Homero
Tradução: Carlos Alberto Nunes
Canto V - Os feitos heroicos de Diomedes (Aristia de Diomedes)
“Atena convence Ares a abandonar a guerra aos homens, e, assim, os Gregos sobrepujam os Troianos. Diomedes, ferido por Pândaro, e protegido por Palas Atena, se sobressai ainda mais. Lutando com Pândaro e Eneias, mata o primeiro e quase mata o segundo, que é salvo por Afrodite. No entanto, Diomedes fere a própria Afrodite. Apolo cura Eneias e Ares volta ao combate, reanimando os Troianos. Os Gregos começam a perder e Hera e Atenas os ajudam. Diomedes, ajudado por Atena, fere o próprio Ares, que vai ao Olimpo reclamar com Zeus da ousadia de Diomedes.”
continuando...
o grande filho de Príamo, Heitor, desejoso, somente,
de repelir os Argivos e a muitos privar da existência.
Os companheiros galhardos do divo Sarpédone, entanto,
para debaixo da faia de Zeus poderoso o levaram,
onde o fiel Pelagonte, dos sócios o mais acatado,
a hasta comprida fraxínea, sem mais, arrancou-lhe da coxa.
Perde os sentidos o herói; densas trevas aos olhos lhe baixam,
mas logo volta a viver, que de Bóreas o sopro agradável
pôde insuflar novo alento no espírito pronto a evolar-se.
Ainda que sob a pressão de Ares forte e de Heitor, os Argivos
nem conseguiam forçar o inimigo; mas cedem, recuando,
por terem visto que ao lado dos Teucros lutava Ares forte.
Qual o primeiro, qual o último, ali, da existência privaram
Ares de bronze e o alto Heitor, o guerreiro nascido de Príamo?
O domador de cavalos, Orestes, o divo Teutrante,
Treco, lanceiro da Etólia, o magnânimo Enómao, Heleno,
filho de Enópio e, por último, Orésbio, do cinto brilhante,
que em Hile tinha o palácio pejado de grandes tesouros,
junto do lago Cefísio, onde muitos vizinhos contava,
homens da Beócia, que pingues campinas, ali, cultivavam.
Hera, a magnânima deusa dos cândidos braços, notando
como os Argivos, na pugna terrível, tombavam sem vida,
súbito a Palas Atena dirige as palavras aladas:
“Palas Atena indomável, donzela de Zeus poderoso,
não passará de promessa o que ao rei Menelau predissemos,
de que faria o retorno depois de destruir Ílio forte,
se consentirmos que, assim, Ares fero prossiga, furioso.
Vamos, depressa, também, tomar parte na pugna terrível.”
A de olhos glaucos, Atena, aceitou-lhe o conselho, de pronto
Os corredores, ornados com belo frontal de ouro puro,
foi Hera, logo, atrelar, que de Crono potente nascera
Hebe, sem perda de tempo, adaptou no eixo férreo do carro
as rodas curvas de bronze, nas quais oito raios se viam.
As pinas, de ouro maciço eram feitas, e o círculo extremo
era composto de bronze infrangível, espanto dos olhos;
de prata pura, os dois cubos, que giram para ambos os lados;
de tiras de ouro e de prata enlaçadas a caixa é formada,
que protegida se achava por dois parapeitos; do carro
sai o timão, feito todo de prata; na ponta do mesmo
os jugos de ouro afirmou, adaptando, por último, neles,
os peitorais, também de ouro. Os velozes cavalos, por último.
Hera conduz para o jugo, sequiosa de entrar em combate.
A de olhos glaucos, Atena, donzela de Zeus poderoso,
deixa cair logo o peplo no soalho brilhante do Olimpo,
obra de fino lavor, que ela própria tecera e enfeitara.
Veste a loriga de Zeus atroante, que as nuvens cumula,
e as demais armas empunha, adequadas às guerras lutuosas.
A égide ornada de franjas, então, sobre os ombros coloca,
coisa espantosa de ver, pelo frio Terror circundada,
pela Discórdia, a Violência e, também, pelo Assalto horroroso,
bem como pela cabeça da Górgona, monstro terrível,
horripilante espetác’lo, do Crônida Zeus maravilha.
O elmo de dupla cimeira e de quatro saliências coloca,
de ouro, que os homens de cem fortalezas cobrir poderia.
Logo subiu para o carro brilhante, tomando da lança
grande, pesada e robusta, com que derrotar costumava
turmas de heróis, ao zangar-se a nascida do pai poderoso.
Hera os cavalos velozes com o látego, logo, estimula.
Por próprio impulso, rangeram as portas do Céu, que se encontram
sob a custódia das Horas, que têm a incumbência, no Olimpo
e no Céu vasto, de abrir ou fechar a cortina das nuvens.
Estimulando os cavalos, depressa por elas passaram,
indo a Zeus Crônida achar, que sentado sozinho se via,
dos demais deuses à parte, no pico mais alto do Olimpo.
Hera, de cândidos braços, detém, nesse ponto, os ginetes,
e para o Crônida sumo se vira, dizendo o seguinte:
“Indignação não te causa, Zeus pai, ver como Ares se excede?
Já destruiu muitos homens Acaios, dos mais afamados,
sem conveniência nenhuma, ao acaso, o que muito me aflige.
A Cípria, entanto, se alegra e, assim, Febo, o deus do arco de prata,
que a esse demente, das leis ignorante, a tal ponto excitaram.
Provocarei, porventura, tua cólera, Zeus, retirando
a Ares do meio da pugna e infligindo-lhe duro castigo?”
Disse-lhe, então, em resposta, Zeus grande, que as nuvens cumula:
“Seja; mas é preferível que Palas atires contra ele,
a predadora, que está acostumada a lhe dar tais castigos.”
Hera, de cândidos braços, de pronto aceitou-lhe o conselho;
com chicotada os cavalos esperta, que partem, velozes,
pelo caminho que fica entre a terra e o Céu vasto e estrelado.
Quanto consegue com a vista alcançar, no horizonte, indivíduo
que, da alta penha, procure esguardar o amplo mar cor de vinho,
tanto, de um salto, os cavalos das deusas, nitrindo, avançaram.
Mas, quando o plaino de Troia alcançaram e o ponto em que as águas
o Simoente e o Escamandro divino, confluentes, misturam,
Hera, de cândidos braços, deteve os fogosos ginetes,
desatrelou-os e espessa neblina em redor lhes atira.
Pasto divino fez logo, para eles, brotar do Simoente.
As duas deusas, então, como trépidas pombas, se foram,
impacientes de auxílio levar aos guerreiros Argivos.
Mas, ao chegarem ao ponto em que turmas de heróis se apinhavam
em torno da força do grande Diomedes, que doma cavalos,
densos, num grupo, quais leões voradores de carne cruenta,
ou javalis, cuja força não é para ser desprezada,
Hera, de cândidos braços, parou, dando um grito terrível,
sob a figura de Esténtor, o herói de voz brônzea, tão forte
como o clamor que cinquenta mortais, em conjunto, elevassem:
“Ó geração de covardes de bela presença, que opróbrio!
Enquanto Aquiles divino nos prélios convosco se achava,
nunca os Troianos ousaram sair pelas Portas Dardânias,
pois medo tinham da lança terrível do herói valoroso.
Ora se luta bem longe dos muros, ao lado das naves.”
Por esse modo excitava o furor e a coragem de todos.
A de olhos glaucos, Atena, correu para o grande Diomedes.
Junto do carro e dos belos cavalos achou o guerreiro
que procurava acalmar a ferida causada por Pândaro.
Muito o afligia o suor sob o peso do escudo redondo
de bálteo largo; cansado o deixava e com o braço impotente.
O bálteo afasta da chaga, abstergendo-a dos cruores escuros.
Toca nos freios a deusa, e dirige a palavra ao guerreiro:
“Em nada o filho do grande Tideu se parece com ele.
Era Tideu, em verdade, pequeno, mas forte e impetuoso.
Lembra-me, sim, que o proibi, certa vez, de lutar e, até mesmo,
de procurar distinguir-se, quando ele sem outros Aquivos
a Tebas fora, qual núncio, onde achou numerosos Cadmeios.
Quieto insisti que ficasse na sala dos lautos banquetes;
ele, porém, que no peito abrigava o valor consueto,
nos mais variados torneios venceu os nascidos de Cadmo
sem grande esforço, que sempre o amparava por modo eficiente.
Ora me encontro ao teu lado e procuro, zelosa, ajudar-te,
expressamente ordenando que contra os Troianos combatas.
Mas o cansaço opressivo teus membros domina de todo,
ou pelo frio temor inibido te encontras. Por isso,
vejo que o filho não és do guerreiro de Eneu descendente.”
Disse-lhe o forte Diomedes, então, em resposta, o seguinte:
“Eu te conheço, sem dúvida, filha de Zeus que sustenta
a égide. Quero, por isso, falar-te sem mais subterfúgios.
Nem indeciso me sinto, nem fraco por causa do medo;
mas ainda tenho presente o que há pouco tu própria ordenaste,
ao me proibires lutar contra os deuses eternos do Olimpo,
sem distinção; mas se a filha de Zeus poderoso, Afrodite,
na pugna entrasse, podia feri-la com bronze afiado.
Por essa causa, recuei, tendo a todos os outros Argivos
aconselhado a que viessem reunir-se-me onde ora me encontro,
pois vejo que Ares, também, toma parte na luta terrível.”
A de olhos glaucos, Atena, lhe disse o seguinte, em resposta:
“Ó claro filho do grande Tideu, diletíssimo amigo,
não tenhas medo nem de Ares, nem de outro qualquer dos eternos
deuses do Olimpo, que sempre te assisto por modo eficiente.
Vamos, dirige contra Ares os teus ardorosos ginetes,
e, bem de perto, o acomete, sem ter complacência nenhuma
com esse louco furioso, inconstante, a maldade em pessoa,
que prometeu a Hera augusta e a mim própria, não faz muito tempo,
contra os Troianos lutar, protegendo os guerreiros Aquivos,
e ora do lado daqueles se encontra, esquecido dos outros.”
Mal acabou de falar, para trás, com a mão, puxa a Esténelo
para tirá-lo do carro; este, lestes, saltou para o solo.
A deusa, entanto, ardorosa, subiu para o carro, postando-se
a par do divo Diomedes. Com o peso da deusa terrível
e de tão grande guerreiro, estalou o eixo forte de faia.
Toma das rédeas e empunha o chicote, sem perda de tempo,
Palas, e os brutos de cascos possantes, contra Ares, dirige,
que a Perifante membrudo, das armas, nessa hora, espoliava,
o belo filho de Oquésio e o mais forte dos homens da Etólia.
Ares sanguíneo o espoliava. Com o fim de tornar-se invisível
ao deus terrível, Atena depressa cingiu o elmo de Hades.
Quando o flagelo dos homens notou que o divino Diomedes
vinha para ele, no mesmo lugar logo o corpo abandona
de Perifante membrudo, que tinha, de pouco, matado,
indo direto ao encontro do grã-cavaleiro Diomedes.
Logo que os dois combatentes em frente se acharam um do outro,
Ares, primeiro, inclinado por cima do jugo e das rédeas,
a lança brônzea jogou, desejando da vida privá-lo.
Palas Atena, porém, de olhos glaucos, com a mão a desvia,
de forma que ela, frustrânea, passou por debaixo do carro.
Foi o segundo a atirar a sua lança de bronze o guerreiro
de voz possante, Diomedes, a qual, por Atena guiada,
no baixo-ventre foi dar de Ares forte, onde o cinto o apertava.
Nesse lugar o feriu, tendo a pele macia rasgado,
Palas, de novo, a arma extrai; Ares brônzeo soltou tão grande urro
como o alarido que soem fazer nove ou dez mil guerreiros,
de uma só vez, quando se acham travados em dura batalha.
Amedrontados, tremeram os homens Aquivos e Teucros,
tão formidável o grito do deus insaciável da guerra.
Tal como fica todo o ar, recoberto por nuvens escuras,
quando o excessivo calor faz soprar algum vento impetuoso:
tal ao Tidida Diomedes o vulto do deus Ares brônzeo
apareceu, ao subir para o céu, pelas nuvens envolto.
Rapidamente à morada dos deuses chegou, no alto Olimpo,
indo sentar-se, de par com Zeus grande, agastado no espírito,
a quem o sangue imortal, que manava da chaga, revela.
Rompe, depois, em queixumes, dizendo as palavras aladas:
“Indignação não te causa, Zeus pai, assistir tanto abuso?
Por comprazer os mortais, nós, os eternos, estamos sujeitos
a indescritíveis tormentos, que a mútua discórdia nos causa.
De tudo a culpa tens tu, pois geraste uma filha funesta
e destituída de senso, a quem ímpias ações só comprazem.
Todos os deuses eternos, que moram no Olimpo vastíssimo,
te obedecemos, de grado, e acatamos, submissos, tuas ordens.
A ela, somente, nenhuma censura ou castigo incomoda,
se é que não serves de estímulo à peste por ti concebida.
Neste momento acabou de excitar contra os deuses eternos
a esse insensato, Diomedes, que vem de Tideu valoroso.
Primeiramente, achegando-se à Cípria, feriu-a no carpo;
logo depois contra mim se atirou, qual se fosse um demônio.
Se não me houvessem livrado meus rápidos pés, certamente
por muito tempo ficaria a sofrer entre as rimas de mortos,
ou, vivo embora, sem ânimo, aos golpes da lança de bronze.”
Com torvo aspecto lhe disse Zeus grande, que as nuvens cumula:
“Cessa, leviano; não venhas, de novo, com tuas lamúrias.
És, entre todos os deuses, aquele a quem mais ódio tenho.
Sempre encontraste prazer em combates, contendas e lutas.
De tua mãe, por sem dúvida, o gênio indomável herdaste
e insuportável, que a minhas palavras a custo obedece.
De seus conselhos, presumo, teus males origem tiveram.
Mas, ainda assim, não desejo que sofras por tempo mais longo;
és de meu sangue também; tua mãe te gerou de mim próprio.
Se, tal como és, tão nefasto, tivesses por pais outros deuses,
há muito, sim, te encontrarias mais baixo que os filhos de Urano.”
Manda que Péone, então, sem demora, ali mesmo, o curasse.
Péone, logo, deitou sobre a chaga eficaz lenitivo,
que o fez sarar, pois, de fato, não era de estirpe terrena.
Como o queijeiro, que o leite, antes líquido, faz que coagule
em pouco tempo, agitando-o, depois de lançar nele o coágulo,
Ares violento, desta arte, depressa curado encontrou-se.
Hebe, depois, lhe deu banho, envolvendo-o em magníficas vestes.
Junto do Crônida Zeus foi sentar-se, radiante de glória.
Para a morada de Zeus poderoso, também, retornaram
Hera, que em Argos cultuam, e Atena, a auxiliar poderosa,
pós terem feito que a sanha homicida do deus se acalmasse.¹
[1] Chegamos a um dos trechos mais intensos e reveladores do Canto V da Ilíada — o momento em que Zeus repreende Ares depois de o deus da guerra ter sido ferido por Diomedes. É uma cena que expõe a psicologia dos deuses, suas tensões internas, suas hierarquias e até suas fragilidades.
* Zeus humilha Ares — e isso é central nos cantos homéricos
Zeus começa com um ataque direto: “És, entre todos os deuses, aquele a quem mais ódio tenho.”
Isso é extraordinário. O rei dos deuses admite desprezar o próprio filho. E por quê?
- Ares representa violência irracional,continua página 180...
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A peste e a ira
Apêndice
Sonho, teste e beócia ou o catálogo das naus
Canto II.a / Canto II.b / Canto II.c / Canto II.d /
Canto IV.a / Canto IV.b / Canto IV.c /
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A Ilíada é um poema épico atribuído a Homero que narra os eventos do último ano da Guerra de Troia, destacando a ira de Aquiles e suas consequências. É considerada uma das obras fundadoras da literatura ocidental, composta por cerca de 15.693 versos em hexâmetro datílico e dividida em 24 cantos, cada um correspondente a uma letra do alfabeto grego. A autoria é tradicionalmente atribuída a Homero, poeta grego que teria vivido no século VIII a.C., na região da Jônia, atual Turquia.
O poema se passa durante 51 dias do décimo ano da Guerra de Troia, iniciando com a ira de Aquiles, causada pela disputa com Agamenon, comandante dos exércitos gregos, que lhe retira a serva Briseida. A narrativa aborda:
- O cerco de Troia pelos aqueus para resgatar Helena, esposa de Menelau, raptada por Páris.
- A retirada de Aquiles do combate e o impacto dessa decisão sobre os gregos.
- A morte de Pátroclo, amigo de Aquiles, que leva o herói a retomar a luta.
- O duelo final entre Aquiles e Heitor, culminando com o funeral do herói troiano.
- A obra também inclui episódios de deuses e heróis, como Afrodite, Zeus, Páris e Helena, que influenciam diretamente os acontecimentos humanos.
A Ilíada, junto com a Odisseia, representa a síntese da tradição oral grega e permanece até hoje como um estudo essencial da literatura e da cultura clássica
________________[1] Chegamos a um dos trechos mais intensos e reveladores do Canto V da Ilíada — o momento em que Zeus repreende Ares depois de o deus da guerra ter sido ferido por Diomedes. É uma cena que expõe a psicologia dos deuses, suas tensões internas, suas hierarquias e até suas fragilidades.
* Zeus humilha Ares — e isso é central nos cantos homéricos
Zeus começa com um ataque direto: “És, entre todos os deuses, aquele a quem mais ódio tenho.”
Isso é extraordinário. O rei dos deuses admite desprezar o próprio filho. E por quê?
- guerra sem propósito,
- destruição pela destruição.
Zeus, apesar de ser o deus do trovão e do poder, não é um deus da violência gratuita. Ele é ordem, soberania, destino. Ares é caos. Por isso Zeus o chama de leviano, alguém que vive reclamando, alguém que não aceita limites.
* Ares é filho de Zeus — mas carrega o temperamento de Hera
Zeus diz: “De tua mãe herdaste o gênio indomável e insuportável.”
Aqui há uma ironia cruel:
- Ares é filho de Zeus, mas Zeus atribui sua natureza violenta à mãe, Hera.
* Ares é filho de Zeus — mas carrega o temperamento de Hera
Zeus diz: “De tua mãe herdaste o gênio indomável e insuportável.”
Aqui há uma ironia cruel:
- Ares é filho de Zeus, mas Zeus atribui sua natureza violenta à mãe, Hera.
- Hera é a deusa da fúria, do rancor, da vingança — especialmente contra Zeus e suas amantes.
- Ares, portanto, é visto como produto da ira de Hera, não da ordem de Zeus.
Zeus praticamente diz: “Você é meu filho, mas não é como eu. Você é como ela.”
Isso reforça a ideia de que os deuses não são perfeitos nem harmoniosos — são uma família disfuncional com poderes cósmicos.
* Ares é curado rapidamente — porque não é mortal
A cura de Ares é descrita com uma imagem doméstica: “Como o queijeiro que faz o leite coagular…”
Essa comparação é brilhante:
- Ares, portanto, é visto como produto da ira de Hera, não da ordem de Zeus.
Zeus praticamente diz: “Você é meu filho, mas não é como eu. Você é como ela.”
Isso reforça a ideia de que os deuses não são perfeitos nem harmoniosos — são uma família disfuncional com poderes cósmicos.
* Ares é curado rapidamente — porque não é mortal
A cura de Ares é descrita com uma imagem doméstica: “Como o queijeiro que faz o leite coagular…”
Essa comparação é brilhante:
- A guerra é brutal, mas a cura divina é simples, quase cotidiana.
- Ares, que representa o horror da batalha, é tratado como algo fácil de consertar.
- Ares, que representa o horror da batalha, é tratado como algo fácil de consertar.
- Isso reforça a diferença entre dor divina e dor humana.
Para os deuses, ferimentos são inconvenientes. Para os mortais, são destino.
Para os deuses, ferimentos são inconvenientes. Para os mortais, são destino.
* Ares volta ao lado de Zeus — “radiante de glória”
Isso é irônico. Ares volta ao trono de Zeus não como herói, mas como alguém que foi:
- ferido,
Isso é irônico. Ares volta ao trono de Zeus não como herói, mas como alguém que foi:
- ferido,
- humilhado,
- repreendido,
- curado,
- e reintegrado
A glória aqui não é mérito — é status divino. Ares é glorioso porque é imortal, não porque é admirável.
* Hera e Atena retornam — depois de acalmar a fúria de Ares
Esse detalhe é fundamental:
- Hera e Atena são inimigas de Ares.
A glória aqui não é mérito — é status divino. Ares é glorioso porque é imortal, não porque é admirável.
* Hera e Atena retornam — depois de acalmar a fúria de Ares
Esse detalhe é fundamental:
- Hera e Atena são inimigas de Ares.
- Atena é a deusa da guerra estratégica, racional — o oposto de Ares.
- Hera odeia Ares por ele ser reflexo da violência masculina que ela despreza.
Mas aqui, ambas retornam ao Olimpo vitoriosas, porque:
- Diomedes feriu Ares com ajuda de Atena,
- Ares foi humilhado por Zeus,
- a fúria do deus da guerra foi contida.
É como se a ordem olímpica tivesse sido restaurada.
É como se a ordem olímpica tivesse sido restaurada.
* O significado profundo desse episódio
Este trecho revela três grandes temas da Ilíada:
- Os deuses são poderosos, mas não são sábios: eles sentem dor, ciúme, raiva, orgulho. São eternos, mas infantis.
- A guerra é uma força divina — mas também é um problema divino: Ares não é admirado. Ele é tolerado.
Este trecho revela três grandes temas da Ilíada:
- Os deuses são poderosos, mas não são sábios: eles sentem dor, ciúme, raiva, orgulho. São eternos, mas infantis.
- A guerra é uma força divina — mas também é um problema divino: Ares não é admirado. Ele é tolerado.
- A glória humana depende dos deuses — mas também os desafia: Diomedes feriu um deus. Isso é um ato de audácia que redefine o limite entre humano e divino.
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