Reproducção fiel da edição original de 1870
PRIMEIRO VOLUME
ESPUMAS FLUCTUANTES
EDIÇÃO COMMEMORAT1VA DO CINCOENTENARIO DO POETA
na fôrma definitiva, restituida á versão authentica.
com uma inlroducção bibliographica e annotações de
AFRANIO PEIXOTO
ESPUMAS FLUCTUANTES
reproducção fiel da edição original de 1870
HYMNOS DO EQUADOR
publicações posthumas e poesias inéditas
OS ESCRAVOS
texto integral, parte inédita, com
A CACHOEIRA DE PAULO AFFONSO
GONZAGA, OU A REVOLUÇÃO DE MINAS
drama em 4 actos, segundo a edição original
VÁRIOS INÉDITOS — CORRESPONDÊNCIA
conforme autographos e manuscriptos authenticos
ESPUMAS FLUCTUANTES
Bahia - 1870
A' MEMÓRIA
DE
MEU PAE,
DE
MINHA MÃE
E DE
MEU IRMÃO
O. D. C
Poesias Lyricas
O CORAÇÃO
Das veigas puras do jardim do céu.
Um — tem o mel da granadilha agreste,
Bebe os perfumes, que a bonina deu.
O outro — vôa em mais virentes balsas,
O outro — vôa em mais virentes balsas,
Pousa de um riso na rubente flor.
Vive do mel — a que se chama — crenças —,
Vive do aroma — que se diz — amor. —
Recife, 1865.
Espumas Fluctuantes, Edição original: XXXII
PENSAMENTO DE AMOR
Quero viver de esperançaQuero tremer e sentir!Na tua trança cheirosaQuero sonhar e dormir.A. DE AZEVEDO.
O' pallida madona de meus sonhos,
Doce filha dos serros de Engadi!
Vem inspirar os sonhos do poeta,
Rosa branca da lyra de David.
Todo o amor que em meu peito repousava,
Como o orvalho das noites ao relento,
A teu seio elevou-se, como as nevoas,
Que se perdem no azul do firmamento.
Aqui... além... mais longe, em toda a parte,
Meu pensamento segue o passo teu.
Tu és a minha luz, — sou tua sombra,
Eu sou teu lago, — se tu és meu céu.
Lá, no theatro, ao som das harmonias,
Vendo-te a fronte altiva e peregrina...
Eu apertava o seio murmurando:
"Oh! mata-me de amor, mulher divina!"
A' tarde, quando chegas á janella,
A trança solta, onde suspira o vento,
Minha alma te contempla de joelhos...
A teus pés vae gemer meu pensamento.
Inda hontem, á noite, no piano
Os dedos teus corriam no teclado;
Que, ás caricias destas mãos formosas,
Gemia e suspirava apaixonado.
Depois cantaste... e a ária suspirosa
Veio n'alma accender-me mais desejos;
Dir-se-ia que essas notas eram doces
Como sussurro de amorosos beijos.
Oh! diz'-me, diz'-me, que ainda posso um dia
Oh! diz'-me, diz'-me, que ainda posso um dia
De teus lábios beber o mel dos céus;
Que eu te direi, mulher dos meus amores:
— Amar-te ainda é melhor do que ser Deus!
Bahia, 1865.
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Cf. com um manuscripto de Augusto Alvares Guimarães, num livro de versos do Poeta, cm. por D. Ade laide de Castro Alves Guimarães. Em baixo da pagina havia esta nota, relativa á derradeira estância: "esta ultima estrophe está riscada". Pbl. sob o titulo "****" na "s"" (VP) Edição das Espumas Fluctuantes, de Seraphim José Alves, Rio de Janeiro (1881): "appendice": X. Sob o titulo "Anceios" vem na edição da A Cachoeira de Paulo Affonso, de Cruz Coutinho, Rio, 1882, "appendice": V. Nas Poesias, Bahia (1913) : XLV, tem o titulo "Devaneios". O adoptado aqui é o authentico, que lhe deu o Poeta.
Segundo me referiu D. Simy Carvalho, a Amzalack destinatária da "Hebréa", foi esta poesia dirigida a sua linda irmã Esther, depois sra. José Henschel. As reminiscencias "do theatro", "ao piano", "á janella", da "trança solta onde suspira o vento", "cantando..." são confirmadas por outros testemunhos deste namoro. A confissão é tão explicita, que não ousou o Poeta escrever o nome da amada: vae declarado nos "Anjos da meia noite", soneto "Esther".
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continua página 76...
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Posias Lyricas
Meu segredo / Mocidade e Morte / Dalila / O coração /
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Antônio Frederico de Castro Alves - foi um poeta, dramaturgo e advogado brasileiro, considerado o principal representante da terceira geração do romantismo no Brasil. Ficou conhecido por seus poemas abolicionistas, que renderam-lhe a alcunha de "poeta dos escravos".
Nascimento: 14 de março de 1847, Castro Alves, Bahia - Falecimento: 6 de julho de 1871 (24 anos), Salvador, Bahia.
Influenciado por: Gonçalves Dias, Lord Byron, Victor Hugo,
Formação: Faculdade de Direito do Recife | FDR, Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP)
Pais: Clélia Brasília da Silva Castro, Antônio José Alves
Irmãos: Adelaide Alves, Cassiano José Alves
O “poeta dos escravos” foi um poeta sensível aos graves problemas sociais do seu tempo. Expressou sua indignação contra as tiranias e denunciou a opressão do povo.
A poesia abolicionista é sua melhor realização nessa linha, denunciando energicamente a crueldade da escravidão e clamando pela liberdade. Seu poema abolicionista mais famoso é “O Navio Negreiro”.
_______________LIVRARIA FRANCISCO ALVES
RIO DE JANEIRO
S. PAULO - BELLO HORIZONTE
1921
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