sábado, 5 de agosto de 2017

Festival Chaplin - Ombro, armas!

Charlie Chaplin- Shoulder Arms (1918)




"Lá em cima em quinze minutos."

"A trincheira capturada."

"Como você capturou TREZE?"

"Eu os cerquei."








Título Original: Shoulder Arms.
Gênero: Comédia, Guerra.
País: Estados Unidos.
Estrelas: Charles Chaplin, Edna Purviance, Syd Chaplin.


Data de lançamento: 20 de outubro de 1918 (mundial)

Direção: Charlie Chaplin

Roteiro: Charlie Chaplin

Cinematografia: Roland Totheroh

Música composta por: Charlie Chaplin



Shoulder Arms é um filme mudo de curta metragem estadunidense de 1918, escrito, produzido, dirigido e protagonizado por Charles Chaplin. É o segundo filme de Chaplin para a First National Pictures.


Sinopse:

Carlitos é um soldado americano lutando na França durante a I Guerra Mundial, um recruta que vira herói e é convocado para uma perigosa missão que se localiza nas linhas inimigas. Num lance de sorte, depois de capturar 13 soldados alemães e, com a ajuda de uma francesa, consegue também prender o Kaiser. Na volta para casa, é reconhecido como herói e homenageado com uma parada em Nova Iorque.


Elenco:

Charles Chaplin .... recruta
Edna Purviance .... moça francesa
Syd Chaplin .... sargento/ kaiser
Jack Wilson .... príncipe da Alemanha
Henry Bergman .... ´sargento alemão
Albert Austin .... soldado norte-americano / soldado alemão / motorista do kaiser
Tom Wilson .... sargento treinador de campo
John Rand .... soldado norte-americano
J. Parks Jones .... soldado norte-americano
Loyal Underwood .... oficial
Ray Hanford .... soldado (não-creditado)




.....



cine história: 
Ombros e Armas

Salada de Cinema


Chico Paiva



A partir de hoje, a coluna Cine História passará a abordar três obras do gênio do cinema: Charlie Chaplin. A ideia é fazer um passeio por três filmes do autor em um espaço de tempo que vai de 1918 até 1940, período comumente chamado pelos historiadores de “entre guerras”.

O primeiro filme é o quase desconhecido: “Ombros e Armas” (Shoulder Arms), de 1918 – em que o autor adere ao esforço da primeira guerra mundial (1914 – 1918) juntamente como outros diretores de Hollywood.

O filme conta a história de um recruta interpretado pelo próprio Chaplin que é representado pelo personagem Carlitos, imortalizado pelo diretor. Logo no início do filme, temos a sensação de que a ida do recruta para o conflito será uma catástrofe, já que o tipo desengonçado deste soldado garante ao telespectador boas risadas, geradas por uma sequência de trapalhadas muito bem ensaiadas aos moldes da comédia, bem feita, do cinema mudo de Chaplin.

Em seguida, o soldado é enviado ao front, em especial na França, onde tropas dos países aliados lutavam contra os alemães e austro-húngaros. Basicamente, a primeira guerra foi uma fusão das formas arcaicas de combate, avistando uma tecnologia armamentícia nascente. Um contexto que misturava trincheiras e aviões; neste conflito que entrou para a história como um dos mais cruéis de todos os tempos.

Entrincheirado, Chaplin retrata o dia a dia dos soldados que tinham que enfrentar todos os tipos de dificuldades e desafios de guerra. Ao longo do filme, também podemos notar que o autor vai conduzindo o personagem principal ao crescimento ascendente: o desajeitado vai dando lugar a um soldado hábil na arte da guerra.

Chaplin sofreu muitas críticas na época por parte dos intelectuais britânicos que afirmavam que o diretor havia fugido do conflito, por não ter se alistado como voluntário a favor do seu país, a Inglaterra. O filme, em certa medida, é uma resposta indireta e bem criativa a este grupo.

Se por um lado, “Ombros e Armas” é um esforço a favor dos aliados, por outro, percebemos uma crítica contundente com relação ao cotidiano e as péssimas condições de vida dos soldados. Neste filme, o sofrimento e o heroísmo transmitem ao telespectador sentimentos diferentes quanto às características e consequências da guerra. Vale a pena conferir já que a obra é um marco importante de cinema de registro de guerra.

Na próxima quinzena, trarei ao leitor do Salada de Cinema outra obra importante de Chaplin. Aguardem a próxima coluna, e tenham um bom filme!




Série Ballet : Painted

Painted






porque dançar é isso...
flutuar desenhos coloridos com o próprio corpo
ah, o corpo...
                                  quanto pecado para hipócritas 
e quanta graça humana para o ballet...
                                   prefiro o ballet aos hipócritas











Choreography and dance is Dorotea: dorosay@gmail.com, follow her at https://www.instagram.com/dorosay

Image and story is Duncan: duncan.mcdowall@gmail.com, follow him at https://www.instagram.com/before.the....



sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Luis Melodia, obrigado...

Juventude Transviada





minha primeira lembrança da juventude com claras fantasias
que agonia as cinzas da memória
sonhando de madrugada com a primeira namorada









Cássia Eller







Pérola Negra
Gal Costa 


peça meu livro querendo te empresto
rasgue  a camisa e enxugue o meu pranto







Estácio, Holly Estácio
Diogo Nogueira


bem no compasso bem junto ao passo
do passista







Codinome Beija-Flor







Quase fui lhe procurar






Mistério da Raça







Presente Cotidiano


Vou caminhar um pouco mais atrás da lua







Tá tudo solto na plataforma do ar
Tá tudo aí, tá tudo aí
Quem vai querer comprar banana
Quem vai querer comprar a lama
Quem vai querer comprar a grana
Tá tudo solto por aí
Tá tudo assim, tá tudo assim
Quem quer morrer de amor se engana
Momentos sãs, momentos drama
O corpo é natural da cama
Vou caminhar um pouco mais atrás da lua
Vou caminhar um pouco mais atrás da rua
Mas tudo voa por aí, na asa de um avião
No bico de um pássaro daqui
Mas tudo gira, ai de mim
A bola e o pião
Menina em meu coração
Tá tudo solta na feira, nobre lugar
Tá tõ ruim, tá tão ruim
Quem vai querer comprar banana
Quem vai querer comprar banana
Quem vai querer comprar...

Quem vai querer comprar banana
Quem, olha banana, quem





quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O Brasil Nação - v1: § 39 – A choldra dos partidos – sobre a nação abandonada - Manoel Bomfim

Manoel Bomfim



O Brasil nação volume 1





PRIMEIRA PARTE
SEQUÊNCIAS HISTÓRICAS



capítulo 4
o definitivo império do brasil






§ 39 – A choldra dos partidos – sobre a nação abandonada




Durante esse torvo período, em que o bragantismo brasileiro se definia destruindo os efeitos de 1826-32, sistematizada a política em conciliação... progressista; durante esse período, o pensamento e a moralidade se aferiam pela mistificação representativa, concretizada nas mentiras correntes, oficializadas. Finalmente, cristalizou-se a degradação na choldra do poder gangorra – conservador-liberal, mas, em essência, tudo a mesma coisa; e a mesma coisa se perpetuava. Nestas condições, indaga-se: “Para que dois partidos?... Um desses, já transcritos, explica-o nitidamente: 


... sem partidos para se oprimirem alternadamente, fora impossível manter o odioso sistema... No sistema representativo do Brasil, o partido que está de cima sustenta o absolutismo pela fácil dominação que ele lhe proporciona... e o partido que está debaixo tolera o absolutismo com a esperança, filha da experiência, de que um dia também o terá à sua disposição, para saborear o gozo do poder... Este ou aquele partido pode, sempre, sem audiência regular da nação, ser chamado a governá-la, e acha sempre os meios constitucionais aparentes, obtendo o apoio da câmara, ou conquistando-a pela dissolução, e por eleições sempre feitas ao sabor do governo... o sistema representativo tem descido tanto, e a nação está de tal sorte subjugada ao governo, que este pode com uma pincelada pintá-la toda de encarnado, ou de amarelo... Aqui, não é o país, é o governo quem verdadeiramente decide de tudo... Os partidos têm influência segundo são chamados ao governo, e os seus candidatos nessa conformidade são votados...


Bacharel, jurista, Sousa Carvalho leva todo o mal à conta das instituições escritas – por pouco liberais... Se a explicação não tem valor, o fato por ele atestado, no entanto, é definitivo:


... a degeneração do sistema representativo, proveniente da onipotência do governo... Não admira que, assim, o caráter se rebaixe, as inteligências se esterilizem, e a moralidade pública diminua... Os nossos partidos, ora um, ora outro, investidos e desapossados do mando despótico, representam o papel de escravos que castigam os parceiros, e são, em seguida, por eles castigados...


E fecha a verrina, a proclamar como grande prova de liberalismo seu – o não ter concorrido, como presidente de província, para fazer câmara unânime ao seu partido. E termina citando: “O Sr. Visconde de Itaboraí presidente do Conselho, na sessão de 18 de Julho, reconheceu que desgraçadamente neste país não há eleição, tirando daí a conclusão de que ninguém se podia considerar legítimo representante do país”. 

O outro liberal, Landulfo Medrado, é mais sintético, e igualmente cominatório. Depois de acentuar a impotência e desmoralização dos partidos, conceitua:


As grandes dificuldades nacionais aí ficam intactas, insolúveis; a longa série dos ministérios, na gerência dos negócios públicos, consomem-se na vida medíocre dos expedientes e palativos estéreis; e enredam-se nas intrigas de uma política de conveniências pessoais, que exclui toda dignidade de sentimentos, e toda elevação de concepções... No alto, uma cediça afetação de simplicidade, sem pensamento nem verdade... em baixo, multidões prosternadas no chão das humilhações... um povo ignaro... encadeado à eterna servidão do corpo e da alma... decepções cruéis... esperanças mentidas, esforços, perdidos...


Tavares Bastos, também liberal:


... o esbanjamento, a afilhadagem, o desperdício, que caracteriza o governo brasileiro... mediocridades sem espírito, sem dignidade, sem nobreza, sem patriotismo, sem orgulho, e que abrem o caminho e prosseguem triunfantes o andar do despotismo... um governo ignorante de seus próprios vícios, arrasta o país ao abismo dos desenganos... a imoralidade pública, o desânimo, os estremecimentos vagos: confiai agora nos destinos de uma sociedade constituída sobre bases tais!... Leis que são um duplo crime, contra o código fundamental e contra o futuro do país... O país governado pelo interesse privado das coteries, e dos governícolas... Não reconheço quais sejam os nossos partidos políticos... e sim a facção que se agarra à presa... Lembro-me com tristeza de que sou brasileiro, e de que não há esperança, talvez, neste século, de felicidade para esta pátria!... Quantos brasileiros temos visto nós – erguer a fronte e conservá-la altiva?... Neste país compram-se, a dinheiro de contado, e por tabela fixa, honras e grandezas. Há corretores para este negócio...


Melo Morais, mal-arregimentado, nem por isso é menos explícito e autorizado:


Tomando assento na câmara temporária, reconheci ser aquilo uma farsa... a falsa política tem absorvido tudo... a política do egoísmo e das posições oficiais é o único pensamento... Se as câmaras fizessem o que devem, e não o que o executivo lhes manda fazer, o sistema representativo seria uma verdade, e não uma comédia como temos representado, e continuaremos...


Historiador, ele contempla aquele passado, que ainda alcançara, e mostra: “Nesses tempos, que lá vão e não hão de voltar (de 1826 a 36)... não havia parlamentarismo, não se pediam favores... o ministro respeitava o deputado pela sua independência e poder... Que diferença, entre o eleito de então, e o nomeado ou designado de hoje!...” Continuando, ele, registra a evolução da miséria eleitoral:


Na eleição que se procedeu em 1840, já havia abusos por parte das influências dos partidos, mas ainda não se tinha desenvolvido manifestamente a prepotência governamental... Na eleição de 1842 (pelos conservadores), a influência maléfica do executivo se fez sentir em algumas províncias, mas, até aí, nunca deixou de haver uma oposição mais ou menos forte e numerosa... Dissolvida essa câmara pelo ministério liberal de Almeida Torres, na eleição que se lhe seguiu, apareceu com mais franqueza a compressão do governo, tanto que, se pode dizer – foi Almeida Torres o inventor da intervenção imediata do governo na escolha dos candidatos a deputado... sendo certo que foi por ocasião da verificação de poderes dos deputados então eleitos, que apareceu o expediente das depurações...


José de Alencar, depois de passar pelo conselho da coroa, pôde afirmar:


Não se conta com a nação, que é peça inútil nesse xadrez político... o descrédito dos partidos forma a medula do segundo reinado... ostentação de absolutismo, pois que só nos governos absolutos é que o impulso vem de cima... As ideias em que se definem os programas dos partidos tornam-se propriedade exclusiva de um pequeno número de nulidades que porventura cerquem o trono. Sem o menor escrúpulo, esses homens, baldos de pensamento... escalam o governo...


Tal aparecia, ao poeta de Iracema, aquele mundo em que trabalhava: despotismo sobre nulos. No entanto, Araripe Júnior, não político, sem nenhum intuito de propaganda política, ao comparar os dias em que floresceu Alencar com os de 1879, tem destes conceitos: “Ainda não tínhamos chegado à época dissolvente que atravessamos, época que tem gerado em nós brasileiros tão pronunciado desgosto de nós mesmos.”157


157 José de Alencar, pág. 29.


No termo de tudo, quando o regime se esboroa ao golpe dos abolicionistas em quem falava a alma brasileira, a miséria da política de embustes, e mentiras, e interesses vis, desata em desatino, para novos embustes, e transigências, e apostasias: o trono, a repetir 1821-22, vem para a cauda dos revolucionários abolicionistas. Dos políticos, uns, ferrenhos escravocratas da véspera, aceitam aquilo mesmo que mais repeliam, e transigem miseravelmente, submetendo-se a legalizar, em três dias, a abolição, que a nação revolucionada lhes impunha. Outros, mais despeitados do que coerentes, desabafam contra o regime que assim os deixa – a nu. E como no despeito vêm verdades, consignemo-lo: Silveira Martins, ao discutir-se, no senado, o projeto imposto pelos aquilombados do Cubatão: “O parlamento tem atacado todos os princípios e subvertido todas as noções de dignidade... nenhum partido é forte quando trafica com as suas ideias...” Paulino Soares de Sousa, no mesmo ensejo: “Que resguardo podem oferecer homens que ontem pensaram de um modo e hoje procedem de outro; que politicamente não têm corpo para a responsabilidade que lhes cabe?” Esses homens poderão ser muito honrados na vida particular, mas não têm, como disse o honrado senador pelo Rio Grande do Sul, a honorabilidade precisa para a função de governo... E, sem piedade, pegou do correligionário João Alfredo, abolicionista de emergência, atirou-o por terra, pregando-lhe nas costas o palavreado escravocrata com que o mesmo, um ano antes, havia combatido a abolição – que não admitia sem indenização... que não devia ser brusca, porque, dizia mesmo o Cons.: “Não sou dos homens que se deixam levar por ameaças e vivórios...” 

Não podia deixar de acabar assim, uma sequência política que contava, logo no seu início, com abjeções, como a do Tratado de Aliança Ofensiva, com a Confederação Argentina, celebrado a 24 de março de 1848, retificado pelo governo do Brasil, e não aceito pelo Presidente Rosas, tão infame ele era. Foram tratadores, por parte do Brasil, Carneiro Leão e Rodrigues Torres, quando no governo havia, Paranaguá e José Clemente. Como comentários, registrem-se estes, de Rodrigues dos Santos, deputado por São Paulo, e ardente monarquista: 


... vergonha do Brasil... arriscou a coroa ao desar que passou pela rejeição do mesmo... o governo argentino não o aceitou – por ser ofensivo à independência do Estado oriental, o que foi um quinau dado ao governo do Brasil... o governo aliou a monarquia brasileira ao ditador de Buenos Aires, para o fim de pacificar o Brasil, e deu, assim, o testemunho de que era incapaz de dominar as comoções intestinas do Império...


Depois disso, um governo monárquico que se alia a governos estrangeiros, republicanos, para manter a ordem interna; daí por diante, na marcha que se acelera, é natural que o regime venha acabar na deliquescência de 1888-89. Um grande jornalista, com especialidade de sensatez e bom humor – Ferreira de Araújo, desde 1884 se convertia em profeta:


Atravessamos uma época verdadeiramente calamitosa... Há um micróbio moral que devasta as consciências... A política imperial à amparar-se nestas duas muletas – a corrupção e o favoritismo... quando desaparecer o atual imperante, que fará esta geração de homens de Estado que ele preparou?!...




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"Morreu no Rio aos 64 anos, em 1932, deixando-nos como legado frases, que infelizmente, ainda ecoam como válidas: 'Somos uma nação ineducada, conduzida por um Estado pervertido. Ineducada, a nação se anula; representada por um Estado pervertido, a nação se degrada'. As lições que nos são ministradas em O Brasil nação ainda se fazem eternas. Torcemos para que um dia caduquem. E que o novo Brasil sonhado por Bomfim se torne realidade."

Cecília Costa Junqueira



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O Brasil nação: vol. I / Manoel Bomfim. – 1. ed. – Rio de Janeiro: Fundação Darcy Ribeiro, 2013. 332 p.; 21 cm. – (Coleção biblioteca básica brasileira; 35).


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Download Acesse:

http://www.fundar.org.br/bbb/index.php/project/o-brasil-nacao-vol-i-manoel-bonfim/


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O Brasil Nação - v1: § 40 – Já é corrupção... - Manoel Bomfim 

O Brasil nação - v1: Prefácio - Manoel Bomfim




Rayuela - Julio Cortázar: Capítulo 52

Capítulo 52

    Porque en realidad él no le podía contar nada a Traveler. Si empezaba a tirar del ovillo iba a salir una hebra de lana, metros de lana, lanada, lanagnórisis, lanatúrner, lannapurna, lanatomía, lanata, lanatalidad, lanacionalidad, la lanaturalidad, la lana hasta la náusea pero nunca el ovillo. Hubiera tenido que hacerle sospechar a Traveler que lo que le contara no tenía sentido directo (¿pero qué sentido tenía?) y tampoco era una especie de alegoría. La diferencia insalvable, un problema de niveles que nada tenían que ver con la inteligencia o la información, una cosa era jugar al truco o discutir a John Donne con Traveler, todo transcurría en un territorio de apariencia común; pero lo otro, ser una especie de mono entre los hombres, querer ser mono por razones que ni siquiera el mono era capaz de explicarse empezando porque de razones no tenían nada y su fuerza estaba precisamente en eso, y así sucesivamente.

    Las primeras noches en la clínica fueron tranquilas; el personal saliente desempeñaba todavía sus funciones, y los nuevos se limitaban a mirar, recoger experiencia y reunirse en la farmacia donde Talita, de blanco vestida, redescubría emocionada las emulsiones y los barbitúricos. El problema era sacarse de encima a la Cuca Ferraguto, instalada como fierro en el departamento del administrador, porque la Cuca parecía decidida a imponer su férula a la clínica, y el mismo Dire escuchaba respetuoso el new deal resumido en terminos tales como higiene, disciplina, diospatriayhogar, piyamas grises y té de tilo. Asomándose a cada rato a la farmacia, la Cuca prestaba-un-oído-atento a los supuestos diálogos profesionales del nuevo equipo. Talita le merecía cierta confianza porque la chica tenía su diploma ahí colgado, pero el marido y el compinche eran sospechosos. El problema de la Cuca era que a pesar de todo siempre le habían caído horriblemente simpáticos, lo que la obligaba a debatir cornelianamente el deber y los metejones platónicos, mientras Ferraguto organizaba la adminsitración y se iba acostumbrando de a poco a sustituir tragasables por esquizofrénicos y fardos de pasto por ampollas de insulina. Los médicos, en número de tres, acudían por la mañana y no molestaban gran cosa. El interno, tipo dado al póker, ya había intimado con Oliveira y Traveler; en su consultorio del tercer piso se armaban potentes escaleras reales, y Pozos de entre diez y cien mangos pasaban de mano en mano que te la voglio dire.
Los enfermos mejor, gracias.


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