Homero
Tradução: Carlos Alberto Nunes
Canto VIII - A luta interrompida
“Zeus proíbe futuras intervenções dos deuses na guerra e vai ao monte Ida assistir aos combates. Os Troianos, então, sobrepujam os Gregos. Diomedes tenta, sem sucesso, recuperar a vitória para os Gregos. Estes são empurrados até suas naves. Hera e Atena, descendo para ajudar os Gregos, são impedidas por Zeus, enviando Íris, que as obriga a voltar para o Olimpo. A noite interrompe a batalha.”
continuando...
Hoje, demonstra ter-me ódio, anuindo ao pedido de Tétis,
que soube os joelhos beijar-lhe, com a mão afagando-lhe o manto,
a suplicar que lhe o filho exaltasse, eversor de cidades.
Há de volver, deixa estar, a chamar-me de sua ‘olhos verdes’!
Vamos, aprestar-nos, logo, os cavalos de cascos robustos,
enquanto eu vou ao palácio altanado de Zeus que traz a égide,
para envergar minhas armas potentes. Desejo, realmente,
ver se esse Heitor, de penacho ondulante, nascido de Príamo,
mostra alegria ao nos ver ingressar nos caminhos da guerra,
ou se ainda as carnes e as pingues entranhas de muitos Dardânios
junto das naus dos Aquivos abutres e cães não sustentam.”
Hera, de cândidos braços, de pronto aceitou o conselho.
Os corredores, ornados com belo frontal de ouro puro,
foram logo ao carro atrelar a nascida de Zeus poderoso.
A de olhos glaucos, Atena, donzela de Zeus poderoso,
deixa cair, logo, o peplo no soalho brilhante do Olimpo,
obra de fino lavor, que ela própria tecera e enfeitara;
veste a loriga de Zeus atroante, que as nuvens cumula,
e as demais armas empunha, adequadas às guerras lutuosas.
Pronta, subiu para o carro fulgente, tomando da lança
grande, pesada e robusta, com que derrubar costumava
turma de heróis, ao zangar-se a nascida de Zeus poderoso.
Hera, os cavalos velozes com o látego, logo, estimula.
Por próprio impulso, rangeram as portas do céu, que se encontram
sob a custódia das Horas, que têm a incumbência, no Olimpo
e no céu vasto, de abrir ou fechar as densíssimas nuvens.
Estimulando os cavalos, depressa por elas passaram.
O pai dos homens e deuses as viu do Ida augusto. Indignado,
manda-lhes, presto, mensagem por Íris veloz, de asas de ouro:
“Íris, depressa! Consegue que voltem; não deixes que cheguem
para mais perto, pois grave será que entre nós haja luta.
Ora te vou revelar outra coisa que vai realizar-se:
paralisados debaixo do carro verás os cavalos
e, dos assentos jogando-as, o carro farei em pedaços.
Mesmo depois que seu curso dez anos deixarem completos,
não poderão guarnecer das feridas que o raio causar-lhes.
Que a de olhos glaucos o saiba, se ousar com seu pai defrontar-se.
Menos sentido com Hera e com menos rancor ora me acho,
por ser vezeira em se opor ao que no imo do peito excogito.”
Disse; Íris, logo, voou, para dar cumprimento ao mandado,
e, do Ida augusto atirando-se, foi para o Olimpo vastíssimo.
Junto da porta do Olimpo de muitas gargantas achando-as,
fê-las parar e de Zeus poderoso o recado transmite:
“Para onde, assim, vos lançais? Que furor vos agita o imo peito?
Não é do gosto de Zeus que leveis aos Acaios auxílio.
Fez ele a ameaça seguinte, a que, certo, há de dar cumprimento
paralisados debaixo do carro vereis os cavalos
e, dos assentos jogadas, o carro fará em pedaços.
Mesmo depois que seu curso dez anos deixarem completos,
não podereis guarnecer das feridas causadas do raio,
para que tu, de olhos claros, o saibas, se ao pai te opuseres.
Menos zangado contra Hera e com menos rancor ele se acha,
por ser vezeira em se opor ao que no imo do peito excogita.
Mas tu, cadela sem pejo, atrevida serás, em verdade,
se a enorme lança quiseres alçar contra o filho de Crono.”
Íris daí retornou, pós haver a mensagem cumprido.
Hera magnífica, então, para Atena se vira e lhe fala:
“Palas Atena indomável, donzela de Zeus poderoso,
não vale a pena lutar com Zeus grande por causa dos homens.
Como o Destino quiser, assim seja; uns a Morte arrebata,
outros prossigam com vida. Entre Aquivos e Teucros, somente
Zeus distribua a justiça, conforme lhe o peito comande.”
Vira, depois de falar, os cavalos de sólidos cascos.
Os corredores comados as Horas do jugo retiram
e para o divo presepe, depois, cuidadosas, os levam.
Na refulgente parede apoiaram o carro flexível.
O coração angustiado, elas duas então se assentaram
em tronos de ouro, no meio das outras deidades eternas.
Zeus, do Ida augusto, os cavalos e o carro de rodas velozes
para o alto Olimpo guiou, alcançando a assembleia dos deuses.
Tira Posido, que a terra sacode, os cavalos do jugo.
Junto ao altar põe o carro e o cobriu com um pano de linho.
No trono de ouro Zeus grande, de voz atroante, assentou-se.
Treme-lhe embaixo dos pés a mole do Olimpo altanado.
Palas Atena, somente, e Hera augusta, a de parte ficaram
do sumo Zeus, silenciosas; nenhuma pergunta lhe fazem.
Ele, que tudo advertira, se volta para elas e fala:
“Hera, por que te consomes? Atena, que na alma te punge?
Não mais vos vejo, esforçadas, nas lutas que aos homens exaltam,
a dizimar os Troianos, que tanto rancor vos provocam.
Vós todos, deuses do Olimpo, jamais podereis demover-me,
tal o vigor de meus braços invictos, e tal minha força.
Ambas teríeis, primeiro, sentido tremer-vos os membros,
antes de haverdes a guerra enxergado e seus duros trabalhos.
Ora vos quero dizer o que, certo, cumprir haveria;
pelo meu raio atingidas, jamais voltaríeis de carro
para o alto Olimpo, onde a sede se encontra dos deuses eternos.”
A essas palavras, as deusas morderam os lábios com força.
Juntas se achavam, planejando a extinção dos guerreiros Troianos.
Palas Atena calada ficou, sem dizer coisa alguma.
Ainda que contra Zeus pai transbordasse de raiva selvagem,
Hera, porém, explodiu, sem conter o rancor no imo peito:
“Zeus prepotente, nascido de Crono, que coisa disseste?
Sobejamente sabemos que força possuis invencível.
Apesar disso, os lanceiros Argivos nos causam piedade,
por vermos como perecem, cumprindo o Destino funesto.
Se determinas, porém, que afastadas fiquemos das lutas,
simples conselho permite aos Argivos, então, ministrarmos,
para evitar que a tua ira, afinal, a eles todos dizime.”
Disse-lhe, a rir, em resposta, Zeus grande, que as nuvens cumula:
“Hera magnífica, de olhos bovinos, verás logo cedo,
caso o desejes, o filho de Crono, de força invencível,
destroçar as fileiras dos fortes lanceiros Argivos.
Nem há de Heitor, o terrível, deixar de acossá-los, enquanto
junto das naves Aquiles, de rápidos pés, não tivermos,
no dia em que for levado o conflito até as popas recurvas
e em pouco espaço houver luta ao redor do cadáver de Pátroclo.
Esse, o decreto divino. Aliás, pouca mossa me causa
a tua cólera, embora te fosses para o último extremo
do mar imenso e da terra, onde Jápeto e Crono demoram,
sem que os alente o fulgor inefável do Sol Hiperiônio,
nem frescas auras, que o abismo sem fundo do Tártaro os cinge.
Ainda que, errante, até lá fosses ter, pouca conta faria
de teus latidos, por seres despida de toda a vergonha.”¹
Hera, de cândidos braços, então nada disse em resposta.
Baixa, entrementes, a luz fulgurante do sol para o oceano,
e a escuridão após si sobre os campos ferazes estende.
Veem, com pesar, os Troianos a luz se afundir; mas os Dânaos
a Noite fosca, aliviados, acolhem, que tanto invocavam.
Fez convocar a assembleia dos Teucros Heitor valoroso,
longe das naves, ao pé da ribeira do rio revolto,
num lugar limpo, onde livre de mortos se achava o terreno.
Todos, então, dos cavalos apeando-se, a ouvir se puseram
avidamente as palavras de Heitor, caro a Zeus, que sustinha
a forte lança na mão, de onze cúbitos, com reluzente
extremidade de bronze firmada por círculo de ouro.
Nela apoiando-se, pôs-se a falar para os Troas guerreiros:
“Teucros, Dardânios e aliados, agora atenção concedei-me.
Já imaginara que fosse possível voltarmos para Ílio
pós o extermínio completo dos homens Aqueus e seus barcos.
A escuridão, porém, veio antes disso, salvando os Argivos
e as naus de boas cobertas que se acham na praia marinha.
À negra Noite, entretanto, convém demonstrar obediência.
A refeição preparemos; tirai os cavalos de belas
crinas dos carros, e a todos, depois, aprestai alimento.
Ide buscar na cidade bois tardos e ovelhas vistosas,
sem mais delongas; farinha abundante trazei e bom vinho
de vossas casas. Depois, empilhai muita lenha aqui perto,
para podermos queimar toda a noite, até a volta da Aurora,
pilhas sem conta, e se eleve até o céu o esplendor das fogueiras,
para que os Dânaos de belos cabelos não possam, durante
a Noite escura, fugir pelo dorso do mar extensíssimo.
Sem muitas dores, ao menos, não devem subir para as naves.
Vejam-se alguns obrigados, depois de em suas casas se acharem,
a digerir as feridas das flechas e lanças pontudas
que nos navios ganharam. E que isso a outros sirva de exemplo,
quando quiserem trazer para os Teucros o choro da guerra.
Ora à cidade mandai mensageiros, a Zeus sempre caros,
para dizer que os rapazes florentes e os cândidos velhos
velem nos muros e torres que os deuses eternos construíram,
enquanto as fracas mulheres, cada uma em seu próprio palácio
fogo bem vivo mantenha, pois urge ter guardas alertas,
para que o imigo não entre na cidade na ausência do exército.
Faça-se tudo, magnânimos Teucros, conforme vos disse,
pois estas minhas palavras só visam ao bem de vós todos.
Quando romper a manhã, voltarei, novamente, a falar-vos.
Hei de implorar a Zeus grande e às demais sempiternas deidades
que enxotem todos os cães portadores do Fado inditoso,
que nos navios escuros a Morte e a Desgraça trouxeram.
Enquanto a Noite durar, de vigília fiquemos nós todos;
mas, amanhã, logo cedo, enverguemos as armas luzentes
para fazer espertar junto às naves o deus Ares forte.
Hei de, então, ver se me força a recuar o robusto Diomedes
para as muralhas, deixando os navios, ou se eu, com meu bronze,
não o deixo morto, levando comigo suas armas cruentas.
Sim, amanhã há de ter ocasião de mostrar sua força,
quando com a lança me vir. Mas espero que, logo na frente,
caia ferido, cercado por muitos dos fiéis companheiros,
mal surja o Sol no Oriente. Pudesse eu ter vida perene
, para sempre, ficar libertado da triste velhice,
com honrarias divinas iguais às de Atena e de Apolo,
como é certeza trazer a manhã para os Dânaos o luto.”
Esse, o discurso de Heitor; os Troianos, em peso, o aplaudiram.²
Os corredores, banhados de suor, libertaram do jugo,
mas junto aos carros de guerra os ataram com fortes correias.
Foram buscar na cidade bois tardos e ovelhas vistosas,
sem mais delongas; farinha abundante e bom vinho trouxeram
de suas casas. Depois, muita lenha empilharam no campo.
Logo, hecatombes perfeitas aos deuses do Olimpo oferecem.
Nas espirais da fumaça é levado até o Céu, pelos ventos,
o suave odor da gordura. Os eternos, porém, recusaram
o sacrifício, que a todos odiosa era Troia sagrada,
Príamo e, assim, todo o povo do velho monarca lanceiro.
Estes, porém, toda a noite, animados de grande esperança,
permaneceram no campo, onde muitas fogueiras ardiam.
Como, na calma dos ventos, se torna o éter límpido e puro,
e em torno à Lua as estrelas refulgem com brilho indizível,
descortinando-se todos os cabos, e grutas, e as matas
pela baixada, ao se abrir, de repente, o Céu claro e infinito,
e os astros todos rebrilham, deixando o pastor enlevado:
do mesmo modo, entre o curso revolto do Xanto e os navios,
em frente de Ílio, as fogueiras dos Troas guerreiros brilhavam.
Mil fogos ardem na extensa planície, e, de cada um à volta,
à luz da chama agradável, cinquenta guerreiros se agrupam.
Junto dos carros, os fortes cavalos espelta e cevada
comem, tranquilos, à espera da Aurora de trono dourado.
continua página 234...
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A peste e a ira
Apêndice
Sonho, teste e beócia ou o catálogo das naus
Canto II.a / Canto II.b / Canto II.c / Canto II.d /
Canto IV.a / Canto IV.b / Canto IV.c /
Canto VI.a / Canto VI.b /
Canto VIII.a / Canto VIII.b / Canto VIII.c /
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A Ilíada é um poema épico atribuído a Homero que narra os eventos do último ano da Guerra de Troia, destacando a ira de Aquiles e suas consequências. É considerada uma das obras fundadoras da literatura ocidental, composta por cerca de 15.693 versos em hexâmetro datílico e dividida em 24 cantos, cada um correspondente a uma letra do alfabeto grego. A autoria é tradicionalmente atribuída a Homero, poeta grego que teria vivido no século VIII a.C., na região da Jônia, atual Turquia.
O poema se passa durante 51 dias do décimo ano da Guerra de Troia, iniciando com a ira de Aquiles, causada pela disputa com Agamenon, comandante dos exércitos gregos, que lhe retira a serva Briseida. A narrativa aborda:
- O cerco de Troia pelos aqueus para resgatar Helena, esposa de Menelau, raptada por Páris.
- A retirada de Aquiles do combate e o impacto dessa decisão sobre os gregos.
- A morte de Pátroclo, amigo de Aquiles, que leva o herói a retomar a luta.
- O duelo final entre Aquiles e Heitor, culminando com o funeral do herói troiano.
- A obra também inclui episódios de deuses e heróis, como Afrodite, Zeus, Páris e Helena, que influenciam diretamente os acontecimentos humanos.
A Ilíada, junto com a Odisseia, representa a síntese da tradição oral grega e permanece até hoje como um estudo essencial da literatura e da cultura clássica
________________[1] Este trecho desloca o foco da batalha para o plano divino e revela um dos temas mais importantes da Ilíada: a tensão entre a vontade dos deuses e o sofrimento dos homens.
Ao ver os aqueus à beira da destruição, Hera não consegue esconder sua indignação. Embora reconheça o poder supremo de Zeus, ela manifesta compaixão pelos gregos, que estão sendo esmagados pelo avanço troiano. Sua reação mostra que os deuses homéricos não são indiferentes aos acontecimentos humanos; eles tomam partido, sentem simpatias e rivalidades.
A resposta de Zeus, porém, reafirma sua autoridade absoluta. Ele deixa claro que os acontecimentos estão seguindo um plano já determinado. Mais do que isso, Zeus faz uma revelação profética: os gregos continuarão sofrendo até que ocorra a morte de Pátroclo, fato que levará Aquiles a retornar ao combate. Dessa forma, o deus antecipa um dos momentos decisivos de toda a epopeia.
O tom de Zeus é duro e até humilhante. Ele despreza a oposição de Hera e afirma que sua cólera nada significa diante de seu poder. A cena reforça a hierarquia divina: mesmo entre os deuses existem relações de domínio e submissão.
A referência ao futuro cadáver de Pátroclo é extremamente importante. Simbolicamente, sua morte será o preço necessário para despertar Aquiles de seu afastamento. Enquanto Aquiles permanece fora da guerra, os gregos enfraquecem; quando Pátroclo morre, a dor transforma-se em força e impulsiona o herói de volta ao campo de batalha.
Também é significativo o lugar mencionado por Zeus, onde estariam Crono e Jápeto, isolados nas profundezas do cosmos. Essa imagem reforça a dimensão universal de seu poder: não importa quão longe Hera pudesse ir, continuaria submetida à sua autoridade.
Temas centrais:
- O poder do destino, Zeus não apresenta os acontecimentos como algo casual. Existe uma sequência inevitável: o sofrimento dos aqueus, a morte de Pátroclo e o retorno de Aquiles. A narrativa sugere que certos eventos já estão inscritos na ordem do mundo.
- Compaixão versus autoridade, Hera representa o sentimento de piedade diante do sofrimento humano. Zeus representa a necessidade de cumprir uma ordem superior, mesmo quando ela parece cruel.
- O sofrimento como parte do heroísmo, Os aqueus não alcançarão a vitória sem antes enfrentar grandes perdas. Na visão homérica, a glória heroica nasce justamente da dor, do sacrifício e da resistência diante da adversidade.
- O conflito entre os próprios deuses, A guerra de Troia não acontece apenas entre gregos e troianos. Há também uma disputa constante entre as divindades, que projetam suas preferências e rivalidades sobre os acontecimentos humanos.
[2] Este trecho apresenta Heitor no auge de sua confiança e liderança, após o sucesso dos troianos contra os aqueus. A chegada da noite interrompe a batalha antes que ele possa destruir os navios inimigos, objetivo que parece estar ao seu alcance. Reunindo os guerreiros, Heitor profere um discurso estratégico e inspirador, demonstrando tanto capacidade militar quanto visão política.
Ele ordena que os troianos se organizem para uma vigília noturna rigorosa: alimentar os cavalos, reunir provisões, acender fogueiras ao redor do campo e reforçar a vigilância das muralhas de Troia. Seu plano é impedir qualquer fuga dos gregos e preparar um ataque decisivo para o amanhecer.
Ao mesmo tempo, Heitor manifesta uma confiança quase absoluta em sua própria força. Desafia abertamente Diomedes e prevê uma derrota esmagadora dos aqueus. Seu entusiasmo chega ao ponto de expressar um desejo impossível: ser imortal e eternamente jovem, honrado como os deuses Apolo e Atena. Essa ambição revela a grandeza de seu espírito heroico, mas também uma dimensão de orgulho que roça a arrogância.As fogueiras troianas possuem forte valor simbólico. Elas representam o momento em que Troia parece dominar completamente a situação. Sua luz ilumina a noite e sugere esperança para os troianos, mas também ameaça para os gregos encurralados junto aos navios.
O discurso de Heitor também marca um contraste importante entre a condição humana e a condição divina. Embora deseje a imortalidade, ele continua sendo mortal. O leitor sabe que seu destino já está traçado, o que confere um tom trágico às suas palavras.
Temas centrais:
- A liderança heroica, Heitor não é apenas um guerreiro. Ele organiza o exército, pensa na logística, protege a cidade e coordena a defesa. Surge como o verdadeiro comandante de Troia, responsável tanto pelos soldados quanto pelos cidadãos.
- A confiança excessiva diante do destino, O discurso está carregado de otimismo e autoconfiança. Heitor acredita que a vitória é certa e que o amanhecer trará sofrimento aos gregos. Em Homero, entretanto, os momentos de maior confiança de um herói frequentemente antecedem uma reviravolta do destino.
- Guerra como responsabilidade coletiva, Heitor mobiliza toda a sociedade troiana: guerreiros, anciãos, jovens e mulheres. A defesa de Troia não é apenas tarefa do exército, mas de toda a comunidade.
- Busca da glória imortal, O sonho de viver para sempre e receber honras divinas expressa um ideal recorrente na Ilíada: o desejo humano de superar a mortalidade por meio da fama e da memória.
Ilíada, de Homero - Canto VIII
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