contos e poesia no butekudu baitasar.
a humanidade solidária e amorosa construída com todos incluídos num outro mundo possível, por la vida... siempre!
li nas redes sociais: "se tua religião te faz odiar pessoas por qualquer razão, procura frequentar um buteku e paga os mesmos 10% ao garçom!", enfim... "descobri que a seu tempo vão me chorar e esquecer."
A UMA VIRGEM (Improviso) Motora dos meus martírios! Causa da minha saudade! Ingénua e casta deudade! Minha terna inspiração! Condoi-te da triste sorte Do jovem que te ama tanto, Que por ti verte agro pranto Gerado no coração!
Rasga-me o peito, se queres, E vê nele a intensa chama, Que há três anos o inflama Em cruas dores, sem fim... De padecer já cansado Vou sentindo a morte dura Arrastar-me à sepultura, E na flor da idade assim!...
E podes ser tão tirana, Que possas ver indif´rente D´anos de´nove somente Morrer o teu trovador?! Ai! Não! Alenta-me a vida, Reprime esta dor infinda Dando-me só, virgem linda, O teu puro e casto amor!...
O PESCADOR DE MOÇAMBIQUE — Eu nasci em Moçambique, de pais humildes provim, a cor negra que eles tinham é a cor que tenho em mim; sou pescador desde a infância, e no mar sempre vaguei; a pesca me dá sustento, nunca outro mister busquei.
Antes que o sol se levante eis que junto à praia estou; se ao repouso marco as horas à preguiça não as dou; em frágil casquinha leve, sempre longe do meu lar, ando entregue ao vento e às ondas sem a morte recear.
Ter contínuo a vida em risco é triste coisa — sei que é! mas do mar não teme as iras quem em Deus depõe a fé; é pequena a recompensa da vida custosa assim; mas se a forme não me mata que me importa o resto a mim?
Vou da Cabeceira às praias, atravesso Mussuril, traje embora o céu d´escuro, u todo seja d´anil; de Lumbo visito as águas e assim vou até S ancul, chego depois ao mar-alto sopre o note ou ruja o sul.
Só à noite a casca atraco para o corpo repousar, e ao pé da mulher que estimo ledas horas ir passar: da mulher doces carícias também quer o pescador, pois d´esta vida os pesares faz quase esquecer o amor!
Sou pescador desde a infância e no mar sempre vaguei; a pesca me dá sustento, nunca outro mister busquei; e enquanto tiver os braços, a pá e a casquinha ali, viverei sempre contente neste lidar que escolhi! —
Obra publicada: O mancebo e rovador Campos Oliveira (1985), org. de Manuel Ferreira.
Nasceu (Ilha de Moçambique, 1847 — 1911) foi um jornalista, poeta e prosador moçambicano. A sua poesia representa o o despertar da poesia moçambicana.
Filho de pai goês, viveu e estudou na Índia. Viveu em Nova Goa até 1867, regressando à Ilha de Moçambique para desempenhar vários cargos como funcionário público, inclusive como diretor do correio e escrivão da Capitania dos Portos.
Trabalhou como jornalista em diferentes publicações como O Ultramar, a Illustração Goana, Almanach Literário, Almanach de Lembranças Luso-Indiano e Almanach Popular em 1865.
Esteve envolvido na criação da primeira revista literária de Moçambique, a Revista Africana (editada entre 1885- 1887).
"Fui presa quando tentava fugir de Moçambique. Fui presa em Victoria Falls na fronteira entre a Rodésia e a Zâmbia. A polícia rodesiana prendeu-me e enviou-me de novo para Lourenço Marques. a polícia rodesiana trabalhava em estreita colaboração com a polícia portuguesa. Éramos oito no nosso grupo, tanto rapazes como raparigas. A polícia portuguesa ameaçou-nos, interrogou-nos e bateu nos rapazes."
É NESTE MOMENTO
E neste momento
que devemo-nos preparar p'ra enfrentar dificuldades
E neste momento que devemos decidir unir, lutar e avançar.
E neste momento que devemos estar firmes labutar e defender a nossa Pátria.
E neste momento que devemos sentir com mágoa o sangue derramado pelos nossos heróis.
É neste momento que devemos estar conscientes mais corajosos p'ra lutar nunca vacilar.
E neste momento que devemos ter em mente e compreender a causa da nossa luta.
E neste momento que devemos voluntariamente entregarmo-nos à Revolução.
SEM TÍTULO
Tantos anos de opressão aturo Torturas e maus tratos vejo E sem nada por fazer, me calo. De toda maneira sou explorado Escravizado e oprimido também Apesar de tudo isso me ensinas A ouvir, ver e dizer: Obrigado! Sou de há séculos teu servidor Sofro, satisfaço teus desejos, em fim Fazes de mim um cordeiro manso E eu paciento esse horror. Sou preso, algemado Meu sacrifício é doloroso E nem te arrepias sequer Do teu cinismo maldoso Procuras sempre acorrentar-me Na minha palhota de capim Mas o dia não tardará a chegar Em que este pesadelo terá fim.
É neste momento que devemo-nos preparar p'ra enfrentar dificuldades. É neste momento que devemos decidir unir, lutar, avançar. É neste momento que devemos estar firmes labutar e defender a nossa Pátria. É neste momento que devemos estar conscientes mais corajosos p'ra lutar sem vacilar. É neste momento que devemos ter em mente e compreender a causa da nossa luta. É neste momento que devemos voluntariamente entregarmo-nos à Revolução.
Sangue moçambicano, derramado, e vidas combatentes se perdem Sangue moçambicano estruma a terra nova geração revolucionária nasce. Qual o motivo desta perca de sangue? É a opressão e o massacre deste Povo humilde. Este sangue é perdido pela justeza; Do oprimido e massacrado povo seus filhos lutam pela liberdade e dignidade humana.
JOSINA Abiathan Muthemba Machel nasceu em Moçambique, em 1945. Faleceu na Tanzânia em 1971.
Josina Machel (em solteira, Josina Muthemba) foi uma das jovens que na juventude fugiram de Moçambique para se integrarem na FRELIMO e lutarem pela independência do seu país. Em 1969, casou-se com Samora Machel, a quem deu um filho, morreu no dia 7 de Abril de 1971, vítima de doença. Com a independência de Moçambique, esta data foi consagrada como Dia da Mulher Moçambicana.
Josina é considerada modelo de inspiração do movimento de mulheres. Na luta pela libertação de Moçambique, desempenhou um papel muito importante. Foi uma das fundadoras do Destacamento Feminino, chefe da Seção dos Assuntos Sociais e chefe da Seção da Mulher no Departamento de Relações Exteriores da FRELIMO. Foi ela que impulsionou a criação do Centro Infantil de Nangade, em Cabo Delgado, onde elementos do Destacamento Feminino tomavam conta das crianças que ficavam órfãs ou cujos pais estavam ausentes, no combate da FRELIMO pela libertação nacional. (...)
Em homenagem às conquistas de Josina Machel, na década de 1980 foi batizada com o seu nome uma rua do bairro de Bangu, na cidade brasileira do Rio de Janeiro. Em Maputo, a principal escola secundária, o Liceu Salazar, foi renomeada Escola Secundária Josina Machel. Em 1977, o antigo hospital Maria Pia em Luanda, Angola, foi também rebatizado com o nome de Josina Machel, embora os dois nomes sejam usados ao letreiro que identifica o edifício.
Em 1956, Machel mudou-se para a capital de Moçambique para frequentar a escola secundária, onde se tornou activa politicamente em grupos de estudantes clandestinos, e onde acabou por se tornar membro de uma célula secreta da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO).
Em 1963, com 18 anos, fugiu de Moçambique para se juntar à luta armada de libertação contra o regime colonial português. Após uma primeira tentativa falhada, que resultou na sua captura no Zimbabué e detenção por vários meses, em 1965, Machel conseguiu, numa segunda tentativa, alcançar a sede da FRELIMO na capital da Tanzânia, Dar es Salaam.
Em 1967, a FRELIMO oferece-lhe uma bolsa para estudar na Suiça, que rejeitou por querer viver de perto a luta anti-colonial.
Na FRELIMO foi uma das fundadoras e liderou o Destacamento Feminino - uma unidade dedicada ao treino militar e educação política. Em 1969, aos 24 anos, tornou-se chefe do Departamento de Assuntos Sociais e foi também chefe da Seção da Mulher no Departamento de Relações Exteriores da FRELIMO. Nesse mesmo ano, casou-se com Samora Machel, com quem teve um filho, Samora Machel Júnior.
Machel impulsionou a criação dos Centro Infantis de Niassa e de Nangade, em Cabo Delgado, onde elementos do Destacamento Feminino tomavam conta das crianças que ficavam órfãs ou cujos pais estavam ausentes devido ao combate da FRELIMO pela libertação nacional.
Machel morreu no dia 7 de Abril de 1971, num hospital na Tanzânia, vítima de doença.
"As flores que caem da árvore vêm preparar a terra
Para que as novas e mais belas flores cresçam na estação seguinte
A tua vida continua naqueles que continuam a Revolução."
Samora Machel
Fundação Mario Soares/Estúdio Kok Nam
Tráiler "VOCES DE MOZAMBIQUE"
VOZES DE MOÇAMBIQUE
Documentário de YANA CAMPOS ( 2010)
Documentário Vozes de Moçambique concluído em 2010, filmado em Moçambique e Brasil dirigido por Yana Campos, montado por Katherine Chediak graças ao apoio da Escola de Cinema Darcy Ribeiro, da Caliban, do Nós da Comunicação, da Audio Rebel e da FACHA. Participou do CINE CUFA, FESTIVAL VISÕES PERIFÉRICAS, V ENCONTRO DE CINEMA NEGRO DO ZOZIMO BULBUL E EXIBIDO EM DIVERSAS ESCOLAS DA REDE ESTADUAL E MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO.