O Poço e o Pêndulo
Aqui por muito tempo os impiedosos torturadores nutriram
o insaciável furor da turba pelo sangue dos inocentes.
Agora que a pátria está a salvo, e o antro fúnebre foi destruído,
onde antes havia morte surgem vida e bem-estar.
(Quadra composta para os portões de um mercado a ser erguido
no local onde ficava o Clube dos Jacobinos, em Paris.)
Eu estava esgotado — mortalmente esgotado por aquela longa agonia; e quando enfim me desataram, e foi-me dada a permissão de sentar, percebi que os sentidos me faltavam. A sentença — a pavorosa sentença de morte — foi a última de distinta articulação a chegar aos meus ouvidos. Depois disso, o som das vozes inquisitoriais pareceu fundir-se em um único murmúrio vago e onírico. Ele transmitia à alma a ideia de rotação — talvez por associar-se em minha imaginação ao rumor de uma roda de moinho. Isso por um curto período, apenas; pois em breve nada mais ouvi. E contudo, por um tempo, eu vi; mas com que terrível exagero! Vi os lábios dos juízes em seus mantos negros. Pareceram-me brancos — mais brancos que a folha em que traço estas palavras — e finos ao ponto mesmo do grotesco; finos com a intensidade de suas expressões de intransigência — de inamovível determinação — de austero desprezo pelo suplício humano. Vi que os decretos do que para mim era o Destino ainda saíam por aqueles lábios. Vi que se contorciam em mortal elocução. Vi que formavam as sílabas do meu nome; e estremeci, pois som nenhum adveio. Vi também, por alguns momentos de horror delirante, a suave e quase imperceptível ondulação dos reposteiros cor de sable que revestiam as paredes da sala. E então meu olhar recaiu sobre as sete velas altas em cima da mesa. No início, exibiam o aspecto da caridade, e pareciam esguios anjos brancos que me salvariam; mas então, de repente, a náusea mais mortífera tomou conta de meu espírito, e senti cada fibra do corpo vibrar como se eu houvesse tocado o io de uma pilha galvânica, enquanto as formas angelicais tornavam-se espectros sem sentido, com cabeças de fogo, e vi que dali nenhum conforto adviria. E então insinuou-se em minha imaginação, como uma rica nota musical, o pensamento do doce descanso que devia ser o túmulo. O pensamento se insinuou vagaroso e furtivo, e pareceu transcorrer longo tempo antes que atingisse a plena apreciação; mas no exato momento em que meu espírito enfim o sentiu e o acolheu propriamente, as figuras dos juízes desvaneceram, como que por mágica, diante de meus olhos; as longas velas mergulharam no vazio; suas chamas se extinguiram por completo; o negror das trevas sobreveio; todas as sensações pareceram tragadas num assalto violento e furioso como o da alma pelo Hades. Então o universo se tornou silêncio, imobilidade e noite.
Desmaiara; mas mesmo assim não direi que perdi de todo a consciência.
O que dela restava não tentarei definir, nem sequer descrever; contudo,
nem tudo estava perdido. No sono mais profundo — não! No delírio —
não! Em um desmaio — não! Na morte — não! até mesmo no túmulo, nem
tudo está perdido. Despertando do mais profundo dos sonos, rompemos a
teia diáfana de algum sonho. E contudo, um segundo depois (por mais
frágil que pudesse ser a teia), não lembramos de ter sonhado. No regresso
à vida após o desfalecimento há dois estágios; primeiro, o da sensação de
existência mental ou espiritual; segundo, o da sensação de existência física.
Parece provável que, ao atingir esse segundo estágio, se pudéssemos
recordar as impressões do primeiro, deveríamos julgar essas impressões
eloquentes em lembranças do abismo que jaz além. E esse abismo é — o
quê? Como de algum modo distinguir suas sombras daquelas que há na
tumba? Mas e se as impressões do que denominei como primeiro estágio
não são, voluntariamente, recordadas, acaso, após um longo intervalo, elas
não voltam mesmo sem ser convidadas, enquanto imaginamos admirados
de onde podem ter surgido? Aquele que jamais desfaleceu, não é ele que
encontra palácios estranhos e rostos perturbadoramente familiares nas
brasas incandescentes; não é ele que contempla, flutuando em pleno ar, as
tristes visões que à maioria são vedadas; não é ele que pondera sobre o
perfume de alguma flor incomum — não é ele cujo cérebro fica mais e
mais atônito com o significado de alguma cadência musical que nunca
antes prendeu sua atenção.
Em meio aos frequentes e diligentes esforços por lembrar; em meio às
obstinadas lutas para recuperar alguma recordação do estado de aparente
inexistência em que minha alma mergulhara, houve momentos em que
sonhei com o êxito; houve períodos breves, muito breves, em que conjurei
lembranças que, segundo me assegura a razão lúcida de uma época
posterior, poderiam referir-se apenas àquela condição de aparente
inconsciência. Essas sombras de memória evocam, vagamente, figuras altas
que me ergueram e me carregaram em silêncio, descendo — descendo —
descendo mais —, até que uma medonha vertigem me oprimiu ante a mera
ideia da natureza interminável da descida. Evocam também um vago
horror em meu coração, por conta da anormal tranquilidade desse mesmo
coração. Então segue-se uma sensação de súbita imobilidade de todas as
coisas; como se aqueles que me carregavam (um cortejo espectral!)
houvessem ultrapassado, em sua descida, os limites do ilimitado, e parado
com a exaustão do esforço hercúleo. Depois disso vêm-me à mente
horizontalidade e umidade; e então tudo é insanidade — a insanidade de
uma lembrança se insinua em meio a coisas proibidas.
Muito subitamente regressaram-me à alma movimento e som — o
tumultuoso movimento do coração e, aos meus ouvidos, o som de seu
batimento. Então uma pausa em que tudo é vácuo. Então outra vez som, e
movimento, e tato — uma sensação de formigamento permeando meu
corpo. Então a mera consciência da existência, sem pensamento —
condição que durou longamente. Então, muito subitamente, pensamento, e
trêmulo terror, e obstinado esforço de compreender meu verdadeiro
estado. Então um forte desejo de mergulhar na insensibilidade. Então uma
violenta reanimação da alma e um vitorioso esforço de me mover. E depois
a completa lembrança do julgamento, dos juízes, dos negros reposteiros, da
sentença, do esgotamento, do desfalecimento. Então o total esquecimento
de tudo que se seguiu; de tudo que um dia posterior e grande obstinação
de esforço possibilitaram-me vagamente recordar.
Até esse momento, eu não abrira os olhos. Senti que jazia de costas,
desatado. Estiquei a mão, e ela caiu pesadamente sobre alguma coisa
úmida e dura. Deixei-me aí ficar por vários minutos, enquanto me
empenhava em imaginar onde e no que podia estar. Ansiava, e contudo não
ousava, empregar a visão. Aterrorizava-me o impacto inicial dos objetos em
torno de mim. Não que eu temesse ver coisas horríveis, mas fui invadido
por um crescente pavor de não haver nada para ver. Finalmente, com
descontrolado desespero no coração, abri rapidamente os olhos. Meus
piores pensamentos foram, então, confirmados. O negror da noite eterna
me engolfava. Lutei para respirar. A intensidade das trevas parecia me
oprimir e sufocar. A atmosfera era intoleravelmente opressiva. Continuei
deitado, imóvel, e esforcei-me por exercitar a razão. Evoquei em minha
mente o processo inquisitorial, e tentei a partir desse ponto inferir minha
real condição. A sentença fora proferida; e a mim me pareceu que um
intervalo muito longo de tempo transcorrera desde então. Contudo, nem
sequer por um momento supus que estivesse morto de fato. Tal suposição,
não obstante o que lemos na ficção, é completamente inconsistente com a
existência real; — mas onde e em que estado eu me encontrava? Os
condenados à morte, eu sabia, eram normalmente executados nos autos de
fé, e um desses fora realizado na exata noite de meu julgamento. Estaria eu
sendo mantido sob custódia em meu calabouço, a fim de aguardar o
sacrifício seguinte, que não teria lugar senão dali a muitos meses? Percebi
na mesma hora que tal não podia ser. As vítimas haviam sido reclamadas
de imediato. Além do mais, meu calabouço, assim como as celas de todos os
condenados em Toledo, tinha piso de pedra, e a luz não era completamente
excluída.
Uma assustadora ideia agora de repente fez o sangue fluir
incontrolavelmente em meu coração e, por um breve período, mais uma
vez recaí na insensibilidade. Assim que me recuperei, fiquei de pé na
mesma hora, tremendo convulsivamente em cada fibra. Agitei os braços
freneticamente acima e em torno de mim, em todas as direções. Nada senti;
contudo, hesitava em dar um passo, com receio de ser bloqueado pelas
paredes de uma tumba. O suor brotava de cada poro, e formava grossas
gotas em minha fronte. A agonia do suspense cresceu até se tornar
intolerável e cuidadosamente me movi para a frente, com os braços
estendidos, e meus olhos esforçando-se em suas órbitas, na esperança de
captar algum débil raio de luz. Avancei vários passos; mas o negror e o
vazio continuaram. Respirei mais facilmente. Parecia evidente que o meu
não era, ao menos, o mais hediondo dos destinos.
E então, conforme continuava a andar cautelosamente adiante, invadiu
me a memória, num tropel, uma infinidade de vagos rumores sobre os
horrores de Toledo. Daqueles calabouços estranhas coisas se contavam —
fábulas, eu sempre as reputara —, porém por demais estranhas, e por
demais macabras, para serem repetidas, salvo num sussurro. Teria sido eu
deixado para morrer de fome nesse mundo subterrâneo de trevas; ou que
destino, talvez ainda mais assustador, me aguardava? Que o resultado
seria a morte, e morte de uma pungência mais do que costumeira, eu
conhecia bem demais o caráter de meus juízes para duvidar. O modo e o
momento eram tudo que me ocupava ou distraía.
Minhas mãos estendidas enfim encontraram alguma obstrução sólida.
Era uma parede, em alvenaria de pedra, aparentemente — muito lisa,
musgosa e fria. Acompanhei sua superfície; pisando com toda a cuidadosa
desconfiança que determinados relatos antigos haviam me inspirado. Esse
processo, entretanto, não me possibilitou meio algum de averiguar as
dimensões de meu calabouço; uma vez que podia completar seu circuito, e
regressar ao ponto onde começara, sem dar-me conta do fato; tão
perfeitamente uniforme parecia a parede. Procurei desse modo a faca que
havia em meu bolso, quando levado à câmara inquisitorial; mas ela se fora;
minhas roupas haviam sido trocadas por um camisolão de sarja grosseira.
Meu pensamento fora forçar a lâmina em alguma minúscula fenda da
alvenaria, de modo a identificar o ponto de partida. A dificuldade, todavia,
era apenas trivial; muito embora, na desordem de minha imaginação,
parecesse em princípio insuperável. Rasguei um pedaço da bainha em meu
robe e dispus a tira de comprido, em ângulo reto com a parede. Ao tatear
meu caminho em torno da prisão, não teria como deixar de encontrar o
trapo quando completasse o circuito. Assim, ao menos, raciocinei: mas eu
não contara com a extensão do calabouço, ou com minha própria
debilidade. O chão era úmido e escorregadio. Cambaleei para a frente por
algum tempo, até pisar em falso e cair. Minha fadiga excessiva induziu-me
a permanecer prostrado; e ali deitado o sono em breve se apossou de mim.
Ao despertar, e esticando um braço, encontrei ao meu lado um pão e
uma jarra com água. Estava exausto demais para refletir sobre essa
circunstância, mas comi e bebi com avidez. Pouco depois, retomei meu
reconhecimento do circuito da prisão, e com grande labor, cheguei enfim
ao pedaço de sarja. Até o momento de minha queda, eu contara cinquenta
e dois passos, e, após retomar minha caminhada, contara quarenta e oito
mais — quando cheguei ao pedaço de pano. Havia ao todo, desse modo,
cem passos; e, considerando cada dois passos como um metro, inferi que o
calabouço tinha um perímetro de cem metros. Eu havia topado, entretanto,
com muitos ângulos na parede, e assim não podia formar suposição alguma
sobre o formato da cripta; pois uma cripta era o que eu não podia deixar
de supor que fosse. Eu tinha pouco propósito — certamente nenhuma esperança — nessas
investigações; mas uma vaga curiosidade impeliu-me a continuá-las.
Deixando por ora a parede, decidi cruzar a área de meu cárcere. No início,
procedi com extrema cautela, pois o chão, embora aparentemente de
material sólido, era traiçoeiro devido ao musgo. Finalmente, entretanto,
tomei coragem, e não hesitei em pisar com firmeza — empenhando-me em
atravessar numa linha a mais reta possível. Avançara dez ou doze passos
dessa maneira quando o que restava da bainha rasgada em meu robe
enroscou-se entre minhas pernas. Pisei nela e caí violentamente de bruços.
Na confusão, preocupando-me com minha queda, não me dei conta
imediatamente de uma circunstância um tanto alarmante, que contudo,
poucos segundos depois, e enquanto eu ainda jazia prostrado, prendeu
minha atenção. Foi o seguinte: meu queixo estava pousado no chão da
prisão, mas meus lábios, e a parte superior de minha cabeça, embora
aparentemente com uma elevação inferior à do queixo, não tocavam coisa
alguma. Ao mesmo tempo, minha testa parecia banhada em um vapor
viscoso, e o odor peculiar de fungo em decomposição subia às minhas
narinas. Estiquei o braço, e estremeci ao descobrir que caíra bem na
beirada de um poço circular, cuja extensão, é claro, eu não tinha meios de
averiguar no momento. Tateando a alvenaria logo abaixo da extremidade,
consegui deslocar um pequeno fragmento, e deixei que caísse no abismo.
Por vários segundos, estiquei os ouvidos para suas reverberações
conforme colidia contra as laterais da garganta em sua queda: finalmente,
sobreveio um lúgubre mergulho na água, seguido de ecos elevados. No
mesmo instante, escutei um ruído similar ao de uma porta no alto sendo
rapidamente aberta, e prontamente fechada, enquanto um tênue raio de
luz tremeluziu subitamente através da escuridão, e subitamente sumiu.
Enxerguei claramente a sina que me havia sido preparada e dei graças em silêncio pelo oportuno acidente que me possibilitara dela escapar. Mais um passo antes de minha queda, e o mundo não mais me veria. E a morte que acabara de evitar era exatamente o que eu costumava encarar como a típica história fantasiosa e pitoresca relativa à Inquisição. Às vítimas de sua tirania cabia a escolha da morte com suas mais desesperadoras agonias ou da morte com seus mais hediondos horrores morais. A mim fora reservada esta última. O longo sofrimento abalara meus nervos, a ponto de eu estremecer ao som de minha própria voz e me tornar em todos os aspectos uma vítima sob medida para as variedades de tortura que me aguardavam.
Enxerguei claramente a sina que me havia sido preparada e dei graças em silêncio pelo oportuno acidente que me possibilitara dela escapar. Mais um passo antes de minha queda, e o mundo não mais me veria. E a morte que acabara de evitar era exatamente o que eu costumava encarar como a típica história fantasiosa e pitoresca relativa à Inquisição. Às vítimas de sua tirania cabia a escolha da morte com suas mais desesperadoras agonias ou da morte com seus mais hediondos horrores morais. A mim fora reservada esta última. O longo sofrimento abalara meus nervos, a ponto de eu estremecer ao som de minha própria voz e me tornar em todos os aspectos uma vítima sob medida para as variedades de tortura que me aguardavam.
Tremendo em cada membro do corpo, tateei meu caminho de volta à
parede — determinado a aí perecer, em lugar de me arriscar aos terrores
dos poços cuja existência eu agora imaginava haver em variados pontos
espalhados pelo calabouço. Em outras condições de espírito, talvez tivesse
a coragem de dar cabo de minha miséria na mesma hora, mergulhando
num daqueles abismos; mas nesse momento eu era o mais rematado dos
covardes. E tampouco esquecia o que havia lido a respeito desses poços —
que a extinção súbita da vida não fazia parte de seu mais horrendo
desígnio.
A agitação de espírito manteve-me acordado por muitas horas
intermináveis; mas finalmente voltei a adormecer. Ao despertar, descobri
ao meu lado, como antes, um pão e uma jarra de água. Uma sede
excruciante me consumia, e esvaziei o recipiente de um só trago. Devia
haver alguma droga ali — pois, mal terminei de beber, senti um torpor
irresistível. Um sono profundo se apossou de mim — um sono que era
como a morte. Quanto tempo durou é algo que decerto não sei dizer; mas
quando, mais uma vez, abri os olhos, os objetos em torno de mim estavam
visíveis. Por meio de uma fulguração difusa e sulfurosa, cuja origem não
pude inicialmente determinar, fui capaz de ver a extensão e o aspecto da
prisão.
Quanto ao tamanho eu me equivocara redondamente. O perímetro
completo de suas paredes não excedia os vinte e cinco metros. Por alguns
minutos, o fato ocasionou-me um mundo de vãs preocupações; vãs, de fato
— pois o que podia ser menos importante, nas terríveis circunstâncias em
que me encontrava, do que as meras dimensões de meu calabouço? Mas
minha alma assumiu um descontrolado interesse em banalidades e
concentrei-me diligentemente em esclarecer o erro que havia cometido ao
fazer minhas medições. A verdade enfim se me afigurou. Em minha
primeira tentativa de exploração, eu contara cinquenta e dois passos até o
momento da queda: eu devia ali estar a um ou dois passos do pedaço de
sarja; na verdade, eu praticamente completara o perímetro da cripta. E
então adormeci — e, ao acordar, devo ter refeito meus passos —,
pressupondo assim o perímetro como tendo quase o dobro do que de fato
tinha. Minha confusão mental impediu-me de observar que iniciei o
percurso tendo a parede à esquerda, e que o terminei com a parede à
minha direita.
Eu havia sido iludido, também, com respeito à forma do cárcere. Tateando meu caminho, topara com diversos ângulos, e assim inferi uma ideia de grande irregularidade; tão poderoso é o efeito da escuridão absoluta ao despertarmos da letargia ou do sono! Os ângulos nada mais eram que umas poucas depressões ligeiras, ou nichos, a intervalos variáveis. O formato geral da prisão era quadrado. O que eu tomara por alvenaria parecia agora ser ferro, ou algum outro metal, em imensas placas, cujas suturas ou junções ocasionavam a depressão. A superfície inteira do recinto de metal estava grosseiramente pintada com todas essas lucubrações hediondas e repulsivas às quais a sepulcral superstição dos monges havia dado origem. Figuras diabólicas em posturas ameaçadoras, com formas esqueléticas e outras imagens de fato ainda mais assustadoras, espalhavam-se e desfiguravam as paredes. Observei que os contornos das monstruosidades eram suficientemente distintos, mas que as cores pareciam esmaecidas e borradas, como que por efeito da umidade da atmosfera. Eu agora notava também o chão, que era de pedra. No centro esbeiçava-se o poço circular de cujas mandíbulas eu escapara; mas era o único no calabouço.
Edgar Allan Poe (nascido Edgar Poe; Boston, Massachusetts, Estados Unidos, 19 de Janeiro de 1809 — Baltimore, Maryland, Estados Unidos, 7 de Outubro de 1849) foi um autor, poeta, editor e crítico literário estadunidense, integrante do movimento romântico estadunidense. Conhecido por suas histórias que envolvem o mistério e o macabro, Poe foi um dos primeiros escritores americanos de contos e é geralmente considerado o inventor do gênero ficção policial, também recebendo crédito por sua contribuição ao emergente gênero de ficção científica. Ele foi o primeiro escritor americano conhecido por tentar ganhar a vida através da escrita por si só, resultando em uma vida e carreira financeiramente difíceis.
Ele nasceu como Edgar Poe, em Boston, Massachusetts; quando jovem, ficou órfão de mãe, que morreu pouco depois de seu pai abandonar a família. Poe foi acolhido por Francis Allan e o seu marido John Allan, de Richmond, Virginia, mas nunca foi formalmente adotado. Ele frequentou a Universidade da Virgínia por um semestre, passando a maior parte do tempo entre bebidas e mulheres. Nesse período, teve uma séria discussão com seu pai adotivo e fugiu de casa para se alistar nas forças armadas, onde serviu durante dois anos antes de ser dispensado. Depois de falhar como cadete em West Point, deixou a sua família adotiva. Sua carreira começou humildemente com a publicação de uma coleção anônima de poemas, Tamerlane and Other Poems (1827).
Poe mudou seu foco para a prosa e passou os próximos anos trabalhando para revistas e jornais, tornando-se conhecido por seu próprio estilo de crítica literária. Seu trabalho o obrigou a se mudar para diversas cidades, incluindo Baltimore, Filadélfia e Nova Iorque. Em Baltimore, casou-se com Virginia Clemm, sua prima de 13 anos de idade. Em 1845, Poe publicou seu poema The Raven, foi um sucesso instantâneo. Sua esposa morreu de tuberculose dois anos após a publicação. Ele começou a planejar a criação de seu próprio jornal, The Penn (posteriormente renomeado para The Stylus), porém, em 7 de outubro de 1849, aos 40 anos, morreu antes que pudesse ser produzido. A causa de sua morte é desconhecida e foi por diversas vezes atribuída ao álcool, congestão cerebral, cólera, drogas, doenças cardiovasculares, raiva, suicídio, tuberculose entre outros agentes.
Poe e suas obras influenciaram a literatura nos Estados Unidos e ao redor do mundo, bem como em campos especializados, tais como a cosmologia e a criptografia. Poe e seu trabalho aparecem ao longo da cultura popular na literatura, música, filmes e televisão. Várias de suas casas são dedicadas como museus atualmente.
Eu havia sido iludido, também, com respeito à forma do cárcere. Tateando meu caminho, topara com diversos ângulos, e assim inferi uma ideia de grande irregularidade; tão poderoso é o efeito da escuridão absoluta ao despertarmos da letargia ou do sono! Os ângulos nada mais eram que umas poucas depressões ligeiras, ou nichos, a intervalos variáveis. O formato geral da prisão era quadrado. O que eu tomara por alvenaria parecia agora ser ferro, ou algum outro metal, em imensas placas, cujas suturas ou junções ocasionavam a depressão. A superfície inteira do recinto de metal estava grosseiramente pintada com todas essas lucubrações hediondas e repulsivas às quais a sepulcral superstição dos monges havia dado origem. Figuras diabólicas em posturas ameaçadoras, com formas esqueléticas e outras imagens de fato ainda mais assustadoras, espalhavam-se e desfiguravam as paredes. Observei que os contornos das monstruosidades eram suficientemente distintos, mas que as cores pareciam esmaecidas e borradas, como que por efeito da umidade da atmosfera. Eu agora notava também o chão, que era de pedra. No centro esbeiçava-se o poço circular de cujas mandíbulas eu escapara; mas era o único no calabouço.
continua página 49...
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Uma Descida ao Maelstrom (01) / A Ilha da Fada / A Máscara da Morte Vermelha / A Quinta de Arnheim (1) /
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Edgar Allan Poe
CONTOS
Originalmente publicados entre 1831 e 1849
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Ele nasceu como Edgar Poe, em Boston, Massachusetts; quando jovem, ficou órfão de mãe, que morreu pouco depois de seu pai abandonar a família. Poe foi acolhido por Francis Allan e o seu marido John Allan, de Richmond, Virginia, mas nunca foi formalmente adotado. Ele frequentou a Universidade da Virgínia por um semestre, passando a maior parte do tempo entre bebidas e mulheres. Nesse período, teve uma séria discussão com seu pai adotivo e fugiu de casa para se alistar nas forças armadas, onde serviu durante dois anos antes de ser dispensado. Depois de falhar como cadete em West Point, deixou a sua família adotiva. Sua carreira começou humildemente com a publicação de uma coleção anônima de poemas, Tamerlane and Other Poems (1827).
Poe mudou seu foco para a prosa e passou os próximos anos trabalhando para revistas e jornais, tornando-se conhecido por seu próprio estilo de crítica literária. Seu trabalho o obrigou a se mudar para diversas cidades, incluindo Baltimore, Filadélfia e Nova Iorque. Em Baltimore, casou-se com Virginia Clemm, sua prima de 13 anos de idade. Em 1845, Poe publicou seu poema The Raven, foi um sucesso instantâneo. Sua esposa morreu de tuberculose dois anos após a publicação. Ele começou a planejar a criação de seu próprio jornal, The Penn (posteriormente renomeado para The Stylus), porém, em 7 de outubro de 1849, aos 40 anos, morreu antes que pudesse ser produzido. A causa de sua morte é desconhecida e foi por diversas vezes atribuída ao álcool, congestão cerebral, cólera, drogas, doenças cardiovasculares, raiva, suicídio, tuberculose entre outros agentes.
Poe e suas obras influenciaram a literatura nos Estados Unidos e ao redor do mundo, bem como em campos especializados, tais como a cosmologia e a criptografia. Poe e seu trabalho aparecem ao longo da cultura popular na literatura, música, filmes e televisão. Várias de suas casas são dedicadas como museus atualmente.
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