O treinador comunista que classificou o Brasil para a Copa do Mundo de 1970 no México. Um defunto caro para a ditadura militar!
O Cineclube Macunaíma exibe hoje o documentário João Saldanha – uma vida em jogo (2008), seguido de debate com o diretor André Iki Siqueira, o cineasta Silvio Tendler, os ex-jogadores Gérson e Afonsinho, e a filha de Saldanha, Sonia Saldanha.
A seleção de João Saldanha, com Tostão e Pelé, deu show mesclando jogadores do Santos, Botafogo e Cruzeiro. Mas, como ele era o “João sem medo”, como descrevera o amigo Nelson Rodrigues, não atendeu ao pedido do ex-presidente Garrastazu Médici, à época da ditadura brasileira, em 1969, que queria a convocação de Dario José dos Santos, o Dadá Maravilha. Tempos depois foi destituído do cargo, tornando-se comentarista. Assim era João Alves Jobim Saldanha, jornalista, comunista, escritor, ex-treinador da seleção brasileira, e velho conhecido dos amantes da arte e do futebol.
O episódio em que não atendeu ao desejo de Médici, ilustra a personalidade irreverente e incorruptível do jornalista. Como não era fácil descartar um técnico querido e competente como aquele, a equipe do presidente ainda tentou organizar um jantar com Médici para amenizar o clima. Ao que Saldanha respondeu: “Não vou. O cara matou amigos meus. Tenho um nome a zelar.” Treze meses depois, em 17 de março de 1970, Saldanha foi demitido e voltou à sua função de comentarista. O time bem montado foi entregue aos cuidados do treinador Mario Zagallo, que faturou o tricampeonato mundial.
O homem que enfrentou a ditadura militar e foi afastado da seleção em 1970, a melhor de todos os tempos.
O diretor do documentário, André Iki Siqueira, também escreveu a biografia de João Saldanha, João Saldanha uma vida em jogo, da Companhia Editora Nacional - 2007.
Além do cineasta Silvio Tendler, com mais de 300 documentários em seu currículo, e do diretor do filme estarão no debate o ex- jogador niteroiense Gerson de Oliveira Nunes, 80 anos, que atuou como meio-campista, jogou em diversos clubes brasileiros de futebol, tendo passagem destacada no Flamengo, Botafogo, São Paulo e Fluminense, além da seleção brasileira. É o Canhotinha de Ouro.
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