segunda-feira, 25 de maio de 2015

Histórias de avoinha: Uma negra que já tenha tido desfrute

Ensaio 51B – 2ª edição 1ª reimpressão


baitasar



Mifioneto, escuta essa verdade da sua avoinha, num tem uma verdade! E num tem uma mentira... 
tudo o qui ocê fala é mentira se ocê num credita nas coisa qui ocê fala. Nem os mais mau da cara dura credita no qui diz, mais eles tenta fazê ocê creditá. Ocê tem qui tê cuidado pra num creditá em mentira e num saí falando as mentira qui ocê credita sê verdade. Isso pode sê difícil se ocê num aprendê se importá com as coisa qui fala e cuidá meió das coisa qui escuta. O destino de Josino já tava traçado antes de tudo qui já tava acontecendo naqueles dia. Ele num foi escutado de verdade. E num tinha força qui fosse mudá isso... nem a verdade. A mentira, o ódio e a injustiça tem entusiasmo pra sempre e quando isso tem acendimento em boca arrogante com escutação descuidada consegue fazê caminhá pra trás as coisa boa já feita. Num havia arrebatamento pra ouví a verdade do preto Josino.

O entusiasmo com a encantação em homenagem aos noviço obedecia as lei da tribo, muito bem, muito bem, o sinhô Conde precisa passar pela iniciação, os uivo dos hôme no salão desabava sobre o mirante do governadô. Ele girô sua atenção na decoração daquela penumbra, está tudo perfeito, e foi se cravá no candidato a noviço, vosmecê está preparado, o conde da Hora confirmô com um pequeno aceno da cabeça, seja lá o qui fosse esse preparamento, eles num era mais esperto qui o siô conde, o qui mudava entre eles era a fome pelas riqueza e as coisa feita pra tê mais da felicidade do luxo com a dominação dos ignorante.

O siô conde da Hora num conhecia esse começo dos noviço qui tava sendo falado, mais num devia sê muito diferente da sua inauguração de hôme com as preta. Nunca esqueceu esses dia de touro na bacia das água, num comentava muito, mais tinha muita gabolice das descoberta feita. Lembrava sempre qui podia lembrá. Foi tempo de deixá vontade de voltá. Tem ocupação do tempo qui é assim, tem ocupação do tempo qui num é assim, bendito de ocê quando sabe qui tá num tempo assim de um dia querê voltá, num pra consertá, mais pra vivê tudo de novo. E ocê num deixa ele passá só passando, ocê aproveita pra mergulhá da cabeça inté os pé. Vivê tudo desassustado das doçura ou loucura, mais já vô avisando ocê qui esse é um tempo qui precisa o sangue do atrevimento.

Gostava de dizê, nas rara veiz qui disse, o dia seguinte de uso da negrinha era melhor, num sabia a causa de sentí assim, mais era bão sabê senti assim, eu tinha tanta força e dureza escondida de mim mesmo. O guri tava orgulhoso. Acordava com mais gosto da pretinha no otro dia, no otro, e no otro... tinha provado a delícia de ficá enfiado inté desmaiá. Cada veiz qui tinha a preta Biscoito ficava enfiado mais tempo. Tremendo. Suando inté encharcá os dois mais o chão, sem medo, embarcado de cabeça na bacia da muié. Desmaiando. Acordando. Gemendo. Um desmaio por ele mesmo. O pai repetia com os riso de alegria, meu filho ficou homem. Duro. Forte. Sem piedade. Conveniente pra num escutá o silêncio da muié-menina. Um desmaio rápido das batida curta e apressada. Gastava mais tempo oiando ela passá com gingação preta e com os desmaio do qui entregando os rancho.

Ela ia e voltava dentro da casa dançando alguma tristeza. A siá mãe da Hora ordenava uma obrigação atrás da otra. Uma luta entre as carne nova e as carne com as cicatriz do tempo. Quanto mais tristeza mais balançava os passo pra frente e atrás. Quanto mais dançava sua tristeza mais ocupação recebia, num parecia cansá nem tê vontade de falá. Só cansa quem tá vivo, só fala quem tem vontade de tá vivo. O caminhá de flutuá dela dava no menino-hôme uma muita vontade de escavocá as carne desanimada da pequena muié. Um tempo das coisa de hôme com muié fácil pro menino da Hora. O véio da Hora precisô dá mandamento de arrumação nos encontro com a pretinha e nos atendimento das encomenda, meu filho, tudo tem sua hora.

As lembrança do guri qui num se atormentava em tê vontade de dureza fazia do siô conde da Hora, nos dia de hôme, um embuste muito demorado. Pegava muita veiz no tranco. Aquelas vontade de maió rapidez deixô muita saudade e lambança. Foi o tempo dos vento da alegria dançante. Aconteceu nos dia qui o armazém da Hora já tava com tamanho bão. E se aconteceu era pra acontecê. O guri entregadô qui tinha as vista verde e muita boniteza parecia vê o mundo pela cô das vista qui tinha. Um mundo verde qui recebia as encomenda em casa, uma a uma, das mão do menino com boniteza verde. Tudo nos arredó da rua das praia.

O véio da Hora escutava os elogio do ensolarado menino e se alarmava. Aquele num era um mundo com boniteza, mais um lugá de esperteza. Teve um rompante de fazê o qui já tava pensando sê preciso fazê, e numa veiz só, é hoje, gritô de supetão, esse é um bom momento, não passa de hoje. Preciso de um trago.

Quando chamô a esposa já tinha tomado o seu talagaço de cachaça, vosmecê deixe para depois o seu zelo de capricho com a casa, fique nos cuidados do balcão. Já volto. E deu de mão no fiô, num disse nenhuma palavra com explicação, nunca dava. Nunca precisô. Arrastô o guri inté a praça de compra, venda ou troca dos preto qui já chegava na Villa acorrentado, é agora ou nunca. Escolhe uma...

A quentura da cachaça se jogô nos óio verde, firme e paterna, prometeu qui fosse o qui fosse a escolha dava sua aprovação, vosmecê escolhe e o seu pai compra a mercadoria, fez silêncio, deu tempo pro guri corrê os óio, aponte uma negra!

Elas tava numa posição de lado uma com a otra, todas mal-cuidada, fedô de sujêra forte, mulambenta, chorando, resmungando as palavra pra pouco entendimento na Villa. Presa uma na otra com uma corrente travada em colá de ferro no pescoço. Uma segurava a otra, uma levava a otra

Escolher o quê, sinhô meu pai?

O véio da Hora pareceu perdê a paciência com o fiô, será que vai ser preciso explicar os detalhes de uso, a la pucha, esse guri precisa de uma negra que já tenha tido desfrute, fácil de meter a minhoca, toda aquela preocupação tinha causa no esbanjamento da boniteza verde nos óio do guri e a falta de apetite do piazote com as carne de muié, uma negra que conheça os benefícios e o jeito de ajudar com as tarefas das mãos

Não sei, meu pai... escolhe o sinhô.

Mas que merda é essa? Levanta essa mão e aponte o dedo! Escolhe uma negrinha, e pronto!

Ele escolheu.

A pretinha escolhida tava com o oiá tão longe qui num dava pra vê o visto qui tava na frente dela. Mais num foi o oiá perdido da mocinha qui importô nem a mudez da língua, tampouco foi as vista seca e com tristeza, um choro sem choro, um luto qui durava tempo e dava jeito de sê pra vida toda qui ela tinha de vida. Parecia qui já tinha decidido defuntá o resto da vida oiando pra lá, sentindo o gosto qui num tava ali.

Ele escolheu.

Num foi o tamanho de muié qui ela já tinha, as curva pouco passava das medida do guri, nem foi a pouca vestimenta sem forro qui tapava cintura abaixo, uns pano sujo e rasgado. Manchado de terra com dô. Os dente podia tá branco ou podia num tá, ela num ria, nada dizia, ele apostava neles branco. A cabeça tava raspada inté onde alguma navalha pode alcançá. Parecia qui num respirava nem escutava. Suja, em pé, uma estátua entristecida, saburrenta, mais decidida ficá minguada em lamento. Balançava as perna como a mãe carrega o fiô chorando. O guri da Hora oiava pra ela, só pra ela. Num podia vê o qui acontecia dentro daquela sombra de muié. Eles num tinha assunto. Nem ia tê.

Ele escolheu.

Ela tinha um mistério qui o guri da Hora num percebeu, mais viu as duas cuia preta derramando a água leitosa qui só as mãe carrega. Ela era uma árvore com fruto, aquela boniteza se escorrendo deixô o guri da Hora agitado. Ele escolheu. Apontô com o braço firme e decidido o peito se derramando, o dedo duro e robusto tremendo... essa...

Essa?

Sim, respondeu sem tirá o oiá curioso dos peito mamudo. Num sabia qui podia sê assim, vazando como se tivesse furado. A vontade qui tava no guri era prová o gosto se derramando. Lembrô um dos dois aconselhamento do painho, meu filho, nem queira entender. Ocê não vai conseguir... elas sangram na greta das perna e derramam leite pelo peito. É uma nojice. Nem tente colocá algum juízo nisso. Aprenda fazer bom uso, nada mais.

O guri continuô em silêncio, quase nada escutava, num achô urgente colocá importância nas palavra do véio da Hora. Sua urgência era encontrá um jeito pra prová as água derramando da pretinha

Que assim seja, o da Hora pai virô-se pra conversá do preço com o contratante, onde está esse sujeito, levava e trazia os passo entre os preto acorrentado, uns em pé, otros escorado, maltratado, exaustos da travessia qui vinha da capital do império. A conversa num demorô pra tê acerto. Quando as duas parte qué negociá num tem preço ruim nem mercadoria com preço demais. A mocinha dos dente branco, qui num tinha gosto de tá ali se derramando sem uso de mãe, foi vendida pra família da Hora. Teve sorte, foi o qui disse o da Hora pai, somos uma família de gente das mais respeitadas e caridosas nas redondeza do comércio da rua das praias.

Afonsinho, vamos... ela é sua. Já tenho recibo da compra. Tudo assinado no bom cumprimento das leis. Segure a corrente, o piazote pegô a corda de ferro, uma corda pesada pra tá amarrada no pescoço da preta recém comprada, ele num andava. Ficô ali, parado. A corrente na mão, o que foi, agora?

Meu pai, solta ela da corrente e da coleira.

Ocê está louco? Nem pensar! E se ela foge?

Para onde, meu pai?

O pai oiô o fiô com as vista qui nunca tinha usado, acho que vou me arrepender antes do fim que nem teve começo, abriu o garrote do pescoço, soltô o passarinho dentro da gaiola, e ocê já pensou um nome?

Não.

Posso oferecer sugestão?

É claro que pode...

Biscoito Queimado.

Por que isso?

O véio da Hora soltô o riso de aprovação e entendimento da brincadêra qui fez, gostava de caçoá dos preto, se eles não fazem antes é certo que farão depois. Mas o que ocê acha do nome? Biscoito Queimado, igual aos biscoitos queimados da tua mãe, soltô otra gargalhada cheia de satisfação consigo mesmo, gostava da sua inteligência e bão humô

Acho melhor usar o nome que ela já tem.

Essa daí, não diz o nome que já tem e finge não saber que precisa obedecer ocê.

Nada de correntes...

O véio da Hora se perguntava como foi qui o guri cresceu tanto, está bem, amarre esta corda nos braços e puxe. Só para mostrar o caminho. Depois do costume não vai ter mais uso, mas antes é preciso fazer o costume.

Foi dito e feito, lá tava os três caminhando na rua das praia inté o armazém da Hora, um ou dois puxões, só isso foi preciso, se vangloriô o véio da Hora, não tivemos demora para voltar. A muié colocô as vista pra fora do balcão, tava enfiada em arrumação dentro do altar de compra e venda

Veja, minha esposa... compramos essa negrinha para ajudar nas lidas da casa e outros serviços que vosmecê achar conveniente, a dona da casa ergueu os óio do balcão pra oiá com mais cuidado a mercadoria

E o filho, foi a primeira pergunta qui fez. O marido deu de ombro, siná da sua indiferença

Não sei, já veio sem o bichinho nos braços. Mas se não foi vendido, foi comido com os peixes durante a travessia.

Tenho minhas dúvidas se foi uma boa compra. Essa negrinha está numa tristeza sem fim, não acho que vai melhorar, tinha oiá tão longo qui num dava pra vê o visto, o desgosto do luto qui parecia sê pra vida toda qui ela tinha de vida, e a troco do quê essa extravagância, foi a segunda pergunta. A muié dona da casa oiava pra otra muié amarrada. As duas amarrada. A mais nova enfiada naquele saco de pano amarelado e manchado e fedido, coberta só da cintura pra baixo

Não é nenhum esbanjamento, vosmecê e o guri precisam dos serviços da negrinha. E por agora, trate de acomodar a menina. A deixe limpar os maus bocados, mais o qui a siá mãe da Hora num podia acalmá era o desconforto do ciúme. O menino da Hora assistiu tudo junto da sua primeira escrava. Segurando a corda. Os dois tava calado, ela amarrada nos punho. Ele num tirava as vista do desmame. Ela tinha dô, mais tava desistida, só importava as lágrima qui corria pra dentro inté derramá nos peito. Ela num derramava o choro nas vista. Fazia o despejo nos peito e num parecia qui queria pará.

O véio da Hora ergueu as mão pro céu, vosmecê devia agradecer a minha preocupação com o seu conforto. O presente já está pago, fez volta e meia, colocô-se atrás do balcão e ordenô qui os três entrassem na casa. A loja precisava de sossego. Foi a primêra veix qui o guri sentiu precisão clara e manifesta de usá as mão. Sentiu vontade de se derramá, mais num sabia como fazê

Cubra essa negrinha, num foi grito nem destempero, mais mando de muié desconfiada do serviço e do uso da escrava comprada. Num queria perdê o fiô pros modo indecente do pai nem da preta ajudante. Correu inté o quarto de dormí do casal, num queria mostrá o seu medo. Entrô no lugá das visita do marido e parô no espelho e empurrô com as mão o qui tava boiando caído.

O peito secô. Chegô pra ela era o tempo das vista se derramando.



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Leia também:


Histórias de avoinha: O mundo é assim, tem dono
Ensaio 50B – 2ª edição 1ª reimpressão


Histórias de avoinha: Eu juro!
Ensaio 52B – 2ª edição 1ª reimpressão

sábado, 23 de maio de 2015

Sebastião, um indomável gênio brasileiro

O Síndico




Toda a fúria do romantismo na voz do Síndico




Um Dia de Domingo
Gal Costa






Um Dia de Domingo
Tim Maia


Eu preciso te falar
Te encontrar de qualquer jeito
Pra sentar e conversar
Depois andar de encontro ao vento

Eu preciso respirar
O mesmo ar que te rodeia
E na pele quero ter
O mesmo sol que te bronzeia
Eu preciso te tocar
E outra vez te ver sorrindo
Te encontrar num sonho lindo

Já não dá mais pra viver
Um sentimento sem sentido
Eu preciso descobrir
A emoção de estar contigo
Ver o sol amanhecer
E ver a vida acontecer
Como um dia de domingo

Faz de conta que ainda é cedo
Tudo vai ficar por conta da emoção
Faz de conta que ainda é cedo
E deixar falar a voz do coração



Composição: Michael Sullivan / Paulo Massadas





Réu Confesso








Gostava Tanto de Você








Me dê motivo




Você já viu o filme? O Tião nunca colocou o pé no freio. Nunca pegou leve...





Pede a Ela
Roberto Carlos





Pede a Ela
Tim Maia


Pede a ela
Prá ligar prá mim
Diz a ela
Que apesar de tudo
Eu não mudei
Um milhão de vezes eu liguei
E ela manda responder
Que não está...

Diz a ela que me viu chorar
Você pode usar o argumento
Que quiser
Tenta tudo aquilo que puder
Pede a ela
Prá voltar prá mim...

Diz que eu agora ando
Solitário e sem amor
Que você só procurou
Por ela
Porque viu a minha dor
Diz a ela
Que eu estou sozinho
E vou sofrer
Meu orgulho já se acabou
Minha vida se modificou
Não dá prá segurar...

Pede a ela
Prá ligar prá mim
A saudade tá batendo
Tá ruim
Pede a ela
Prá ligar prá mim
Já não posso mais
Viver assim...

Pede a ela
Prá ligar prá mim
A saudade tá batendo
Tá ruim
Pede a ela
Prá ligar prá mim
Já não posso mais
Viver assim
Pede a ela
Prá ligar prá mim!...


Composição: Carlos Colla / Ed Wilson





Até Parece Que Foi Sonho
Fábio * Hyndon








Azul da Cor do Mar








Eu Amo Você





Eu Amo Você
Tim Maia


Toda vez que eu olho
Toda vez que eu chamo
Toda vez que eu penso
Em lhe dar
Ah! Ah!

O meu amor
Oh! Oh!
Meu coração
(Pensa que não vai ser possível!)
De lhe encontrar
(Pensa que não vai ser possível!)
De lhe amar
(Pensa que não vai ser possível!)
De Conquistá-la

Eu amo você, menina
Eu amo você!
Eu amo você, menina
Uh! Uh!
Eu amo você!

Toda vez que eu olho
Toda vez que eu chamo
Toda vez que eu penso
Em lhe dar
Ah! Ah!

O meu amor
Oh! Oh!
Meu coração
(Pensa que não vai ser possível!)
De lhe encontrar
(Pensa que não vai ser possível!)
De lhe amar
(Pensa que não vai ser possível!)
Te conquistar
Ah!

Eu amo você, menina
Eu amo você! juro!
Eu amo você, menina
Uh! Uh!
Eu amo você!

Eu te amo! Eu te amo!


Composição: Cassiano




É Primavera








Essa Tal Felicidade







Telefone







Bons Momentos







Como uma onda






Como Uma Onda
Tim Maia


Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará
A vida vem em ondas como o mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo no mundo
Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo
Agora
Há tanta vida lá fora, aqui dentro
Sempre como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará
A vida vem em ondas como o mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo no mundo
Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo
Agora
Há tanta vida lá fora, aqui dentro
Sempre como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar


Composição: Lulu Santos / Nelson Motta






Racional (Volumes 1 e 2)








TOP 10 Românticas









DVD Tim Maia ao vivo Reveillon
Último Show Audio * Perfeito Imperdivel








Por Toda a Minha Vida








Tim Maia - O Filme




quinta-feira, 21 de maio de 2015

Alfonsina Storni (Argentina)

Los Poetas del Amor (22)



Esta tarde


Ahora quiero amar algo lejano...
Algún hombre divino
Que sea como un ave por lo dulce,
Que haya habido mujeres infinitas
Y sepa de otras tierras, y florezca
La palabra en sus labios, perfumada:
Suerte de selva virgen bajo el viento...

Y quiero amarlo ahora. Está la tarde
Blanda y tranquila como espeso musgo,
Tiembla mi boca y mis dedos finos,
Se deshacen mis trenzas poco a poco.

Siento un vago rumor... Toda la tierra
Está cantando dulcemente... Lejos
Los bosques se han cargado de corolas,
Desbordan los arroyos de sus cauces
Y las aguas se filtran en la tierra
Así como mis ojos en los ojos
Que estoy sonañdo embelesada...

Pero
Ya está bajando el sol de los montes,
Las aves se acurrucan en sus nidos,
La tarde ha de morir y él está lejos...
Lejos como este sol que para nunca
Se marcha y me abandona, con las manos
Hundidas en las trenzas, con la boca
Húmeda y temblorosa, con el alma
Sutilizada, ardida en la esperanza
De este amor infinito que me vuelve
Dulce y hermosa...







Julia de Burgos (Puerto Rico)




El mar y tú


La carrera del mar sobre mi puerta
es sensación azul entre mis dedos,
y tu salto impetuoso por mi espíritu
es no menos azul, me nace eterno.

Todo el color de aurora despertada
el mar y tú lo nadan a mi encuentro,
y en locura de amarme hasta el naufragio
van rompiendo los puertos y los remos.

¡Si tuviera yo un barco de gaviotas,
para sólo un instante detenerlos,
y gritarle mi voz a que se batan
en un sencillo duelo de misterio!

Que uno en el otro encuentren su voz propia,
que entrelacen sus sueños en el viento,
que se ciñan estrellas en los ojos
para que den, unidos, sus destellos.

Que sea un duelo de música en el aire
las magnolias abiertas de sus besos,
que las olas se vistan de pasiones
y la pasión se vista de veleros.

Todo el color de aurora despertada
el mar y tú lo estiren en un sueño
que se lleve mi barco de gaviotas
y me deje en el agua de dos cielos.







Mario Benedetti (Uruguay)



Espero


Te espero cuando la noche se haga día,
suspiros de esperanzas ya perdidas.
No creo que vengas, lo sé,
sé que no vendrás.
Sé que la distancia te hiere,
sé que las noches son más frías,
Sé que ya no estás.
Creo saber todo de ti.
Sé que el día de pronto se te hace noche:
sé que sueñas con mi amor, pero no lo dices,
sé que soy un idiota al esperarte,
Pues sé que no vendrás.
Te espero cuando miremos al cielo de noche:
tu allá, yo aquí, añorando aquellos días
en los que un beso marcó la despedida,
Quizás por el resto de nuestras vidas.
Es triste hablar así.
Cuando el día se me hace de noche,
Y la Luna oculta ese sol tan radiante.
Me siento sólo, lo sé,
nunca supe de nada tanto en mi vida,
solo sé que me encuentro muy sólo,
y que no estoy allí.
Mis disculpas por sentir así,
nunca mi intención ha sido ofenderte.
Nunca soñé con quererte,
ni con sentirme así.
Mi aire se acaba como agua en el desierto.
Mi vida se acorta pues no te llevo dentro.
Mi esperanza de vivir eres tu,
y no estoy allí.
¿Por qué no estoy allí?, te preguntarás,
¿Por qué no he tomado ese bus que me llevaría a ti?
Porque el mundo que llevo aquí no me permite estar allí.
Porque todas las noches me torturo pensando en ti.
¿Por qué no solo me olvido de ti?
¿Por qué no vivo solo así?
¿Por qué no solo....


domingo, 17 de maio de 2015

Histórias de avoinha: O mundo é assim, tem dono


Ensaio 50B – 2ª edição 1ª reimpressão



baitasar



A direção da vida da siá Casta era a mesma qui toda muié branca, bem escorada na família, aprendia fazê desde menina: cuidá dos conforto do marido, zelá pelos asseio e boniteza da casa, aprová os alimento com cara e chêro saboroso e vigiá tudo arranjado na mesa, mais num podia perdê das vista, a mais relevante e vaidosa das tarefa, fabricá na barriga a continuação do nome do hôme qui ela carregava como seu nome. Tudo feito em silêncio e devoção sem perdê a boniteza de muié. Ela num tinha cantoria. No caso de siá Casta ela ainda num tinha feito a continuação da vida, sem tê um fiô num parecia sê muié. Num tinha cantoria de crença no casarão. As crença qui dão vida na casa, com seus choro e alegria. Nem a bondade das palavra do siô padre parecia consolá, cada coisa tem seu tempo e seu jeito, gostava de recitá depois da confissão de quixume da siá, o que tiver de ser há de ser, minha filha, esse era otro dos ensinamento qui gostava de pronunciá, combinado com o ensinamento dito antes, uma frase levava inté a otra qui voltava nas palavra dita de antes.

A siá num tinha com quem conversá essas coisa de muié. Isso era ruim, ela parecia sê sozinha no sofrimento qui tinha. Tudo no seu arredó tinha pintura de sê muito feliz, inté os escravo do casarão tinha menos feitio de desistência qui ela. O siô padre usava aquele vestido longo todo preto de viúva, mais num tinha o tino qui as muié precisa tê. Ele num sangra nem precisa abrí as perna na cama com o coração fechado. E confessá é diferente de conversá. Tinha veiz qui num se aguentava de tão apertada, e chamava Grabiela Milagres, quero lhe ouvir. No começo dos encontro num falava otra frase com a preta, colocava a vontade toda na audição das palavra da muié do Josino, siá Casta, tem veiz qui as coisa num é pra sê, e pronto. Num adianta fazê o sofrimento aumentá além do tamanho qui ele tem, é burrice sofrê mais qui a dô, escutava e balançava a cabeça com concordância, gostava das palavra e dos aconselhamento da Grabiela, também das intimidade qui aumentava, mais siá Casta tinha qui fazê falação medida com a preta. Num podia falá de tudo com a escrava, se tinha otro feitio de sê feito, ia tê qui descobrí sozinha, siá... pra tudo tem um jeito.

E assim, lá tava o marido conde no caminho de sê aprovado como o mais novo associado da Irmandade gentil, caprichosa e masculina da Villa das Dores. Nos assunto daquele ajuntamento secreto de hôme, ela ficô de fora. Num parecia tê utilidade, mais eles tudo tava enganado. A sià Casta entrô com as mãos dada no siô conde, ele inté desconfiava, mais nunca ia dizê qui as palavra dele carregava junto o palavrório dela.

Naquele mundo era assim, a força e a arrogância com os hôme, a resignação e os mistério com as muié. Um mundaréu pros hôme, otro mais apertado pras muié. Sem jeito de querê mudá. Um mundo dos rico, otro da pobreza. Os branco arrogante acabô com as pegada dos natural da terra, ficô com tudo e colocô os preto pra trabaiá acorrentado. Eles tem muita preguiça de ganhá a vida com o próprio suô. Esses branco num consegue desistí de tê escravo, num qué renunciá da sua vida de disfarces e palavras vã. Esses qui só manda e num faz podia sê chamado de vagabundo, mais eles diz qui tem estudo. Num faz diferença se os demônio tá neles ou eles tá nos demônio, eles tem as orelha na nuca e os óio na testa, a língua sai onde devia tá o nariz e as duas boca tá nos lugá qui devia tê as orelha. Eles tem duas boca: uma pra mentí e a otra pra jurá qui num mente.

Naquele mundo era assim, um Deus qui apanhava com os preto, otro qui segurava a chibata e batia inté o sangue brotá da carne preta rasgada. Um Deus qui chorava, otro qui num escutava os lamento. Um Deus humano e esfomeado, otro atormentado e assassino.

O mundo é assim, tem dono. Num devia tê, mais tem. Ele passa de pai pra fiô. Uma tristeza vê tanto sangue e suô derramando dô pra modo de fazê uns pouco demônio comprá o Paraíso. Eles se achá maió do qui é, mais é só coisa ruim: depravado, mandão, injusto; carrega os demônio da violência e ignorância disfarçado de requintado. Gosta de matá disfarçado nas lei qui eles mesmo faz. É gente egoísta qui precisa de gente imbecil qui repete: num esquece qui o mundo tem dono; eles diz qui é o dono e isso nunca vai mudá. Os imbecil repete, grita e mata e morre disfarçado de coisa ruim, no lugá dos dono qui tá no Paraíso.

As terra dentro do casarão também tinha dono, elas obedecia os ordenamento da siá Casta. Quando o siô conde colocava os pé fora do seu gosto de dominação precisava se curvá pros mistério da siá. Inté fazia questão de se mostrá com inocência e burrice pros conhecimento de dona-de-casa. Entrava e saia sem muito apetite pra ficá, as tarefa era de muié. O gosto de dominação do siô conde era o quarto de dormí e sê safado. Um mundo qui podia escolhê a vida qui queria tê. Inté no quarto tinha muitas veiz qui parecia num tá. Num queria sempre, quase num queria. Num tinha vontade sempre, inda mais, quando já tinha colocado as mão e enfiado sua língua de fogo em uma ou duas pretinha. Siá Casta nunca lhe chamava nos assunto do quarto safado. Esperava sê chamada.

Num gostava de chamá o siô conde nos assunto do casarão, mais chamava pra tê sua desforra. Ele respondia impaciente e desconfortável, não sou abelhudo, não. Vosmecê faça do seu jeito, tenho certeza que será o melhor jeito para ser feito, ela lhe sorria com bondade magra e sonolenta. Gostava de sê cruel com as fraqueza do siô conde. Um mundo dos marido, otro das esposa. O mundaréu dividido em otros mundinho. Gente qui come e os qui morre de fome, os qui lê e os qui nem sabe o nome, os qui bate e os qui apanha, os qui escreve as lei e os qui cumpre, os qui prende e os qui foge, os qui reza e os qui num reza, o inferno e o céu, sempre foi assim e não vai mudar, era o dizê do siô conde, esse jeito vai continuar para sempre enquanto Deus não virar mulher ou ficar com o negrume igual dos negros, depois do dito soltava sua gaitada mais imensa e rouca, era o próprio riso do demônio. Quando acalmava das gargalhada, como se fosse uma erva daninha germinando nas últimas hora da madrugada, completava o presságio, mas com a graça de Deus isso nunca vai acontecer!

O sinhô Conde está pronto?

Tem veiz qui o susto é maió quando tá carregado da culpa, isso se o pecante num tivé ajustado com o demônio. O siô conde se assustô com a desatenção dele mesmo. Voltô os pensamento pro salão, mais num sabia o qui tinha perdido nem se dava pra se recuperá. O hôme pequeno continuava no mirante, oiando de cima para baixo, na direção do siô padre, o painho daquele batizado de começo nas confraria dos irmãos de óio entumecido e sonho maldito, o sinhô Padre tem algumas palavras para serem ditas, o viúvo do vestido longo negro respondeu qui num tinha sermão novo pra sê falado. O qui precisava sê dito já tava dito, mais ele podia dizê uma ou otra coisinha

Todos precisamos da nossa força, apoiando uns aos outros. Juntos! Uma vara sozinha se curva e quebra fácil, mas um feixe de varas resiste mais e melhor, se a Villa lucra... a vida de cada dos senhores terá algum sentido e benefício. Então, vossa Irmandade ganha. A Villa é um lugar de negócios e os assuntos do comércio precisam dos cuidados atentos da Irmandade e a benção de Deus.

Tudo começô tímido e sem entusiasmo. A bateção ficô forte com os aceno de aprovação das cabeça, o escurecimento das vela, os murmúrio de apreço e consideração. O assoalho sangrô com os espezinho dos pé. A madêra resistente estremeceu e chorô com as batida. Tudo ali contagiava as bota mais encabulada e covarde, depois vinha os grito e as palma. O teatro tava pronto pras feitiçaria. A descompostura saia da tocaia e jogava no chão sangrando a máscara de bão moço. Aparecia os vento da imbecilidade. O siô conde aproximô um sussurro do seu painho de batizado, o que é essa Irmandade, sinhô Padre?

O sorriso secreto e vaidoso tava ali, o siô padre só deixava ele aparecê na solidão da sacristia. Escancarado. O hôme vestido de preto já tava pronto pra pergunta feita. Carregava a resposta na ponta da língua, louco pra soltá elas voando. Quase abriu otro sorriso em cima do riso escondido de antes, um pouco mais caridoso, só pra mostrá a sua satisfação de tê mais uma decifração divina. Num abriu nenhum nem otro sorriso. Trancô tudo, num era momento. Ficô com receio de deixá escapá o ruído de guizo-de-cascavel na preparação do bote. Num espante se ocê descobrí qui a serpente do Paraíso pode tê tido a mesma simpatia. Os hôme são assim, eles gosta de num contá tudo. Mais no causo de agora, era meió se recolhê. Ele num queria espantá nenhuma das alma. O seu trabáio era rezá muito e se convencê e encantá as palavra qui deixava saí boca pra fora. No seu trabáio era bão ficá no controle, a Irmandade cuida daqueles que cuidam da Villa, tendo dito se calô e esperô o coro

Amém!

Ele é um dos caminho qui aquela fraternidade de irmãos e galos tolos usa pra paralisá as pessoa da Villa, tenha a cô qui tenha. Ele num faz ruindade, mais credita qui escondê os conhecimento do entendimento e amarrá os pensamento no medo é bão pros cordêro da Villa. Num vê ruindade nisso. O medo funciona meió qui a esperança no tempo qui os imbecil sai da casca do ovo e tenta engolí a vida. Tem coisa qui a língua gosta de gritá qui faz, otras qui ela escolhe o meió jeito de dizê, otras qui num gostá de dizê e tem as coisa qui só vai soltá da língua se ela tivé certeza qui num vai sê vista soltando o vento. O siô padre jura qui tem segredo qui é meió deixá engaiolado, o fracasso da vida é um deles, coisa de arrepiá, a salvação na morte mata a vida daqueles qui credita na promessa da vida eterna, eles deixa pra vivê depois, lá no Paraíso. Ele já num repete nas dominguêra da Villa qui o Paraíso é dos pobre e esfomeado, nunca disse qui era dos preto

O que é de verdade nessa Irmandade, sinhô Padre?

Meu filho, isso aqui é uma confraria discreta, destinada aos homens com fé no progresso e na ordem. Aceitam apenas rupturas acessórias. A convicção esperançosa em Deus é uma festa e deveria ser ampliado em cada um dos nossos atos, palavras e pensamentos. O sacerdócio pela vida não está apenas aqui, precisa estar em todos os instantes das nossas vidas. É como comer o mingau quente da vida pelas beiradas.

E o que preciso fazer, a pergunta do siô conde parece sê boba, acontece qui o conde de coió num tinha nada, num era coco nem chocolate. Num tava ali obrigado nem brigado, mais num sabia com clareza as razão pra tá ali. Foi avisado pra aceitá os mistério e as revelação da serpente em plumada para conhecer o caminho com as pedra da riqueza, virô pra platéia e gritô, estou aqui por mim, Conde Afonso da Hora, e minha esposa Dona Casta, a Condessa da Hora, foi seu aviso de lealdade.

As batida dos pé no chão de madêra e os grito de aprovaçã num parava, viva o Conde, a Irmandade gosta de lealdade!




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sábado, 16 de maio de 2015

XI - Contos Africanos: "Ventos do Apocalipse"


“Mata, que amanhã faremos outro”




Pauline Chiziane




Este é o ditado dos tempos do velho Império de Gaza, que se tornou célebre, sobrevivendo muitos sóis e muitas luas e, como o grão, semeando de boca em boca, até aos nossos dias.

Há mais de cem anos, as terras de Mananga foram invadidas por guerreiros de tronco nu, pés descalços, orelhas furadas e saiotes de pele, ornamentadíssimos com colares multicolores, amuletos, braçadeiras felpudas, trazendo longas zagaias à direita e escudos de pele à esquerda. Os generais deste exército, os verdadeiros ngunis, laureados com coroas de penas, marchavam na retaguarda e em segurança, enquanto o grosso do efectivo formado por changanes marchava à frente, servindo de protecção aos senhores ngunis, pois em caso de ataque seriam os primeiros a morrer.

Eram os guerreiros do exército de Muzila, marchando de vitória em vitória, espalhando ordem e soberania por essas terras, chacinando os inimigos, submetendo as tribos conquistadas, apoderando-se das suas mulheres e incorporando no exército todos os jovens das terras usurpadas.

Quando os guerreiros de Muzila marchavam, a terra abalava em violentos sismos, o Sol parava, as árvores abriam alas e até soldados de Portugal buscavam abrigo nas trincheiras. As populações em bando fugiam para cá e para lá, procurando refúgio no interior da savana.

Os grupos em fuga estabeleceram normas de segurança: é proibido falar, tossir ou espirrar no esconderijo. Podes borrar-te, ou mijar-te, mover-te é que não, porque é perigoso. As crianças são livres, nada as detém. Quando têm fome, choram até enrouquecer a voz. Quando têm sede berram até enervar, e quando estão felizes cantam até de mais. Não suportam a fome, a sede e o calor e choram. As vozinhas dos meninos ouviram-se no espaço, em direcção aos tímpanos atentos dos heróicos guerreiros, que seguiram as ondas do som até descobrir o esconderijo. A vingança foi implacável, e até os fetos foram estripados dos ventres das mães. Deste modo estabeleceram-se novas normas de segurança: é preciso silenciar o choro dos meninos.

A caminho do novo abrigo os maridos aproximavam-se delicadamente das esposas com crianças no colo e transmitiam a ordem: mulher, o menino vai chorar e seremos descobertos. Mata este, que depois faremos outro.

Nos momentos de perigo, a solidariedade é a lei: ou morre um por todos ou todos por um.

Com gestos desesperados, a mulher puxava a ponta da capulana, sufocando a crença que se batia até a paragem respiratória. O menino morto era escondido na vegetação, não havia tempo para enterrar os mortos. Cuidado, mulher, é proibido chorar, mas também não vale a pena, a quem comovem as lágrimas no tempo de guerra?

O marido abraçava carinhosamente a mulher, sussurrando ao ouvido: coragem, mulher, tinha que ser assim. Esse já morreu, amanhã faremos outro.





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Paulina Chiziane, dizem que foi a primeira mulher moçambicana a escrever um romance (Balada de Amor ao Vento, 1990), mas ela afirma que é contadora de estórias e não romancista. Escreve livros com muitas estórias, estórias grandes e pequenas. Inspira-se nos contos à volta da fogueira, sua primeira escola de arte. Nasceu em 1955 em Manjacaze. Frequentou estudos superiores que não concluiu. Actualmente vive e trabalha na Zambézia.




Chiziane, Paulina. Ventos do Apocalipse / Paulina Chiziane; design gráfico de José Serrão; capa: Malangatana, Minhas Máscaras (1983), pormenor recortado, editorial Caminho, SA, Lisboa – 1999. 2ª Edição.