sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Odisseia: Parte II (Canto VIII.c - Recepção de Odisseu pelos Feácios)

Odisseia


Homero

Tradução: Carlos Alberto Nunes


Parte II
Os Relatos na Casa de Alcínoo — Odisseu na Ilha de Calipso e na Feácia¹ 
Canto VIII

Recepção de Odisseu pelos Feácios 

    “Faz-se uma assembleia dos Feácios acerca do estrangeiro e um navio é preparado para enviar Odisseu. Os nobres Feácios jantam na casa de Alcínoo. Depois disso, os Feácios e Odisseu competem com o disco. Então, Demódoco canta primeiro acerca do Adultério de Ares e de Afrodite, depois acerca da entrada do Cavalo de Madeira. Odisseu chora e Alcínoo pergunta por que ele chora, quem ele é e de onde vem.” (Scholie H V)

continuando...

Doze regentes ilustres aqui participam do mando, 
chefes de tribos; o número treze por mim é perfeito. 
Cada um de vós traga um manto bem limpo, assim como uma túnica, 
de ouro um talento, também, do mais puro e prezado entre todos, 
para que um monte façamos, e o ilustre estrangeiro nos braços 
tudo receba, e contente depois ao banquete nos siga. 
Reconcilie-se Euríalo logo, com termos corteses 
e com presentes, porque não falou como impõe a justiça.” 
   Isso disse ele. Aplaudiram-no todos os chefes, mandando 
logo os arautos buscar os objetos aqui nomeados.

Mas, nisso, Euríalo toma a palavra e lhe diz, por seu lado: 
   “Ó rei Alcínoo, entre todos ilustre e ornamento do povo! 
Reconciliar-me com o hóspede quero eu também, atendendo-te. 
Dou-lhe esta espada, que é toda de bronze, com punho de prata, 
e com bainha de puro marfim, entalhada a capricho, 
há pouco tempo; ser-lhe-á, com certeza, presente de preço.” 
   Disse; e nas mãos de Odisseu pôs a espada de cravos de prata 
ao tempo em que lhe dizia as seguintes palavras aladas: 
   “Hóspede pai, sê feliz! Se algum dito insensato me ouviste, 
grave e ofensivo, que seja desfeito no sopro dos ventos.

Deem-te os deuses rever a tua pátria, assim como a consorte, 
pois sofrimentos, há muito, suportas, distante de casa.” 
   Disse-lhe, então, em resposta, Odisseu, o solerte guerreiro: 
“Eu te saúdo, também, nobre amigo; que os deuses te deem 
bens sem medida, e que falta jamais possas ter desta espada 
para o futuro, que acabas de dar-me num gesto amigável.”¹
   Disse, e pendura dos ombros a espada com cravos de prata. 
Punha-se o Sol nesse tempo; os presentes em barda afluíam, 
quanto os ilustres arautos trouxeram de dentro da casa, 
que pelos filhos notáveis de Alcínoo vão sendo amontoados

onde sua mãe veneranda se achava. Eram dádivas grandes. 
Eis que aos demais já conduz o sagrado poder do alto Alcínoo 
para o interior, assentando-se todos nos tronos excelsos. 
Vira-se, então, para a esposa o sagrado poder do alto Alcínoo: 
   “Dá-me, ó querida, uma caixa, a mais rica e melhor que possuíres. 
Dentro coloca tu própria um bom manto lavado e uma túnica. 
Ponham, depois, a caldeira no fogo, porque água aqueçamos, 
para que, ao vir do banheiro, contemple o estrangeiro os presentes 
de que os magnânimos Feácios houveram por bem cumulá-lo, 
e também folgue na mesa e as cantigas do aedo aprecie.

Por minha parte, esta copa lhe oferto, de entalhe finíssimo 
e toda de ouro, que o faça em seus dias de mim recordar-se, 
sempre que a Zeus ele em casa libar e às deidades eternas.” 
   Isso disse ele. Às criadas Arete ordenou em seguida 
pôr, sem nenhuma detença, no fogo uma trípode grande. 
Põem, de fato, a chaleira de banho nas brasas ardentes, 
enchem-na de água até a boca, queimando ao redor muita lenha; 
lambem as chamas o bojo da trípode; aquece-se o líquido. 
Nesse entrementes Arete trazia de dentro do quarto, 
para o estrangeiro, um baú; nele pôs os presentes valiosos,

de ouro e indumentos, as dádivas todas dos nobres Feácios. 
Pôs, também, dentro, uma túnica e, junto com esta, um bom manto. 
Para Odisseu ela, então, as palavras aladas dirige: 
   “Nota tu próprio o feitio da tampa e lhe passa um bom laço, 
de forma tal que ninguém no caminho te lese, ainda mesmo 
que durmas sono agradável, de novo, no escuro navio.” 
   Tendo Odisseu, sofredor de trabalhos, ouvido o que disse, 
exp’rimentou logo a tampa da caixa e laçada passou-lhe 
mui complicada, que outrora aprendera com Circe divina. 
A despenseira, no mesmo momento, a subir o convida

para banhar-se. Of’receu-se-lhe, então, o espetác’lo inefável 
do banho quente, que, havia há muito, não tinha provado, 
dês que deixara Calipso, de belos cabelos. Lá mesmo 
trato mimoso tivera, tal como se fosse um dos deuses. 
Logo que as servas o banho lhe deram e o ungiram com óleo 
e lhe puseram nos ombros um manto de lã sobre a túnica, 
foi Odisseu para o meio dos homens, que vinho bebiam. 
Junto do umbral de feitura mui sólida estava Nausícaa, 
a predileta dos deuses, que forma perfeita lhe deram. 
Ao contemplar o guerreiro Odisseu, admirou-se bastante

e, para ele voltada, lhe disse as palavras aladas: 
   “Salve, estrangeiro! Ao te vires de novo na pátria querida, 
lembra-te sempre de mim, a quem deves primeiro a hospedagem.” 
   Disse-lhe, então, em resposta, Odisseu, o solerte guerreiro: 
“Filha de Alcínoo, o guerreiro de espírito grande, Nausícaa: 
se Zeus, o de Hera marido, dotado de voz retumbante, 
me conceder o retorno, podendo eu rever meu palácio, 
diariamente hei de ter-te presente na minha memória 
como se deusa tu fosses, que a vida me deste, ó donzela!” 
   Disse, e no trono assentou-se, que ao lado de Alcínoo se achava.

Postas arautos já cortam, assim como o vinho misturam. 
Por outro arauto trazido, o divino cantor já chegava, 
que tanto o povo acatava, Demódoco. Fazem-no logo, 
junto de uma alta coluna assentar-se, no meio dos hóspedes. 
Vira-se, então, o astucioso Odisseu para o arauto, ali perto; 
corta um pedaço do lombo de porco de dentes recurvos 
com bem gordura e, a seguir, um maior para si põe de parte: 
   “Leva esta posta, ó rapaz, a Demódoco, para que coma; 
conquanto aflito, desejo, também, homenagem prestar-lhe. 
Todos os homens que vivem no dorso da terra, os cantores

sabem cultuar e os veneram, por verem que as Musas os prezam 
como a discípulos. Todos a casta dos bardos prezamos.” 
   Isso disse ele ao arauto, que a posta nas mãos logo entrega 
do herói Demódoco. Muito com isso o cantor fica alegre. 
Todos as mãos estendiam, visando a alcançar as viandas. 
Tendo assim, pois, a vontade da fome e da sede saciado, 
vira-se para Demódoco o astuto Odisseu e lhe fala: 
   “Mais do que a todos os outros mortais, te venero, ó Demódoco! 
Foste discíp’lo das Musas, as filhas de Zeus, ou de Apolo? 
Tão verazmente cantaste as desgraças dos homens Aquivos,

quanto fizeram, trabalhos vencidos, e o mais que sofreram, 
como se o visses tu próprio, ou soubesses de alguém fidedigno. 
Ora começa de novo, e o cavalo de pau nos invoca, 
que por Epeio foi feito com a ajuda de Palas Atena, 
esse, que o divo Odisseu com astúcia pôs dentro de Troia, 
cheio de heróis destemidos, que os muros sagrados saquearam. 
Caso consigas cantar isso tudo de acordo com os fatos, 
logo darei testemunho perante o universo dos homens 
que recebeste de um deus benfazejo a divina cantiga.” 
   Disse. O cantor, por um deus inspirado, dá logo começo,

tendo tomado do ponto em que, entrados nas naus bem cobertas, 
velas desfraldam, depois de nas tendas o fogo lançarem, 
no tempo em que muitos se achavam na praça de Troia 
junto do mais famoso Odisseu, e escondidos no bojo 
desse cavalo, que os próprios Troianos à acrópole tiram. 
Ei-lo na praça; a redor se cruzavam diversas propostas, 
desencontradas. Mas três agradaram, por fim, no conselho: 
ou desfazer o cavado madeiro com bronze impiedoso, 
ou conduzi-lo para o alto da rocha e no abismo atirá-lo, 
ou, qual imagem propícia, esperar que os divinos placasse,

tal como logo depois decidiram que assim fosse feito, 
pois o Destino assentara que fosse assolada a cidade, 
quando abrigasse o possante cavalo, que tinha no bojo 
fortes Aquivos, que a Morte e o extermínio aos Troianos levaram. 
Diz, a seguir, como a saco a cidade os Aqueus logo põem, 
quando saíram da cava emboscada do bojo do monstro; 
vão por caminhos diversos pilhar a cidade soberba, 
indo Odisseu, que com Ares compete no aspecto, ajudado 
por Menelau, procurar o palácio onde mora Deífobo. 
Disse, também, como ali num combate mui grande vencera

um contendor, pela ajuda que teve de Atena magnânima. 
   Isso narrava o famoso cantor. Odisseu, entrementes, 
liquefazia-se em lágrimas, tendo banhadas as faces, 
como mulher abraçada no corpo do caro marido 
que sucumbisse a lutar junto aos muros e seus moradores, 
a defendê-la e a seus filhos da sorte do dia impiedoso. 
Vê que se agita em finais convulsões e que o termo está próximo; 
grita, estridente, e se atira sobre ele; mas já os inimigos 
vêm por detrás e a golpeiam com lanças nos ombros
e espaldas, e como escrava a carregam, porque sofrimentos padeça.

Fanam-se as faces da mísera em tanto sofrer incontido: 
lágrimas comovedoras, também, Odisseu derramava. 
   Dos convidados nenhum lhe observou a fluência das lágrimas, 
com exceção só de Alcínoo, que atento notara o ocorrido, 
pois se encontrava ao seu lado e lhe ouvia os gemidos do peito. 
Logo a seguir os Feácios, amantes do remo, concita: 
   “Vós, conselheiros e guias do povo Feácio, escutai-me! 
Ora Demódoco faça calar o instrumento sonoro. 
Nem para todos, que estamos à mesa, é prazer escutá-lo. 
Desde que a cear começamos e o divo cantor, seu relato,

não tem cessado este nosso conviva de dar aos soluços 
larga expansão. Grande dor, certamente, angustia-lhe o peito. 
Pare, portanto, o cantor, porque alegres fiquemos nós todos, 
sem exceção, o estrangeiro e os de casa; que assim é mais certo. 
Foi por sua causa, somente, que a festa e as canções promovemos, 
os gratos dons e o retorno, o que damos por pura amizade. 
Um peregrino mendigo a um irmão equivale, por certo, 
para quem quer que no peito a centelha conserve do espírito. 
Mas não procures agora esquivar-te com frases ambíguas 
ao perguntar-lhe o que intento; é mais belo que assim me respondas.

Dize teu nome, e de como o teu pai e tua mãe te nomeiam 
na tua pátria, assim como os vizinhos, que em volta demoram. 
Não há ninguém desprovido de nome na face da terra, 
desde que nasce, quer seja de nobre prosápia, ou do povo. 
Sim, desde início se afanam na escolha do nome seus pais. 
Quero, também, que me digas a terra, a cidade e teu povo, 
para que a nau te conduza, mercê do seu próprio intelecto, 
pois os navios dos homens Feácios diferem dos outros. 
De timoneiro não têm precisão, nem de leme tampouco, 
mas compreendem dos homens o espírito e, assim, seus desígnios

onde as cidades se encontram, bem como as campinas mui férteis 
dos homens todos, cortando velozes a fúria dos mares, 
mesmo que nuvens ou densa neblina os envolva. Não, nunca 
riscos terão de correr, quer prejuízos, quer mesmo naufrágios. 
Ainda me lembro de ter de Nausítoo, meu pai, escutado 
que contra nós agastado seria Posido, por causa 
de condução concedermos a todos, sem riscos corrermos. 
Disse que um dia faria afundar na caligem do ponto 
nau benfeitora dos homens Feácios, ao vir de tornada, 
e que a cidade seria cercada por altas montanhas.

Nesse teor disse o velho. Mas se a profecia se cumpre 
certa, ou se deixa de ser realizada, do deus, só, depende. 
Vamos! Agora nos fala e responde conforme a verdade. 
Aonde atirado tu foste e a que terras, vagando, chegaste, 
seus habitantes, e assim as cidades de boas moradas, 
como, também, se eram broncos selvagens e às leis sempre infensos, 
ou, porventura, se amigos de estranhos e aos deuses submissos. 
Conta, também, o motivo de tanto afligir-te o imo peito 
ao escutares desgraças de Troia, dos Dânaos e Argivos. 
Obra dos deuses foi tudo, que aos homens a ruína teceram,

para que nunca aos vindoiros faltasse matéria de canto. 
Dar-se-á que te haja na Guerra de Troia morrido um parente 
de grande mérito, genro, talvez, ou, talvez mesmo, sogro, 
os que mais caros nos são logo após aos afins pelo sangue? 
Ou mesmo algum companheiro, com quem te afeiçoasses, de muito 
merecimento? Porque não julgamos de menos valia 
que ao próprio irmão, ao amigo dotado de espírito cauto.”² 
continua página 787...
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Prelúdio
Parte I
Parte II
Canto VII.a / Canto VII.b / Canto VIII.a / Canto VIII.b / Canto VIII.c /                                 
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Homero é considerado o maior poeta da Grécia Antiga. Estima-se que tenha vivido entre os séculos IX e VIII a.C. Sua obra foi composta e transmitida oralmente, e, devido à falta de evidências, alguns estudiosos chegam até a duvidar de sua existência.
Atribui-se a Homero, tradicionalmente, a autoria das obras Ilíada e Odisseia, dois clássicos que reconstituem a civilização grega com incrível riqueza de detalhes.
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[1] Esse trecho da Odisseia mostra um momento importante de reconciliação e reafirmação dos valores heroicos e sociais da obra. O que acontece aqui?
- Euríalo, que antes havia insultado Odisseu, decide pedir desculpas após a intervenção do rei Alcínoo.
- Para demonstrar sinceridade, ele oferece uma espada valiosa como presente.
- Além do pedido de perdão, Euríalo deseja que os deuses permitam que Odisseu volte à sua pátria e reencontre sua esposa.
- Odisseu aceita as desculpas com elegância e responde com votos de prosperidade ao jovem feácio.
     Temas presentes no trecho:
- Hospitalidade (xenia): valor fundamental na cultura grega. O estrangeiro deve ser respeitado e acolhido.
- Honra e reparação: uma ofensa não é corrigida apenas por palavras, mas também por gestos concretos, como o presente oferecido por Euríalo.
- Generosidade e nobreza: tanto Euríalo, ao reconhecer seu erro, quanto Odisseu, ao aceitá-lo sem rancor, demonstram qualidades admiradas pelos gregos.
- A saudade da pátria (nostos): a referência ao retorno de Odisseu para casa reforça o tema central do poema, que é a longa jornada de volta a Ítaca.
     Observação sobre a linguagem, A expressão “palavras aladas” é uma fórmula recorrente nos poemas homéricos. Ela sugere que as palavras "voam" rapidamente de um interlocutor para outro e ajuda a manter o ritmo característico da poesia épica.
     Em resumo, o trecho marca a transformação de um conflito em amizade, mostrando como honra, respeito e generosidade restauram a harmonia entre os personagens.

[2] Este é um dos momentos mais belos do Canto VIII da Odisseia, porque marca a transição entre o hóspede anônimo e o herói que em breve revelará sua identidade. Alguns aspectos merecem destaque:
- Alcínoo percebe o sofrimento de Odisseu - Enquanto os demais feácios apreciam o canto de Demódoco sobre a Guerra de Troia, apenas Alcínoo nota que o estrangeiro chora em silêncio. Isso ressalta uma qualidade fundamental do rei: sua sensibilidade e capacidade de observação. Homero enfatiza que o verdadeiro governante não se limita a comandar; ele também compreende os sentimentos dos outros.
- O poder da poesia e da memória - O canto de Demódoco não é simples entretenimento. Para Odisseu, ele reabre feridas profundas. Ao ouvir as histórias de Troia, o herói revive: a perda de companheiros; anos de sofrimento; as dificuldades da guerra; a longa separação de sua família. Por isso Alcínoo pergunta se algum parente ou amigo lhe teria morrido em Troia. O rei ainda não sabe que está diante de um dos principais protagonistas daqueles acontecimentos.
- A visão grega da hospitalidade - Alcínoo diz algo muito significativo: "Um peregrino mendigo a um irmão equivale, por certo, para quem quer que no peito a centelha conserve do espírito." Essa frase resume o ideal da xenia (hospitalidade sagrada). O estrangeiro merece respeito porque está sob a proteção dos deuses, especialmente de Zeus Xenios, protetor dos hóspedes.
- Os navios dos feácios - Alcínoo recorda uma antiga profecia de seu pai, Nausítoo: Posêidon se irritaria com os feácios; um de seus navios seria destruído ao regressar de uma viagem; a cidade seria cercada por uma grande montanha. Essa passagem antecipa acontecimentos que ocorrerão mais tarde, quando os feácios ajudarem Odisseu a retornar para Ítaca.
- A pergunta sobre o nome - O ponto central do discurso é a insistência de Alcínoo para que o hóspede revele quem é: "Não há ninguém desprovido de nome na face da terra." Na épica grega, o nome está ligado à identidade, à fama e à memória. Até esse momento, Odisseu permanece sem nome para os feácios. O suspense criado por Homero é enorme: o público já sabe quem ele é, mas os personagens ainda não.
- Uma reflexão metapoética - Talvez o trecho mais profundo seja: "Obra dos deuses foi tudo, que aos homens a ruína teceram, para que nunca aos vindoiros faltasse matéria de canto." Aqui Homero sugere que os sofrimentos humanos tornam-se matéria da poesia. As tragédias dos heróis não desaparecem; transformam-se em narrativa, memória e canto. É quase uma explicação da própria existência da Odisseia.
     Síntese: Neste discurso, Alcínoo demonstra compaixão, interrompe o canto que faz Odisseu sofrer, exalta a hospitalidade, descreve o poder extraordinário dos feácios e pede ao estrangeiro que revele sua identidade. Dramaticamente, o episódio prepara a grande revelação do canto seguinte: o momento em que Odisseu finalmente deixará de ser apenas um hóspede desconhecido e contará quem realmente é.



Odisseia, de Homero - Canto VIII - Odisseu na Assembleia dos Feácios




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