terça-feira, 22 de setembro de 2026

Castro Alves - O Maior Poeta Brasileiro: Poesias Lyricas (O coração)

Obras Completas de Castro Alves

Reproducção fiel da edição original de 1870 

PRIMEIRO VOLUME 
ESPUMAS FLUCTUANTES 

EDIÇÃO COMMEMORAT1VA DO CINCOENTENARIO DO POETA 
na fôrma definitiva, restituida á versão authentica. 
 com uma inlroducção bibliographica e annotações de 
AFRANIO PEIXOTO

ESPUMAS FLUCTUANTES 
 reproducção fiel da edição original de 1870 

HYMNOS DO EQUADOR 
publicações posthumas e poesias inéditas 

OS ESCRAVOS 
texto integral, parte inédita, com 
A CACHOEIRA DE PAULO AFFONSO
 
GONZAGA, OU A REVOLUÇÃO DE MINAS 
drama em 4 actos, segundo a edição original 

VÁRIOS INÉDITOS — CORRESPONDÊNCIA 
conforme autographos e manuscriptos authenticos


ESPUMAS FLUCTUANTES
Bahia - 1870

A' MEMÓRIA 
 DE 
 MEU PAE, 
 DE 
 MINHA MÃE 
 E DE 
 MEU IRMÃO 
 O. D. C


Poesias Lyricas

O CORAÇÃO  
 
O coração é o colibri dourado 
Das veigas puras do jardim do céu. 
Um — tem o mel da granadilha agreste, 
Bebe os perfumes, que a bonina deu. 

O outro — vôa em mais virentes balsas, 
Pousa de um riso na rubente flor. 
Vive do mel — a que se chama — crenças —, 
Vive do aroma — que se diz — amor. — 

Recife, 1865. 

Espumas Fluctuantes, Edição original: XXXII


PENSAMENTO DE AMOR

Quero viver de esperança 
Quero tremer e sentir! 
Na tua trança cheirosa 
Quero sonhar e dormir. 
           A. DE AZEVEDO.

O' pallida madona de meus sonhos, 
Doce filha dos serros de Engadi! 
Vem inspirar os sonhos do poeta, 
Rosa branca da lyra de David.

Todo o amor que em meu peito repousava, 
Como o orvalho das noites ao relento, 
A teu seio elevou-se, como as nevoas, 
Que se perdem no azul do firmamento. 

Aqui... além... mais longe, em toda a parte, 
Meu pensamento segue o passo teu. 
Tu és a minha luz, — sou tua sombra, 
Eu sou teu lago, — se tu és meu céu. 

Lá, no theatro, ao som das harmonias, 
Vendo-te a fronte altiva e peregrina... 
Eu apertava o seio murmurando: 
"Oh! mata-me de amor, mulher divina!"

A' tarde, quando chegas á janella, 
A trança solta, onde suspira o vento, 
Minha alma te contempla de joelhos... 
A teus pés vae gemer meu pensamento.

Inda hontem, á noite, no piano 
Os dedos teus corriam no teclado; 
Que, ás caricias destas mãos formosas, 
Gemia e suspirava apaixonado.

Depois cantaste... e a ária suspirosa 
Veio n'alma accender-me mais desejos; 
Dir-se-ia que essas notas eram doces 
Como sussurro de amorosos beijos.  

Oh! diz'-me, diz'-me, que ainda posso um dia 
De teus lábios beber o mel dos céus; 
Que eu te direi, mulher dos meus amores: 
— Amar-te ainda é melhor do que ser Deus!

Bahia, 1865.

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     Cf. com um manuscripto de Augusto Alvares Guimarães, num livro de versos do Poeta, cm. por D. Ade laide de Castro Alves Guimarães. Em baixo da pagina havia esta nota, relativa á derradeira estância: "esta ultima estrophe está riscada". Pbl. sob o titulo "****" na "s"" (VP) Edição das Espumas Fluctuantes, de Seraphim José Alves, Rio de Janeiro (1881): "appendice": X. Sob o titulo "Anceios" vem na edição da A Cachoeira de Paulo Affonso, de Cruz Coutinho, Rio, 1882, "appendice": V. Nas Poesias, Bahia (1913) : XLV, tem o titulo "Devaneios". O adoptado aqui é o authentico, que lhe deu o Poeta. 
     Segundo me referiu D. Simy Carvalho, a Amzalack destinatária da "Hebréa", foi esta poesia dirigida a sua linda irmã Esther, depois sra. José Henschel. As reminiscencias "do theatro", "ao piano", "á janella", da "trança solta onde suspira o vento", "cantando..." são confirmadas por outros testemunhos deste namoro. A confissão é tão explicita, que não ousou o Poeta escrever o nome da amada: vae declarado nos "Anjos da meia noite", soneto "Esther".  

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continua página 76...
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Posias Lyricas
Meu segredo / Mocidade e Morte / Dalila / O coração /         
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Antônio Frederico de Castro Alves - foi um poeta, dramaturgo e advogado brasileiro, considerado o principal representante da terceira geração do romantismo no Brasil. Ficou conhecido por seus poemas abolicionistas, que renderam-lhe a alcunha de "poeta dos escravos".
Nascimento: 14 de março de 1847, Castro Alves, Bahia - Falecimento: 6 de julho de 1871 (24 anos), Salvador, Bahia. 
Influenciado por: Gonçalves Dias, Lord Byron, Victor Hugo, 
Formação: Faculdade de Direito do Recife | FDR, Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP) 
Pais: Clélia Brasília da Silva Castro, Antônio José Alves
Irmãos: Adelaide Alves, Cassiano José Alves
O “poeta dos escravos” foi um poeta sensível aos graves problemas sociais do seu tempo. Expressou sua indignação contra as tiranias e denunciou a opressão do povo.
A poesia abolicionista é sua melhor realização nessa linha, denunciando energicamente a crueldade da escravidão e clamando pela liberdade. Seu poema abolicionista mais famoso é “O Navio Negreiro”.
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LIVRARIA FRANCISCO ALVES 
RIO DE JANEIRO 
S. PAULO - BELLO HORIZONTE 
1921

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