quarta-feira, 13 de maio de 2026

O Segundo Sexo - 02. Situação: Capítulo II - A Vida Social (5)

Simone de Beauvoir


02. A Experiência Vivida

O SEGUNDO SEXO
SlMONE DE BEAUVOIR

SEGUNDA PARTE

SITUAÇÃO
                              ______________________________________________________


CAPÍTULO III
A   VIDA SOCIAL
 
continuando...

     Entretanto há também homens de carne e osso no ambiente da mulher; sexualmente satisfeita, fria ou frustrada — salvo no caso muito raro de um amor completo, absoluto, exclusivo — ela empresta grande valor aos sufrágios deles. O olhar demasiado quotidiano do marido não consegue mais animar-lhe a imagem; ela tem necessidade de que olhos ainda cheios de mistérios a descubram ela própria como um mistério; é preciso uma consciência soberana em face dela para recolher-lhe as confidências, despertar as fotografias apagadas, fazer com que exista a covinha do canto da boca, esse bater de cílios que só a ela pertence; ela só é desejável, amável se a desejam, se a amam. Acomoda-se mais ou menos a seu casamento, mas são principalmente satisfações de vaidade que busca junto dos outros homens: convida-os a participarem do culto que rende a si mesma; seduz, agrada, contente com sonhar amores proibidos, com pensar: "Se eu quisesse..."; gosta mais de encantar numerosos admiradores do que se apegar profundamente a um deles; mais ardente, mais arisca do que uma moça, seu coquetismo pede aos homens que a confirmem na consciência de seu valor e de seu poder; é muitas vezes tanto mais ousada quanto ancorada em seu lar, e tendo conseguido conquistar um homem, joga sem grandes esperanças nem grandes riscos.  
     Acontece que, após um período de fidelidade mais ou menos longo, a mulher não se detenha mais nesses namoros e nesses coquetismos. Frequentemente é por rancor que se decide a enganar o marido. Adler pretende que a infidelidade da mulher é sempre uma vingança; é ir longe demais; mas o fato é que amiúde ela cede menos à sedução do amante do que a um desejo de desafiar o marido: "Não é o único homem no mundo — há outros a quem posso agradar — não sou sua escrava, acredita-se muito esperto e deixa-se enganar". É possível que o marido insultado conserve aos olhos da mulher uma importância primordial; assim como a moça, por vezes, arranja um amante como revolta contra a mãe, como queixa contra os pais, para desobedecer-lhes, afirmar-se, uma mulher que seus próprios rancores prendem ao marido procura no amante um confidente, uma testemunha que contemple seu personagem de vítima, um cúmplice que a ajude a diminuir o marido? Fala-lhe deste sem cessar, a pretexto de entregá-lo a seu desprezo; se o amante não desempenha bem seu papel, ela se afasta dele aborrecida, seja para voltar ao marido, seja para procurar outro consolador. Mas é muitas vezes menos o rancor do que a decepção que a joga nos braços de um amante; não encontra o amor no casamento e resigna-se dificilmente a não conhecer jamais as volúpias e as alegrias cuja espera lhe encantou a juventude. O casamento, frustrando a mulher de toda satisfação erótica, denegando-lhe a liberdade e a singularidade de seus sentimentos, a conduz, através de uma dialética necessária e irônica, ao adultério.

   Educamo-las desde a infância para as empresas do amor, diz Montaigne; sua graça, seus adornos, sua ciência, sua palavra, toda a instrução que se lhes dá, visam tão somente a esse fim. Suas governantas só lhe apresentam a imagem do amor, ainda que apenas para desgostá-las dela...

     E acrescenta mais adiante:

   É portanto loucura tentar reprimir nas mulheres um desejo que lhes é tão picante e tão natural. 

     E Engels declara: 

   Com a monogamia aparecem de maneira permanente duas figuras sociais características: o amante da mulher e o cornudo. . . Ao lado da monogamia e do hetairismo, o adultério torna-se uma instituição social inelutável, prescrita, rigorosamente punida, mas impossível de ser suprimida.

     Se os amplexos conjugais excitaram a curiosidade da mulher sem lhe satisfazer os sentidos, como L'Ingénue libertine de Colette, ela procura terminar sua educação nos leitos alheios. Se o marido conseguiu despertar-lhe a sexualidade, não tendo um apego especial por ele, desejará gozar com outros os prazeres que ele lhe revelou.
     Moralistas indignaram-se com a preferência dada ao amante, e assinalei o esforço da literatura burguesa para reabilitar a figura do marido; mas é absurdo defendê-lo mostrando que constantemente aos olhos da sociedade — isto é, dos outros homens — tem ele mais valor do que o rival: o importante aqui é o que ele representa para a mulher. Ora, há dois traços essenciais que o tornam odioso. Primeiramente, é ele que assume o papel ingrato de iniciador. As exigências contraditórias da virgem que sonha, ao mesmo tempo, com ser violentada e respeitada, condenam-no quase necessariamente a um malogro; ela permanece fria para sempre nos braços dele; junto do amante não conhece ela as angústias do defloramento, nem as primeiras humilhações do pudor vencido; é-lhe poupado o trauma da surpresa; ela sabe mais ou menos o que a espera; mais sincera, menos suscetível, menos ingênua do que na noite de núpcias, não confunde mais o amor ideal com o apetite físico, o sentimento com a turvação dos sentidos: quando arranja um amante é exatamente um amante que quer. Essa lucidez é um aspecto da liberdade de sua escolha. Pois aí está a outra tara que pesa sobre o marido: ele em geral foi suportado, não eleito. Ou ela o aceitou resignada, ou ela lhe foi entregue pela família. E ainda que o tivesse desposado por amor, em se casando fez dele seu senhor; suas relações tornaram-se um dever e muitas vezes ele se apresentou a ela sob a figura de um tirano. Sem dúvida a escolha de um amante é limitada pelas circunstâncias, mas há nessa relação uma dimensão de liberdade; casar-se é uma obrigação, ter um amante um luxo; é porque ele a solicitou que a mulher cede; tem certeza, senão do amor, ao menos do desejo dele; não é para obedecer às leis que ele se executa. Tem ele também o privilégio de não desgastar suas seduções nem seu prestígio no roçar da vida quotidiana: permanece a distância: um outro. Por isso tem a mulher, em seus encontros, a impressão de sair de si, de atingir riquezas novas: ela sente-se outra. É sobretudo o que certas mulheres procuram numa ligação: ser ocupadas, surpreendidas, arrancadas de si mesmas pelo outro. Uma ruptura deixa nelas um sentimento desesperado de vazio. Janet (cf. Les Obsessions et la Psychasthénie) cita um caso dessas melancolias que nos mostram em profundidade o que a mulher procurava e encontrava no amante:

   Uma mulher de 39 anos, desesperada por ter sido abandonada por um escritor que durante cinco anos a tinha associado a seus trabalhos, escreve a Janet: "Ele tinha uma vida tão rica e era tão tirânico que eu não podia ocupar-me senão dele e não podia pensar em outra coisa".
   Outra, de 31 anos, ficara doente em consequência de uma ruptura com um amante que adorava. "Desejaria ser um tinteiro de sua escrivaninha para vê-lo e ouvi-lo", diz ela. E explica: "Sozinha eu me aborreço, meu marido não faz minha cabeça trabalhar suficientemente, não sabe nada, não me ensina nada, não me surpreende... só tem bom senso vulgar, caceteia-me". Do amante, ao contrário, escrevia: "É um homem surpreendente, nunca o vi perturbado um só minuto, comovido, alegre, relaxado; sempre senhor de si, zombeteiro, de uma frieza capaz de matar de tristeza. Ao lado disso, um topete, um sangue frio, uma finura de espírito, uma vivacidade de inteligência que me faziam perder a cabeça..."

     Há mulheres que só experimentam esse sentimento de plenitude e de excitação alegie nos primeiros momentos da ligação; se o amante não lhes dá prazer imediatamente — o que acontece frequentemente na primeira vez, já que os parceiros se encontram intimidados e inadaptados um ao outro — elas sentem rancor e repugnância contra ele; essas "Messalinas" multiplicara as experiências e passam de um amante a outro. Mas acontece também que a mulher esclarecida pelo malogro conjugal seja atraída então pelo homem que precisamente lhe convém e assim se crie entre ambos uma ligação duradoura. Muitas vezes ele lhe agradará por ser um tipo radicalmente oposto ao do marido. Foi sem dúvida o contraste, que Sainte-Beuve oferecia em relação a Victor Hugo, que seduziu Adèle. Stekel cita o caso seguinte:
  
   Mme P. H. está casada há oito anos com um sócio de um clube de atletismo. Vai a uma clínica ginecológica em virtude de uma ligeira salpingite, queixando-se de que o marido não a deixa sossegada... sente somente dores. O homem é rude e brutal. Ele acaba arranjando uma amante e a esposa fica feliz com isso. Quer divorciar-se e no escritório do advogado conhece um secretário que é exatamente o contrário do marido. É esbelto, frágil, mas muito amável e terno. Tornam-se íntimos; o homem procura seu amor, escreve-lhe muitas cartas cheias de ternura, tem mil gentilezas para com ela. Descobrem interesses espirituais comuns... O primeiro beijo faz que desapareça sua anestesia...  A potência relativamente fraca do homem acarreta os mais intensos orgasmos na mulher... Depois do divórcio, casaram--se e viveram muito felizes... Ele conseguia provocar o orgasmo com beijos e carícias. Era essa mesma mulher que o marido extremamente potente acusava de frieza!

     Nem todas as ligações acabam assim em conto de fadas. Tal como a moça, que sonha com um libertador que a arranque do lar paterno, a mulher espera que o amante a livre do jugo conjugal; é um tema amiúde explorado o do amante ardoroso que esfria e foge quando a amante começa a falar de casamento; muitas vezes ela se sente magoada pelas reticências dele e essas relações são por sua vez pervertidas pelo rancor e pela hostilidade. Ao se estabilizar, frequentemente, uma ligação acaba assumindo um caráter familiar e conjugal; nela se reencontram o tédio, o ciúme, a prudência, o ardil, todos os vícios da casamento. E a mulher sonha com outro homem que a tire dessa rotina.
     O adultério reveste aliás caracteres muito diferentes, segundo os costumes e as circunstâncias. A infidelidade conjugal apresenta-se ainda, em nossa civilização, em que as tradições patriarcais sobrevivem, como muito mais grave para a mulher do que para o homem:

   Iníqua avaliação dos vícios!, diz Montaigne. Encaramos e pesamos os vícios não de acordo com sua natureza mas segundo o nosso interesse, por isso assumem eles tantas formas desiguais. A aspereza de nossos juízes torna a aplicação das mulheres a esses vícios mais obstinada e viciosa do que comporta a realidade e as impele a consequências piores do que a causa.

     Vimos quais as razões originais dessa severidade: o adultério da mulher, introduzindo na família o filho de um estranho, comporta o risco de frustrar os herdeiros legítimos; o marido é o senhor, a mulher sua propriedade. As mudanças sociais, a prática do birth-control enfraqueceram bastante esses motivos. Mas a vontade de manter a mulher em estado de dependência perpetua as proibições de que a cercam ainda. Muitas vezes ela as interioriza; e fecha os olhos às estroinices conjugais sem que sua religião, moralidade e "virtude" lhe permitam encarar qualquer reciprocidade. O controle exercido pelo ambiente — em particular nas "cidadezinhas" do Velho como do Novo Mundo — é muito mais severo do que o que pesa sobre o marido: ele sai mais, viaja, toleram-se os seus erros com muito mais indulgência, ao passo que ela se arrisca a perder sua reputação e sua situação de mulher casada. Descreveram-se amiúde os ardis através dos quais a mulher consegue obviar a tais vigilâncias: conheço uma cidadezinha portuguesa de uma severidade à moda antiga, em que as jovens só saem acompanhadas pela sogra ou pela cunhada; mas o cabeleireiro aluga quartos localizados em cima de sua loja; entre a "permanente" e um toque de pente, os amantes se encontram apressadamente. Nas grandes cidades a mulher tem menor número de carcereiros: mas os encontros "de cinco a sete" que se praticavam outrora não permitiam, tampouco, os sentimentos ilegítimos desabrocharem com êxito. Rápido, clandestino, o adultério não cria relações humanas e livres; as mentiras que implica acabam denegando toda dignidade às relações conjugais.
     Em muitos meios, as mulheres conquistaram hoje parcialmente sua liberdade sexual. Mas é ainda, para elas, um problema difícil conciliar a vida conjugal com satisfações eróticas. Não implicando o casamento geralmente amor físico, pareceria razoável dissociar francamente um do outro. Admite-se que o homem possa ser excelente marido e no entanto volúvel: seus caprichos sexuais não o impedem, com efeito, de orientar amigavelmente com a mulher a empresa de uma vida comum; essa amizade será mesmo tanto mais pura, menos ambivalente, quanto menos represente uma prisão. Poder-se-ia admitir que seja a mesma coisa para a esposa; ela deseja muitas vezes partilhar a existência do marido, criar com ele um lar para os filhos e contudo conhecer outras carícias. São os compromissos de prudência e de hipocrisia que tornam o adultério degradante; um pacto de liberdade e de sinceridade aboliria uma das taras do casamento. Entretanto, é preciso reconhecer que hoje a fórmula irritante que inspirou a Francillon de Dumas Filho: "Para a mulher não é a mesma coisa", é parcialmente verdadeira. A diferença nada tem de natural. Pretende-se que a mulher tem menos necessidade sexual do que o homem: nada é menos certo; as mulheres recalcadas são esposas rabugentas, mães sádicas, donas de casa maníacas, criaturas infelizes e perigosas; mas ainda que seus desejos fossem mais raros não seria uma razão para achar supérfluo que os satisfizesse. A diferença vem do conjunto da situação erótica do homem e da mulher, tal qual a tradição e a sociedade a definem. Considera-se ainda o ato amoroso na mulher como um serviço prestado ao homem e que faz que este se apresente como seu senhor; vimos que ele pode sempre arranjar uma inferior, mas que ela se degrada entregando-se a um homem que não é de seu nível. Seu consentimento tem, em todo caso, o caráter de uma rendição, de uma queda. Uma mulher aceita de bom grado que o marido possua outras mulheres: sente-se até lisonjeada com isso; parece que Adèle Hugo viu, sem o lamentar, o marido fogoso orientar seu ardor para outros leitos; algumas mesmo, imitando a Pompadour, aceitam tornar-se alcoviteiras¹. Ao contrário, no amplexo, a mulher é transformada em objeto, em presa; afigura-se ao marido que ela se impregnou de um mane estranho, deixou de ser sua, roubaram-lhe. E o fato é que, na cama, a mulher muitas vezes sente-se, quer-se, e por conseguinte, é dominada; é verdade também que por causa do prestígio viril ela tende a aprovar, a imitar o homem que, tendo-a possuído, encarna a seus olhos o homem na sua totalidade. O marido irrita-se, não sem razão, de ouvir numa boca familiar o eco de um pensamento estranho; parece-lhe um pouco que ele é que foi possuído, violentado. Se Mme de Charrière rompeu com o jovem Benjamin Constant — que entre duas mulheres viris representava um papel feminino — foi porque não suportava senti-lo marcado pela influência detestada de Mme de Staël. Enquanto a mulher se faz escrava e reflexo do homem a quem se "entrega", deve reconhecer que suas infidelidades a arrancam mais radicalmente do marido do que infidelidades recíprocas.

[1] Falo aqui do casamento. Veremos que no amor a atitude do casal é invertida. 
     
     Se ela conserva sua integridade, pode entretanto temer que o marido se haja comprometido na consciência do amante. Uma mulher pode mesmo imaginar que deitando com um homem — embora uma só vez, às pressas, num sofá — adquire uma superioridade sobre a esposa legítima; com muito mais razão um homem que acredita possuir a amante considera que prega uma peça no marido dela. É por isso que em Tendresse, de Bataille, em Belle de Nuit de Kessel, a mulher tem o cuidado de escolher amantes de baixa condição: ela procura satisfações sexuais com eles, mas não quer dar-lhes ascendência sobre o marido respeitado. Em Condition Humaine, Malraux mostra-nos um casal em que marido e mulher fizeram um pacto de liberdade recíproca: entretanto, quando May conta a Kyo que dormiu com um camarada, ele sofre, pensando que esse homem imaginou tê-la "tido"; ele escolheu respeitar-lhe a independência porque sabe que nunca se tem ninguém; mas as ideias complacentes por outro acariciadas magoam-no e humilham-no através de May. A sociedade confunde a mulher livre com a mulher fácil; o próprio amante não reconhece de bom grado a liberdade de que se aproveita; prefere acreditar que a amante cedeu, deixou-se arrastar, que ele a conquistou, seduziu. Uma mulher orgulhosa pode suportar pessoalmente a vaidade do parceiro; mas ser-lhe-á odioso que um marido estimado suporte a arrogância dele. É muito difícil a uma mulher agir como uma igual ao homem quando essa igualdade não está universalmente reconhecida e concretamente realizada.
     Como quer que seja, adultério, amizades, vida mundana não constituem, na vida conjugal, senão divertimentos; podem ajudar a suportar seus constrangimentos mas não os destroem. São falsas evasões que não permitem em absoluto à mulher ser autenticamente dona de seu destino.

continua página 316...
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O Segundo Sexo - 02. Situação: Capítulo II - A Vida Social (5)
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As mulheres de nossos dias estão prestes a destruir o mito do "eterno feminino": a donzela ingênua, a virgem profissional, a mulher que valoriza o preço do coquetismo, a caçadora de maridos, a mãe absorvente, a fragilidade erguida como escudo contra a agressão masculina. Elas começam a afirmar sua independência ante o homem; não sem dificuldades e angústias porque, educadas por mulheres num gineceu socialmente admitido, seu destino normal seria o casamento que as transformaria em objeto da supremacia masculina.
Neste volume complementar de O SEGUNDO SEXO, Simone de Beauvoir, constatando a realidade ainda imediata do prestígio viril, estuda cuidadosamente o destino tradicional da mulher, as circunstâncias do aprendizado de sua condição feminina, o estreito universo em que está encerrada e as evasões que, dentro dele, lhe são permitidas. Somente depois de feito o balanço dessa pesada herança do passado, poderá a mulher forjar um outro futuro, uma outra sociedade em que o ganha--pão, a segurança econômica, o prestígio ou desprestígio social nada tenham a ver com o comércio sexual. É a proposta de uma libertação necessária não só para a mulher como para o homem. Porque este, por uma verdadeira dialética de senhor e servo, é corroído pela preocupação de se mostrar macho, importante, superior, desperdiça tempo e forcas para temer e seduzir as mulheres, obstinando-se nas mistificações destinadas a manter a mulher acorrentada.
Os dois sexos são vítimas ao mesmo tempo do outro e de si. Perpetuar-se-á o inglório duelo em que se empenham enquanto homens e mulheres não se reconhecerem como semelhantes, enquanto persistir o mito do "eterno feminino". Libertada a mulher, libertar-se-á também o homem da opressão que para ela forjou; e entre dois adversários enfrentando-se em sua pura liberdade, fácil será encontrar um acordo.
O SEGUNDO SEXO, de Simone de Beauvoir, é obra indispensável a todo o ser humano que, dentro da condição feminina ou masculina, queira afirmar-se autêntico nesta época de transição de costumes e sentimentos.

"O que é uma mulher?"

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