segunda-feira, 20 de julho de 2026

Edgar Allan Poe - Contos: William Wilson (b)

Edgar Allan Poe - Contos


William Wilson 

Que dizer dela? que dizer da austera consciência, 
Esse espectro em meu caminho? 
Chamberlain, Pharronida
continuando...

     Foi sem dúvida o anômalo estado de coisas existente entre nós que conduziu todos os meus ataques contra ele (e eram muitos, abertos ou disfarçados) pela senda da pilhéria ou da piada de mau gosto (provocando dor sob o pretexto do mero gracejo), e não de uma hostilidade mais grave e determinada. Mas meus esforços nesse sentido de modo algum conheciam sucesso uniforme, mesmo quando meus planos eram concebidos com a mais espirituosa das verves; pois meu homônimo tinha, em seu caráter, muito dessa austeridade despretensiosa e tranquila que, embora apreciadora da pungência de suas próprias piadas, jamais exibe seu calcanhar de Aquiles e se recusa absolutamente a ser ela própria objeto de zombaria. Eu de fato não conseguia encontrar senão um único ponto vulnerável, e este, residindo numa peculiaridade pessoal, oriunda, talvez, de uma enfermidade constitucional, teria sido poupada por qualquer antagonista menos falto de recursos como era o meu caso; — meu rival possuía uma debilidade no aparelho faucal ou gutural que o impedia completamente de erguer a voz acima de um sussurro baixo. Desse defeito eu não deixava de tirar toda mísera vantagem que estivesse em meu alcance.
     As retaliações de Wilson na mesma moeda eram muitas; e havia um procedimento de seu humor ferino que me transtornava além da medida. Como afinal de contas teve a sagacidade de descobrir que uma coisa tão insignificante era capaz de me atormentar, eis uma questão que jamais pude resolver; mas, tendo-a descoberto, praticava habitualmente a importunação. Eu sempre sentira aversão ao meu pouco refinado patronímico, bem como ao seu comuníssimo, se não plebeu, prenome. As duas palavras eram veneno para meus ouvidos; e quando, no dia de minha chegada, um segundo William Wilson também se apresentou no internato, fiquei furioso com ele por possuir esse nome, e duplamente desgostoso com o nome porque um estranho o carregava, alguém que seria causa de sua repetição duplicada, alguém que estaria constantemente em minha presença, e cujos interesses, na rotina ordinária dos assuntos escolares, deviam inevitavelmente, por conta da detestável coincidência, ser muitas vezes confundidos com os meus.
     O sentimento de irritação assim engendrado foi ficando mais forte a cada circunstância que tendia a mostrar a semelhança, moral ou física, entre mim e meu rival. Nessa época eu ainda não descobrira o fato notável de que tínhamos a mesma idade; mas percebia que éramos da mesma altura, e me dava conta de que éramos até singularmente parecidos na figura geral de nossas pessoas e no contorno de nossas feições. Exasperava-me também o rumor no tocante a nosso parentesco, e que se tornara cada vez mais corrente nas classes mais velhas. Numa palavra, nada podia me perturbar mais seriamente (embora eu ocultasse essa perturbação com o maior escrúpulo) do que qualquer alusão a uma semelhança de espírito, figura ou condição existindo entre nós. Mas, na realidade, eu não tinha motivo para acreditar que (com exceção da questão do parentesco, e no caso do próprio Wilson) essa similaridade tivesse jamais constituído tema de comentário, nem sequer sido notada pelos nossos colegas. Que ele a notasse em todos os seus aspectos, e tão fixamente quanto eu, era óbvio; mas que ele fosse capaz de descobrir em tais circunstâncias um veio tão rico de aborrecimentos é algo que só posso atribuir, como já disse, à sua argúcia acima do normal.
     Sua deixa, que era aperfeiçoar uma imitação de mim mesmo, residia tanto em suas palavras como em suas ações; e, nesse papel, seu desempenho era dos mais admiráveis. Minhas roupas eram coisa fácil de ser copiada; de meu andar e modos gerais ele, sem dificuldade, se apropriava; a despeito de seu defeito de constituição, nem sequer minha voz lhe escapava. Meus tons mais elevados, é claro, ficavam por tentar, mas o timbre era idêntico; e assim seu sussurro singular tornou-se o puro eco do meu.
     Em que medida esse retrato sobremodo elaborado me importunava (pois não se lhe faria justiça denominá-lo de caricatura), não me arriscarei a descrever. Eu não tinha senão um consolo — o fato de que a imitação, aparentemente, era notada apenas por mim e mais ninguém, e que eu precisava aturar os sorrisos conspiratórios e estranhamente sarcásticos tão somente de meu homônimo. Satisfeito de haver produzido em meu íntimo o efeito pretendido, ele parecia rir-se em segredo da ferroada infligida, e se mostrava tipicamente desdenhoso dos louvores públicos que o triunfo de seus espirituosos esforços teria tão facilmente logrado. Que a escola, de fato, não enxergasse seu intento, percebesse sua consumação e participasse de seu escárnio foi, por muitos angustiados meses, um enigma que não pude resolver. Talvez a gradatividade de sua cópia a tornasse não tão prontamente perceptível; ou, mais possivelmente, minha segurança estivesse em débito com o proceder proficiente do copista, que, desdenhando ater-se à letra (coisa que numa pintura é tudo que os obtusos conseguem ver), não oferecia o pleno espírito de seu original senão à minha contemplação e mortificação individual.
     Já falei mais de uma vez dos repulsivos ares protetores que assumia em relação a mim, e da interferência frequente e obsequiosa com minha vontade. Essa interferência muitas vezes ganhava o caráter indesejável de um conselho; conselho não abertamente dado, mas sugerido ou insinuado. Eu recebia isso com uma aversão que ficava mais forte a cada ano que passava. E contudo, neste dia distante, que me seja permitido lhe fazer a pura justiça de admitir que não consigo me recordar de uma ocasião sequer em que as sugestões de meu rival tenderam pelo lado desses erros ou tolices tão comuns a sua idade imatura e aparente inexperiência; que seu senso moral, no mínimo, quando não seus talentos gerais e sabedoria mundana, eram de longe muito mais penetrantes que os meus; e que eu poderia, hoje, ter me constituído num homem melhor e, desse modo, mais feliz, houvesse com menos frequência rejeitado os conselhos manifestados naqueles sussurros significativos que na época com tanta veemência odiei e com tanta amargura desprezei.
     Do modo como foi, acabei por me mostrar impaciente ao extremo sob sua tutela desagradável e a me ressentir cada vez mais abertamente do que considerava sua arrogância intolerável. Afirmei anteriormente que nos primeiros anos de nossa ligação como colegas de escola meus sentimentos em relação a ele poderiam facilmente ter amadurecido em amizade; mas, nos últimos meses em que residi na instituição, embora seus habituais modos intrusivos houvessem, sem a menor sombra de dúvida, em certa medida arrefecido, meus sentimentos, em proporção quase similar, inclinaram-se em grande parte pelo positivo ódio. Em certa ocasião ele o notou, creio, e depois disso passou a me evitar, ou deu mostras de fazê-lo.
     Foi mais ou menos nesse mesmo período, se me recordo corretamente, que, no decorrer de uma discussão violenta em que ele muito contra seu feitio baixou a guarda, e falou e agiu com uma franqueza de conduta estranha a sua natureza, percebi, ou imaginei perceber, em sua pronúncia, seus modos e sua aparência geral, algo que de início me alarmou e depois me deixou vivamente interessado, ao trazer-me à mente visões turvas de minha mais tenra infância — lembranças caóticas, confusas e precipitadas de um tempo em que a própria memória ainda estava por nascer. Não posso descrever melhor a sensação que me oprimiu do que afirmando como era difícil afastar de meu espírito a crença de que já havia conhecido aquela pessoa que estava diante de mim em alguma época muitíssimo remota — algum ponto do passado, ainda que infinitamente longínquo. A ilusão, entretanto, desvaneceu tão rapidamente quanto surgiu; e não a menciono aqui senão para marcar o dia da última conversa que ali mantive com meu singular homônimo.
     A casa antiga e imensa, com suas incontáveis subdivisões, possuía diversos aposentos amplos que se comunicavam entre si, onde dormia a maior parte dos alunos. Havia, entretanto (como deve ser forçoso ocorrer em um edifício tão complicadamente projetado), muitos desvãos e recessos, os recortes supérfluos da estrutura; e esses recantos a engenhosidade econômica do dr. Bransby transformara em mais dormitórios; ainda que, por serem meros cubículos, fossem capazes de acomodar apenas um indivíduo. Um desses pequenos alojamentos era ocupado por Wilson.
     Certa noite, ao final de meu quinto ano na escola, e imediatamente após a discussão que mencionei, vendo todos dormindo a sono solto, levantei-me da cama e, luminária na mão, dirigi-me furtivamente por um labirinto de passagens estreitas de meu próprio quarto ao do meu rival. Eu vinha planejando havia muito tempo uma dessas detestáveis peças de mau gosto às suas custas em que até então conhecera um fracasso tão invariável. Era minha intenção, agora, pôr meu plano em operação, e me determinara a fazê-lo sentir toda a extensão da malevolência de que estava imbuído. Tendo chegado a seu cubículo, entrei sem o menor ruído, deixando a luminária, com um quebra-luz, do lado de fora. Avancei um passo e escutei o som de sua respiração tranquila. Convicto de que dormia, voltei, apanhei a luz e tornei a me aproximar da cama. Cortinas fechadas a cercavam, as quais, dando prosseguimento a meu intento, silenciosamente puxei, quando os raios brilhantes caíram vivamente sobre o adormecido e meus olhos, nesse mesmo momento, sobre seu semblante. Olhei; — e um entorpecimento, uma gelidez de sensações instantaneamente invadiu meu corpo. Meu peito arfou, meus joelhos vacilaram, todo o meu espírito ficou possuído de um horror inapreensível, e contudo intolerável. Ofegando sem ar, baixei a luminária numa proximidade ainda maior de seu rosto. Eram aquelas — aquelas as feições de William Wilson? Eu via, de fato, que eram as suas, mas tremi como que num acesso febril imaginando que não eram. O que havia acerca delas que me confundia dessa maneira? Olhei fixamente; — enquanto minha cabeça girava com uma miríade de pensamentos incoerentes. Não era assim que ele me parecia — certamente não assim — na vivacidade de suas horas despertas. O mesmo nome! o mesmo contorno de figura! o mesmo dia de chegada na escola! E depois sua imitação obstinada e sem sentido de meu andar, minha voz, meus hábitos, minhas maneiras! Seria de fato verdade, dentro dos limites da possibilidade humana, que o que eu agora via fosse o resultado, meramente, da prática habitual de sua imitação sarcástica? Tomado de terror, e tremendo convulsivamente, apaguei a luminária, saí silenciosamente da alcova e deixei, incontinente, as dependências do antigo ateneu para nunca mais voltar.
     Após o lapso de alguns meses, passados em casa na pura ociosidade, achei-me estudando em Eton. O breve intervalo fora suficiente para enfraquecer minha memória dos acontecimentos no colégio do dr. Bransby, ou ao menos para operar uma mudança palpável na natureza dos sentimentos com os quais eu as recordava. A veracidade — a tragédia — do drama haviam sumido. Eu podia agora encontrar ensejo para duvidar da evidência de meus sentidos; e raramente chegava mesmo a pensar no assunto, a não ser com um quê de admiração ante a amplitude da credulidade humana, e um sorriso para a vívida força de imaginação que me fora hereditariamente legada. E tampouco era provável que essa espécie de ceticismo diminuísse com o caráter da vida que eu levava em Eton. O vórtice de excessos irrefletidos em que ali tão imediata e temerariamente mergulhei tudo tragava a não ser a ebulição trivial de minhas horas anteriores, engolfando de uma só vez qualquer impressão sólida ou séria e não deixando lembrança senão das mais absolutas leviandades de uma existência precedente.
     Não desejo, entretanto, traçar aqui o curso de minha licenciosidade desprezível — licenciosidade que desafiava as leis ao mesmo tempo que iludia a vigilância da instituição. Três anos de excessos, passados sem proveito, não fizeram senão arraigar os hábitos do vício, e ampliar, em grau até certo ponto incomum, meu calibre corporal, quando, após uma semana de maquinal dissipação, convidei um reduzido grupo dos mais dissolutos alunos para uma bebedeira sigilosa em meus aposentos. Encontramo-nos a uma hora avançada da noite; pois nossa pândega deveria se prolongar religiosamente até a manhã. O vinho correu livremente, e não havia carência de outras e talvez mais perigosas seduções; de modo que a aurora cinzenta já despontava debilmente a leste quando nossa extravagância delirante encontrava-se em seu auge. Descontroladamente exaltado com as cartas e a embriaguez, eu estava prestes a insistir num brinde de profanidade mais do que costumeira quando minha atenção foi desviada pela porta do quarto sendo aberta com brusquidão, embora apenas parcialmente, e pela voz ansiosa de um criado do lado de fora. Informava-me que uma pessoa, aparentemente com grande urgência, pedia para falar comigo na entrada da casa.
     Febrilmente animado pelo vinho, a inesperada interrupção antes me alegrou do que surpreendeu. Avancei cambaleante na mesma hora e uns poucos passos me conduziram ao vestíbulo. No cômodo baixo e exíguo não havia iluminação; e nesse momento luz alguma penetrava, salvo os raios extremamente tênues da aurora filtrando pela janela semicircular. Assim que pisei na soleira, dei pela presença de um jovem mais ou menos da minha própria altura, trajado com uma sobrecasaca de casimira branca, talhada na última moda, a exemplo da que eu mesmo vestia naquele momento. Isso a luz débil possibilitou-me perceber; mas as feições de seu rosto não pude distinguir. Quando entrei, avançou rapidamente a largas passadas até mim e, segurando-me pelo braço em um gesto de impaciência insolente, sussurrou as palavras “William Wilson!” em meu ouvido.
     Fiquei perfeitamente sóbrio num instante.
     Havia qualquer coisa nos modos do estranho, e no tremor hesitante de seu dedo, conforme o erguia entre meus olhos e a luz, que me encheu de um espanto absoluto; mas não fora isso que tão violentamente me emocionara. Foi a pregnância de solene admoestação em sua elocução singular, baixa, sibilante; e, acima de tudo, o caráter, o tom, o timbre daquelas poucas sílabas simples e familiares, ainda que sussurradas, que vieram com uma miríade de lembranças precipitadas de tempos idos, e que atingiram minha alma com o choque de uma pilha galvânica. Antes que pudesse recobrar o uso de meus sentidos ele havia partido.
     Embora o episódio não deixasse de causar um vívido efeito em minha imaginação desorientada, foi contudo tão evanescente quanto vívido. Por algumas semanas, de fato, ocupei-me de zelosa indagação, ou permaneci envolto numa nuvem de mórbida especulação. Não pretendia ocultar de minha percepção a identidade do singular indivíduo que tão perseverantemente interferia com meus assuntos e importunava-me com a insinuação de seus aconselhamentos. Mas quem e o que era aquele Wilson? — e de onde vinha? — e quais eram seus propósitos? Acerca de nenhuma dessas questões pude me satisfazer; meramente constatei, em relação a ele, que um súbito acidente em sua família levara a sua saída da instituição do dr. Bransby na tarde do dia em que eu próprio fugira. Mas em curto período deixei de pensar no assunto; minha atenção ficando inteiramente absorvida nos preparativos com uma transferência para Oxford. Para lá fui em pouco tempo; a impensada vaidade de meus pais provendo-me dos meios materiais e da permanência anual que me permitiriam abandonar-me ao meu bel-prazer ao luxo já tão caro ao meu coração — rivalizar em prodigalidade de gastos com os mais altivos herdeiros dos condados mais abastados na Grã-Bretanha.
     Estimulado por tal instrumentação para o vício, o temperamento de minha constituição aflorou com ardor redobrado, e repudiei até mesmo os refreamentos comuns da decência na tresloucada paixão de minhas esbórnias. Mas seria absurdo deter-me em detalhar minhas extravagâncias. Bastará dizer que, em esbanjamentos, superei em herodianismo o próprio Herodes, e que, dando nome a uma infinitude de inovadores desvarios, aditei um apêndice nada breve ao longo catálogo de vícios então em uso na universidade mais dissoluta da Europa.
     Dificilmente se poderia crer, entretanto, que mesmo nesse momento eu descera tão abaixo de minha distinta condição a ponto de aspirar a uma familiaridade com as vis artes do jogador por profissão e, tendo me tornado adepto dessa desprezível ciência, de praticá-la habitualmente como um meio de aumentar meus já enormes proventos às custas dos mais pobres de espírito dentre meus colegas. Tal, não obstante, foi o ocorrido. E a pura enormidade dessa ofensa contra todo e qualquer sentimento de hombridade e honra se provou, sem sombra de dúvida, a principal, se não a única razão da impunidade com a qual foi cometido. Com efeito, quem dentre meus mais dissolutos companheiros não haveria preferido antes ter duvidado da clara evidência de seus sentidos a suspeitar de tais condutas, o alegre, o franco, o generoso William Wilson — o mais nobre e liberal estudante de Oxford — aquele cujas loucuras (diziam seus parasitas) nada mais eram que as loucuras da juventude e da imaginação desenfreada — cujos erros nada além de inimitável capricho — cujo vício tenebroso nada além de extravagância negligente e chique?

continua página 31...
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William Wilson (a) / William Wilson (b) /              
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Edgar Allan Poe
CONTOS
Originalmente publicados entre 1831 e 1849
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Edgar Allan Poe (nascido Edgar Poe; Boston, Massachusetts, Estados Unidos, 19 de Janeiro de 1809 — Baltimore, Maryland, Estados Unidos, 7 de Outubro de 1849) foi um autor, poeta, editor e crítico literário estadunidense, integrante do movimento romântico estadunidense. Conhecido por suas histórias que envolvem o mistério e o macabro, Poe foi um dos primeiros escritores americanos de contos e é geralmente considerado o inventor do gênero ficção policial, também recebendo crédito por sua contribuição ao emergente gênero de ficção científica. Ele foi o primeiro escritor americano conhecido por tentar ganhar a vida através da escrita por si só, resultando em uma vida e carreira financeiramente difíceis.
Ele nasceu como Edgar Poe, em Boston, Massachusetts; quando jovem, ficou órfão de mãe, que morreu pouco depois de seu pai abandonar a família. Poe foi acolhido por Francis Allan e o seu marido John Allan, de Richmond, Virginia, mas nunca foi formalmente adotado. Ele frequentou a Universidade da Virgínia por um semestre, passando a maior parte do tempo entre bebidas e mulheres. Nesse período, teve uma séria discussão com seu pai adotivo e fugiu de casa para se alistar nas forças armadas, onde serviu durante dois anos antes de ser dispensado. Depois de falhar como cadete em West Point, deixou a sua família adotiva. Sua carreira começou humildemente com a publicação de uma coleção anônima de poemas, Tamerlane and Other Poems (1827).
Poe mudou seu foco para a prosa e passou os próximos anos trabalhando para revistas e jornais, tornando-se conhecido por seu próprio estilo de crítica literária. Seu trabalho o obrigou a se mudar para diversas cidades, incluindo Baltimore, Filadélfia e Nova Iorque. Em Baltimore, casou-se com Virginia Clemm, sua prima de 13 anos de idade. Em 1845, Poe publicou seu poema The Raven, foi um sucesso instantâneo. Sua esposa morreu de tuberculose dois anos após a publicação. Ele começou a planejar a criação de seu próprio jornal, The Penn (posteriormente renomeado para The Stylus), porém, em 7 de outubro de 1849, aos 40 anos, morreu antes que pudesse ser produzido. A causa de sua morte é desconhecida e foi por diversas vezes atribuída ao álcool, congestão cerebral, cólera, drogas, doenças cardiovasculares, raiva, suicídio, tuberculose entre outros agentes.
Poe e suas obras influenciaram a literatura nos Estados Unidos e ao redor do mundo, bem como em campos especializados, tais como a cosmologia e a criptografia. Poe e seu trabalho aparecem ao longo da cultura popular na literatura, música, filmes e televisão. Várias de suas casas são dedicadas como museus atualmente.

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