quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Castro Alves - O Maior Poeta Brasileiro: Poesias Lyricas (Hebréa)

Obras Completas de Castro Alves

Reproducção fiel da edição original de 1870 

PRIMEIRO VOLUME 
ESPUMAS FLUCTUANTES 

EDIÇÃO COMMEMORAT1VA DO CINCOENTENARIO DO POETA 
na fôrma definitiva, restituida á versão authentica. 
 com uma inlroducção bibliographica e annotações de 
AFRANIO PEIXOTO

ESPUMAS FLUCTUANTES 
 reproducção fiel da edição original de 1870 

HYMNOS DO EQUADOR 
publicações posthumas e poesias inéditas 

OS ESCRAVOS 
texto integral, parte inédita, com 
A CACHOEIRA DE PAULO AFFONSO
 
GONZAGA, OU A REVOLUÇÃO DE MINAS 
drama em 4 actos, segundo a edição original 

VÁRIOS INÉDITOS — CORRESPONDÊNCIA 
conforme autographos e manuscriptos authenticos


ESPUMAS FLUCTUANTES
Bahia - 1870

A' MEMÓRIA 
 DE 
 MEU PAE, 
 DE 
 MINHA MÃE 
 E DE 
 MEU IRMÃO 
 O. D. C


Poesias Lyricas

HEBRÉA  
 Fios caimpi et liliuni convalium. 
 Cant. doa Cânticos.

Pomba d'esp'rança sobre um mar d'escolhos! 
Lirio do valle oriental, brilhante! 
Estrella vesper do pastor errante! 
Ramo de muita a rescender cheirosa!... 

Tu és, ó filha de Israel formosa... 
Tu és, ó linda, seductora Hebréa... 
Pallida rosa da infeliz Judéa 
Sem ter o orvalho, que do ceu deriva!

Porque descoras, quando a tarde esquiva 
Mira-se triste sobre o azul das vagas? 
Serão saudades das infindas plagas, 
Onde a oliveira no Jordão se inclina?  

Sonhas acaso, quando o sol declina, 
A terra santa do oriente immenso? 
E as caravanas no deserto extenso? 
E os pegureiros da palmeira á sombra?!...

Sim, fora bello na relvosa alfombra, 
Juncto da fonte, onde Rachel gemera, 
Viver comtigo qual Jacob vivera 
Guiando escravo teu feliz rebanho...  

Depois nas águas de cheiroso banho 
— Como Suzanna a estremecer de frio — 
Fitár-te, ó flor do Babylonio rio, 
Fítàr-te a medo no salgueiro occulto...

Vem pois!... Comtigo no deserto inculto 
Fugindo ás iras de Saul embora, 
Se Michol fosses, teu David eu fora, 
Vibrando na harpa do propheta o canto...

Não vês?... Do seio me gotteja o pranto 
Qual da torrente do Cedron deserto!... 
Como luctara o patriarcha incerto 
Luctei, meu anjo, mas cahi vencido.

Eu sou o Lothus para o chão pendido, 
Vem ser o orvalho oriental, brilhante! 
Ai! guia o passo ao viajor perdido, 
Estrella vesper do pastor errante!... 

Bahia, 1866. 
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   Espumas Fluctuantes, Edição original: III. 
   Pbl. na "Imprensa Acadêmica" de S. Paulo, n°. 2, de 28 de Maio de 1868, onde vem com o sub-titulo: "a uma Judia"; sem a epigraphe; apenas com uma variante na 7." estância, 3.0 verso que adoptei em vez do verso que o substituiu nas Espumas Fluctuantes, edição original e seguintes:
   David eu fora, se Michol tu foras.
   O verso é perfeito, e de Castro Alves; já não ficará nesta poesia a jaca de uma rima imprópria. 
   A mesma data: "Bahia 1866", repetida na Edição original.
1) Hebréa (titulo). Foi de facto "a uma bella judia", Simy Àmzalack, depois sra. Alberto Henschel, depois ainda sra. Almirante José Carlos de Carvalho, dedicada esta poesia. O Poeta enviara-a com o dístico "á mais bella", travandò-se entre a "definitiva" destinataria e a talvez "intencional", sua formosa irmã Esther, lucta pela posse de um tropheu de tanto valor. Apesar de m'a haver confirmado D. Simy Carvalho esta lendária dedicatória, sua irmã mais moça, D. Mary Mesquita, suppõe que a "Hebréa" foi, como o "Pensamento de Amor", dedicada também á linda irmã de ambas, D. Esther, que era a predilecta de Castro Alves.
   Tobias Barreto ouviu a "Hebréa" cantada em uma das egrejas do Norte do Brasil, mudada a intenção pelos crentes, que se dirigiam á Virgem Maria, também hebréa (Estudos allemães, Recife, 1882, pag. 101, nota). 
2) A data da "Hebréa": "Bahia 1866", foi levia namente contestada, dizendo-se que tal não podia ser, pois nesse anno não estivera Castro Alves na sua terra; seria antes a data exacta "1871" ( !). Em primeiro logar um autographo do Poeta, que me communicou D. Adelaide de Castro Alves Guimarães, traz esta data "Bahia, 1866". Nesse anno de 1866, na Bahia, falleceu o Dr. Antônio José Alves, e seu Filho, que o viera visitar, por gravemente enfermo, assistiu-lhe ao trespasse. Como se não bastasse ha um testemunho; conta Alfredo de Carvalho, referindo palavras de Regueira Costa, o amigo fiel de Castro Alves no Recife: "o mais precioso, porem dos autographos do Poeta, que possuo, diz-me, mostrando-o, é este da lindissima poesia "Hebréa" que elle a principio intitulou "A uma judia" e onde se observa apenas uma variante, comparando-a com a que está nas Espumas Fluctuantes: "Guiando escravo teu gentil rebanho". Esta poesia deu-m'a elle ao voltar da Bahia em 1866, declarando-me havê-la de dicado a uma judia de nome Simy Amzalack (?)" (Castro Alves em Pernambuco, Recife, 1905, p. 27.) Castro Alves não tornou ao Recife depois de 1867 e só podia, ahi, ter dado um dos seus originaes a seu collega Regueira Costa, antes desta data. Outro depoimento: na "Imprensa Acadêmica", citada acima, que publicou a poesia em 1868, vem a data "1866". Finalmente, na Edição original das Espumas Fluctuantes, preparada e publicada por Castro Alves em 1870, essa mesma data de "1866" se repete. Como pois, senão levianamente, e sem uma só prova, attribui-la a 1871?! Assim se faz critica histórica e literária no Brasil...  
continua página 79...
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Posias Lyricas
Meu segredo / Mocidade e Morte / Dalila / O coração / Hebréa /           
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Antônio Frederico de Castro Alves - foi um poeta, dramaturgo e advogado brasileiro, considerado o principal representante da terceira geração do romantismo no Brasil. Ficou conhecido por seus poemas abolicionistas, que renderam-lhe a alcunha de "poeta dos escravos".
Nascimento: 14 de março de 1847, Castro Alves, Bahia - Falecimento: 6 de julho de 1871 (24 anos), Salvador, Bahia. 
Influenciado por: Gonçalves Dias, Lord Byron, Victor Hugo, 
Formação: Faculdade de Direito do Recife | FDR, Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP) 
Pais: Clélia Brasília da Silva Castro, Antônio José Alves
Irmãos: Adelaide Alves, Cassiano José Alves
O “poeta dos escravos” foi um poeta sensível aos graves problemas sociais do seu tempo. Expressou sua indignação contra as tiranias e denunciou a opressão do povo.
A poesia abolicionista é sua melhor realização nessa linha, denunciando energicamente a crueldade da escravidão e clamando pela liberdade. Seu poema abolicionista mais famoso é “O Navio Negreiro”.
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LIVRARIA FRANCISCO ALVES 
RIO DE JANEIRO 
S. PAULO - BELLO HORIZONTE 
1921

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