quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Histórias de avoinha: A vida num termina. Nem a poesia


Ensaio 60B – 2ª edição 1ª reimpressão



baitasar



O sinhô Conde quer mais vinho?

E não acabou?

a siá cobra chamô o raposa e pediu mais do vinho. A casa tava um rebuliço, ninguém era de ninguém. Tinha os descuidado, os bêbado, os metido assanhado qui precisava se cuidado sem pestanejá. Com esses o raposa num tinha paciência. Tinha tumbém os qui acordava do desmaio melado sem sabê onde tava

Claro que não acabou, os dois riu alto em desatino, aquele riso seguia desatando os pano qui escondia a desvergonha. Umas qui otra num tinha delírio, muitas otra tinha; um qui otro tinha o brio da fidalguia, otros num tinha. A casa tava cheia com todo tipo de vida

o bode oiô pru conde com feitio de severidade e reclamô dos abuso, Não se pode ter tudo, conde. bobagem bobagem, essa asneira só pode nascer em cabeça de bode. o conde não controla tudo. o que é meu, eu controlo. e caso o conde chegue no humaitá. e daí? resolve fazer uma surpresa, chega de mansinho no quarto da negra rita. e daí? ela está na cama toda gemendo com o negro tamanco enfiado nas pernas. os dois apanham até o couro rasgar fundo; depois da salmora e da cura, cada um vai espiar os pecados no trabalho duro do campo. e, se o conde não vai no lugar de dormir da Rita, mas segue para o quarto do casal? cuidado bode, a imaginação pode fazer o amigo virar assombração. a sinhá casta está na cama sendo enfiada, vê o conde e grita por socorro. o desgraçado é um homem morto. é um negro. então, não é homem, mas vai precisar levar um corretivo mais sério que uma surra. dizem que o varão do negro têm mais força e melhor aparência que a varinha do conde. fantasia, bode. e a sinhá casta? o que tem ela? qual o castigo? nem o padre nem as rezas podem curar a sujeira feita. e se não é um negro? como assim, não estou entendendo. a sinhá casta está nos meus braços. o bode? sim, nos braços do bode. duvido. será que o conde trocaria a nossa amizade, por ela, que o conde já não quer? o bode que não se atreva. não se pode ter tudo em tudo, conde.

as mão do siô da hora brincava com munta travessura, o coração tava aos pulo, cada pouco mais impacientado. As vista ia e vinha nas menina. Num tava doente, mais fervia com o desassossego das vontade. A muié da casa grande havia de perdoá, mais tumbém, caso num perdoava, ele num queria e num tinha jeito de evitá os desatino da sem-vergonhice. A muié maria e a puta cobra pediu pru raposa tocá mais forte

Mais forte! Mais forte!

pulô no colo do bode e grudô a boca na boca do conde, O que o sinhô da Hora procura?

o conde agarrô as anca da cavalariça. As duas mão prendeu com força um lado e otro da cobra. Sentiu os dedo enfiado nas carne da muié cobra, carne de bicho pru caçadô arrancá a cabeça e comê. A glória e o fiasco. Todo caçadô pode num dizê, mais tem medo de mais do baruio do fracasso. O silêncio. Os bico rosado piquinino demorando pra endurecê. A carne como uma galinha-morta. A pelagem dos braço tumbém sem arrebitá. Ela oiô nas vista do bode, continuava na sela, tava rindo, O sinhô da Hora sabe quantas vezes agarraram o meu rabinho?

Não.

foi uma resposta seca e curta, num queria sabê, num era assunto daquela hora

Opa! Epa! Eia cavalinho, empina no meu rabinho. Assim. Mais forte!

cada fome tem o seu tamanho, cada encenação a sua plateia desanimada qui comprô os meió lugá pra tê as vista dilatada, os pensamento qui num aquieta, o corpo qui num controla as vontade, Hoje, acho que nem Maria Cobra me faz endurecer.

Mas o sinhô da Hora não está atrás do meu rabinho, não é?

ele num respondeu, acho meió calculá as palavra qui devia soltá, Afinal, toda razão tem uma razão que vem antes. mas conde, mais dia menos dia, vai chegar o tempo de confessar as manchas do vinho. bode, confissão é para os fracos, feito é feito e feito vai ficar. o conde precisa desvendar um enigma. enigma? por que o conde precisa de tanta montaria vagabunda e vinho barato se tem uma sinhá tão nobre e respeitosa na humaitá? é coisa de homem, bode. aposto que a sinhá até chupa pelo canudinho. bode! é só ensinar, conde. bode, esse mundo é falso, nada fará diferença mesmo, eu não quero direitos, foda-se essa porra dos direitos! o que o conde quer, então? eu quero privilégios, seu idiota!

Não vi a neguinha Pardal nem a indiazinha Tico-tico. Eu suponho que estão nos seus afazeres na casa.

Não, sinhô da Hora.

Estão sangrando, é isso?

a camaleoa acariciava o rosto do conde com os bico piquinino desisnteressado, sentada no colo desinteressado do bode, Elas estão no resguardo.

Adoeceram?

as vista do siô da hora entristeceu, num era padecimento de invencionice. Ficô mais fraco. Oiava pras parede tão feia e véia, tão descolorida. Teve um causo de munta alegria com as duas moça. A garganta parece qui lhe secô. Gostô de fazê uso dos serviço qui a piquinina preta e a da cô de cuia sabia oferecê

Não!

a dona das minina bateu com os nó dos dedo na madêra e cuspiu no chão. Procurava fazê o espanto das palavra mau dita do siô da hora, fez força pra empurrá aquele desconjuro pras lonjura, Toc toc toc, esconjura Satanás!

fez o siná de cuiz e credo trêis veiz, pai fiô e santo, amém, pai fiô e santo, amém, pai fiô e santo, amém. O mau agôro num pode deixá de sê afastado pra num embaciá as coisa boa da casa. Vai jogado fora. Ela aprendeu qui num é bão desafiá só pra tê desafiado

Mas então, o que aconteceu?

o raposa parô a babação na gaita, a cadela poesia aquietô-se, dobrô a cabeça nas pata piquinina e acomodô a barriga no chão da terra. Arrastô as duas orêia inté a terra do chão. O rabo piquinino bailançando. Ali, na confraria das vagabunda, a ordem era num pará o bailado dos rabo. Os óio da poesia esbugaiado. Ela e o raposa num se metia nos assunto de apadrinhamento no céu ou no inferno. A loja tinha dona qui gostava de cuidá e mandá. Inté a poesia sabia qui bem meió fazia quando num se metia. Chegava abrí a boca e arreganhá os dente, mais era só fingimento de brabeza. Sabe-se lá ou cá se a poesia pensa. Num aparentá sê o causo de pensá com os dente arregaçado, mais se algum macho fortão encontrá no caminho a poesia com os dente afiado é bão tomá o cuidado de pensá, no causo do metido sabê pensá

tumbém acho, às veiz, é preciso recebê ajuda pra desmanchá os nó das viajada na vida, otras veiz, pode acontecê qui no lugá da ajuda ocê pode recebê atraso, mais num se aborreça com o estorvo, tudo se encontra no arremate dos caminho: as estrada e os caminhante. A poesia deve tê a sua razão quando arreganha os dente ou bailança o rabo. Num é vaidade, mais pode sê. Ela num tem juízo ou justiça, num pensa quando morde, só morde. Num é maldade, mais pode sê. O caminho acabado do andante, depois do último suspiro, no fim das conta feita, pode num tê a brilhatura esperada, mais se oiá a estrada caminhada vai vê qui tá justo as meia de lã, as mão no bolso, os passeio a esmo. Um pouco mais aqui, otro pouco menos ali, mais as conta feita da vida vivida, os passo dado, os riso, os choro, é a sua própria estrada inventada. Ela dá no qui dá pelo gosto do caminhante. Ou pode num dá

a poesia deitada parecia querê avisá qui a vida num fica velha nem dá pra tocá com o dedo, num tem cô e tá sempre manchada de vinho como um pé de vento, chuva e sol; a vida num termina, muda o caminhante

É coisa mais simples, sinhô Conde.

Pois fale, mulher de Deus!

antes da resposta, cuspiu no chão otra veiz. Desceu as mão inté a cintura do cinto. Soltô o aperto do cercado. O rêio caiu no chão. E ali, ficô. Num tinha precisão do uso de ataque ou defesa. Com a força dos dedo piquinino fez o siô da hora deitá as costa no chão. Depois voltô atenção nas calça. Tirô os botão das casa qui deu pra tirá, os qui num deu ela arrancô. Tudo feito sem tirá as vista do bode assustado, O sinhô Conde está me escutando?

Claro claro, continue. Não pare, por favor.

Quando entrou na casa o noticiário que o sinhô da Hora, Conde Humaitá, foi visto nas esquinas da Villa, chamei as duas meninas e recomendei resguardo. Deveriam esperar a visita do altíssimo.

E se eu não venho?

ela encoieu os ombro. Num era desdém nem desfeita. Fechô as vista. Bebeu a água com gosto de vinho. As mão num parava de apertá e soltá, subí e descê. Largava e agarrava o quarto todo, a respiração acelerada, as carne do conde continuava morta, Paciência e fé em Deus, sinhô da Hora, é tudo que precisamos ter na vida.

pra quase tudo, latiu a poesia; pra quase nada, gemeu a gaita do raposa

o conde mais o bode abriu junto o riso da satisfação, Entendeu, bode? o que tem para entender, conde? o bode é muito simplório. por que? isso isso é um privilégio! Tava escancarado na cara do bode, no rosto do conde, o espanto de um e o contentamento dotro, mais os dois com os cuidado de atenção. Os privilégio. Os pensamento encontraram o espasmo amendrontado da carne, Bode, quem será que discursará no meu enterro? não sei, conde. o seu será um soterramento silencioso. quem pode saber? quero o andar de cima. não tem diferença, conde. seu idiota, você é que não faz diferença na Villa, nenhuma, daqui cem anos quando contarem essa história, se é que irão contar, você e a bosta da gosma desta barata se arrastando pelo chão não terão feito nenhuma diferença.

o conde parô sua falação, o bode num quis retrucá a retrucação deseducada e odienta do conde. Achô qui num devia fazê mais ódio, num queria fazê do mesmo jeito pra sê da superioridade. Ele qui ficasse com seu caixão no andá de cima, Sem problemas, conde. o que foi, agora? fique com a parte de cima, a carne morta é comida tanto lá como aqui. suma daqui, sua gosma de barata, vá aprender tirar proveito da boa vontade das meninas!

um já esperava tanta consideração, o otro nunca teve mais atenção qui o oiá qui qué passá, e depois qui passa nem obrigado dá, Essa decisão cuidadora da sinhá Maria merece uma recompensa, conde. eu concordo, bode. o cuidado das moça foi comovente. o que o bode sugere? moedas o conde já deu. é tudo muito bem pago. precisa ser um conforto diferente e com distinção de incomum. não consigo pensar em nada.

o amô do siô da hora num se derramava em verso nem abria as vista do sono pru sonho, gostava de dizê qui carregava o amô nos bolso, Então, bode? não me ocorre nada. por mim, usava e mais nada. um passeio? não acho prudente. um almoço em um dos salões da Villa? nem pensar, bode! Depois de cismá uma suposição atrás da otra, as tolerante e as vexativa, o siô da hora sorriu pra muié das mão mandingada, primêro anunciô qui ficô encantado com a paciência e a fé qui as muié da casa colocô nele, depois proclamô, Amanhã, ordeno que o escravo Josino traga algumas estampas de tecido fino para as meninas e para sinhâ Maria Cobra, escolham no seu gosto.

O sinhô Conde é um homem respeitador, um homem com letra versal. Dá gosto acudir homem de tanta bondade.

E as meninas? Não virão?

a voz lhe saiu como uma cantoria qui fez o corpo se balançá degenerado, manho, sutil e silencioso, Claro que sim, já lhe servimos o prato principal, antes... um tira-gosto, dançava no conde, esfregava no bode, procurava o feitio do corpo a corpo, uma das mão no varão, Mas espere enquanto arranco mais um gosto doce, tava tentada em fazê ele esperá

o bode num lhe deixô continuá, fez movimento de levantá. Tava assustado. Aquilo era pecado. O conde deu uma sacudidura no galinha-morta. O bode num esperava. O conde fez o bode engolí as palavra qui ia sê dita. Beijô a cobra com toda língua qui podia tê. Parecia querê afogá as duas, a maria e a cobra

Ei! Calma, sinhô da Hora!

empurrô a língua de fogo do conde e lhe apertô, ele fez cara de sofrimento, sorriu, entre um espasmo e otro. Num queria gemê nem suspirá, seria um siná de inferioridade, resolveu usá o entretetimento das palavra, É para isso que servem as putas, meu bem...

ela apertô as mão e soltô, E qual é essa serventia, Conde Humaitá?

Servir o que as esposas não devem aceitar.

o conde humaitá passô as mão na barriga da muié bailante, subiu inté os dois pontinho róseo e apertô as ponta piquinina, Ai. Mordeu, Ai. Lambeu, Ai. Babô-se. A otra mão tava enfiada nos pelo. Puxava, Ai. Enrolava, Ai. Desenrolava. Deitô na cama do quarto. O conde oiô o bode qui oiô de volta, nem um nem o otro sabia dizê como foi qui eles chegô inté ali

O que foi meu amigo?

ele respondeu do jeito mais doce qui num tinha o costume de falá, A sinhá Maria Cobra não perdeu o encantamento.

ela fungô fundo, ajustô a respiração e separô as palavra uma das otra, elas parecia tá grudando no céu da boca, Ser cuidada é muito gostoso e tentador, mas eu tenho um negócio para cuidar, fechô as vista pra sentí o calô do quarto, o chêro de ranço, passô as mão na capa da cobertura da cama. Tudo desarrumado. Aquele hôme desarranjava seu dia e noite. A tempestade no corpo, as carga e descarga, os relâmpago, o conde, o bode, as dúvida. O gosto pelo bão acolhimento tinha o seu preço. Gosto e desgosto andava junto. A vida e a morte tricotando as trama da Villa. A fome do hôme é enfiá o seu jeito de sê hôme nas maria, comê as cobra sem cuidá do paladá nem do olfato, num tem nada apurado em sê hôme, Vou lhe mandá as meninas.

A Maria Cobra é que sabe o melhor para os seus negócios, aceitô a desistência daquela muié qui enfezava as suas vontade, mais num tirô o brinquedo das mão da cobra. A muié faz tudo. Ela largô. E levantô. Num era a mercadoria, num era a afeição. O siô da hora lhe segurô o braço, A vontade com as meninas passô, quero uma mulher.

ela num saiu nem desistiu de saí, ele continuô segurando o braço da maria cobra. As vista do conde comendo as vista da maria, inté qui a cobra deitô na capa desarrumada da cama, mais lhe avisô, Isso vai lhe custá mais que o Conde Humaitá costuma carregá nos bolsos.

o conde num pareceu dá importância, pagava o preço qui fô pra sentí as carne viva. Avançô a boca inté a boca da cobra, as mão do bode subia e descia as curva da maria. Um desvincava a forma dos fio da indecência, o otro alisava. A muié parecia um arco de dô com o ventre erguido. O conde sorriu. O bode gemeu. Era o lugá e o tempo certo, O sinhô é muito guloso.

a poesia tava jogada na terra, recostada. Num durumia. Num podia, queria tocá na vida. Queria prová o gosto e sentí o chêro. Queria tomá do vinho, num podia. A vida num tem sono, num tem gosto, num tem carne, num tem chêro. A vida num termina nem a poesia




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terça-feira, 18 de agosto de 2015

Poemas del Alma

Federico García Lorca




Si mis manos pudieran deshojar


Yo pronuncio tu nombre
En las noches oscuras
Cuando vienen los astros
A beber en la luna
Y duermen los ramajes
De las frondas ocultas.
Y yo me siento hueco
De pasión y de música.
Loco reloj que canta
Muertas horas antiguas.

Yo pronuncio tu nombre,
En esta noche oscura,
Y tu nombre me suena
Más lejano que nunca.
Más lejano que todas las estrellas
Y más doliente que la mansa lluvia.

¿Te querré como entonces
Alguna vez? ¿Qué culpa
Tiene mi corazón?
Si la niebla se esfuma
¿Qué otra pasión me espera?
¿Será tranquila y pura?
¡¡Si mis dedos pudieran
Deshojar a la luna!!





El silencio


Oye, hijo mío, el silencio.
Es un silencio ondulado,
un silencio,
donde resbalan valles y ecos
y que inclina las frentes
hacia el suelo.






Pueblo


Sobre el monte pelado
un calvario.
Agua clara
y olivos centenarios.
Por las callejas
hombres embozados,
y en las torres
veletas girando.
Eternamente
girando.
¡Oh pueblo perdido,
en la Andalucía del llanto!





Romance de la luna


La luna vino a la fragua
con su polisón de nardos.
El niño la mira mira.
El niño la está mirando.

En el aire conmovido
mueve la luna sus brazos
y enseña, lúbrica y pura,
sus senos de duro estaño.

Huye luna, luna, luna.
Si vinieran los gitanos,
harían con tu corazón
collares y anillos blancos.

Niño déjame que baile.
Cuando vengan los gitanos,
te encontrarán sobre el yunque
con los ojillos cerrados.

Huye luna, luna, luna,
que ya siento sus caballos.
Niño déjame, no pises,
mi blancor almidonado.

El jinete se acercaba
tocando el tambor del llano.
Dentro de la fragua el niño,
tiene los ojos cerrados.

Por el olivar venían,
bronce y sueño, los gitanos.
Las cabezas levantadas
y los ojos entornados.

¡Cómo canta la zumaya,
ay como canta en el árbol!
Por el cielo va la luna
con el niño de la mano.

Dentro de la fragua lloran,
dando gritos, los gitanos.
El aire la vela, vela.
el aire la está velando.




Cuerpo presente


La piedra es una frente donde los sueños gimen
sin tener agua curva ni cipreses helados,
La piedra es una espalda para llevar al tiempo
con árboles de lágrimas y cintas y planetas.

Yo he visto lluvias grises hacia las olas
levantando sus tiernos brazos acribillados,
para no ser cazadas por la piedra tendida
que desata sus miembros sin empapar la sangre.

Porque la piedra coge simientes y nublados,
esqueletos de alondras y lobos de penumbra;
pero no da sonidos, ni cristales, ni fuego,
sino plazas y plazas y otras plazas sin muros.

Ya está sobre la piedra Ignacio el bien nacido.
Ya se acabó; ¿que pasa? Contemplad su figura:
la muerte le ha cubierto de pálidos azufres
y le ha puesto cabeza de oscuro minotauro.

Ya se acabó. La lluvia penetra por su boca.
El aire como loco deja su pecho hundido,
y el Amor, empapado con lágrimas de nieve,
se calienta en la cumbre de las ganaderías.

¿Qué dicen? Un silencio con hedores reposa.
Estamos con un cuerpo presente que se esfuma,
con una forma clara que tuvo ruiseñores
y la vemos llenarse de agujeros sin fondo.

¿Quién arruga el sudario? ¡No es verdad lo que dice!
Aquí no canta nadie, ni llora en el rincón,
ni pica las espuelas, ni espanta la serpiente:
aquí no quiero más que los ojos redondos
para ver ese cuerpo sin posible descanso.

Yo quiero ver aquí los hombres de voz dura.
Los que doman caballos y dominan los ríos:
los hombres que les suena el esqueleto y cantan
con una boca llena de sol y pedernales.

Aquí quiero yo verlos. Delante de la piedra.
Delante de este cuerpo con las riendas quebradas.
Yo quiero que me enseñen donde está la salida
para este capitán atado por la muerte.

Yo quiero que me enseñen un llanto como un río
que tenga dulces nieblas y profundas orillas,
para llevar el cuerpo de Ignacio y que se pierda
sin escuchar el doble resuello de los toros.

Que se pierda en la plaza redonda de la luna
que finge cuando niña doliente res inmóvil;
que se pierda en la noche sin canto de los peces
y en la maleza blanca del humo congelado.

No quiero que le tapen la cara con pañuelos
para que se acostumbre con la muerte que lleva.
Vete Ignacio: No sientas el caliente bramido.
Duerme, vuela, reposa: ¡También se muere el mar!





terça-feira, 11 de agosto de 2015

Ensaboa mulata, ensaboa

Alvorada - 1974






Alvorada

Cartola



Alvorada lá no morro
Que beleza
Ninguém chora
Não há tristeza
Ninguém sente dissabor
O sol colorindo é tão lindo
É tão lindo
E a natureza sorrindo
Tingindo, tingindo

A alvorada...

Você também me lembra a alvorada
Quando chega iluminando
Meus caminhos tão sem vida
E o que me resta é bem pouco
Ou quase nada, do que ir assim, vagando
Nesta estrada perdida


Composição: Cartola




Divina Dama






Ensaboa Mulata
Cartola e Creusa




Ensaboa

Cartola



Ensaboa mulata, ensaboa
Ensaboa
Tô ensaboando
Ensaboa mulata, ensaboa
Ensaboa
Tô ensaboando
Tô lavando a minha roupa
Lá em casa estão me chamando Dondon
Ensaboa mulata, ensaboa
Ensaboa
Tô ensaboando

Os fio que é meu, que é meu
E que é dela
Rebenta a goela de tanto chorá
O rio tá seco, o sol não vem não
Vortemos pra casa
Chamando Dondon



Composição: Cartola

sábado, 8 de agosto de 2015

Histórias de avoinha: O coveiro da esperança

Ensaio 59B – 2ª edição 1ª reimpressão


baitasar


A luz amarelada das lamparina num mostrava tudo, num deixava vê o acaloramento qui subia dos pé, descia da cabeça, e incendiava a cobertura de carne qui se erguia. Num acoitava tudo. Maria Cobra nua. Dançando. Dando voltas em si mesma. O Raposa assoprando cuspe na gaita. A máquina musical entrava e saia da boca. A Poesia farejando alguma sobra de carinho. Balançando o rabo. Mijando. As patinha pra cima. A barriga latejando. Uma das menina chupando pelo canudinho. O vinho vagabundo qui num acabavaa já descia ardendo como vinagre. A quentura das lamparina. O calô da dança. O fogo da fraqueza no hôme tava no começo. a noite já tava nascida. Maria Cobra nua dando voltas no siô da Hora, o conde babando, o bode amedrontado, a cabeça dos trêis hôme dando voltas em si mesma. A muié abençoando

Meninas, acudam aqui. O nosso amigo bebeu um pouco de vinho e ficou muito sério, alguém pra chupá no canudinho? Vamos meninas, o conde precisa da nossa ajuda. Certo? Venham!

O Conde chegou! O Conde chegou!

O bode oiava na volta, dava pra repará qui ele num tava com conforto no meio daquela movimentação tão grande. O entra e sai das menina num deixava os lugá de espera esquentá.

O conde parecia num se incomodá em sabê quem lhe metia as mão ou chupava o canudinho. Num importava os nome nem a titulação, os dia nublado e as noite de tempestade ficava lá fora. Num pagava pra cuidá, acertava pagamento pra sê cuidado, eu não sou a civilização, entendam, eu sou a esperança da Villa. o conde é um deslumbrado com o podê desmedido, gosta do cegamento egoísta que vive da morte, é o coveiro da esperança. e o bode é um covarde que acredita em arrependimento, reza por milagres. eu sei, um conde inventado em uma Villa hipócrita não acredita em milagres. cuidado, bode, que a calça um dia pode ficar molhada e suja. o conde é um infame. gente como eu é a esperança da civilização contra essa gente imprestável e incompetente. vaidoso, preguiçoso e cheiroso, mas todas as noites coloca o relho sobre a mesa e acaricia o couro manchado com a carne e o sangue. o bode fala do que não conhece, a boa vida. velhos idiotas dentro de pinturas imensas. o bode parece que odeia parte de si mesmo. quando odiamos é mais fácil acreditar na culpa, mesmo que o crime não exista, basta o ódio para nos fazer acreditar no crime. a calça do bode parece que molhou-se. eu mereço a absolvição. o bode não é digno dela. e o conde merece? não acredito em arrependimento, o que está feito, feito está.

Maria Cobra parecia reuní na sua casa de entretimento desviado os hôme de munta impostância na Villa. Usava os cliente com autoridade e prestígio pra num tê incomodação com a falta do bão senso. E os excesso do ôio grande. No ramo da desviação dos costume todo cuidado é pouco, toda invencionice precisa dum tempo pra crescê e madurecê. Tava sempre atenta na investidura novidadêra. Foi dela o invento do serviço de atendimento em casa. Mais só na Villa-cidade, num atendia os chamado do campo. Recebia o pedido do favorecido e despachava o mimo sem alvoroço. O movimento foi fraco no começo dos atendimento em casa, mais depois do costume tomá o lugá do susto e do medo as menina num tinha queixa, sempre tava de movimentação. Teve veiz qui chegava inté faltá moça. A procura tinha munto interesse.

O entra e sai da sua loja de vendê pecado só desanimava durante o dia, inté metade da tarde. Era o seu tempo de separá do mundo sua amizade sossegada e suave pras menina. Escutá as vontade duma e otra, rí das lambarice, avaliá os conhecimento sobre cada hôme da freguesia. Tinha as tarefa com os adoecimento, tomava os cuidado de conhecê as meió abortêra no caso de precisá tirá algum broto disposto a germiná. O único cuidado qui num conseguia fazê era despejá na rua as puta véia. Deixava o serviço pru Raposa. Sabia qui a rua sem proteção era cruel. E matava. Mais tinha um negócio qui num combinava com algum albergue de velhice. Quando a utilidade de uso ficava menó qui a custeza pra morá, num tinha mais jeito, a desocupada era desligada da coleção da casa. Num era mercadoria com defeito, mais com munto tempo de uso.

Uma noite dessas de muito trabalho, em que as meninas estavam todas ocupadas, um jovem com muita boniteza e uma certa estranheza entrou na casa, descuido do Raposa e da Poesia, os dois têm treinamento, sabem que em noite cheia a porta é fechada, a lamparina é apagada, enfim, a casa desacertou o funcionamento. Não havia meninas disponíveis para atender o mancebo, e a senhora? tentei explicá que eu não atava nem desatava as emergências. Escolhia o mérito do cliente para decidir se oferecia os meus serviços. Ou não. Acontece que cedi aos apelos do jovem. E, antes que a invencionice das línguas compridas aumentem o tamanho da história, devo dizer que o mancebo não parecia ser uma boa sela. Foi um ato de caridade. Pensei que poderia me surpreender e cedi, está bem, vou lhe prestar o atendimento básico. qual a sua idade? não respondi de imediato, primêro soltei uma risada como um zumbido, circulei meu corpo em anéis sobre a cauda, estremecia toda. Preparei o bote. Podia sentir o azedume na boca quando lhe respondi, o imbecil veio foder com a minha idade ou comigo? não me leve à mal. vá se foder! Chamei o Raposa pra mostrá o caminho da saída, vá procurá alívio com as mãos ou com as avulsas da rua

É assim mesmo, minha amiga. Os jovens crescem julgando os mais velhos, só nos perdoam depois de velhos, a siá Cobra oiô de susto pru siô da Hora. Ele reconheceu a surpresa da puta véia, acalme-se, minha amiga.

Estou calma, só estranhei a boniteza das palavras do Conde.

Escutei essa frase em uma das minhas andanças com sinhá Casta, se não estou enganado, e provavelmente estou, foi em alguma taberna na Inglaterra, com algum desses enfeminados da poesia.

Eu não quero envelhecer, uma tristeza descolorida se apoderô da siá Cobra

Todos ficamos velhos, minha amiga.

Nem todos.

Mais da casa cheia e dos negócio indo de vento em popa em água calma, ela num reclamava. Os interesse nas moças num parava. Os rendimento de riqueza subindo. Num faltava trabáio nem criatividade nas ideia, se a montanha não pode sair do lugar o jeito é caminhá até a montanha, mas no caso das coisas não serem de um jeito ou outro, não é motivo de preocupação. Maria Cobra dá jeito em tudo

Boa noite, sinhô Conde.

O sinhô da Hora num levô susto com aquele cumprimento da retaguarda, tava acostumado buscá nas lembrança assunto de conversa, num gostava de deixá as coisa no acaso, tinha veiz qui num podia evitá, otras veiz num dava importância, mais o acaso podia qualqué coisa. Virô as vista na direção da mesurice. Reconheceu o delegado degoladô de bode, boas noites, sinhô Delegado. Pelo visto da desarrumação o sinhô está de saída.

Num viu as mão do degoladô, mais podia apostá qui as unha ainda tava com as mancha seca do vinho qui espirrô do bode. Viu a adaga amarrada na cinta do chefe das pulícia. Num deve tê contado pra moça, ela num deve tê perguntado. Ou nem viu. As sombra e a luz é usada pra aprisioná o julgadô na viradela da ilusão em verdade

Acertou, meu caro Conde.

Mas me diga como fez viagem tão rápida, perguntô a purugunta qui lhe ardia a garganta. Precisava investigá a brevidade como o delegado tomô à sua frente, o amigo veio com mais pressa que os passos desse bode.

É simples, meu caro Conde. Uma liteira, dois negros fortes, saudáveis e um relho com unhas longas. Vosmecê deveria experimentar.

Em outra ocasião. Mas espero que o amigo tenha feito bom proveito da casa, tem coisa qui é dita e num se pode disfarçá as intenção qui num é dita. Num é coisa fácil separá a verdade da falsidade quando a encantação da mentira é repetida inté a exaustão.

Sem dúvida, sinhô Conde, parô de falá e virô as vista pra mocinha qui o otro carregava no seu abraço de força. Ergueu uma das mão e com a ponta dos dedos fez um pequeno teatro de fantoche, encenô limpeza de asseio nos dois canto da boca de mocinha, essas moças sabem dar e receber, piscô uma das vista e continuô a encenação, não tenho costume de muita demora, o que é para ser feito tem que ser feito vai ser feito está feito. Era hôme qui completava um serviço a cada veiz. Depois do feito num tinha mais desfeito, virava as costa pra seguí em frente. Num perdia tempo com investigação. Chegava decidido pela moça antes de entrá, agarrava a serviçal qui mais agradava as vista e o faro. Chegava na cela quase junto com o acabamento da missão. Teve veiz qui male-male teve tempo de abrí as calça. Moiô as mão. Fincá mesmo num conseguiu. Saiu sem pagá. Avisô qui num ia pagá um serviço feito com as própria mão. Acostumô com atendimento sem cobrança, a bem da verdade, se tem alguma verdade qui é verdade, ele num se demorava munto. Era rápido nos resultado, gentil com as moça, mais num queria sabê de conversa

Boas noites, sinhô Delegado Chefe das Pulícia e Iluminação Pública, o hôme carregava munta coisa séria nas costa, mandava na PIP da Villa, num era coisa pouca

Boa noite, sinhô Conde. Tenho certeza qui o sinhô fica em boas mãos.

As melhores mãos, sinhô Delegado.

Até qualquer dia. Ou noite.

O Raposa fechô a porta atrás do siô chefe das pulícia, até mais ver amigo bode. Durma bem e leve junto essas mãos exímias para degolar bodes. um homem perigoso, conde. concordo, bode. o chefe da vigilância é um autoritário. um extremista

O Raposa num parava de tocá sua gaita. A Poesia num parava de pulá. Sempre dois passo pra trás.

O siô da Hora num pode evitá um sorriso de fastio do conde e do bode. O vinho depois do encantamento provocava no siô da Hora mais tristeza qui alegria. Um bão acompanhamento da melancolia. Sentiu saudade da siá Casta. Mui respeitosa. Um enfeite de confiança, meus Deus, o que faz um vinho. não foi bem saudade, hein conde? não se meta, bode. e por que o conde precisa de tantas meninas se tem uma mulher tão especial, nobre e respeitosa em casa? não se atreva em continuar. será que ela também não gosta de vinho? cale essa sua maldita boca. aposto que até chupa pelo canudinho! um enfeite não se come é só para olhar. o conde está com medo de se lambuzar todo. o bode parece que gosta de dramas. não gosto de nada, gosto de tudo. não se pode ter tudo, mas é dever do homem tentar enquanto vive, bode.

Ah, esse conde qui acha qui entende tudo das muié e vinho nem dos bode ele sabe mais qui degolá


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sábado, 1 de agosto de 2015

Mia Couto (Moçambique)

"Há quem tenha medo que o medo acabe"










"Levantado do Chão" de José Saramago

Literatura lida






Documentário "Levantado do Chão"
José Saramago