Simone de Beauvoir
02. A Experiência Vivida
O SEGUNDO SEXO
SlMONE DE BEAUVOIR
SlMONE DE BEAUVOIR
TERCEIRA PARTE
JUSTIFICAÇÕES
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CAPÍTULO II
A AMOROSA
continuando...
Esperar pode ser uma alegria. Para quem espreita o bem--amado sabendo que acorre, que a ama, a espera é uma pro
messa deslumbrante. Mas passada a embriaguez confiante do
amor que muda a própria ausência em presença, misturam-se
ao vazio da ausência os tormentos da inquietação: o homem também pode nunca mais voltar. Conheci uma mulher que a cada
encontro acolhia o amante com espanto. "Pensava que não voltasses mais", dizia. E se ele perguntava por quê: "Poderias
não voltar; quando te espero tenho sempre a impressão de que
não te verei mais". Mas principalmente ele pode deixar de
amar: pode amar outra mulher. Pois a violência com que a
mulher procura iludir-se dizendo: Ele me ama loucamente e só
a mim pode amar", não exclui as torturas do ciúme. Afirmações
apaixonadas e contraditórias são peculiares à má-fé. Assim o
louco, que obstinadamente se imagina Napoleão, não se embaraça
em reconhecer que é também barbeiro. Raramente a mulher
consente em indagar: gosta ele realmente de mim? Mas cem
vezes ela se interroga: não gosta ele de outra? Não admite que
o fervor do amante tenha podido diminuir pouco a pouco, nem
que ele dê menos valor do que ela ao amor: logo inventa rivais.
Ela considera o amor como um sentimento livre e como um
encantamento mágico ao mesmo tempo; e estima que "seu" homem continua a amá-la em sua liberdade enquanto é "enleado",
"pegado numa armadilha" por uma hábil intrigante. O homem
possui a mulher enquanto assimilada a ele, em sua imanência.
É por isso que desempenha tão facilmente o papel de um Boubouroche¹; tem dificuldade em imaginar que ela seja também
uma outra que lhe escapa: o ciúme nele não passa em geral
de uma crise passageira, como o próprio amor. A crise pode
ser violenta e até assassina, mas é raro que a inquietação se instale duradouramente nele. O ciúme apresenta-se principalmente nele como um derivativo: quando seus negócios vão mal, quando
se sente molestado pela vida, então é que se diz achincalhado
pela mulher². Ao contrário, a mulher amando o homem em sua
alreridade, em sua transcendência, sente-se a cada instante em
perigo. Não há grande distância entre a traição da ausência e a
infidelidade.
Desde que se sente desarmada, ela torna-se ciumenta: dadas suas exigências, esse é sempre mais ou menos o
caso: suas censuras, suas queixas traduzem-se por cenas de
ciúme, quaisquer que sejam os pretextos; assim é que exprimirá
a impaciência e o tédio da espera, o amargo sentimento de sua
dependência, a tristeza de ter apenas uma existência mutilada.
É todo o seu destino que está em jogo em cada olhar que o homem amado endereça a outra mulher, porquanto alienou nele todo
seu ser. Por isso se irrita, se o olhar do amante se volta um
instante para uma estranha. E se ele lhe observa que ela acaba
de contemplar longamente um desconhecido, ela responde: "Não
é a mesma coisa". E tem razão. Um homem olhado por uma
mulher nada recebe desta: o dom só começa a partir do momento
em que a carne feminina se faz presa. Ao passo que a mulher
ambicionada é de imediato metamorfoseada em objeto desejável
e desejado; e a amorosa desprezada "retorna ao barro vulgar".
Por isso está ela sempre de atalaia. Que faz ele? Que olha ele? Com quem fala? O que um desejo deu a ela, um sorriso
pode retomar-lhe. Basta um instante para precipitá-la "da luz
nacarada da imortalidade" no crepúsculo quotidiano. Tudo recebeu do amor, pode tudo perder, ao perdê-lo. Impreciso ou
definido, sem fundamento ou justificado, o ciúme é para a mulher uma tortura enlouquecedora porque é uma contestação radical do amor; é preciso, se a traição é certa, renunciar a fazer
do amor uma religião, ou renunciar ao amor; é uma subversão tão
radical que se compreende que a amorosa, ora duvidando, ora
se iludindo, sinta-se obcecada pelo desejo e pelo temor de descobrir a verdade mortal.
[1] Personagem ridículo de Courteline. (N. do T.)
[2] É o que ressalta, entre outras coisas, da obra de Lagache,
Nature et formes de la jalousie.
Arrogante e ansiosa a um tempo, acontece amiúde que a
mulher, estando sempre com ciúme, o esteja sempre sem razão:
Juliette Drouet conheceu as angústias da suspeita em relação
a todas as mulheres de quem Hugo se aproximava, esquecendo
somente de temer Léonie Biard, que durante oito anos foi amante dele.
Na incerteza, toda mulher é uma rival, um perigo. O
amor mata a amizade porque a amorosa se encerra no universo
do homem amado; o ciúme exaspera-lhe a solidão e, desse modo,
torna a dependência dela mais estreita. Nisso ela encontra entretanto um recurso contra o tédio: conservar um marido é um trabalho; conservar um amante, uma espécie de sacerdócio. A mulher que se negligenciava, perdida numa adoração feliz, recomeça
a cuidar de si logo que pressente uma ameaça. Toalete, arranjo do lar, exibições mundanas tornam-se os momentos de um
combate. A luta é uma atividade tônica: enquanto tem quase
certeza de vencer, a guerreira encontra nela um prazer pungente.
Mas o temor angustiado da derrota transforma em humilhante
servidão o dom generosamente consentido. O homem ataca para
se defender. Uma mulher, ainda que orgulhosa, é forçada a fazer-se meiga e passiva; manobras, prudência, ardis, sorrisos, encantos, docilidade são suas melhores armas. Revejo essa jovem
mulher a cuja porta bati de improviso uma noite; deixara-a duas
horas antes mal pintada, negligentemente vestida, com um olhar
morto; agora ela o esperava; quando deu comigo, retomou sua
expressão habitual, mas durante um momento tive tempo de vê-la
preparada para ele, crispada em seu medo e sua hipocrisia, já
preparada para todos os sofrimentos por trás de seu sorriso jovial; estava penteada com cuidado, uma maquilagem insólita animava-lhe as faces e os lábios, fantasiara-se com uma blusa de
renda de deslumbrante brancura. Vestido de festa, arma de
combate. Os massagistas, os caracterizadores, os "estetas" sabem
que seriedade trágica emprestam suas clientes a cuidados que
parecem fúteis; é preciso inventar novas seduções para o amante,
é preciso tornar-se a mulher que ele almeja encontrar e possuir. Mas todo esforço é vão; ela não ressuscitará em si essa
imagem da Outra que de início o atraíra, que pode atraí-lo em
uma outra. Há no amante a mesma dúplice e impossível exigência que há no marido: quer a amante absolutamente sua e no
entanto estranha; ele a quer exatamente de acordo com seu
sonho e diferente de tudo o que sua imaginação inventa, uma
resposta à sua espera e uma surpresa imprevista. Essa contradição atormenta a mulher e a vota ao malogro. Ela tenta moldar-se em obediência ao desejo do amante; muitas mulheres que
tinham desabrochado nos primeiros tempos de um amor que confirmava seu narcisismo, assustam, por um servilismo maníaco,
quando se sentem menos amadas; obcecadas, empobrecidas, irritam o amante; dando-se a ele cegamente, a mulher perdeu essa dimensão de liberdade que a princípio a tornava fascinante. Ele
buscava seu reflexo nela: mas, se o encontra demasiado fiel,
aborrece-se. Uma das desgraças da amorosa está em que seu
próprio amor a desfigura, a aniquila; fica sendo somente essa
escrava, essa criada, esse espelho por demais dócil, esse eco por
demais fiel. Quando o percebe, seu desespero diminui-lhe ainda o
valor; em meio às lágrimas, às reivindicações, às cenas, acaba
perdendo todo atrativo. Um existente é o que faz; para ser, ela
confiou numa consciência estranha e renunciou a fazer qualquer
coisa. "Só sei amar", escreve Julie de Lespinasse. Eu que sou
tão somente amor: este título de romance¹ é a divisa da amorosa; ela é somente amor e, quando o amor se acha privado de
seu objeto, ela não é mais nada.
[1] Dominique Rollin.
Muitas vezes compreende seu erro; tenta então reafirmar
sua liberdade, reencontrar sua alteridade; torna-se coquete. Desejada por outros homens, interessa novamente o amante entediado: é o tema batido de muitos romances "perversos"; a separação basta por vezes para devolver-lhe o prestígio; Albertine parece insossa quando se acha presente e dócil; à distância
volta a ser misteriosa e Proust ciumento valoriza-a novamente.
Mas essas manobras são delicadas; se o homem as penetra, revelam apenas irrisoriamente a servidão de sua escrava. E seu
próprio êxito não vai sem perigo: é porque é sua que o amante
desdenha a amante, mas é porque é sua que a ela se prende;
será o desdém ou o apego que uma infidelidade arruinará?
Pode ser que, despeitado, o homem se afaste da indiferente: ele
a quer livre, mas ele a quer dada. Ela conhece esse risco:
seu coquetismo com isso se paralisa. É quase impossível a uma
amorosa jogar habilmente o jogo; tem medo demais de cair na
própria armadilha. E, na medida em que ainda ama o amante,
repugna-lhe enganá-lo: como permaneceria ele um deus a seus
olhos? Ganhando a partida, ela destrói o ídolo; perdendo-a, perde-se a si mesma. Não há salvação.
Uma amorosa prudente — mas tais palavras não vão juntas
— esforça-se por converter a paixão do amante em ternura, em
amizade, em hábito; ou tenta segurá-lo por laços sólidos: filho,
casamento. Esse desejo de casamento obsidia muitas ligações:
é o da segurança. A amante hábil tira proveito da generosidade
do jovem amor para obter um seguro contra o futuro. Mas, quando se entrega a essas especulações, não merece mais o nome de
amorosa. Porque esta sonha loucamente com captar para sempre
a liberdade do amante mas não com o aniquilar. É por isso
que salvo o caso muito raro em que o livre e mútuo empenho
se perpetua durante toda uma vida, o amor-religião conduz à
catástrofe.
Com Mora, Mlle de Lespinasse teve a sorte de se
cansar em primeiro lugar; cansou-se porque encontrou Guibert
que por sua vez não demorou em se cansar dela. O amor de
Mme d'Agoult e Liszt morreu dessa dialética implacável: o arrebatamento, a vitalidade, a ambição que tornavam Liszt tão amável votavam-no a outros amores. A religiosa portuguesa tinha
que ser abandonada. A chama que tornava d'Annunzio tão cativante¹ tinha por preço sua infidelidade. Uma ruptura pode
marcar profundamente um homem, mas afinal ele tem sua vida
de homem a viver. A mulher abandonada não é mais nada,
não tem mais nada. Se lhe perguntam: "Como vivia, antes?",
não se lembra sequer. Esse mundo que era seu, ela o deixou
cair em cinzas para adotar uma nova pátria de que é bruscamente expulsa; renegou todos os valores em que acreditava, destruiu suas amizades; encontra-se sem teto sobre a cabeça e em
derredor é o deserto. Como recomeçaria uma vida nova, se não
há nada fora do amado? Refugia-se em delírios, como outrora
no claustro; ou se é demasiado sensata, resta-lhe apenas morrer:
muito rapidamente, como Mlle de Lespinasse ou pouco a pouco;
a agonia pode durar muito tempo. Quando uma mulher, durante
dez ou vinte anos, se dedicou a um homem de corpo e alma,
quando ele se manteve firmemente sobre o pedestal em que o
ergueu, o abandono em que ele a deixa pode ser uma catástrofe
fulminante. "Que poderei fazer, indagava aquela mulher de 40
anos, se Jacques não me ama mais?" Vestia-se, pintava-se com
cuidado, mas seu rosto endurecido, já gasto, não podia suscitar
um novo amor; poderia ela própria amar outro depois de vinte
anos à sombra de um homem? Restam ainda muitos anos de
vida quando se tem 40 anos. Revejo outra mulher que conservava olhos belos, traços nobres, apesar de um rosto inchado pelo
sofrimento e que deixava, sem o perceber sequer, as lágrimas
escorrerem-lhe pelas faces, em público, cega e surda. Agora, o
deus diz a outra as palavras inventadas para ela; rainha destronada, não sabe mais se jamais reinou sobre um verdadeiro reino.
Se é inda moça, a mulher tem possibilidades de curar-se: um novo amor poderá curá-la. Por vezes, a este se entregará com
um pouco mais de reserva, compreendendo que o que não é
único não pode ser absoluto; mas muitas vezes ela se quebrará
de encontro a esse novo amor, com muito mais violência ainda
que da primeira vez, porque terá de resgatar também o malogro
anterior.
O malogro do amor absoluto só é uma experiência
fecunda se a mulher é capaz de recuperar o domínio de si mesma: separada de Abelardo, Heloísa não se transformou num
destroço porque, dirigindo uma abadia, construiu uma existência
autônoma. As heroínas de Colette têm demasiado orgulho e recursos para se demolirem com uma decepção amorosa: Renée
Méré salva-se pelo trabalho. E "Sido" dizia à filha que não se
inquietasse demais com seu destino sentimental, porque sabia
que Colette não era apenas uma amorosa. Mas há poucos crimes
que acarretem pior castigo do que esse erro generoso: entregar-se por inteiro a outras mãos.
[1] No dizer de Isadora Duncan.
O amor autêntico deveria assentar no reconhecimento recíproco de duas liberdades; cada um dos amantes se sentiria
então como si mesmo e como o outro: nenhum abdicaria sua
transcendência, nenhum se mutilaria; ambos desvendariam juntos, no mundo, valores e fins. Para um e para outro, o amor
seria uma revelação de si mesmo pelo dom de si e o enriquecimento do universo. Em sua obra Connaissance de soi, Georges
Gusdorf resume muito exatamente o que o homem pede ao
amor.
O amor revela-nos a nós mesmos, fazendo-nos sair de nós mesmos. Nós nos afirmamos ao contato do que nos é estranho e complementar. O amor, como forma do conhecimento, descobre novos céus e novas terras na própria paisagem em que sempre vivemos. Eis o grande segredo: o mundo é outro, eu sou outro. E não sou mais o único a sabê-lo. Melhor até: foi alguém que me ensinou. A mulher desempenha, pois, um papel indispensável e capital na consciência que ele assume de si mesmo.
Daí a importância de que o aprendizado amoroso se reveste
para o jovem¹; vimos como Stendhal e Malraux se maravilham com o milagre que fez que "eu mesmo seja outro .
Mas Gusdorf erra ao escrever: "E do mesmo modo o homem
representa para a mulher um intermediário indispensável de si
mesma a si mesma", porquanto hoje a situação dela não é igual; o homem é revelado sob outra forma, mas permanece ele
mesmo e sua nova fisionomia integra-se no conjunto de sua
personalidade. Só ocorreria o mesmo com a mulher se ela também existisse essencialmente como para si; o que implicaria a
posse de uma independência econômica, sua possibilidade de projetar-se para fins próprios e superar-se sem intermediários para
a coletividade.
Então são possíveis os amores em termos de
igualdade, como o que Malraux descreve entre Kyo e May. Pode
mesmo acontecer que a mulher desempenhe o papel viril e do
minador como Mme de Warens em face de Rousseau, Léa em
face de Chéri. Mas, na maioria dos casos, a mulher só se conhece como outro; seu para outrem confunde-se com seu próprio
ser; o amor não é para ela um intermediário de si a si, porque
ela não se reencontra em sua existência subjetiva; permanece
abismada nessa amante que o homem não somente revelou como
criou; sua salvação depende dessa liberdade despótica que a
fundou e pode em um instante aniquilá-la. Ela vive a tremer
diante daquele que tem seu destino nas mãos, sem o saber e sem
o querer; ela está em perigo em outro, testemunha angustiada e
impotente de seu próprio destino. Tirano sem o querer, sem o
querer carrasco, esse outro, a despeito de ambos, tem uma feição
inimiga; em lugar da união procurada, a amorosa conhece a
mais amarga das solidões, em lugar da cumplicidade, a luta e
amiúde o ódio. O amor na mulher é uma tentativa suprema
de superar, assumindo-a, a dependência a que se acha condenada;
mas, mesmo consentida, essa dependência não se pode viver senão
no medo e no servilismo.
[1] Ver vol I.
Os homens não cessaram de proclamar que o amor é para a
mulher sua suprema realização. "Uma mulher que ama como
mulher, ainda se torna mais profundamente mulher", diz Nietzsche; e Balzac: "Em um plano elevado, a vida do homem está
na glória, a da mulher no amor. A mulher só se iguala ao
homem fazendo de sua vida uma perpétua oferenda, como a do
homem é uma perpétua ação". Mas trata-se ainda aqui de uma
mistificação cruel, pois o que ela oferece eles não se esforçam
em absoluto por aceitar. O homem não precisa da dedicação
incondicional que reclama, nem do amor idólatra que lhe acaricia a vaidade; só os acolhe com a condição de não satisfazer as
exigências que tais atitudes reciprocamente implicam. Ele recomenda à mulher que dê: e os dons dela o apoquentam; ela vê-se
embaraçada com seus inúteis presentes, com sua existência vã.
No dia em que for possível à mulher amar em sua força, não em sua fraqueza, não para fugir de si mesma mas para se encontrar, não para se demitir mas para se afirmar, nesse dia o amor
tornar-se-á para ela, como para o homem, fonte de vida e não
perigo mortal. Enquanto isso não acontece, ele resume sob sua
forma mais patética a maldição que pesa sobre a mulher encerrada no universo feminino, a mulher mutilada, incapaz de se
bastar a si mesma. As numerosas mártires do amor testemunharam contra a injustiça de um destino que lhes propõe, como
derradeira salvação, um inferno estéril.
continua página 438...
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O Segundo Sexo. 2. A Experiência vivida
2.a Ed. Tradução de Sergio Milliet. Capa de Fernando Lemos. Título do original: L'EXPÉRIENCE VÉCUE. 1967.
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Leia também:
O Segundo Sexo - 01. Fatos e Mitos: que é uma mulher?
O Segundo Sexo - 02. A Experiência Vivida: Capítulo I - Infância (1)
O Segundo Sexo - 02. A Experiência Vivida: Capítulo II - A Moça (1)
O Segundo Sexo - 02. A Experiência Vivida: Capítulo III - A Iniciação Sexual (1)
O Segundo Sexo - 02. A Experiência Vivida: Capítulo IV - A Lésbica (1)
O Segundo Sexo - 02. Situação: Capítulo I - A Mulher Casada (1)
O Segundo Sexo - 01. Fatos e Mitos: que é uma mulher?
O Segundo Sexo - 02. A Experiência Vivida: Capítulo I - Infância (1)
O Segundo Sexo - 02. A Experiência Vivida: Capítulo II - A Moça (1)
O Segundo Sexo - 02. A Experiência Vivida: Capítulo III - A Iniciação Sexual (1)
O Segundo Sexo - 02. A Experiência Vivida: Capítulo IV - A Lésbica (1)
O Segundo Sexo - 02. Situação: Capítulo I - A Mulher Casada (1)
O Segundo Sexo - 03. Justificações: Capítulo II - A amorosa (4)
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Neste volume complementar de O SEGUNDO SEXO, Simone de Beauvoir, constatando a realidade ainda imediata do prestígio viril, estuda cuidadosamente o destino tradicional da mulher, as circunstâncias do aprendizado de sua condição feminina, o estreito universo em que está encerrada e as evasões que, dentro dele, lhe são permitidas. Somente depois de feito o balanço dessa pesada herança do passado, poderá a mulher forjar um outro futuro, uma outra sociedade em que o ganha--pão, a segurança econômica, o prestígio ou desprestígio social nada tenham a ver com o comércio sexual. É a proposta de uma libertação necessária não só para a mulher como para o homem. Porque este, por uma verdadeira dialética de senhor e servo, é corroído pela preocupação de se mostrar macho, importante, superior, desperdiça tempo e forcas para temer e seduzir as mulheres, obstinando-se nas mistificações destinadas a manter a mulher acorrentada.
Os dois sexos são vítimas ao mesmo tempo do outro e de si. Perpetuar-se-á o inglório duelo em que se empenham enquanto homens e mulheres não se reconhecerem como semelhantes, enquanto persistir o mito do "eterno feminino". Libertada a mulher, libertar-se-á também o homem da opressão que para ela forjou; e entre dois adversários enfrentando-se em sua pura liberdade, fácil será encontrar um acordo.
O SEGUNDO SEXO, de Simone de Beauvoir, é obra indispensável a todo o ser humano que, dentro da condição feminina ou masculina, queira afirmar-se autêntico nesta época de transição de costumes e sentimentos.
"O que é uma mulher?"
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