domingo, 12 de julho de 2026

MPB: O Ouro e a Madeira

Ederaldo Gentil


No bairro onde nasceu,
fez-se menino e aprendiz, 
entre ponteiros cansados e 
o tique-taque 
que sustenta vidas. 

Na oficina do pai, 
moldou o tempo 
com as próprias mãos, 
enquanto a casa cheia 
pedia trabalho, pão, esperança.

Mas o tempo, esse velho mestre, 
às vezes cobra caro. E 
sua história, antes tão cheia de sons, 
foi ficando muda, como relógio esquecido 
no fundo de uma gaveta.

Partiu em silêncio, 
carregando uma tristeza funda,  
quase ninguém notou.  
mesmo esquecido, 
segue marcando o 
tempo dentro da gente.






O ouro afunda no mar, no mar
Madeira fica por cima, por cima
Ostra nasce do lodo, do lodo
Gerando pérola fina

O ouro afunda no mar
Madeira fica por cima
Ostra nasce do lodo
Gerando pérola fina

Não queria ser o mar
Me bastava a fonte
Muito menos ser a rosa
Simplesmente o espinho

Não queria ser caminho
Porém o atalho
Muito menos ser a chuva
Apenas o orvalho

Não queria ser o dia
Só a alvorada
Muito menos ser o campo
Me bastava o grão

Não queria ser a vida
Porém o momento
Muito menos ser concerto
Apenas a canção

O ouro afunda no mar, no mar
Madeira fica por cima, por cima
Ostra nasce do lodo, do lodo
Gerando pérola fina

O ouro afunda no mar
Madeira fica por cima
Ostra nasce do lodo
Gerando pérola fina

Não queria ser o mar
Me bastava a fonte
Muito menos ser a rosa
Simplesmente o espinho

Não queria ser caminho
Porém o atalho
Muito menos ser a chuva
Apenas o orvalho

Não queria ser o dia
Só a alvorada
Muito menos ser o campo
Me bastava o grão

Não queria ser a vida
Porém o momento
Muito menos ser concerto
Apenas a canção

O ouro afunda no mar, no mar
Madeira fica por cima, por cima
Ostra nasce do lodo, do lodo
Gerando pérola fina

O ouro afunda no mar
Madeira fica por cima
Ostra nasce do lodo
Gerando pérola fina

Não queria ser o mar
Me bastava a fonte
Muito menos ser a rosa
Simplesmente o espinho

Não queria ser caminho
Porém o atalho
Muito menos ser a chuva
Apenas o orvalho

Não queria ser o dia
Só a alvorada
Muito menos ser o campo
Me bastava o grão

Não queria ser a vida
Porém o momento
Muito menos ser concerto
Apenas a canção

O ouro afunda no mar, no mar
Madeira fica por cima, por cima
Ostra nasce do lodo, do lodo
Gerando pérola fina

O ouro afunda no mar
Madeira fica por cima
Ostra nasce do lodo
Gerando pérola fina

O ouro afunda no mar, no mar

Compositores: Ederaldo Gentil Pereira


Os Originais Do Samba - O Ouro e a Madeira





Ederaldo Gentil
Sambista raiz 




"Ederaldo Gentil Pereira, que ficaria conhecido como Ederaldo Gentil, nasceu no dia 7 de setembro de 1943, no Largo Dois de Julho, um dos tradicionais bairros do centro de Salvador, filho de D. Maria José de Souza (D. Zezé) e Sr. Carlos Gentil Peres, antigo relojoeiro da capital baiana. Faleceu em depressão, esquecido pela mídia e público, de falência múltipla dos órgãos, em 31 de março de 2012, no Hospital Ernesto Simões, em Salvador.
Alcione, no disco 'A voz do samba', interpretou uma composição sua em parceria com Batatinha, 'Espera'. Lançou, em 1976, seu segundo disco, 'Ederaldo Gentil - pequenino', interpretando diversasCriado no mesmo bairro de nascimento, aprendeu o ofício de relojoeiro trabalhando na modesta oficina do pai, ajudando a sustentar a família bastante numerosa . Adolescente mudou-se para o bairro do Tororó, também na área central da cidade, o mais forte reduto do carnaval baiano da época, e onde tomou gosto pelo carnaval, acompanhando o pai nos bailes à fantasia que eram realizados nos clubes tradicionais da cidade. composições de sua autoria, como 'O rei' (c/ Paulo Diniz), 'In-lê-in-lá' (c/ Anísio Félix), 'Vento forte' (c/ Eustáquio Oliveira) e 'A Bahia vem', em parceria com Batatinha.
Apesar de todo o sucesso, passa a ser ignorado pelas gravadoras e fica sem gravar.
Durante todos esses anos, no dia 2 de dezembro, continuou, junto com os parceiros Edil Pacheco e Batatinha, promovendo a anual festa da noite do samba na Bahia . Mas o tempo passou e viu o seu nome sendo pouco à pouco esquecido pela mídia e pelas gravadoras, e suas canções ainda continuavam sendo executadas nos bares das noites baianas, porém muitos nem sabiam que eram de sua autoria. Contam os amigos que, antes da reforma do bairro do Pelourinho, ele ainda gostava de circular pelas ruas do Centro Histórico, e, às vezes, chegava a corrigir quando os cantores e boêmios erravam cantando suas músicas.
Com o advento do axé music, somado à intolerância de algumas pessoas, foi a gota d´água para Ederaldo Gentil, que, vencido, e sem forças para resistir, entrega os pontos afastando-se de vez, ficando entregue ao desânimo e ao pessimismo, comportamentos que o levaram a um isolamento do mundo artístico e social.
Passou a viver recolhido a um exílio voluntário, dentro da sua casa no bairro da Vila Laura, com a irmã Denise Gentil e outros familiares. Em 1998, no disco 'Diplomacia', de Batatinha, juntamente com Batatinha, Nélson Rufino, Walmir Lima, Edil Pacheco e Riachão, participou da faixa 'De revólver não', e neste mesmo disco,foi gravada uma de suas parcerias com Batatinha, 'Ironia', interpretada por Jussara Silveira.
Ao lado Batatinha, Riachão, Panela, Nélson Rufino, Edil Pacheco, Walter Queirós, Tião Motorista, Chocolate, Roque Ferreira, Nélson Balalô, Paulinho Boca de Cantor e Walmir Lima, é considerado a representação do samba mais tradicional da Bahia."


Espera - Alcione





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