segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Émile Zola - Germinal: Quarta Parte - (I.a)

Germinal


Émile Zola

Tradução de Francisco Bittencourt

Quarta Parte

I
 
     Naquela segunda-feira, o Hennebeau haviam convidado para almoçar os Grégoire e sua filha Cécile. Tinham planejado uma excursão: ao levantarem-se da mesa, Paul Négrel devia ir mostrar às senhoras uma galeria, a Saint-Thomas, que acabava de ser reaberta com todos os requintes. Mas o passeio não passaria de um amável pretexto; essa excursão fora inventada pela Sra. Hennebeau, para apressar o casamento de Cécile com Paul.
     Mas, subitamente, nessa mesma segunda-feira, às quatro horas da manhã, rebentara a greve. Quando, no dia primeiro de dezembro, a companhia aplicou seu novo sistema de salário, os mineiros permaneceram calmos. No fim da quinzena, no dia do pagamento, nenhum deles reclamou. Todos os empregados, desde o diretor até o último dos vigias, acreditavam que a tarifa fora aceita. E agora, desde a madrugada, era grande a surpresa com aquela declaração de guerra, de uma tática e de uma uniformidade que indicavam claramente uma direção enérgica. Às cinco horas Dansaert foi acordar o Sr. Hennebeau para preveni-lo de que nenhum homem descera à Voreux. O conjunto habitacional dos Deux-Cent-Quarente, que ele atravessara, dormia, dormia profundamente, com as portas e janelas fechadas. E o diretor, assim que saltou da cama, os olhos ainda pesados de sono, não teve mais descanso: de quinze em quinze minutos chegavam mensageiros; como granizo, as mensagens caíram sobre sua mesa. A princípio acreditou que a revolta se limitaria à Voreux, mas as notícias eram cada vez mais graves: era Mirou, era Crèvecoeur, era Madeleine, onde só os cavalariços tinham aparecido; eram a Victoire e a Feutry-Cantel, as duas minas mais disciplinadas, onde a descida se achava reduzida a um terço; só a Saint-Thomas tinha o seu pessoal completo e parecia estar fora do movimento. Até as nove horas ditou mensagens e telegrafou para toda parte, ao prefeito de Lille, aos administradores da companhia, preveniu as autoridades, pediu ordens. Por outro lado, enviou Négrel para as minas mais próximas, a fim de fazer uma inspeção e obter informações precisas.
     De repente, o Sr. Hennebeau lembrou-se do almoço, e ia enviar o cocheiro para prevenir os Grégoire de que a reunião estava adiada quando uma hesitação, uma quebra de vontade o reteve, a ele, que, em algumas frases rápidas, preparara militarmente seu campo de batalha. Subiu aos aposentos da esposa, que estava sendo penteada por uma camareira, no seu toucador. 

— Ah, estão em greve! — disse ela tranquilamente, ao ser consultada pelo marido. — Pois muito bem; e o que é que vamos fazer? Não vamos deixar de comer por isso, não é?
 
     E, opiniática, ficou nisso. Por mais que lhe dissesse que o almoço seria um desastre, que a visita à mina de Saint-Thomas não poderia ser realizada, ela teve uma resposta para tudo: por que perder uma refeição que já estava preparada? Quanto a visitar a mina, podia-se renunciar a isso, se o passeio fosse realmente uma imprudência. 

— De resto — continuou ela assim que a camareira saiu —, você sabe muito bem por que insisto em receber essa boa gente. Este casamento deveria interessá-lo muito mais do que as bobagens dos seus operários. Enfim, já disse que quero; por favor, não me contrarie.

     Ele encarou-a com um ligeiro estremecimento e seu rosto duro e fechado de homem de disciplina exprimiu a dor secreta de um coração amargurado. Ela permanecera de ombros nus, já bem madura, mas esplêndida e desejável ainda, com a sua estatura de Ceres dourada pelo outono.
     Por um instante, ele foi possuído pelo brutal desejo de tomá-la em seus braços, de afundar sua cabeça entre aqueles seios nus, naquela peça tépida de um luxo íntimo de mulher sensual, onde pairava um perfume irritante de almíscar. Mas recuou; havia dez anos que o casal dormia em quartos separados. 

— Está bem — disse ele, deixando o quarto. — Deixemos as coisas seguirem seu curso.

     O Sr. Hennebeau nascera nas Ardennes. Tivera um começo difícil de rapaz pobre, jogado como órfão nas ruas de Paris. Após ter seguido com muita dificuldade os cursos da Escola de Minas partira, aos vinte e quatro anos, para a Grand-Combe, com o posto de engenheiro do poço Santa Bárbara. Três anos mais tarde era engenheiro de divisão em Pas-de-Calais, nas minas de Marles. Foi ali que casou, desposando, por um desses golpes de sorte, que são a regra geral para os altos funcionários de minas, a filha de um rico proprietário de uma fábrica de fiação de Arras. Durante quinze anos o casal viveu na pequena cidade provinciana, sem que um acontecimento, nem mesmo o nascimento de um filho, rompesse a monotonia de sua existência. Uma crescente irritação distanciava a mulher, que fora educada no respeito pelo dinheiro, cada vez mais desdenhosa por aquele marido que ganhava tão duramente um salário de pobre e do qual não tirava nenhuma das satisfações vaidosas com que sonhara no colégio. Ele, de uma honestidade muito estrita, não especulava, mantinha-se em seu posto, como um bom soldado. A divergência fora-se tornando cada vez maior, agravando-se por um desses singulares mal-entendidos da carne, que tornam frígidos mesmo os mais ardentes. Ele adorava sua mulher, ela era de uma sensualidade de loura gulosa. Mas desde então já dormiam separados, incômodos na presença um do outro, ferindo-se com facilidade. A partir dessa época a mulher arranjou um amante, fato que ele ignorou. Por fim, deixou Pas-de-Calais para ocupar em Paris um posto de administração, pensando que ela lhe ficaria grata por isso. No entanto, Paris acabou de separá-los, essa Paris com a qual ela sonhava desde a sua primeira boneca e onde, em oito dias, perdeu todo o provincianismo, tornando-se elegante, lançando-se em todas as loucuras luxuosas da época. Os dez anos que ali passou foram preenchidos por uma grande paixão, uma ligação pública com um homem que, ao abandoná-la, quase a matou. Dessa vez o marido não pôde continuar ignorando, e resignou-se, após ter feito cenas terríveis, desarmado ante a tranquila inconsciência daquela mulher que buscava a felicidade e colhia-a onde quer que a encontrasse. Fora logo depois do rompimento, quando a vira doente de desgosto, que aceitara a direção das minas de Montsou, esperando ainda pô-la no bom caminho, no deserto das regiões carboníferas.
     Os Hennebeau, desde que viviam em Montsou, tinham voltado para o tédio irritado dos primeiros tempos do seu casamento. No princípio, ela pareceu aliviada em meio àquela grande calma, saboreando uma espécie de relaxamento na monotonia chata da imensa planície. Passou a viver retirada, afetando ser uma mulher acabada, com o coração morto, tão distante do mundo que nem se importava de engordar. Depois, sob essa indiferença, um último arranco febril a possuiu, um desejo de viver mais ainda, desejo que ela conseguiu enganar durante seis meses, organizando e mobiliando a seu gosto o palacete da direção. Achava-o horrível e por isso encheu-o de tapeçarias, de bibelôs, de um grande luxo artístico do qual se falou até em Lille. Mas agora essa região a exasperava, não podia mais ver aqueles campos enfadonhos que se estendiam até o infinito, aquelas estradas eternamente negras, sem uma árvore, e onde formigava uma população horrenda que só lhe dava nojo e medo. Começaram então os lamentos de exilada; acusava o marido de a ter sacrificado ao ordenado de quarenta mil francos que recebia, miséria que mal dava para prover a casa. Na sua opinião, ele devia ter imitado os outros, exigido uma cota, obtido ações, chegado a alguma coisa, enfim. E insistia, com a crueldade da herdeira que trouxera a fortuna. Ele, sempre correto, refugiando-se na calma falsa de homem de administração, vivia devastado de desejo por essa mulher, um desses desejos tardios e violentos que aumentam com a idade. Nunca a possuíra como amante, e vivia perseguido pela eterna fantasia de tê-la uma vez como ela se dava a outro. Todas as manhãs sonhava conquistá-la à noite; depois, quando ela o fitava com seus olhos altaneiros, quando sentia que tudo nela era uma recusa, evitava até roçá-la com a mão. Era um sofrimento sem cura possível, escondido sob a carapaça da sua atitude, o sofrimento de uma natureza afável agonizando em silêncio por não ter encontrado a felicidade conjugai. Ao término de seis meses, tendo mobiliado completamente o palacete e sem mais nada para ocupar seus dias, ela deixou-se escorregar novamente para a languidez do tédio, como vítima que o exílio mataria, declarando-se feliz se morresse. Justamente nessa época, Paul Négrel surgiu em Montsou. Sua mãe, viúva de um capitão provençal, que vivia em Avinhão com um modesto rendimento, tivera de se alimentar a pão e água para conseguir sustentá-lo na Escola Politécnica, de onde, aliás, ele saíra com más notas. Seu tio, o Sr. Hennebeau, aconselhara o a pedir demissão do emprego anterior e oferecera-lhe um posto de engenheiro na Voreux. Desde então, tratado como filho da casa, ali tinha seu quarto, ali comia e vivia, o que lhe deixava a metade do seu salário de três mil francos livre para enviar à mãe. O Sr. Hennebeau procurava esconder á proteção que dispensava ao sobrinho, falando das dificuldades pelas quais passava um jovem para montar um lar num dos pequenos chalés reservados aos engenheiros das minas. Imediatamente, a Sra. Hennebeau começou a representar o papel da tia bondosa, tuteando o sobrinho, velando pelo seu bem-estar. Sobretudo nos primeiros meses mostrou-se muito maternal, cheia de conselhos a propósito das menores coisas. Mas, sendo mulher, escorregou para o terreno das confidências. O rapaz, jovem e prático, de uma inteligência inescrupulosa, professando sobre o amor teorias de filósofo, divertia-a pela vivacidade do seu pessimismo, que aguçava suas feições finas, de nariz pontudo. Naturalmente uma noite ele se encontrou nos braços dela, e ela pareceu entregar-se por bondade, não deixando de lhe dizer que já não tinha mais coração e desejava apenas ser sua amiga. E, realmente, não teve ciúmes, brincava até com ele a respeito das operadoras de vagonetes que o rapaz afirmava serem abomináveis, irritava-se mesmo por ele não ter um repertório de devassidões para lhe contar. Depois, a ideia de fazê-lo casar apaixonou-a, sonhou sacrificar-se e dá-lo, ela mesma, a uma moça rica. As suas relações, no entanto, continuavam, eram um brinquedo para passar tempo, em que ela punha suas derradeiras ternuras de mulher ociosa e acabada.
     Decorreram dois anos. Uma noite, o Sr. Hennebeau, ouvindo pés descalços passando à sua porta, teve uma suspeita. Essa nova aventura revoltava-o; na sua casa, debaixo do seu teto, entre esta mãe e este filho! Mas, no dia seguinte, a mulher lhe falou precisamente da escolha que fizera para o sobrinho: Cécile Grégoire. Entregava-se a esse casamento com tal fervor, que ele envergonhou-se da monstruosa suspeita que tivera. Ao rapaz, continuou a dedicar algum reconhecimento, pois fizera menos triste a casa desde a sua chegada.
     Ao descer dos aposentos da esposa, o Sr. Hennebeau encontrou no vestíbulo o sobrinho Paul, que voltava da inspeção. Este mostrava-se bastante divertido com toda aquela história de greve. 

— Então? — perguntou o tio. 
— Dei um passeio pelos conjuntos habitacionais dos mineiros. Parece tudo muito calmo. Creio que vão enviar delegados para discutirem com a direção.

     Nesse momento, a voz da Sra. Hennebeau soou no primeiro andar. 

— És tu, Paul? Sobe, quero saber as novidades. Uma gente que vive tão feliz querendo fazer-se de engraçada, bancando a valente...

     O diretor teve de renunciar a saber mais, já que sua mulher lhe tomava o mensageiro. Voltou e sentou-se no escritório, onde se amontoava uma nova pilha de mensagens.
     Às onze horas, quando os Grégoire chegaram, ficaram surpresos ao serem postos para dentro às pressas por Hippolyte, o camareiro, que fora colocado de sentinela à porta de entrada e lançava olhares inquietos para os dois extremos da estrada. As cortinas do salão estavam fechadas, e eles foram levados diretamente para o gabinete de trabalho, onde o Sr. Hennebeau desculpou-se de recebê-los assim, mas o salão dava para a rua e podia parecer que estavam provocando. 

— Mas como? Ainda não sabem? — continuou de, vendo a surpresa estampada nos rostos dos visitantes.

     O Sr. Grégoire, quando soube que a greve tinha enfim sido declarada, deu de ombros com a sua calma habitual. Ora! Não havia de ser nada, essa gente era boa... Com um movimento de queixo a Sra. Grégoire aprovou a confiança do marido na secular resignação dos mineiros, enquanto Cécile, sentindo-se muito alegre naquele dia, e bem de saúde, trajando .um vestido de cor pastel, sorria à palavra greve, que lhe fazia lembrar visitas e distribuição de esmolas pelos conjuntos habitacionais mineiros.
     Mas a Sra. Hennebeau, seguida de Négrel, surgiu toda vestida de seda negra. 

— Ora, ora, que aborrecimento! — exclamou ela da porta. — Então esses homens não podiam ter esperado? Agora Paul se recusa a levar-nos para a visita a Saint-Thomas. 
— Pois permaneceremos aqui — disse galantemente o Sr. Grégoire. — Será igualmente um prazer.

     Paul limitara-se a saudar Cécile e sua mãe. Irritada com essa mostra de pouco entusiasmo, sua tia ordenou-lhe, com um sinal, que se sentasse ao lado da moça. Depois, ouvindo-os rir juntos, envolveu-os num olhar maternal.
     Nesse ínterim, o Sr. Hennebeau terminou de ler as mensagens e redigiu algumas respostas. E a conversa prosseguia; sua mulher explicava que não se ocupara daquele gabinete de trabalho. Realmente, a peça conservara seu forro de parede vermelho desbotado, seus pesados móveis de mogno, suas estantes estragadas pelo uso.
     Passados quarenta e cinco minutos, iam sentar-se à mesa quando o camareiro anunciou o Sr. Deneulin. Este, muito excitado, entrou e inclinou se diante da Sra. Hennebeau. . 

— Ah! vocês estão aqui? — disse ele, percebendo os Grégoire E dirigiu-se ao diretor sem mais delongas: 
— Como vai a coisa? O meu engenheiro acaba de me dizer.. Na minha mina todos os homens desceram esta manhã, mas assim mesmo não estou tranquilo, a greve pode alastrar-se. Já resolveram alguma coisa?

     Viera a cavalo e a sua inquietação ficava patente no tom de voz quase gritado e nos gestos bruscos que o faziam parecer um oficial da cavalaria reformado.
     O Sr. Hennebeau começou a informá-lo sobre a situação exata, quando Hippolyte abriu a porta da sala de jantar. Interrompeu-se para dizer: 

— Almoce conosco. À sobremesa, acabo de lhe contar. 
— Pois bem, com muito prazer — respondeu Deneulin, tão arrebatado pelos acontecimentos que aceitou sem mais cerimônias.

     Mas em seguida teve consciência de sua indelicadeza e voltou-se para a dona da casa, pedindo desculpas. Esta respondeu de maneira encantadora, e, depois de ter mandado pôr um sétimo talher, instalou seus convivas: a Sra. Grégoire e Cécile de um e outro lado do marido, o Sr. Grégoire e Deneulin à sua direita e à sua esquerda, respectivamente, e Paul, que ela colocou entre a moça e o pai desta. Ao hors-d'oeuvre', ela disse com um sorriso: 

— Sei que me desculparão, desejava abrir este almoço com ostras... Como sabem, às segundas-feiras um carregamento delas chega a Marchiennes, e eu tinha planejado mandar a cozinheira até lá com o carro, mas ela teve medo de ser apedrejada...

continua na página 177...
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Quarta Parte - (I.a)
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O pai de Zola tinha 44 anos quando conheceu Émilie-Aurélie Aubert, numa de suas viagens a Paris. Apesar da grande diferença de idade — a moça não chegara aos vinte anos —, acabaram casando — se. O resultado dessa união foi Émile Zola, nascido em 12 de abril de 1840, durante uma estada do casal em Paris. O menino mal conheceu o pai: em 1847, François faleceu. 
As coisas ficaram difíceis. Sozinha e com grandes esforços, a mãe procurou equilibrar o orçamento doméstico e fazer que o filho estudasse. De certa forma, ela teve sucesso: Zola foi aluno do Colégio Notre-Dame e do Colégio de Aix. Quando o rapaz atingiu a maioridade, partiu com Émilie para Paris e, graças a um amigo da família, conseguiu um emprego na Alfândega.
Em dezembro de 1859, concluía sua primeira obra em prosa, Les Grisettes de Provence (As Costureirinhas de Provença). Continuava, porém, desconhecido e insatisfeito. Ele mesmo costumava dizer: "Ser sempre desconhecido é chegar a duvidar de si; nada engrandece os pensamentos de um autor como o sucesso".
Assim, no início de 1866, deixou o emprego para dedicar-se à literatura. 
Abandonou o romantismo de seus anos de adolescência e passou a admirar outros autores: Balzac (1799-1850), Stendhal (1783-1842), Flaubert (1821-1880). Essa guinada para o realismo devia-se principalmente às suas últimas leituras: das teorias evolucionistas de Darwin (1809-1882) até o Tratado da Hereditariedade Natural do Dr. Lucas, passando pela Filosofia da Arte de Taine (1328-1893). No entanto, o que parece tê-lo feito decidir-se pelo realismo foi a Introdução ao Estudo da Medicina Experimental (1865), de Claude Bernard (1813-1878). Essa obra foi importante para o rumo que Zola imprimiria a toda a sua obra: o rigor científico no romance, cujo objetivo, diria ele, é o mesmo das experiências de laboratório, isto é, o conhecimento da realidade. O que Claude Bernard havia feito com o corpo humano Zola faria com as paixões e os meios sociais.
Para fazer Germinal, Zola não se satisfez com a simples busca de documentos. Foi passar alguns meses numa região mineira. Morou em cortiços, bebeu cerveja e genebra nos botequins e desceu ao fundo dos poços para observar de perto o trabalho dos operários. Aos poucos foi se familiarizando com o meio onde viviam aqueles homens. Descobriu quais as principais doenças causadas pela mineração. Sentiu o problema dos baixos salários, os sacrifícios dos mineiros, a gota que cai com uma regularidade incrível sobre seus rostos, a dificuldade de empurrar um vagonete por um corredor estreito, o drama do salto na escuridão que eles têm de dar para poderem sobreviver. Numa passagem admirável, descreve a emoção de uma greve de operários. Mostra seu ódio animal. Um ódio que destrói tudo à sua passagem. Uma violência viva nos corpos que querem libertar-se, mesmo à custa da total destruição. Mostra também o amor feito sobre o carvão, os pequenos dramas das dívidas, as brigas no cortiço, a promiscuidade de pais e filhos em casas muito pequenas. A obra obteve enorme repercussão.
Em 29 de setembro de 1901, em Paris, Émile Zola morre asfixiado pelo gás do aquecedor.

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