segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Victor Hugo - Os Miseráveis: Mário, Livro Terceiro - O avô e o neto / III - Requiescat

Victor Hugo - Os Miseráveis

Terceira Parte - Mário

Livro Terceiro — O avô e o neto

     III - Requiescat 
     
          O salão de Madame de T... era tudo quanto Mário de Pontmercy conhecia no mundo, a única abertura pela qual podia ver a vida, mas abertura sombria por onde recebia mais frio do que calor, mais escuridão do que claridade.
      Esta criança, que, quando principiou a frequentar aquela estranha sociedade, era toda alegria e luz, dentro em pouco tornou-se triste, e, o que ainda é mais impróprio desta idade, grave.
     Ao ver-se rodeado de todas aquelas pessoas respeitáveis e singulares, circunvagava a vista em torno de si com ar espantado e ao mesmo tempo sério. Tudo contribuía para lhe aumentar esse seu pasmo. Frequentavam o salão de Madame de T... algumas senhoras idosas, respeitáveis, pertencentes à nobreza, chamadas Mathan, Noé, Levis, que se pronunciava Levi, Cambis, que se pronunciava Cambyse. Aqueles rostos antigos e estes nomes bíblicos misturavam-se no espírito dele com o que aprendia de cor no seu compêndio do Antigo Testamento, e quando todas elas se achavam sentadas em volta do fogão quase apagado, à mortiça claridade de um candeeiro, velado por um para-luz de cor verde, que apenas deixava entrever as suas figuras severas, os seus cabelos russos ou brancos, os seus compridos vestidos de outro tempo, de que mal se distinguiam as lúgubres cores, pronunciando de espaço a espaço palavras majestosas ou severas, o pequeno Mário contemplava-as com olhar desvairado, julgando ver, não mulheres, mas patriarcas e magos, não seres reais, mas fantasmas.
     A estes fantasmas juntavam-se ainda muitos padres frequentadores daquele salão, e grande número de fidalgos como o marquês de Sassenay, secretário de Madame de Berry; o visconde de Valory, que sob o pseudónimo de Carlos Antônio publicava odes monorimas; o príncipe de Beauffremont, que conquanto ainda muito novo, tinha os cabelos russos, e uma mulher bonita e espirituosa, que com os seus vestidos de veludo escarlate e alamares de ouro, sumamente decotados, deixava atónitas aquelas trevas; o marquês de Coriolis de Espinouse, o homem de França que melhor sabia «as proporções da civilidade»; o conde de Amendre, pobre homem, com cara de paz de alma; e o cavaleiro de Port de Guy, pilar da biblioteca do Louvre, chamada o gabinete do rei. O senhor de Port Guy, calvo e com mais indícios de ter envelhecido do que de ser velho, contava que em 1793, tendo ele então dezesseis anos, havia sido condenado às galés como refratário, onde o seu companheiro de grilheta era o bispo de Mirepoix, também refratário, mas este como padre, ao passo que ele era-o como soldado. Consistia a sua tarefa nas galés em ir de noite buscar ao cadafalso as cabeças e os corpos dos que de dia eram guilhotinados. Carregavam com aqueles corpos ensanguentados e as suas véstias vermelhas de forçados tinham nas costas uma crusta de sangue, pela manhã seca, mas à noite húmida.
      Eram frequentes no salão de Madame de T... estas histórias trágicas e à força de maldizerem Marat aplaudiam Trestaillon. Ali iam jogar a sua partida de whist alguns deputados sem par, como Thibord du Chalard, Lemarchant Gomicourt e o célebre deputado epigramático da direita Cornet-Dincourt. Via-se às vezes naquele salão o balio de Ferre e, com os seus calções curtos e perninhas delgadas, de caminho para casa do senhor de Talleyrand. O balio tinha sido o companheiro de prazer do conde de Artois, e, ao inverso de Aristóteles, posto de cócoras sobre Campaspe, fizera andar a Guimard sobre as mãos e os pés, mostrando assim aos séculos a desforra de um filósofo feita por um balio.
     Quanto aos padres, era o abade Halma o mesmo a quem Larose, seu colaborador no Raio, costumava dizer: «Ora adeus! Quem não tem cinquenta amos? Só alguns desses pintalegretes que por aí andam». O abade Letourneur, pregador régio, o abade Frayssinous, que ainda não era conde, nem bispo, nem ministro, nem par, e que andava com uma batina velha e sem botões, e o padre Keravenant, abade de S. Germain-des Prés; além destes, o núncio do Papa, que então era Monsenhor Macchi, arcebispo de Nisibis, depois cardeal, e notável pelo seu comprido nariz de homem meditabundo, e outro Monsenhor intitulado abbate Palmieri, prelado doméstico, um dos sete protonotários participantes da Santa Sé, cónego da insigne basílica de S. Libério, advogado dos santos, postulatore di santi, o que se refere aos negócios da canonização e pouco mais ou menos quer dizer referendário da secção do paraíso. Finalmente, dois cardeais, os senhores de la Luzerne e de Clermont-Tonnerre. O senhor de la Luzerne era escritor, e mais tarde devia ter a honra de assinar no Conservador a par de Chateaubriand; o senhor de Clermont-Tonnerre era arcebispo de Tolosa e vinha frequentes vezes a Paris passar algum tempo de folga em casa de seu sobrinho, o marquês de Tonnerre, que foi ministro da marinha e da guerra.
     O cardeal de Clermont-Tonnerre era um velho prazenteiro que gostava de arregaçar a batina para deixar ver as suas meias encarnadas; o seu forte consistia em odiar a Enciclopédia e jogar o bilhar, de que era apaixonadíssimo; de modo que as pessoas que naquele tempo passavam nas noites de Verão pela rua de Madame, onde era então o paço de Clermont-Tonnerre, paravam para ouvir o choque das bolas e a voz aguda do cardeal, que gritava ao seu conclavista, Monsenhor Cottret, bispo in par bus de Caryste: «Marque lá esta carambola, abade».
     O cardeal de Clermont-Tonnerre nha sido apresentado no salão de Madame T... pelo seu amigo mais íntimo, senhor de Roquelaure, antigo bispo de Senlis e um dos quarenta da academia. O senhor de Roquelaure era respeitável pela sua elevada estatura e pela sua assiduidade na academia; através da porta envidraçada da sala, onde a academia celebrava então as suas sessões, podiam os curiosos contemplar todas as quintas-feiras o antigo bispo de Senlis, de ordinário de pé, com os cabelos empolvilhados, de meias roxas, e com as costas voltadas para a porta, talvez, segundo parecia, para melhor mostrar o bordado da volta.
     Todos estes eclesiásticos, posto que, pela maior parte, tinham tanto de cortesãos como de padres, aumentavam a gravidade do salão de Madame de T..., cujo aspecto senhorial acentuavam cinco pares de França, o marquês de Vibraye, o marquês de Talaru, o marquês de Herbouville, o visconde de Dambray e o duque de Valentinois.
     Este duque de Valentinois, posto que príncipe de Mónaco, isto é, príncipe soberano estrangeiro, fazia tão elevada ideia da França e do pariato, que via tudo através dele. Era ele que dizia: «Os cardeais são os pares de França de Roma, os lords são os pares de França de Inglaterra». Não obstante tudo isto, aquele salão feudal, visto que neste século em tudo mete mão a revolução, era dominado, como já dissemos, por um burguês, por Gillenormand, que era quem nele reinava.
     Era aquela a essência e quinta essência da sociedade branca de Paris, que só após a permanência em quarentena dava entrada às grandes reputações, mesmo realistas que fossem. Nas reputações há sempre anarquia. A entrada de Chateaubriand ali produziria o mesmo efeito que a do padre Duchène. Todavia, eram por tolerância admitidos naquela ortodoxa sociedade alguns trânsfugas conversos, um dos quais era o conde Beugnot, como que recebido em castigo.
     Os salões «nobres» do tempo de agora não têm semelhança nenhuma com aqueles. O bairro de S. Germano de hoje cheira a patarata. Os realistas de agora, digamo-lo para honra sua, são demagogos.
     Como a sociedade que frequentava o salão de Madame de T... era superior, também o gosto era fora do comum e desdenhoso, sob capa de polido. Os seus costumes eram acompanhados de toda a espécie de requintes involuntários que constituíam o antigo regime, enterrado, mas vivo ainda. Alguns desses costumes, sobretudo na linguagem, pareciam extravagantes, a ponto que os conhecedores superficiais tomariam por provincianismo o que não era mais que vetustez.
     Chamava-se a uma dama senhora generala. Senhora coronela também não era inteiramente desusado. A encantadora Madame de Leon, decerto em memória das duquesas de Longueville e de Chevreuse, preferia essa denominação ao seu título de princesa. A marquesa de Crequy também tinha adoptado o nome de senhora coronela.
     Foi esta pequenina sociedade alta a que inventou nas Tulherias o requinte de dizer, falando com o rei em particular, el-rei na terceira pessoa, e nunca vossa majestade, visto ter sido manchado pelo usurpador este segundo tratamento.
     Ali eram julgados os fatos e os homens e se escarnecia do século, o que dispensava de compreendê-lo. No pasmo auxiliavam-se mutuamente e uns aos outros comunicavam as luzes que cada um possuía. Era Matusalém explicando o que sabia a Epiménides, o surdo pondo o cego ao fato do que se passava. O tempo decorrido desde Coblentz não se contava. Do mesmo modo que Luís XVIII por graça de Deus, se achava no vigésimo quinto ano do seu reinado, os emigrados também de direito estavam no vigésimo quinto ano da sua adolescência.
      Era um todo harmônico; ninguém vivia de mais; a palavra era apenas um sopro; o jornal, de acordo com o salão, parecia um papiro. Havia mancebos ali, mas estavam meios mortos. As librés da antecâmara mostravam claramente os estragos do tempo. Aqueles personagens, imagens do passado, eram servidos por criados da mesma espécie. Tinham todos o aspecto de quem viveu há muito e que se obstina contra o sepulcro. Conservar, Conservação, Conservador, eis no que, com pequena diferença, consistia o seu dicionário; estar bem ou mal conceituado, o que exprimiam por estar em bom ou mau cheiro, era toda a questão. Efetivamente, havia aromas nas opiniões daqueles veneráveis grupos e as suas ideias cheiravam a vergamota. Era uma sociedade de múmias. Os amos estavam embalsamados, os criados empalhados.
     Uma marquesa velha, emigrada e sem nada de seu, apesar de não ter senão uma criada, continuava a dizer: «Os meus criados».
     Que faziam estes personagens no salão de Madame de T...?
     Eram ultras.
     Ser ultra; esta frase, apesar de não ter ainda desaparecido aquilo que ela representa, não é hoje, todavia, bem compreendida. Desçamos a explicações.
     Ser ultra quer dizer ir além. É atacar o ceptro em nome do trono e a mitra em nome do altar; é levar aos trambolhões o carro que se puxa, fazê-lo ir aos solavancos, em vez de o fazer rodar; é invectivar a fogueira por causa da queima dos hereges; é censurar ao ídolo a sua pouca idolatria; é insultar por excesso de respeito; é achar no papa pouco papismo, no rei pouco realismo e luz de mais nas trevas; é não gostar do alabastro, nem da neve, nem do cisne, nem do lírio, e dizer que só gosta da brancura; é ser sectário de uma causa a ponto de se tornar inimigo dela; é ser tão forte a favor que se vem a ser contra.
     O espírito ultra é o principal característico da primeira fase da restauração.
     Não existe na história nada semelhante a esse quarto de hora que principiou em 1814 e terminou em 1820, com a subida ao poder do senhor de Villelle, o homem prático da direita.
     Estes seis anos foram um momento extraordinário, ao mesmo tempo ruidoso e sereno, risonho e sombrio, como que iluminado pelo clarão da aurora e simultaneamente coberto das trevas das grandes catástrofes, de que ainda se viam as sombras carregadas, escondendo-se lentamente nos horizontes do passado. No meio daquela luz e daquela sombra houve um mundozinho novo e velho, folgazão e triste, juvenil e senil, esfregando os olhos, porque não há nada mais parecido com o acordar do que o voltar; grupo que olhava para a França com gesto carrancudo e ao qual a França encarava com ironia; as ruas atulhadas de pobres mochos velhos feitos marqueses, dos que tinham chegado e dos que vinham vindo, dos estupefatos «doutrora», de nobres e honrados fidalgos, que sorriam de se ver em França e ao mesmo tempo choravam; transportados de prazer por verem de novo a terra da pátria e desesperados por não tornarem a encontrar a sua monarquia; a nobreza das cruzadas olhando com desprezo a do império, quer dizer a nobreza da espada; as raças históricas deixando de entender a história; os filhos dos companheiros de Carlos Magno desdenhando dos companheiros de Napoleão. As espadas, como acabamos de dizer, insultavam-se mutuamente; a espada de Fontenoy tornou-se risível e apenas uma ferrugenta; a espada de Marengo tornou-se odiosa e apenas um sabre. Outrora esquecia-se de ontem. Não existia já o sentimento do que era grande, nem o sentimento do que era ridículo.
     Houve quem a Bonaparte chamasse Scapin. Esse inundo, porém, já não existe. Nada resta hoje dele, repetimos. Quando acaso evocamos dele alguma das suas figuras e tentamos fazê-la reviver pelo pensamento, parece-nos estranho como um mundo antidiluviano. É que efetivamente o mundo de que falamos ficou abismado por um dilúvio. Desapareceu debaixo de duas revoluções. Que torrente a das ideias! Como ela cobre rapidamente o que tem por missão destruir e sepultar, e como cava depressa abismos terríveis!
      Tal era a fisionomia dos salões desses cândidos tempos que já lá vão, nos quais Martainville tinha mais espírito do que Voltaire.
     Estes salões tinham uma literatura e uma política propriamente sua. Os seus frequentadores acreditavam em Fievée e recebiam as leis de Agier. Faziam comentários a Colnet, o publicista alfarrabista do cais Malaquais. Napoleão era unanimemente o Papa gente da Córsega. Mais adiante a introdução na história do marquês de Bonaparte, tenente-general dos exércitos reais, foi uma concessão ao espírito do século.
      Estes salões, porém, não permaneceram muito tempo no seu estado de pureza. Em 1818 começaram a despontar neles alguns doutrinários, sintoma assustador. O característico desses era serem realistas e desculparem-se de o serem. Daquilo que os ultras se ostentavam orgulhosos, mostravam-se os doutrinários alguma coisa envergonhados. Os doutrinários tinham talento e eram calados quando convinha; o seu dogma político era temperado com suficiente dose de arrogância; tinham de ser bem sucedidos. Abusavam, mas ultimamente, dos excessos da gravata branca e da casaca abotoada. Todo o mal ou toda a desgraça do par do doutrinário foi criar a juventude senil. Além do que temos dito, tomavam atitudes de sábios e todas as suas aspirações eram enxertar um poder temperado no princípio absoluto e excessivo. Opunham e algumas vezes com rara inteligência, ao liberalismo demolidor um liberalismo conservador. Frequentes vezes se lhes ouvia dizer: «Graças ao realismo que bastantes serviços nos prestou, conservando a tradição, o culto, a religião, o respeito! O realismo é fiel, honrado, cavalheiresco, dedicado, afetuoso, e ainda que forçadamente, vem unir às grandezas novas da nação as grandezas seculares da monarquia. Faz mal em não compreender a revolução, o império, a glória, a liberdade, as ideias novas, as novas gerações, enfim, o século. Mas o mal de que nós o acusamos, não poderia o realismo acusar-nos dele também? A revolução de que somos herdeiros, deve entender tudo. Atacar o realismo é o contrassenso do liberalismo. Que erro e que cegueira! A França revolucionária faltando ao respeito à França histórica, quer dizer, a sua mãe, a si mesma! Depois do 5 de Setembro trata-se a nobreza da monarquia como depois do 8 de Julho se tratava a nobreza do império. Eles foram injustos para com a água, nós somos injustos para com a flor de lis. Querem, visto isso, ter sempre alguma proscrição a fazer? Que utilidade há em desdourar a coroa de Luís XIV, em riscar o brasão de Henrique IV? Nós rimo-nos do senhor de Vaublanc, que riscava os NN da ponte de lena? E ele que fazia? O que nós fazemos. Tanto nos pertence Bouvines como Marengo. Tão nossas são as flores de lis como os NN. É o nosso patrimônio. Para que havemos de cerceá-lo? Tão grande dever nos assiste de não renegarmos a pátria no passado, como de a não renegarmos no presente. Porque não havemos de querer toda a história? Porque não havemos de amar toda a França?»
      Era assim que os doutrinários criticavam e protegiam o realismo, que não gostava de se ver criticado e se enfurecia de se ver protegido.
     Os ultras assinalaram a primeira época do realismo; a congregação caracterizou a segunda. À impetuosidade sucedeu a astúcia. Demos por concluído aqui este esboço.
     No decurso da narração, o autor deste livro achou no seu caminho este momento curioso da história contemporânea; não pôde deixar de lhe lançar um olhar de passagem e reproduzir alguns dos lineamentos singulares desta sociedade hoje desconhecida. Fá-lo, porém, rapidamente e sem nenhuma ideia de azedume ou irrisão. São apenas recordações afetuosas e cheias de respeito, porque lhe fazem lembrar sua mãe e o prendem a esse passado. Além disso, diga-se em abono da verdade, aquele mundo pequenino tinha tal ou qual grandeza. Podem rir-se dele, mas não podem odiá-lo nem desprezá-lo. Era a França de outrora.
     Mário Pontmercy estudou o que estudam todas as crianças. Quando saiu das mãos de sua tia, a filha mais velha de Gillenormand, este confiou-o a um digno professor da mais pura inocência clássica. Aquela alma tenra, pois que mal ia a desabrochar, passou das mãos de uma invencioneira para as de um pedante. Mário frequentou as aulas preparatórias no colégio e em seguida entrou para a Faculdade de Direito. Mário era realista, fanático e austero. Tinha pouca amizade ao avô, cuja jovialidade e cinismo o constrangiam, e tornava-se sombrio quando lhe falavam no pai.
     No fim de tudo era um rapaz ardente e frio, nobre, generoso, altivo, religioso, exaltado, digno até de tocar as raias da dureza, puro até quase parecer selvagem.

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Victor-Marie Hugo (1802—1885) foi um novelista, poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista pelos direitos humanos francês de grande atuação política em seu país. É autor de Les Misérables e de Notre-Dame de Paris, entre diversas outras obras clássicas de fama e renome mundial.
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Segunda Parte
Os Miseráveis: Mário, Livro Terceiro - III - Requiescat 
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Victor Hugo
OS MISERÁVEIS 
Título original: Les Misérables (1862)
Tradução: Francisco Ferreira da Silva Vieira 

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