domingo, 6 de setembro de 2026

Eduardo Galeano: As veias abertas da América Latina - Segunda Parte: São as sentinelas que abrem as portas (2)

O desenvolvimento é uma viagem com mais Náufragos do que Navegantes


SEGUNDA PARTE 

A ESTRUTURA CONTEMPORÂNEA DA ESPOLIAÇÃO
     
49. São as sentinelas que abrem as portas: a esterilidade culpável da burguesia nacional
          
          A atual estrutura da indústria na Argentina, Brasil e México os três grandes polos de desenvolvimento na América Latina – já expõe as deformações características de um desenvolvimento reflexo. Nos demais países, mais débeis, a satelitização da indústria se operou sem maiores dificuldades, salvo alguma exceção. Não é, por certo, um capitalismo competitivo, aquele que hoje exporta fábricas além de mercadorias e capitais, penetra e monopoliza tudo: esta é a integração industrial consolidada, em escala internacional, pelo capitalismo na idade das grandes corporações multinacionais, monopólios de dimensões infinitas que abrangem as atividades mais diversas nos mais diversos rincões do globo terrestre.¹

[1] BARAN, Paul A. & SWEEZY, Paul M. El capital monopolista. México, 1971.

     Na América Latina, os capitais norte-americanos se concentram mais intensamente do que nos próprios Estados Unidos; um punhado de empresas controla a imensa maioria dos investimentos. Para elas, a nação não é uma tarefa a ser empreendida, nem uma bandeira a defender, nem um destino a conquistar: a nação nada mais é senão um obstáculo a saltar – às vezes a soberania incomoda – e uma sumarenta fruta a devorar. Para as classes dominantes dentro de cada país, constitui a nação, pelo contrário, uma missão a cumprir? O grande galope do capital imperialista encontrou a indústria local sem defesas e sem consciência de seu papel histórico. A burguesia se associou à invasão estrangeira sem derramar lágrimas nem sangue; e quanto ao Estado, sua influência na economia latino-americana, que se debilita há duas décadas, reduziu-se ao mínimo graças aos bons ofícios do Fundo Monetário Internacional. As corporações norte-americanas entraram na Europa com passos de conquistador e a tal ponto se apoderaram do desenvolvimento do velho continente que, sem demora – é o que se anuncia –, a indústria norte-americana ali instalada será a terceira potência industrial do planeta, depois dos Estados Unidos e da União Soviética¹. Se a burguesia europeia, com toda a sua tradição e pujança, não conseguiu opor um dique à maré, caberia esperar que a burguesia latino-americana, nesta altura da história, encabeçasse a impossível aventura de um desenvolvimento capitalista independente? Ao contrário, na América Latina o processo de desnacionalização foi muito mais fulminante e barato, e teve consequências incomparavelmente piores.

[1] SERVAN-SCHREIBET, J. J. El desafío americano. Santiago de Chile, 1968.


     O crescimento fabril da América Latina, em nosso século, foi determinado no exterior. Não foi gerado por uma política planificada e direcionada ao desenvolvimento nacional, nem coroou a maturação das forças produtivas, nem resultou da erupção de conflitos internos, já “superados”, entre os terras-tenentes e um artesanato nacional que morreu pouco depois de nascer. A indústria latino-americana nasceu do próprio ventre do sistema agroexportador, para responder ao agudo desequilíbrio provocado pela queda do comércio exterior. De fato, as duas guerras mundiais e, sobretudo, a profunda depressão que o capitalismo sofreu a partir da explosão da sexta-feira negra de outubro de 1929, causaram uma violenta redução das exportações da região, e em consequência fizeram cair, também de repente, a capacidade de importar. Os preços internos dos artigos industriais estrangeiros, subitamente escassos, subiram verticalmente. Não surgiu, então, uma classe industrial livre da dependência tradicional: o grande impulso manufatureiro proveio do capital acumulado em mãos dos terras-tenentes e dos importadores. Foram os grandes pecuaristas que impuseram o controle de câmbios na Argentina; o presidente da Sociedade Rural, convertido em ministro da Agricultura, declarava em 1933: “O isolamento em que o mundo nos colocou nos obriga a fabricar no país aquilo que já não podemos adquirir nos países que não nos compram”¹. Os fazendeiros do café capitais aplicaram na industrialização de São Paulo boa parte de seus acumulados “Diferentemente da no comércio industrialização nos exterior: países desenvolvidos”, diagnostica um documento governamental², “o processo da industrialização brasileira não se deu paulatinamente, inserto num processo de transformação econômica geral. Foi um fenômeno rápido e intenso, que se sobrepôs à estrutura econômico-social preexistente sem modificá-la por inteiro, dando origem às profundas diferenças setoriais e regionais que caracterizam a sociedade brasileira”.

[1] Citado por PARERA DENNIS, Alfredo. “Naturaleza de las relaciones entre las clases dominantes argentinas y las metrópolis.” In: Fichas de investigación económica y social. Buenos Aires, dezembro de 1964.
[2] MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO E COORDENAÇÃO GERAL. A industrialização brasileira: diagnóstico e perspectivas. Rio de Janeiro, 1969.

     A nova indústria se abrigou atrás das barreiras alfandegárias que os governos levantaram para protegê-la, e cresceu graças a medidas que o Estado adotou para restringir e controlar as importações, fixar taxas especiais de câmbio, evitar impostos, comprar ou financiar os excedentes de produção, abrir estradas para possibilitar o transporte de matérias-primas e mercadorias, e criar e ampliar as fontes de energia. Os governos de Getúlio Vargas (1930-45 e 1951-54), Lázaro Cárdenas (1934-40) e Juan Domingo Perón (1946-55), de orientação nacionalista e amplo prestígio popular, expressaram no Brasil, México e Argentina a necessidade de um ponto de partida, desenvolvimento ou consolidação, segundo cada caso e cada período, da indústria nacional. Na verdade, o “espírito de empresa”, que tem uma série de traços característicos da burguesia industrial nos países capitalistas desenvolvidos, foi na América Latina uma característica do Estado, marcadamente nesses períodos de decisivo impulso. O Estado ocupou o lugar de uma classe social cujo aparecimento a história reclamava sem muito êxito: encarnou a nação e impôs o acesso político e econômico das massas populares aos benefícios da industrialização. Nessa matriz, obra de caudilhos populistas, não se formou uma burguesia industrial essencialmente diferenciada do conjunto das classes até então dominantes. Perón, por exemplo, fez com que entrasse em pânico a União Industrial, cujos dirigentes, não sem razão, viam que o fantasma das montoneras provincianas reaparecia na rebelião dos proletários dos subúrbios de Buenos Aires. As forças da coalizão conservadora, antes que Perón as derrotasse nas eleições de fevereiro de 1946, receberam um famoso cheque do líder dos industriais; na hora da queda do regime, dez anos depois, os donos das fábricas mais importantes voltaram a confirmar que não eram fundamentais suas contradições com a oligarquia da qual, mal ou bem, faziam parte. Em 1956, a União Industrial, a Sociedade Rural e a Bolsa de Comércio formaram uma frente comum em defesa da liberdade de associação, da livre empresa, da liberdade de comércio e da livre contratação de pessoal¹. No Brasil, um importante setor da burguesia fabril juntou-se às forças que induziram Vargas ao suicídio. A experiência mexicana, neste sentido, teve características excepcionais, e por certo prometia muito mais do que aquilo que de fato deu ao processo de mudança na América Latina. O ciclo nacionalista de Lázaro Cárdenas foi o único que quebrou os pratos com os latifundiários e levou adiante a reforma agrária que já convulsionava o país desde 1910; nos demais países, e não só na Argentina e no Brasil, os governos industrializadores deixaram intacta a estrutura fundiária, que continuou estrangulando o desenvolvimento do mercado interno e da produção agropecuária.²

[1] CÚNEO, Dardo. Comportamiento y crisis de la clase empresaria. Buenos Aires, 1967.
[2] Chile, Colômbia e Uruguai também viveram processos de industrialização substitutiva de importações, nos períodos aqui descritos. O presidente uruguaio José Batlle y Ordóñez (1903-7 e 1911-15), algum tempo antes, foi um profeta da revolução burguesa na América Latina. A jornada de trabalho de oito horas foi consagrada em lei no Uruguai antes que nos Estados Unidos. A experiência de welfare state de Batlle não se limitou a pôr em prática a legislação social mais avançada de seu tempo, também impulsionou fortemente o desenvolvimento cultural e a educação das massas, nacionalizou os serviços públicos e várias atividades produtivas de considerável importância econômica. Mas não tocou no poder dos donos da terra, não nacionalizou os bancos nem o comércio anterior. Atualmente, o Uruguai padece as consequências dessas omissões, talvez inevitáveis, do profeta, e das traições de seus herdeiros.

     No geral, a indústria aterrissou como um avião, sem modificar o aeroporto em suas estruturas básicas: condicionada pela demanda de um mercado interno previamente existente, serviu às suas necessidades de consumo e não chegou a ampliá-lo na profunda e extensa medida que as grandes mudanças de estrutura teriam tornado possível, se ocorridas. Do mesmo modo, o desenvolvimento industrial foi obrigado a um aumento das importações de maquinário, peças de reposição, combustíveis e produtos intermediários¹, mas as exportações, fontes das divisas, não podiam dar resposta a esse desafio porque provinham de um campo condenado ao atraso por seus donos. Sob o governo de Perón, o Estado argentino chegou a monopolizar a exportação de grãos; em troca, nem sequer arranhou o regime de propriedade da terra, nem nacionalizou os grandes frigoríficos norte americanos e britânicos e nem os exportadores de lã². O impulso oficial à indústria pesada foi fraco, o Estado não percebeu a tempo que, se não desenvolvesse uma tecnologia própria, sua política nacionalista tentaria voar com as asas cortadas. Já em 1953, Perón, que tinha chegado ao poder enfrentando diretamente o embaixador dos Estados Unidos, recebia com elogios a visita de Milton Eisenhower e pedia cooperação do capital estrangeiro para impulsionar as indústrias dinâmicas³. A necessidade de “associação” da indústria nacional com as corporações imperialistas se tornava peremptória na medida em que eram queimadas etapas na substituição das manufaturas importadas e as novas fábricas requeriam níveis mais altos de técnica e organização. A tendência também ia amadurecendo no seio do modelo industrializador de Getúlio Vargas; pôs-se a descoberto na trágica decisão final do caudilho. Os oligopólios estrangeiros, que concentram a mais moderno tecnologia, apoderavam-se não muito secretamente da indústria nacional de todos os países da América Latina, inclusive o México, através da venda de técnicas de fabricação, patentes e novos equipamentos. Wall Street tinha tomado em definitivo o lugar de Lombard Street, e foram norte-americanas as principais empresas que abriram caminho para o usufruto de um superpoder na região. À penetração na área manufatureira somava-se a ingerência cada vez maior nos circuitos bancários e comerciais; o mercado da América Latina foi-se integrando ao mercado interno das corporações multinacionais.

[1] “A passagem à produção interna de um determinado bem “substitui” apenas parte do valor agregado que antes era gerado fora da economia (...). Na medida em que o consumo desse bem “substituído” se expande rapidamente, a demanda derivada por importações pode ultrapassar em breve a economia de divisas. TAVARES, Maria da Conceição. O processo de substituição de importações como modelo de desenvolvimento recente na América Latina. CEPAL/ILPES. Rio de Janeiro, s.d.
[2] VIÑAS, Ismael & GASTIAZORO, Eugenio. Economía e dependência (1900 1968). Buenos Aires, 1968.
[3] O ministro de Assuntos Econômicos, respondendo a uma pergunta da revista Visión, em 27 de novembro de 1953:
– Além da indústria do petróleo, que outras indústrias a Argentina deseja desenvolver com a cooperação do capital estrangeiro?
– Para ser mais preciso, em ordem de prioridade citaremos o petróleo... Em segundo lugar, a indústria siderúrgica... A química pesada... A fabricação de elementos para o transporte... A fabricação de rodas e eixos... E a construção no país dos motores diesel.
Citado por PARERA DENNIS, op. cit.

     Em 1965, Roberto Campos, o czar econômico da ditadura de Castelo Branco, sentenciava: “A era dos líderes carismáticos, cercados por uma aura romântica, está cedendo lugar à tecnocracia”¹. A embaixada norte americana participou diretamente no golpe de Estado que derrubou o governo de João Goulart. A queda de Goulart, herdeiro de Vargas no estilo e nas intenções, assinalou a liquidação do populismo e da política de massas. “Somos uma nação vencida, dominada, conquistada, destruída”, escrevia-me do Rio de Janeiro um amigo, poucos meses depois do triunfo da conspiração militar: a desnacionalização do Brasil implicava a necessidade de exercer, com mão de ferro, uma ditadura impopular. O desenvolvimento capitalista já não se compaginava com as grandes mobilizações de massas em torno de caudilhos como Vargas. Era preciso proibir as greves, destruir os sindicatos e os partidos, encarcerar, torturar, matar, e apequenar pela violência os salários dos operários, de modo que pudesse ser contida, à custa da maior pobreza dos pobres, a vertigem da inflação. Uma pesquisa realizada em 1966 e 1967 revelou que 84 por cento dos grandes industriais do Brasil considerava que o governo de Goulart aplicara uma política econômica prejudicial. Entre eles estavam, sem dúvida, muitos dos grandes capitães da burguesia nacional nos quais Goulart tentara escorar-se para conter brasileira a sangria imperialista da economia². O mesmo processo de repressão e asfixia do povo teve lugar durante o regime do general Juan Carlos Onganía, na Argentina; na verdade, este processo havia começado com a derrota peronista em 1955, assim como no Brasil se desencadeara com o tiro de Vargas em 1954. A desnacionalização da indústria no México também coincidiu com um endurecimento da política repressiva do partido que monopoliza o governo.

[1] IANNI, Otávio. O colapso do populismo no Brasil. Rio de Janeiro, 1968.
[2] MARTINS, Luciano. Industrialização, burguesia nacional e desenvolvimento. Rio de Janeiro, 1968.

     Fernando Henrique Cardoso assinalou¹ que a indústria leve ou tradicional, crescida à generosa sombra dos governos populistas, exige uma expansão do consumo de massas: as pessoas que compram camisas e cigarros. A indústria dinâmica – bens intermediários e bens de capital –, ao contrário, dirige-se a um mercado restrito, em cujo pináculo estão as grandes empresas e o Estado: poucos consumidores, de grande capacidade financeira. A indústria dinâmica, atualmente em mãos estrangeiras, escora-se na existência prévia da indústria tradicional, e a subordina. Nos setores tradicionais, de baixa tecnologia, o capital nacional conserva alguma força; quanto menos vinculado ao modo internacional de produção pela dependência tecnológica ou financeira, maior tendência mostra o capitalista de olhar com bons olhos a reforma agrária e a elevação da capacidade de consumo das classes populares através da luta sindical. Os mais comprometidos com o exterior, representantes da indústria dinâmica, simplesmente requerem, em troca, o fortalecimento dos laços econômicos entre as ilhas de desenvolvimento dos países dependentes e o sistema econômico mundial, e subordinam as transformações internas a esse objetivo prioritário. Eles falam em nome de toda a burguesia industrial, como o revela, entre outras coisas, o resultado das recentes pesquisas praticadas na Argentina e no Brasil, que servem de matéria-prima para o trabalho de Cardoso. Os grandes empresários se manifestam em termos contundentes contra a reforma agrária; em sua maioria, negam que o setor fabril tenha interesses divergentes dos setores rurais, e consideram que para o desenvolvimento da indústria não há nada mais importante do que a coesão de todas as classes produtoras e o fortalecimento do bloco ocidental. Só uns 2 por cento dos grandes industriais do Brasil e da Argentina consideram que, politicamente, é preciso contar, em primeiro lugar, com os trabalhadores. Os pesquisados, em sua maioria, eram empresários nacionais; também em sua maioria, com as mãos e os pés atados aos centros de poder pelas múltiplas sogas da estrangeiros dependência.

[1] CARDOSO, Fernando Henrique. Ideologías de la burguesía industrial en sociedades dependientes (Argentina y Brasil). México, 1970.

     Caberia, nesta altura, esperar outro resultado? A burguesia industrial integra a constelação de uma classe dominante que, por sua vez, é dominada pelo exterior. Os principais latifundiários da costa do Peru, hoje expropriados pelo governo de Velasco Alvarado, são donos de 31 indústrias de transformação e de muitas outras e distintas empresas¹. Outro tanto ocorre em todos os outros países². O México não é uma exceção: a burguesia nacional, subordinada aos grandes consórcios norte americanos, receia muito mais a pressão das massas do que a opressão do imperialismo, em cujo seio se desenvolve sem independência e sem a imaginação criadora que se lhe atribui, e com eficácia multiplica seus lucros³. Na Argentina, o fundador do Jockey Club, centro do prestígio social dos latifundiários, era ao mesmo tempo o líder dos industriais4, e assim se iniciou, em fins do século passado, uma tradição imortal: os artesãos enriquecidos se casam com as filhas dos terras-tenentes para abrir, pela via conjugal, as portas dos salões mais exclusivos da oligarquia, ou compram terras com os mesmos objetivos, e não são poucos os pecuaristas que, por sua vez, investiram na indústria, ao menos nos períodos de auge, os excedentes de capital acumulados em suas mãos.

[1] BOURRICAUD, François, BRAVO BRESANI, Jorge, FAVRE, Henri, e PIEL, Jean. La oligarquía en el Perú. Lima, 1969. A informação é do trabalho de Favre.
[2] LAGOS ESCOBAR, Ricardo. La concentración del poder económico. Su teoría. Realidad chilena. Santiago de Chile, 1961, e TRÍAS, Vivian. Reforma agraria en el Uruguay. Montevideo, 1962. Ambos oferecem exemplos irrefutáveis: algumas centenas de famílias são proprietárias das fábricas e das terras, das grandes lojas e dos bancos.
[3] “Os capitalistas mexicanos são cada vez mais versáteis e ambiciosos. Independentemente do negócio que lhes serviu de ponto de partida para enriquecer, dispõem de uma fluída rede de canais que sempre proporciona a todos, ou ao menos aos mais proeminentes, a possibilidade de multiplicar e entrelaçar seus interesses através da amizade, da associação nos negócios, do casamento, do compadrio, da concessão de muitos favores, do pertencimento a certos clubes ou agremiações, das frequentes reuniões sociais e, por certo, da afinidade de suas posições políticas”. AGUILAR MONTEVERDE, Alonso, em El milagro mexicano, de vários autores. México, 1970.
[4] Era Carlos Pellegrini. Quando o Jockey Club lhe fez uma homenagem, editando seus discursos, suprimiu aqueles que sustentavam as teses industrialistas. CÚNEO, op. cit.

     Faustino Fano, que fez boa parte de sua fortuna como comerciante e industrial têxtil, tornou-se presidente da Sociedade Rural durante quatro períodos consecutivos, até sua morte em 1967: “Fano destruiu a falsa antinomia agro/indústria”, proclamavam os necrológios que os jornais lhe devotaram. O excedente industrial se converte em vacas. Os irmãos Di Tella, poderosos industriais, venderam para capitais estrangeiros suas fábricas de automóveis e geladeiras, e agora criam touros de cabanha para as exposições da Sociedade Rural. Meio século antes, a família Anchorena, dona dos horizontes da província de Buenos Aires, levantou uma das mais importantes fábricas metalúrgicas da cidade.
     Na Europa e nos Estados Unidos a burguesia industrial surgiu no cenário histórico de outra e muito diferente maneira, e de outra e diferente maneira cresceu e consolidou seu poder.

continua na página 343...
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As Fontes Subterrâneas do Poder
História da Morte Prematura
A Estrutura Contemporânea da Espoliação
São as sentinelas que abrem as portas (2)
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o petróleo é da Venezuela... o petróleo no pré-sal é do Brasil... os minerais nas terras raras são do Brasil... ? 
e o pix?
até quando iremos entregar nossas riquezas?

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