segunda-feira, 27 de abril de 2026

Ruan Rulfo - E nos deram a terra

Conto : El Llano en llamas
 

"O primeiro conto publicado de Juan Rulfo, e também o primeiro dos incluídos em *El Llano en llamas*, “Nos han dado la tierra” (1945), é provavelmente um dos mais conhecidos, citados e analisados ​​pela crítica literária. A tal ponto que sua interpretação parece não apresentar grandes dificuldades, talvez devido à franca ironia que emerge da alusão explícita a uma reforma agrária que distribuiu terras claramente impossíveis de cultivar. À descoberta daquilo que a tradição realista denunciou incansavelmente, ou seja, a miséria camponesa e a conivência das autoridades agrárias com os latifundiários."


     Nós gostamos. Após tantas horas de caminhada sem encontrar uma única sombra de árvore, uma única semente ou uma única raiz de qualquer coisa, ouve-se o latido de cães.
     Por vezes, em meio a esta estrada interminável, acreditava-se que nada haveria além; que nada se encontraria do outro lado, no fim desta planície rachada de fendas e riachos secos. Mas sim, há algo. Há uma aldeia. Ouvem-se os cães a ladrar e sente-se o cheiro do fumo no ar, e sente-se o cheiro de gente como se fosse uma esperança.
     Mas a aldeia ainda está longe. É o vento que a traz para mais perto. Estamos caminhando desde o amanhecer. Agora são cerca de quatro da tarde. Alguém olha para o céu, força a vista na direção do sol e diz: "São cerca de quatro da tarde."
     Essa pessoa é Melitón. Junto com ele estão Faustino, Esteban e eu. Somos quatro. Eu os conto: dois na frente, dois atrás. Olho mais para trás e não vejo ninguém. Então penso: "Somos quatro." Há algum tempo, por volta das onze, éramos uns vinte e poucos, mas aos poucos fomos nos dispersando até não sobrar nada além deste nó que somos nós. Faustino diz:

- Pode chover.

     Todos olhamos para cima e vimos uma nuvem negra e densa passando por cima de nós. E pensamos: "Talvez seja isso mesmo."
     Não dizemos o que pensamos. Perdemos a vontade de conversar há muito tempo. Ela morreu com o calor. Em outros lugares, você poderia bater um papo tranquilamente, mas aqui é difícil. Você fala aqui e as palavras esquentam na sua boca por causa do calor lá fora, e secam na sua língua até te deixarem sem fôlego. É assim que as coisas são por aqui. É por isso que ninguém tem vontade de conversar.
     Uma gota d'água cai, grande e espessa, abrindo um buraco no chão e deixando uma massa semelhante a um cuspe. Cai sozinha. Esperamos que outras caiam e as procuramos com os olhos. Mas não há mais nenhuma. Não está chovendo. Agora, se você olhar para o céu, verá a nuvem de chuva se afastando, apressada. O vento que vem da aldeia se junta a ela, empurrando-a contra as sombras azuis das colinas. E a gota que caiu por engano é engolida pela terra e desaparece em sua sede.
     Quem foi que fez essa planície tão grande? Qual é o sentido disso, hein? Voltamos a andar. Tínhamos parado para observar a chuva. Não choveu. Agora estamos andando de novo. E me ocorre que andamos mais do que realmente andamos. É isso que me ocorre. Se tivesse chovido, talvez outras coisas tivessem me ocorrido. No entanto, sei que desde menino nunca vi chover na planície, o que se pode chamar de chuva.
     Não, as planícies são inúteis. Não há coelhos nem pássaros. Não há nada. Exceto por algumas árvores de mesquite raquíticas e um ou outro pedaço de grama com folhas enroladas; fora isso, não há nada.
     E aqui estamos nós. Nós quatro a pé. Antes, íamos a cavalo e carregávamos um rifle a tiracolo. Agora nem sequer carregamos o rifle. Sempre achei que fizeram o certo ao nos tirarem os rifles. Por aqui, é perigoso andar armado. Eles matam sem aviso, vendo você o tempo todo com uma pistola calibre .30 presa ao cinto. Mas os cavalos são outra história. Se tivéssemos vindo a cavalo, já teríamos provado a água verde do rio e desfilado pelas ruas da cidade para digerir a comida. Teríamos feito isso se ainda tivéssemos todos aqueles cavalos que tínhamos antes. Mas levaram nossos cavalos também, junto com os rifles. Olho em volta e contemplo a planície. Tanta terra vasta para nada. Os olhos simplesmente se desviam, sem nada para os prender. Apenas alguns lagartos saem para colocar a cabeça para fora de suas tocas e, sentindo o sol escaldante, correm para se esconder na sombra de uma rocha. Mas quando tivermos que trabalhar aqui, o que faremos para nos refrescar do sol? Porque eles nos deram essa crosta de tapetato para plantar.
     Eles nos disseram: 

- Da cidade em diante, tudo pertence a vocês.

     Perguntamos: 

- A planície? 
- Sim, a planície. Toda a Grande Planície.

     Paramos de falar para dizer que não queríamos o Llano. Queríamos o que ficava perto do rio. Além do rio, ao longo das planícies, onde crescem aquelas árvores chamadas casuarinas, e as altas planícies, e a terra boa. Não essa terra dura e seca que eles chamam de Llano. Mas eles não nos deixaram falar. O delegado não veio conversar conosco. Ele colocou os papéis em nossas mãos e disse: 

- Não tenham medo de ter tanta terra só para vocês. 
- É que o Llano, Sr. Delegado... 
- São milhares e milhares de juntas de bois. 
- Mas não tem água. Nem o suficiente para enxaguar a boca. 
- E a estação chuvosa? Ninguém disse que vocês receberiam terra irrigada. Assim que chover lá, o milho vai crescer como se estivesse sendo esticado.
- Mas, Sr. Delegado, a terra está erodida, dura. Não acreditamos que o arado afunde naquele solo duro como uma pedreira dos Llanos. Você teria que fazer buracos com uma enxada para semear, e mesmo assim, é improvável que algo cresça; nem milho nem nada mais brotará. 
- Coloque isso por escrito. E agora vá. São as grandes propriedades que você precisa atacar, não o governo que lhe dá a terra. 
- Espere por nós, Sr. Delegado. Não dissemos nada contra o Centro. É tudo contra os Llanos... Você não pode lutar contra o que não pode combater. Foi isso que dissemos... Espere que expliquemos. Veja, vamos começar de onde paramos...

     Mas ele se recusou a nos ouvir.
     Foi assim que nos deram esta terra. E nesta chapa escaldante querem que semeemos alguma coisa, para ver se brota e cresce. Mas nada cresce aqui. Nem mesmo os abutres. De vez em quando, você os vê lá em cima, bem alto, voando a toda velocidade; tentando sair o mais rápido possível desta poeira branca e endurecida, onde nada se move e onde você anda como se estivesse indo para trás. Melitón diz:

- Esta é a terra que eles nos deram.

     Faustino diz: 

- O quê?

     Não digo nada. Penso: "Melitón não bate bem da cabeça. Deve ser o calor que o faz falar assim. O calor que penetrou no chapéu e esquentou a cabeça dele. Senão, por que ele diz o que diz? Que tipo de terra nos deram, Melitón? Nem para o vento fazer redemoinhos cabe aqui."
     Melitón repete: 

- Será útil. Será prático, mesmo que seja apenas para éguas de corrida. 
- Quais éguas?, pergunta Esteban.

     Eu não tinha reparado no Esteban antes. Agora que ele está falando, estou observando com mais atenção. Ele está usando um casaco que chega até o umbigo e, por baixo, algo parecido com a cabeça de uma galinha está aparecendo. Sim, é uma galinha vermelha que o Esteban está carregando debaixo do casaco. Dá para ver os olhos sonolentos e o bico aberto, como se estivesse bocejando. u pergunto a ele:

- Ei, Teban, onde você conseguiu esse frango?
- Ela é minha, diz ele. 
- Você não a tinha antes. Onde a comprou? 
- Eu não a comprei, ela é do meu galinheiro.
- Então você a trouxe para alimentá-la, certo? 
- Não, eu a trouxe para cuidar dela. Minha casa estava vazia e não havia ninguém para alimentá-la; por isso a trouxe. Sempre que viajo para longe, levo-a comigo.
- Escondida aí, ela vai sufocar. É melhor deixá-la sair para respirar ar puro. 

     Ele a aconchega debaixo do braço e sopra ar quente sobre ela. Então ele diz:

- Estamos chegando ao ponto de ruptura.

     Já não consigo ouvir o que o Esteban está dizendo. Fizemos fila para descer o barranco, e ele está bem na frente. Parece que ele pegou a galinha pelas patas e está sacudindo-a sem parar para que ela não bata a cabeça nas pedras.
     Ela se sacode de vez em quando para não bater a cabeça nas pedras. À medida que descemos, a terra fica agradável. A poeira sobe de nós como se uma fila de mulas estivesse descendo; mas gostamos de ficar cobertos de poeira. Gostamos disso. Depois de onze horas caminhando sobre a dureza do Llano,
nos sentimos muito confortáveis ​​envoltos nessa coisa que nos cobre e tem gosto de terra.
     Acima do rio, sobre as copas verdes das casuarinas, bandos de aracuãs verdes voam. Isso também nos agrada. Agora, o latido dos cães pode ser ouvido aqui, ao nosso lado, porque o vento que vem da aldeia ecoa na ravina e a preenche com todos os seus sons.
     Esteban abraçou sua galinha novamente quando nos aproximamos das primeiras casas. Ele desamarrou as patas dela para soltá-las e, em seguida, ele e sua galinha desapareceram atrás de algumas árvores de mesquite.

- Eu alugo assim!, diz-nos Esteban.

     Continuamos em frente, adentrando a aldeia. A terra que nos deram fica lá em cima.

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Nos han dado la tierr

Juan Rulfo

Originalmente publicado en la revista Pan (de Guadalajara) Nº 2, julio, 1945 - (El llano en llamas, 1953)


   Después de tantas horas de caminar sin encontrar ni una sombra de árbol, ni una semilla de árbol, ni una raíz de nada, se oye el ladrar de los perros.
   Uno ha creído a veces, en medio de este camino sin orillas, que nada habría después; que no se podría encontrar nada al otro lado, al final de esta llanura rajada de grietas y de arroyos secos. Pero sí, hay algo. Hay un pueblo. Se oye que ladran los perros y se siente en el aire el olor del humo, y se saborea ese olor de la gente como si fuera una esperanza.
   Pero el pueblo está todavía muy allá. Es el viento el que lo acerca. Hemos venido caminando desde el amanecer. Ahorita son algo así como las cuatro de la tarde.
   Alguien se asoma al cielo, estira los ojos hacia donde está colgado el sol y dice:

-Son como las cuatro de la tarde.

   Ese alguien es Melitón. Junto con él, vamos Faustino, Esteban y yo. Somos cuatro. Yo los cuento: dos adelante, otros dos atrás. Miro más atrás y no veo a nadie. Entonces me digo: "Somos cuatro." Hace rato, como a eso de las once, éramos veintitantos, pero puñito a puñito se han ido desperdigando hasta quedar nada más que este nudo que somos nosotros. Faustino dice:

-Puede que llueva.

   Todos levantamos la cara y miramos una nube negra y pesada que pasa por encima de nuestras cabezas. Y pensamos: "Puede que sí."
   No decimos lo que pensamos. Hace ya tiempo que se nos acabaron las ganas de hablar. Se nos acabaron con el calor. Uno platicaría muy a gusto en otra parte, pero aquí cuesta trabajo. Uno platica aquí y las palabras se calientan en la boca con el calor de afuera, y se le resecan a uno en la lengua hasta que acaban con el resuello. Aquí así son las cosas. Por eso a nadie le da por platicar.
   Cae una gota de agua, grande, gorda, haciendo un agujero en la tierra y dejando una plasta como la de un salivazo. Cae sola. Nosotros esperamos a que sigan cayendo más y las buscamos con los ojos. Pero no hay ninguna más. No llueve. Ahora si se mira el cielo se ve a la nube aguacera corriéndose muy lejos, a toda prisa. El viento que viene del pueblo se le arrima empujándola contra las sombras azules de los cerros. Y a la gota caída por equivocación se la come la tierra y la desaparece en su sed.
   ¿Quién diablos haría este llano tan grande? ¿Para qué sirve, eh? Hemos vuelto a caminar. Nos habíamos detenido para ver llover. No llovió. Ahora volvemos a caminar. Y a mí se me ocurre que hemos caminado más de lo que llevamos andado. Se me ocurre eso. De haber llovido quizá se me ocurrieran otras cosas. Con todo, yo sé que desde que yo era muchacho, no vi llover nunca sobre el llano, lo que se llama llover.
   No, el Llano no es cosa que sirva. No hay ni conejos ni pájaros. No hay nada. A no ser unos cuantos huizaches trespeleques y una que otra manchita de zacate con las hojas enroscadas; a no ser eso, no hay nada.
   Y por aquí vamos nosotros. Los cuatro a pie. Antes andábamos a caballo y traíamos terciada una carabina. Ahora no traemos ni siquiera la carabina. Yo siempre he pensado que en eso de quitarnos la carabina hicieron bien. Por acá resulta peligroso andar armado. Lo matan a uno sin avisarle, viéndolo a toda hora con "la 30" amarrada a las correas. Pero los caballos son otro asunto. De venir a caballo ya hubiéramos probado el agua verde del río, y paseado nuestros estómagos por las calles del pueblo para que se les bajara la comida. Ya lo hubiéramos hecho de tener todos aquellos caballos que teníamos. Pero también nos quitaron los caballos junto con la carabina.Vuelvo hacia todos lados y miro el Llano. Tanta y tamaña tierra para nada. Se le resbalan a uno los ojos al no encontrar cosa que los detenga. Sólo unas cuantas lagartijas salen a asomar la cabeza por encima de sus agujeros, y luego que sienten la tatema del sol corren a esconderse en la sombrita de una piedra. Pero nosotros, cuando tengamos que trabajar aquí, ¿qué haremos para enfriarnos del sol, eh? Porque a nosotros nos dieron esta costra de tapetate para que la sembráramos.
   Nos dijeron:

-Del pueblo para acá es de ustedes.

   Nosotros preguntamos:

-¿El Llano?
-Sí, el Llano. Todo el Llano Grande.

   Nosotros paramos la jeta para decir que el Llano no lo queríamos. Que queríamos lo que estaba junto al río. Del río para allá, por las vegas, donde están esos árboles llamados casuarinas y las parameras y la tierra buena. No este duro pellejo de vaca que se llama Llano.Pero no nos dejaron decir nuestras cosas. El delegado no venía a conversar con nosotros. Nos puso los papeles en la mano y nos dijo:

-No se vayan a asustar por tener tanto terreno para ustedes solos.
-Es que el Llano, señor delegado...
-Son miles y miles de yuntas.
-Pero no hay agua. Ni siquiera para hacer un buche hay agua.
-¿Y el temporal? Nadie les dijo que se les iba a dotar con tierras de riego. En cuanto allí llueva, se levantará el maíz como si lo estiraran.
-Pero, señor delegado, la tierra está deslavada, dura. No creemos que el arado se entierre en esa como cantera que es la tierra del Llano. Habría que hacer agujeros con el azadón para sembrar la semilla y ni aun así es positivo que nazca nada; ni maíz ni nada nacerá.
-Eso manifiéstenlo por escrito. Y ahora váyanse. Es al latifundio al que tienen que atacar, no al Gobierno que les da la tierra.
-Espérenos usted, señor delegado. Nosotros no hemos dicho nada contra el Centro. Todo es contra el Llano... No se puede contra lo que no se puede. Eso es lo que hemos dicho... Espérenos usted para explicarle. Mire, vamos a comenzar por donde íbamos...

   Pero él no nos quiso oír.
   Así nos han dado esta tierra. Y en este comal acalorado quieren que sembremos semillas de algo, para ver si algo retoña y se levanta. Pero nada se levantará de aquí. Ni zopilotes. Uno los ve allá cada y cuando, muy arriba, volando a la carrera; tratando de salir lo más pronto posible de este blanco terregal endurecido, donde nada se mueve y por donde uno camina como reculando. Melitón dice:

-Esta es la tierra que nos han dado.

   Faustino dice:
 
-¿Qué? Yo no digo nada.

   Yo pienso: "Melitón no tiene la cabeza en su lugar. Ha de ser el calor el que lo hace hablar así. El calor, que le ha traspasado el sombrero y le ha calentado la cabeza. Y si no, ¿por qué dice lo que dice? ¿Cuál tierra nos han dado, Melitón? Aquí no hay ni la tantita que necesitaría el viento para jugar a los remolinos."
   Melitón vuelve a decir:

-Servirá de algo. Servirá aunque sea para correr yeguas.
-¿Cuáles yeguas? -le pregunta Esteban.

   Yo no me había fijado bien a bien en Esteban. Ahora que habla, me fijo en él. Lleva puesto un gabán que le llega al ombligo, y debajo del gabán saca la cabeza algo así como una gallina. Sí, es una gallina colorada la que lleva Esteban debajo del gabán. Se le ven los ojos dormidos y el pico abierto como si bostezara. Yo le pregunto:

-Oye, Teban, ¿de dónde pepenaste esa gallina?
-Es la mía- dice él.
-No la traías antes. ¿Dónde la mercaste, eh?
-No la merque, es la gallina de mi corral.
-Entonces te la trajiste de bastimento, ¿no?
-No, la traigo para cuidarla. Mi casa se quedó sola y sin nadie para que le diera de comer; por eso me la traje. Siempre que salgo lejos cargo con ella.
-Allí escondida se te va a ahogar. Mejor sácala al aire.

   Él se la acomoda debajo del brazo y le sopla el aire caliente de su boca. Luego dice:

-Estamos llegando al derrumbadero.

   Yo ya no oigo lo que sigue diciendo Esteban. Nos hemos puesto en fila para bajar la barranca y él va mero adelante. Se ve que ha agarrado a la gallina por las patas y la zangolotea a cada rato, para no, golpearle la cabeza contra las piedras.
   Conforme bajamos, la tierra se hace buena. Sube polvo desde nosotros como si fuera un atajo de mulas lo que bajará por allí; pero nos gusta llenarnos de polvo. Nos gusta. Después de venir durante once horas pisando la dureza del Llano, nos sentimos muy a gusto envueltos en aquella cosa que brinca sobre nosotros y sabe a tierra.
   Por encima del río, sobre las copas verdes de las casuarinas, vuelan parvadas de chachalacas verdes. Eso también es lo que nos gusta. Ahora los ladridos de los perros se oyen aquí, junto a nosotros, y es que el viento que viene del pueblo retacha en la barranca y la llena de todos sus ruidos.
   Esteban ha vuelto a abrazar su gallina cuando nos acercamos a las primeras casas. Le desata las patas para desentumecerla, y luego él y su gallina desaparecen detrás de unos tepemezquites.

-¡Por aquí arriendo yo! -nos dice Esteban.

   Nosotros seguimos adelante, más adentro del pueblo.
   La tierra que nos han dado está allá arriba.

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