segunda-feira, 2 de novembro de 2026

MPB: Cálice

Chico e Gil

"Registro da censura à performance de Chico Buarque e Gilberto Gil durante o festival de música Phono 73. A dupla teve o som de seus microfones cortados para que não cantassem a letra da então recém-composta música "Cálice" que denunciava a repressão do regime. (OS CARAS SÃO F%DAS DEMAIS! Fazer isso em plena ditadura militar! Só de pensar que hj temos "artistas" que têm medo de se posicionar só pra não perder seguidores é de lascar. Muito inteligente o improviso do "arroz à la grega". Não entendeu? Ele está se referindo a própria censura dos jornais. É que quando as matérias dos jornais eram censuradas, as reportagens censuradas eram substituídas por receitas de comidas, e quando se via receitas de comidas nos jornais, era porque uma reportagem do jornal foi censurada, por isso o termo "arroz a grega".)"

Chico Buarque canta Cálice com Gilberto Gil 
 (audio censurado) Phono 73




Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga?
Tragar a dor, engolir a labuta?
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa?
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta

Pai (Pai), afasta de mim esse cálice
(Pai), afasta de mim esse cálice
(Pai), afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado, eu permaneço atento
Na arquibancada, pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

Pai (Pai), afasta de mim esse cálice
(Pai), afasta de mim esse cálice
(Pai), afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

De muito gorda, a porca já não anda (cálice)
De muito usada, a faca já não corta
Como é difícil, (Pai) Pai, abrir a porta (cálice)
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade?
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade

Pai (Pai), afasta de mim esse cálice
(Pai), afasta de mim esse cálice
(Pai), afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Talvez o mundo não seja pequeno (cálice)
Nem seja a vida um fato consumado (cálice, cálice)
Quero inventar o meu próprio pecado (cálice, cálice)
Quero morrer do meu próprio veneno (Pai) (cálice, cálice)
Quero perder de vez tua cabeça (cálice)
Minha cabeça perder teu juízo (cálice)
Quero cheirar fumaça de óleo diesel (cálice)
Me embriagar até que alguém me esqueça (cálice)


Cálice (Cale-se). Chico Buarque & Milton Nascimento





Cálice: A música que transformou o silêncio em denúncia (Análise Profunda)




E dito e escutado tudo isso, vamos contar a história na voz do Gil....


Gilberto Gil explica a música "Cálice"



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