sábado, 3 de outubro de 2026

Cinema: Jango

Como, quando e por que se derruba um presidente...

Lançamento em 1984

     Vinte anos depois do golpe de 1964, o documentário Jango refaz a trajetória política do presidente João Goulart, deposto nas primeiras horas do dia primeiro de abril daquele ano por uma junta militar. A partir de uma extensa pesquisa de arquivo que incorpora cinejornais da época, fotografias e manchetes de jornais, a obra percorre desde o início da carreira de João Goulart, passando pelos governos Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros, até a sua morte, doze anos depois de ter deixado o país rumo ao exílio no Uruguai.
     O filme examina a luta ideológica que foi travada durante o governo Jango, onde a máquina de propaganda de setores da direita fez de Cuba, modelo para a esquerda, um pretexto para radicalizar do debate público, vendo em qualquer medida um sinal de comunização. Jango remonta a escalada de tensão de um governo marcado por forte oposição das classes dominantes, que levou a crises sucessivas desde os primeiros instantes após da renúncia de Jânio Quadros. Através de depoimentos e textos em off, o filme relembra fatos decisivos, como o Comício da Central do Brasil, as marchas pedindo sua deposição, a revolta dos marinheiros e fuzileiros navais, os últimos dias do governo, primeiros instantes após o golpe e as tentativas de resistência ao golpe, avançando até a consolidação do governo Castello Branco.
     Prêmio Especial do Júri, Melhor Filme do Júri Popular e Melhor Trilha Sonora do Festival de Gramado (1984). Prêmio Especial do Júri, Festival de Havana (1984). Festival Internacional Del Nuevo Cine Latinoamericano de Cuba (1984), Prêmio especial do júri. Troféu Margarida de Prata – C.N.B.B. (1984). Bilheteria: 1 milhão de espectadores.





Direção: 
Silvio Tendler

Roteiro: 
Silvio Tendler
Maurício Dias

Elenco:
José Wilker (narrador)
João Goulart (imagens de arquivo)
Juscelino Kubitschek (imagens de arquivo)
Leonel Brizola
Frei Betto
Magalhães Pinto
Tancredo Neves (imagens de arquivo)
Jânio Quadros (imagens de arquivo)

Agradecimentos Especiais: Caetano Veloso / Eduardo Chuahy
Musicas Cedida Pela EMI – ODEON: Menino (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos), Trem Mineiro (Wagner Tiso)
Musicas Cedida pela POLYGRAM: Enquanto seu lobo nao vem (Caetano Veloso) – Temas Musicais de Milton Nascimento, Abertura: Tema de Che Guevara (Versão de San Vicente) Tema FInal – Músicos de Milton Nascimento: Paulinho Carvalho/ Neném / Marcos Viana / Paulinho Santos / Tulio Mourao / Sergio Alves – Temas Musicais de Wagner Tiso: Noites Moscou ( tema Original de Soloviev e Sedoy) – O Encouraçado PotemKim ( Tema Original de Dmitri Shostakovich)
Músicos de Wagner Tiso: Ari Sperling / Andre Sperling / Mauro Senize

A edição foi conduzida por Francisco Sérgio Moreira e os produtores associados foram Denise Goulart (filha do ex-presidente) e Hélio Paulo Ferraz.


Coração de Estudante

     A melodia da canção foi originalmente composta por Wagner Tiso em 1983 como um tema instrumental para a trilha sonora do documentário Jango, dirigido por Silvio Tendler, que narra a vida de João Goulart, presidente deposto pelo golpe militar de 1964. 
     Após assistir a algumas cenas do documentário, Milton Nascimento se emocionou com o tema de Tiso e, em um momento raro de sua carreira onde não costumava ser o letrista, decidiu adicionar versos à melodia. A letra, permeada por metáforas de esperança ("há que se cuidar do broto / pra que a vida nos dê flor e fruto") e denúncia ("já podaram seus momentos / desviaram seu destino"), foi inspirada na luta e nas mortes de estudantes durante o regime militar, com menção específica a Edson Luís de Lima Souto, morto em 1968. O título da canção faz referência ao nome de uma flor popular em Minas Gerais, terra natal dos compositores.
     Coração de Estudante foi gravada no álbum Milton Nascimento Ao Vivo e rapidamente se tornou um hino não-oficial do movimento pró-democracia Diretas Já, sendo considerada uma das obras mais emblemáticas da música brasileira na fase final da Ditadura Militar.


Quero falar de uma coisa
Adivinha onde ela anda
Deve estar dentro do peito
Ou caminha pelo ar

Pode estar aqui do lado
Bem mais perto que pensamos
A folha da juventude
É o nome certo desse amor

Já podaram seus momentos
Desviaram seu destino
Seu sorriso de menino
Quantas vezes se escondeu

Mas renova-se a esperança
Nova aurora a cada dia
E há que se cuidar do broto
Pra que a vida nos dê flor
Flor e fruto

Coração de estudante
Há que se cuidar da vida
Há que se cuidar do mundo
Tomar conta da amizade

Alegria e muito sonho
Espalhados no caminho
Verdes, planta e sentimento
Folhas, coração, juventude e fé


Milton Nascimento / Show TV Cultura 1983 - Coração De Estudante




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Parte 02:
Parte 03: 
Parte 04:
Parte 05:


O Estudante Que a Ditadura Matou a Tiro (E o Brasil Nunca Esqueceu)

Em 28 de março de 1968, um estudante de 18 anos foi morto a tiro por um policial dentro de um restaurante popular no Rio de Janeiro. O nome dele era Edson Luís de Lima Souto — e sua morte mudou o rumo da ditadura militar no Brasil.



Enterro Edson Luís de Lima Souto, 29 de Março de 1968




O assassinato do estudante Edson Luís, pela Ditadura Cívico-Militar de 1964, completou 58 anos.




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