sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O Suicídio e El Suicida

El Suicida - Poema de Borges




El suicida

No quedará en la noche una estrella.
No quedará la noche.
Moriré y conmigo la suma
del intolerable universo.
Borraré las pirámides, las medallas,
los continentes y las caras.
Borraré la acumulación del pasado.
Haré polvo la historia, polvo el polvo.
Estoy mirando el último poniente.
Oigo el último pájaro.
Lego la nada a nadie.


O Suicídio - Carta Testamento
Getúlio Vargas




A  Carta Testamento do Presidente Getúlio Vargas!


    "Mais uma vez, a forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.

    Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre.

    Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.

    Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.

    Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão.

    E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História." (Rio de Janeiro, 23/08/54 - Getúlio Vargas)

Troco por fumo e cachaça

Becos sem saída - Cegante ignorância!



II
baitasar
Num primeiro combate com o temporal a timbaúva se mantivera em pé. O revestido de botas nos pés gira e se sai. Tem uma decisão a tomar. Coitada da vida apressada que deveria ser melhor. Segue o caminho para casa em passadas sem urgência. Mesmo trajeto, mesmo horário, talvez a mesma intensidade e mesmas casas, mesmas caras. Tudo normal até aqui, mais um dia sem surpresas na ilha. Cruza por Dora e sua carroça. Eis aí, uma profissão que não pára de crescer nesta ilha: catadora de lixo, carroceira, cavalo de carga. É carregada para o abismo — Não vou pular!
—        Não é preciso.
O tempo não se passou. As histórias têm a mesma aparência. Os negros ficavam lado a lado, encadeados pelo pescoço. Depois de percorrerem todo o caminho, uma trilha de mais ou menos quatro quilômetros, os escravos chegavam ao mercado de vendas e trocas, daí eles seguiam para lugares completamente desconhecidos. Por isso, o lugar passou a ser conhecido como o último ponto, o ponto de não retorno. Um lugar de onde os escravos eram examinados e comprados, não tinha feição de humanidade — Olhem para os dentes, perfeitos.
—        Estou procurando domésticos.
—        Esse parece abatido.
—        Acabam de chegar... a viagem nos negreiros é longa, mas logo estarão cantando e dançando.
—        Esse parece distraído.
—        Eu quero negro pras minas! Não quero pro canto ou pra a dança, tenho precisão pro trabalho das minas. — desviam atenção para um vozerio na praça
—        O que está acontecendo por lá?
—        Uma surra de chicote. Vai ficar com as costas sem pele e humilhado solenemente no pelourinho, assim conhece de perto todo o peso da palavra fuga. — outro coitado que fica deitado com a salmoura nas costas, não perde a imaginação para fugir. Lembrando-se da dor e dos castigos esse não vacila. Descobre logo os seus únicos direitos: pão, pano e paulada
—        Tem nome esse?
—        Negro Canalho! — o negro apanha sem um gemido
—        Eu quero pra uso na plantação! Ele tem alegria no coração? — o traficante dos escravos retorna ao seu discurso vendedor
—        Têm braços fortes.
—        Preciso uma preta pros meus confortos...
—        Veja por si mesmo, essa carrega bagagem na cabeça. — o civilizado barbudo e desdentado, cheirando gordura de toucinho, mascava fumo enquanto combinava negócio. Deu um passo na direção da carga pretendida e lhe agarrou os peitos, depois as coxas e enfiava a cara bem perto, pra lhe sentir o cheiro enquanto enfiava a mão bem fundo — Por quanto este lote de pretos?
—        Faça uma oferta...
—        Troco por fumo e cachaça!
—        Faça uma oferta mais forte, ao homem ousado a fortuna estende a mão.
Cada um é para o que nasce e faz o que pode...
—        Cegante ignorância vos ilude, ó miseráveis mortais, abri os olhos míopes!
Manualdo acorda deitado sobre um colchão, continua nu e encapuzado. É a sua vez de ser trocado por fumo ou cachaça. A cuia e o chimarrão não estão por perto, lhe chegam com os devaneios desesperados. Tem os braços e pés amarrados, presos ao pescoço. Entre os dedos do pé sente que lhe colocaram pequenos panos. Ouve seus torturadores combinando as próximas tarefas
—        Vamos testar essa chinesa.
—        Isso eu quero ver...
—        Vem e me ajuda. — molham o corpo do bugre por diversas vezes, para que a descarga elétrica tenha mais efeito. Os choques se sucedem
—        Esse fica louco ou cura a epilepsia. — não sabe mais quando é dia ou noite. Decide contar seu tempo de cativeiro. Os dias serão aqueles destinados ao maior tempo de suplício. Percebe que as noites são muito breves, pelo menos seu corpo assim reclama. Dias longos com noites resumidas. Num dia qualquer, daqueles destinados as surras e sevícias, algo diferente acontece. Pela primeira vez, alguém lhe dirige a palavra
—        Meu Deus, quantos sofrimentos aplicaram neste pobre homem.
—        Quem é o senhor? — o Manualdo rompe a barreira do próprio silêncio, sente vontade de ceder a tentação: talvez ele possa ajudar, tentar pelo menos — Por favor, o que eles querem?
—        Os nomes e os endereços de todos os envolvidos no negócio.
—        Mas que negócio?
—        Você sabe...
—        Não sei! — o desconhecido avisa: se ele continua agindo assim não pode ajudar, aliás, nem deus pode ajudar
—        Por amor de Deus, o que vocês querem? — o sujeito tem a voz doce e cheiro de café
—        Os nomes e os endereços... — ele se esfacela, não tem como responder, não tem nome, não tem endereço, não tem o que dizer
—        Então, não posso fazer nada.
—        Por favor, não vá!
—        Esse já está pronto. — o barulho seco da porta fechando e a absoluta escuridão e silêncio trás o terror aos pensamentos de Manualdo. Chora por ele e pela esposa — Minha preta, ainda estou aqui, vivo... por favor, fique viva...
Pouco a pouco, vai esquecendo-se de si mesmo e dirige suas preces à mulher, aos filhos. Sente uma imensa e insuperável saudade. Está em uma daquelas missões jesuíticas, aprendendo os cristãos, interrompido de dançar e cantar para alcançar a liberdade. Ela - a sua Cariciosa - está em um daqueles navios negreiros, expulsa da sua terra, arrancada da sua gente, desmembrada de seus sonhos. Acorrentada, sem nenhuma saída. Viaja pra cá, afim de encontrá-lo. É sina, atravessar aquela imensidão de água para casar com o Manualdo, incivilizado da terra.
O dia recomeça. Os inquisidores chegam alegres e falantes — Hoje, ele vai para o pau-de-arara. — atravessam uma barra de ferro entre os punhos amarrados e a dobra dos joelhos do Manualdo. Os homens colocam-no suspenso entre duas mesas, ficando seu corpo torturado pendurado alguns centímetros do chão. Lúcido. O sangue circulando. O primeiro eletro-choque é dado por um telefone de campanha do exército que possui dois fios longos. Um terminal é ligado ao pênis e o outro num dedo do seu pé. Recebe descargas sucessivas até perder os sentidos. A vida sumindo. Um médico é chamado e faz a assistência ao preso. O reanima e atesta que o vivo a ser morto está pronto. Um dos torturadores, já impaciente com a demora e tantos cuidados, trás um tubo de borracha e o introduz na boca do Manualdo. Passa a lançar água pelo tubo. Nesse mesmo momento, uma nova descarga elétrica entra pelo cu e sai pelo pau, obriga Manualdo a respirar. O afogamento é inevitável. O médico se aproxima — Deixem-me examiná-lo...
—        Ele ainda está vivo? — Podemos continuar?
—        Acho que sim...
—        Vamos descobrir do que esse é feito por dentro. — enfiam os dois fios desencapados dentro do bugre — Agora vai ser só pelo cu!
—        Hahahahahaha!!!!!! — o seu próprio sangue é o que pode derramar. As lágrimas já sumiram evaporadas
—        Minha preta, longe de ti me falha todos os pedaços, sou feliz quando estamos junto, tu faz falta no fim da tarde e no amanhecer. — a noite vem, ou será que é dia que já chegou? Não importa. Cerra os dentes e fica calado, nunca saberão daquelas belas tardes: que tardes belas tenho de ti, que cheiros de amor esfrego em mim, as tuas cores róseas, as umidades, e a paixão toda entregue por tua taça, derramando as borbulhas do gozo, que tardes belas carrego em mim.
 Esquece que pode gritar.
O seu ódio está vestido pelo silêncio.
Antes de saírem para descansar... cada um dos torturadores chuta sua cabeça.

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36 - Quando o esquecimento é vergonha! 

38 - Ordens são ordens

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Quando o esquecimento é vergonha!

Becos sem saída - Cegante ignorância!

I
baitasar
O dormente está revestido de botas nos pés, não para invadir ou destruir com as suas passadas e pisadas a vida brotada por todos os lados, mas para protegê-lo nas suas incursões pelos capões da ilha. Seguia comigo em uma das mãos e a água da térmica em uma sacola às costas, percorria o mato atrás de uma timbaúva: árvore que se presta para a fabricação de canoa. Perseguia pista mencionada por um caboclo pardo de estrada
—        Está tombada lá... por forte temporal!
Encontrada a árvore e feita a canoa pudemos seguir viagem pela hidrografia extraordinária da ilha. Sabe que sonha, tem consciência que não está acordado, viaja sobre as águas da ilha de mato e corvo. Plasma que circula por seu coração, artérias, vasos e capilares. Mantém-se acompanhando de olhos fechados seu corpo parado. Dormindo. Reconhece seu hálito, ele também é uma ilha de capões e corvos. Espanta-se com o som rouco que se espalha da sua boca produzindo estrondos regulares, Então é verdade, pensa, enquanto dá ouvido para si mesmo — Eu ronco! Pareço-me com uma bexiga cheia de ar que tem estrondos toda vez que o ar lhe escapa. — ri e caçoa de si mesmo, reconhecendo a maneira ruidosa e arrogante do seu sono.
Embaraçado, conforta-se com o inevitável. Maravilha-se com a enormidade de seu tamanho e com a sua pouca beleza, nenhuma boniteza... se fosse mais duro e cru consigo — Como consegui sobreviver?
Ao mesmo tempo, Manualdo leva as mãos em oração de afeto aos cabelos adormecidos. Experimenta a sensação física de acariciar os pêlos da cabeça, cortados bem longos. Mantidos invioláveis na sua negritude, como uma marca posta na aferição do seu tempo ordinário de vida — Sou grande, feio e o meu tempo escorre entre as lágrimas e os gemidos do não vivido, tenho menos tempo de vida que o já vivido. — tenho ganas de lhe gritar que se quase tudo foi vivido pela metade e o vivido inteiro ficou fora do lugar no tempo: nada de extraordinário porque outras gentes têm desvivido em outros tempos e lugares. Grande porcaria a vida se extinguindo aos poucos, com medo.
Roça brandamente a própria face adormecida como se estivesse enxugando um pequeno pingo, um tudo e nada, vindo lá do olho. Sente falta de olhar em seus próprios olhos. Um brilhante, como uma estrela pela limpeza e energia, o outro apagado, nadando em lágrimas, parecendo refletir melhor a sua tristeza: todos têm um olho-estrela. Ou um corvo manco e adulador, ou vozes hipócritas, mas nem todos fazem viagens de barco - cunhado na timbaúva, árvore tombada pelo forte temporal - em águas vivas e brilhantes. Os homens e as mulheres também tombam por fortes temporais, mas têm o desejo que vem depois do vendaval. Então, precisam decidir se continuam tombadas até serem cunhadas para sempre ou se indignadas levantam a mão para discordar.
Manualdo até tentou, mas ele não sabe se irá demorar-se inclinado até deitar ao chão ou indignado permanecerá erguido, com a mão no alto. Tantas coisas que não sabe - tem medo de saber? - sinto impulsos de avisar: — Corra! Você é veloz, Manualdo!
Todos têm que apertar o freio da pressa e domesticar o medo. Correr riscos e amansar a vida aos poucos.
—        Cegante ignorância vos ilude, ó miseráveis mortais... abri os olhos, estais enganados!
Um senhor feudal é o chefe administrativo daquela gente ilhada que parece nunca se livrou de construir quartos de dormir, deveriam erguer bibliotecas além de morar, irem além da pensão. Um pequeno hotel especializado em deliciosos bolinhos de arroz, banhados no óleo fervente dos enfermos, jogados dentro da enorme bacia de uso comum dos banhos de assento da proprietária. Senhora gostosa que ao passar dos anos se tornara pesada e mal nutrida. Ao sentar no bacio, afundava todas as partes impudicas que permaneciam cobertas, desde muito tempo, cobertas de medo. Grávidas de pecados. E só nessa hora de lavagem se mostravam em nudez completa. Mas, enfim, aquilo que os olhos não vêem, o coração não sente e a barriga se enche satisfeita. A bacia dos banhos de assento acertava no gosto a fritura dos bolinhos. A nossa gula é insaciável. Faz parte das lendas que onde existiram capões e mato, o piadístico popular sobre seus governantes era repetido de geração para geração — Que mau cheiro... — exclama com nojo o barbeiro
—        O quê? — pergunta o senhor feudal
—        O senhor ta sentindo esse cheiro?
—        Só por dentro...
A gente simplória não resistiu e como qualquer senhora muito pesada foi comida com pequenas mordidas ou empurrões de desamor até o estrangulamento. Asfixiadas com as mãos e os dedos que se uniam em prece, descoradas como garras que se oferecem para proteger. As manitas do giz ignoram suas mortes, engolidas pelo currículo o suicídio pedagógico foi sua resposta. Não existiu colheita além do uso que deram à senhora gorda e ilha farta. O ânus de uma ventou com força, enquanto a outra soltou com alarde pela boca o ar do estômago. Ninguém se atreveu ficar próximo nem ficar de longe
—        É o fim, senhor prefeito...
—        Nunca termina, Mormaço.
—        Cus-de-galinha.
A vida nos torturados é instintual e é solitária. Quero gritar para aqueles dois que usem os seus instintos para sobreviver a esse pavor. Precisam resistir mais que os torturadores. Sabotar a desumanidade cruenta, perversa e domesticada. Humanidade caolha. Os torturadores carregam a carga em procissão de fé até a beirada do despenhadeiro. Provocam as desesperanças até que os mais fracos pulam ao abismo. Finalmente, usam a marreta na cabeça dos resistentes e jogam as cinzas espalhando. Estão escondidos sob as ordens, embaixo dos sapatos daqueles velhacos infames, estes que olham ao pobre não como gente, mas como gado que se engorda e mata para o próprio sustento. Tudo muito bem camuflado e dito sob uma oratória esperta e cansada. A promiscuidade misturada de maneira desordenada e confusa - rezar e comungar nas missas dominicais, O Corpo de Cristo... Amém - não precisam nenhum perdão querem um álibi. Os filhos juram que os seus paris carinhosos não socam ninguém até quebrar e rachar
—        Cegante ignorância vos ilude, ó miseráveis mortais... abri os olhos!
Homens treinados: ensinados para machucar. Domesticados. Selvagens até que o corpo quebrado relaxa: falta luz para os choques — Lá isso é hora pra faltar luz... — alguém grita para enfiar no pau de arara — Se não morreu ainda... — ainda bem, os choques já tinham sido muitos, em qualquer parte, os fios atados no pé, na mão, no ouvido, na orelha, no mamilo, no ânus — Agora é no cu! — são as palavras brutais que incomodam, elas provocam mais dor que os tampões das mãos nas orelhas — A luz... por onde anda? — o farol reacende e mais choques. Quase morrendo — Chama o doutor! — cuidados para resistir, para apanhar mais, a torturada não tem como desistir! Nunca é suficiente até esquecer quem se é — Ela se aguenta mais um pouco. — a Memória apaga, se torna clandestina até ser refeita das próprias cinzas: chega o dia em que o esquecimento é vergonha!

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35 - Comunistas desgraçados! 

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