domingo, 15 de fevereiro de 2026

Bom dia, Poesia... Adélia Prado

Não quero faca nem queijo, Quero a Fome


A mim que desde a infância venho vindo,
como se o meu destino,
fosse o exato destino de uma estrela,
apelam incríveis coisas:
pintar as unhas, descobrir a nuca,
piscar os olhos, beber.

Tomo o nome de Deus num vão.

Descobri que a seu tempo
vão me chorar e esquecer.

Vinte anos mais vinte é o que tenho,
mulher ocidental que se fosse homem,
amaria chamar-se Fliud Jonathan.

Neste exato momento do dia vinte de julho,
de mil novecentos e setenta e seis,
o céu é bruma, está frio, estou feia,
acabo de receber um beijo pelo correio.

Quarenta anos: não quero faca nem queijo.
Quero a fome.







A faca no peito, de Adélia Prado

"Neste vídeo, comento o livro "A faca no peito", de Adélia Prado. Após esse livro, a autora iniciou um período de onze anos de silêncio poético, atribuído à depressão. Procurei investigar em que medida os poemas dessa coletânea permitem entrever uma crise." Aline Aimée 





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Não quero faca nem queijo, Quero a Fome / Se Eu E Tu Nunca Nos Tivéssemos Visto /      

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