- "Águas de Março"
- 1974
"O que muita gente não sabe, no entanto, é sobre o que trata a música, em que uma sequência de objetos naturais e construções frasais aparentemente “sem sentido” se encadeiam numa composição melódica descrita como obra-prima. Em alguns momentos, as palavras “concretas” desembocam em fragmentos de seus fonemas: im, inho; esto, oco; uco, inho; aco, idro; ida, ol; oite, orte; aço, zol." Revista Forum
"O que muita gente não sabe, no entanto, é sobre o que trata a música, em que uma sequência de objetos naturais e construções frasais aparentemente “sem sentido” se encadeiam numa composição melódica descrita como obra-prima. Em alguns momentos, as palavras “concretas” desembocam em fragmentos de seus fonemas: im, inho; esto, oco; uco, inho; aco, idro; ida, ol; oite, orte; aço, zol." Revista Forum
"A versão mais famosa de Águas de Março foi gravada por Jobim em dueto com Elis Regina, para o disco Elis & Tom, de 1974." Revista Forum
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o Sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto, o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
Pau, edra, im, inho
Esto, oco, ouco, inho
Aco, idro, ida, ol, oite, orte, aço, zol
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
Composição: Tom Jobim.
"Afinal, como toda obra de arte subjetiva, Águas de Março não possui uma interpretação única. No entanto, entender o contexto de sua composição e apresentação ajuda a perceber a profundidade da arte musical de Jobim."
Águas de março - Tom Jobim, Chico e Caetano
a cantoria definitiva!
- MPB Especial
O segundo Sol / Anunciação / Disparada / Apesar de você / O Bêbado e a Equilibrista / Sozinho / Verdade chinesa /
"Uma das inspirações para a estrutura de Águas de Março foi o poema O Caçador de Esmeraldas, do poeta parnasiano Olavo Bilac, que narra o perecimento do bandeirante Fernão Dias Paes Leme em meio às tempestades de um “imenso deserto líquido” nas suas campanhas de exploração do interior do Brasil."
Pisa Baiana - Carlos Galhardo -1938
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Mais MPB:
Era uma vez / Trem bala / Sutilmente / Querelas do Brasil / Eu te devoro / Lanterna dos afogados /O segundo Sol / Anunciação / Disparada / Apesar de você / O Bêbado e a Equilibrista / Sozinho / Verdade chinesa /
Pra rua me levar / Pra não dizer que não falei das flores / Apenas um rapaz latino-americano / Eu te amo /
Canção da América / Vento bravo / Do Fundo do Meu Coração / Dona / A Carne / Meu abrigo / Clube da Esquina /
O Que Foi Feito Devera (De Vera) / Sentado à Beira do Caminho / Maria Fumaça / Ainda Bem / Amor I love you /
O barquinho , O pato , Manhã de carnaval / A Lista / Rosa de Hiroshima / Espelho / Águas de março /
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Maracatu dos irmãos Valença, gravado por Galhardo no início de sua carreira.
"Já o “é pau, é pedra” foi inspirado em Pisa Baiana, um maracatu (samba de inspiração afro-brasileira que combina música, dança e rituais):
'É pau, é pedra, é seixo miúdo' — diz um trecho da canção tradicional, incorporado por Jobim em sua composição."
"Já o “é pau, é pedra” foi inspirado em Pisa Baiana, um maracatu (samba de inspiração afro-brasileira que combina música, dança e rituais):
'É pau, é pedra, é seixo miúdo' — diz um trecho da canção tradicional, incorporado por Jobim em sua composição."
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