contos e poesia no butekudu baitasar.
a humanidade solidária e amorosa construída com todos incluídos num outro mundo possível, por la vida... siempre!
li nas redes sociais: "se tua religião te faz odiar pessoas por qualquer razão, procura frequentar um buteku e paga os mesmos 10% ao garçom!", enfim... "descobri que a seu tempo vão me chorar e esquecer."
O filme conta a história de um um judeu comum cujo nascimento coincide com o de Jesus e que acaba confundido com o Messias. Ele vive uma vida paralela a de Jesus Cristo e se alia a grupos contra o domínio romano. Brian é um predestinado, e acaba por viver cenas bíblicas e ter que enfrentar desafios semelhantes aos do Messias. É uma comédia satírica de 1979 do grupo britânico Monty Python que acompanha Brian Cohen. A trama usa humor irreverente para criticar fanatismo religioso, política e comportamento de massas. Inteligente, provocadora e cheia de cenas icônicas, tornou-se um clássico cult e é considerada por muitos uma das melhores comédias de todos os tempos.
O filme está dividido em 9 pequenas partes. Quando termina uma das partes a seguinte começa na sequência. As partes 8 e 9 são legendadas.
A Vida de Brian - Dublado - Parte 1 de 9
Direção; Terry Jones
Roteiristas: Graham Chapman John Cleese Terry Gilliam
Elenco: Graham Chapman como Homem Sábio #2 / Brian Cohen / Biggus Dickus John Cleese como Homem Sábio #1 / Reg / Autoridade judaica / Primeiro Centurião / Dirk, o Mortal / Arthur Terry Gilliam como O Homem Ainda Mais Adiante / Revolucionário / Carcereiro /
Profeta de Sangue e Trovão / Frank / Membro da platei / Crucificado Eric Idle como Mr. Cheeky / Stan aka Loretta / Harry, o Pechinchador / Mulher Culpada / Warris /
Jovem Extremamente Monótono / Assistente do carcereiro / Otto / Cantor crucificado Terry Jones como Mandy Cohen / Colin / Simon the Holy Man / Bob Hoskins / Transeunte santo / Assistente da Crucificação Alarmado
Michael Palin como Hpmem sábio #3 / Mr. Big Nose / Francis / Mrs. A / Ex-Leper / Locutor / Ben / Pontius Pilate / Profeta Entediante / Eddie / / Seguidor de Calçados /
Nisus Wettus Terence Bayler como Gregory Carol Cleveland como Mrs. Gregory Kenneth Colley como Jesus Neil Innes como A Weedy Samaritan Charles McKeown como Falso Profeta / Blind Man / Giggling Guard / Stig John Young como Matias, filho de Deuteronômio de Gate Gwen Taylor como Mrs. Big Nose Sue Jones-Davies como Judith Peter Brett John Case como Esposa de Pilatos Chris Langham como Alfonso / Guarda Risonho Andrew MacLachlan como Another Official Stoners Helper / Guarda Risonho Bernard McKenna como Parvus / Official Stoners Helper / Guarda Risonho
Spike Milligan coomo Spike Randy Feelgood como Homem / Mulher (não creditado) George Harrison como Mr. Papadopolous (não creditado) Charles Knode como Transeunte (não creditado) Monty Python / Eles mesmos (não creditado)
Monty Python, também conhecidos como os Pythons, foram um grupo britânico de comédia formado em 1969, composto por Graham Chapman (8 de janeiro de 1941 / 4 de outubro de 1989), John Cleese(27 de outubro de 1939 - 86 anos), Terry Gilliam (22 de novembro de 1940 - 85 anos), Eric Idle (29 de março de 1943 - 83 anos), Terry Jones (1º de fevereiro de 1942 / 21 de janeiro de 2020)e Michael Palin (nascido em 5 de maio de 1943 - 83 anos). O grupo ganhou destaque no Reino Unido pela série de esquetes de comédia Monty Python's Flying Circus, que foi exibida na BBC de 1969 a 1974. O trabalho deles então se desenvolveu em uma coleção maior que incluía shows ao vivo, filmes, álbuns, livros e musicais; sua influência na comédia foi comparada à influência dos Beatles na música. O programa de esquetes deles foi chamado de "um momento importante na evolução da comédia televisiva".
“Zeus proíbe futuras intervenções dos deuses na guerra e vai ao monte Ida assistir aos combates. Os Troianos, então, sobrepujam os Gregos. Diomedes tenta, sem sucesso, recuperar a vitória para os Gregos. Estes são empurrados até suas naves. Hera e Atena, descendo para ajudar os Gregos, são impedidas por Zeus, enviando Íris, que as obriga a voltar para o Olimpo. A noite interrompe a batalha.”
continuando...
Hoje, demonstra ter-me ódio, anuindo ao pedido de Tétis,
que soube os joelhos beijar-lhe, com a mão afagando-lhe o manto,
a suplicar que lhe o filho exaltasse, eversor de cidades.
Há de volver, deixa estar, a chamar-me de sua ‘olhos verdes’!
Vamos, aprestar-nos, logo, os cavalos de cascos robustos,
enquanto eu vou ao palácio altanado de Zeus que traz a égide,
para envergar minhas armas potentes. Desejo, realmente,
ver se esse Heitor, de penacho ondulante, nascido de Príamo,
mostra alegria ao nos ver ingressar nos caminhos da guerra,
ou se ainda as carnes e as pingues entranhas de muitos Dardânios
junto das naus dos Aquivos abutres e cães não sustentam.”
Hera, de cândidos braços, de pronto aceitou o conselho.
Os corredores, ornados com belo frontal de ouro puro,
foram logo ao carro atrelar a nascida de Zeus poderoso.
A de olhos glaucos, Atena, donzela de Zeus poderoso,
deixa cair, logo, o peplo no soalho brilhante do Olimpo,
obra de fino lavor, que ela própria tecera e enfeitara;
veste a loriga de Zeus atroante, que as nuvens cumula,
e as demais armas empunha, adequadas às guerras lutuosas.
Pronta, subiu para o carro fulgente, tomando da lança
grande, pesada e robusta, com que derrubar costumava
turma de heróis, ao zangar-se a nascida de Zeus poderoso.
Hera, os cavalos velozes com o látego, logo, estimula.
Por próprio impulso, rangeram as portas do céu, que se encontram
sob a custódia das Horas, que têm a incumbência, no Olimpo
e no céu vasto, de abrir ou fechar as densíssimas nuvens.
Estimulando os cavalos, depressa por elas passaram.
O pai dos homens e deuses as viu do Ida augusto. Indignado,
manda-lhes, presto, mensagem por Íris veloz, de asas de ouro:
“Íris, depressa! Consegue que voltem; não deixes que cheguem
para mais perto, pois grave será que entre nós haja luta.
Ora te vou revelar outra coisa que vai realizar-se:
paralisados debaixo do carro verás os cavalos
e, dos assentos jogando-as, o carro farei em pedaços.
Mesmo depois que seu curso dez anos deixarem completos,
não poderão guarnecer das feridas que o raio causar-lhes.
Que a de olhos glaucos o saiba, se ousar com seu pai defrontar-se.
Menos sentido com Hera e com menos rancor ora me acho,
por ser vezeira em se opor ao que no imo do peito excogito.”
Disse; Íris, logo, voou, para dar cumprimento ao mandado,
e, do Ida augusto atirando-se, foi para o Olimpo vastíssimo.
Junto da porta do Olimpo de muitas gargantas achando-as,
fê-las parar e de Zeus poderoso o recado transmite:
“Para onde, assim, vos lançais? Que furor vos agita o imo peito?
Não é do gosto de Zeus que leveis aos Acaios auxílio.
Fez ele a ameaça seguinte, a que, certo, há de dar cumprimento
paralisados debaixo do carro vereis os cavalos
e, dos assentos jogadas, o carro fará em pedaços.
Mesmo depois que seu curso dez anos deixarem completos,
não podereis guarnecer das feridas causadas do raio,
para que tu, de olhos claros, o saibas, se ao pai te opuseres.
Menos zangado contra Hera e com menos rancor ele se acha,
por ser vezeira em se opor ao que no imo do peito excogita.
Mas tu, cadela sem pejo, atrevida serás, em verdade,
se a enorme lança quiseres alçar contra o filho de Crono.”
Íris daí retornou, pós haver a mensagem cumprido.
Hera magnífica, então, para Atena se vira e lhe fala:
“Palas Atena indomável, donzela de Zeus poderoso,
não vale a pena lutar com Zeus grande por causa dos homens.
Como o Destino quiser, assim seja; uns a Morte arrebata,
outros prossigam com vida. Entre Aquivos e Teucros, somente
Zeus distribua a justiça, conforme lhe o peito comande.”
Vira, depois de falar, os cavalos de sólidos cascos.
Os corredores comados as Horas do jugo retiram
e para o divo presepe, depois, cuidadosas, os levam.
Na refulgente parede apoiaram o carro flexível.
O coração angustiado, elas duas então se assentaram
em tronos de ouro, no meio das outras deidades eternas.
Zeus, do Ida augusto, os cavalos e o carro de rodas velozes
para o alto Olimpo guiou, alcançando a assembleia dos deuses.
Tira Posido, que a terra sacode, os cavalos do jugo.
Junto ao altar põe o carro e o cobriu com um pano de linho.
No trono de ouro Zeus grande, de voz atroante, assentou-se.
Treme-lhe embaixo dos pés a mole do Olimpo altanado.
Palas Atena, somente, e Hera augusta, a de parte ficaram
do sumo Zeus, silenciosas; nenhuma pergunta lhe fazem.
Ele, que tudo advertira, se volta para elas e fala:
“Hera, por que te consomes? Atena, que na alma te punge?
Não mais vos vejo, esforçadas, nas lutas que aos homens exaltam,
a dizimar os Troianos, que tanto rancor vos provocam.
Vós todos, deuses do Olimpo, jamais podereis demover-me,
tal o vigor de meus braços invictos, e tal minha força.
Ambas teríeis, primeiro, sentido tremer-vos os membros,
antes de haverdes a guerra enxergado e seus duros trabalhos.
Ora vos quero dizer o que, certo, cumprir haveria;
pelo meu raio atingidas, jamais voltaríeis de carro
para o alto Olimpo, onde a sede se encontra dos deuses eternos.”
A essas palavras, as deusas morderam os lábios com força.
Juntas se achavam, planejando a extinção dos guerreiros Troianos.
Palas Atena calada ficou, sem dizer coisa alguma.
Ainda que contra Zeus pai transbordasse de raiva selvagem,
Hera, porém, explodiu, sem conter o rancor no imo peito:
“Zeus prepotente, nascido de Crono, que coisa disseste?
Sobejamente sabemos que força possuis invencível.
Apesar disso, os lanceiros Argivos nos causam piedade,
por vermos como perecem, cumprindo o Destino funesto.
Se determinas, porém, que afastadas fiquemos das lutas,
simples conselho permite aos Argivos, então, ministrarmos,
para evitar que a tua ira, afinal, a eles todos dizime.”
Disse-lhe, a rir, em resposta, Zeus grande, que as nuvens cumula:
“Hera magnífica, de olhos bovinos, verás logo cedo,
caso o desejes, o filho de Crono, de força invencível,
destroçar as fileiras dos fortes lanceiros Argivos.
Nem há de Heitor, o terrível, deixar de acossá-los, enquanto
junto das naves Aquiles, de rápidos pés, não tivermos,
no dia em que for levado o conflito até as popas recurvas
e em pouco espaço houver luta ao redor do cadáver de Pátroclo.
Esse, o decreto divino. Aliás, pouca mossa me causa
a tua cólera, embora te fosses para o último extremo
do mar imenso e da terra, onde Jápeto e Crono demoram,
sem que os alente o fulgor inefável do Sol Hiperiônio,
nem frescas auras, que o abismo sem fundo do Tártaro os cinge.
Ainda que, errante, até lá fosses ter, pouca conta faria
de teus latidos, por seres despida de toda a vergonha.”¹
Hera, de cândidos braços, então nada disse em resposta.
Baixa, entrementes, a luz fulgurante do sol para o oceano,
e a escuridão após si sobre os campos ferazes estende.
Veem, com pesar, os Troianos a luz se afundir; mas os Dânaos
a Noite fosca, aliviados, acolhem, que tanto invocavam.
Fez convocar a assembleia dos Teucros Heitor valoroso,
longe das naves, ao pé da ribeira do rio revolto,
num lugar limpo, onde livre de mortos se achava o terreno.
Todos, então, dos cavalos apeando-se, a ouvir se puseram
avidamente as palavras de Heitor, caro a Zeus, que sustinha
a forte lança na mão, de onze cúbitos, com reluzente
extremidade de bronze firmada por círculo de ouro.
Nela apoiando-se, pôs-se a falar para os Troas guerreiros:
“Teucros, Dardânios e aliados, agora atenção concedei-me.
Já imaginara que fosse possível voltarmos para Ílio
pós o extermínio completo dos homens Aqueus e seus barcos.
A escuridão, porém, veio antes disso, salvando os Argivos
e as naus de boas cobertas que se acham na praia marinha.
À negra Noite, entretanto, convém demonstrar obediência.
A refeição preparemos; tirai os cavalos de belas
crinas dos carros, e a todos, depois, aprestai alimento.
Ide buscar na cidade bois tardos e ovelhas vistosas,
sem mais delongas; farinha abundante trazei e bom vinho
de vossas casas. Depois, empilhai muita lenha aqui perto,
para podermos queimar toda a noite, até a volta da Aurora,
pilhas sem conta, e se eleve até o céu o esplendor das fogueiras,
para que os Dânaos de belos cabelos não possam, durante
a Noite escura, fugir pelo dorso do mar extensíssimo.
Sem muitas dores, ao menos, não devem subir para as naves.
Vejam-se alguns obrigados, depois de em suas casas se acharem,
a digerir as feridas das flechas e lanças pontudas
que nos navios ganharam. E que isso a outros sirva de exemplo,
quando quiserem trazer para os Teucros o choro da guerra.
Ora à cidade mandai mensageiros, a Zeus sempre caros,
para dizer que os rapazes florentes e os cândidos velhos
velem nos muros e torres que os deuses eternos construíram,
enquanto as fracas mulheres, cada uma em seu próprio palácio
fogo bem vivo mantenha, pois urge ter guardas alertas,
para que o imigo não entre na cidade na ausência do exército.
Faça-se tudo, magnânimos Teucros, conforme vos disse,
pois estas minhas palavras só visam ao bem de vós todos.
Quando romper a manhã, voltarei, novamente, a falar-vos.
Hei de implorar a Zeus grande e às demais sempiternas deidades
que enxotem todos os cães portadores do Fado inditoso,
que nos navios escuros a Morte e a Desgraça trouxeram.
Enquanto a Noite durar, de vigília fiquemos nós todos;
mas, amanhã, logo cedo, enverguemos as armas luzentes
para fazer espertar junto às naves o deus Ares forte.
Hei de, então, ver se me força a recuar o robusto Diomedes
para as muralhas, deixando os navios, ou se eu, com meu bronze,
não o deixo morto, levando comigo suas armas cruentas.
Sim, amanhã há de ter ocasião de mostrar sua força,
quando com a lança me vir. Mas espero que, logo na frente,
caia ferido, cercado por muitos dos fiéis companheiros,
mal surja o Sol no Oriente. Pudesse eu ter vida perene
, para sempre, ficar libertado da triste velhice,
com honrarias divinas iguais às de Atena e de Apolo,
como é certeza trazer a manhã para os Dânaos o luto.”
Esse, o discurso de Heitor; os Troianos, em peso, o aplaudiram.²
Os corredores, banhados de suor, libertaram do jugo,
mas junto aos carros de guerra os ataram com fortes correias.
Foram buscar na cidade bois tardos e ovelhas vistosas,
sem mais delongas; farinha abundante e bom vinho trouxeram
de suas casas. Depois, muita lenha empilharam no campo.
Logo, hecatombes perfeitas aos deuses do Olimpo oferecem.
Nas espirais da fumaça é levado até o Céu, pelos ventos,
o suave odor da gordura. Os eternos, porém, recusaram
o sacrifício, que a todos odiosa era Troia sagrada,
Príamo e, assim, todo o povo do velho monarca lanceiro.
Estes, porém, toda a noite, animados de grande esperança,
permaneceram no campo, onde muitas fogueiras ardiam.
Como, na calma dos ventos, se torna o éter límpido e puro,
e em torno à Lua as estrelas refulgem com brilho indizível,
descortinando-se todos os cabos, e grutas, e as matas
pela baixada, ao se abrir, de repente, o Céu claro e infinito,
e os astros todos rebrilham, deixando o pastor enlevado:
do mesmo modo, entre o curso revolto do Xanto e os navios,
em frente de Ílio, as fogueiras dos Troas guerreiros brilhavam.
Mil fogos ardem na extensa planície, e, de cada um à volta,
à luz da chama agradável, cinquenta guerreiros se agrupam.
Junto dos carros, os fortes cavalos espelta e cevada
comem, tranquilos, à espera da Aurora de trono dourado.
A Ilíada é um poema épico atribuído a Homero que narra os eventos do último ano da Guerra de Troia, destacando a ira de Aquiles e suas consequências. É considerada uma das obras fundadoras da literatura ocidental, composta por cerca de 15.693 versos em hexâmetro datílico e dividida em 24 cantos, cada um correspondente a uma letra do alfabeto grego. A autoria é tradicionalmente atribuída a Homero, poeta grego que teria vivido no século VIII a.C., na região da Jônia, atual Turquia.
O poema se passa durante 51 dias do décimo ano da Guerra de Troia, iniciando com a ira de Aquiles, causada pela disputa com Agamenon, comandante dos exércitos gregos, que lhe retira a serva Briseida. A narrativa aborda:
- O cerco de Troia pelos aqueus para resgatar Helena, esposa de Menelau, raptada por Páris.
- A retirada de Aquiles do combate e o impacto dessa decisão sobre os gregos.
- A morte de Pátroclo, amigo de Aquiles, que leva o herói a retomar a luta.
- O duelo final entre Aquiles e Heitor, culminando com o funeral do herói troiano.
- A obra também inclui episódios de deuses e heróis, como Afrodite, Zeus, Páris e Helena, que influenciam diretamente os acontecimentos humanos.
A Ilíada, junto com a Odisseia, representa a síntese da tradição oral grega e permanece até hoje como um estudo essencial da literatura e da cultura clássica
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[1] Este trecho desloca o foco da batalha para o plano divino e revela um dos temas mais importantes da Ilíada: a tensão entre a vontade dos deuses e o sofrimento dos homens.
Ao ver os aqueus à beira da destruição, Hera não consegue esconder sua indignação. Embora reconheça o poder supremo de Zeus, ela manifesta compaixão pelos gregos, que estão sendo esmagados pelo avanço troiano. Sua reação mostra que os deuses homéricos não são indiferentes aos acontecimentos humanos; eles tomam partido, sentem simpatias e rivalidades.
A resposta de Zeus, porém, reafirma sua autoridade absoluta. Ele deixa claro que os acontecimentos estão seguindo um plano já determinado. Mais do que isso, Zeus faz uma revelação profética: os gregos continuarão sofrendo até que ocorra a morte de Pátroclo, fato que levará Aquiles a retornar ao combate. Dessa forma, o deus antecipa um dos momentos decisivos de toda a epopeia.
O tom de Zeus é duro e até humilhante. Ele despreza a oposição de Hera e afirma que sua cólera nada significa diante de seu poder. A cena reforça a hierarquia divina: mesmo entre os deuses existem relações de domínio e submissão.
A referência ao futuro cadáver de Pátroclo é extremamente importante. Simbolicamente, sua morte será o preço necessário para despertar Aquiles de seu afastamento. Enquanto Aquiles permanece fora da guerra, os gregos enfraquecem; quando Pátroclo morre, a dor transforma-se em força e impulsiona o herói de volta ao campo de batalha.
Também é significativo o lugar mencionado por Zeus, onde estariam Crono e Jápeto, isolados nas profundezas do cosmos. Essa imagem reforça a dimensão universal de seu poder: não importa quão longe Hera pudesse ir, continuaria submetida à sua autoridade.
Temas centrais:
- O poder do destino, Zeus não apresenta os acontecimentos como algo casual. Existe uma sequência inevitável: o sofrimento dos aqueus, a morte de Pátroclo e o retorno de Aquiles. A narrativa sugere que certos eventos já estão inscritos na ordem do mundo.
- Compaixão versus autoridade, Hera representa o sentimento de piedade diante do sofrimento humano. Zeus representa a necessidade de cumprir uma ordem superior, mesmo quando ela parece cruel.
- O sofrimento como parte do heroísmo, Os aqueus não alcançarão a vitória sem antes enfrentar grandes perdas. Na visão homérica, a glória heroica nasce justamente da dor, do sacrifício e da resistência diante da adversidade.
- O conflito entre os próprios deuses, A guerra de Troia não acontece apenas entre gregos e troianos. Há também uma disputa constante entre as divindades, que projetam suas preferências e rivalidades sobre os acontecimentos humanos.
[2] Este trecho apresenta Heitor no auge de sua confiança e liderança, após o sucesso dos troianos contra os aqueus. A chegada da noite interrompe a batalha antes que ele possa destruir os navios inimigos, objetivo que parece estar ao seu alcance. Reunindo os guerreiros, Heitor profere um discurso estratégico e inspirador, demonstrando tanto capacidade militar quanto visão política.
Ele ordena que os troianos se organizem para uma vigília noturna rigorosa: alimentar os cavalos, reunir provisões, acender fogueiras ao redor do campo e reforçar a vigilância das muralhas de Troia. Seu plano é impedir qualquer fuga dos gregos e preparar um ataque decisivo para o amanhecer.
Ao mesmo tempo, Heitor manifesta uma confiança quase absoluta em sua própria força. Desafia abertamente Diomedes e prevê uma derrota esmagadora dos aqueus. Seu entusiasmo chega ao ponto de expressar um desejo impossível: ser imortal e eternamente jovem, honrado como os deuses Apolo e Atena. Essa ambição revela a grandeza de seu espírito heroico, mas também uma dimensão de orgulho que roça a arrogância. As fogueiras troianas possuem forte valor simbólico. Elas representam o momento em que Troia parece dominar completamente a situação. Sua luz ilumina a noite e sugere esperança para os troianos, mas também ameaça para os gregos encurralados junto aos navios. O discurso de Heitor também marca um contraste importante entre a condição humana e a condição divina. Embora deseje a imortalidade, ele continua sendo mortal. O leitor sabe que seu destino já está traçado, o que confere um tom trágico às suas palavras. Temas centrais: - A liderança heroica, Heitor não é apenas um guerreiro. Ele organiza o exército, pensa na logística, protege a cidade e coordena a defesa. Surge como o verdadeiro comandante de Troia, responsável tanto pelos soldados quanto pelos cidadãos. - A confiança excessiva diante do destino, O discurso está carregado de otimismo e autoconfiança. Heitor acredita que a vitória é certa e que o amanhecer trará sofrimento aos gregos. Em Homero, entretanto, os momentos de maior confiança de um herói frequentemente antecedem uma reviravolta do destino. - Guerra como responsabilidade coletiva, Heitor mobiliza toda a sociedade troiana: guerreiros, anciãos, jovens e mulheres. A defesa de Troia não é apenas tarefa do exército, mas de toda a comunidade. - Busca da glória imortal, O sonho de viver para sempre e receber honras divinas expressa um ideal recorrente na Ilíada: o desejo humano de superar a mortalidade por meio da fama e da memória.
“Zeus proíbe futuras intervenções dos deuses na guerra e vai ao monte Ida assistir aos combates. Os Troianos, então, sobrepujam os Gregos. Diomedes tenta, sem sucesso, recuperar a vitória para os Gregos. Estes são empurrados até suas naves. Hera e Atena, descendo para ajudar os Gregos, são impedidas por Zeus, enviando Íris, que as obriga a voltar para o Olimpo. A noite interrompe a batalha.”
continuando...
E, quando as naus alcançarmos de rápido curso, na praia,
fique ao cuidado de todos prover que haja fachos a jeito,
para que nelas o fogo lancemos, e, aos próprios Aquivos,
pela fumaça estonteados, matemos ao pé dos navios.”
Tendo isso dito, aos corcéis se pôs logo a falar, animando-os:
“Étone e Lampo divinos, Podargo veloz, Xanto altivo,
ambos deveis retribuir-me nesta hora os cuidados por parte
da nobre filha de Eecião, o guerreiro magnânimo, Andrômaca,
que muitas vezes, primeiro que a mim, vos deu pão saboroso
em doce vinho embebido, ao sentirdes a sede abrasar-vos,
em que marido me orgulhe de ser-lhe, no viço da idade.
Eia, arrancai contra o imigo, porque consigamos, agora,
o áureo broquel de Nestor conquistar, que tem de ouro maciço
as braçadeiras; há muito, o alto Céu alcançou sua fama.
Dos largos ombros, também, de Diomedes, o forte, arranquemos
a primorosa couraça, que Hefesto forjou com paciência.
Se conseguirmos tomar essas armas, estou que os Acaios
ainda esta noite hão de entrar para as naves de rápido curso.”
A indignação de Hera explode ante o voto do herói jactancioso;
no trono de ouro agitou-se, fazendo tremer todo o Olimpo.
Vira-se, então, para o grande Posido e lhe diz o seguinte:
“Abalador poderoso da terra, confessa-me: acaso
não te apiadas dos Dânaos, ao vê-los morrer desse modo?
Eles, entanto, copiosos e gratos presentes te levam
a Hélice e a Egas; justiça é pensar em lhes dar a vitória.
Se todos nós, protetores dos Dânaos, acordes ficássemos
em expulsar os Troianos, embora Zeus grande os proteja,
em pouco tempo ele, no Ida, sozinho, amargar haveria.”
O abalador poderoso, indignado, lhe disse, em resposta:
“Não tens medida, insensata? Que nova ousadia proferes?
Não, jamais hei de lutar contra o filho de Crono, ainda mesmo
que todos contra ele estivessem, pois é muito mais poderoso.”
Enquanto os deuses do Olimpo conceitos, desta arte, trocavam,
em todo o espaço que vai dos navios às torres e ao fosso
em confusão se amontoavam guerreiros de carro e pedestres.
Atropelava-os o filho de Príamo, Heitor, semelhante
a Ares potente, a quem Zeus concedia alcançar a vitória.
E, certamente, incendiara os navios de rápido curso,
se não tivesse no peito do Atrida esforçado, Agamémnone,
Hera lançado o desejo de aos outros Aqueus dar coragem.
O manto escuro e vistoso lançando no braço robusto,
pôs-se a correr os navios e tendas dos homens Aquivos.
Junto do monstro da proa da nau de Odisseu se deteve,
que era no centro de todas, porque sua voz fosse ouvida
nos dois extremos opostos, na tenda de Ajaz Telamônio
e na de Aquiles, os quais no valor e ousadia confiados
tinham postado seus barcos nos pontos extremos do campo.
Desse lugar, para os Dânaos, com voz retumbante, assim brada:
“Ó geração de covardes de bela presença, que opróbrio!
Onde as jactâncias se encontram, de que éreis os mais valorosos,
quando, sem fim nem propósito, em Lemno discurso fazíeis,
comodamente a comer muita carne de bois de aspas longas,
e a esvaziar sucessivas crateras de vinho gostoso?
Todos juráveis poder, nos combates, um cento de Teucros,
ou mesmo dois, enfrentar. Mas, agora, um homem só nos faz frente,
o forte Heitor, que há de em breve, sem dúvida, as naus lançar fogo.
Entre os cetrados monarcas, Zeus pai, houve algum, porventura,
que, como a mim, castigasses, privando-o de glória perene?
Por teus altares, no entanto, jamais transitei descuidado,
quando, por minha desgraça, aqui vim nos meus barcos de remos.
Sim, neles todos queimei muitas coxas de bois, e gordura,
pelo desejo de os muros destruir resistentes de Troia.
Ó Zeus! ao menos por mim, dá-me ouvidos à súplica de hoje:
que permitido nos seja escapar deste instante perigo,
sem consentires que os homens de Troia aos Acaios dizimem.”¹
Isso disse ele, a chorar; Zeus potente abalado se mostra,
e consentiu, com um sinal, que seu povo não fosse destruído.
Uma águia, logo, mandou, dentre as aves a mais auspiciosa,
que um gamozinho de corça veloz carregava nas garras,
o qual soltou, ao passar pelo altar, onde ofertas opimas
ao deus que a tudo responde soíam trazer os Aquivos.
Estes, então, compreendendo o sinal que Zeus grande mandara,
com novo ardor belicoso atiraram-se contra os Troianos.
Nenhum dos Dânaos — tentaram-no muitos — então ufanou-se
de ter vencido o Tidida no afã de incitar os cavalos
para transporem os fossos e, assim, frente a frente, lutarem.
Pelo contrário: de início, o Troiano Agelau ele fere,
filho de Frádmone, quando os cavalos já havia virado,
precisamente ao voltar-se, enterrando-lhe a lança de bronze
entre as espáduas, de forma que a ponta no peito saiu:
tomba do carro de bruços, ressoando-lhe em torno a armadura.
Vão-lhe no encalço os dois filhos de Atreu, Menelau e Agamémnone;
os dois Ajazes, depois, revestidos de força guerreira;
Idomeneu, a seguir, e seu fiel companheiro Meríones,
que tinha de Ares funesto a figura exterior e a aparência;
segue-se Eurípilo, o filho preclaro de Evémone ilustre.
Vai Teucro em nono lugar, manejando o arco forte e flexível,
mas sob o escudo gigante de Ajaz Telamônio abrigado.
Um pouco Ajaz levantava o pavês; logo, o herói, cauteloso,
em torno espiava; e se algum dos imigos, no meio da chusma,
era atingido, ali mesmo, sem vida, era ao solo jogado.
Como criança que corre a esconder-se no seio materno,
Teucro voltava a abrigar-se no escudo de Ajaz lampejante.
Qual o primeiro Troiano por Teucro infalível foi morto?
Foi o maior entre todos, Orsílico; Détor e Crômio,
Ormeno, após, e Ofelestes, e mais Licofonte divino
e Melanipo e Amopáone, filho do grande Poliémone;
uns sobre os outros, no solo fecundo, privou da existência.
Muito exultante se mostra Agamémnone, rei poderoso,
por ver como ele, com o arco, as falanges Troianas destruía.
Vai para junto do herói, e lhe diz as seguintes palavras:
“Teucro dileto, viril Telamônio, senhor de guerreiros,
dessa maneira prossegue; sê luz para os homens Acaios
e o genitor Telamão, que te criou desde muito pequeno,
em que bastardo tu fosses, com os filhos, no próprio palácio.
Ainda que longe te encontres, aumenta-lhe a glória perene.
Ora te digo com toda a clareza o que vai realizar-se:
se Zeus, o filho de Crono, e mais Palas Atena me derem
que Ílio consiga destruir, escalando seus muros soberbos,
o prêmio de honra hás de ter, logo após o que a mim for cedido,
ou bela trípode, ou carro bem-feito, com seus corredores,
ou mesmo escrava donosa que possa subir ao teu leito.”
Teucro, o frecheiro notável, lhe disse, em resposta, o seguinte:
“Por que me incitas, Atrida glorioso, se eu próprio me esforço
quanto possível? Não deixo, um momento, que o ardor se arrefeça,
mas, desde o instante em que o imigo, de novo, para Ílio empurramos
com este meu arco não cesso de ao solo atirar inimigos.
Já disparei oito flechas munidas de pontas agudas,
que foram todas cravar-se nos corpos de heróis destemidos.
No cão raivoso, somente, não posso acertar nenhum tiro.”
Disse; e, de novo, uma seta da corda dispara, visando
o nobre Heitor muita vez alvejado; ansiava matá-lo,
sem que o pudesse inda agora; foi dar no viril Gorgitíono,
o grande filho de Príamo, a seta, que o peito lhe fere.
De Castianira venusta, a uma deusa imortal semelhante,
que para as núpcias de Esima viera, nascera esse filho.
De um lado inclina a cabeça o ferido, tal como a papoula
na primavera, ao ventar, sob o peso das novas sementes:
por esse modo a cabeça inclinou, agravada pelo elmo.
Teucro, de novo, uma seta da corda dispara, visando
o nobre Heitor muita vez alvejado; ansiava matá-lo,
sem que o pudesse ainda agora, pois que, por Apolo desviada,
a seta fere a Arqueptólemo, o auriga de Heitor extremado,
junto ao seio, de frente, quando ele na pugna ingressava.
Tomba, ruidoso, do carro o ferido, espantando os cavalos
de pés velozes; a vida e o vigor, ali mesmo, lhe fogem.
Grande pesar teve Heitor com a morte do auriga preclaro;
mas, muito embora lhe a perda sentisse, no solo o abandona,
dando a Cebríones ordens, o irmão que ali perto se achava,
para que as rédeas tomasse; este ao mando, de pronto, obedece.
Salta Heitor, logo, do carro, na bela armadura, gritando
terrivelmente, e apanhando uma pedra do chão, para Teucro
se dirigiu, que o viril coração o incitava a atacá-lo.
Este já havia tirado da aljava uma seta amargosa
e sobre a corda ajeitado; porém, logo que ia atirá-la,
a pedra Heitor lhe lançou perto do ombro, lugar perigoso,
onde, do colo a clavícula o peito limita e separa.
A áspera pedra aí foi dar, quando Teucro o disparo aprontava.
Rompe-se a corda; sem força, dormente, sentiu logo o punho
e, o arco deixando da mão escapar, cai o herói de joelhos.
O forte Ajaz não descuida do irmão que no solo tombara;
corre para ele e o protege, antepondo-lhe o escudo gigante.
Dois companheiros diletos, então, logo a Teucro ampararam,
o divo Alástor e o filho de Equio, o viril Mecisteu,
que para as côncavas naves o levam, gemente e ofegante.
Mais uma vez Zeus Olímpico anima os guerreiros Troianos,
que para o fosso profundo os Aqueus a recuar obrigaram.
Um dos primeiros, Heitor, avançava, orgulhoso da força.
Tal como fero mastim que, nos rápidos pés confiado,
corre no encalço de um leão ou de um porco selvagem, mordendo-lhe
o flanco e as coxas, atento em qualquer movimento de volta:
por igual modo, no encalço se achava dos Dânaos Heitor,
a derrubar, sempre, os últimos; fogem, com medo, os restantes.
Quando, a correr, conseguiram passar as estacas e o fosso,
ainda que muitos guerreiros às mãos dos Troianos caíssem,
perto das côncavas naves, alfim, se reuniram, chamando
uns pelos outros. A todos os deuses as mãos levantando,
súplices, cada um dos Dânaos fazia promessa em voz alta.
Por toda parte, os cavalos crinados Heitor revolvia,
com olhar igual ao da Górgona ou de Ares, o deus homicida.
Hera, de cândidos braços, piedade sentiu dos Aquivos;
súbito, a Palas Atena dirige as palavras aladas:
“Palas Atena indomável, donzela de Zeus, seguiremos
sem demonstrar compaixão aos Aquivos, em tal apertura?
Vemos como eles perecem, cumprindo o Destino funesto,
pela maldade somente de Heitor, este filho de Príamo.
É intolerável a fúria que tantas crueldades comete.”²
A de olhos glaucos, Atena, lhe disse o seguinte, em resposta:
“Há muito, sim, já deveras o vigor ter perdido e a existência,
no próprio solo da pátria prostrado por um dos Aquivos
Mas para os Dânaos meu pai não se mostra benigno, o insensato!
Sempre teimoso e cruel, tem prazer em se opor aos meus planos.
Não se recorda das vezes que o filho salvei, quando estava
sob o rigor de Euristeu, a sofrer indizíveis trabalhos.
Quando ele as mãos para o Céu levantava e implorava, chorando
para que viesse ajudá-lo, mandava-me Zeus do alto Olimpo.
Se, quanto agora se passa, tivesse previsto em minha alma,
quando incumbido ele foi de baixar até as portas escuras,
para que do Érebo à luz arrancasse o cão de Hades funesto,
dificilmente escapara das águas revoltas do Estige.
A Ilíada é um poema épico atribuído a Homero que narra os eventos do último ano da Guerra de Troia, destacando a ira de Aquiles e suas consequências. É considerada uma das obras fundadoras da literatura ocidental, composta por cerca de 15.693 versos em hexâmetro datílico e dividida em 24 cantos, cada um correspondente a uma letra do alfabeto grego. A autoria é tradicionalmente atribuída a Homero, poeta grego que teria vivido no século VIII a.C., na região da Jônia, atual Turquia.
O poema se passa durante 51 dias do décimo ano da Guerra de Troia, iniciando com a ira de Aquiles, causada pela disputa com Agamenon, comandante dos exércitos gregos, que lhe retira a serva Briseida. A narrativa aborda:
- O cerco de Troia pelos aqueus para resgatar Helena, esposa de Menelau, raptada por Páris.
- A retirada de Aquiles do combate e o impacto dessa decisão sobre os gregos.
- A morte de Pátroclo, amigo de Aquiles, que leva o herói a retomar a luta.
- O duelo final entre Aquiles e Heitor, culminando com o funeral do herói troiano.
- A obra também inclui episódios de deuses e heróis, como Afrodite, Zeus, Páris e Helena, que influenciam diretamente os acontecimentos humanos.
A Ilíada, junto com a Odisseia, representa a síntese da tradição oral grega e permanece até hoje como um estudo essencial da literatura e da cultura clássica
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[1] Neste trecho da Ilíada, a batalha atinge um momento crítico para os gregos (aqueus). Enquanto os deuses do Olimpo discutem entre si o destino da guerra, no campo de batalha os troianos avançam com força sob a liderança de Heitor, que parece agir com o poder destrutivo do próprio Ares. Zeus lhe concede vantagem, e os navios gregos correm o risco de ser incendiados, o que significaria uma derrota desastrosa.
Diante da crise, Agamêmnon assume o papel de líder e percorre o acampamento para reanimar seus guerreiros. Seu discurso é uma mistura de censura, vergonha e incentivo. Ele acusa os aqueus de terem sido arrogantes no passado, quando se gabavam de derrotar facilmente os troianos, mas que agora se mostram incapazes de resistir a um único homem, Heitor. Em seguida, Agamêmnon dirige-se a Zeus numa prece carregada de angústia. Ele recorda os sacrifícios que ofereceu aos deuses e pede não a vitória gloriosa, mas simplesmente a sobrevivência de seu exército. Esse momento revela a fragilidade humana diante do destino e dos desígnios divinos. Heitor simboliza a força do destino favorável e o heroísmo inspirado pelos deuses, enquanto Agamêmnon representa a condição humana diante da adversidade. O incêndio dos navios tem um valor simbólico importante: os navios são a ligação dos gregos com sua pátria e sua única esperança de retorno. A ameaça contra eles equivale à ameaça contra toda a expedição e contra a própria sobrevivência dos aqueus. Assim, o trecho marca um dos momentos de maior tensão da narrativa, quando a derrota dos gregos parece iminente e a confiança dos heróis é posta à prova. Temas principais:
- A dependência dos homens em relação aos deuses, A guerra não é decidida apenas pela coragem dos combatentes. As vontades de Zeus, Hera e dos demais deuses influenciam diretamente os acontecimentos. Os homens lutam, mas seu destino permanece subordinado às forças divinas.
- A liderança em tempos de crise, Agamêmnon surge como um líder que procura restaurar o moral das tropas. Sua fala mostra que, em momentos de desespero, a liderança exige tanto repreender quanto inspirar. - O contraste entre orgulho e realidade, Os aqueus haviam se vangloriado de sua superioridade, mas a situação concreta desmente suas palavras. Homero destaca como a soberba frequentemente é humilhada pelos fatos.
- A vulnerabilidade humana, Mesmo sendo rei e comandante supremo, Agamêmnon não controla o curso dos acontecimentos. Sua oração revela medo, insegurança e dependência, características profundamente humanas.
[2] Neste trecho, a situação dos aqueus torna-se ainda mais desesperadora. Heitor, impulsionado pelo favor de Zeus e por sua própria coragem, neutraliza um dos melhores arqueiros gregos, Teucro, atingindo-o com uma pedra no momento em que este preparava uma flecha. O episódio simboliza uma reviravolta da sorte: a habilidade e a técnica de Teucro são vencidas pela força e pelo ímpeto de Heitor. A intervenção rápida de Ajaz, que protege o irmão ferido, destaca os laços de solidariedade e companheirismo entre os heróis gregos. Após a queda de Teucro, os troianos ganham novo ímpeto. Heitor passa a perseguir os aqueus em retirada como um caçador atrás de sua presa. A comparação com o mastim que persegue um leão ou javali reforça sua imagem de guerreiro incansável, agressivo e dominador. O avanço troiano leva os gregos a recuarem até os próprios navios, o último reduto antes da derrota total. Diante desse perigo, os aqueus recorrem às preces. É significativo que, quando os recursos humanos parecem esgotados, os guerreiros levantem as mãos aos deuses. A cena expressa um dos princípios centrais da Ilíada: o ser humano é valente, mas seu destino depende também das forças divinas. A mudança decisiva ocorre quando Hera, observando o sofrimento dos gregos, sente compaixão. Ela se dirige a Atena, indignada com a crueldade e a fúria destruidora de Heitor. Surge então um contraste importante: enquanto Zeus favorece temporariamente os troianos, Hera e Atena inclinam-se a ajudar os aqueus. A guerra terrestre reflete assim um conflito paralelo entre as divindades. A ferida de Teucro representa a diminuição das capacidades defensivas dos aqueus. O arqueiro, que combate à distância, simboliza a estratégia e a técnica; Heitor, ao derrotá-lo com uma pedra, representa a força bruta e o ímpeto guerreiro triunfando momentaneamente. Já a retirada dos gregos para junto dos navios possui um sentido dramático profundo. Os navios simbolizam não apenas sua sobrevivência, mas também a esperança de retorno à pátria. Quando a luta chega até eles, a guerra atinge seu ponto de máxima tensão: não está mais em jogo apenas a vitória, mas a própria existência do exército grego. Em termos narrativos, este trecho prepara a intervenção das deusas e marca o auge do poder de Heitor, apresentado como o instrumento do destino que ameaça levar os aqueus à ruína completa. Temas centrais: - A instabilidade da sorte na guerra, A queda de Teucro mostra como, em um instante, um combatente pode passar da vantagem à derrota. A guerra homérica é marcada pela constante mudança de fortuna.
- Heroísmo e fraternidade, A ação de Ajaz ao salvar o irmão revela que a coragem não consiste apenas em atacar, mas também em proteger os companheiros. - O guerreiro como força da natureza, Heitor aparece quase sobre-humano, comparado a animais predadores e ao deus Ares. Ele encarna a energia devastadora da guerra em seu auge. - Compaixão divina, A reação de Hera introduz a ideia de que até mesmo os deuses podem ser movidos pela piedade diante do sofrimento humano.
“Zeus proíbe futuras intervenções dos deuses na guerra e vai ao monte Ida
assistir aos combates. Os Troianos, então, sobrepujam os Gregos. Diomedes
tenta, sem sucesso, recuperar a vitória para os Gregos. Estes são empurrados até
suas naves. Hera e Atena, descendo para ajudar os Gregos, são impedidas por
Zeus, enviando Íris, que as obriga a voltar para o Olimpo. A noite interrompe a
batalha.”
.
O cróceo manto já abrira na Terra a solícita Aurora,
quando Zeus grande, que os raios dispara, os eternos convoca
para a assembleia no pico mais alto do Olimpo cumeoso.
Zeus se pôs logo a falar; toda a Corte celeste o escutava:
“Deuses eternos, e deusas, agora atenção prestai todos
ao que vos digo e no peito me ordena dizer-vos o espírito.
Nenhum dos deuses, nem mesmo nenhuma das deusas se atreva
a contestar meu discurso, mas, todos, concordes se mostrem,
para que eu possa, sem perda de tempo, acabar esta empresa.
Quem quer que seja disposto, a de parte dos outros eternos,
a socorrer os Troianos, ou, ainda, os grevados Aquivos,
há de se ver fustigado, aqui mesmo, por modo irrisório,
se eu o não lançar, sem nenhuma cautela, no Tártaro escuro,
esta voragem profunda que embaixo da terra se encontra,
de érea soleira munida e de portas de ferro, tão longe
do Hades sombrio quanto há de permeio entre a Terra e o Céu vasto.
Por esse modo há de ver quanto sou, mais que todos, potente.
Caso queirais pôr à prova o que digo, será proveitoso:
por uma ponta amarrai no Céu vasto áurea e grande cadeia,
e, da outra ponta, reunidos, ó deuses e deusas, forçai-a.
Por mais esforço que nisso apliqueis, impossível a todos
vos há de se arrastar a Zeus grande, o senhor inconteste.
Mas se, ao contrário, eu quiser, seriamente, puxar para cima,
a própria terra e o mar vasto, convosco trarei desde de baixo.
Mais: ser-me-á fácil no pico mais alto do Olimpo amarrar-vos
nessa corrente, deixando pendente tudo isso no espaço;
tanto supero os mortais, tanto os deuses eternos supero.”¹
Isso disse ele; os presentes calados e quedos ficaram,
estupefatos perante a violência de suas palavras.
A de olhos glaucos, Atena, por fim a falar se resolve:
“Crônida, pai de nós todos, senhor poderoso e supremo,
sobejamente sabemos que força invencível possuis,
o que não priva nos causem piedade os lanceiros Argivos,
por vermos como perecem, cumprindo o Destino funesto.
Se determinas, porém, que afastados fiquemos das lutas,
simples conselhos permite aos Argivos, então, ministrarmos,
para evitar que tua ira, afinal, a eles todos dizime.”
Disse-lhe, a rir, em resposta, Zeus grande que as nuvens cumula:
“Ó Tritogênia, acomoda-te; quando falei, foi produto,
certo, da cólera; mas para ti quero ser mais sereno.”
Disse, e no carro atrelou os cavalos de rápido curso,
de crina de ouro ondulante e de cascos de bronze infrangível.
Veste a armadura, também, de ouro puro, empunhando depressa
áureo chicote de fino lavor, e subiu para o carro.
Com chicotada os cavalos esperta, que partem, velozes,
pelo caminho que fica entre a Terra e o Céu vasto estrelado.
O Ida, afinal, alcançou, rico em fontes, de feras abrigo,
onde, no Gárgaro, altar possuía num bosque virente.
O genitor dos mortais e dos deuses refreia os cavalos,
tira-os do carro, ali mesmo, envolvendo-os em densa neblina,
e foi sentar-se radiante de glória, no pico mais alto,
a contemplar a cidade dos Teucros e as naus dos Argivos.
As refeições os Acaios de soltos cabelos tomaram,
rapidamente, nas tendas, armando-se logo em seguida.
Por sua vez na cidade, os Troianos também se aprontaram,
em menor número, é certo, mas todos sequiosos de lutas
a que a defesa dos filhos e esposas decerto os forçava.
A multidão, pelas portas franqueadas, então, se apinhava,
os que lutavam de carro e os peões, era grande o alarido.
Quando os imigos exércitos vieram, num ponto, a encontrar-se,
lanças e escudos se chocam, bem como a coragem dos homens
com armaduras de bronze; broquéis abaulados embatem-se
uns contra os outros; estrépito enorme se eleva da pugna.
Dos vencedores os gritos de júbilo se ouvem e as queixas
dos que tombavam vencidos; de sangue se encharca o chão duro.
Enquanto o dia sagrado crescia e a manhã não cessara,
cruzam-se dardos de todas as partes e a turba perece.
Mas, quando o Sol a porção mediana alcançou do Céu alto,
toma Zeus grande de uma áurea balança, nos pratos coloca
as duas sortes da Morte funesta, de dor infindável,
dos picadores Troianos e Aquivos de vestes de bronze,
e pelo meio librou: baixa o dia fatal dos Aquivos.
A sorte, sim, dos Acaios bater foi na terra fecunda;
a dos Troianos, porém, para o céu foi depressa levada.
Nesse momento, um rimbombo se ouviu; do Ida, Zeus poderoso
um raio atira no meio dos homens Aqueus; espantaram-se
com o prodígio eles todos, ficando tomados de medo.
Idomeneu não ousou continuar, nem o próprio Agamémnone,
nem os Ajazes valentes, discípulos de Ares guerreiro.
Permaneceu tão somente Nestor, o baluarte dos Gregos,
não por vontade, mas, sim, por haver-lhe ferido um cavalo
Páris, o divo Alexandre, marido de Helena cacheada,
precisamente na altura onde a crina a crescer principia,
no alto da testa, o lugar, por sem dúvida, mais perigoso.
Um salto deu o animal, pois a flecha lhe entrara até o cérebro,
e, estrebuchando, produz confusão entre os outros cavalos.
Enquanto os loros o velho tentava talhar com a espada,
os corredores velozes de Heitor, pela turba cortando,
se aproximaram, trazendo do herói o animoso cocheiro
e o próprio Heitor. E, sem dúvida, o velho ali mesmo ficara,
se não houvesse notado o perigo Diomedes, o forte,
que em altas vozes exclama, incitando Odisseu para a luta:
“Filho de Laertes, de origem divina, Odisseu engenhoso,
voltas as costas e foges tal como os cobardes o fazem?
Toma cuidado, não vá acontecer que te firam nas costas.
Vem ajudar-me a livrar de adversário terrível o velho.”
Mas o paciente e sofrido Odisseu atenção não prestando
a essas palavras, cortou para as naus dos Acaios grevados.
Ainda que só, vem Diomedes meter-se entre as turmas da frente
e, junto ao carro parando do velho Nestor de Gerena,
põe-se a falar-lhe, dizendo as seguintes palavras aladas:
“Muito te apremam, Nestor, inimigos no viço da idade.
Emurcheceu teu vigor, pois infausta velhice te oprime.
Tens um auriga de pouco expediente e corcéis muito lerdos.
Vem para cá, porque vejas, alfim, como são excelentes
estes cavalos de Trós, que tão rápidos correm no plaino,
quer quando cumpre fugir, quer no encalço do imigo ligeiro.
Arrebatei-os de Eneias, há tempo; o terror eles levam.
Deixa aos cuidados dos servos os teus corredores, porque este
nos levarão para os fortes Troianos, a fim de que veja
Heitor que a lança que eu vibro dispara, em verdade, com fúria.”
De boamente, o Gerênio Nestor aceitou-lhe os conselhos.
Eurimedonte e o impecável Esténelo, fiéis escudeiros,
dos corredores velozes do velho Nestor se ocuparam.
Os dois heróis para o carro do nobre Diomedes subiram.
Toma das rédeas brilhantes o velho Nestor, espertando,
com chicotada, os cavalos; em pouco, de Heitor se aproximam,
que para os dois avançava; atirou-lhe Diomedes a lança,
sem que o atingisse. No auriga escudeiro acertou, entretanto,
junto do seio, de frente, quando ele os corcéis dirigia,
filho do grande e animoso Tebaio, Eniopeu preclaríssimo.
Estrepitoso, do carro caiu, espantando os cavalos
de pés velozes; a vida e o vigor, ali mesmo, lhe fogem.
Grande pesar sente Heitor com a morte do auriga preclaro;
mas, muito embora sentisse sua perda, no solo o abandona,
para outro auriga animoso ir buscar. Muito tempo não ficam
os corredores sem guia, pois logo a Arqueptólemo encontra,
de Ífito o filho extremado, que fez para o carro flexível,
sem mais demora, subir, entregando-lhe as rédeas brilhantes.
Irreparável catástrofe, então, sucedera aos Troianos,
que encurralados seriam, quais fracas ovelhas, em Ílio,
se pelo pai dos mortais e dos deuses não fosse notado
o que passava, Zeus, troando terrível, um raio dispara
do alto, que veio cair junto dos fortes corcéis do Tidida:
chama horrorosa elevou-se do enxofre que, então, crepitava.
Cheios de susto, os corcéis, sob o carro, em desordem, se metem;
caem as rédeas brilhantes das mãos de Nestor, que sentindo
o coração palpitar-lhe a Diomedes se volta e lhe fala:
“Toma, Diomedes, das rédeas e faze virar os cavalos,
pois não estás vendo que Zeus nos denega alcançar a vitória?
O grande Crônida a Heitor hoje glória concede perene;
mas amanhã, se o quiser, far-nos-á vencedores de novo.
Nunca os desígnios de Zeus alterar jamais pôde algum homem,
por mais valente e galhardo, pois ele é o poder infinito.”
Disse-lhe, então, em resposta, Diomedes, de voz atroante:
“Todas as tuas palavras, ancião, foram ditas com senso;
mas sofrimento indizível o peito, nesta hora, me oprime,
por ver que em meio aos Troianos Heitor possa um dia jactar-se:
‘Veem? O Tidida de mim já fugiu, acolhendo-se às naves!’
Sorva-me a terra, primeiro que assim venha, ufano, a gloriar-se.”
Disse-lhe, então, o Gerênio Nestor, condutor de cavalos:
“Como é possível que o filho do grande Tideu assim fale?
Ainda que Heitor te acoimasse de imbele e covarde, impossível,
fora-lhe a alguém convencer, não somente Dardânios e Teucros,
mas as mulheres de tantos guerreiros de peito animoso,
cujos maridos, no viço da idade, prostraste na poeira.”²
Pós ter falado, a voltar obrigou os velozes cavalos
por onde os outros fugiam. Heitor e os Troianos, nessa hora,
com sobre-humano alarido, atiraram-lhe setas pungentes.
Em grandes brados Heitor, do penacho ondulante, lhe grita:
“Os Dânaos todos, Diomedes, te honravam nas festas, cedendo-te
a cabeceira e ofertando-te assados e vinho abundante.
Ora dar-te-ão só desprezo, pois como mulher te portaste.
Foge, donzela pudica! Jamais hei de o passo ceder-te;
nunca hás de os muros sagrados subir-nos, nem nossas mulheres
para os navios levar, que, antes disso, dar-te-ei morte infausta.”
Isso disse ele; indeciso se mostra o valente Diomedes,
quanto a virar o cavalo e enfrentar o inimigo impetuoso.
Na mente e no ânimo o herói, indeciso, reflete três vezes;
três vezes do Ida aprazível rimbomba Zeus, filho de Crono,
para anunciar aos Troianos que deles seria a vitória.
Em altos brados Heitor se dirige aos guerreiros Troianos:
“Lícios, Dardânios e Teucros, viris combatentes de perto,
sede homens, caros amigos, e força mostrai impetuosa.
Vi claramente que Zeus é por nós, tendo anuído em ceder-nos
fama preexcelsa e a vitória, e aos Argivos apenas trabalhos,
estes ingênuos, que a ideia tiveram de um muro altanado,
sem resistência, construir, irrisório empecilho ao meu braço,
pois meus corcéis hão de o fosso profundo transpor facilmente.
A Ilíada é um poema épico atribuído a Homero que narra os eventos do último ano da Guerra de Troia, destacando a ira de Aquiles e suas consequências. É considerada uma das obras fundadoras da literatura ocidental, composta por cerca de 15.693 versos em hexâmetro datílico e dividida em 24 cantos, cada um correspondente a uma letra do alfabeto grego. A autoria é tradicionalmente atribuída a Homero, poeta grego que teria vivido no século VIII a.C., na região da Jônia, atual Turquia.
O poema se passa durante 51 dias do décimo ano da Guerra de Troia, iniciando com a ira de Aquiles, causada pela disputa com Agamenon, comandante dos exércitos gregos, que lhe retira a serva Briseida. A narrativa aborda:
- O cerco de Troia pelos aqueus para resgatar Helena, esposa de Menelau, raptada por Páris.
- A retirada de Aquiles do combate e o impacto dessa decisão sobre os gregos.
- A morte de Pátroclo, amigo de Aquiles, que leva o herói a retomar a luta.
- O duelo final entre Aquiles e Heitor, culminando com o funeral do herói troiano.
- A obra também inclui episódios de deuses e heróis, como Afrodite, Zeus, Páris e Helena, que influenciam diretamente os acontecimentos humanos.
A Ilíada, junto com a Odisseia, representa a síntese da tradição oral grega e permanece até hoje como um estudo essencial da literatura e da cultura clássica
________________ [1] Este trecho é um dos momentos mais solenes da Ilíada. Nele, Zeus reúne todos os deuses no Olimpo e afirma de forma categórica sua supremacia absoluta, proíbe qualquer intervenção na Guerra de Troia, ameaça os desobedientes com o Tártaro e proclama sua superioridade absoluta sobre deuses, homens, Terra e mar.
Principais pontos:
- Convocação da assembleia divina: ao amanhecer, Zeus reúne todos os deuses e deusas no ponto mais alto do Olimpo. - Proibição de interferência: ele ordena que nenhum deus ajude os Troianos nem os Aqueus (Gregos) na guerra. - Ameaça de punição: qualquer divindade que desobedecer será lançada no Tártaro, o abismo mais profundo e terrível do universo. - Demonstração de poder: Zeus desafia todos os deuses a testarem sua força. - A corrente de ouro: ele imagina uma enorme cadeia dourada presa ao céu. Mesmo que todos os deuses juntos tentassem puxá-la, não conseguiriam mover Zeus. - Superioridade absoluta: em contraste, Zeus afirma que sozinho poderia erguer não apenas os deuses, mas também a Terra e o mar. - Afirmação da hierarquia cósmica: o discurso estabelece que Zeus não é apenas o rei dos deuses, mas uma força superior a todos os outros seres, divinos e humanos. O episódio serve para reforçar uma ideia central da epopeia: embora os deuses participem dos acontecimentos humanos, existe uma autoridade suprema que regula o destino da guerra. A imagem da corrente dourada é uma das metáforas mais famosas de Homero, simbolizando o poder irresistível de Zeus e a ordem do cosmos.
[2] Neste trecho, Homero apresenta Zeus como a autoridade suprema do universo, acima dos homens e até mesmo dos demais deuses. Reunindo a assembleia divina, ele proíbe qualquer intervenção na Guerra de Troia e deixa claro que sua vontade não pode ser contrariada. A ameaça do Tártaro, descrito como um abismo remoto e terrível, serve para destacar o caráter absoluto de seu poder. Não se trata apenas de uma ordem política entre deuses, mas da afirmação de uma hierarquia cósmica: quem desafia Zeus desafia a própria ordem do mundo. O ponto culminante do discurso está na imagem da corrente de ouro. A metáfora demonstra que, mesmo unidos, todos os deuses seriam incapazes de mover Zeus, enquanto ele, sozinho, poderia erguer a Terra, o mar e os próprios imortais. A cena simboliza a concentração de toda a força e toda a autoridade em uma única divindade.
Do ponto de vista literário, o episódio marca uma pausa na ação da guerra para reforçar um tema central da Ilíada: embora heróis e deuses pareçam influenciar os acontecimentos, existe uma vontade superior que governa o destino. A guerra, portanto, não depende apenas da coragem dos combatentes nem das preferências das divindades, mas do plano estabelecido por Zeus. Em um sentido mais profundo, o trecho contrapõe unidade e autoridade. Todos os deuses juntos representam a multiplicidade das forças do universo; Zeus, sozinho, representa o princípio que as coordena e domina. Assim, Homero reafirma a ideia de que a ordem do cosmos prevalece sobre os interesses individuais, sejam humanos ou divinos. O discurso de Zeus não é apenas uma demonstração de força, mas uma proclamação da existência de uma autoridade suprema que sustenta a ordem do universo e determina o rumo dos acontecimentos da Guerra de Troia.