Homero
Tradução: Carlos Alberto Nunes
"A resposta fácil é que a Ilíada é sobre a Guerra de Troia, conflito entre uma coalizão de reinos gregos contra Ílion (*Ílion, você já deve ter sacado, é outro nome para Troia – do qual deriva o título do poema.), um reino oriental localizado na costa do Mar Egeu, onde hoje fica parte do território da Turquia. O estopim da Guerra é uma mulher: Helena, rainha de Esparta, deixa sua casa e se muda para lá com Páris, príncipe de Ilíon (se ela foi por vontade própria ou sequestrada é algo aberto à interpretação). Helena não é uma rainha qualquer; filha de Zeus com a mortal Leda, é considerada a mulher mais bonita do mundo.
Menelau (rei de Esparta) recorre ao irmão Agamêmnon (rei de Micenas) para invocar um pacto entre os reinos gregos para unir forças e ir resgatar Helena. Os preparativos duram uns 10 anos, e a guerra pelo menos outros 10, com troianos sitiados entre as muralhas e os gregos acampados na praia, seus navios repousados na areia. A Ilíada se passa inteira em um período muito curto, de cerca de 40 dias, bem no finalzinho do conflito – e nem vai até o fim dele. Seria mais exato dizer que a Guerra de Troia é o pano de fundo da Ilíada." (Lombada Quadrada)
Nandaversando -
5 dicas para ler a Ilíada
Canto I
“Invocação às Musas. Crises, sacerdote de Apolo, vem ao campo dos Gregos
para recuperar sua filha, que era escrava de Agamémnone. Não a conseguindo, e
sendo até insultado pelo rei, pede a Apolo para ser vingado. Uma peste é então
enviada a toda a tropa Grega. Aquiles convoca a assembleia e Calcante, um
adivinho, revela a causa da peste e indica o remédio: devolver a filha de Crises.
Ocorre uma briga entre Agamémnone e Aquiles. Agamémnone devolve
Criseide, mas leva Briseide, a escrava de Aquiles. Este, irado contra o ultraje, sai
da Guerra de Troia. Tétis, sua mãe, a seu pedido, vai até Zeus para pedir que os
Gregos saiam perdedores na guerra para que todos vejam a falta que Aquiles faz.
Zeus concede a Tétis que os Troianos saiam vencedores. Ocorre uma briga entre
Hera e Zeus sobre o destino da guerra.”
Canta-me a Cólera — ó deusa! — funesta de Aquiles Pelida,
causa que foi de os Aquivos sofrerem trabalhos sem conta
e de baixarem para o Hades as almas de heróis numerosos
e esclarecidos, ficando eles próprios aos cães atirados
e como pasto das aves. Cumpriu-se de Zeus o desígnio
desde o princípio em que os dois, em discórdia, ficaram cindidos,
o de Atreu filho, senhor de guerreiros, e Aquiles divino.
Qual, dentre os deuses eternos, foi causa de que eles brigassem?
O que de Zeus e de Leto nasceu, que, com o rei agastado,
por ter o Atrida Agamémnone a Crises, primeiro, ultrajado,
o sacerdote. Este viera, até as céleres naus dos Aquivos,
súplice, a filha reaver. Infinito resgate trazia,
tendo nas mãos as insígnias de Apolo, frecheiro infalível,
no cetro de ouro enroladas. Implora aos Aquivos presentes,
sem exceção, mas mormente aos Atridas, que povos conduzem:
“Filhos de Atreu, e vós outros, Aquivos de grevas bem-feitas,
deem-vos os deuses do Olimpo poderdes destruir as muralhas
da alta cidade de Príamo, e, após, retornardes a casa.
A minha filha cedei-me, aceitando resgate condigno,
e a Febo Apolo, nascido de Zeus, reverentes mostrai-vos.”
Os heróis todos Aquivos, então, logo ali concordaram
em que se o velho acatasse, aceitando os presentes magníficos.
Somente ao peito do Atrida Agamémnone o alvitre desprouve,
que o repeliu com dureza, assacando-lhe insultos pesados:
“Velho, que nunca te venha a encontrar junto às céleres naves,
quer te detenhas agora, quer voltes aqui novamente,
pois as insígnias do deus e esse cetro de nada te valem.
Não na liberto, está dito. Que em Argos, mui longe da terra
do nascimento, há de velha ficar em o nosso palácio,
a compartir do meu leito e a tecer-me trabalhos de preço.
Não me provoques, retira-te, caso desejes salvar-te.”
Isso disse ele, medroso, o ancião se curvou às ameaças,
e, taciturno, se foi pela praia do mar ressoante,
onde, de um ponto afastado, dirige oração fervorosa
a Febo Apolo, nascido de Leto de belos cabelos:
“Ouve-me, ó deus do arco argênteo, que Crisa, cuidoso, proteges,
e a santa Cila, e que tens o comando supremo de Tênedo!
Ajudador! Já te tenho construído magníficos templos,
bem como coxas queimado de pingues ovelhas e touros.
Ouve-me, agora, e realiza este voto ardoroso, que faço:
possas vingar dos Aqueus, com teus dardos, o pranto que verto.”
Isso disse ele na súplica; ouvido por Febo foi logo.
O coração indignado, se atira dos cumes do Olimpo;
atravessado nos ombros leva o arco e o carcás bem-lavrado.
A cada passo que dá, cheio de ira, ressoam-lhe as flechas
nos ombros largos; à Noite semelha, que baixa terrível.
Longe das naves se foi assentar, donde as flechas dispara.
Do arco de prata começa a irradiar-se um clangor pavoroso.
mas, logo após, contra os homens dirige seus dardos pontudos,
exterminando-os. Sem pausa, as fogueiras os corpos destruíam.
Por nove dias, as setas do deus dizimaram o exército;
mas, no seguinte, chamou todo o povo para a ágora, Aquiles.
Hera, de braços brilhantes, lhe havia inspirado esse alvitre,
pois tinha pena dos Dânaos, ao vê-los morrer desse modo.
Quando ao chamado acudiram e todos se achavam reunidos,
alça-se Aquiles, de rápidos pés, concionando desta arte:
“Filho de Atreu, quero crer que nos cumpre voltar para casa
sem termos nada alcançado, no caso de à Morte escaparmos,
pois os Aquivos, além das batalhas, consome-os a peste.
Sus! Consultemos, sem mora, qualquer sacerdote ou profeta,
ou quem de sonhos entenda — que os sonhos de Zeus se originam —,
para dizer-nos a causa de estar Febo Apolo indignado:
se por não termos cumprido algum voto ou, talvez, hecatombes,
ou se lhe apraz, porventura, de nós receber o perfume
de pingues cabras e ovelhas, a fim de livrar-nos da peste.”
Tendo isso dito, assentou-se. Levanta-se, então, do seu posto,
logo, Calcante, nascido de Téstor, de sonhos intérprete,
que conhecia o passado, bem como o presente e o futuro,
e que os navios guiara dos nobres Acaios para Ílio,
graças aos dons de profeta com que Febo Apolo o brindara.
Cheio de bons pensamentos, lhe diz, arengando, o seguinte:
“Mandas-me, Aquiles, querido de Zeus, que te diga o motivo
de estar colérico Apolo, o senhor que dispara certeiro.
Vou revelar-to; atenção presta e escuta. Mas quero que jures
que me darás proteção com teu braço, ou, sequer, com palavras,
pois estou certo de que há de irritar-se o guerreiro que manda
nos Aqueus todos e a quem os Argivos de grado obedecem.
Contra os pequenos, se acaso se agasta, é o rei sempre excessivo.
Pois, muito embora refreie os impulsos da cólera um dia,
continuamente revolve no peito o rancor incontido,
té que o consiga saciar. Vê, portanto, se auxílio me prestas.”
Disse-lhe Aquiles, de rápidos pés, o seguinte, em resposta:
“Podes dizer, sem receio, o que na alma vidente souberes.
Por Febo Apolo, querido de Zeus, a quem preces diriges,
nobre Calcante, que possas contar aos Aqueus teus augúrios,
enquanto eu vivo estiver e na terra gozar da existência,
nunca nenhum dos Argivos, ao lado das céleres naves,
há de violência fazer-te, ainda mesmo que penses no Atrida,
que, no momento, se orgulha de ser o melhor de nós todos.”
Com mais coragem, então disse o vate preclaro o seguinte:
“Não se irritou por não termos cumprido algum voto ou hecatombe,
mas por haver Agamémnone ao seu sacerdote ofendido,
visto não ter recebido o resgate da filha, entregando-lha.
Por essa causa, nos deu e há de dar sofrimentos Apolo,
sem que dos Dânaos pretenda afastar o terrível flagelo,
antes de haverdes ao pai a donzela de olhar refulgente
restituído, sem prêmio nenhum, outrossim conduzindo
a Crises uma hecatombe. Talvez, desse modo, o aplaquemos.”
Tendo isso dito, assentou-se. Levanta-te, então, do seu posto
o nobre filho de Atreu, Agamémnone, rei poderoso,
com torvo aspecto. De trevas a cólera o peito lhe enchia,
a transbordar. Pareciam-lhe os olhos dois fogos brilhantes.
Ameaçador, para o vate Calcante se vira, increpando-o:
“És só profeta de males; jamais me agradou tua fala;
sempre encontraste prazer em prever-nos apenas desgraças;
nunca disseste ou cumpriste qualquer vaticínio benéfico,
bem como agora, que aos Dânaos revelas, sob forma de oráculos,
que os sofrimentos do exército são por Apolo causados,
pelo motivo de eu ter recusado o resgate magnífico
da bela filha de Crises, em vista de ser do meu gosto
junto mantê-la de mim, que a antepunha, sem dúvida alguma,
a Clitemnestra, legítima esposa, que em nada lhe cede
no porte altivo, em beleza e nas prendas variadas do sexo.
Restituí-la, no entanto, me apraz, por ser mais vantajoso,
pois salvação só desejo ao meu povo, não vê-lo destruído.
Mas, sem demora, aprestai-me outro prêmio, que fora injustiça,
entre os Argivos, só eu não ter parte no espólio de guerra.
O divo Aquiles, de rápidos pés, em resposta lhe disse:
“Filho notável de Atreu, mais que todos os homens avaro,
por que maneira os Aqueus poderão novo prêmio ofertar-te?
Conhecimento não temos de espólio abundante ainda intacto,
pois das cidades saqueadas já estão distribuídas as presas
nem há de o povo querer novamente reunir isso tudo.
Ao deus entrega a donzela, que três e mais vezes, sem dúvida,
te pagaremos os nobres Aqueus, quando for da vontade
de Zeus potente que os muros dos Troas, alfim, conquistemos.”
O poderoso Agamémnone disse o seguinte, em resposta:
“Conquanto sejas astuto, divino Pelida, não penses
que poderás enganar-me com teus subterfúgios e manhas.
Queres guardar o teu prêmio, mas pensas que eu deva a donzela
ao sacerdote mandar, desse modo ficando sem nada?
Seja! Contanto que um novo presente os Aquivos magnânimos,
de igual valia, me cedam, conforme o desejo que expendo.
Caso a mo dar se recusem, pretendo em pessoa ir buscá-lo,
quer seja o prêmio de Ajaz, ou o do grande Odisseu, ou até mesmo
o que tiveste por sorte. A visita há de ser-lhe amargosa.
Ora, convém nau ligeira nas ondas divinas lançarmos.
Os remadores, sem perda de tempo, reunamos, e as vítimas
logo ponhamos a bordo e a donzela graciosa de Crises,
de belas faces. Comande o navio um dos chefes do exército,
Idomeneu, o fortíssimo Ajaz. Odisseu, porventura,
ou mesmo tu, nobre Aquiles, o herói mais que todos terrível,
para aplacar o frecheiro por meio da sacra oferenda.”
Com torvos olhos, Aquiles, de rápidos pés, lhe responde:
“Alma despida de pejo, que só de interesse se ocupa!
sobre se a espada cortante, ali mesmo, do flanco arrancasse
Como é possível que algum dos Aqueus ao teu mando obedeça,
quer em caminho se pondo, quer seja enfrentando outros homens?
Não foi por causa dos fortes Troianos que vim para Troia,
para guerreá-los, pois nunca motivo para isso me deram.
Deles, nenhum das manadas um boi me roubou, nem cavalos,
nem no terreno de Ftia, nutriz de guerreiros, tampouco,
minhas colheitas destruíram, pois grandes montanhas escuras
e o vasto mar sonoroso entre nós de permeio se estendem.
Para teu gáudio, grandíssimo despudorado, seguimos-te,
cão sem nenhum descortino, a vingar-te do ultraje dos Troas
a Menelau. Mas sequer te perturbas, nem cuidas de nada.
E, para cúmulo, ameaças de vires a escrava arrancar-me, que
dos Acaios obtive por prêmio de grandes trabalhos.
Nunca meu prêmio se iguala ao que obténs, quando os nobres Argivos
uma cidade povoada, dos Troas, acaso conquistam.
É bem verdade que a parte mais dura dos prélios sangrentos
a estes meus braços compete; mas quando se passa à partilha,
sempre o quinhão mais valioso te cabe, enquanto eu me contento
com recolher-me ao navio, alquebrado, com paga mesquinha.
Mas para Ftia resolvo voltar, que é bem mais vantajoso
ir para casa nas naves recurvas. Não julgo decente
permanecer ultrajado e de bens e riquezas prover-te.”
Disse-lhe, então, em resposta, Agamémnone, rei poderoso:
“Foge, se o teu coração te compele, que não te suplico,
por minha causa, ficares. Muita honra me vem, em verdade,
de outros guerreiros, mas, principalmente, de Zeus prudentíssimo.
És, dos monarcas alunos de Zeus, a quem mais ódio tenho.
Sempre encontraste prazer em contendas, combates e lutas.
Se de robusto te orgulhas, tua força de um deus é presente.
Volta nas naves recurvas com todos os teus; nos Mirmídones
o mando exerce em tua casa, que disso me importo bem pouco.
Mossa, também, não me faz teu rancor; mas observo o seguinte:
Visto me haver Febo Apolo da filha de Crises privado,
acompanhada pretendo enviá-la em navio ligeiro,
mas em pessoa hei de o prêmio ir buscar à tua tenda, a Briseide
de belas faces, que, alfim, possas ver por esse ato de força
quanto te sou superior e, também, para que outros se corram
de se igualarem comigo e quererem de frente ameaçar-me.”
Enfurecido com essas palavras ficou o Pelida,
o coração a flutuar, indeciso, no peito veloso,
e, dispersando os presentes, o Atrida, desta arte, punisse,
ou se o furor procurasse conter, dominando a alma nobre.
Enquanto no coração e no espírito assim refletia,
e a grande espada de bronze arrancava, do Céu baixou prestes
Palas Atena, mandada por Hera, de braços muito alvos,
que a ambos prezava e cuidava dos dois por maneira indistinta.
Por trás de Aquiles postando-se, os louros cabelos lhe agarra,
a ele visível somente; nenhum dos presentes a via.
Cheio de espanto, o Pelida virou-se; porém pelo brilho
Resenhas:
continua página 71...
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Canto I.a /
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A Ilíada é um poema épico atribuído a Homero que narra os eventos do último ano da Guerra de Troia, destacando a ira de Aquiles e suas consequências. É considerada uma das obras fundadoras da literatura ocidental, composta por cerca de 15.693 versos em hexâmetro datílico e dividida em 24 cantos, cada um correspondente a uma letra do alfabeto grego. A autoria é tradicionalmente atribuída a Homero, poeta grego que teria vivido no século VIII a.C., na região da Jônia, atual Turquia.
O poema se passa durante 51 dias do décimo ano da Guerra de Troia, iniciando com a ira de Aquiles, causada pela disputa com Agamenon, comandante dos exércitos gregos, que lhe retira a serva Briseida. A narrativa aborda:
- O cerco de Troia pelos aqueus para resgatar Helena, esposa de Menelau, raptada por Páris.
- A retirada de Aquiles do combate e o impacto dessa decisão sobre os gregos.
- A morte de Pátroclo, amigo de Aquiles, que leva o herói a retomar a luta.
- O duelo final entre Aquiles e Heitor, culminando com o funeral do herói troiano.
- A obra também inclui episódios de deuses e heróis, como Afrodite, Zeus, Páris e Helena, que influenciam diretamente os acontecimentos humanos.
A Ilíada, junto com a Odisseia, representa a síntese da tradição oral grega e permanece até hoje como um estudo essencial da literatura e da cultura clássica.
_________________Resenhas:
Cultebol -
Ilíada de Homero: entenda a história do livro mais antigo do Ocidente
“Aquiles sempre esteve morto. Aquiles sempre morreu em Troia”, diz este interessante artigo de Alex de Castro. Ele faz uma distinção entre o que ficou registrado em escrita e o que sempre foi de conhecimento comum na oralidade dos gregos antigos. Porque aqui está outra coisa muito importante: Homero não inventou as narrativas da Ilíada e da Odisseia; ele as registrou (magistralmente) na forma daquela novidade nascente que era, então, a escrita. (Lombada Quadrada)
"Uma das coisas mais diferentonas na Ilíada é a participação direta dos deuses na Guerra de Troia. Parte deles está a favor de Ílion, parte a favor dos gregos, enquanto Zeus fica ali no meio tentando manter a coisa minimamente controlada no Olimpo. Ele, pessoalmente, gosta muito de Troia, mas sabe que seu destino é desaparecer.
Para entender porque os deuses se dividem, a gente precisa retornar à outra parte da mitologia que não está referenciada na Ilíada (nem na Odisseia), e que remete às causas da Guerra de Troia. Já sabemos que tudo tem a ver com o rapto (ou fuga) de Helena. Mas tem uma razão ainda anterior, iniciada no dia em que os pais de Aquiles se casam.
Como já mencionado, ele é filho do mortal Peleu com a deusa Tétis – por isso, a festa teve a presença de todos os deuses olímpicos. Lá pelas tantas, todo mundo cheio de néctar na cabeça, Éris, a deusa da discórdia – por isso mesmo, não convidada para a festa – atira uma maçã no meio do povo com a inscrição “À mais bela”. A maçã fica ali quicando entre Afrodite, Hera e Atena, que então se voltam a Zeus para que diga, afinal, qual delas é a mais bonita. Zeus, que não é besta, foge da resposta e diz que elas procurem o pastor Páris, em Troia.
Páris, então, não sabia que era filho de Príamo, e portanto príncipe de Troia. Mas era considerado um homem justo, por isso a indicação de Zeus. As três vão atrás dele, mas Afrodite faz um acordo secreto: promete que se ela for declarada a mais bela, Páris terá para si a mulher mais bonita do mundo. Ele assim o faz. O tempo passa, descobre-se que é filho de Príamo, vai parar em Esparta e conhece Helena. O resto está nos poemas de Homero, e resumido acima." (Lombada Quadrada)
Ilíada de Homero: entenda a história do livro mais antigo do Ocidente
“Aquiles sempre esteve morto. Aquiles sempre morreu em Troia”, diz este interessante artigo de Alex de Castro. Ele faz uma distinção entre o que ficou registrado em escrita e o que sempre foi de conhecimento comum na oralidade dos gregos antigos. Porque aqui está outra coisa muito importante: Homero não inventou as narrativas da Ilíada e da Odisseia; ele as registrou (magistralmente) na forma daquela novidade nascente que era, então, a escrita. (Lombada Quadrada)
Tatiana Feltrin -
Ilíada (Homero)
"Uma das coisas mais diferentonas na Ilíada é a participação direta dos deuses na Guerra de Troia. Parte deles está a favor de Ílion, parte a favor dos gregos, enquanto Zeus fica ali no meio tentando manter a coisa minimamente controlada no Olimpo. Ele, pessoalmente, gosta muito de Troia, mas sabe que seu destino é desaparecer.
Para entender porque os deuses se dividem, a gente precisa retornar à outra parte da mitologia que não está referenciada na Ilíada (nem na Odisseia), e que remete às causas da Guerra de Troia. Já sabemos que tudo tem a ver com o rapto (ou fuga) de Helena. Mas tem uma razão ainda anterior, iniciada no dia em que os pais de Aquiles se casam.
Como já mencionado, ele é filho do mortal Peleu com a deusa Tétis – por isso, a festa teve a presença de todos os deuses olímpicos. Lá pelas tantas, todo mundo cheio de néctar na cabeça, Éris, a deusa da discórdia – por isso mesmo, não convidada para a festa – atira uma maçã no meio do povo com a inscrição “À mais bela”. A maçã fica ali quicando entre Afrodite, Hera e Atena, que então se voltam a Zeus para que diga, afinal, qual delas é a mais bonita. Zeus, que não é besta, foge da resposta e diz que elas procurem o pastor Páris, em Troia.
Páris, então, não sabia que era filho de Príamo, e portanto príncipe de Troia. Mas era considerado um homem justo, por isso a indicação de Zeus. As três vão atrás dele, mas Afrodite faz um acordo secreto: promete que se ela for declarada a mais bela, Páris terá para si a mulher mais bonita do mundo. Ele assim o faz. O tempo passa, descobre-se que é filho de Príamo, vai parar em Esparta e conhece Helena. O resto está nos poemas de Homero, e resumido acima." (Lombada Quadrada)
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