sábado, 29 de agosto de 2026

Odisseia: Parte I (Canto IV.c)

Odisseia


Homero

Tradução: Carlos Alberto Nunes


Parte I
A Viagem de Telêmaco
Canto IV

Na Lacônia e a emboscada dos pretendentes

    “Telêmaco com Pisístrato, sendo recebido por Menelau, relata sobre os feitos dos pretendentes em Ítaca. Então, Menelau lhe conta sobre o retorno dos Helenos e da profecia de Proteu, pelo que soube da Morte de Agamémnone e da presença de Odisseu junto de Calipso.
Se forma um conselho dos pretendentes acerca do rapto de Telêmaco. Atena encoraja Penélope, descontente com a partida do filho, através de um sonho aparecendo semelhante à Iftima, irmã de Penélope.” (Scholie EM P Q V)

continuando...

Quando, porém, ele próprio voltar a fazer-te perguntas 
sob a figura em que o viste primeiro, a dormir sobre a areia, 
cede no emprego da força, liberta o ancião, ó guerreiro, 
e lhe pergunta qual deus contra ti se conserva indignado, 
e como possas voltar, navegando o oceano piscoso.’ 
   “Tendo isso dito, mergulha de novo no mar ondulante. 
Eu, por meu lado, voltei para as naus, que se achavam na praia. 
O coração me estuava no peito durante o percurso. 
Logo que a margem do mar alcancei, onde estava o navio, 
mando aprontar o jantar. Cai a Noite divina entrementes,

indo nós todos dormir pela praia, onde as ondas se quebram. 
Logo que a Aurora, de dedos de rosa, surgiu matutina, 
pus-me a passear ao comprido da praia do mar de amplas vias, 
ardentemente a implorar aos divinos. Escolho três sócios 
dos da companhia, em quem mais nos perigos confiança depunha. 
Nesse entrementes, afunda Idoteia no seio das águas; 
trouxe de lá quatro peles de foca, no fundo colhidas, 
todas tiradas de fresco, que o pai iludir pretendia. 
Cava, em seguida, buracos ao longo da praia arenosa, 
onde se fica a esperar; perto dela nós outros nos pomos;

faz-nos deitar, e nos cobre com peles em número certo. 
Muito penoso nos era ficar de alcateia; terrível 
e insuportável odor trescalavam as focas do oceano, 
pois quem a par poderia deitar-se de um monstro marinho? 
Ela, porém, nos salvou, concebendo remédio eficiente: 
sob as narinas de todos ambrósia coloca, de aroma 
muito agradável, que o cheiro terrível dos monstros anula. 
O coração paciente, até vir a manhã lá ficamos. 
   “Eis que, reunidas, as focas das ondas emergem; por ordem 
deitam-se, logo em seguida, ao comprido da praia sonora.

Ao meio-dia o ancião sai das ondas, achando os nutridos 
corpos das focas; a todas revista e enumera por ordem, 
a principiar por nós quatro entre os monstros, sem que suspeitasse 
de que pudesse haver dolo. Por fim também ele deitou-se. 
Foi quando em grita o assaltamos, cingindo-lhe o corpo com os braços. 
Mas não se esquece o ancião de valer-se das artes dolosas: 
Toma, de início, a figura de um leão bem provido de juba, 
drago, depois, e pantera e, a seguir, javali portentoso, 
água corrente e, por fim, o feitio de uma árvore excelsa. 
Mais fortemente o agarramos, com ânimo firme e paciente.

Quando enfadado ficou o ancião, sabedor de artimanhas, 
pôs-se, por fim, a falar-me, fazendo a seguinte pergunta: 
   “‘Dize-me, filho de Atreu, qual dos deuses te foi conselheiro, 
para que, assim, me amarrasse por dolo? De que necessitas?’ 
   “Isso disse ele. Em resposta lhe dei as seguintes palavras: 
‘Velho, por que te esquivares com tantas perguntas? Bem sabes 
que há muito tempo me encontro detido nesta ilha, sem meio 
de sair dela; esmorece-me dentro do peito a coragem. 
Ora revela-me tudo, que os deuses o sabem sem falha, 
qual dos eternos me traz aqui preso e me impede o caminho,

e de que modo voltar, navegando o oceano piscoso.’ 
   “Isso lhe disse; em resposta me torna as seguintes palavras: 
‘Antes que houvesse nas naus embarcado, a Zeus grande que vibra 
a égide e às mais divindades, devias ter feito holocaustos, 
para que à pátria pudesses chegar pelo mar cor de vinho, 
pois isto não te pertence, rever os amigos e a casa 
bem-construída tornar, assim como a tua pátria querida, 
sem que, primeiro, outra vez, te dirijas às águas do Egito, 
no céu nascido, e hecatombes sagradas ali ofereças 
às divindades eternas, que moram no céu espaçoso.

Só depois disso obterás realizar o caminho almejado.’ 
   “Parte-se-me o coração, ao ouvi-lo dizer tais palavras, 
pois me ordenava vogar, outra vez, pelo mar nebuloso, 
para que o Egito alcançasse por longo e terrível caminho. 
Mas, apesar de tudo isso, lhe dei a resposta seguinte: 
   ‘Sem discrepância, ó ancião, cumprirei todos esses preceitos. 
Mas, por agora, me fala e responde conforme a verdade, 
se os Aqueus todos, incólumes, em seus navios voltaram, 
quantos deixei, com Nestor, ao partirmos das plagas troianas, 
ou se de Morte cruel pereceram a bordo das naves,

ou entre os braços de amigos, depois de acabada a campanha.’ 
   “Isso lhe disse; em resposta me torna as seguintes palavras: 
‘Por que perguntas, Atrida, tal coisa? Não te é vantajoso 
ter de tudo isso ciência, e dos meus pensamentos. Não creio 
que sem chorar demorasses se tudo saber conseguisses. 
Muitos no mar se afundaram, com vida outros muitos ficaram. 
Dos líderes dos Aqueus de couraça de bronze, morreram, 
quando de volta, só dois — estiveste presente na guerra — 
outro com vida ainda alhures se encontra no largo oceano. 
Com seus navios de remos compridos Ajaz foi ao fundo.

Primeiramente, Posido o lançou nos rochedos de Gira, 
pedra enormíssima, embora o deixasse escapar do naufrágio. 
Mas, salvar-se-ia assim mesmo, e apesar de que Palas o odiava, 
se não deixasse escapar termos feios e grande blasfêmia: 
que, contra as próprias deidades, fugira do abismo das águas. 
Ouve-lhe o grande impropério Posido de escuros cabelos; 
sem mais demora, tomando o tridente nas mãos vigorosas, 
lança-o com força na pedra de Gira, fendendo-a no meio: 
firme uma parte ficou; outra parte caiu dentro da água, 
sim, justamente onde Ajaz se assentava e dissera a blasfêmia;

a essa arrastou para o fundo revolto com grande procela. 
Dessa maneira morreu, tendo as ondas salgadas bebido. 
Té certo ponto Agamémnone pôde do Fado esquivar-se, 
na nau convexa. Foi Hera divina que assim o salvara. 
Mas, quando perto se achava do Cabo Maleia escarpado, 
eis que procela terrível o apanha, obrigando-o a empregar-se 
pelo domínio piscoso, a soltar sentidíssimas queixas. 
Desse local em diante o regresso correu sem perigos, 
por lhe soprarem os deuses monções, tendo à pátria chegado 
junto da ponta do campo onde a casa Tiestes construíra.

Primeiramente; ora reina na casa o Tiestíada Egisto. 
Com alegria pisou ele o solo da terra nativa; 
beija-a e abraça-a; é sua pátria. Sobre ela derrama copiosas 
e ardentes lágrimas, pelo prazer de a rever, de tornada. 
Viu-o o vigia, do ponto em que estava escondido, postado 
lá por Egisto traiçoeiro, que em paga promete entregar-lhe 
dois belos áureos talentos. De guarda o ano todo ficara; 
não lhe escapasse a chegada, lembrado da força impetuosa. 
Ei-lo que o vai revelar no palácio ao pastor de guerreiros. 
Quando isso soube, forjou, logo, Egisto malévolo plano;

vinte indivíduos escolhe no povo, dos mais audaciosos, 
e os deixa ocultos, mandando aprontar noutra parte um banquete. 
Por sua vez, com cavalos e carros, maldosos projetos 
a ruminar, convidou Agamémnone, rei poderoso, 
que, sem saber do fim próximo, leva e trucida, tal como 
na manjedoura uma rês é abatida, durante o banquete. 
Dos companheiros do Atrida nenhum escapar conseguiu, 
nem dos de Egisto, que todos tombaram na casa, sem vida.’ 
   “Parte-se-me o coração, ao ouvi-lo dizer tais palavras. 
Caio de bruços na areia da praia, a chorar, sem vontade
   
nem de com vida ficar, nem de os raios do Sol ver ainda. 
Mas, depois que me saciei de chorar e rolar pelo solo, 
disse-me o ancião infalível marinho as seguintes palavras: 
   “‘Filho de Atreu, não prossigas, assim, nesse choro sem pausa, 
pois que nenhum resultado tiramos com isso, mas trata 
logo de ver como possas a pátria alcançar novamente. 
Encontrá-lo-ás ainda vivo, talvez; ou quem sabe se Orestes 
já o imolou; para o enterro é possível com tempo chegares.’ 
   “Disse. Em meu peito se aquecem o viril coração novamente 
e o ânimo, embora abatidos se achassem por tantos trabalhos.

Mais uma vez o interrogo e lhe digo as palavras aladas: 
   “‘Desses já sei o destino; nomeia-me, agora, o terceiro, 
que inda com vida se encontra detido no largo oceano, 
ou mesmo morto. Desejo-o saber, muito embora me aflija.’ 
   “Isso lhe disse; em resposta me torna as seguintes palavras: 
‘É o de Laertes rebento, que em Ítaca tem a morada. 
Vi-o numa ilha afastada, a verter copiosíssimo pranto, 
em o palácio da ninfa Calipso, que à força o tem preso, 
sem que ele possa voltar para o caro torrão de nascença. 
Faltam-lhe naves providas de remos, assim como sócios,

que pelo dorso do mar extensíssimo possam levá-lo. 
Mas, quanto a ti, Menelau, descendente de Zeus, o Destino 
não determina morreres em Argos, nutriz de cavalos; 
para as campinas do Elísio, limite da terra, te enviam 
os imortais, onde está Radamanto, de louros cabelos, 
e onde a existência decorre feliz para todos os homens. 
Lá não cai neve, nem longo é o inverno, nem chove o ano todo, 
mas de contínuo o de Zéfiro sopro de ruído sonoro 
manda o oceano, que os homens com branda bafagem refresque, 
visto de Helena, marido tu seres e, assim, de Zeus genro.’¹

“Tendo isso dito, mergulha de novo no mar ondulante. 
Volto de novo aos navios e aos sócios de formas divinas. 
O coração me estuava no peito durante o percurso. 
Logo que a margem do mar alcancei, onde estava o navio, 
mando aprestar o jantar. Cai a Noite divina, entrementes, 
indo nós todos dormir pela praia, onde as ondas se quebram. 
Logo que a Aurora, de dedos de rosa, surgiu matutina, 
antes de tudo, arrastamos as naus para as ondas divinas; 
mastros, depois, levantamos e velas nas naves simétricas. 
Sobem, depois, os demais para bordo e se sentam nos bancos,

todos em ordem, batendo com os remos nas ondas grisalhas. 
Volto de novo à corrente do Egito, do céu oriundo; 
fiz ancorar e ali mesmo aprestei hecatombes completas. 
Tendo assim, pois, aplacado dos deuses eternos a cólera, 
um cenotáfio a Agamémnone ergui, para lhe dar eviterna 
glória. Feito isso, embarcamos; os deuses eternos nos mandam 
ventos ponteiros, que à pátria querida, sem mais, nos trouxeram. 
   “Peço-te agora que fiques por tempo mais longo aqui em casa 
té que onze dias, ou mesmo mais um, resolvidos vejamos, 
pois depois disso te mando levar com presentes magníficos:

dou-te carruagem de fino lavor, três cavalos e, ainda, 
uma belíssima taça, com que libações ofereças 
aos imortais diariamente, tornando-me sempre lembrado.” 
   O ajuizado Telêmaco disse-lhe, então, em resposta: 
“Não me detenhas, Atrida, por tempo mais longo, em tua casa. 
Mesmo que um ano completo aceitasse ficar no palácio, 
não sentiria saudades de casa ou dos que me geraram, 
pois grandemente me enlevo em ouvir teus discursos e contos. 
Mas os meus sócios já estão começando a ficar enfadados 
na sacra Pilo, porque me deténs muito tempo em tua casa.

Quanto ao presente que a mim destinaste, que seja uma joia, 
porque cavalos para Ítaca não levarei; para o gozo 
próprio tos deixo aqui mesmo; em extensa planície dominas, 
onde há abundância de trevo e, também, junça e trigo bastante, 
bem como espelta e cevada, da branca, de espigas bonitas. 
Pistas extensas não temos em Ítaca, ou mesmo bons prados; 
pastos de cabra, isso sim, que as do poldro pastagens mais gratos. 
Sabes que as ilhas situadas no mar não têm prados de jeito 
para carruagens andar. Mais que todas é Ítaca imprópria.” 
   A essas palavras sorriu Menelau, de voz forte na guerra.

Acariciou-o com a mão e, falando, lhe disse o seguinte: 
   “Que és de bom sangue, meu caro, se vê pelo modo que falas. 
Outros presentes vou dar-te em lugar dos primeiros, que o posso. 
De quantas coisas preciosas em casa se encontram guardadas, 
quero ofertar-te a mais bela e de mais extremada valia. 
Dou-te uma taça de fino trabalho e de linhas bem-feitas, 
toda de prata, com bordas, porém, de ouro puro batidas, 
obra de Hefesto, presente de Fédimo, ousado guerreiro, 
rei dos Sidônios, no tempo em que estive em sua casa hospedado, 
quando da viagem de volta. Essa, agora, desejo ofertar-te.”

Dessa maneira, em colóquio, eles dois tais conceitos trocavam. 
Para o palácio do divo monarca vêm vindo os convivas, 
a conduzir as ovelhas e o vinho, que os homens reanimam; 
pães as esposas, ornadas de véus preciosos, enviavam. 
Azafamados assim no palácio cuidavam da festa. 
   Os pretendentes, em frente da casa do divo Odisseu, 
se divertiam, no entanto, jogando venáb’los e discos, 
no pavimento bem-feito, arrogantes, tal como eram sempre. 
Senta-se Eurímaco, a um deus semelhante, de par com Antínoo, 
dos pretendentes os chefes, mais fortes e belos que todos.² 

continua página 717...
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Prelúdio
Parte I
Canto II.a / Canto II.b / Canto III.a / Canto III.b / Canto IV.a / Canto IV.b / Canto IV.c / Canto IV.d /              
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Homero é considerado o maior poeta da Grécia Antiga. Estima-se que tenha vivido entre os séculos IX e VIII a.C. Sua obra foi composta e transmitida oralmente, e, devido à falta de evidências, alguns estudiosos chegam até a duvidar de sua existência.
Atribui-se a Homero, tradicionalmente, a autoria das obras Ilíada e Odisseia, dois clássicos que reconstituem a civilização grega com incrível riqueza de detalhes.
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[1] Trecho lindíssimo da Odisseia, ainda dentro do relato de Menelau a Telêmaco.
     Menelau continua contando a Telêmaco como obteve notícias de Odisseu ao consultar Proteu, o Velho do Mar. Este trecho é justamente a parte em que Proteu revela o destino do terceiro guerreiro que Menelau queria saber — e esse terceiro é Odisseu.
     Menelau pergunta a Proteu sobre o terceiro herói cujo destino ainda desconhecia. Proteu revela que esse herói é Odisseu, filho de Laertes, ainda vivo, mas preso na ilha de Calipso, chorando e desejando voltar para Ítaca. Odisseu não tem navio nem companheiros para atravessar o mar — está completamente isolado. Proteu também profetiza o destino de Menelau: ele não morrerá em Argos, mas será levado pelos deuses ao Campo Elísio, onde a vida é eterna e suave, por ser marido de Helena e, portanto, genro de Zeus. Após ouvir isso, Menelau retorna aos navios, prepara sacrifícios, ergue um cenotáfio para Agamémnon e recebe ventos favoráveis que o levam de volta à pátria.
     A revelação sobre Odisseu é crucial: confirma que ele está vivo, mas impossibilitado de retornar — reforça o drama da espera de Penélope e Telêmaco.
     Calipso representa a tensão entre desejo e dever: Odisseu é amado pela ninfa, mas seu coração pertence à sua terra e à sua família.
     A profecia sobre Menelau contrasta com o sofrimento de Odisseu: enquanto o rei de Esparta terá um destino sereno e divino, Odisseu enfrenta provações intermináveis.
     O cenotáfio de Agamémnon mostra a preocupação de Menelau com a memória do irmão, reforçando o tema da glória póstuma.
     Esse trecho prepara o leitor para a libertação de Odisseu por ordem de Zeus, que acontecerá pouco depois. Também reforça a ideia de que o mundo dos heróis é regido por destino, honra e intervenção divina, e que cada um deles carrega uma marca única dos deuses.

[2] A cena pertence ao Canto IV da Odisseia, quando Menelau recebe Telêmaco em Esparta. Menelau reconhece a nobreza do jovem e lhe oferece um presente valioso antes de sua partida para Ítaca. 
     Menelau sorri e elogia Telêmaco, reconhecendo sua boa linhagem pelo modo como fala. Ele promete dar ao jovem um presente ainda melhor que o anterior: uma taça de prata com bordas de ouro, obra de Hefesto, recebida de Fédimo, rei dos sidônios. Enquanto conversam, os preparativos para o banquete prosseguem no palácio: convidados chegam trazendo ovelhas, vinho e pão.
     Logo depois, o texto muda para Ítaca, mostrando os pretendentes se divertindo e desperdiçando os bens de Odisseu enquanto esperam o banquete. Em Ítaca, os pretendentes continuam sua rotina arrogante, jogando dardos e discos diante da casa de Odisseu. Eurímaco e Antínoo, os líderes dos pretendentes, aparecem como figuras centrais, descritos como fortes e belos.
     O contraste entre Esparta (ordem, honra, hospitalidade) e Ítaca (desordem, abuso, arrogância dos pretendentes) prepara o leitor para o retorno de Odisseu e o acerto de contas que virá.

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