PRIMEIRA PARTE
As Fontes Subterrâneas do Poder
33. A Economia Norte-Americana precisa dos Minerais da América Latina Como os Pulmões Precisam de Ar
Os astronautas tinham acabado de imprimir as primeiras
pegadas humanas na superfície lunar, e em julho de 1969 o
pai da façanha, Werner von Braun, anunciava à imprensa
que os Estados Unidos planejavam instalar uma distante
estação no espaço, com propósitos bem mais próximos:
“Desta maravilhosa plataforma de observação poderemos
investigar todas as riquezas da terra: os poços de petróleo
desconhecidos, as minas de cobre e zinco (...)”.
O petróleo continua sendo o principal combustível de
nosso tempo, e os norte-americanos importam a sétima
parte do petróleo que consomem. Para matar vietnamitas,
precisam de balas, e as balas precisam de cobre: os Estados
Unidos compram além de suas fronteiras uma quinta parte
do cobre que gastam. A falta de zinco é cada vez mais
preocupante: a metade vem do exterior. Não se fabricam
aviões sem alumínio, e não se fabrica o alumínio sem
bauxita: os Estados Unidos quase não tem bauxita. Seus
grandes centros siderúrgicos – Pittsburgh, Cleveland, Detroit– não encontram ferro suficiente nas jazidas de Minnesota,
que estão em vias de se extinguir, e o manganês não há no
território nacional: a economia norte-americana importa um
terço do ferro e todo o manganês que necessita. Para
produzir motores de retropropulsão, não contam com níquel
nem com cromo em seu subsolo. Para fabricar aços
especiais, requer-se o tungstênio: importam a quarta parte.
A
crescente dependência de provisão estrangeira
decreta uma também crescente identificação entre os
interesses capitalistas norte-americanos na América Latina
e a segurança nacional dos Estados Unidos. A estabilidade
interna
da
primeira
potência mundial se mostra
intimamente ligada aos investimentos norte-americanos ao
sul do rio ravo. Cerca de metade desses investimentos é
dedicada à extração de petróleo e à exploração de riquezas
minerais, “indispensáveis à economia dos Estados Unidos
tanto na paz como na guerra”
[1]. O presidente do Conselho
Internacional da Câmara de Comércio do país do Norte o
define assim: “Historicamente, uma das principais razões
dos Estados Unidos para investir no exterior é o
desenvolvimento
de
recursos
naturais
e,
mais
especialmente, petróleo. É perfeitamente óbvio que os
incentivos desse tipo de investimento devem ser
incrementados. Nossas necessidades de matérias-primas
estão em constante crescimento na medida em que a
população se expande e o nível de vida sobe. Ao mesmo
tempo, nossos recursos domésticos se esgotam (...)”
[2]. Os
laboratórios científicos do governo, das universidades e das
grandes corporações envergonham a imaginação com o
ritmo febril de suas invenções e descobrimentos, mas a
nova tecnologia não encontrou o modo de prescindir dos
materiais básicos que a natureza, e só ela, proporciona.
Ao mesmo tempo, vão-se debilitando as respostas que o
subsolo nacional é capaz de dar ao desafio do crescimento
industrial dos Estados Unidos.
[3]continua na página 220...
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[1] LIEUWEN, Edwin. Thu United States and the Challenge to Security in Latin America. Ohio, 1966.
[2] COURTNEY, Philip, em trabalho apresentado no II Congresso Internacional de
Poupança e Investimento. ruxelas, 1959.
[3] MAGDOFF, Harry. “La era del imperialismo”. Monthly Review, selecciones en
castellano. Santiago de Chile, janeiro-fevereiro de 1969; e JULIEN, Claude.
L’empire américan. Paris, 1969.
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Febre do Ouro, Febre da Prata
O Rei Açúcar e Outros Monarcas Agrícolas
As Fontes Subterrâneas do Poder
Primeira Parte: A Economia Norte-Americana precisa dos Minerais da América Latina (1)
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o petróleo da Venezuela... o petróleo no pré-sal do Brasil... os minerais nas terras raras do Brasil... ?
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