contos e poesia no butekudu baitasar.
a humanidade solidária e amorosa construída com todos incluídos num outro mundo possível, por la vida... siempre!
li nas redes sociais: "se tua religião te faz odiar pessoas por qualquer razão, procura frequentar um buteku e paga os mesmos 10% ao garçom!", enfim... "descobri que a seu tempo vão me chorar e esquecer."
poema escrito há 102 anos pelo poeta do futurismo, Vladimir Vladimirovitch Maiakovski (em russo: Владимир Владимирович Маяковский; Baghdati, Império Russo, 19 de julho de 1893 — Moscou, Rússia, 14 de abril de 1930), na minha opinião, a maior personalidade do século XX, principalmente quando pensamos em cultura e criatividade
Aleksandr Serguêievitch Púchkin (em russo: Алекса́ндр Серге́евич Пу́шкин; Moscou, 6 de junho de 1799 — São Petersburgo, 10 de fevereiro de 1837.) foi um poeta, escritor e dramaturgo russo da Era Romântica.
É considerado o maior poeta russo e o fundador da moderna literatura russa. Nascido na nobreza russa, seu pai, Serguei Lvovitch Púchkin, pertencia a uma antiga e nobre família. Seu bisavô materno era o general de brigada Abram Petrovitch Gannibal, nobre de origem africana sequestrado em sua terra natal e criado na corte da imperatriz como seu afilhado. Púchkin foi pioneiro no uso do discurso vernacular em seus poemas e peças teatrais, criando um estilo de narrativa que misturava drama, romance e sátira associada com a literatura russa, influenciando fortemente desde então os escritores russos seguintes. Ele também escreveu ficção histórica. Sua Marie: Uma História de Amor Russa fornece uma visão da Rússia durante o reinado da imperatriz Catarina II.
O DEMÔNIO
Quando não me era ainda insossa cada impressão da vida outrora – rumor de bosque, olhar de moça, canção de rouxinol na aurora – e quando a liberdade, o amor, a glória, as artes, o melhor da inspiração e altas idéias turvavam-me o sangue nas veias, um certo espírito nefando, trazendo angústia e me anuviando horas confiantes de prazer, passou, em sigilo, a me ver. O nosso encontro era sombrio e ele sorria com o olhar cheio de escárnio ao me instilar dentro da alma um veneno frio. Pois caluniava sem receio e desafiava a Providência, julgava o Belo – um devaneio, a Inspiração – tolice imensa, o amor e a liberdade – vis. E, olhando altivo, com profundo desprezo, a vida, ele não quis abençoar nada em todo o mundo.
(1823) A dama de espadas: prosa e poemas. [tradução de Boris Schnaiderman e Nelson Ascher]. Coleção Leste. São Paulo: Editora 34, 1999; 3ª ed., 2013.
O SEMEADOR O semeador saiu para semear
Eu semeador, deserto afora, da liberdade, fui com mão pura lançar, antes que a aurora nascesse, o grão que revigora no sulcos vis da escravidão. Mas todo esforço foi em vão: joguei vontade e tempo fora.
Pasce, pois eu te repudio, ralé submissa e surda ao brio. Libertar gado é faina ingrata, pois gado se tosquia e mata. Herda, por gerações a fio, canga, chocalhos e chibata. (1823) A dama de espadas: prosa e poemas. [tradução de Boris Schnaiderman e Nelson Ascher]. Coleção Leste. São Paulo: Editora 34, 1999; 3ª ed., 2013.
PARA ***
Recordo o luminoso instante quando eu, tomado de surpresa, te vi: súbita imagem, diante de mim, da essência da beleza.
Desesperado e triste, a sós no caos do mundo, ouvi durante anos, em mim, a tua voz, vi, no meu sonho, teu semblante.
Passou o tempo; um vento atroz varreu meu sonho ao seu talante, e não ouvi mais tua voz, deixei de ver o teu semblante.
Minha existência se esvaía no exilio inóspito e incolor, sem vida, lágrimas, poesia, sem divindade nem amor.
Reapareceste e nesse instante minha alma despertou surpresa; revi, súbita imagem distante de mim, a essência da beleza.
Meu peito, cheio de alegria, bate de novo; há no interior dele outra vez vida, poesia, lágrimas, divindade, amor. (1825) A dama de espadas: prosa e poemas. [tradução de Boris Schnaiderman e Nelson Ascher]. Coleção Leste. São Paulo: Editora 34, 1999; 3ª ed., 2013.
Púchkin e sua esposa, Natalya Goncharova, com quem se casou em 1831, tornar-se-iam regulares frequentadores da corte. Em 1837, diante dos boatos, cada vez mais insistentes, de que sua esposa começara um escandaloso caso extraconjugal, Púchkin desafiou o dito amante, Georges d'Anthès, para um duelo. Mortalmente ferido pelo oponente, Púchkin faleceria dois dias depois. Encontra-se sepultado no Svyatogorsk monastery Cemetery, Pushkinskiye Gory, Pskovskaya Oblast' na Rússia.
QUESTIONAMENTOS
Presente inútil, presente acidental, Vida, por que me deste? Ou, por que pelo destino misterioso À tortura estás condenado?
Quem com poder hostil me chamou do nada? Quem minha alma com paixão emocionou, Quem meu espírito com dúvida encheu?…
Não há meta diante de mim, Meu coração é vazio, minha mente é vã E com tristeza me cansa A barulhenta monotonia da vida.
Encontrado no livro Poemas de Alexander Pushkin Ivan Panin, trad.
MINHA MUSA
Nos dias da minha juventude ela gostava de mim, E a flauta de sete hastes ela me entregou. Para mim com um sorriso ela escutou; e já gentilmente Ao longo das aberturas ecoando das florestas Estava tocando eu com dedos ternos: Ambos os hinos solenes, inspirados por Deus E a canção pacífica do pastor frígio. De manhã até a noite na sombra muda do carvalho Para a intenção de ensino da estranha donzela eu escutei; E com parcimoniosa recompensa me alegrando Jogando para trás seus cachos de sua querida testa, De minhas mãos a flauta ela mesma pegou. Agora a madeira estava cheia de sopro divino E o coração com encantamento sagrado cheio.
Encontrado no livro oemas de Alexander Pushkin Ivan Panin, trad.
"Lembro-me de um momento mágico"
A Dama de Espadas
A longa noite de inverno passou veloz no salão da casa de Narumov, oficial
da Cavalaria. Totalmente envolvidos pelos jogos de cartas, os convidados se surpreenderam quando a refeição foi servida, por volta das cinco da manhã. Os que
haviam ganho estavam famintos. Já os perdedores mal tocavam na comida.
Limitavam-se a deixar o olhar perdido nos pratos vazios. Somente quando os
garçons começaram a abrir garrafas de champanhe é que a conversa ganhou ânimo:
— E como você se saiu, Surine? — perguntou o anfitrião.
— Ah, eu perdi, como sempre. Devo ser o sujeito mais azarado do mundo.
Mesmo me esforçando e mantendo a concentração, eu não consigo ganhar.
Costurarei calças pretas com o veludo da minha garganta e uma blusa amarela com três metros de poente. Pela Niévski do mundo, como criança grande, andarei, donjuan, com ar de dândi.
Que a terra gema em sua mole indolência: “Não viole o verde de as minhas primaveras!” Mostrando os dentes, rirei ao sol com insolência: “No asfalto liso hei de rolar as rimas veras!”
Não sei se é porque o céu é azul celeste e a terra, amante, me estende as mãos ardentes que eu faço versos alegres como marionetes e afiados e precisos como palitar dentes!
Fêmeas, gamadas em minha carne, e esta garota que me olha com amor de gêmea, cubram-me de sorrisos, que eu, poeta, com flores os bordarei na blusa cor de gema!
( Maiakóvski – tradução: Augusto de Campos )
Dedução
Não acabarão com o amor, nem as rusgas, nem a distância. Está provado, pensado, verificado. Aqui levanto solene minha estrofe de mil dedos e faço o juramento: Amo firme, fiel e verdadeiramente.
(1922 – em Maiacovski – Antologia Poética – tradução E. Carrera Guerra, ed. Max Limonad/SP).
O Que Aconteceu Comigo
As esquadras acodem ao porto. O trem corre para as estações. Eu, mais depressa ainda, vou a ti, atraído, arrebatado, pois que te amo. Assim como se apeia o avarento cavaleiro de Púchkin, alegre por encafuar-se em seu sótão, assim eu regresso a ti, amada, com o coração encantado de mim. Ficais contentes de retornar à casa. Ali vos livrais da sujeira, raspando-vos, lavando-vos, fazendo a barba. Assim retorno eu a ti. Por acaso, indo a ti não volto à minha casa? Gente terrena ao seio da terra volta. Sempre volvemos à nossa meta final. Assim eu, em tua direção sempre me inclino apenas nos separamos mal acabamos de nos ver.
(1922 – em Maiacovski – Antologia Poética – tradução E. Carrera Guerra, ed. Max Limonad/SP).