sábado, 11 de julho de 2026

Dostoiévski - Os Irmãos Karamazov Livro 3 (IV. Confissão de um coração ardente - anedotas)

Os Irmãos Karamazov

Fiódor Dostoiévski


PRIMEIRA PARTE
LIVRO III
OS SENSUAIS
IV
CONFISSÃO DE UM CORAÇÃO ARDENTE - ANEDOTAS
    
— Entregara-me à devassidão. Meu pai dizia ainda há pouco que gastei milhares de rublos para seduzir donzelas. Imaginação de porco! É uma mentira, porque minhas conquistas não me custavam nada, a bem dizer. Para mim o dinheiro não passa do acessório, a encenação. Hoje, sou o amante de uma dama, amanhã de uma mulher das ruas. Divirto as duas, prodigando dinheiro aos punhados, com música e ciganos. Se for possível, dou dinheiro a elas, porque de qualquer forma o dinheiro não lhes desagrada; elas nos agradecem. Amaram-me senhoritas, não todas, mas as houve e muitas. Gostava dos becos, das vielas sombrias e desertas, teatro de aventuras, de surpresas, por vezes de pérolas na lama. Exprimo-me alegoricamente, irmão, esses becos só existiam figuradamente. Se fosses semelhante a mim, compreenderias. Gostava da devassidão pela sua abjeção mesma. Gostava da crueldade; não sou um percevejo, um inseto malfazejo? Um Karamázov, e está tudo dito! Uma vez, houve um grande piquenique, para onde fomos em sete tróicas, no inverno, num tempo sombrio; no trenó cobri de beijos minha vizinha, filha de um funcionário, sem fortuna, encantadora e tímida; no escuro, permitiu-me ela carícias demasiado livres. A pobrezinha imaginava que no dia seguinte iria eu pedi-la em casamento (porque era eu apreciado como possível noivo); mas fiquei cinco meses sem dizer-lhe uma palavra. Muitas vezes, quando se dançava, via-a seguir-me com o olhar num canto do salão, com os olhos a arderem duma terna indignação. Esse jogo só fazia deitar minha sensualidade perversa. Cinco meses depois, casou se ela com um funcionário e partiu... furiosa e talvez amando-me ainda. Vivem felizes, agora. Nota que ninguém sabe de nada, sua reputação está - intacta; malgrado meus vis instintos e meu amor à baixeza, não sou desonesto. Tu coras. Teus olhos cintilam. Estás farto dessa lama. No entanto, não passam de grinaldas à Paulo de Kock. Tenho, irmão, um álbum inteiro de recordações. Que Deus as guarde a essas queridas criaturas. No momento de romper, evitava as querelas. Jamais vendi nem comprometi nenhuma. Mas isto basta. Crês que te chamei somente por causa dessas sujeiras? Não, foi a fim de contar-te algo de mais curioso; mas não fiques surpreendido pelo fato de não ter eu vergonha diante de ti, sinto-me mesmo à vontade. — Fazes alusão ao meu rubor — observou, de súbito, Aliócha.
— Não são tuas palavras, nem mesmo tuas ações que me fazem corar. Coro porque sou igual a ti.
— Tu? Estás indo um pouco longe. 
— Não, não exagero — declarou Aliócha, com calor. (Via-se que estava presa dessa ideia desde muito tempo.) — A escada do vício é a mesma para todos. Acho-me no primeiro degrau; estás mais alto, no décimo terceiro, admitamos. Acho que é absolutamente a mesma coisa: uma vez posto o pé no primeiro degrau, é preciso galgar todos. — O melhor, então, é não começar? 
— Evidentemente, se é possível. 
— Pois bem, és capaz? 
— Creio que não. 
— Cala-te, Aliócha, cala-te, meu querido, tenho vontade de beijar-te a mão cheio de enternecimento. Ah! essa marota da Gruchenhka conhece os homens; dizia-me, uma vez, que um dia ou outro te devoraria. Está bem, calo-me! Mas deixemos esse terreno emporcalhado pelas moscas para chegar à minha tragédia, emporcalhada, também ela, pelas moscas, isto é, por todas as espécies de baixezas possíveis. Se bem que o velho tenha mentido a respeito de minhas pretensas seduções, isto aconteceu-me, no entanto, uma vez somente; e ainda assim não chegou a executar-se. Ele, que me censurava coisas imaginárias, nada sabe disso; não o contei a ninguém, és o primeiro a quem falo, exceto Ivã, bem entendido. Ele sabe de tudo desde muito tempo. Mas Ivã é mudo como o tumulo. 
— Como o tumulo?
— Sim.

     Aliócha redobrou de atenção.

— Embora alferes num batalhão de linha, era objeto de certa vigilância, a modo dum deportado. Mas acolhiam-me bastante bem na cidadezinha. Prodigalizava dinheiro, acreditavam-me rico e eu acre ditava que o era. Devia agradar também por outras razões. Embora abanando a cabeça por causa de minhas estroinices, tinham afeição por mim. Meu tenente-coronel, um velho, antipatizou comigo de repente. Pôs-se a amofinar-me, mas eu tinha costas largas; toda a cidade ficou a meu lado, não podia ele fazer grande coisa. A culpa era minha; por tola altivez, não lhe prestava eu as homenagens a que tinha ele direito. Aquele velho teimoso, bom homem no íntimo e muito hospitaleiro, fora casado duas vezes. Era viúvo. Sua primeira mulher, de baixa condição, deixara-lhe uma filha tão simples quanto ela mesma. Tinha a moça então 24 anos e vivia com seu pai e sua tia materna. Longe de ter a ingenuidade silenciosa de sua tia, a isso juntava muita vivacidade. Jamais encontrei caráter feminino mais encantador. Chamava-se Agáfia, imagina, Agáfia Ivânovna. Bastante bonita, ao gosto russo, grande, de boas carnes, de belos olhos, mas de expressão um pouco vulgar. Ficara solteira, malgrado dois pedidos de casamento, e conservava sua jovialidade. Travei amizade com ela, tudo muito direito, com muita honestidade. Porque travei mais de uma amizade feminina, perfeitamente pura. Falava com ela em termos bastante livres e ela só fazia rir. Muitas mulheres gostam dessa liberdade de expressão, nota-o bem; além do mais, era muito divertido com uma moça igual a ela. Um traço ainda: não se podia qualificá-la de senhorita. Sua tia e ela viviam em casa de seu pai, numa espécie de rebaixa mento voluntário, sem se igualarem ao resto da sociedade. Estimavam-na, apreciavam seus talentos de costureira, porque não cobrava ela nada, trabalhando por gentileza para suas amigas, sem todavia recusar o dinheiro, quando lhe era oferecido. Quanto ao coronel, era um dos homens notáveis do lugar. Vivia à larga. Toda a cidade era recebida em sua casa; ceava-se, dançava-se. Por ocasião de minha entrada para o batalhão, só se falava, na cidade, da próxima chegada da segunda filha do coronel. Famosa pela sua beleza, acabava de sair de um internato aristocrático da capital. É Catarina Ivânovna, a filha da segunda mulher do coronel. Esta última era nobre, de grande casa, mas não trouxera dote algum ao marido; sei-o de boa fonte. Era de boa família, com algumas esperanças, mas nada de efetivo. No entanto, quando a jovem chegou para uma temporada, a cidadezinha ficou como que galvanizada; nossas damas mais distintas, duas excelências, uma coronela, e todas as outras, em seguimento, disputavam-na; festejavam-na, era a rainha dos bailes, dos piqueniques; organizaram-se quadros vivos em benefício de não sei quais professoras. Quanto a mim, caio-me, farreio; imaginei então uma pilhéria à minha moda, que deu que falar à cidade inteira. Uma noite, em casa do comandante da bateria, Catarina Ivânovna lançou me um olhar de alto a baixo; não me aproximei dela, desdenhando travarmos conhecimento. Abordei-a algum tempo depois, igualmente num sarau. Falei lhe. Olhou- me apenas, com os lábios desdenhosos. "Espera um pouco, pensei, vingar-me-ei!" Era eu então um sujeito verdadeiramente estourado na maior parte dos casos e sentia isso. Sentia sobretudo que Catarina, longe de ser uma pensionista ingênua, tinha caráter, altivez e verdadeira virtude, sobretudo muita inteligência e instrução, o que me faltava totalmente. Pensas que eu queria pedir-lhe a mão? Absolutamente. Queria somente me vingar de sua indiferença a meu respeito. Foi então uma farra de arrebentar. Por fim; o tenente-coronel infligiu-me três dias de detenção. Naquela ocasião, nosso pai enviou-me 6 000 rublos em troca de uma renúncia formal a todos os meus direitos e pretensões à fortuna de minha mãe. Nada entendia disso então; até minha chegada aqui, irmão, até estes últimos dias e talvez mesmo agora, nada compreendi dessas disputas de dinheiro entre mim e meu pai. Mas, para o diabo tudo isso, tornaremos a falar. Já de posse desses 6 000 rublos a carta de um amigo me fez ciente de uma coisa bastante interessante, a saber, que estavam descontentes com o nosso tenente coronel, suspeito de malversações, e que seus inimigos lhe preparavam uma surpresa. Com efeito, o chefe da divisão apareceu para dirigir-lhe vigorosa reprimenda. Pouco depois foi obrigado a demitir-se. Não te contarei todos os detalhes desse negócio; tinha ele, com efeito, inimigos; ocorreu na cidade brusco resfriamento de relações com ele e toda a sua família; todo mundo os abandonava. Foi então que pus em prática minha primeira treta: encontro Agáfia Ivânovna, de quem me mantinha sempre amigo, e digo-lhe: "Faltam 4 500 rublos na caixa de seu pai..." "Como? Quando o general veio, recentemente, a soma estava completa. ." "Estava então, mas não mais agora." Ela ficou apavorada. "Não me apavore, rogo-lhe, donde soube isso?" "Tranquilize-se", digo-lhe "não falarei a ninguém, sabe você que a esse respeito sou um tumulo. Queria somente dizer-lhe isto, de qualquer modo: quando reclamarem de seu pai esses 4 500 rublos que lhe faltam, em vez de passar em julgamento na sua idade e ser degradado, mande-me sua irmã secretamente; acabo de receber dinheiro, remeter lhe-ei a soma e ninguém ficará sabendo de nada." "Ah! que patife é você!", disse ela. "Que canalha! Como ousa?" Ela foi-se embora, sufocada de indignação, e gritei-lhe às costas que o segredo seria inviolavelmente guardado. Aquelas duas mulheres, Agáfía e sua tia, eram verdadeiros anjos; adoravam a altiva Cátia*, serviam-na humildemente. Agáfia deu parte de nossa conversa à sua irmã, como vim a saber mais tarde. Era justamente o que me era preciso. "Entrementes, chega novo major para tomar o comando do batalhão. O velho coronel cai doente; fica no quarto dois dias inteiros e não presta suas contas. O Doutor Krávtchenko assegura que a doença não é simulada. Mas eis o que eu sabia com certeza, e desde muito tempo: após cada revisão de seus chefes, o coronel fazia desaparecer certa soma por algum tempo; isto remontava a quatro anos. Emprestava-a a um homem de toda confiança, um negociante, viúvo barbudo, de óculos de ouro, Trífonov. Este ia à feira, servia-se do dinheiro para seus negócios e restituía-o logo ao coronel, com um presente e uma boa comissão. Mas desta vez, Trífonov, à sua volta da feira, nada entregara (soube o, por acaso, de seu filho, um fedelho, garoto pervertido dos que mais o sejam). O coronel acorreu: 'Jamais recebi nada do senhor, respondeu o velhaco. O infeliz não põe mais pé fora de casa, com a cabeça enrolada num penso, as três mulheres aplicando-lhe gelo sobre o crânio. Chega um ordenança com a ordem de entrega da caixa imediatamente, dentro de duas horas. Ele assinou, vi mais tarde sua assinatura no registro, levantou-se, dizendo que ia vestir seu uniforme, e passou para seu quarto de dormir. Ali pegou seu fuzil de caça, carregou-o com baia, descalçou seu pé direito, apoiou a arma contra o peito, tateando com o pé para premir o gatilho. Mas Agáfia, que não esquecera minhas palavras, suspeitava de alguma coisa; tendo-se aproximado furtivamente, vigiava-o. Precipitou-se, cercou-o com seus braços pelas costas; o tiro partiu para o ar, sem ferir ninguém. Os outros acorreram, arrancaram-lhe a arma, segurando-o pelas mãos... Encontrava- me então em casa, ao crepúsculo, a ponto de sair, vestido, penteado, o lenço perfumado; pegara meu casquete; de repente, a porta se abre e vejo entrar Catarina lvânovna. "Há coisas estranhas: ninguém a notara na rua, quando vinha ela para minha casa, nem visto, nem conhecido. Eu morava em casa de duas mulheres de funcionários, pessoas idosas; faziam elas o serviço, para tudo me escutavam com deferência e guardaram por ordem minha segredo absoluto. Compreendi no mesmo instante do que se tratava. Ela entrou, de olhar fito em mim; seus olhos sombrios exprimiam a decisão, a audácia mesmo, mas o jeito de seus lábios revelava a perplexidade."

[*] Diminutivo de Catarina.
 
— Minha irmã me disse que o senhor daria 4 500 rublos, se eu viesse buscá-los... em pessoa. Eis-me aqui... dê-me o dinheiro!... — Sufocava, tomada de terror; sua voz extinguiu-se, seus lábios tremiam... Aliócha, tu me escutas ou dormes?
— Mítia, sei que me dirás toda a verdade — replicou Aliócha, comovido. 
— Podes contar com isso, não me pouparei. Meu primeiro pensamento foi o de um Karamázov. Um dia, irmão, fui picado por uma centopeia e tive de ficar quinze dias de cama, com febre; pois bem, senti então no coração a picada da centopeia, um animal venenoso, bem sabes. Eu a examinava de alto a baixo. Viste-a? É uma beleza. Mas era bela então pela sua nobreza moral, pela sua grandeza de alma e pelo seu devotamento filial, a meu lado, vil e repugnante personagem. Era, no entanto, de mim que "toda" ela dependia, corpo e alma, como que prisioneira. Confessar-lo-ei: aquele pensamento, o pensamento da centopeia, dominou-me o coração com tal intensidade que acreditei morrer de angústia. Parecia que nenhuma luta era possível: conduzir-me baixamente, como uma tarântula venenosa, sem sombra de compaixão... Isso atravessou-me mesmo o espírito. No dia seguinte, bem entendido, iria eu pedir-lhe a mão, para terminar tudo da maneira mais nobre e ninguém teria sabido nada do caso. Porque, se tenho instintos baixos, sou contudo leal. E, de súbito, ouço que me murmuram ao ouvido: "Amanhã, quando fores oferecer-lhe tua mão, ela não se mostrará e mandará expulsar-te pelo cocheiro. 'Podes difamar-me pela cidade', dirá ela, 'não tenho medo de ti!'" Olhei para a jovem afim de ver se aquela voz não mentia. A expressão de seu rosto não deixava nenhuma dúvida, por-me-iam pela porta afora. A cólera dominou-me, tive vontade de pregar- lhe a peça mais vil, uma sujeira de bodegueiro: olhá-la ironicamente e, enquanto ela se conservasse diante de mim, consterná-la, tomando a inflexão de que só são capazes os bodegueiros: "— Quatro mil rublos! Mas eu estava brincando! A senhorita contou muito facilmente com isso! Duzentos rublos, com prazer e de boa vontade; mas 4 000 é dinheiro, isso não se pode dá-lo assim levianamente. A senhorita incomodou-se por coisa alguma. "Vês tu, teria eu tudo perdido, ela teria fugido, mas aquela vingança infernal teria compensado o resto. Eu lhe teria pregado essa peça, pronto a lamentá-la em seguida a vida inteira! Acreditarás que, em semelhantes minutos, jamais olhei uma mulher, quem quer que ela fosse, com um ar de ódio — mas, juro-o sobre a cruz, durante alguns segundos contemplei-a com um ódio intenso, o ódio que só está separado do amor mais ardente por um cabelo. Aproximei-me da janela, apoiei a fronte na vidraça gelada, lembro-me de que o frio fazia-me o efeito de uma queimadura. Não a retive muito tempo, fica tranquilo; fui à minha mesa, abri uma gaveta, dela retirei um cheque de 5 000 rublos ao portador, que se encontrava no meu dicionário francês. Sem dizer uma palavra, mostrei-o, dobrei-o, entreguei-o, depois eu mesmo abri a porta da antecâmara e fiz uma profunda saudação. Ela estremeceu toda, olhou-me fixamente um segundo, ficou branca como um linho e, sem proferir uma palavra, sem brusquidão, mas ternamente, docemente, prosternou-se a meus pés, com a fronte no chão, não como uma pensionista, mas à russa! Levantou-se e fugiu. Após sua partida, tirei minha espada e quis matar-me, por que, não sei dizê-lo; teria sido absurdo, evidentemente; sem dúvida, por entusiasmo. Compreendes que possa a gente matar-se de alegria? Mas limitei- me a beijar a lâmina e a repus na bainha... Poderia muito bem não ter-te falado disso. Parece-me, aliás, que floreei um tanto, para me gabar, contando-te as lutas de minha consciência. Mas que importa! Ao diabo todos os espiões do coração humano! Eis toda a minha aventura com Catarina Ivânovna. És o único, com Ivã, a conhecê-la." 

     Dimítri Fiódorovitch levantou-se, dando alguns passos com hesitação, tirou seu lenço, enxugou a testa, depois tornou a sentar-se, mas num outro lugar, sobre o banco em frente, contra a outra parede, de modo que Aliócha teve de voltar-se totalmente para seu lado. 


continua na página 113...
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Leia também:
Livro 1
Livro 2
Livro 3 
I. Na antecâmara / II. Lisavieta Smirdiáchtchaia / III. Confissão de um coração ardente em versos / 
IV. Confissão de um coração ardente - anedotas /                                     
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Leia também: 
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Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski, nascido em Moscou, 11 de novembro de 1821 — falecido em São Petersburgo, 9 de fevereiro de 1881, foi um escritor, filósofo e jornalista russo. É considerado por muitos um dos maiores romancistas e pensadores da história, bem como um dos maiores «psicólogos» que já existiu, ao considerar a designação e etimologia mais ampla do termo, como investigador da psique.
Os Irmãos Karamazov é um romance de Fiódor Dostoiévski, escrito em 1879, uma das mais importantes obras das literaturas russa e mundial, ou, conforme afirmou Freud: "a maior obra da história". Freud considera esse romance, juntamente com Édipo Rei e Hamlet, três importantes livros a respeito do embate pai e filho, e retratam o complexo de Édipo.

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