domingo, 15 de março de 2026

Boa noite, Poesia... As Mãos de Meu Pai

Mário Quintana







As tuas mãos têm grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já da cor da terra
como são belas as tuas mãos
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram 
da nobre cólera dos justos...

Porque há nas tuas mãos, meu velho pai, 
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam 
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas...

Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente, 
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah! como os fizeste arder, fulgir, 
com o milagre das tuas mãos!

E é, ainda, a vida 
que transfigura as tuas mãos nodosas…
essa chama de vida — que transcende a própria vida...
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma.


Mario Quintana, Antologia Poética


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Mais poesia:
A espantosa realidade das coisas / É tão suave a fuga deste diaAs Mãos de Meu Pai /  

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