Max Weber
(1864-1920)
II
O espírito do capitalismo
No título deste estudo usamos a frase, algo pretensiosa, o espírito do capitalismo. O que se
entende por isso? A tentativa de dar qualquer definição para isso implica em certas
dificuldades, inerentes à natureza deste tipo de investigação.
Se puder ser encontrado algo a que se possa aplicar esse termo, com algum significado
compreensível, só poderá ser uma individualidade histórica, isto é, um complexo de
elementos associados na realidade histórica que nós aglutinamos em um todo conceitual, do
ponto de vista de seu significado cultural.
Tal conceituação histórica, contudo, uma vez que seu conteúdo se refere a um fenômeno
significativo por sua individualidade única, não pode ser definida pela fórmula genus
proximum, differentia specifica, mas deve ser montada gradualmente de suas partes
individuais, tomadas da realidade histórica que a constituem. Por isso, o conceito final e
definitivo não poderá ser encontrado no início, mas aparecerá no fim da investigação. Em
outras palavras, devemos trabalhar, ao longo da discussão, para o seu principal resultado,
ou seja, a melhor formulação conceitual do que se entende aqui por espírito do capitalismo,
isto é, a melhor do ponto de vista que nos interessa aqui. Esse ponto de vista (do qual
falaremos adiante) não é, de mais a mais, o único possível a partir do qual se podem
analisar os fenômenos históricos que investigamos. Outros pontos de vista produziriam,
para esse como para qualquer outro fenômeno histórico, outras características essenciais.
Como resultado disso, não é necessário compreender como espírito do capitalismo somente
aquilo que viria a significar para nós, para os propósitos da nossa análise.
Esse é um resultado necessário da natureza dos conceitos históricos que tentam, para suas
finalidades metodológicas, apanhar a realidade histórica não em uma forma abstrata e geral,
mas em concretos conjuntos genéticos de relações, inevitavelmente de caráter individual, e
especificamente únicos.
Por isso, se tentarmos determinar o objeto, a análise e explicação histórica tentadas não
podem ser feitas na forma de definição conceitual, mas, ao menos no início, como uma
descrição provisória do que entendemos aqui por espírito do capitalismo. Tal descrição é
entretanto indispensável para uma compreensão clara do objetivo da investigação. Com
essa finalidade, remetemo-nos a um documento desse espírito, que contém, em uma pureza
quase clássica, aquilo que buscamos – com a vantagem de ser ao mesmo tempo livre de
qualquer relação direta com a religião, sendo pois, para os nossos propósitos, livre de
preconceitos.
“Lembre-se que o tempo é dinheiro. Para aquele que pode ganhar dez shillings por dia pelo
seu trabalho e vai passear ou fica ocioso metade do dia, apesar de não gastar mais que seis
pence em sua vadiagem ou diversão, não deve ser computada apenas essa despesa; ele
gastou, ou melhor, jogou fora. mais cinco shillings.
“Lembre-se que o crédito é dinheiro. Se um homem deixa seu dinheiro em minhas mãos
por mais tempo que o devido, está me dando os juros, ou tudo o que eu possa fazer com ele
durante esse tempo. Isto atinge somas consideráveis quando alguém goza de bom e amplo
crédito, e faz dele bom uso. “Lembre-se que o dinheiro é de natureza prolífica e geradora.
O dinheiro pode gerar dinheiro, e seu produto gerar mais, e assim por diante. Cinco
shillings circulando são seis; circulando de novo são sete e três pence e assim por diante,
até se tornarem cem libras. Quanto mais dele houver, mais produz a cada aplicação, de
modo que seus juros aumentam cada vez mais rapidamente. Aquele que mata uma porca
prenhe, destrói sua descendência até a milésima geração. Aquele que “mata” uma coroa,
destrói tudo aquilo que poderia ter produzido, até muitas libras”.
“Lembre-se do ditado: O bom pagador é dono da bolsa alheia . Aquele que é conhecido por
pagar exata e pontualmente na data prometida pode, a qualquer momento e em qualquer
ocasião, levantar todo o dinheiro de que seus amigos possam dispor. Isso, por vezes, é de
grande utilidade. Além da industriosidade e da frugalidade, nada contribui mais para a
subida de um jovem na vida que a pontualidade e a justiça em todos os seus negócios; por
isso, nunca mantenha dinheiro emprestado uma hora sequer além do tempo prometido, para
que o desapontamento não feche para sempre, à bolsa de teus amigos”. “As menores ações que possam afetar o crédito de um homem devem ser levadas em conta. O som do teu martelo às cinco da manhã ou às oito da noite, ouvido por um credor, te o tornará favorável por mais seis meses; mas se te vir à mesa de bilhar, ou ouvir tua voz na taverna quando deverias estar no trabalho, cobrará o dinheiro dele no dia seguinte, de uma vez, antes do tempo.”
“Isto mostra, entre outras coisas, que estás consciente daquilo que tens; fará com que
pareças um homem tão honesto como cuidadoso, e isso aumentará teu crédito.”
“Não te permitas pensar que tens de fato tudo o que possuis, e viver de acordo. Esse é um
erro em que caem muitos que têm crédito. Para evitar isso, mantenha por algum tempo uma
contabilidade exata de tuas despesas e tuas receitas. Se, de início te deres ao trabalho de
mencionar os detalhes, isso terá este bom efeito: descobrirás que mesmo pequenas e
insignificantes despesas se acumulam em grandes somas, e discernirás o que poderia ter
sido e o que poderá ser, no futuro, poupado sem causar grandes inconvenientes”.
“Por seis libras anuais poderás desfrutar do uso de cem libras, desde que sejas um homem
de reconhecida prudência e honestidade.”
“Aquele que gasta um groat por dia inutilmente, desperdiça mais de seis libras por ano, que
seria o preço do uso de cem libras.”
“Aquele que desperdiça o valor de um groat de seu tempo por dia, um dia após o outro, desperdiça o privilégio de usar cem libras a cada dia.”
“Aquele que perde inutilmente o valor de cinco shillings de seu tempo, perde cinco shillings, e poderia com a mesma prudência tê-los jogados ao mar.”
“Aquele que perde cinco shillings, não perde apenas essa soma, mas também todas as vantagens que poderia obter investindo a em negócios, e que durante o tempo em que um jovem se torna um velho, se tornaria uma soma considerável”.
“Aquele que desperdiça o valor de um groat de seu tempo por dia, um dia após o outro, desperdiça o privilégio de usar cem libras a cada dia.”
“Aquele que perde inutilmente o valor de cinco shillings de seu tempo, perde cinco shillings, e poderia com a mesma prudência tê-los jogados ao mar.”
“Aquele que perde cinco shillings, não perde apenas essa soma, mas também todas as vantagens que poderia obter investindo a em negócios, e que durante o tempo em que um jovem se torna um velho, se tornaria uma soma considerável”.
É Benjamin Franklin que nos admoesta com tais sentenças, as mesmas que Ferdinand
Kürnberger satiriza em seu inteligente e malicioso Picture of American Culture, como
uma suposta confissão de fé do yankee. Não há o que duvidar de que é o espírito do
capitalismo que aqui se expressa de modo característico, conquanto estejamos longe de
afirmar que tudo o que possamos entender como pertencente a ele esteja contido nisso.
Consideremos por um momento esta passagem, cuja filosofia foi resumida por Kümber nestas palavras: “Eles tiram sebo do gado e dinheiro dos homens”. A peculiaridade dessa filosofia de avareza parece ser o ideal dos homens honestos, de crédito reconhecido, e acima de tudo a ideia de dever que o indivíduo tem no sentido de aumentar o próprio capital, assumido como um fim a si mesmo. De fato, o que nos é aqui pregado não é apenas um meio de fazer a própria vida, mas uma ética peculiar. A infração de suas regras não é tratada como uma tolice, mas como um esquecimento do dever. Essa é a essência do exposto. Não se trata de mera astúcia de negócios, o que seria algo comum, mas de um ethos. E essa é a qualidade que nos interessa.
Quando Jacob Fugger, falando com um sócio de negócios que havia se aposentado e que tentava convencê-lo a fazer o mesmo, uma vez que já havia acumulado dinheiro suficiente e que poderia deixar a chance para outros, rejeitou a ideia como pusilânime e respondeu que “ele (Fugger) pensava diferente e procurava ganhar dinheiro enquanto pudesse”; o espírito dessa colocação é evidentemente bem diferente das de Franklin. Aquilo que no caso de Franklin foi uma expressão de audácia comercial e uma inclinação pessoal moralmente neutra assume nesse outro o caráter ético de uma regra de conduta de vida. O conceito de espírito do capitalismo é usado aqui no sentido específico de espírito do capitalismo moderno.
Pelo modo como estamos colocando o problema, é obvio que estamos nos referindo ao capitalismo da Europa Ocidental e da América do Norte. O capitalismo existiu na China, na índia, na Babilônia no mundo clássico e na Idade Média. Mas em todos esses casos, como veremos, o ethos particular faltou. Ora, todas as atitudes de Franklin são coloridas de utilitarismo. A honestidade é útil, pois assegura o crédito; e é assim com a pontualidade, com a industriosidade, com a frugalidade e essa é a razão pela qual são virtudes. Uma dedução lógica disso seria que a aparência de honestidade serviria ao mesmo propósito quando fosse suficiente, e um excesso desnecessário desta virtude pareceria, aos olhos de Franklin, um desperdício improdutivo. E de fato, a história de sua conversão para essas virtudes, na sua autobiografia, ou a discussão do valor da estrita manutenção das aparências de modéstia, da contínua diminuição dos próprios méritos para mais tarde conquistar o reconhecimento geral, confirmam tais impressões. De acordo com Franklin, tais virtudes, assim com ás demais, só são virtudes a medida em que são úteis ao indivíduo, é a substituição pela mera aparência é sempre suficiente desde que atinja o fim desejado. E esta é a conclusão inevitável do utilitarismo estrito. A impressão que muitos alemães têm, de que as virtudes professadas pelo americanismo são pura hipocrisia parece confirmada por esse caso notável.
Porém o caso não é, como poderia parecer, tão simples. O próprio caráter de Benjamin Franklin, como transparece pela extraordinária candura de sua autobiografia, anula esta suspeita. A circunstância a que ele atribui seu reconhecimento da utilidade da virtude a uma revelação divina que queria encaminhá-lo na trilha da retidão, mostra que algo mais que mera ornamentação de motivos puramente egocêntricos encontra se as envolvida.
Consideremos por um momento esta passagem, cuja filosofia foi resumida por Kümber nestas palavras: “Eles tiram sebo do gado e dinheiro dos homens”. A peculiaridade dessa filosofia de avareza parece ser o ideal dos homens honestos, de crédito reconhecido, e acima de tudo a ideia de dever que o indivíduo tem no sentido de aumentar o próprio capital, assumido como um fim a si mesmo. De fato, o que nos é aqui pregado não é apenas um meio de fazer a própria vida, mas uma ética peculiar. A infração de suas regras não é tratada como uma tolice, mas como um esquecimento do dever. Essa é a essência do exposto. Não se trata de mera astúcia de negócios, o que seria algo comum, mas de um ethos. E essa é a qualidade que nos interessa.
Quando Jacob Fugger, falando com um sócio de negócios que havia se aposentado e que tentava convencê-lo a fazer o mesmo, uma vez que já havia acumulado dinheiro suficiente e que poderia deixar a chance para outros, rejeitou a ideia como pusilânime e respondeu que “ele (Fugger) pensava diferente e procurava ganhar dinheiro enquanto pudesse”; o espírito dessa colocação é evidentemente bem diferente das de Franklin. Aquilo que no caso de Franklin foi uma expressão de audácia comercial e uma inclinação pessoal moralmente neutra assume nesse outro o caráter ético de uma regra de conduta de vida. O conceito de espírito do capitalismo é usado aqui no sentido específico de espírito do capitalismo moderno.
Pelo modo como estamos colocando o problema, é obvio que estamos nos referindo ao capitalismo da Europa Ocidental e da América do Norte. O capitalismo existiu na China, na índia, na Babilônia no mundo clássico e na Idade Média. Mas em todos esses casos, como veremos, o ethos particular faltou. Ora, todas as atitudes de Franklin são coloridas de utilitarismo. A honestidade é útil, pois assegura o crédito; e é assim com a pontualidade, com a industriosidade, com a frugalidade e essa é a razão pela qual são virtudes. Uma dedução lógica disso seria que a aparência de honestidade serviria ao mesmo propósito quando fosse suficiente, e um excesso desnecessário desta virtude pareceria, aos olhos de Franklin, um desperdício improdutivo. E de fato, a história de sua conversão para essas virtudes, na sua autobiografia, ou a discussão do valor da estrita manutenção das aparências de modéstia, da contínua diminuição dos próprios méritos para mais tarde conquistar o reconhecimento geral, confirmam tais impressões. De acordo com Franklin, tais virtudes, assim com ás demais, só são virtudes a medida em que são úteis ao indivíduo, é a substituição pela mera aparência é sempre suficiente desde que atinja o fim desejado. E esta é a conclusão inevitável do utilitarismo estrito. A impressão que muitos alemães têm, de que as virtudes professadas pelo americanismo são pura hipocrisia parece confirmada por esse caso notável.
Porém o caso não é, como poderia parecer, tão simples. O próprio caráter de Benjamin Franklin, como transparece pela extraordinária candura de sua autobiografia, anula esta suspeita. A circunstância a que ele atribui seu reconhecimento da utilidade da virtude a uma revelação divina que queria encaminhá-lo na trilha da retidão, mostra que algo mais que mera ornamentação de motivos puramente egocêntricos encontra se as envolvida.
De fato, o summum bonum dessa ética, o ganhar mais e mais dinheiro, combinado com o
afastamento estrito de todo prazer espontâneo de viver é, acima de tudo, completamente
isento de qualquer mistura eudemonista, para não dizer hedonista; é pensado tão puramente
como um fim em si mesmo, que do ponto de vista da felicidade ou da utilidade para o
indivíduo parece algo transcendental e completamente irracional . O homem é dominado
pela geração de dinheiro, pela aquisição como propósito final da vida. A aquisição
econômica não mais está subordinada ao homem como um meio para a satisfação de suas
necessidades materiais. Essa inversão daquilo que chamamos de relação natural, tão
irracional de um ponto de vista ingênuo, é evidentemente um princípio guia do capitalismo,
tanto quanto soa estranha para todas as pessoas que não estão sob a influência capitalista.
Ela expressa ao mesmo tempo um tipo de sentimento que está intimamente ligado com
certas ideias religiosas. Se pois formularmos a pergunta por que devemos fazer dinheiro às
custas dos homens, o próprio Benjamin Franklin, embora não fosse um deísta convicto,
responde em sua autobiografia com uma citação da Bíblia que lhe fora inculcada pelo pai,
rígido calvinista, em sua juventude : “Vês um homem diligente em seus afazeres? Ele
estará acima dos reis”. (Provérbios 22; 29). O ganho de dinheiro na moderna ordem
econômica é, desde que feito legalmente, o resultado e a expressão da virtude e da
eficiência em certo caminho; e essas eficiência e virtude são, como agora se tornou fácil de
ver, o alfa e o ômega da verdadeira ética de Franklin, como foi expressa nos trechos
citados, tanto quanto em todos os seus escritos, sem exceção.
Na verdade, essa ideia tão peculiar do dever do indivíduo em relação à carreira, que nos é
familiar atualmente, mas na realidade tão pouco óbvia, é o que há de mais característico na
ética social da cultura capitalista e, em certo sentido constitui sua base fundamental. É uma
obrigação que se supõe que o indivíduo sinta, e desato sente, em relação ao conteúdo de sua
atividade profissional, não importa qual seja, particularmente se ela se manifesta como uma
utilização de suas capacidades pessoais ou apenas de suas posses materiais (capital).
Naturalmente, essa concepção não se manifestou apenas sob as condições capitalistas. Pelo
contrário, mais tarde seguiremos suas origens em tempos anteriores ao advento do
capitalismo. Naturalmente não afirmamos tampouco que a aceitação consciente de tais
máximas éticas por parte dos indivíduos, quer empresários quer trabalhadores das modernas
empresas capitalistas seja condição para a futura existência do capitalismo atual. A
economia capitalista moderna é um imenso cosmos no qual o indivíduo nasce, e que se lhe
afigura, ao menos como indivíduo, como uma ordem de coisas inalterável, na qual ele tem
de viver. Ela força o indivíduo, a medida que esse esteja envolvido no sistema de relações
de mercado, a se conformar às regras de comportamento capitalistas. O fabricante que se opuser por longo tempo a essas normas será inevitavelmente eliminado do cenário
econômico, tanto quanto um trabalhador que não possa ou não queira se adaptar às regras,
que será jogado na rua, sem emprego.
Assim pois, o capitalismo atual, que veio para dominar a vida econômica, educa e seleciona
os sujeitos de quem precisa, mediante o processo de sobrevivência econômica do mais apto.
Mas aqui podemos facilmente vislumbrar os limites do conceito de seleção como meio de
explicação histórica. Para que um tal modo de vida, tão bem adaptado às peculiaridades do
capitalismo, pudesse ser selecionado, isto é, viesse a sobrepujar os outros, ele teve de se
originar em algum lugar, não em indivíduos isolados, mas como modo de vida de inteiros
grupos humanos. Em relação à doutrina do mais ingênuo materialismo histórico, segundo a
qual tais ideias se originaram como um reflexo ou como uma superestrutura da situação
econômica, falaremos com mais detalhes a seguir. Nesse ponto, basta para os nossos
propósitos chamar a atenção para o fato de que, sem duvidar, no lugar de nascimento de
Benjamin Franklin (Massachusetts) o espírito do capitalismo, (no sentido adotado) estava
presente antes da ordem capitalista. Havia queixas contra uma habilidade peculiar de
cálculo para obtenção de lucro na Nova Inglaterra, que se distinguia das outras partes da
América, desde os idos de 1632. Está fora de questão que o capitalismo permaneceu, de
longe, menos desenvolvido em algumas das colônias vizinhas, que depois se tornariam os
estados do sul dos Estados Unidos da América, a despeito do fato de que essas últimas
foram fundadas por grandes capitalistas por motivos comerciais, enquanto as colônias da
Nova Inglaterra foram fundadas por pregadores e graduados com a ajuda de pequenos
burgueses, artesãos e yoemen por motivos religiosos. Nesse caso, a relação causal é
certamente o inverso daquela sugerida pelo ponto de vista materialista.
A origem e a história de tais ideias é porém muito mais complexa do que supõem os
teóricos da superestrutura. O espírito do capitalismo, no sentido em que usamos o termo,
teve de lutar por sua supremacia contra um mundo inteiro de forças hostis.
Um estado mental como aquele expresso nas passagens citadas de Franklin, que arrancaram
aplausos de um povo inteiro, tanto no tempo antigo como na Idade Média` teria sido
proscrito como o mais baixo tipo de avareza e como uma atitude completamente isenta de
respeito próprio. E de fato é ainda vista assim por todos os grupos sociais que estão pouco
envolvidos ou adaptados às condições do capitalismo moderno. E isso não devido ao fato
de o instinto de aquisição ser desconhecido ou pouco desenvolvido naqueles tempos, como
foi aventado muitas vezes. Tampouco porque a auri sacra fames, a fome de riqueza fosse,
ontem como hoje, menos poderosa fora do capitalismo burguês do que dentro de sua esfera
de ação, como nos quer fazer crer a ilusão dos modernos românticos. A diferença entre o
espírito pré-capitalista e o capitalista não deve ser encontrada nesse ponto. A avidez do
mandarim chinês, do antigo aristocrata romano ou do moderno camponês pode suportar
qualquer comparação.
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