Milton Silva Campos do Nascimento, conhecido como Bituca, é um cantor, compositor e multi-instrumentista brasileiro e um dos maiores nomes da MPB. Ganhou projeção nacional em 1967 com “Travessia” e foi um dos fundadores do movimento Clube da Esquina. Com 34 álbuns e 5 prêmios Grammy, colaborou com artistas como Elis Regina, Wayne Shorter, Paul Simon e Björk. Despediu-se dos palcos em 2022 e, em 2025, foi diagnosticado com demência por corpos de Lewy.
Morro Velho ao vivo 1987...
No sertão da minha terra
Fazenda é o camarada que ao chão se deu
Fez a obrigação com força
Parece até que tudo aquilo ali é seu
Só poder sentar no morro
E ver tudo verdinho, lindo a crescer
Orgulhoso camarada
De viola em vez de enxada
Filho de branco e do preto
Correndo pela estrada atrás de passarinho
Pela plantação adentro
Crescendo os dois meninos, sempre pequeninos
Peixe bom dá no riacho
De água tão limpinha, dá pro fundo ver
Orgulhoso camarada
Conta histórias pra moçada
Filho do senhor vai embora
Tempo de estudos na cidade grande
Parte, tem os olhos tristes
Deixando o companheiro na estação distante
Não esqueça, amigo, eu vou voltar
Some longe o trenzinho ao Deus-dará
Quando volta já é outro
Trouxe até sinhá mocinha para apresentar
Linda como a luz da lua
Que em lugar nenhum rebrilha como lá
Já tem nome de doutor
E agora na fazenda é quem vai mandar
E seu velho camarada
Já não brinca mais, trabalha
Não sei se o maior privilégio aqui é o dela por poder cantar Travessia, um clássico desses atemporais, do Milton por ter sua música interpretada por um ícone como a Björk, ou o nosso por poder ouvir isso de graça. Björk cantando “Travessia” é quase um alinhamento cósmico — a canção nasce gigante com Milton, atravessa décadas intacta, e de repente ganha uma nova luz na voz de alguém que sempre soou como se viesse de outro planeta.
No sertão da minha terra
Fazenda é o camarada que ao chão se deu
Fez a obrigação com força
Parece até que tudo aquilo ali é seu
Só poder sentar no morro
E ver tudo verdinho, lindo a crescer
Orgulhoso camarada
De viola em vez de enxada
Filho de branco e do preto
Correndo pela estrada atrás de passarinho
Pela plantação adentro
Crescendo os dois meninos, sempre pequeninos
Peixe bom dá no riacho
De água tão limpinha, dá pro fundo ver
Orgulhoso camarada
Conta histórias pra moçada
Filho do senhor vai embora
Tempo de estudos na cidade grande
Parte, tem os olhos tristes
Deixando o companheiro na estação distante
Não esqueça, amigo, eu vou voltar
Some longe o trenzinho ao Deus-dará
Quando volta já é outro
Trouxe até sinhá mocinha para apresentar
Linda como a luz da lua
Que em lugar nenhum rebrilha como lá
Já tem nome de doutor
E agora na fazenda é quem vai mandar
E seu velho camarada
Já não brinca mais, trabalha
Milton Nascimento & Wagner Tiso
- Travessia (1995)
Não sei se o maior privilégio aqui é o dela por poder cantar Travessia, um clássico desses atemporais, do Milton por ter sua música interpretada por um ícone como a Björk, ou o nosso por poder ouvir isso de graça. Björk cantando “Travessia” é quase um alinhamento cósmico — a canção nasce gigante com Milton, atravessa décadas intacta, e de repente ganha uma nova luz na voz de alguém que sempre soou como se viesse de outro planeta.
Björk - Travessia
Quando a Björk canta “Travessia”, ela não está só interpretando uma música; ela está lembrando que a arte nasce de um gesto humano simples, quase íntimo, mas carrega uma potência que atravessa idiomas, países, décadas e sensibilidades. E talvez seja por isso que essa performance mexe tanto: ela devolve pra gente a certeza de que o essencial — sentimento, voz, vulnerabilidade, coragem — continua sendo o que move tudo.
[Globo 1998] Björk no Fantástico
Quando você foi embora
Fez-se noite em meu viver
Forte eu sou, mas não tem jeito
Hoje eu tenho que chorar
Minha casa não é minha
E nem é meu este lugar
Estou só e não resisto
Muito tenho pra falar
Solto a voz nas estradas
Já não quero parar
Meu caminho é de pedras
Como posso sonhar
Sonho feito de brisa
Vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto
Vou querer me matar
Vou seguindo pela vida
Me esquecendo de você
Eu não quero mais a morte
Tenho muito que viver
Vou querer amar de novo
E se não der não vou sofrer
Já não sonho
Hoje faço com meu braço o meu viver
Solto a voz nas estradas
Já não quero parar
Meu caminho é de pedras
Como posso sonhar
Sonho feito de brisa
Vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto
Vou querer me matar
Vou seguindo pela vida
Me esquecendo de você
Eu não quero mais a morte
Tenho muito que viver
Vou querer amar de novo
E se não der não vou sofrer
Já não sonho
Hoje faço com meu braço o meu viver
Compositores: Fernando Brant, Milton Silva Campos Nascimento
______________
Mais MPB:
Era uma vez / Trem bala / Sutilmente / Querelas do Brasil / Eu te devoro / Lanterna dos afogados /O segundo Sol / Anunciação / Disparada / Apesar de você / O Bêbado e a Equilibrista / Sozinho / Verdade chinesa /
Pra rua me levar / Pra não dizer que não falei das flores / Apenas um rapaz latino-americano / Eu te amo /
Canção da América / Vento bravo / Do Fundo do Meu Coração / Dona / A Carne / Meu abrigo / Clube da Esquina /
O Que Foi Feito Devera (De Vera) / Sentado à Beira do Caminho / Maria Fumaça / Ainda Bem / Amor I love you /
Lindo lago do amor / Morte e Vida Severina / Eu e a Brisa / Mama África / Somos iguais / Novo mundo /
Quando O Amor Acontece / Aos Nossos Filhos / Só Hoje / Mal Secreto / Paralelas / Toada (Na Direção do Dia) /
Codinome Beija-flor / Madalena / Lua e Flor / Morro Velho /
Nenhum comentário:
Postar um comentário