sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Auto-ajuda: Verte desnuda

Federico García Lorca


À terra voltar para viver de novo, aflorar a febre nas raízes do ventre da tua nudez escancarada que ninguém nem vê. O touro derrama-se em sangue, o poeta derrama-se em versos e você derrama na sua nudez as violetas do amor e dos lábios da agonia... outro abismo e a mesma eternidade. Tua pele lisa me faz compreender a ânsia da vida e da terra, a liberdade e a dor profunda da luta, tua pele lisa me ensina o medo da morte e da espada. Tua pele lisa me ensina que lírios são espadas.



Casida de la mujer tendida




Verte desnuda es recordar la tierra.
La tierra lisa, limpia de caballos.
La tierra sin un junco, forma pura
cerrada al porvenir: confín de plata.

Verte desnuda es comprender el ansia
de la lluvia que busca débil talle,
o la fiebre del mar de inmenso rostro
sin encontrar la luz de su mejilla.

La sangre sonará por las alcobas
y vendrá con espada fulgurante,
pero tú no sabrás dónde se ocultan
el corazón de sapo o la violeta.

Tu vientre es una lucha de raíces,
tus labios son un alba sin contorno,
bajo las rosas tibias de la cama
los muertos gimen esperando turno.



Lamento per Ignacio Sánchez Mejías





La Casada Infiel




LA CASADA INFIEL
*Federico García Lorca*

Voz: Issar Ramón Aguilera

Y que yo me la llevé al río
creyendo que era mozuela,
pero tenía marido.
Fue la noche de Santiago
y casi por compromiso.
Se apagaron los faroles
y se encendieron los grillos.
En las últimas esquinas
toqué sus pechos dormidos,
y se me abrieron de pronto
como ramos de jacintos.
El almidón de su enagua
me sonaba en el oído,
como una pieza de seda
rasgada por diez cuchillos.
Sin luz de plata en sus copas
los árboles han crecido
y un horizonte de perros
ladra muy lejos del río.

Pasadas las zarzamoras,
los juncos y los espinos,
bajo su mata de pelo
hice un hoyo sobre el limo.
Yo me quité la corbata.
Ella se quitó el vestido.
Yo el cinturón con revólver.
Ella sus cuatro corpiños.
Ni nardos ni caracolas
tienen el cutis tan fino,
ni los cristales con luna
relumbran con ese brillo.
Sus muslos se me escapaban
como peces sorprendidos,
la mitad llenos de lumbre,
la mitad llenos de frío.
Aquella noche corrí
el mejor de los caminos,
montado en potra de nácar
sin bridas y sin estribos.
No quiero decir, por hombre,
las cosas que ella me dijo.
La luz del entendimiento
me hace ser muy comedido.
Sucia de besos y arena
yo me la llevé del río.
Con el aire se batían
las espadas de los lirios.

Me porté como quién soy.
Como un gitano legítimo.
La regalé un costurero
grande, de raso pajizo,
y no quise enamorarme
porque teniendo marido
me dijo que era mozuela
cuando la llevaba al río.


Romance sonámbulo





Cancion Otoñal





La Internacional




"Tierra y Libertad" (Ken Loach)





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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

O amô qui se carrega nos bolso

Ensaio 24B
baitasar
O siô Menino avançava pela rua da Praia, os passo aumentava sem tê conta disso, é sempre assim, quando se tá indo pelo prazê de tá indo, o caminho é mais comprido, fica mais crescido e a vontade de chegá é maió  qui a decisão de caminhá. O amô se derrama a cada passo, o coração acelera. E o amô é o coração. A saudade súbita do espírito faz da estrada uma longa estrada. O siô queria sê o vento nas árvore derrubando as folha, era preciso sê mais rápido qui os passo pra encurtá o tempo e diminui a distância.
O assovio avivava, ia antes dos passô do siô.
Enfiava e desenfiava as mão nos bolso das calça. Pensô se devia deixá um bigode se alargá embaixo do nariz, resmungo qui teria onde colocá os dedo pra desviá atenção do nervosismo das mão, acomodaria uns carinho nele mesmo, mudaria as máscara. Tinha os motivo pra tê o bigode, mais não era o tempo de decidí. Aumentô os passo e diminuiu o assovio. O decisório sobre o bigode deixava pra depois, não se toma por decidido no caminho de tanta agitação, resolvê tê bigode é decisório sério, muda té os feitio de conversá. Isso é depois, agora é outra trama.
Deixô o faro desembuchá, seguia na frente das vista, quase juntinho do assovio, o tino do nariz alargava a trilha. Foi quando pressentiu os perigo da obra santa, diminuiu os passo, parô o assovio, levô a mão direita té a testa, a esquerda ficô trancada no bolso, depois a direita foi no peito, ombro esquerdo, por fim de todo aquele respeito, no direito, Em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Atravessô a frente da obra protegido, acreditava qui tava apadrinhado, Afinal, o amparo do custeio que a obra recebe, um bom pedaço é do meu ajutório, está certo que um bocadinho carrego de volta, mas o que fica deve ter algum valor na confiabilidade do céu.
Malandro agoniza, mais não morre.
Voltô a apressá a caminhadura, fungô as venta e aguçô as ferramenta dos ouvido, tinha puxado o aroma do bom lugá, era farejadô de moça muito bem treinado, O gato mia, o boi muge, o leão ruge, o Menino assovia, não tenho cadeias nos tornozelos e nas mãos, sinhá puta Maria Cobra, dona das moças mais tenras e animadas da Vila, o arrendador está chegando, mal terminô de se anunciá pra ele mesmo, dobrô na rua Sete Pecados, largada atravessada entre a rua da Praia e a rua Formosa, sentiu qui tava em casa. Começô brotá os pensamento mais desaforado qui lhe cabia cismá, como fosse da missa a reza e o ofertório, O entusiasmo da vida e as confusões da mentira se vive com atrevimento desavergonhado, sem pena de não ser mais um cordeiro da carnificina, mas é preciso rezar pedindo para ficar sem remorso e sem pecado, amém.
Esfregô as mão e entrô sem batê, nunca deixô sê anunciado na casa, gostava de chegá desavisado, o maravilhamento da intimidade sem-pudor, o portal da sem-vergonhice, a nudez de atrevimento das moça
—        Meninas, chegô o conde Humaitá! — mais o anúncio da Maria Cobra colocava a casa em alvoroço, gostava de usá a titulação da nobreza, dava mais respeito pros negócio, depois recomendava — Ele precisa sê cuidado com mais atenção, afinal, é da nobreza.
O conde fazia o divertimento do gracejo parecê lhe incomodá, mais se parecia com a cadela vira-lata Poesia, atirada no chão, as patinha erguida, esperando agrado de meiguice na barriga, vez qui outra recebia o agrado e mijava no ladrilho de terra, latia, mais não mordia
—        A dona moça sempre de exagero.
Maria Cobra fez jeito de seriedade, té pareceu incomodada, como se fosse fazê discurso na tribuna dos representante, gingô o corpo de um lado pra outro, pareceu qui ia montá o conde, falô devagá, aveludô a voz
—        Tudo pra lhe deixá com o contentamento adocicado.
O conde tava como a cadela Poesia, deitado de costa, as patinha erguida, a língua de fora e os olhinho fechado, louco qui as mão das moça desabotoasse suas calça, doido pra se mijá
—        A dona moça me exagera com seus mimos.
Entregou-se
—        O conde Humaitá merece o gosto do doce na boca.
Maria Cobra ofereceu uma tábua de cortá carne com pedaço da rapadura do melado, junto ofereceu o decote do vestido qui male-male cobria os biquinho dos peito
—        Pra comecá lhe tirar o azedume da rua e prepará para os quitutes da casa.
O conde pediu o melhó dos vinho qui tinha na casa, sem desgrudá as vista dos peito derramando pra fora do vestido, não queria elogiá antes das mão tocá nem queria perdê das vista.  
O Raposa chegô com o vinho, vinha tocando sua gaita de boca, colocô o garrafão na mão do siô. O conde olhô o vidro, depois fez gesto de cheirá o vinho, pareceu aprová o gosto do cheiro, té qui virô no copo da Maria Cobra e na sua caneca, entregô o vinho pro Raposa e ordenô qui todos fosse servido — Abra esse, também! — tirô do bolso na casaca o vinho da degola na Irmandade — Minha pequena contribuição para o nosso recomeço.
A casa tava cheia
—        Quando terminarem pode abrir outro.
As menina tinha gosto de brincá com o conde, fazê festa das boas-vinda
—        O conde chegou! O conde chegou!
O siô Menino olhô no redó e reparô qui a movimentação tava grande, o entra e sai dos quarto não deixava as menina pará. Maria Cobra parecia tê reunido os homem de importância da Vila na sua casa de pecado. Ela usava os cliente pra não tê incomodação, tinha menina qui fazia o serviço de atendimento na casa do freguês, Se a montanha não sai do lugá, o jeito é caminhá até a montanha
—        Boas noite, sinhô conde...
—        Boas noite, delegado! — precisava lembrá de investigá como o delegado degoladô lhe tomou a frente, Não vou perder tempo com investigação do delegado, por hora, que tenho afazeres dos mais apetitosos para apreciar.
Ele dormia vez qui outra com a dona do seu título, dizia, no bem da verdade, na maioria das vez, teve gosto de deitá com siá Casta, Mas lhe falta uns desatino das puta, no fim e ao cabo de tudo, todo mundo perdia e ganhava, umas tinha e outras não tinha o tal dos desatino, umas tinha e outras não tinha o brio da fidalguia, não se pode ter tudo em tudo.
As mão do conde fervia, o coração acelerava, tava impacientado, as vista ia e vinha nas menina, era o desassossego das vontade, a siá Casta havia de lhe perdoá. Maria Cobra pediu qui o preto Raposa tocasse mais alto e pulô no colo do conde, grudô a boca na boca do conde
—        O que o conde procura?
O conde agarrô suas anca, as duas mão prendeu com força um lado e outro da Maria Cobra, sentiu os dedo enfiado nas carne da mulhé, viu qui os biquinho se arrepiavam junto com os pelo do braço, Isso não tem preço, pensô e quase qui viu os brio lhe dando umas piscadela
—        O conde não faz ideia de quantas vezes agarram o meu traseiro...
—        Lhe agarram assim?
—        Às vezes, mas o conde não tá atrás do meu traseiro.
Pronto, chegô a hora de dizê a razão da vontade de tê vindo
—        Não vi a pretinha nem a alemoinha... tão de atendimento, suponho... é uma pena...
A mulhé lhe acariciava o rosto com os biquinho
—        Não, conde... elas foram pro resguardo.
—        Adoeceram? — as vista do siô entristeceram de verdade, tinha muito causo de alegria com as menina, gostava de sê servido pela preta e a branca, apreciava serví a preta e a branca
—        Não! — a Maria Cobra bateu com os nó dos dedo na madeira e cuspiu no chão, procurava fazê o espanto do azá da palavra mal falada do conde, toc toc toc — Esconjura o satanás!
Fez o sinal da sorte por três vez, repetia qui não era supersticiosa, mais qui precisava revertê os acontecimento negativo. O mau agouro não pode deixá de sê eliminado, jogado pra fora. Não gosta de desafiá o destino
—        É coisa mais simples. Quando chegô o noticiário que o conde andava nas rua da Vila, elas foram se guardá pra sua visitação.
A condessa das puta levantô
—        Na dúvida, se o sinhô Menino aparecia ou não aparecia, acharam melhó ficá guardadas: paciência e fé.
O conde Menino abriu o sorriso escancarado da satisfação, esse pensamento cuidadoso merecia uma recompensa — Amanhã, ordeno que o escravo Josino traga algumas estampas de tecido, as meninas escolhem no seu gosto.
O amô do conde não se derrama em verso, não lembra o qui pensa antes de abrí as vista do sono, faz um tempo danado qui não tem sonho, ele carrega o amô nos bolso

—        Vai mandar as meninas?
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Ensaio 23B - Uma garrafa de vinho

Ensaio 25B - O Poesia

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Auto-ajuda: Vira vira pelados... que se dane o agourento namorado

Mamonas Assassinas


Pau da barraca torto deixa a barraca torta. Mão na bunda and has not eaten anyone...
O corpão violão como um doce de coco deixa o coração legauzão. Pra que se casar? Engraçada, quer compartilhar o docinho de coco, mas não gostou da minha calça do Paraguai, minha tara erótica. A morena simpática monamour é um paradoxo do pretérito imperfeito. E a loira? Não tá fácil esquecer aquela loira forte de escort... morenas e loiras são as areias do destino. Diga sim diga sim, ah minha preta, você é o meu xuxuzinho.
Você me deixa doidão, is very good...


Pelados em Santos




Robocop Gay




Vira-Vira




Money




Lá Vem o Alemão








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Auto-ajuda: O desassossego de viver e não saber ter vida

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terça-feira, 15 de outubro de 2013

Literatura: Teatro

Qorpo-Santo


Qorpo-Santo, Teatro Completo.
           São Paulo: Iluminuras, 2001.
















sábado, 12 de outubro de 2013

Auto-ajuda: O desassossego de viver e não saber ter vida

Fernando Pessoa


Uns governam o mundo, outros são o mundo.







Nasci em um tempo em que a maioria dos jovens haviam perdido a crença em Deus, pela mesma razão que os seus maiores a haviam tido - sem saber porquê.


Haja ou não deuses, deles somos servos.


Dormimos a vida.







Tinha-me levantado cedo e tardava em preparar-me para existir.





O coração, se pudesse pensar, pararia.

A quem vivendo não sabe ter vida.

Tenho que escolher o que detesto - ou o sonho, que a minha inteligência odeia, ou a acção, que a minha sensibilidade repugna; ou a acção, para que não nasci, ou o sonho, para que ninguém nasceu.

... e o meu sossego é feito de resignação.

... uma alma mais cansada do que os olhos.

Pedi tão pouco à vida e esse mesmo pouco a vida me negou.

Nós nunca nos realizamos.
Somos dois abismos - um poço fitando o céu.

Nestas impressões sem nexo, nem desejo de nexo, narro indiferentemente a minha autobiografia sem factos, a minha história sem vida.

Reconheço, não sei se com tristeza, a secura humana do meu coração.

Mas às vezes sou diferente, e tenho lágrimas, lágrimas das quentes dos que não têm nem tiveram mãe; e meus olhos que ardem dessas lágrimas mortas ardem dentro do meu coração.

O criador do espelho envenenou a alma humana.

À força de viver de imaginar, gasta-se o poder de imaginar, sobretudo o de imaginar o real. Vivendo mentalmente do que não há nem pode haver, acabamos por não poder cismar o que pode haver.

Sofro de não sofrer. Vivo ou finjo que vivo? Durmo ou estou desperto? Uma vaga aragem que sai fresca do calor do dia, faz-me esquecer tudo. Pesam-me as pálpebras agradavelmente....

Toda a paisagem não está em nenhuma parte.

Entrei no barbeiro no modo do costume, com o prazer de me ser fácil entrar sem constrangimento nas casas conhecidas. A minha sensibilidade do novo é angustiante: tenho calma só onde já tenho estado.

Será Deus uma criança muito grande? O universo inteiro não parece uma brincadeira, uma partida de criança travessa?

Acordo para saber que existo...

As misérias de um homem que sente o tédio da vida do terraço da sua vila rica são uma coisa; são outra coisa as misérias de quem, como eu, tem que contemplar a paisagem do meu quarto num 4º andar da Baixa, e sem poder esquecer que é ajudante de guarda-livros.

Tive sempre uma repugnância quase física pelas coisas secretas - intrigas, diplomacia, sociedades secretas, ocultismo. Sobretudo me incomodaram sempre estas duas últimas coisas - a pretensão que têm certos homens, de que, por entendimento com Deuses ou Mestres ou Demiurgos, sabem - lá entre eles, exclusos todos nós outros - os grandes segredos que são os caboucos do mundo.

Ofende-me o entendimento que um homem seja capaz de dominar o diabo e não seja capaz de dominar a língua portuguesa. Por que há o comércio com os demônios de ser mais fácil que o comércio com a gramática?

Como todos os apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente.

Só uma vez fui verdadeiramente amado. Simpatias, tive-as sempre, e de todos. Nem ao mais casual tem sido fácil ser grosseiro, ou ser brusco, ou ser até frio para comigo. Algumas simpatias tive que, com auxílio meu, poderia - pelo menos talvez - ter convertido em amor ou afecto. Nunca tive paciência ou atenção do espírito para sequer desejar empregar esse esforço.









Este livro é a biografia de alguém que nunca teve vida...







Não vejo, sem pensar.

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Mais Auto-ajuda:

Auto-ajuda: Mafalda

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