentos paliativos sem ajuda — e, quando entrei no quarto, ocupava-se de redigir lembretes em um caderninho de bolso. Recostava na cama em travesseiros. Os doutores D —— e F—— assistiam-no.
     Após apertar a mão de Valdemar, chamei esses cavalheiros à parte e obtive com eles um relato minucioso das condições do paciente. O pulmão esquerdo se encontrava havia dezoito meses em um estado semiósseo ou cartilaginoso, e estava, é claro, inteiramente inutilizado para qualquer propósito vital. O direito, em sua metade superior, também ficara parcialmente, se não por completo, ossificado, enquanto a região inferior era meramente uma massa de tubérculos purulentos, interpenetrando-se. Diversas cavernas extensas haviam se formado; e, em um ponto, ocorrera a adesão permanente às costelas. Essas ocorrências no lobo direito eram de data relativamente recente. A ossificação avançara com rapidez muito inusual; nenhum sinal dela fora detectado um mês antes, e a adesão só fora observada no decorrer dos três dias precedentes. Independentemente da tísica, suspeitavam que o paciente sofresse um aneurisma da aorta; mas nesse ponto os sintomas ósseos tornavam um diagnóstico exato impossível. Era da opinião dos dois médicos que o sr. Valdemar morreria por volta da meia-noite do dia seguinte (domingo). Eram então sete horas da noite de sábado.
     Ao se afastar do leito do enfermo para entreter conversa com minha pessoa, os doutores D—— e F—— haviam feito suas despedidas finais. Não tinham intenção de regressar; mas, a um pedido meu, concordaram em examinar o paciente por volta das dez horas da noite seguinte.
     Depois que partiram, conversei livremente com o sr. Valdemar sobre a questão de seu óbito iminente, bem como, em maiores particularidades, sobre a experiência proposta. Reafirmou-me que continuava disposto e até ansioso para sua realização e insistiu comigo que começasse imediatamente. Um enfermeiro e uma enfermeira cuidavam dele; mas eu não me sentia inteiramente livre para empreender uma tarefa daquela natureza sem alguma testemunha mais confiável do que essas pessoas, em caso de um súbito acidente, poderiam se revelar. Logo, posterguei os procedimentos para até mais ou menos as oito horas da noite seguinte, quando a chegada de um estudante de medicina com quem eu tinha alguma familiaridade (o sr. Theodore L——l) aliviou-me de adicionais contratempos. Fora minha intenção, originalmente, aguardar pelos médicos; mas fui levado a prosseguir, primeiro, devido à insistência do sr. Valdemar e, segundo, devido a minha convicção de que não tinha um minuto a perder, pois que sua condição se deteriorava a olhos vistos.
     O sr. L——l teve a gentileza de aceder ao meu desejo de que tomasse notas dos acontecimentos; e é com base em seus apontamentos que o que tenho a relatar foi, na maior parte, condensado ou copiado verbatim.
     Faltavam cerca de cinco minutos para as oito quando, tomando a mão do paciente, instei-o a declarar, com a maior clareza de que fosse capaz, ao sr. L——l, se ele (o sr. Valdemar) estava inteiramente de acordo que eu conduzisse o experimento de mesmerização com ele em sua presente condição.
     Ele respondeu debilmente, embora de forma suficientemente audível, “Sim, desejo ser mesmerizado” — acrescentando de imediato, “Receio que o senhor tenha adiado demais”.
     Enquanto ele assim falava, dei início aos passes que eu já percebera serem os mais eficientes em subjugá-lo. Encontrava-se evidentemente sob minha influência ao primeiro toque lateral de minha mão através de sua testa; mas, embora eu empregasse todos os meus poderes, nenhum efeito perceptível posterior foi induzido senão alguns minutos após as dez horas, quando os doutores D—— e F—— chegaram, segundo o combinado. Expliquei-lhes, em poucas palavras, o que planejava fazer, e como não ofereceram nenhuma objeção, afirmando que o paciente encontrava-se já na agonia da morte, prossegui sem hesitar — mudando, entretanto, os passes laterais para passes descendentes, e dirigindo meu olhar inteiramente ao olho direito do enfermo.
     Nesse momento, seu pulso era imperceptível e ele estertorava, a intervalos de meio minuto.
     Essa condição permaneceu quase inalterada por um quarto de hora. Ao esgotar-se esse período, entretanto, um suspiro natural, ainda que muito profundo, escapou do peito do paciente, e a respiração estertorosa cessou — isto é, seus estertores não mais eram perceptíveis; os intervalos haviam aumentado. As extremidades do paciente estavam geladas.
     Às cinco para as onze, percebi sinais inequívocos da influência mesmérica. O movimento vítreo do olho abandonara essa expressão de inquieto exame interior que nunca é visto exceto em casos de sonambulismo e que é um tanto impossível de confundir. Com alguns poucos e rápidos passes laterais, fiz as pálpebras estremecerem, como que no sono incipiente, e com outros mais cerrei-as inteiramente. Não me dei por satisfeito, todavia, com isso, mas continuei as manipulações vigorosamente, e aplicando nelas toda minha força de vontade, até ter enrijecido por completo os membros do paciente adormecido, não sem antes tê-los acomodado numa posição aparentemente confortável. As pernas foram deixadas bem esticadas; os braços, um pouco menos, colocados na cama a uma distância moderada dos quadris. A cabeça ficou apenas ligeiramente elevada.
     Quando completei tudo isso, era meia-noite em ponto, e pedi aos cavalheiros presentes que examinassem as condições do sr. Valdemar. Após alguns experimentos, admitiram que se encontrava em um estado extraordinariamente perfeito de transe mesmérico. A curiosidade dos dois médicos ficou enormemente excitada. O dr. D—— resolveu na mesma hora permanecer com o paciente durante toda a noite, enquanto o dr. F—— partiu com a promessa de voltar ao raiar do dia. O sr. L——l e os enfermeiros permaneceram.
     Deixamos o sr. Valdemar inteiramente imperturbado até cerca de três da manhã, quando me aproximei e o encontrei precisamente na mesma condição que estava quando o dr. F—— se foi — ou seja, permanecia na mesma posição; o pulso estava imperceptível; a respiração era suave (mal se podia notar, exceto aproximando um espelho de seus lábios); os olhos cerravam-se naturalmente; e os membros estavam rígidos e frios como mármore. Mesmo assim, a aparência geral não era a de um morto.
     Quando me acerquei do sr. Valdemar fiz uma espécie de esforço leve para influenciar seu braço direito a acompanhar o meu, conforme eu o passava de um lado para outro acima de seu corpo. Em experimentos assim com esse paciente eu nunca me saíra perfeitamente bem no passado e decerto tampouco me ocorria que pudesse ser bem-sucedido agora; mas, para minha perplexidade, seu braço muito prontamente, ainda que debilmente, acompanhou cada direção que designei com o meu próprio. Decidi arriscar algumas palavras de conversa.

“Senhor Valdemar”, eu disse, “está dormindo?” Ele não respondeu, mas percebi um tremor perto dos lábios, e fui assim levado a repetir a pergunta, uma vez depois mais outra. Nessa terceira tentativa, seu corpo todo foi agitado por um tremor muito ligeiro; as pálpebras se descerraram o suficiente para expor uma linha branca do globo ocular; os lábios se moveram morosamente e, do meio deles, num sussurro quase inaudível, vieram as palavras:
“Sim; — adormecido, agora. Não me acorde! — Deixe-me morrer assim!”

     Nesse momento apalpei seus membros e vi que continuavam tão rígidos como antes. O braço direito, novamente, obedeceu a direção de minha mão. Questionei o noctâmbulo mais uma vez: 

“Ainda sente dores no peito, senhor Valdemar?”

     A resposta agora foi imediata, mas ainda menos audível que antes:

“Sem dor — estou morrendo.”

     Julguei não ser aconselhável perturbá-lo ainda mais naquele ponto, e nada mais foi dito ou feito até a chegada do dr. F——, que chegou pouco antes do nascer do sol, e expressou uma perplexidade sem limites em ver que o paciente continuava com vida. Após tomar seu pulso e aplicar-lhe um espelho aos lábios, requisitou-me que falasse com o noctâmbulo outra vez. Assim o fiz, dizendo:

“Senhor Valdemar, continua dormindo?”

     Como antes, alguns minutos transcorreram até que uma resposta fosse pronunciada; e durante o intervalo o moribundo parecia juntar forças para falar. No momento em que eu repetia a pergunta pela quarta vez, disse, muito debilmente, de modo quase inaudível:

“Sim; ainda dormindo — morrendo.”

     Era agora a opinião, ou antes o desejo, dos médicos que ao sr. Valdemar fosse concedido permanecer imperturbado em sua condição presente aparentemente tranquila, até que a morte lhe adviesse — e isso, era o consenso geral, devia ter lugar dali a poucos minutos. Decidi, entretanto, dirigir-lhe a palavra uma vez mais, e meramente repeti minha pergunta anterior.
     Enquanto eu falava, uma visível mudança se operou na fisionomia do noctâmbulo. Os olhos giraram e se abriram vagarosamente, as pupilas ocultas no alto; a pele como um todo assumiu um matiz cadavérico, parecendo-se menos com pergaminho do que com papel branco; e as manchas circulares da héctica que até então se faziam notar distintamente no centro de cada bochecha sumiram de repente. Uso essa expressão porque a subitaneidade com que se foram trouxe-me à mente nada menos que uma vela sendo apagada por um sopro de ar. O lábio superior, ao mesmo tempo, encolheu-se e expôs os dentes, quando antes os cobria por inteiro; ao passo que o maxilar inferior caiu com um audível tranco, deixando a boca amplamente aberta, e exibindo por inteiro a língua inchada e enegrecida. Presumo que nenhum membro do grupo presente na ocasião estivesse desacostumado aos horrores de um leito de morte; mas tão hedionda além de qualquer noção era a aparência do sr. Valdemar nesse momento que ocorreu um recuo geral das imediações da cama.
     Sinto agora que chego a um ponto desta narrativa em que o choque fará com que todo leitor se mostre positivamente descrente. É minha obrigação, entretanto, simplesmente continuar.
     Já não havia o mais leve sinal vital no sr. Valdemar; e, concluindo que estava morto, ocupávamo-nos em confiá-lo aos cuidados dos enfermeiros quando um forte movimento vibratório se fez observar em sua língua. Isso prosseguiu por cerca de um minuto. Ao expirar esse período, do maxilar distendido e imóvel brotou uma voz — e uma tal que seria loucura de minha parte tentar descrever. Existem, na verdade, dois ou três epítetos que se poderiam considerar aplicáveis aqui, em parte; posso dizer, por exemplo, que o som foi áspero, alquebrado e sepulcral; mas, como um todo, foi indescritível, pelo simples motivo de que nenhum som tão terrivelmente similar jamais vibrou no ouvido humano. Houve duas particularidades, todavia, que na ocasião achei, e continuo a achar, podem ser inequivocamente apontadas como características da entonação — além de muito aptas a transmitir certa ideia de peculiaridade sobrenatural. Em primeiro lugar, a voz parecia chegar aos ouvidos — pelo menos aos meus — de uma vasta distância, ou de alguma profunda caverna no interior da terra. Em segundo lugar, ocasionou-me uma impressão (temo, de fato, que me será impossível fazer compreender) semelhante à que materiais gelatinosos ou glutinosos causam ao sentido do tato.
     Falei tanto de “som” como de “voz”. Quero dizer que o som foi pronunciado com extrema nitidez — com extraordinária, penetrante, nitidez —, sílaba a sílaba. O sr. Valdemar falou — obviamente em resposta à pergunta que eu lhe apresentara alguns minutos antes. Eu havia perguntado, é mister lembrar, se continuava dormindo. Ele agora dizia:

“Sim; — não; — eu estava dormindo — e agora — agora — estou morto.”

     Nenhum dos presentes sequer teve pretensão de negar, ou de tentar reprimir, o calafrio de horror inexprimível que essas poucas palavras, assim pronunciadas, tão previsivelmente provocaram. O sr. L——l (o estudante) desmaiou. Os enfermeiros deixaram o quarto imediatamente e não houve como convencê-los a voltar. Quanto as minhas próprias impressões, abstenho-me de tentar torná-las inteligíveis ao leitor. Durante quase uma hora, ocupamo-nos, em silêncio — sem que ninguém pronunciasse uma única palavra —, dos procedimentos para reanimar o sr. L——l. Quando ele voltou a si, tornamos a nos concentrar em investigar a condição do sr. Valdemar.
     Ela continuava em todos os aspectos como descrevi da última vez, com exceção de que o espelho não mais fornecia evidência de alento. Uma tentativa de colher sangue do braço fracassou. Devo mencionar, ainda, que esse membro não mais se encontrava submetido à minha vontade. Tentei em vão fazer com que seguisse a direção de minha mão. O único indício real, de fato, da influência mesmérica, era agora encontrado no movimento vibratório da língua, sempre que eu endereçava alguma pergunta ao sr. Valdemar. Ele parecia esforçar-se para responder, mas já não havia mais volição suficiente. As perguntas a ele apresentadas por qualquer outro que não eu mesmo parecia inteiramente insensível — embora eu me empenhasse em deixar cada membro da equipe em comunhão mesmérica com ele. Acredito que a essa altura já relatei todo o necessário para uma compreensão do estado do noctâmbulo nesse momento. Outros enfermeiros foram chamados; e às dez horas deixei a casa na companhia dos dois médicos e do sr. L——l.
     No período da tarde, voltamos todos para visitar o paciente. Sua condição permanecia precisamente a mesma. Travamos então uma discussão acerca da propriedade ou exequibilidade de acordá-lo; mas não nos foi difícil concordar que nenhum propósito benéfico adviria de fazê-lo. Estava evidente que, no momento, a morte (ou o que normalmente chamamos de morte) fora detida pelo procedimento mesmérico. Parecia-nos indubitável que despertar o sr. Valdemar signf icaria meramente assegurar seu instantâneo, ou pelo menos acelerado, óbito.
     Desde esse período até o encerramento da semana passada — um intervalo de quase sete meses — continuamos a fazer visitas diárias à casa do sr. Valdemar, acompanhados, vez por outra, de médicos e alguns amigos. Todo esse tempo o noctâmbulo permaneceu exatamente como eu o descrevera da última vez. O cuidado dos enfermeiros era contínuo.
     Foi na sexta-feira passada que finalmente resolvemos fazer o experimento de despertá-lo, ou de tentar despertá-lo; e é (talvez) o resultado infeliz desse último experimento que tem ensejado tanta discussão em círculos privados — grande parte da qual não consigo deixar de julgar como sendo de uma inclinação popular injustificável.
     Com o intuito de tirar o sr. Valdemar do transe mesmérico, fiz uso dos costumeiros passes. Os quais, por algum tempo, não surtiram efeito. O primeiro indício de revivescência foi proporcionado por uma descida parcial da íris. Observou-se como uma particularidade notável o fato de que o declínio da pupila se fez acompanhar da profusa efusão de uma linfa amarelada (originada sob as pálpebras) dotada de um odor pungente e sumamente repulsivo.
     Era agora sugerido que eu tentasse influenciar o braço do paciente, como dantes. Fiz uma tentativa e fracassei. O dr. F—— então expressou o desejo de que eu lhe fizesse uma pergunta. Procedi como segue:

“Senhor Valdemar, pode nos explicar o que está sentindo ou querendo nesse momento?”

     Houve um ressurgimento imediato dos círculos hécticos nas bochechas; a língua estremeceu, ou antes rolou violentamente na boca (embora os maxilares e os lábios permanecessem tão rígidos quanto antes) e finalmente a mesma voz hedionda que já tive oportunidade de descrever proferiu:

“Pelo amor de Deus! — rápido! — rápido! — ponha-me para dormir — ou, rápido! — acorde-me! — rápido! — afirmo que estou morto!”

     Fiquei profundamente perturbado e por um instante permaneci indeciso quanto ao que fazer. No início, empreendi uma tentativa de tranquilizar o paciente; mas, fracassando nesse propósito por total suspensão da volição, voltei atrás e me empenhei com igual concentração em despertá-lo. Nessa tentativa logo vi que seria bem-sucedido — ou pelo menos logo imaginei que meu êxito seria completo — e estou certo de que todos naquele quarto estavam preparados para ver o paciente voltando a si.
     Para o que realmente ocorreu, entretanto, é absolutamente impossível que algum ser humano pudesse estar preparado.
     Conforme eu rapidamente executava os passes mesméricos, em meio a exclamações de “morto! morto!” definitivamente prorrompendo da língua e não dos lábios do enfermo, seu corpo todo subitamente — no espaço de um único minuto, ou ainda menos que isso, encolheu — desintegrou-se — se decompôs por completo sob minhas mãos. Em cima da cama, diante de toda a equipe, nada mais havia que uma massa quase líquida de uma asquerosa — detestável — podridão.

continua página 94...
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Manuscrito encontrado numa garrafa (b) / O gato preto / Os fatos do caso do Sr. Valdemar /                   
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Edgar Allan Poe
CONTOS
Originalmente publicados entre 1831 e 1849
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Edgar Allan Poe (nascido Edgar Poe; Boston, Massachusetts, Estados Unidos, 19 de Janeiro de 1809 — Baltimore, Maryland, Estados Unidos, 7 de Outubro de 1849) foi um autor, poeta, editor e crítico literário estadunidense, integrante do movimento romântico estadunidense. Conhecido por suas histórias que envolvem o mistério e o macabro, Poe foi um dos primeiros escritores americanos de contos e é geralmente considerado o inventor do gênero ficção policial, também recebendo crédito por sua contribuição ao emergente gênero de ficção científica. Ele foi o primeiro escritor americano conhecido por tentar ganhar a vida através da escrita por si só, resultando em uma vida e carreira financeiramente difíceis.
Ele nasceu como Edgar Poe, em Boston, Massachusetts; quando jovem, ficou órfão de mãe, que morreu pouco depois de seu pai abandonar a família. Poe foi acolhido por Francis Allan e o seu marido John Allan, de Richmond, Virginia, mas nunca foi formalmente adotado. Ele frequentou a Universidade da Virgínia por um semestre, passando a maior parte do tempo entre bebidas e mulheres. Nesse período, teve uma séria discussão com seu pai adotivo e fugiu de casa para se alistar nas forças armadas, onde serviu durante dois anos antes de ser dispensado. Depois de falhar como cadete em West Point, deixou a sua família adotiva. Sua carreira começou humildemente com a publicação de uma coleção anônima de poemas, Tamerlane and Other Poems (1827).
Poe mudou seu foco para a prosa e passou os próximos anos trabalhando para revistas e jornais, tornando-se conhecido por seu próprio estilo de crítica literária. Seu trabalho o obrigou a se mudar para diversas cidades, incluindo Baltimore, Filadélfia e Nova Iorque. Em Baltimore, casou-se com Virginia Clemm, sua prima de 13 anos de idade. Em 1845, Poe publicou seu poema The Raven, foi um sucesso instantâneo. Sua esposa morreu de tuberculose dois anos após a publicação. Ele começou a planejar a criação de seu próprio jornal, The Penn (posteriormente renomeado para The Stylus), porém, em 7 de outubro de 1849, aos 40 anos, morreu antes que pudesse ser produzido. A causa de sua morte é desconhecida e foi por diversas vezes atribuída ao álcool, congestão cerebral, cólera, drogas, doenças cardiovasculares, raiva, suicídio, tuberculose entre outros agentes.
Poe e suas obras influenciaram a literatura nos Estados Unidos e ao redor do mundo, bem como em campos especializados, tais como a cosmologia e a criptografia. Poe e seu trabalho aparecem ao longo da cultura popular na literatura, música, filmes e televisão. Várias de suas casas são dedicadas como museus atualmente.

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Cinema: "Tommy, O Filme"- Parte 2

The Who


Tommy é uma ousada ópera-rock dirigida por Ken Russell e inspirada no álbum homônimo do The Who. A trama acompanha um garoto que, após um trauma de infância, vive isolado do mundo e encontra no fliperama a chance de se tornar um ídolo de massas, em meio a críticas à religião, à fama e ao consumo. Psicodélico e visualmente marcante, combina performances icônicas e músicas inesquecíveis, sendo um clássico cult para fãs de musicais e rock.

O ano é 1975...

Direção:
Ken Russell

Roteiristas:
The Who
Ken Russell
Pete Townshend


The Who - "Tommy, O Filme" 
Legendado em Português - Parte 2





Elenco:
Oliver Reed como Frank Hobbs
Ann-Margret como Nora
Roger Daltrey como Tommy
Elton John como The Pinball Wizard
Eric Clapton como The Preacher
John Entwistle como da Banda
Keith Moon como Uncle Ernie
Paul Nicholas como Cousin Kevin
Jack Nicholson como O Especialista
Pete Townshend como da Banda
Robert Powell como Capitão Walker
Tina Turner como A Rainha do Ácido
Arthur Brown como O Padre
Victoria Russell como Sally Simpson
Ben Aris como Reverendo Simpson
Mary Holland como Mrs. Simpson
Gary Rich como Músico de rock
Dick Allan como Presidente Black Angels
Barry Winch como Jovem Tommy
Eddie Stacey como Garoto Bovver
Liza Strike como Vocal Chorus (narração)
Gillian McIntosh como Vocal Chorus (narração)
Simon Townshend como Vocal Chorus (narração)
Vicki Brown como Vocal Chorus (narração)
Mylon LeFevre como Vocal Chorus (narração)
Kit Trevor como Vocal Chorus (narração)
Billy Nicholls como Vocal Chorus (narração)
Helen Shappel como Vocal Chorus (narração)
Jeff Roden como Vocal Chorus (narração)
Paul Gurvitz como Vocal Chorus (narração)
Margo Newman como Vocal Chorus (narração)
Alison Dowling como Vocal Chorus (narração)
Jennifer Baker como Enfermeira #1 (não creditado)
Susan Baker como Enfermeira #2 (não creditado)
Peter Brace como Homem com Knife (não creditado)
Imogen Claire como Enfermeira do consultório do especialista (não creditado)
John Clark como Médico (não creditado)
Jayne Collins como Garota (não creditado)
Peter Dukes como Repórter / Cameraman (não creditado)
Christine Hewett como Mulher de Preto no Comercial de Chocolate Beauty (não creditado)
Gillian King como Aia da Rainha do Ácido (não creditado)
Juliet King como Aia da Rainha do Ácido Queen (não creditado)
Steven Longhurst como Acompanhante de Tommy (não creditado)
James Payne como Homem pegando um programa em uma casa de strip-tease (não creditado)
Alex Russell (não creditado)
Ken Russell como Aleijado (não creditado)
Tony Stevens como Dançarino (não creditado)
Lisa Vanderpump como Garota na festa de Natal (não creditado)

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Parte 02:
Parte 03: 
Parte 04:
Parte 05:
20. Tommy, o Filme - Parte 2 /   

Cinema: "Tommy, O Filme"- Parte 1

The Who


Tommy é uma ousada ópera-rock dirigida por Ken Russell e inspirada no álbum homônimo do The Who. A trama acompanha um garoto que, após um trauma de infância, vive isolado do mundo e encontra no fliperama a chance de se tornar um ídolo de massas, em meio a críticas à religião, à fama e ao consumo. Psicodélico e visualmente marcante, combina performances icônicas e músicas inesquecíveis, sendo um clássico cult para fãs de musicais e rock.

O ano é 1975...

Direção:
Ken Russell

Roteiristas:
The Who
Ken Russell
Pete Townshend


The Who - "Tommy, O Filme" 
Legendado em Português - Parte 1 




Elenco:
Oliver Reed como Frank Hobbs
Ann-Margret como Nora
Roger Daltrey como Tommy
Elton John como The Pinball Wizard
Eric Clapton como The Preacher
John Entwistle como da Banda
Keith Moon como Uncle Ernie
Paul Nicholas como Cousin Kevin
Jack Nicholson como O Especialista
Pete Townshend como da Banda
Robert Powell como Capitão Walker
Tina Turner como A Rainha do Ácido
Arthur Brown como O Padre
Victoria Russell como Sally Simpson
Ben Aris como Reverendo Simpson
Mary Holland como Mrs. Simpson
Gary Rich como Músico de rock
Dick Allan como Presidente Black Angels
Barry Winch como Jovem Tommy
Eddie Stacey como Garoto Bovver
Liza Strike como Vocal Chorus (narração)
Gillian McIntosh como Vocal Chorus (narração)
Simon Townshend como Vocal Chorus (narração)
Vicki Brown como Vocal Chorus (narração)
Mylon LeFevre como Vocal Chorus (narração)
Kit Trevor como Vocal Chorus (narração)
Billy Nicholls como Vocal Chorus (narração)
Helen Shappel como Vocal Chorus (narração)
Jeff Roden como Vocal Chorus (narração)
Paul Gurvitz como Vocal Chorus (narração)
Margo Newman como Vocal Chorus (narração)
Alison Dowling como Vocal Chorus (narração)
Jennifer Baker como Enfermeira #1 (não creditado)
Susan Baker como Enfermeira #2 (não creditado)
Peter Brace como Homem com Knife (não creditado)
Imogen Claire como Enfermeira do consultório do especialista (não creditado)
John Clark como Médico (não creditado)
Jayne Collins como Garota (não creditado)
Peter Dukes como Repórter / Cameraman (não creditado)
Christine Hewett como Mulher de Preto no Comercial de Chocolate Beauty (não creditado)
Gillian King como Aia da Rainha do Ácido (não creditado)
Juliet King como Aia da Rainha do Ácido Queen (não creditado)
Steven Longhurst como Acompanhante de Tommy (não creditado)
James Payne como Homem pegando um programa em uma casa de strip-tease (não creditado)
Alex Russell (não creditado)
Ken Russell como Aleijado (não creditado)
Tony Stevens como Dançarino (não creditado)
Lisa Vanderpump como Garota na festa de Natal (não creditado)


The Who

The Who é uma banda de rock inglesa formada em Londres em 1964, consolidou-se como força criativa do rock britânico unindo energia de palco incendiária, conceitos inovadores como a ópera rock e um som que mescla peso e melodia. Sua influência duradoura ecoa do punk ao rock alternativo, mantendo-os relevantes e celebrados por gerações.


Won't Get Fooled Again - 1978





Integrantes:
Roger Daltrey - vocalista
Pete Townshend - guitarrista

Ex-integrantes:
John Entwistle - baixista (Chiswick, 9 de outubro de 1944 – Paradise, 27 de junho de 2002)
Keith Moon - baterrista (Wembley, 23 de agosto de 1946 – Mayfair, 7 de setembro de 1978)
Doug Sandom
Colin Dawson - foi o primeiro vocalista da banda
Gabby Connolly - foi o segundo vocalista substituindo Colin Dawson
Kenney Jones - baterista que substituiu Keith Moon


Baba O'Riley - 1978




Keith Moon sofreu uma série de contratempos durante a década de 1970, principalmente a morte acidental do motorista Neil Boland e o colapso de seu casamento. Ele sofria de alcoolismo e adquiriu reputação de decadência e humor negro; seu apelido era "Moon the Loon". Durante a turnê com o Who, ele desmaiou várias vezes no palco e foi hospitalizado. Na época da última turnê com ele em 1976, e particularmente durante a produção de The Kids Are Alright e Who Are You, a deterioração do baterista era evidente. Moon voltou para Londres em 1978, morrendo naquele mês de setembro de uma overdose de Heminevrin, uma droga destinada a tratar ou prevenir sintomas de abstinência alcoólica.


Who Are You - 1989



John Entwistle é reconhecido por suas habilidades musicais, sua abordagem instrumental usava linhas principais pentatônicas e um som rico em agudos então incomum ("agudos completos, volume total"). Ele foi eleito o maior baixista de todos os tempos em uma enquete dos leitores da Rolling Stone de 2011 e, em 2020, a mesma revista o classificou em terceiro lugar em sua própria lista dos 50 maiores baixistas de todos os tempos.

John Entwistle morreu no quarto 658 do Hard Rock Hotel and Casino em Paradise, Nevada, em 27 de junho de 2002, um dia antes do primeiro show programado da turnê do Who's 2002 pelos Estados Unidos. Ele tinha 57 anos. Entwistle foi para a cama naquela noite com Alycen Rowse, uma stripper e groupie local, que acordou na manhã seguinte e encontrou Entwistle morto. O médico legista do condado de Clark determinou que sua morte foi devido a um ataque cardíaco induzido por uma quantidade indeterminada de cocaína. Entwistle já tinha uma doença cardíaca grave e costumava fumar 20 cigarros por dia.



Who Are You - CSI Theme




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