sábado, 10 de agosto de 2024

Ensaio - a dois passos do céu, as pernas tremendo: 03

primeiro dia

baitasar

E se chover... a terra voltará a ficar mole? E o dique vai suportar? Desta vez, não suportou. E as bombas vão continuar as mesmas? O desmatamento vai continuar livre e solto? Vamos continuar acreditando nas mesmas mentiras? A falta de manutenção não é crime? Vão continuar com a vontade insaciável de derrubar o muro? Vamos seguir resmungando sem pensar? E os oportunistas de plantão?

Não existem respostas fáceis, meu filho, Me sinto péssimo, mãe, Todos estamos nos sentindo assim, O que fazer, então, É preciso pensar, Esses tipos de sempre, Talvez sim, talvez não, quem sabe... querem que pensemos assim, Pai, estou perdido, só sei o que não quero,  Isso já é um começo, meu filho, Vamos dormir, meu bem.

amanheceu mais um dia cinzento

e o dalton, aluno do terceiro ano do médio, chega se anunciando, Ehaaí, Gustavo, os dois se cumprimentam, são meus colegas de turma, jamais me adularam, sempre os mesmos juntos, nos mesmos lugares, tudo normal, estávamos de volta, mas não éramos mais os mesmos

o aperto das mãos anuncia aquele pequeno encontro de atitude, um soco encurtado e frágil de mútuo consentimento, o ritual da tribo permanecia, me pergunto sobre o que ainda continuava

gente, eu sei que não parece, mas sou o mais moço dos três, também sou grande e o mais feio, aquele cara em que as garotas não se deitam no mesmo lençol, tenho quinze anos, às vezes, me sinto fora do lugar e do tempo, muito triste, sei lá, sinto um frio como se tivesse sessenta, e viajando no tempo com esses quinze anos, é isso, têm momentos em que estou sonhando fora do lugar para mais, outras vezes grito para menos, nem sempre faço o meu melhor

sentamos no mesmo banco de cimento desde o primeiro dia do primeiro ano, eles com sete, eu com seis anos, é bastante tempo observando o futuro duvidoso, imaginando loucuras e mascando chicles sem fazer nada, sobrevivendo aos alinhamentos pedagógicos – como sei sobre esses alinhamentos pedagógicos? sou filho de professores – com suas chamadas, avaliações, conselhos, gritos temáticos, risos recortados e avisos urgentes, para ser sincero, só não suporto professor sem paixão que não se arrisca fora do script, acomodado, medroso, gosto daqueles que nos levam para ver o sol se esconder, apreciar estrelas, complicam menos, enchem meu coração

Como vai tudo, Mauro?

senti vontade de chorar e dizer adeus, queria voltar, mas ainda não estou pronto, dá pra imaginar o medo da chuva no silêncio da noite, Fique calado, pensei, desatento a resposta pro dalton

Uma merda...

e esse sol que não vem, tudo ainda é frio, muito frio, pouco sol, os dias não estão fáceis, a vida devia ser melhor, o mau cheiro se espalhando, montanhas de entulho 

Sei... observamos as meninas e marcamos os chicles com dentes brancos e jovens, mordemos e vigiamos, os cabelos estão diferentes, não usamos mais o cabelo arrepiado e empastado de gel, tudo mais simples e curto, uma sequência dégradée contínua da altura do corte, suas intensidades formando uma transição suave entre as partes, bem normal, não é nada original, Fodam-se! Estivemos dois passos do inferno... estou só esperando pela noite longa pra poder chorar por mim e por nós, os afogados.

antes do aguaceiro usávamos calças folgadas, um número acima, nesta nova versão, estamos ajustados às calças desocupadas e doadas, a tempestade ainda não estava distante o suficiente, o medo deixa luzes acessas

eu, com o meu metro e noventa... por aí, parecia mais velho naquela pequena tribo, continuava com espinhas, cravos e a cara indecifrável, um nojo, pelo menos, eu me sentia nojento, por certo, os demais sentiam o mesmo, mas enfim, julgava ser uma troca justa, já que aturava suas súplicas de ajuda nas provas, tudo oportuno e proveitoso, algumas coisas não mudam

faço o estilo altíssimo magro, feio e fraco, acho que já disse isso, tudo bem repetir, as mentiras se repetem mais que as verdades, sou aquele sujeito que nenhuma garota vai fazer nada pra chamar minha atenção, eles, ao contrário, têm o charme fortão, músculos saltando, à vista de todas, muitos chicles e nem mesmo precisam dizer nada pra agradar

gustavo e dalton observam tudo por trás dos óculos ray-ban, só usam acessórios de marca importada às escondidas pela fronteira paraguaia, dignos representantes dos predadores desatinados, às vezes, por ser cedo, outras vezes, por ser tarde demais, ficamos sozinhos no banco de cimento, gustavo com armação dourada e o dalton com seus óculos de armação vermelha como brasas de cigarro, são garotões bonitos, ninguém fingirá dizer isso pra mim, não dou motivo pra tanto, me aproveito deles

nossas caras são todas conhecidas, o medo nelas é a novidade

sujeitos como eu, independente do que aconteça, não têm a menor chance ao lado desses garotos bonitos, a vida é isso mesmo, eu finjo não me importar, não fazer caso

Olhem aquela ali...

Quem, perguntei, esperançoso de algum reconhecimento como um jovem macho alfa, perigoso e atraente que desafia às regras comuns da atração e comportamento, uma tempestade magnética silenciosa do segundo sol realinhando as órbitas dos planetas, com meu jeans, camiseta branca, músculos que não tenho para mostrar e aquele olhar que não tem explicação, parecendo saber um segredo que o mundo inteiro quer descobrir

um rosto feio com um charme intrigante, um furacão sem todo o tempo do mundo, um sorriso devastador que desafia e exige escolhas diferentes, anuncia que não é tempo perdido enquanto saboreamos aquela sobremesa ao final de um jantar

capaz de rir de mim mesmo, mas incapaz de mudar o mundo girando ao meu redor se assim o mundo deseja, pronto para gargalhadas, compaixão e até um pouco de confusão desajeitada como uma obrigação inevitável em frangalhos, um lembrete colorido que a vida é uma paixão bem-humorada com um toque de audácia, trazendo mais cores ao cotidiano

A Mariá... foi a resposta imediata do gustavo, fez um sinal à esquerda, olhei surpreendido, lá vinha ela toda bonitinha de blusinha branca, aparecendo do nada, continuei lutando com meus pensamentos, O amor não tem hora, não tem explicação, ele até se esconde, se deixa fingir como um bobo, uma distância tão pequena e tão longe, quis chamar, não disse nada, não sou um lobo mau, só quero ser feliz, gosto muito desta menina, é lindinha daquele jeito que dá vontade de ficar olhando, escutando as vozes do coração, quero uma chance saboreando com o olhar até ficar em frangalhos, hoje eu tô me repetindo adoidado

nunca senti o gosto de um beijo, acho que isso é um motivo para viver, quem sabe um anjo do céu me trás você

É menina muito parceira, a voz do gustavo está doce, sei que posso contar com essa gatinha a qualquer hora.

o dalton tirou seus óculos vermelhos, continuamos sentados sob a imensa figueira, a vida passando, ele deixa em seu olhar uma pequena nuvem de dúvida, Você tem certeza?

Ela é muito especial, foi a resposta acalorada, você não sabe quanto essa garota caminhou até chegar aqui.

Entendi, sutilmente disfarçou sua inveja, fechou os olhos e apenas deixou que sua voz fosse levada cheia de ironia nas entrelinhas, senti como se o mundo acabasse ali

confesso que imaginei vozes no meu deserto, estava perdendo minha chance de viver, nuvens escuras estavam lá no céu, no mesmo lugar, a menina bonita caminhando com seus olhos negros na sombra da figueira sob o amanhecer, Deixa eu te amar, a menina mais linda de toda escola, a mais bela com seus olhos negros, quero teu cheiro dos cabelos em meu rosto... vamos fugir, menina!

minhas pernas tremiam, mal conseguia ficar em pé, ela entrava em mim e colava meus pedaços

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segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Nasci para ser triste - Chet Baker

I've Never Been in Love Before - Chet Baker








I've never been in love before
now all at once it's you
it's you forever more

I've never been in love before
I thought my heart was safe
I thought I knew the score

But this is wine
It's all too strange and strong
I'm full of foolish song
And out my song must pour

So please forgive this helpless haze I'm in
I've really never been
in love before

[horn solo]

But this is wine
It's all too strange and strong
I'm full of foolish song
And out my song must pour

So please forgive this helpless haze I'm in
I've really never been
in love before


Chesney Henry "Chet" Baker, Jr. (23 de dezembro de 1929 -- 13 de maio de 1988) foi um trompetista, flugelhornista e cantor de jazz americano. Na década de 1950, Baker ganhou muita atenção e elogios da crítica, particularmente por álbuns com seus vocais, como Chet Baker Sings. O historiador de jazz David Gelly descreveu a promessa do início da carreira de Baker como aparentemente representando "James Dean, Sinatra e Bix, reunidos em um... 
http://en.wikipedia.org/wiki/Chet_Baker




Chet Baker 
- Born to be blue (1964)





Algumas pessoas foram feitas para viver no trevo
Some folks were meant to live in clover
Mas elas são umas poucas escolhidas
But they are such a chosen few
E trevos, sendo verdes
And clovers being green
É algo que eu nunca vi
Is something I've never seen
Porque eu nasci para ser triste
'Cause I was born to be blue


Quando há uma lua amarela acima de mim
When there's a yellow moon above me
Dizem que há um luar que eu deveria ver
They say there's moonbeams I shoul view
Mas o luar, sendo dourado
But moonbeams being gold
É algo que eu não posso contemplar
Are something I can't behold
Porque eu nasci para ser triste
'Cause I was born to be blue


Quando eu te conheci
When I met you
O mundo era claro e ensolarado
The world was bright and sunny
Quando você foi embora, a cortina caiu
When you left the courtain fell
Eu gostaria de rir
I'd like to laugh
Mas nada me parece engraçado
But nothing strikes me funny
Agora meu mundo é um cinza desbotado
Now my world's a faded pastel


Acho que sou mais sortudo do que algumas pessoas
I guess I'm luckier than some folks
Eu conheci a emoção de te amar
I've known the thrill of loving you
E isso por si só é mais
But that alone is more
Do que para o que eu fui criado
Than I was created for
Porque eu nasci para ser triste
'Cause I was born to be blue


Quando eu te conheci
When I met you
O mundo era claro e ensolarado
The world was bright and sunny
Quando você foi embora, a cortina caiu
But when you left the courtain fell
Eu gostaria de rir
I'd like to laugh
Mas nada me parece engraçado
But there's nothing that strikes me funny
Agora meu mundo é um cinza desbotado
Now my world's a faded pastel


Acho que sou mais sortudo do que algumas pessoas
I guess I'm luckier than some folks


Composição: Mel Tormé / Robert Wells





Ethan Hawke estrela como a lenda do jazz Chet Baker em BORN TO BE BLUE 
- Trailer oficial [HD]






I've Never Been in Love Before 
- Ethan Hawke






CHET BAKER 
- My Funny Valentine





Stan Getz and Chet Baker 
- Parte do concerto em Stockholm, Feb/18/1983





Autumn Leaves 
- Chet Baker & Paul Desmond 





Chet Baker "No alla droga sì al jazz" (Rai 1980) rara intervista in italiano




sábado, 3 de agosto de 2024

Ensaio - cartão magnético: 02

primeiro dia

baitasar

têm coisas que não mudam, se você não paga o aluguel vai ser despejado, se você é um coitado perdedor e aposta pesado vai acabar engolindo terra, loira ou preta, jovem, bem vestida e gostosa não entra na minha vida, um merda romântico, não tem jeito, nunca vou ter um apartamento de luxo, curto cachorro-quente e muita mostarda apimentada, também não tenho nenhuma robustez carnuda, acho uma chatice ficar levantando aqueles ferros sempre mais pesados, as mangas das minhas camisas são bem largas, as calças também, às vezes parece que não tenho pernas, só as calças

por sorte, ainda não estou trabalhando nem tenho espinhas

tudo para algumas pessoas é serem obedecidas, sentem falta de darem ordens, realmente se excitam, se pudessem chicotear com seus cintos nossas pernas, bunda e coxas, nos deixariam tremendo e chorando; afinal, uma escola sem disciplinador não é respeitada como uma escola que ensina de verdade

um dos disciplinadores – sempre é um homem, pelo menos aqui – fica no portão para nos lembrar que depois que entramos pertencemos às regras da escola, não tem mesa-redonda, polêmica ou contestação, Regras precisam ser obedecidas, é o que nos repetem e repetem e repetem, é isso, aceitamos ou não entramos, ficamos nas ruas – ou pior, seremos aceitos em alguma escola pública da periferia com suas regras militarizadas, como aqui, também controladora das vontades com seus hinos, símbolos da família, deus e pátria, muito cinismo, mas sem os mesmos recursos

com sorte – não gosto muito da ideia de confiar na sorte – encontramos um lugar com aparência agradável, sem gaiolas para nos obrigar a ficar olhando juntos na mesma direção, alguma escola que mais conversa do que manda, acho que elas existem espalhadas por aí, lugares em que parece que a vida é maravilhosa, um milagre de bonita, mágica, pássaros nos galhos verdes, festa e alegria, cantando juntos, tagarelando na sombra das folhas da vida pulsando, sonhando pingos de cores, brincando, acariciando o coração, observando outras caturritas, pombas e pardais pelo pátio, as notas de uma sinfonia barulhenta, e ao entardecer o sol se despedindo, a dança nas árvores cedendo, aguardando a luz plena de outro dia, para mais risos e voos entre suas paredes

por aqui, querem nos ensinar como sermos sensatos, lógicos, responsáveis, práticos, intelectuais e cínicos, nos mostram um mundo clínico, mas pouco confiável, Cuidado ou o mundo engole vocês, estou me lixando para esse mundo estúpido, na maior parte do tempo estamos dormindo, as perguntas não se aprofundam, e o que aprendemos é que não sabemos quem somos, mas logo saberemos, viva o teste vocacional

manos, não sou das bagunça pela bagunça, longe disso, mas confiaria mais – também não é bem assim –, obedeceria sem uma inquietação maior se as regras também fossem discutidas com alunos e alunas, desconfio de qualquer um que se impõe sobre os demais e não aceita conversar sobre suas ideias, suas regras são para serem seguidas sem trocação, sem contestação – a teoria do controle ou descontrole

hoje, o primeiro dia do retorno desta parada selvagem da destruição geral

a catraca não está funcionando

antes dessa fartura de água, existiu o modo seco e quente, conforme íamos chegando, passávamos o cartão magnético na catraca do portão, um cartão magnético comum com foto, nome e código de barras, o registro da nossa presença, tudo muito eficiente e limpo até chegarem as águas

muitos dos que chegavam no carro do papai e da mamãe estão aprendendo a conhecer as ruas do bairro à pé, tudo muito quieto e silencioso

no horário anunciado o portão é fechado – hoje, vamos ter tolerância para atrasos –, os retardatários entram na escola somente pela portaria dos visitantes

o pátio segue cercado por prédios – cheirando à tinta fresca – e árvores tristes e feridas, os reencontros são muitos

lá está o profe Tiago

Ehaaí, Gustavo?

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Café da manhã e o rodeio dos desgarrados

Leonardo

acordei com uma vontade danada 
de escutar 
as coisas da minha terra 
na voz e autoria do 
Leonardo

"Uma chamarra 
uma fogueira 
uma chinoca 
uma chaleira 
uma saudade 
um mate amargo"


Uma chamarra, uma fogueira
Uma chinoca, uma chaleira
Uma saudade, um mate amargo
E a peonada repassando o trago
Noite cheirando a querência
Nas tertúlias do meu pago.

Tertúlia é o eco das vozes perdidas no campo afora
Cantiga brotando livre novo prenúncio de aurora
É rima sem compromisso, julgamento ou castração
Onde se marca o compasso no bater do coração.

É o batismo dos sem nome rodeio dos desgarrados
Grito de alerta do pampa tribuna de injustiçados
Tertúlia é o campo sonoro sem fronteira ou aramados
Onde o violão e o poeta podem chorar abraçados.






Letra e Música: Leonardo
Ritmo: Chimarrita
Gaita e Voz: Edson Dutra, Luis
Bombo Leguero e Voz: Tadeu Paim "Iti"
Violão e Voz: Ênio Rodrigues
Violão Base e Voz: Everton "Toco" Dutra





Amigo, chegue pra perto do rancho
Desculpe se eu me desmancho em bordoneios de pinho
Amigo, não tenho frases de efeito
Só tenho um fogo no peito me queimando de mansinho
Amigo desculpe o mate lavado
É que eu passei acordado com uma dor no coração
Amigo, eu estou desesperado
E todo o pranto chorado caiu no meu chimarrão.

Não procure dizer nada, amigo,
Só escute o que eu falar
Quem tem o peito em ferida,
Quem perde a razão da vida precisa desabafar;
Não repare quando eu choro, amigo,
É que o meu mate secou
E a minha alma fervente
Vai servir mate quente na cuia que ela deixou.

Amigo, você que vive deserto
Com quem ama sempre perto há de me dar seu perdão
Desculpe, se eu choro quando converso
É que nada é mais perverso que a morte de uma ilusão.
Amigo, meu coração caborteiro
Se embretou num potreiro com aramados de espinhos;
Amigo, mesmo com mate lavado
Fique um pouco do meu lado pra que eu chore sozinho.





*Acordeon - REGIS 
  Baixo -NIVALDO 
  Ritmo -CARLOS ADENIR 
  Violão -DILSON 
  Violão -BONITINHO

  Letra e Música: Leonardo 

*Ritmo: Milonga



Gaúcho Macho




Música de autoria de Leonardo.
Músicos Participantes:
Cristiano Teixeira: Bateria e percussão
Régis Marques: Acordeom
Oscar Soares: Violões, cavaquinho, baixo e orquestração
Marli, Mirian, Cristiano, Oscar e Leonardo: Vocais



A história do cantor gaúcho Leonardo 
- Linha Campeira





Nasceu em 30 de novembro de 1938, na Vila de Santa Tereza, em Bagé. Filho de Lídia Teixeira e pai desconhecido. Pela dificuldade em criar, acabou vivendo em lar adotivo.
Teve que trabalhar, desde cedo na lavoura e no campo, com gado e plantações. Mas sempre a veia artística pulsava forte. Tanto que chegou a vencer um concurso infantil de calouros nos anos 40.
Depois lá por 1957 se muda pra Porto Alegre em busca da sua mãe (que só muito mais tarde, acabaria encontrando). E na capital, passa a viver de changa, dormia e comia onde pudesse, chegando a dormir em bancos de praça.
Certa feita estava passando na frente de um circo, onde tinha uma placa: “Precisa-se de um palhaço”. Não perde a oportunidade e assume o papel de “Palhaço Sabugo” por um tempo. Neste mesmo circo foi onde aprendeu a tocar violão e cantar.
É no ano de 1959 que Jader vira Leonardo. Pois ele forma uma dupla com Leopoldo Lino dos Santos: a dupla de musica sertaneja “Leopoldo e Leonardo”. Em São Paulo gravam três discos voltados para o mercado nacional. Depois em 62, troca de parceiro e faz a dupla Leonardo e Lenoir, só que nunca chegaram a gravar nada juntos.
Em 1964, de volta ao Rio Grande, percebeu a grande força da música regional gaúcha que se estruturava e que buscava mercado próprio.
Aí conhece os irmãos Elmo e Bruno Neher e integra o grupo “Os Três Xirus”. E já de vereda atingem o sucesso com a música “Baile da Coceira”. E o sucesso foi internacional, por que foram, em 1965, para Portugal em uma feira e a música foi a mais tocada naquele ano lá.
Em 1971, com o grupo “Os Três Xirus”, faz o show de abertura da I Califórnia da Canção de Uruguaiana, sendo, portanto, o primeiro músico a cantar no palco principal.
Em 1975, depois de vários anos de sucesso, com dez discos gravados, sendo três em alemão para a colônia gaúcha, deixa “Os Três Xirus”, passando a integrar o conjunto “Os Vacarianos”. No final desse ano, resolve retomar a carreia solo.
Em 1978, compõe “Céu, Sol, Sul, Terra e Cor” e vence a III Ciranda Teuto Rio-Grandense de Taquara, acompanhando pelo conjunto “Os Mirins”.
Em 1979, começa a série de gravações individuais com o disco “Leonardo”, pela K-Tell. No ano de 1981 lança o LP “O Fumo”.
Em 1982, vence a Califórnia da Canção de Uruguaiana, com “Tertúlia”, acompanhado pelo conjunto “Os Serranos”.
Lança o LP “Bagual de Chácara”, pela Discos Chororó. Prossegue em intensa série de show e lança o LP “Viva a Bombacha”, pela Chanteler.
Em 1984 sai pela Gravações Elétricas, o LP “Morocha Não”, cuja canção título era uma resposta à humorística “Morocha”, surgida em festivais.
Em 1986 vence a Ciranda das Cirandas, festival que fazia um balanço de dez anos, onde concorriam as vencedoras de cada ano. Leonardo havia vencido com “Céu, Sol, Sul, Terra e Cor”, em 1978. Lança o LP “Carta à Uruguaiana”, pela Chanteler.
Em 1987, recebe o título de “Compositor do Ano”, do Sindicato dos Compositores. Sai pela ACIT, o disco comemorativo “Leonardo – 25 Anos”.
Em 1989 lança o LP “Passo Fundo, Tchê”, pela ACIT. Um ano após, lança o disco “21 Grande Sucessos”, pela ACIT.
Em 1991 Lança o disco “Aos desgarrados do pago”, pela ACIT.
Dois anos após, lança o disco “O analista bem perto de Bagé”, mais uma vez pela ACIT. Em 1994 lança o disco “Vivências” pela ACIT. Três anos após, vence o Festival Ronco dos Roncos, em São Francisco de Paula.
Em 1997 Lança o CD “Exageros de Gaúcho”, pela USA Discos.
Em 1998, de volta à ACIT, lança “O Homem do Pala Branco”. Um ano após, recebe o troféu “Guri”, da RBS, como destaque do ano. Lança o CD “As Mais Premiadas”, pela ACIT.
Em 2000 a canção “Céu, Sol, Sul, Terra e Cor” é escolhida em enquete popular realizada pelo jornal Zero Hora como a “Música Símbolo do Rio Grande do Sul”, entre as principais músicas do século XX. Retornando à USA Discos, lança o CD “Dança do Maribondo”.
Em 2001 lança o CD “Só Sucessos”, pela USA Discos. Dois anos após, lança o CD “Os 16 Grandes Sucessos”, pela ACIT.
Em 2004 lança o CD “Pátria Azul”, pela Agevê Music.
Em 2008 lança o CD “Só Sucessos - Acústico”, pela USA Discos.
Dois anos após, em 2010, lança o CD “35 Mega Sucessos”, pela Mega Tchê.
Foi casado duas vezes e teve um filho: Jader Moreci Teixeira Filho. E ele partiu pra querencia eterna em 7 de março de 2010, de Viamão, devido a complicações decorrentes de um sério problema renal que ele tinha.
Fontes de pesquisa:
http://cassioglopes.blogspot.com/2019...
https://www.letras.com.br/leonardo-%2...




Baile da Coceira



Baile da Coceira · Os 3 Xirus · Leonardo · Bruno Neher




Céu, Sol, Sul, Terra e Cor




agora um mate amargo neste céu sol sul terra e cor



Eu quero andar nas coxilhas
Sentindo as flenchilhas das ervas do chão
Ter os pés roseteados de campo
Ficar mais trigueiro com o Sol de verão
Fazer versos
Cantando as belezas desta natureza sem par
E mostrar para que quiser ver
Um lugar pra viver sem chorar!

É o meu Rio Grande do Sul
Céu, Sol, sul, terra e cor
Onde tudo que se planta cresce
E o que mais floresce é o amor

Eu quero me banhar nas fontes
E olhar horizontes com Deus
E sentir que as cantigas nativas
Continuam vivas para os filhos meus
Ver os campos florindo
E crianças sorrindo, felizes a cantar
E mostrar para quem quiser ver
Um lugar pra viver sem chorar

É o meu Rio Grande do Sul
Céu, Sol, sul, terra e cor
Onde tudo que se planta cresce
Onde mais floresce é o amor


domingo, 28 de julho de 2024

Comece o seu dia com café da manhã em Paris ~ ☕

Jazz relaxante para um melhor humor


Bom dia, amantes da música! Comece o seu dia com essa encantadora compilação de relaxantes melodias instrumentais de jazz. Mergulhe no ambiente romântico do Morning Paris enquanto saboreia sua xícara de café e lê seu livro favorito. Deixe as melodias suaves e as batidas rítmicas elevarem seu humor e definirem o tom perfeito para um dia produtivo e alegre pela frente. Pegue seu café, sente-se e deixe a música transportá-lo para as ruas hipnotizantes de Paris. Entregue-se a esta deliciosa experiência musical e torne cada manhã verdadeiramente mágica. E aproveite as Olimpíadas, transporte-se para Paris.






Tracklist do canal Sweet Jazz Music

00:00 Albert Behar - French Kiss
02:30 Albert Behar - Joie De Vivre
04:47 Theo Gerard - La Loire
06:56 Albert Behar - Old World Charm
08:48 Roo Walker - Crème Brûlée
10:27 Jonny Boyle - Carefree In France
13:01 Giulio Fazio - Don't Forget My Accordion
15:20 Albert Behar -Les Yeux Bleus
17:22 Albert Behar - Le Petit Café
19:09 Jonny Boyle - Swing Cuisine
21:40 Giulio Fazio - A Night In Paris
25:30 Albert Behar - Sunshine Waltz
27:27 Giulio Fazio - Hiccup Waltz
29:05 Albert Behar - La Vita Bella
31:32 Giulio Fazio - Cheeky Little Ones
33:42 Jonny Boyle - Tres French
36:41 Theo Gerard - My Baby And Me
39:05 Giulio Fazio - Would You Like A Drink
41:45 Giulio Fazio - Café Crémiux
44:14 Albert Behar - Joie De Vivre
46:35 Jonny Boyle - Carefree In France
49:12 Jonny Boyle - Guitars De France
51:43 Jonny Boyle - Funny In France
54:32 Albert Behar - Joie De Vivre
56:54 Albert Behar - French Kiss