Simone de Beauvoir
02. A Experiência Vivida
O SEGUNDO SEXO
SlMONE DE BEAUVOIR
SlMONE DE BEAUVOIR
SEGUNDA PARTE
SITUAÇÃO
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CAPÍTULO V
DA MATURIDADE À VELHICE
continuando...
As dificuldades da menopausa prolongam-se em certos casos
até a morte, na mulher que não se conforma com envelhecer. Senão tiver outros recursos senão a exploração de seus encantos,
lutará com unhas e dentes para os conservar; lutará também
ferozmente, se seus desejos sexuais continuarem vivos. O caso
não é raro. Perguntaram à princesa de Metternich em que ida
de uma mulher deixa de ser atormentada pela carne: "Não sei,
respondeu, só tenho 65 anos". O casamento que, segundo Montaigne, apenas oferece à mulher "um ligeiro refresco", torna-se
um remédio dia a dia mais insuficiente na medida em que ela envelhece; muitas vezes a mulher paga na maturidade as resistências, a frieza da juventude; quando começa a conhecer, enfim, as
febres do desejo, o marido de há muito já se resignou à sua
indiferença: ele se arranjou. Despojada de seus atrativos pelo
hábito e o tempo, a esposa tem bem poucas possibilidades de
reacender a chama conjugai. Despeitada, decidida a "viver sua
vida", terá menos escrúpulos do que antes — se jamais os teve
— em arranjar amantes; mas ainda assim será preciso que eles
queiram; é uma caça ao homem. Ela emprega mil ardis; fingindo oferecer-se, impõe-se; faz armadilhas da polidez, da amizade, da gratidão. Não é somente por gosto pela carne jovem
que se volta para os rapazes; é deles somente que pode esperar
essa ternura desinteressada que o adolescente experimenta por uma
amante maternal; ela própria tornou-se agressiva, dominadora; é
a docilidade de Chéri que satisfaz Léa, tanto quanto a beleza
dele. Mme de Staël, depois dos quarenta, escolhia pajens que
esmagava com seu prestígio; e, além disso, um homem tímido,
noviço, é mais fácil de ser capturado. Quando sedução e ardis
se revelam realmente ineficientes, resta um recurso à obstinada:
pagar. O conto dos cannivets, popular durante a Idade Média,
ilustra o destino dessas ogras insaciáveis: uma jovem mulher,
em paga de seus favores, pedia a cada um de seus amantes um
pequeno cannivet que colocava num armário; um dia o armário
ficou cheio: mas nesse momento foram os amantes que se puseram a reclamar um cannivet depois de cada noite de amor; dentro
de pouco tempo o armário esvaziou-se — todos os cannivets
foram devolvidos e foi preciso comprar outros. Certas mulheres
encaram a situação com cinismo; já deram o que podiam, cabe--lhes agora devolver os cannivets. O dinheiro pode mesmo desempenhar a seus olhos o papel inverso do que representa para a cor
tesã, mas igualmente purificador: transforma o homem em um
instrumento e permite à mulher essa liberdade erótica que seu
jovem orgulho recusava antes. Porém, mais romanesca do que lúcida, a amante-benfeitora tenta muitas vezes comprar uma miragem de ternura, admiração, respeito; persuade-se mesmo de que
dá pelo prazer de dar, sem que nada lhe seja pedido: aqui também
um jovem é um amante ideal, porquanto pode ufanar-se com ele de uma generosidade maternal; e depois ele tem um pouco
desse "mistério", que o homem também pede à mulher que ele
"ajuda", porque assim a crueza do negócio se mascara de enigma.
Mas é raro que a má-fé seja clemente durante muito tempo;
a luta dos sexos transforma-se em duelo entre o explorador e o explorado no qual a mulher, desiludida, humilhada, se arrisca
a sofrer cruéis derrotas.
Prudente, resignar-se-á a "depor as
armas", sem esperar demasiado, ainda que todos os seus ardores
não tenham esmaecido.
A partir do dia em que a mulher consente em envelhecer, sua
situação muda. Até então era uma mulher ainda jovem, encarniçada em lutar contra um mal que misteriosamente a enfeiava
e deformava. Ela torna-se um ser diferente, assexuado mas acabado: uma mulher de idade. Pode-se considerar então que a
crise da menopausa terminou. Mas não se deve concluir disso que
lhe será fácil viver doravante. Quando renuncia a lutar contra
a fatalidade do tempo, outra luta se inicia: é preciso que conserve um lugar na terra.
É em seu outono, em seu inverno, que a mulher se liberta de
suas cadeias; invoca o pretexto da idade para obviar as tarefas
que lhe pesam; conhece demasiado o marido para se deixar ainda intimidar por ele, evita-lhe os amplexos, ao seu lado na amizade, na indiferença ou na hostilidade, constrói uma vida própria.
Se ele declina mais depressa, ela assume o comando. Pode também permitir-se enfrentar a moda, a opinião; furta-se às obrigações mundanas, aos regimes e às preocupações com a beleza:
assim é Léa, que Chéri reencontra liberta das costureiras, dos
cabeleireiros e beatamente instalada na gulodice. Quanto aos filhos, suficientemente grandes para prescindir dela, casam-se, deixam o lar. Infelizmente, na história de cada mulher repete-se o
fato que constatamos durante a história da mulher: ela descobre essa liberdade no momento em que não tem mais que
fazer dela. Essa repetição nada tem de um acaso: a sociedade
patriarcal deu a todas as funções femininas a figura de uma servidão; a mulher só escapa da escravidão no momento em que
perde toda eficiência. Por volta dos cinquenta anos, está em
plena posse de suas forças, sente-se rica de experiências; é mais
ou menos nessa idade que o homem ascende às mais altas posições, aos cargos mais importantes: quanto a ela, ei-la aposentada. Só lhe ensinaram a dedicar-se e ninguém reclama mais sua
dedicação. Inútil, injustificada, contempla os longos anos sem
promessa que lhe restam por viver e murmura: "Ninguém precisa de mim!"
Não se resigna imediatamente. Por vezes apega-se com desespero ao marido; acabrunha-o de cuidados mais imperiosamente do que nunca; mas a rotina da vida conjugal está melhor estabelecida do que jamais; sabe que de há muito não é
mais necessária ao marido, ou ele não lhe parece mais bastante precioso para justificá-la.
Assegurar a manutenção da
vida em comum é uma tarefa tão contingente quanto a de velar
solitariamente sobre si mesma. É para os filhos que se voltará
esperançosa: para eles o jogo ainda não está feito; o mundo, o
futuro oferecem-se a eles; gostaria de precipitar-se com seus filhos nesse futuro.
A mulher que teve a sorte de engendrar
numa idade avançada acha-se privilegiada: é ainda uma jovem
mãe no momento em que as outras se fazem avós. Mas em
geral entre 40 e 50 anos a mãe vê seus filhos transformarem-se
em adultos. É no instante em que lhe escapam que ela se esforça com paixão para sobreviver através deles.
Sua atitude é diferente, segundo espere sua salvação de um
filho ou de uma filha; é naquele que põe geralmente sua mais
ávida esperança. Ei-lo que vem finalmente a ela do fundo do
passado, o homem cujo aparecimento maravilhoso ela escrutava
no horizonte; desde os primeiros vagidos do recém-nascido, ela
esperou esse dia em que ele lhe daria todos os tesouros com que
o pai não a soube satisfazer. Entrementes, ela lhe deu bons
tabefes e purgantes que esqueceu. O filho que tivera no ventre
já era um desses semideuses que governam o mundo e o destino
das mulheres: agora ele vai reconhecê-la na glória de sua maternidade. Vai defendê-la contra a supremacia do esposo, vingá-la
dos amantes que teve e dos que não teve, será seu libertador, e
quem a salvará. Ela reencontra diante dele as condutas de sedução da moça à espera do Príncipe Encantado; pensa, quando
passeia ao lado dele, elegante, atraente ainda, que parece "uma
irmã mais velha"; fica encantada se — tomando por modelo os
heróis dos filmes norte-americanos T— ele brinca com ela e a
sacode um pouco, sorridente e respeitoso: é com orgulhosa humildade que reconhece a superioridade viril daquele que carregou
em seus flancos. Até que ponto poder-se-á qualificar tais sentimentos de incestuosos? É certo que, quando se imagina complacentemente apoiada aos braços do filho, a expressão "irmã mais
velha" traduz pudicamente fantasmas equívocos; quando dorme,
quando não se controla, seus devaneios conduzem-na por vezes
muito longe; mas já disse que sonhos e fantasmas estão muito longe de exprimir sempre o desejo escondido de um ato real: muitas
vezes eles se bastam, são a realização acabada de um desejo que
só reclama uma satisfação imaginária. Quando a mãe brinca de
maneira mais ou menos velada de ver no filho um amante, trata-se unicamente de um jogo. 0 erotismo propriamente dito ocupa
pouco lugar nesse casal. Mas é um casal; é no fundo de sua
feminilidade que a mãe saúda no filho o homem soberano; entrega-se nas mãos dele com tanto fervor quanto a mulher apaixonada, e, em troca desse dom, espera ser içada à direita do Deus.
Para obter essa assunção, a apaixonada invoca a liberdade do
amante: assume generosamente um risco; paga-o com suas exigências ansiosas. A mãe estima que adquiriu direitos sagrados pelo
simples fato de conceber; não espera que o filho se reconheça
nela para encará-lo como sua criatura, seu bem; é menos exigente do que a amante porque é de uma má-fé mais tranquila; tendo
fabricado uma carne, faz sua uma existência de cujos atos, obras
e méritos se apropria. E, exaltando seu fruto, é sua própria pessoa que ergue às nuvens.
Viver por procuração é sempre um expediente precário. As
coisas podem não acontecer como se desejam. Ocorre muitas vezes
que o filho não passe de um vagabundo, de um moleque, de um
falhado, de um ingrato. A mãe tem suas ideias próprias acerca
do herói que ele deve encarnar. Nada mais raro do que aquela
que respeita autenticamente a pessoa humana no filho, que lhe
reconhece a liberdade até nos malogros, que com ele assume os
riscos que todo empenho implica. Encontram-se muito mais comumente êmulos daquela espartana demasiado incensada que
condena displicentemente o filho à glória ou à morte; o que o
filho tem que fazer na terra, é justificar a existência da mãe, apossando-se, em proveito de ambos, dos valores que ela própria res
peita. A mãe exige que os projetos do filho-Deus sejam conformes
a seu próprio ideal e que o êxito lhe seja assegurado. Toda mulher quer engendrar um herói, um gênio; mas todas as mães de
heróis, de gênios, começaram por proclamar que eles lhes partiam
o coração. É contra sua mãe que o homem o mais das vezes
conquista os troféus com que ela sonhava adornar-se e que ela
não reconhece quando ele lhe joga aos pés. Mesmo se aprova
em princípio os empreendimentos do filho, ela é atormentada
por uma contradição análoga à que tortura a mulher que ama.
"ara justificar sua vida — e a de sua mãe — é preciso que ele
a supere no sentido de dados fins; para atingi-los, é levado a com
prometer a saúde, a correr riscos: mas ele contesta o valor do
dom que lhe fez a mãe quando coloca certos objetos acima do
simples fato de viver. Ela se escandaliza com isso; ela só reina
sobre o homem como soberana se essa carne que engendrou é
para ele o bem supremo: não tem o filho o direito de destruir essa obra que ela realizou no sofrimento. "Vais te cansar, vais
ficar doente, vai te acontecer uma desgraça", berra-lhe sem cessar
aos ouvidos. Entretanto, ela bem sabe que viver não basta, de
outro modo até procriar seria supérfluo; ela é a primeira a se irritar se o filho é um preguiçoso, um covarde. Nunca ela descansa. Quando ele parte para a guerra, a mãe quer que volte vivo
mas condecorado. Deseja que tenha êxito na carreira, mas receia que se exceda. 0 que quer que ele faça, é sempre com preocupação que ela assistirá, impotente, ao desenrolar de uma história que é a sua própria mas que não comanda. Tem medo
de que ele siga por caminho errado, medo de que não vença,
medo de que, vencendo, caia doente. Ainda que tenha inteira
confiança nele, a diferença de idade e de sexo não permite que
estabeleça entre mãe e filho uma verdadeira cumplicidade; ela
não está a par dos trabalhos dele; nenhuma colaboração lhe
é solicitada. Por isso, mesmo admirando o filho com orgulho desmedido,
a mãe permanece insatisfeita. Acreditando ter engendrado não
somente uma carne mas ainda fundado uma existência absolutamente necessária, ela sente-se retrospectivamente justificada; mas
direitos não são uma ocupação: ela precisa, para encher seus
dias, perpetuar sua ação benéfica; quer sentir-se indispensável
a seu deus; a mistificação da dedicação acha-se neste caso denunciada da maneira mais brutal: a esposa vai despojá-la de suas
funções. Descreveu-se muitas vezes a hostilidade que ela experimenta em relação a essa estranha que lhe "toma" o filho. A
mãe ergueu a facticidade contingente do parto à altura de um
mistério divino: recusa-se a admitir que uma decisão humana
possa ter mais peso. A seus olhos os valores são feitos de antemão, procedem da natureza, do passado; ela desconhece o alcance
de um livre empenho. Seu filho deve-lhe a vida; que deve a essa
mulher que ainda ontem ignorava? Foi através de algum malefício
que o persuadiu da existência de um laço que até então não existia; é intrigante, interesseira, perigosa. A mãe espera com impaciência que a impostura se descubra; encorajada pelo velho mito
da boa mãe de mãos consoladoras, que pensa os ferimentos infligidos pela mulher má, ela espia no rosto do filho os sinais da
desgraça; descobre-os mesmo quando ele os nega; queixa-se então
de que ele não se queixa de nada; fiscaliza a nora, critica-a, a
todas as inovações dela opõe o passado, o costume que condenam
a própria presença da intrusa. Cada qual entende a seu modo
a felicidade do bem-amado; a mulher quer ver nele um homem através de quem dominará o mundo; a mãe tenta, para guardá-lo trazê-lo de volta à infância; aos projetos da jovem mulher
que espera que o marido se torne rico ou importante, ela opõe
as leis de sua imutável essência: ele é frágil, ela não deve esgotá-lo. O conflito entre o passado e o futuro exaspera-se quando
a recém-chegada se acha grávida por sua vez. "O nascimento
dos filhos é a morte dos pais"; é então que esta verdade assume
toda a sua força cruel: a mãe que esperava sobreviver no filho
compreende que ele a condena à morte. Ela deu a vida; a vida
vai prosseguir sem ela; ela não é mais a Mãe: apenas um elo
da cadeia; cai do céu dos ídolos intemporais; não passa mais
de um indivíduo acabado, prescrito. É então que nos casos patológicos seu ódio se exaspera até acarretar uma neurose ou a
conduz ao crime; foi quando a gravidez da nora se verificou
que Mme Lefevbre, depois de a ter detestado durante muito tempo, resolveu assassiná-la¹.
[1] Em agosto de 1925, uma burguesa do Norte, Mme Lefevbre, de 60 anos, que vivia com o marido e os filhos, mata a nora grávida de seis meses durante um passeio de automóvel, enquanto o filho guiava. Condenada à morte, perdoada, terminou a vida numa casa correção sem manifestar nenhum remorso; pensava ter sido aprovada por Deus quando matou a nora "como se arranca erva daninha, coisa que não presta, como se mata uma fera". Dessa selvageria dava como única explicação ter-lhe dito um dia a jovem mulher: "Você me tem agora, portanto será preciso contar comigo". Foi quando suspeitou da gravidez, da nora que comprou um revólver, para se defender contra os ladrões, disse. Depois da menopausa apegara-se desesperadamente à maternidade; durante doze anos sentira incômodos que exprimiam simbolicamente uma gravidez imaginária.
As mulheres de nossos dias estão prestes a destruir o mito do "eterno feminino": a donzela ingênua, a virgem profissional, a mulher que valoriza o preço do coquetismo, a caçadora de maridos, a mãe absorvente, a fragilidade erguida como escudo contra a agressão masculina. Elas começam a afirmar sua independência ante o homem; não sem dificuldades e angústias porque, educadas por mulheres num gineceu socialmente admitido, seu destino normal seria o casamento que as transformaria em objeto da supremacia masculina.
Neste volume complementar de O SEGUNDO SEXO, Simone de Beauvoir, constatando a realidade ainda imediata do prestígio viril, estuda cuidadosamente o destino tradicional da mulher, as circunstâncias do aprendizado de sua condição feminina, o estreito universo em que está encerrada e as evasões que, dentro dele, lhe são permitidas. Somente depois de feito o balanço dessa pesada herança do passado, poderá a mulher forjar um outro futuro, uma outra sociedade em que o ganha--pão, a segurança econômica, o prestígio ou desprestígio social nada tenham a ver com o comércio sexual. É a proposta de uma libertação necessária não só para a mulher como para o homem. Porque este, por uma verdadeira dialética de senhor e servo, é corroído pela preocupação de se mostrar macho, importante, superior, desperdiça tempo e forcas para temer e seduzir as mulheres, obstinando-se nas mistificações destinadas a manter a mulher acorrentada.
Os dois sexos são vítimas ao mesmo tempo do outro e de si. Perpetuar-se-á o inglório duelo em que se empenham enquanto homens e mulheres não se reconhecerem como semelhantes, enquanto persistir o mito do "eterno feminino". Libertada a mulher, libertar-se-á também o homem da opressão que para ela forjou; e entre dois adversários enfrentando-se em sua pura liberdade, fácil será encontrar um acordo.
O SEGUNDO SEXO, de Simone de Beauvoir, é obra indispensável a todo o ser humano que, dentro da condição feminina ou masculina, queira afirmar-se autêntico nesta época de transição de costumes e sentimentos.
[1] Em agosto de 1925, uma burguesa do Norte, Mme Lefevbre, de 60 anos, que vivia com o marido e os filhos, mata a nora grávida de seis meses durante um passeio de automóvel, enquanto o filho guiava. Condenada à morte, perdoada, terminou a vida numa casa correção sem manifestar nenhum remorso; pensava ter sido aprovada por Deus quando matou a nora "como se arranca erva daninha, coisa que não presta, como se mata uma fera". Dessa selvageria dava como única explicação ter-lhe dito um dia a jovem mulher: "Você me tem agora, portanto será preciso contar comigo". Foi quando suspeitou da gravidez, da nora que comprou um revólver, para se defender contra os ladrões, disse. Depois da menopausa apegara-se desesperadamente à maternidade; durante doze anos sentira incômodos que exprimiam simbolicamente uma gravidez imaginária.
continua página 355...
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Leia também:
O Segundo Sexo - 01. Fatos e Mitos: que é uma mulher?
O Segundo Sexo - 02. A Experiência Vivida: Capítulo I - Infância (1)
O Segundo Sexo - 02. A Experiência Vivida: Capítulo II - A Moça (1)
O Segundo Sexo - 02. A Experiência Vivida: Capítulo III - A Iniciação Sexual (1)
O Segundo Sexo - 02. A Experiência Vivida: Capítulo IV - A Lésbica (1)
O Segundo Sexo - 02. Situação: Capítulo I - A Mulher Casada (1)
O Segundo Sexo - 01. Fatos e Mitos: que é uma mulher?
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O Segundo Sexo - 02. Situação: Capítulo I - A Mulher Casada (1)
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Neste volume complementar de O SEGUNDO SEXO, Simone de Beauvoir, constatando a realidade ainda imediata do prestígio viril, estuda cuidadosamente o destino tradicional da mulher, as circunstâncias do aprendizado de sua condição feminina, o estreito universo em que está encerrada e as evasões que, dentro dele, lhe são permitidas. Somente depois de feito o balanço dessa pesada herança do passado, poderá a mulher forjar um outro futuro, uma outra sociedade em que o ganha--pão, a segurança econômica, o prestígio ou desprestígio social nada tenham a ver com o comércio sexual. É a proposta de uma libertação necessária não só para a mulher como para o homem. Porque este, por uma verdadeira dialética de senhor e servo, é corroído pela preocupação de se mostrar macho, importante, superior, desperdiça tempo e forcas para temer e seduzir as mulheres, obstinando-se nas mistificações destinadas a manter a mulher acorrentada.
Os dois sexos são vítimas ao mesmo tempo do outro e de si. Perpetuar-se-á o inglório duelo em que se empenham enquanto homens e mulheres não se reconhecerem como semelhantes, enquanto persistir o mito do "eterno feminino". Libertada a mulher, libertar-se-á também o homem da opressão que para ela forjou; e entre dois adversários enfrentando-se em sua pura liberdade, fácil será encontrar um acordo.
O SEGUNDO SEXO, de Simone de Beauvoir, é obra indispensável a todo o ser humano que, dentro da condição feminina ou masculina, queira afirmar-se autêntico nesta época de transição de costumes e sentimentos.
"O que é uma mulher?"
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