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terça-feira, 8 de novembro de 2022

O Bêbado e a Equilibrista

Elis Regina

O Bêbado e a Equilibrista

João Bosco e Aldir Blanc



Lançada em 1979 no álbum Essa Mulher, de Elis Regina, O Bêbado e a Equilibrista foi adotada pelos brasileiros como o Hino da Anistia, em referência à lei que concedeu perdão aos perseguidos políticos e abriu caminho para o retorno da democracia no país.

Composta por João Bosco e Aldir Blanc, foi originalmente pensada por Bosco como uma homenagem a Charlie Chaplin, falecido em 1977. A harmonia, por exemplo, tem passagens melódicas propositalmente parecidas com Smile, do filme Tempos Modernos.





Assim como outras músicas escritas durante a ditadura, a letra de O Bêbado e a Equilibrista é recheada de metáforas (metáfora é uma figura de linguagem em que se transfere o nome de uma coisa para outra com a qual é possível estabelecer uma relação de comparação. Para que a comparação possa ocorrer, devem existir elementos semânticos - relativos ao significado - semelhantes entre as palavras ou expressões em questão), utilizadas para denunciar a situação do país. Vem ver a nossa análise!

A história por trás de O Bêbado e a Equilibrista


Ainda sobre Metáfora:

"O poeta argentino Lugones, lá pelos idos de 1909, escreveu pensar que os poetas estavam usando sempre as mesmas metáforas e que tentaria treinar a mão descobrindo novas metáforas para a lua. E, de fato, inventou várias centenas delas. Disse também, no prefácio a um livro chamado Lunário sentimental, que cada palavra é uma metáfora morta. Essa declaração, claro, é uma metáfora. Mas acho que todos sentimos diferença entre metáforas mortas e vivas. Se pegarmos qualquer bom dicionário etimológico (estou pensando em meu velho amigo ignorado, dr. Skeat) e se procurarmos uma palavra qualquer, na certa encontraremos uma metáfora enfurnada em alguma parte. - 'Esse Ofício do Verso'."
Jorge Luis Borges



Smile 

Michael Jackson







domingo, 15 de outubro de 2017

Charlie Chaplin | Luzes da Cidade (City Lights) - 1931

Charlie Chaplin | Luzes da Cidade - 1931
City Lights




o vagabundo e a florista cega










Sinopse: 
Um vagabundo (Charles Chaplin) impede um homem rico (Harry Myers), que está bêbado, de se matar. Grato, ele o convida até sua casa e se torna seu amigo. Só que ele esquece completamente o que aconteceu quando está sóbrio, o que faz com que o vagabundo seja tratado de forma bem diferente. Paralelamente, o vagabundo se interessa por uma florista cega (Virginia Cherrill), a quem tenta ajudar a pagar o aluguel atrasado e a restaurar a visão. Só que ela pensa que seu benfeitor é, na verdade, um milionário. 


FICHA TÉCNICA 

Título Original: City Lights. 
Ano: 1931 

Elenco: Charlie Chaplin, Virginia Cherrill, Harry Myers. 

Roteiro e Direção: Charlie Chaplin


_____________________


luzes sobre o filme


Plano Crítico

Rafael Oliveira


Charlie Chaplin é um dos nomes mais conhecidos do cinema, se não o mais. Suas obras variam desde a crítica social severa e pontual, até os toques de amor e sensibilidade. Seu personagem Carlitos é, sem dúvida alguma, o mais conhecido da história e sua forma de fazer cinema é aclamada até os dias atuais. Trata-se de uma das carreiras mais sólidas e brilhantes, um nome marcado na história não só do cinema, mas também da própria humanidade. Chaplin que era um crítico social de marca maior, um idealista – termo que erroneamente é taxado de forma pejorativa, num país em que malandragem é sinônimo de sabedoria – era também um romântico sensível e cativante. O filme Luzes da Cidade comprova tal afirmativa e não me deixa cair em descrença. Lançado em 1931, a obra continua bela e sensível. Com certeza, estamos falando de uma película eterna.

A paixão de um vagabundo por uma pobre florista cega, que acredita que ele é um milionário, o motiva a fazer o possível e o impossível para melhorar a vida de sua amada. Nutrido de um amor platônico, Carlitos se dedica neste objetivo, sendo capaz de se envolver nas maiores encrencas para obter o resultado desejado. Por ironia do destino, ele se aproxima de um milionário, que tentara o suicídio e fora salvo por ele, afim de arranjar algumas maneiras para ajudar a moça, mas nem sempre consegue o que deseja. Ao descobrir que um Médico havia descoberto a cura para a cegueira, Carlitos fará de tudo para conseguir o dinheiro necessário para a operação, mesmo que para isso ele precise trabalhar ou até mesmo lutar boxe.

Luzes da Cidade é simples. A obra dialoga de forma pura, verdadeira e sensível. Somos tomados por um misto de sentimentos que variam entre risadas e choros, uma verdadeira overdose de genialidade, uma genialidade simples e cativante. Durante o processo de transição do cinema mudo para o cinema falado, Chaplin continuou produzindo filmes mudos por mais treze anos, e a obra de 31 se enquadra neste período. Mas neste filme, Charlie utilizou alguns artefatos sonoros na composição da película, como por exemplo, na cena do apito, ou na cena da luta de boxe.

A trilha sonora de Luzes da Cidade, composta pelo próprio Chaplin, se agrupa de forma extramente harmoniosa, um casamento perfeito entre sonoridade e imagem. As atuações são fantásticas. A forma como os personagens se expressam é de uma pureza imensa, é algo que só pode ser vindo d´alma. A cena final é um dos momentos mais sublimes da história da sétima arte. Enfim, são apenas alguns aspectos de uma obra perfeita. Mas Luzes da Cidade é sensível de forma extrema, é um filme grandioso demais para ser definido por palavras, é muito mais fácil senti-lo: é simples e genial como o próprio Chaplin.



Luzes da Cidade (City Lights, EUA, 1931)
Roteiro: Charles Chaplin
Direção: Charles Chaplin
Elenco: Charles Chaplin, Hank Mann, Al Ernest Garcia, Virginia Cherrill, Florence Lee, Harry Meyers
Duração: 87 min.


terça-feira, 12 de setembro de 2017

Festival Chaplin - Em Busca do Ouro

Charlie Chaplin- Em Busca do Ouro (1925)





"Do outro lado desse fim de mundo,
havia outro garimpeiro solitário."










Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama.




EM BUSCA DO OURO (1925/1942)


(The Gold Rush)


Dirigido por Charles Chaplin.

Elenco: 

Charles Chaplin, 
Mack Swaim, 
Tom Murray, 
Henry Bergman, 
Malcolm Waite 
e Georgia Hale.

Roteiro: Charles Chaplin.

Produção: Charles Chaplin.





























Entre todas as suas memoráveis obras, Chaplin afirmava ter um carinho extremamente especial por este “Em Busca do Ouro”, uma fábula maravilhosa que relata, de maneira bem humorada, os perigos da chamada corrida do ouro, que motivou multidões a arriscar a vida em busca do sonho de conseguir riqueza através deste precioso metal. Leve e descontraído, o longa consegue balancear muito bem o humor e o drama, algo recorrente na marcante carreira deste memorável cineasta.

Em 1898, milhares de pessoas partem para a serra nevada na tentativa de encontrar ouro, buscando garantir riqueza e conforto pelo resto de suas vidas. Entre estes garimpeiros e aventureiros, encontra-se o vagabundo (Chaplin), que acidentalmente vai parar na cabana do garimpeiro Larsen (Tom Murray) ao lado do gordo Jim McKay (Mack Swaim), conhecido como “Big Jim”. Juntos, eles criam muita confusão e, após uma forte tempestade de neve, o vagabundo conhece a dançarina Georgia (Georgia Hale), por quem se apaixona perdidamente.

A ideia de realizar “Em busca do ouro” surgiu quando Chaplin leu uma reportagem sobre a chamada “corrida do ouro”, em que legiões de pessoas partiam em busca de riqueza, dispostas a enfrentar o frio, a fome e a natureza agressiva da serra nevada. Esta reportagem se transformou num dos primeiros e mais belos planos do longa, onde podemos ver milhares de pessoas subindo o monte coberto de neve, com a esperança de que este sacrifício seja recompensado por uma vida confortável após encontrar o desejado ouro. Chaplin gostou tanto do resultado final que o filme foi relançado 17 anos depois, com a rápida voz de Chaplin substituindo os diálogos na tela. A versão de 1942, no entanto, teve algumas cenas retiradas na montagem, como o beijo final entre Carlitos e Georgia, resultando numa versão um pouco menor que a original.

Charles Chaplin novamente assumiu a responsabilidade pela direção, roteiro, montagem e trilha sonora, além é claro de atuar no longa. O roteiro, que como citado ganhou a narração de Chaplin na versão de 1942, aborda temas interessantes como o poder do dinheiro e o valor que a sociedade dá pra ele, além de mostrar como as aparências enganam, na cena em que o guarda assume que Carlitos é o intruso do navio baseado nas roupas dele. O roteiro mostra ainda como o amor verdadeiro pode surgir de diversas maneiras, além de ilustrar como a solidão atormenta o homem. Como sempre, Chaplin deixa sua marca pessoal, apresentando tudo isto de maneira simples, engraçada e inteligente. O diretor tem domínio absoluto da narrativa, fazendo com que o longa flua muito bem, graças também a montagem, que adota um ritmo alucinante no inicio da narrativa, alternando para um ritmo mais lento no segundo ato, que reflete a tristeza do solitário protagonista. Ainda na parte técnica, vale destacar a fotografia de Roland Totheroth, que prioriza a cor branca, refletindo o vazio e a solidão das pessoas que enfrentam a serra nevada em busca de riqueza. Repare como a fotografia se torna sombria, priorizando a cor preta, quando Carlitos passa a frequentar o saloon e, principalmente, quando sofre por Georgia sozinho na cabana e vagando pelo exterior do saloon. Finalmente, a trilha sonora, creditada para Chaplin, Gerard Carbonara e Max Terr, é mais lenta e cadenciada na versão de 1921, ao passo em que na versão de 1942 é bastante agitada e pontua muito bem as cenas.









Como de costume nos filmes de Chaplin, as gags visuais são excelentes, com destaque para a sequência em que Carlitos, Big Jim e Larsen são expulsos da barraca pelo vento, seguida pela briga entre os grandões, apontando a arma para Carlitos. Também merece ser citada a disputa nas cartas para ver quem procuraria comida (repare a divertida reação do vagabundo ao tirar sua carta). O talento de Chaplin para fazer comédia fica ainda mais evidente na sequência em que Carlitos cozinha um sapato e serve para o amigo Big Jim. Esta cena, aliás, foi inspirada numa trágica notícia que ele havia lido sobre um grupo de exploradores que se viu obrigado a comer os sapatos, roupas e cadáveres de amigos durante sua passagem pela serra nevada. A notícia inspirou ainda os engraçados delírios de Big Jim, que revelam também o ótimo trabalho de efeitos visuais (na realidade, um truque de câmera) ao transformar Carlitos num frango gigante, ilustrando o tamanho da fome do grandalhão. Repare na sincronia dos movimentos do frango e de Carlitos quando este volta a aparecer na forma humana (ele mesmo se vestiu de frango depois que um técnico tentou sem sucesso fazer o papel). Esta seqüência, aliás, é toda sensacional, desde os delírios de Big Jim até a perseguição dentro e fora da barraca, que termina com a chegada do urso. Outra sequência interessante visualmente é a engraçada cena da casa pendurada no penhasco, que alterna entre o cenário em tamanho real e a maquete, sem que o espectador perceba a diferença claramente. Interessante também como a posição da câmera dá a sensação de que a casa está mesmo pendurada, o que revela a habilidade de Chaplin na direção e remete a um tempo em que o cinema, sem tantos recursos técnicos, era mais puro e criativo.













Chaplin também sabia ser sutil, como na triste cena em que Carlitos espera por Georgia na cabana, onde a vela indica quanto tempo ele esperou pela garota. A desilusão amorosa e a solidão dele na virada do ano estão refletidas em seu semblante, enquanto olha pela porta à espera de sua visita. Quando ele decide ir até a festa, seu rosto mergulhado nas sombras demonstra visualmente os sentimentos de seu coração, partido diante da atitude de Georgia. Georgia, aliás, que é muito bem interpretada pela bela Georgia Hale, demonstrando, ao lado de suas amigas, o cinismo das mulheres do saloon e a lenta transformação da garota. A pureza de Carlitos conquista Georgia e conquista o espectador também. Mas talvez a cena mais marcante de “Em Busca do Ouro” seja o belíssimo momento em que Carlitos faz a dança com os pães, com extrema sensibilidade e carisma. Certamente, esta é uma das muitas imagens que marcaram a carreira deste gênio. Vale citar ainda a linda cena em que Carlitos e Georgia se reencontram no navio. Na versão de 1942 o final é menos romantizado, refletindo o estado de espírito de Chaplin naquele período, após ter enfrentado seu segundo divórcio. Já a versão original tem um longo beijo entre o casal, que revela até mesmo a paixão do diretor por sua mulher, Lita Grey, que inspirou a personagem Georgia.

Extremamente engraçado, com cenas marcantes e uma mensagem humana, podemos afirmar que o belo “Em Busca do Ouro” é um legítimo representante de cinema de Charles Chaplin. E é impressionante notar como seus filmes conseguem transmitir sua visão do mundo, balanceando com grande talento cenas engraçadas e belas. É aí que reside a magia de Chaplin, um cineasta capaz de tocar como poucos o coração do espectador. Ao contrario das dificuldades enfrentadas pelos garimpeiros para conseguir ouro, Chaplin demonstrava enorme facilidade para transformar seus filmes em verdadeiras jóias da sétima arte.






Texto publicado em 19 de Outubro de 2010 por Roberto Siqueira





quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Festival Chaplin - A Casa de Penhores

Charlie Chaplin- A Casa de Penhores (1916)





"Atrasado... como sempre!"











Ficha técnica

Título The Pawnshop (Original)
Ano produção 1916
Dirigido por Charles Chaplin
Estreia
1916 ( Brasil ) 
Duração 32 minutos


Sinopse

O assistente do dono da casa de penhores vive competindo com um outro assistente. Ele é demitido mas, depois, é recontratado pelo patrão. Ao defender a loja contra um assaltante, o assistente quebra os objetos dos clientes.


Roteiro

Charles Chaplin


Produtor

Charles Chaplin

”The Pawnshop” foi o 6º filme de Chaplin produzido na Mutual (1916)



Elenco

Albert Austin
cliente com relógio

Charles Chaplin
assistente do dono da casa de penhores

Edna Purviance
filha do dono da casa de penhores

Eric Campbell 
(I)assaltante

Frank J. Coleman
policial

Henry Bergman 
(I)dono da casa de penhores

James T. Kelleyvelho 
vagabundo / cliente mulher com peixe dourado

John Rand 
(I)assistente do dono da casa de penhores

Wesley Ruggles
cliente com anel



......

Plano Crítico


A Loja de Penhores



Pura engenhosidade do começo ao fim. Chaplin faz um empregado de uma loja de penhores que não gosta muito de outro funcionário e sai na pancadaria com ele o tempo todo, gerando situações com timing perfeito no uso de gags e props do rico cenário dividido entre a loja, os fundos e a frente externa. Duas sequências saltam aos olhos: a da escada, que mostra as habilidades físicas em Chaplin em momentos até perigosos e a do desmantelamento do relógio de um possível cliente, que traz ótimas risadas com a cara-de-pau do personagem de Chaplin.

Se há um defeito, ele é pequeno: o final é rápido demais, apressado mesmo, como se o tempo estivesse acabando e a fita precisasse ser encerrada. Mas não é nada que atrapalhe essa pequena joia de curta.





quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Festival Chaplin - O Circo

Charlie Chaplin- O Circo (1928)






um circo esfomeado e sem dinheiro
então, surge o vagabundo
"aqui tem, senhor!"












Sinopse

Um batedor de carteiras (Steve Murphy) está agindo em meio a multidão. Para evitar que seja pego, ele coloca uma carteira roubada no bolso do faminto vagabundo (Chaplin), sem que ele perceba. Quando a polícia se afasta, o batedor volta para recuperar o dinheiro perdido, gerando um tumulto que chama a atenção de um policial, que passava por ali.

O Vagabundo fugindo, tanto do batedor quanto da policial, acaba entrando acidentalmente no picadeiro de um circo local. Sem querer acaba entrando no espetáculo e fazendo grande sucesso com o público, sendo logo contratado pelo dono (Al Ernest Garcia), que irá se aproveitar dele, sem que ele perceba. O vagabundo ainda arranja tempo para se apaixonar pela acrobata, filha desse mesmo proprietário.


Mistério envolvendo o filme

Em 2010, foi lançado um disco de DVD extra no filme, com cenas que não foram ao ar na época. Uma dessas cenas fez muito sucesso, pois consiste em uma "mulher" com um sobretudo "segurando" algo no ouvido e conversando sozinha. Nesse mesmo ano, o diretor independente George Clarke publicou um vídeo na internet sobre o fato. O vídeo já teve mais de 3 milhões de visualizações e o público acredita ser um viajante do futuro, falando ao celular. Outra teoria não comprovada é de que seja um aparelho auditivo em formato de funil, usado no fim do século XIX e início dos século XX, mas muitos questionaram o fato dela estar falando sozinha, pois se estivesse usando tal aparelho não teria por quê falar. No inicio do filme nos créditos existe em algarismos romano as letras/números MCMLXVIII ou 1968 que mostra em que ano o filme foi produzido, o correto seria MCMXXVIII ou 1928 que foi o ano correto de produção, não se sabe porque Chaplin fez isso.


Elenco

Charlie Chaplin .... O vagabundo

Al Ernest Garcia .... proprietário do circo

Merna Kennedy .... enteada do dono do circo e moça dos cavalos amestrados

Harry Crockers .... Rex, o homem que se equilibra na corda

George Davis .... um mágico

Henry Bergman .... velho palhaço gordo

Steve Murphy .... batedor de carteiras






...



O Circo


por

em 13 de agosto de 2014







Como muitos sabem (e concordam) hoje em dia, Charles Chaplin se firmou como um dos principais exemplos sobre a arte de expressão da arte cinematográfica. Muitos de seus filmes e curtas, em sua maioria vendidos como comédias, iam da risada às lágrimas numa facilidade digna de um grande condutor, de um realizador que tinha plena consciência do que estava fazendo e levando ao seu público. Em meio a todo o sucesso alcançado por Chaplin em sua época, uma de suas personas, o chamado O Vagabundo, se tornou uma das figuras mais queridas da plateia, e não pra menos, o personagem protagonizou diversas das peraltices que Chaplin levava para as telas.

O Circo é uma destas obras. Apontado como um dos filmes menos politizados de Chaplin (e de fato, é uma das obras mais “descompromissadas” do diretor), O Circo é um dos ápices do diretor no que se refere ao uso do humor visual, da criação de gags criativas, as quais apenas alguém como Chaplin era capaz de criar. Neste sentido, não há como negar: O Circo é uma das grandes comédias da história, e algumas das melhores risadas do Cinema se encontram aqui.

Como sempre, Chaplin parte de uma premissa simples, mas quase tragicômica: o Vagabundo chega a um picadeiro que não se encontra em uma de suas melhores fases. Mas o dono do circo, ao perceber a facilidade com que o Vagabundo conseguia arrancar risadas da plateia, contrata o maltrapilho para trabalhar junto com a trupe, e logo o mesmo se apaixona pela filha do proprietário do circo, o que o leva a confrontá-lo pelo direito de ter a garota.

Nas entrelinhas, Chaplin debate o jogo de interesses e a desvalorização do talento do indivíduo, ou mais especificamente, o diretor elabora uma crítica à exploração trabalhista. Mas este discurso acaba ficando em segundo plano (o que em nenhum momento é algo negativo), com a atenção sendo voltada aos objetivos de Chaplin em trazer os mais diversos tipos de reações do público às suas gags, gerando diversas gargalhadas.

E que gargalhadas! Em seus míseros 71 minutos, Chaplin cria uma reserva de algumas das melhores gags do cinema, muitas delas mesclando momentos de tensão e nervosismo, e que com o passar dos anos, foram deveras copiadas e/ou parodiadas. Se você acha que já viu a cena do Vagabundo preso na jaula do leão em algum desenho animado, não acredite que seja mera coincidência.

Chaplin também preenche o filme com sua costumeira ternura e sensibilidade, sabendo desenvolver seu protagonista através de artifícios bastante econômicos, mas definitivos. O Vagabundo nos é apresentado não apenas como uma figura ingênua e abestalhada, mas como um ser humano como qualquer outro, capaz até de alguns atos condenáveis, como no início da projeção, quando o personagem tenta ficar com uma carteira que não é sua.

Em resumo, O Circo é mais grande exemplo da força expressionista de Chaplin e da arte a qual ele era devoto. Embora possa parecer um de seus filmes “menores”, O Circo sempre será lembrado como um dos grandes filmes de Charles Chaplin.





O Circo (The Circus, EUA, 1928)

Roteiro: Charles Chaplin
Direção: Charles Chaplin

Elenco: 
Charles Chaplin, 
Henry Bergman, 
Tiny Sandford, 
Al Ernest Garcia, 
George Davis, 
Merna Kennedy, 
Harry Crocker, 
John Rand, 
Steve Murphy

Duração: 71 min.


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Festival Chaplin - Dia de Pagamento

Charlie Chaplin- Pay Day (1922)




A trama retrata um operário (Charlie) no dia que recebe seu salário.








Portal Cinema

Sinopse

Charles Chaplin faz um operário que se diverte nos salões, mas ele acaba tendo dificuldades quando sua esposa descobre que em seu chapéu há todo o dinheiro de seu pagamento que ainda ele não o tinha feito. Com pouca dedicação ao próprio trabalho e uma esposa controladora, acompanhamos o protagonista utilizando praticamente todo seu dinheiro até o dia seguinte.


Elenco

Charles Chaplin - Operário

Phyllis Allen - Esposa

Mark Swain - Capataz

Edna Purviance - Filha do capataz

Syd Chaplin - Amigo de Charlie

Albert Austin - Trabalhador

John Rand - Trabalhador

Loyal Underwood - Trabalhador



Ficha técnica

Estúdio: Chaplin Studios
Distribuição: First National
Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Charles Chaplin
Produção: Charles Chaplin
Fotografia: Roland Totheroh
Direção de arte: Charles D. Hall
Figurino: Mother Vinot
Edição: Charles Chaplin (não-creditado)



....

Crítica




Guilherme Coral



Preferido pelo próprio Chaplin dentre seus curta-metragens, Dia de Pagamento já reflete a qualidade que veríamos em seus subsequentes longas, adotando uma linha narrativa clara, que mantém seu espectador entretido não só pelas gags, como pelo próprio carisma do ator/diretor. A trama retrata um operário (Charlie) no dia que recebe seu salário. Com pouca dedicação ao próprio trabalho e uma esposa controladora, acompanhamos o protagonista utilizando praticamente todo seu dinheiro até o dia seguinte.

A força da obra está na forma como retrata simples situações de forma cômica, utilizando, muitas vezes, a própria montagem para constituir o humor. O mais notável destes exemplos é Charlie empilhando os tijolos que são jogados pelo seu companheiro de trabalho. O protagonista os apanha com os pés, mãos, dobra dos joelhos. Aqui já podemos observar outra grande qualidade do curta: sua objetividade. Ele não peca pelo exagero, repetindo piadas ou estendendo-as por longos períodos de tempo, que poderiam, em última instancia, cansar a audiência.

O grande atrativo de Dia de Pagamento, contudo, não está propriamente dito em suas gags e sim na temática, que fisga o espectador através da identificação deste pelo protagonista. Para tal, o trabalho de direção de Chaplin é essencial, conseguindo tirar convincentes situações através da própria atuação e condução dos outros personagens da trama. Muito do humor vem simplesmente da movimentação dentro de quadro, reiterando a dificuldade de cada composição e a precisão como tudo é retratado.

Outro destaque vai para as cenas noturnas, que facilmente constituem o ponto alto da obra. A iluminação aqui apresentada facilmente salta aos olhos da audiência, exibindo uma iluminação traseira de forte impacto, que perfeitamente constrói o clima de devassidão apresentado em tais sequencias. Além disso, o trabalho de cenário já nos remete aos posteriores longas do diretor, trazendo um maior grau de detalhes e, também, um próprio destaque dentro da narrativa, sendo utilizado para compor muitas das piadas apresentadas ao longo da projeção.

O último dos curtas de Charlie Chaplin, Dia de Pagamento, é um filme cativante, seja pelo seu clássico personagem, seja pelo preciso trabalho de direção. Sua qualidade é evidente, tornando-se evidente na fotografia e no próprio roteiro, que nos conduz por uma jornada cômica fechada em si mesma. Não é curto ou longo, sendo da duração necessária para nos fazer ver e rever cada minuto de sua produção.

Dia de Pagamento (Pay Day – EUA, 1922)
Direção: Charlie Chaplin
Roteiro: Charlie Chaplin
Elenco: Charles Chaplin, Phyllis Allen, Mack Swain, Edna Purviance, Syd Chaplin
Duração: 21 min.



sábado, 5 de agosto de 2017

Festival Chaplin - Ombro, armas!

Charlie Chaplin- Shoulder Arms (1918)




"Lá em cima em quinze minutos."

"A trincheira capturada."

"Como você capturou TREZE?"

"Eu os cerquei."








Título Original: Shoulder Arms.
Gênero: Comédia, Guerra.
País: Estados Unidos.
Estrelas: Charles Chaplin, Edna Purviance, Syd Chaplin.


Data de lançamento: 20 de outubro de 1918 (mundial)

Direção: Charlie Chaplin

Roteiro: Charlie Chaplin

Cinematografia: Roland Totheroh

Música composta por: Charlie Chaplin



Shoulder Arms é um filme mudo de curta metragem estadunidense de 1918, escrito, produzido, dirigido e protagonizado por Charles Chaplin. É o segundo filme de Chaplin para a First National Pictures.


Sinopse:

Carlitos é um soldado americano lutando na França durante a I Guerra Mundial, um recruta que vira herói e é convocado para uma perigosa missão que se localiza nas linhas inimigas. Num lance de sorte, depois de capturar 13 soldados alemães e, com a ajuda de uma francesa, consegue também prender o Kaiser. Na volta para casa, é reconhecido como herói e homenageado com uma parada em Nova Iorque.


Elenco:

Charles Chaplin .... recruta
Edna Purviance .... moça francesa
Syd Chaplin .... sargento/ kaiser
Jack Wilson .... príncipe da Alemanha
Henry Bergman .... ´sargento alemão
Albert Austin .... soldado norte-americano / soldado alemão / motorista do kaiser
Tom Wilson .... sargento treinador de campo
John Rand .... soldado norte-americano
J. Parks Jones .... soldado norte-americano
Loyal Underwood .... oficial
Ray Hanford .... soldado (não-creditado)




.....



cine história: 
Ombros e Armas

Salada de Cinema


Chico Paiva



A partir de hoje, a coluna Cine História passará a abordar três obras do gênio do cinema: Charlie Chaplin. A ideia é fazer um passeio por três filmes do autor em um espaço de tempo que vai de 1918 até 1940, período comumente chamado pelos historiadores de “entre guerras”.

O primeiro filme é o quase desconhecido: “Ombros e Armas” (Shoulder Arms), de 1918 – em que o autor adere ao esforço da primeira guerra mundial (1914 – 1918) juntamente como outros diretores de Hollywood.

O filme conta a história de um recruta interpretado pelo próprio Chaplin que é representado pelo personagem Carlitos, imortalizado pelo diretor. Logo no início do filme, temos a sensação de que a ida do recruta para o conflito será uma catástrofe, já que o tipo desengonçado deste soldado garante ao telespectador boas risadas, geradas por uma sequência de trapalhadas muito bem ensaiadas aos moldes da comédia, bem feita, do cinema mudo de Chaplin.

Em seguida, o soldado é enviado ao front, em especial na França, onde tropas dos países aliados lutavam contra os alemães e austro-húngaros. Basicamente, a primeira guerra foi uma fusão das formas arcaicas de combate, avistando uma tecnologia armamentícia nascente. Um contexto que misturava trincheiras e aviões; neste conflito que entrou para a história como um dos mais cruéis de todos os tempos.

Entrincheirado, Chaplin retrata o dia a dia dos soldados que tinham que enfrentar todos os tipos de dificuldades e desafios de guerra. Ao longo do filme, também podemos notar que o autor vai conduzindo o personagem principal ao crescimento ascendente: o desajeitado vai dando lugar a um soldado hábil na arte da guerra.

Chaplin sofreu muitas críticas na época por parte dos intelectuais britânicos que afirmavam que o diretor havia fugido do conflito, por não ter se alistado como voluntário a favor do seu país, a Inglaterra. O filme, em certa medida, é uma resposta indireta e bem criativa a este grupo.

Se por um lado, “Ombros e Armas” é um esforço a favor dos aliados, por outro, percebemos uma crítica contundente com relação ao cotidiano e as péssimas condições de vida dos soldados. Neste filme, o sofrimento e o heroísmo transmitem ao telespectador sentimentos diferentes quanto às características e consequências da guerra. Vale a pena conferir já que a obra é um marco importante de cinema de registro de guerra.

Na próxima quinzena, trarei ao leitor do Salada de Cinema outra obra importante de Chaplin. Aguardem a próxima coluna, e tenham um bom filme!




quarta-feira, 26 de julho de 2017

Festival Chaplin - O grande ditador

Charlie Chaplin - O grande ditador (1940)




"Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! 

Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos. 

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade!"

Charles Chaplin 









"O Brasil arrastava-se, mas agora erguer-se-á!
A democracia está podre!
A liberdade é detestável!
A liberdade de palavra é contestável!
Sacrifiquemo-nos para permanecermos grandes!
Apertemos os cintos!"

( a história não termina... só diz até breve.)






O Grande Ditador



1940 ‧ Drama/Comédia dramática ‧ 2h 6m

Um barbeiro judeu passa anos em um hospital do exército se recuperando de suas feridas após ter servido na guerra, sem saber do crescimento de poder do ditador fascista Adenóide Hynkel e suas políticas antissemitas. Quando o barbeiro retorna ao seu bairro tranquilo, ele fica atordoado com as mudanças…

Data de lançamento: 15 de outubro de 1940



Prêmios: New York Film Critics Circle Award de Melhor Ator





Personagens...


Charles Chaplin - Adenoid Hynkel / Barbeiro judeu

Jack Oakie - Benzino Napaloni

Reginald Gardiner - Comandante Schultz

Henry Daniell - Garbitsch

Billy Gilbert - Marechal Herring

Grace Hayle - Madame Napaloni

Carter DeHaven - Spook (embaixador bacteriano)

Maurice Moscovitch - Sr. Jaeckel

Emma Dunn - Sra. Jaeckel

Bernard Gorcey - Sr. Mann







Crítica

?Interrogação

O Grande Ditador (1940), de Charles Chaplin



Por Emanuela Siqueira



Em 1940 a Segunda Guerra Mundial estava há 5 anos de oficialmente terminar. Nesse ano o cineasta Charlie Chaplin lançava O Grande Ditador (The Great Dictator, USA, 1940), com um dos roteiros mais ousado, engraçado e com forte crítica social sobre esse momento que realmente marcou a história do cinema.

Logo nos créditos iniciais de O Grande Ditador somos avisados que a semelhança entre os personagens do filme com a realidade é uma mera coincidência, o que sabemos não ser verdade. Chaplin apresenta dois personagens fisicamente idênticos, mas em situações opostas. Adenoid Hynkel é o grande ditador da Tomânia, uma nação que afundada numa crise passa a crer em coisas como grandes líderes e raças superiores. Já o outro, o intitulado barbeiro de judeus (Carlitos), é o típico desajeitado que perdeu a memória na guerra e não entende o que está acontecendo em Tomânia e mais precisamente no gueto em que vive.

O enredo de O Grande Ditador é incrível, trazendo o paralelismo da vida dos dois personagens, ambos interpretados por Chaplin, que funcionam como caricatos cômicos das figuras centrais da época. Hynkel e o Barbeiro nunca se encontram, mas suas vidas estão interligadas, pois a vida de um sempre acaba estando em jogo com as decisões do outro.

Nas primeiras cenas vemos o personagem de Carlitos em meio a guerra, sempre perdido com cenas cômicas do front. Chaplin deixa claro a banalização com a seriedade da guerra e o mal uso das supostos poderes bélicos. Logo isso fica ainda mais nítido com as cenas de discussão, sobre acordos de “paz”, entre Hynkel e o narcisista Benzino Napaloni, ditador de Bactéria, uma clara referência entre a relação de Hitler com Benito Mussolini da Itália.

O Grande Ditador é cheio de cenas que remetem às situações de tensão que a Segunda Guerra Mundial causava e, Chaplin fez disso uma película em que tudo parece mais cômico se visto desse ângulo inocente que a comédia traz. Para reforçar os gestos caricatos dos dois personagens principais o diretor abusa das cenas longas, e um pouco exageradas, como os discursos fervorosos de Hynkel numa língua incompressível. O filme foi o primeiro do diretor usando o som das vozes. Chaplin acreditava que o som iria mudar o expressionismo do cinema, o tornando mais banal.

Na filmografia do diretor havia o clássico Tempos Modernos, de 1936, que já o mostrava como pai das sátiras sociais. Dizendo que a vida era uma comédia se vista de perto, fez de seus filmes obras de arte, sem nenhum tipo de gratuidade, e muito representativas sobre os fatos que estavam mudando o curso da humanidade. E mesmo com toda essa “leveza” Chaplin foi exilado dos EUA, por conta desse filme.

O Grande Ditador é um clássico pela criatividade e ousadia do diretor. Em um período em que as artes pisavam em ovos e o cinema era limitado pelo cinema-propaganda-totalitário, ele produziu/dirigiu/atuou em um filme que até hoje parece ousado demais, porém com a subjetividade suficientemente sensível para a época.

Enquanto, nesta época, muitos filmes, livros e obras americanos preferiam visar apenas o entretenimento, O Grande Ditador é marcado pela crítica social e falta de sentido do futuro. A arte da época foi marcada pelas caricaturas do que poderia vir a ser o futuro, como fica claro em outras obras do diretor e em obras literárias visionárias que retratam o totalitarismo como 1984, de George Orwell.







existe sentido num futuro sem solidariedade, um presente que vive do sofrimento dos outros? é assim que devemos viver ? um mundo de muros e guetos?





"Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar a todos - se possível - judeus, o gentio... negros... brancos. 

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades. 

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido. 

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A próxima natureza dessas coisas é um apelo eloquente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. 

Aos que me podem ouvir eu digo: "Não desespereis!" A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá. 

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! 

Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos. 

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! 

No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice. 

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos."




terça-feira, 25 de julho de 2017

Festival Chaplin - O Garoto

Charlie Chaplin- O Garoto (1921)











O Garoto

1921 ‧ Drama/Comédia dramática ‧ 1h 8m

Uma mãe abandona seu filho com um bilhete em uma limusine, mas o carro acaba sendo roubado e a criança é deixada em uma lata de lixo. Um vagabundo encontra o bebê e passa a cuidar dele. Cinco anos depois, a mulher tenta encontrar o filho perdido.

Data de lançamento: 6 de maio de 1921 (Brasil)
Direção: Charlie Chaplin
Roteiro: Charlie Chaplin
Companhia(s) produtora(s): First Nacional
Música composta por: Charlie Chaplin


Elenco 

Charlie Chaplin
Charlie

Jackie Coogan
The Kid

Edna Purviance
The Woman

Lita Grey


Henry Bergman
Professor Guido, Night S...





Smile - Charlie Chaplin

Smile

Charlie Chaplin




Sorria, embora seu coração esteja doendo
Esse é o tempo que você tem que continuar tentando





Michael Jackson



Este vídeo foi feito há algum tempo por chaplinsviolin, com a música composta por Charlie Chaplin na voz de Michael Jackson.




Sorria


Sorria, embora seu coração esteja doendo
Sorria, mesmo que ele esteja partido
Quando há nuvens no céu,
Você conseguirá...


Se você sorrir
Com seu medo e tristeza
Sorria e talvez amanhã
Você verá o sol brilhando para você


Ilumine seu rosto com alegria
Esconda qualquer traço de tristeza
Embora uma lágrima possa estar tão próxima
Esse é o tempo que você tem que continuar tentando
Sorria, o que adianta chorar?
Você descobrirá que a vida ainda continua
Se você apenas sorrir


Este é o momento que você tem que continuar tentando
Sorria, de que adianta chorar?
Você descobrirá que a vida ainda continua
Se você apenas sorrir



Composição: Charles Chaplin





Nat King Cole






Saxophone cover






David Sanborn






José C. Simões





Chaplin, que compôs a música, com a ajuda do compositor David Raksin foi inspirado por uma sequência no primeiro ato do dueto de amor. Na letra, baseada em versos e temas do filme, a cantora diz ao ouvinte para se animar e que sempre haverá um amanhã brilhante, desde que sorria. Os letristas foram Geoffrey Parsons and John Turner, Carles Chaplin adicionou a letra e o título em 1954.
"Sorrir" tornou-se um padrão popular desde seu uso original no filme de Chaplin e foi gravado por vários artistas.[