quarta-feira, 29 de abril de 2026

Eduardo Galeano: As veias abertas da América Latina - Primeira Parte: A Economia Norte-Americana precisa dos Minerais da América Latina (1)

A Pobreza do Homem como resultado da riqueza da terra

PRIMEIRA PARTE 

As Fontes Subterrâneas do Poder

     33. A Economia Norte-Americana precisa dos Minerais da América Latina Como os Pulmões Precisam de Ar
          Os astronautas tinham acabado de imprimir as primeiras pegadas humanas na superfície lunar, e em julho de 1969 o pai da façanha, Werner von Braun, anunciava à imprensa que os Estados Unidos planejavam instalar uma distante estação no espaço, com propósitos bem mais próximos: “Desta maravilhosa plataforma de observação poderemos investigar todas as riquezas da terra: os poços de petróleo desconhecidos, as minas de cobre e zinco (...)”. 
     O petróleo continua sendo o principal combustível de nosso tempo, e os norte-americanos importam a sétima parte do petróleo que consomem. Para matar vietnamitas, precisam de balas, e as balas precisam de cobre: os Estados Unidos compram além de suas fronteiras uma quinta parte do cobre que gastam. A falta de zinco é cada vez mais preocupante: a metade vem do exterior. Não se fabricam aviões sem alumínio, e não se fabrica o alumínio sem bauxita: os Estados Unidos quase não tem bauxita. Seus grandes centros siderúrgicos – Pittsburgh, Cleveland, Detroit– não encontram ferro suficiente nas jazidas de Minnesota, que estão em vias de se extinguir, e o manganês não há no território nacional: a economia norte-americana importa um terço do ferro e todo o manganês que necessita. Para produzir motores de retropropulsão, não contam com níquel nem com cromo em seu subsolo. Para fabricar aços especiais, requer-se o tungstênio: importam a quarta parte.
     A crescente dependência de provisão estrangeira decreta uma também crescente identificação entre os interesses capitalistas norte-americanos na América Latina e a segurança nacional dos Estados Unidos. A estabilidade interna da primeira potência mundial se mostra intimamente ligada aos investimentos norte-americanos ao sul do rio ravo. Cerca de metade desses investimentos é dedicada à extração de petróleo e à exploração de riquezas minerais, “indispensáveis à economia dos Estados Unidos tanto na paz como na guerra” [1]. O presidente do Conselho Internacional da Câmara de Comércio do país do Norte o define assim: “Historicamente, uma das principais razões dos Estados Unidos para investir no exterior é o desenvolvimento de recursos naturais e, mais especialmente, petróleo. É perfeitamente óbvio que os incentivos desse tipo de investimento devem ser incrementados. Nossas necessidades de matérias-primas estão em constante crescimento na medida em que a população se expande e o nível de vida sobe. Ao mesmo tempo, nossos recursos domésticos se esgotam (...)” [2]. Os laboratórios científicos do governo, das universidades e das grandes corporações envergonham a imaginação com o ritmo febril de suas invenções e descobrimentos, mas a nova tecnologia não encontrou o modo de prescindir dos materiais básicos que a natureza, e só ela, proporciona.
     Ao mesmo tempo, vão-se debilitando as respostas que o subsolo nacional é capaz de dar ao desafio do crescimento industrial dos Estados Unidos. [3]

continua na página 220...
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[1] LIEUWEN, Edwin. Thu United States and the Challenge to Security in Latin America. Ohio, 1966. 
[2] COURTNEY, Philip, em trabalho apresentado no II Congresso Internacional de Poupança e Investimento. ruxelas, 1959. 
[3] MAGDOFF, Harry. “La era del imperialismo”. Monthly Review, selecciones en castellano. Santiago de Chile, janeiro-fevereiro de 1969; e JULIEN, Claude. L’empire américan. Paris, 1969. 
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O Rei Açúcar e Outros Monarcas Agrícolas
As Fontes Subterrâneas do Poder
Primeira Parte: A Economia Norte-Americana precisa dos Minerais da América Latina (1)
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o petróleo da Venezuela... o petróleo no pré-sal do Brasil... os minerais nas terras raras do Brasil... ?

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