Edgar Allan Poe - ContosWilliam Wilson Que dizer dela? que dizer da austera consciência,
Esse espectro em meu caminho?
Chamberlain, Pharronida
continuando...
Foi sem dúvida o anômalo estado de coisas existente entre nós que
conduziu todos os meus ataques contra ele (e eram muitos, abertos ou
disfarçados) pela senda da pilhéria ou da piada de mau gosto (provocando
dor sob o pretexto do mero gracejo), e não de uma hostilidade mais grave
e determinada. Mas meus esforços nesse sentido de modo algum
conheciam sucesso uniforme, mesmo quando meus planos eram
concebidos com a mais espirituosa das verves; pois meu homônimo tinha,
em seu caráter, muito dessa austeridade despretensiosa e tranquila que,
embora apreciadora da pungência de suas próprias piadas, jamais exibe
seu calcanhar de Aquiles e se recusa absolutamente a ser ela própria
objeto de zombaria. Eu de fato não conseguia encontrar senão um único
ponto vulnerável, e este, residindo numa peculiaridade pessoal, oriunda,
talvez, de uma enfermidade constitucional, teria sido poupada por
qualquer antagonista menos falto de recursos como era o meu caso; —
meu rival possuía uma debilidade no aparelho faucal ou gutural que o
impedia completamente de erguer a voz acima de um sussurro baixo. Desse
defeito eu não deixava de tirar toda mísera vantagem que estivesse em
meu alcance.
As retaliações de Wilson na mesma moeda eram muitas; e havia um
procedimento de seu humor ferino que me transtornava além da medida.
Como afinal de contas teve a sagacidade de descobrir que uma coisa tão
insignificante era capaz de me atormentar, eis uma questão que jamais
pude resolver; mas, tendo-a descoberto, praticava habitualmente a
importunação. Eu sempre sentira aversão ao meu pouco refinado
patronímico, bem como ao seu comuníssimo, se não plebeu, prenome. As
duas palavras eram veneno para meus ouvidos; e quando, no dia de minha
chegada, um segundo William Wilson também se apresentou no internato, fiquei furioso com ele por possuir esse nome, e duplamente desgostoso
com o nome porque um estranho o carregava, alguém que seria causa de
sua repetição duplicada, alguém que estaria constantemente em minha
presença, e cujos interesses, na rotina ordinária dos assuntos escolares,
deviam inevitavelmente, por conta da detestável coincidência, ser muitas
vezes confundidos com os meus.
O sentimento de irritação assim engendrado foi ficando mais forte a cada
circunstância que tendia a mostrar a semelhança, moral ou física, entre
mim e meu rival. Nessa época eu ainda não descobrira o fato notável de
que tínhamos a mesma idade; mas percebia que éramos da mesma altura,
e me dava conta de que éramos até singularmente parecidos na figura
geral de nossas pessoas e no contorno de nossas feições. Exasperava-me
também o rumor no tocante a nosso parentesco, e que se tornara cada vez
mais corrente nas classes mais velhas. Numa palavra, nada podia me
perturbar mais seriamente (embora eu ocultasse essa perturbação com o
maior escrúpulo) do que qualquer alusão a uma semelhança de espírito, figura ou condição existindo entre nós. Mas, na realidade, eu não tinha
motivo para acreditar que (com exceção da questão do parentesco, e no
caso do próprio Wilson) essa similaridade tivesse jamais constituído tema
de comentário, nem sequer sido notada pelos nossos colegas. Que ele a
notasse em todos os seus aspectos, e tão fixamente quanto eu, era óbvio;
mas que ele fosse capaz de descobrir em tais circunstâncias um veio tão
rico de aborrecimentos é algo que só posso atribuir, como já disse, à sua
argúcia acima do normal.
Sua deixa, que era aperfeiçoar uma imitação de mim mesmo, residia
tanto em suas palavras como em suas ações; e, nesse papel, seu
desempenho era dos mais admiráveis. Minhas roupas eram coisa fácil de
ser copiada; de meu andar e modos gerais ele, sem dificuldade, se
apropriava; a despeito de seu defeito de constituição, nem sequer minha
voz lhe escapava. Meus tons mais elevados, é claro, ficavam por tentar, mas
o timbre era idêntico;
e assim seu sussurro singular tornou-se o puro eco do
meu.
Em que medida esse retrato sobremodo elaborado me importunava
(pois não se lhe faria justiça denominá-lo de caricatura), não me arriscarei
a descrever. Eu não tinha senão um consolo — o fato de que a imitação,
aparentemente, era notada apenas por mim e mais ninguém, e que eu
precisava aturar os sorrisos conspiratórios e estranhamente sarcásticos
tão somente de meu homônimo. Satisfeito de haver produzido em meu
íntimo o efeito pretendido, ele parecia rir-se em segredo da ferroada
infligida, e se mostrava tipicamente desdenhoso dos louvores públicos que
o triunfo de seus espirituosos esforços teria tão facilmente logrado. Que a
escola, de fato, não enxergasse seu intento, percebesse sua consumação e
participasse de seu escárnio foi, por muitos angustiados meses, um enigma
que não pude resolver. Talvez a
gradatividade de sua cópia a tornasse não
tão prontamente perceptível; ou, mais possivelmente, minha segurança
estivesse em débito com o proceder proficiente do copista, que,
desdenhando ater-se à letra (coisa que numa pintura é tudo que os
obtusos conseguem ver), não oferecia o pleno espírito de seu original
senão à minha contemplação e mortificação individual.
Já falei mais de uma vez dos repulsivos ares protetores que assumia em
relação a mim, e da interferência frequente e obsequiosa com minha
vontade. Essa interferência muitas vezes ganhava o caráter indesejável de
um conselho; conselho não abertamente dado, mas sugerido ou insinuado.
Eu recebia isso com uma aversão que ficava mais forte a cada ano que
passava. E contudo, neste dia distante, que me seja permitido lhe fazer a
pura justiça de admitir que não consigo me recordar de uma ocasião
sequer em que as sugestões de meu rival tenderam pelo lado desses erros
ou tolices tão comuns a sua idade imatura e aparente inexperiência; que
seu senso moral, no mínimo, quando não seus talentos gerais e sabedoria
mundana, eram de longe muito mais penetrantes que os meus; e que eu
poderia, hoje, ter me constituído num homem melhor e, desse modo, mais
feliz, houvesse com menos frequência rejeitado os conselhos manifestados
naqueles sussurros significativos que na época com tanta veemência odiei
e com tanta amargura desprezei.
Do modo como foi, acabei por me mostrar impaciente ao extremo sob
sua tutela desagradável e a me ressentir cada vez mais abertamente do
que considerava sua arrogância intolerável. Afirmei anteriormente que nos
primeiros anos de nossa ligação como colegas de escola meus sentimentos
em relação a ele poderiam facilmente ter amadurecido em amizade; mas,
nos últimos meses em que residi na instituição, embora seus habituais
modos intrusivos houvessem, sem a menor sombra de dúvida, em certa
medida arrefecido, meus sentimentos, em proporção quase similar,
inclinaram-se em grande parte pelo positivo ódio. Em certa ocasião ele o
notou, creio, e depois disso passou a me evitar, ou deu mostras de fazê-lo.
Foi mais ou menos nesse mesmo período, se me recordo corretamente,
que, no decorrer de uma discussão violenta em que ele muito contra seu
feitio baixou a guarda, e falou e agiu com uma franqueza de conduta
estranha a sua natureza, percebi, ou imaginei perceber, em sua pronúncia,
seus modos e sua aparência geral, algo que de início me alarmou e depois
me deixou vivamente interessado, ao trazer-me à mente visões turvas de
minha mais tenra infância — lembranças caóticas, confusas e precipitadas
de um tempo em que a própria memória ainda estava por nascer. Não
posso descrever melhor a sensação que me oprimiu do que afirmando
como era difícil afastar de meu espírito a crença de que já havia conhecido
aquela pessoa que estava diante de mim em alguma época muitíssimo
remota — algum ponto do passado, ainda que infinitamente longínquo. A
ilusão, entretanto, desvaneceu tão rapidamente quanto surgiu; e não a
menciono aqui senão para marcar o dia da última conversa que ali mantive
com meu singular homônimo.
A casa antiga e imensa, com suas incontáveis subdivisões, possuía
diversos aposentos amplos que se comunicavam entre si, onde dormia a
maior parte dos alunos. Havia, entretanto (como deve ser forçoso ocorrer
em um edifício tão complicadamente projetado), muitos desvãos e recessos,
os recortes supérfluos da estrutura; e esses recantos a engenhosidade
econômica do dr. Bransby transformara em mais dormitórios; ainda que,
por serem meros cubículos, fossem capazes de acomodar apenas um
indivíduo. Um desses pequenos alojamentos era ocupado por Wilson.
Certa noite, ao final de meu quinto ano na escola, e imediatamente após
a discussão que mencionei, vendo todos dormindo a sono solto, levantei-me
da cama e, luminária na mão, dirigi-me furtivamente por um labirinto de
passagens estreitas de meu próprio quarto ao do meu rival. Eu vinha
planejando havia muito tempo uma dessas detestáveis peças de mau gosto
às suas custas em que até então conhecera um fracasso tão invariável. Era
minha intenção, agora, pôr meu plano em operação, e me determinara a
fazê-lo sentir toda a extensão da malevolência de que estava imbuído.
Tendo chegado a seu cubículo, entrei sem o menor ruído, deixando a
luminária, com um quebra-luz, do lado de fora. Avancei um passo e escutei
o som de sua respiração tranquila. Convicto de que dormia, voltei, apanhei
a luz e tornei a me aproximar da cama. Cortinas fechadas a cercavam, as
quais, dando prosseguimento a meu intento, silenciosamente puxei,
quando os raios brilhantes caíram vivamente sobre o adormecido e meus
olhos, nesse mesmo momento, sobre seu semblante. Olhei; — e um
entorpecimento, uma gelidez de sensações instantaneamente invadiu meu
corpo. Meu peito arfou, meus joelhos vacilaram, todo o meu espírito ficou
possuído de um horror inapreensível, e contudo intolerável. Ofegando sem
ar, baixei a luminária numa proximidade ainda maior de seu rosto. Eram
aquelas — aquelas as feições de William Wilson? Eu via, de fato, que eram
as suas, mas tremi como que num acesso febril imaginando que não eram.
O que havia acerca delas que me confundia dessa maneira? Olhei fixamente; — enquanto minha cabeça girava com uma miríade de
pensamentos incoerentes. Não era assim que ele me parecia — certamente
não assim — na vivacidade de suas horas despertas. O mesmo nome! o
mesmo contorno de figura! o mesmo dia de chegada na escola! E depois
sua imitação obstinada e sem sentido de meu andar, minha voz, meus
hábitos, minhas maneiras! Seria de fato verdade, dentro dos limites da
possibilidade humana, que o que eu agora via fosse o resultado,
meramente, da prática habitual de sua imitação sarcástica? Tomado de
terror, e tremendo convulsivamente, apaguei a luminária, saí
silenciosamente da alcova e deixei, incontinente, as dependências do antigo
ateneu para nunca mais voltar.
Após o lapso de alguns meses, passados em casa na pura ociosidade,
achei-me estudando em Eton. O breve intervalo fora suficiente para
enfraquecer minha memória dos acontecimentos no colégio do dr.
Bransby, ou ao menos para operar uma mudança palpável na natureza dos
sentimentos com os quais eu as recordava. A veracidade — a tragédia —
do drama haviam sumido. Eu podia agora encontrar ensejo para duvidar
da evidência de meus sentidos; e raramente chegava mesmo a pensar no
assunto, a não ser com um quê de admiração ante a amplitude da
credulidade humana, e um sorriso para a vívida força de imaginação que
me fora hereditariamente legada. E tampouco era provável que essa
espécie de ceticismo diminuísse com o caráter da vida que eu levava em
Eton. O vórtice de excessos irrefletidos em que ali tão imediata e
temerariamente mergulhei tudo tragava a não ser a ebulição trivial de
minhas horas anteriores, engolfando de uma só vez qualquer impressão
sólida ou séria e não deixando lembrança senão das mais absolutas
leviandades de uma existência precedente.
Não desejo, entretanto, traçar aqui o curso de minha licenciosidade
desprezível — licenciosidade que desafiava as leis ao mesmo tempo que
iludia a vigilância da instituição. Três anos de excessos, passados sem
proveito, não fizeram senão arraigar os hábitos do vício, e ampliar, em grau
até certo ponto incomum, meu calibre corporal, quando, após uma semana
de maquinal dissipação, convidei um reduzido grupo dos mais dissolutos
alunos para uma bebedeira sigilosa em meus aposentos. Encontramo-nos a
uma hora avançada da noite; pois nossa pândega deveria se prolongar
religiosamente até a manhã. O vinho correu livremente, e não havia
carência de outras e talvez mais perigosas seduções; de modo que a
aurora cinzenta já despontava debilmente a leste quando nossa
extravagância delirante encontrava-se em seu auge. Descontroladamente
exaltado com as cartas e a embriaguez, eu estava prestes a insistir num
brinde de profanidade mais do que costumeira quando minha atenção foi
desviada pela porta do quarto sendo aberta com brusquidão, embora
apenas parcialmente, e pela voz ansiosa de um criado do lado de fora.
Informava-me que uma pessoa, aparentemente com grande urgência,
pedia para falar comigo na entrada da casa.
Febrilmente animado pelo vinho, a inesperada interrupção antes me
alegrou do que surpreendeu. Avancei cambaleante na mesma hora e uns
poucos passos me conduziram ao vestíbulo. No cômodo baixo e exíguo não
havia iluminação; e nesse momento luz alguma penetrava, salvo os raios
extremamente tênues da aurora filtrando pela janela semicircular. Assim
que pisei na soleira, dei pela presença de um jovem mais ou menos da
minha própria altura, trajado com uma sobrecasaca de casimira branca,
talhada na última moda, a exemplo da que eu mesmo vestia naquele
momento. Isso a luz débil possibilitou-me perceber; mas as feições de seu
rosto não pude distinguir. Quando entrei, avançou rapidamente a largas
passadas até mim e, segurando-me pelo braço em um gesto de impaciência
insolente, sussurrou as palavras “William Wilson!” em meu ouvido.
Fiquei perfeitamente sóbrio num instante.
Havia qualquer coisa nos modos do estranho, e no tremor hesitante de
seu dedo, conforme o erguia entre meus olhos e a luz, que me encheu de
um espanto absoluto; mas não fora isso que tão violentamente me
emocionara. Foi a pregnância de solene admoestação em sua elocução
singular, baixa, sibilante; e, acima de tudo, o caráter, o tom, o timbre
daquelas poucas sílabas simples e familiares, ainda que sussurradas, que
vieram com uma miríade de lembranças precipitadas de tempos idos, e
que atingiram minha alma com o choque de uma pilha galvânica. Antes que
pudesse recobrar o uso de meus sentidos ele havia partido.
Embora o episódio não deixasse de causar um vívido efeito em minha
imaginação desorientada, foi contudo tão evanescente quanto vívido. Por
algumas semanas, de fato, ocupei-me de zelosa indagação, ou permaneci
envolto numa nuvem de mórbida especulação. Não pretendia ocultar de
minha percepção a identidade do singular indivíduo que tão
perseverantemente interferia com meus assuntos e importunava-me com a
insinuação de seus aconselhamentos. Mas quem e o que era aquele
Wilson? — e de onde vinha? — e quais eram seus propósitos? Acerca de
nenhuma dessas questões pude me satisfazer; meramente constatei, em
relação a ele, que um súbito acidente em sua família levara a sua saída da
instituição do dr. Bransby na tarde do dia em que eu próprio fugira. Mas
em curto período deixei de pensar no assunto; minha atenção ficando
inteiramente absorvida nos preparativos com uma transferência para
Oxford. Para lá fui em pouco tempo; a impensada vaidade de meus pais
provendo-me dos meios materiais e da permanência anual que me
permitiriam abandonar-me ao meu bel-prazer ao luxo já tão caro ao meu
coração — rivalizar em prodigalidade de gastos com os mais altivos
herdeiros dos condados mais abastados na Grã-Bretanha.
Estimulado por tal instrumentação para o vício, o temperamento de
minha constituição aflorou com ardor redobrado, e repudiei até mesmo os
refreamentos comuns da decência na tresloucada paixão de minhas
esbórnias. Mas seria absurdo deter-me em detalhar minhas
extravagâncias. Bastará dizer que, em esbanjamentos, superei em
herodianismo o próprio Herodes, e que, dando nome a uma infinitude de
inovadores desvarios, aditei um apêndice nada breve ao longo catálogo de
vícios então em uso na universidade mais dissoluta da Europa.
Dificilmente se poderia crer, entretanto, que mesmo nesse momento eu
descera tão abaixo de minha distinta condição a ponto de aspirar a uma
familiaridade com as vis artes do jogador por profissão e, tendo me
tornado adepto dessa desprezível ciência, de praticá-la habitualmente
como um meio de aumentar meus já enormes proventos às custas dos mais
pobres de espírito dentre meus colegas. Tal, não obstante, foi o ocorrido. E
a pura enormidade dessa ofensa contra todo e qualquer sentimento de
hombridade e honra se provou, sem sombra de dúvida, a principal, se não
a única razão da impunidade com a qual foi cometido. Com efeito, quem
dentre meus mais dissolutos companheiros não haveria preferido antes ter
duvidado da clara evidência de seus sentidos a suspeitar de tais condutas,
o alegre, o franco, o generoso William Wilson — o mais nobre e liberal
estudante de Oxford — aquele cujas loucuras (diziam seus parasitas) nada
mais eram que as loucuras da juventude e da imaginação desenfreada —
cujos erros nada além de inimitável capricho — cujo vício tenebroso nada
além de extravagância negligente e chique?
continua página 31...
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Edgar Allan Poe
CONTOS
Originalmente publicados entre 1831 e 1849
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Edgar Allan Poe (nascido Edgar Poe; Boston, Massachusetts, Estados Unidos, 19 de Janeiro de 1809 — Baltimore, Maryland, Estados Unidos, 7 de Outubro de 1849) foi um autor, poeta, editor e crítico literário estadunidense, integrante do movimento romântico estadunidense. Conhecido por suas histórias que envolvem o mistério e o macabro, Poe foi um dos primeiros escritores americanos de contos e é geralmente considerado o inventor do gênero ficção policial, também recebendo crédito por sua contribuição ao emergente gênero de ficção científica. Ele foi o primeiro escritor americano conhecido por tentar ganhar a vida através da escrita por si só, resultando em uma vida e carreira financeiramente difíceis.
Ele nasceu como Edgar Poe, em Boston, Massachusetts; quando jovem, ficou órfão de mãe, que morreu pouco depois de seu pai abandonar a família. Poe foi acolhido por Francis Allan e o seu marido John Allan, de Richmond, Virginia, mas nunca foi formalmente adotado. Ele frequentou a Universidade da Virgínia por um semestre, passando a maior parte do tempo entre bebidas e mulheres. Nesse período, teve uma séria discussão com seu pai adotivo e fugiu de casa para se alistar nas forças armadas, onde serviu durante dois anos antes de ser dispensado. Depois de falhar como cadete em West Point, deixou a sua família adotiva. Sua carreira começou humildemente com a publicação de uma coleção anônima de poemas, Tamerlane and Other Poems (1827).
Poe mudou seu foco para a prosa e passou os próximos anos trabalhando para revistas e jornais, tornando-se conhecido por seu próprio estilo de crítica literária. Seu trabalho o obrigou a se mudar para diversas cidades, incluindo Baltimore, Filadélfia e Nova Iorque. Em Baltimore, casou-se com Virginia Clemm, sua prima de 13 anos de idade. Em 1845, Poe publicou seu poema The Raven, foi um sucesso instantâneo. Sua esposa morreu de tuberculose dois anos após a publicação. Ele começou a planejar a criação de seu próprio jornal, The Penn (posteriormente renomeado para The Stylus), porém, em 7 de outubro de 1849, aos 40 anos, morreu antes que pudesse ser produzido. A causa de sua morte é desconhecida e foi por diversas vezes atribuída ao álcool, congestão cerebral, cólera, drogas, doenças cardiovasculares, raiva, suicídio, tuberculose entre outros agentes.
Poe e suas obras influenciaram a literatura nos Estados Unidos e ao redor do mundo, bem como em campos especializados, tais como a cosmologia e a criptografia. Poe e seu trabalho aparecem ao longo da cultura popular na literatura, música, filmes e televisão. Várias de suas casas são dedicadas como museus atualmente.