segunda-feira, 22 de junho de 2026

O Segundo Sexo - 02. Situação: Capítulo V - Da Maturidade à Velhice (1)

 Simone de Beauvoir


02. A Experiência Vivida

O SEGUNDO SEXO
SlMONE DE BEAUVOIR

SEGUNDA PARTE

SITUAÇÃO
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CAPÍTULO V
DA MATURIDADE À VELHICE
 


     A HISTÓRIA da mulher — pelo fato de se encontrar ainda encerrada em suas funções de fêmea — depende muito mais que a do homem de seu destino fisiológico. Todo período da vida feminina é calmo e monótono: mas as passagens de um estágio para outro são de uma perigosa brutalidade; evidenciam-se através de crises muito mais decisivas do que no homem: puberdade, iniciação sexual, menopausa. Enquanto ele envelhece de maneira contínua, a mulher é bruscamente despojada de sua feminilidade; perde, jovem ainda, o encanto erótico e a fecundidade de que tirava, aos olhos da sociedade e a seus próprios olhos, a justificação de sua existência e suas possibilidades de felicidade: cabe-lhe viver, privada de todo futuro, cerca de metade de sua vida de adulta.  
     "A idade perigosa" é caracterizada por certas perturbações orgânicas (cf. vol. I, cap. I), mas o que lhes dá importância é o valor simbólico de que se revestem. A crise é sentida de maneira muito menos aguda pelas mulheres que não apostaram particularmente na sua feminilidade; as que trabalham duramente — em seus lares ou fora deles — acolhem com alívio o desaparecimento da servidão menstrual; a camponesa, a mulher do operário, que uma nova gravidez ameaça sem cessar, sentem-se felizes quando veem enfim esse risco evitado. Nessa conjuntura, como em muitas outras, é menos do próprio corpo que provêm os incômodos da mulher que da consciência angustiada que deles tem. O drama, moral inicia-se antes que os fenômenos fisiológicos se declarem e termina quando eles já de há muito desapareceram.
     Muito antes da mutilação definitiva, a mulher sente-se obcecada pelo horror de envelhecer. O homem maduro acha-se empenhado cm empresas mais importantes que as do amor; seus ardores eróticos são menos vivos do que na mocidade; e como não lhe pedem as qualidades passivas de um objeto, as alterações de seu rosto e de seu corpo não arruínam suas possibilidades de sedução. Ao contrário, é geralmente por volta dos 35 anos que a mulher, tendo enfim superado suas inibições, atinge sua plena maturidade erótica: é então que seus desejos são mais violentos e que ela deseja mais asperamente satisfazê-los; muito mais do que o homem, ela apostou nos valores sexuais que detém; para reter o marido, para se assegurar proteções, é necessário que agrade na maior parte dos ofícios que exerce; não lhe permitiram ter algum domínio sobre o mundo, senão por intermédio do homem: que lhe acontecerá quando não tiver mais domínio sobre este? É o que se pergunta ansiosamente enquanto assiste impotente à degradação desse objeto de carne com o qual se confunde; luta, mas pintura, operações estéticas não podem senão prolongar sua juventude agonizante. Pode trapacear com o espelho, mas quando se esboça o processo fatal, irreversível, que vai destruir nela todo o edifício construído durante a puberdade, sente-se tocada pela própria fatalidade da morte.
     Poder-se-ia acreditar que é a mulher que mais ardentemente se embriagou de sua beleza, de sua mocidade, quem conhece os piores desatinos; mas não; a narcisista preocupa-se demais com sua pessoa para não ter previsto a inelutável decadência e organizado posições de retirada. Sofrerá por certo com sua mutilação: mas não será pelo menos surpreendida e adaptar-se-á bastante depressa. A mulher que se esqueceu, que se dedicou, que se sacrificou será muito mais desnorteada pela súbita revelação: "Tinha só uma vida por viver; eis meu quinhão, agora!" Para espanto dos que a cercam, produz-se nela então uma mudança radical: desalojada de seus retiros, aTrancada a seus projetos, acha-se colocada subitamente, sem ter para que apelar, em face de si mesma. Ultrapassado este marco contra o qual s? chocou sem esperar, parece-lhe que não faz senão sobreviver a si mesma; seu corpo será sem promessa; os sonhos, os desejos que não realizou permanecerão para sempre insatisfeitos; é nesta nova perspectiva que se volta para o passado; é chegado o momento de traçar um risco, de fazer as contas; é a hora do balanço. Ela se apavora com as estreitas limitações que a vida lhe infligiu. Em face dessa história breve e decepcionante que foi a sua, reencontra as condutas da adolescente no limiar de um futuro ainda inacessível: recusa sua finidade; opõe à pobreza de sua existência a riqueza nebulosa de sua personalidade. Pelo fato de que, sendo mulher, suportou mais ou menos passivamente seu destino, parece-lhe que lhe roubaram suas possibilidades, que a enganaram, que escorregou da juventude para a maturidade sem ter tomado consciência disso. Descobre que seu marido, meio e ocupações não eram dignos de si; sente-se incompreendida. Isola-se do meio a que se considera superior; encerra-se com o segredo que traz no coração e é a chave misteriosa de sua sorte; procura tornar a ponderar as possibilidades que não esgotou. Põe-se a escrever um diário íntimo; se encontra confidentes compreensivos, expande-se em conversas indefinidas; e rumina dias e noites suas queixas e seus ressentimentos. Como a moça que sonha com o que será seu futuro, ela evoca o que poderia ter sido o seu passado; revê as oportunidades que deixou escapar e forja belos romances retrospectivos. H. Deutsch cita o caso de uma mulher que rompera, muito jovem, um casamento infeliz e passara em seguida longos anos tranquila ao lado de um segundo marido; com 45 anos, pôs-se a lamentar dolorosamente o primeiro marido e abismar-se na melancolia. As preocupações da infância e da puberdade reavivam-se, a mulher remói indefinidamente a história de seus jovens anos e sentimentos adormecidos pelos pais, os irmãos, as irmãs, amigos de infância, exaltam-se novamente. Por vezes, entrega-se a uma melancolia sonhadora e passiva. Mas, o mais das vezes, tenta bruscamente salvar sua existência falhada. Essa personalidade que acaba de descobrir por contraste com a mesquinhez de seu destino, ela a exibe, louva-lhe os méritos, reclama imperiosamente que lhe façam justiça. Amadurecida pela experiência, pensa que é capaz enfim de se valorizar; gostaria de recomeçar. Antes de tudo, procura deter o tempo num esforço patético. Uma mulher maternal afirma que pode ainda conceber; procura apaixonadamente criar vida mais uma vez. Uma mulher sensual esforça-se por conquistar um novo amante. A coquete mostra-se, mais do que nunca, ávida de agradar. Declaram todas que nunca se sentiram tão jovens. Querem per suadir os outros de que a passagem do tempo não as atingiu efetivamente, põem-se a "vestir-se como jovens", adotam mímicas infantis. A mulher que envelhece sabe muito bem que se deixa de ser um objeto erótico não é somente porque sua carne não oferece mais ao homem riquezas frescas: é também porque seu passado, sua experiência fazem dela, queira ou não, uma pessoa; lutou, amou, quis, sofreu, gozou por sua conta: esta autonomia intimida-a; procura renegá-la; exagera sua feminilidade, enfeita-se, perfuma-se, faz-se toda encanto, graça, pura imanência; admira com um olhar ingênuo e entonações infantis o interlocutor masculino, evoca com volubilidade suas recordações de menina; ao invés de falar, cacareja, bate palmas, ri às gargalhadas. É com uma espécie de sinceridade que representa essa comédia. Pois o interesse novo que dedica a si mesma, o desejo de se arrancar às antigas rotinas e de partir novamente dão-lhe a impressão de que recomeça.
     Em verdade, não se trata de uma partida verdadeira; ela não descobre, no mundo, objetivos para os quais possa projetar-se num movimento livre e eficiente. Sua agitação assume uma forma excêntrica, incoerente e vã porque só se destina a com pensar simbolicamente os erros e malogros do passado. Entre outras coisas, a mulher esforçar-se-á por realizar, antes que seja tarde demais, todos os seus desejos de criança e de adolescente: uma volta ao piano, outra à escultura, ou a escrever, a viajar, aprende a esquiar ou línguas estrangeiras. Tudo o que recusara voluntariamente até então, ela resolve — antes que seja tarde demais — acolher. Confessa sua repugnância por um marido que tolerava antes e torna-se fria nos seus braços; ou, ao contrário, entrega-se a ardores que refreava; acabrunha o marido com exigências, retorna à prática da masturbação, abandonada desde a infância. As tendências homossexuais — que existem de um modo larvar em quase todas as mulheres — manifestam-se. Muitas vezes, o alvo dessas tendências transfere-as para a filha; mas por vezes, também, é em relação a uma amiga que nascem sentimentos insólitos. Em sua obra Sex, life and faith, Rom Landau conta a história seguinte, que lhe foi confiada pela interessada:

   Mme X. . . aproximava-se dos 50 anos; casada há vinte e cinco, mãe de três filhos adultos, ocupando uma posição proeminente nas organizações sociais e caritativas de sua cidade, encontrou em Londres uma mulher dez anos mais jovem e que, como ela, se dedicava a atividades sociais. Tornaram-se amigas e Mlle Y. . . ofereceu-lhe hospedagem para a viagem seguinte. Mme X... aceitou e, na segunda noite de sua estada, surpreendeu-se subitamente beijando apaixonada mente sua hospedeira: afirmou várias vezes não ter tido a menor ideia de como a coisa acontecera; passou a noite com a amiga e voltou para casa aterrorizada. Até então ignorava tudo da homossexualidade, não sabia sequer que "semelhante coisa" pudesse existir. Pensava em Mlle Y... com paixão e, pela primeira vez na vida, achou as carícias e o beijo quotidiano do marido pouco agradáveis. Resolveu rever a amiga para "tirar a limpo" as coisas e sua paixão aumentou ainda; essas relações enchiam-na de alegrias que jamais conhecera. Mas sentia-se atormentada pela ideia de ter cometido um pecado e consultou um médico, a fim de saber se havia uma "explicação científica" para seu estado e se este podia ser justificado por algum argumento moral.

      Neste caso, o sujeito cedeu a um impulso espontâneo e ficou ele próprio profundamente desnorteado. Mas, muitas vezes, é deliberadamente que a mulher procura viver os romances que não conheceu, que dentro em breve não poderá mais conhecer. Afasta-se do lar, já porque lhe parece indigno dela, e que deseja a solidão, já porque busca a aventura. Se a encontra, lança-se a ela avidamente. Assim ocorre nesta história narrada por Stekel:

   Mme B. Z. tinha 40 anos, três filhos e atrás de si vinte anos de vida conjugal, quando começou a pensar que era incompreendida, que malograra na vida; dedicou-se a diversas atividades novas e, entre outras, esquiar nas montanhas; aí encontrou um homem de 30 anos, de quem se tornou amante; mas, dentro em breve, ele se apaixonou pela filha de Mme B. Z.; ela consentiu em que se casassem, para guardar junto de si o amante; havia entre a mãe e a filha um amor homossexual inconfessado, mas muito vivo, que explica em parte a decisão. Entretanto, a situação logo se tornou intolerável, o amante deixando algumas vezes o leito da mãe durante a noite para ir ter com a filha. Mme B. Z. tentou suicidar-se. Foi então — tinha 46 anos — que se tratou com Stekel. Decidiu-se por uma ruptura e a filha, por seu turno, renunciou a seu projeto de casamento. Mme B. Z. voltou a ser então uma esposa exemplar e abismou-se na devoção.

     A mulher sobre quem pesa uma tradição de decência e de honestidade nem sempre chega aos atos. Mas seus sonhos povoam-se de fantasmas eróticos que ela também suscita durante a vigília; manifesta uma ternura exaltada e sensual pelos filhos, nutre acerca do filho obsessões incestuosas, apaixona-se secretamente por um rapaz após outro; como a adolescente, é obceca da por ideias de violação; conhece igualmente a vertigem da prostituição; nela também a ambivalência de seus desejos e te mores engendra uma ansiedade que por vezes provoca neuroses: escandaliza seus parentes com condutas estranhas que, na verdade, traduzem sua vida imaginária.
     A fronteira entre o imaginário e o real é ainda mais indecisa nesse período turvo do que na puberdade. Um dos traços mais marcados na mulher que envelhece é o sentimento de despersonalização que a faz perder todos os pontos de referência objetivos. As pessoas que, em plena saúde, viram a morte de muito perto, dizem ter experimentado uma curiosa impressão de desdobramento; quando a gente se sente consciência, atividade, liberdade, o objeto passivo cuja fatalidade se joga apresenta-se  necessariamente como um outro: não é meu eu que um automóvel atropela; não sou eu essa mulher velha que o espelho reflete. A mulher que "nunca se sentiu tão jovem" e que nunca se viu tão idosa, não consegue conciliar esses dois aspectos de si mesma; é em sonho que o tempo passa, que a duração a corrói. Assim, a realidade dissipa-se e se ameniza: ao mesmo tempo não se distingue muito bem da ilusão. A mulher confia em suas evidências interiores, mais do que nesse estranho mundo em que o tempo avança recuando, em que seu duplo não se parece mais com ela, em que os acontecimentos a traíram. Por isso, está ela predisposta aos êxtases, às iluminações, aos delírios. E como o amor é então mais do que nunca sua preocupação essencial, é normal que se entregue à ilusão de que é amada. Nove em dez dos erotômanos são mulheres, quase todas de 40 a 50 anos.
     Entretanto, não é dado a toda gente transpor tão ousadamente o muro da realidade. Frustradas mesmo em seus sonhos, muitas mulheres procuram auxílio junto de Deus, contra todo o amor humano; é no momento da menopausa que a coquete, a apaixonada, a devassa se faz devota; as vagas ideias de destino, de segredo, de personalidade incompreendida, que a mulher acaricia à beira de seu outono, encontram na religião uma unidade racional. A devota considera sua vida malograda como uma provação enviada pelo Senhor; sua alma hauriu na desgraça méritos excepcionais que lhe outorgam a graça singular de ser visitada por Deus; ela acreditará de bom grado que o céu lhe envia iluminações ou até — como Mme Krüdener — que a encarrega piedosamente de uma missão. Tendo mais ou menos perdido o sentido do real, a mulher é acessível a todas as sugestões durante essa crise: um mentor está bem colocado para assumir uma ascendência profunda sobre sua alma. Ela colherá também com entusiasmo autoridades mais contestadas; é uma presa de antemão designada às seitas religiosas, aos espíritos, aos profetas, aos curandeiros, a todos os charlatães. Isso não somente porque perdeu todo senso crítico, ao perder o contato com o mundo dado, mas ainda porque é ávida de uma verdade definitiva. Precisa de um remédio, de uma fórmula, da chave que bruscamente a salvará, salvando o universo. Despreza mais do que nunca uma lógica que evidentemente não poderia aplicar-se a seu caso singular; só lhe parecem convincentes os argumentos que lhe são especialmente destinados: as revelações, as inspirações, as mensagens, os sinais, e até os milagres põem-se a florescer ao redor dela. Suas descobertas levam-na por vezes aos caminhos da ação: lança-se a negócios, empresas, aventuras cuja ideia lhe foi insuflada por algum conselheiro ou alguma voz interior. Por vezes, limita-se a sagrar-se detentora da verdade e da sabedoria absoluta. Ativa ou contemplativa, sua atitude acompanha-se de exaltações febris. A crise da menopausa corta em dois, brutalmente, a vida feminina; é essa descontinuidade que dá à mulher a ilusão de uma "vida nova"; é outro tempo que se abre diante dela; aborda-o com o fervor da convertida, convertida ao amor, à vida, a Deus, à humanidade; nestas entidades, perde-se e magnifica-se. Morreu e ressuscitou, encara a terra com um olhar que desvendou os segredos do além e crê levantar voo para píacaros intatos.
     Mas a terra não muda; os cimos continuam inatingíveis; as mensagens recebidas — ainda que numa deslumbrante evidência — decifram-se mal; as luzes interiores apagam-se; sobra diante do espelho uma mulher que envelheceu de mais um dia desde a véspera. Aos momentos de fervor sucedem mornas horas de de pressão. O organismo indica esse ritmo, pois a diminuição hormônica é compensada por uma superatividade da hipófise; mas é principalmente a situação psicológica que comanda essa alternância. Porque a agitação, as ilusões, o fervor são apenas uma defesa contra a fatalidade do que foi. Novamente a angústia sufoca quem já tem a vida consumida sem que a morte a acolha. Em lugar de lutar contra o desespero, ela escolhe frequente mente intoxicar-se com ele. Remói queixas, saudades e recriminações; imagina maquinações tenebrosas da parte dos vizinhos e dos parentes; se tem uma irmã ou uma amiga de sua idade associada a sua vida, constroem por vezes, em conjunto, delírios de perseguição. Mas principalmente põe-se a alimentar contra o marido um ciúme mórbido: tem ciúme dos amigos, das irmãs, do trabalho dele; e, com ou sem razão, acusa alguma rival de ser responsável por todos esses males. É entre 50 e 55 anos que os casos patológicos de ciúmes são mais numerosos.

continua página 349...
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O Segundo Sexo - 02. Situação: Capítulo V - Da Maturidade à Velhice (1)
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As mulheres de nossos dias estão prestes a destruir o mito do "eterno feminino": a donzela ingênua, a virgem profissional, a mulher que valoriza o preço do coquetismo, a caçadora de maridos, a mãe absorvente, a fragilidade erguida como escudo contra a agressão masculina. Elas começam a afirmar sua independência ante o homem; não sem dificuldades e angústias porque, educadas por mulheres num gineceu socialmente admitido, seu destino normal seria o casamento que as transformaria em objeto da supremacia masculina.
Neste volume complementar de O SEGUNDO SEXO, Simone de Beauvoir, constatando a realidade ainda imediata do prestígio viril, estuda cuidadosamente o destino tradicional da mulher, as circunstâncias do aprendizado de sua condição feminina, o estreito universo em que está encerrada e as evasões que, dentro dele, lhe são permitidas. Somente depois de feito o balanço dessa pesada herança do passado, poderá a mulher forjar um outro futuro, uma outra sociedade em que o ganha--pão, a segurança econômica, o prestígio ou desprestígio social nada tenham a ver com o comércio sexual. É a proposta de uma libertação necessária não só para a mulher como para o homem. Porque este, por uma verdadeira dialética de senhor e servo, é corroído pela preocupação de se mostrar macho, importante, superior, desperdiça tempo e forcas para temer e seduzir as mulheres, obstinando-se nas mistificações destinadas a manter a mulher acorrentada.
Os dois sexos são vítimas ao mesmo tempo do outro e de si. Perpetuar-se-á o inglório duelo em que se empenham enquanto homens e mulheres não se reconhecerem como semelhantes, enquanto persistir o mito do "eterno feminino". Libertada a mulher, libertar-se-á também o homem da opressão que para ela forjou; e entre dois adversários enfrentando-se em sua pura liberdade, fácil será encontrar um acordo.
O SEGUNDO SEXO, de Simone de Beauvoir, é obra indispensável a todo o ser humano que, dentro da condição feminina ou masculina, queira afirmar-se autêntico nesta época de transição de costumes e sentimentos.

"O que é uma mulher?"

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