Para o sr. Lee e Alice, em retribuição ao amor e afeto
Os advogados, suponho, um dia foram crianças.
CHARLES LAMB
SEGUNDA PARTE
19
— Está bem assim, Tom.
Tom fez o juramento e sentou-se no banco das testemunhas. Atticus rapidamente o induziu a nos informar que:
Tom tinha vinte e cinco anos, era casado e tinha três filhos. Teve problemas com a lei antes: tinha sido condenado a trinta
dias de detenção por desordem.
— Que desordem foi essa? O que houve? — perguntou Atticus.
— Briguei com um homem, ele tentou me cortar com uma faca.
— Ele conseguiu?
— Sim, um pouco, mas não o suficiente para machucar. O senhor sabe, eu… — Tom mexeu o braço esquerdo.
— Sei. Os dois foram condenados?
— Sim, e eu tive de cumprir a pena porque não tinha dinheiro para pagar a fiança. Outro sujeito pagou a dele.
Dill curvou-se por cima de mim e perguntou a Jem o que papai estava fazendo. Jem respondeu que Atticus estava
mostrando aos jurados que Tom não tinha nada a esconder.
— Você conhecia Mayella Violet Ewell? — perguntou Atticus.
— Sim, senhor, tinha de passar pela casa dela todo dia, quando ia e voltava do campo.
— Campo de quem?
— Eu colho algodão para o sr. Link Deas.
— Estava colhendo algodão em novembro?
— Não, senhor, no outono e no inverno cuido do jardim dele. Trabalho para ele quase o ano todo, ele tem muitas nogueiras
e outras árvores.
— Você disse que tinha de passar pela casa dos Ewell na ida e na volta. Há outro caminho?
— Não, senhor, não que eu saiba.
— Alguma vez ela falou com você, Tom?
— Sim, eu tirava o chapéu quando passava e um dia ela pediu para eu entrar no quintal e cortar um armário com o
machado.
— Quando foi isso?
— Foi na primavera passada, sr. Finch. Lembro bem porque era época de cortar lenha e eu estava com a minha enxada. Eu
disse que só tinha a enxada e ela falou que tinha um machado. Me deu o machado e cortei a cômoda. Ela disse: “Acho que
preciso te dar uma moeda, não é?” E eu disse: “Não precisa não, senhora.” Fui para casa, isso foi na primavera passada, faz
mais de ano.
— Você voltou lá alguma vez?
— Sim, senhor.
— Quando?
— Bom, muitas vezes.
O juiz Taylor pegou instintivamente o martelo, mas deixou a mão cair. O murmúrio que vinha lá de baixo parou sem que
ele precisasse bater o martelo.
— Em que circunstâncias?
— Como assim, senhor?
— Por que você entrou no quintal várias vezes?
As rugas na testa de Tom Robinson se desfizeram.
— Ela me chamava, senhor. Toda vez que eu passava ela tinha uma coisinha para eu fazer, cortar lenha, recolher gravetos,
pegar água no poço. Todo dia ela regava as flores vermelhas…
— Ela pagava pelo seu serviço?
— Não, senhor, não depois daquela primeira vez que quis me dar uma moeda. Eu gostava de ajudar, o sr. Ewell parecia
que não ajudava nada, nem as crianças. Eu sabia que ela não tinha moedas sobrando.
— Onde ficavam as crianças?
— Estavam sempre em volta, por todo canto. Algumas olhavam eu trabalhar, outras ficavam na janela.
— A srta. Mayella conversava com você?
— Sim, senhor, ela conversava comigo.
Enquanto Tom Robinson dava seu depoimento, me dei conta de que Mayella Ewell devia ser a pessoa mais solitária do
mundo. Mais até do que Boo Radley, que não saía de casa havia vinte e cinco anos. Quando Atticus perguntou a Mayella se
tinha amigos, ela pareceu não saber do que ele estava falando, depois achou que ele estava zombando dela. A situação dela
era tão triste quanto do que Jem chamava de mesticinhos: os brancos não queriam nada com Mayella porque vivia no meio dos
porcos e os negros não queriam saber dela porque era branca. Ela não podia fazer como o sr. Dolphus Raymond, que preferia
a companhia dos negros, porque não era proprietária de uma margem de rio, nem pertencia a uma família antiga e respeitada.
Ninguém dizia “é só o jeito deles” quando se tratava dos Ewell. O condado de Maycomb dava a eles cestas de Natal, uma
pensão e as costas. Tom Robinson deve ter sido a única pessoa que foi gentil com ela na vida. Mas ela disse que Tom tinha se
aproveitado dela e, quando se levantou do banco, olhou-o como se ele fosse lixo.
Atticus interrompeu meus pensamentos ao perguntar:
— Você alguma vez entrou na propriedade dos Ewell, alguma vez entrou na casa deles sem ser expressamente convidado
por alguém da família?
— Não, sr. Finch. Eu nunca faria isso. Não.
Atticus às vezes dizia que, para saber se uma testemunha estava mentindo ou dizendo a verdade, era melhor ouvir do que
olhar. Decidi testar: Tom tinha negado três vezes, de um só fôlego, mas estava calmo, sem nenhuma nota de queixa na voz, e
me vi acreditando nele, apesar de ele ter negado demais. Ele parecia um negro de respeito, que jamais entraria no quintal de
alguém sem ser convidado.
— Tom, o que aconteceu com você na tarde de vinte e um de novembro do ano passado?
Na plateia, as pessoas prenderam a respiração e se inclinaram para a frente. Atrás de nós, os negros fizeram o mesmo.
Tom era um negro de pele de veludo, um veludo negro, fosco e macio. O branco dos seus olhos brilhava e, quando falava,
os dentes reluziam. Se não tivesse o defeito no braço, seria um lindo homem.
— Sr. Finch, eu estava indo para casa como sempre naquela tarde, e a srta. Mayella estava na varanda quando passei pela
casa dos Ewell, como ela disse. Estava tudo muito silencioso e achei estranho. Quando passei, estava tentando entender por
que estava tão quieto e ela chamou para eu entrar e ajudar um instante. Bom, entrei no quintal e procurei uma lenha para cortar,
mas não vi nada e ela disse: “Tem uma coisa para consertar dentro da casa, as portas estão velhas e soltando das dobradiças,
daqui a pouco caem.” Eu então perguntei: “Tem chave de fenda, srta. Mayella?”, e ela disse que sim. Bom, subi a escada,
entrei na casa e olhei a porta e disse que parecia estar direita, empurrei para a frente e para trás e as dobradiças estavam boas.
Ela então fechou a porta na minha cara. Sr. Finch, fiquei pensando por que estava tudo tão quieto, e era porque não tinha
nenhuma criança ali, e perguntei onde elas estavam.
A pele cor de veludo negro de Tom começou a brilhar e ele passou a mão no rosto.
— Perguntei onde estavam as crianças e ela disse, rindo, que tinham ido até a cidade tomar sorvete. E disse: “Levei um
ano para economizar umas moedas, mas consegui. Elas foram até a cidade.”
O desconforto de Tom não era por causa do calor.
— O que você disse então, Tom? — perguntou Atticus.
— Falei que era muito bom ela fazer um agrado e ela perguntou: “Você acha?” Acho que ela não entendeu o que eu estava
pensando… Eu queria dizer que foi bom ela economizar e depois fazer um agrado para as crianças.
— Entendi, Tom. Continue — pediu Atticus.
— Bom, eu disse que ia embora, que não podia fazer nada por ela, e ela disse que eu podia sim, perguntei o que era e ela
disse para eu subir na cadeira e pegar a caixa em cima do armário.
— Não era o mesmo armário que você cortou com o machado? — perguntou Atticus.
Tom sorriu.
— Não, senhor, era outro, quase do tamanho do quarto. Então, eu subi e quando peguei… ela… agarrou minhas pernas, sr.
Finch. Levei um susto tão grande que dei um pulo e derrubei a cadeira… foi só isso que ficou fora do lugar no quarto quando
eu saí, sr. Finch. Juro por Deus.
— O que aconteceu depois que você derrubou a cadeira?
Tom Robinson ficou calado. Olhou para Atticus, depois para os jurados e para o sr. Underwood no outro lado do tribunal.
— Tom, você jurou dizer a verdade. Vai dizer a verdade?
Tom passou a mão pela boca, nervoso.
— O que aconteceu depois?
— Responda à pergunta — disse o juiz Taylor. Um terço do charuto tinha desaparecido.
— Sr. Finch, desci da cadeira, virei para ir embora e ela pulou em cima de mim.
— Pulou em cima? Com força?
— Não, senhor, ela… me abraçou. Me abraçou pela cintura.
Dessa vez, o martelo do juiz Taylor bateu com força na mesa, ao mesmo tempo que as luzes do teto se acenderam. Não era
noite ainda, mas o sol do entardecer não entrava mais pelas janelas. O juiz Taylor restabeleceu logo a ordem.
— O que ela fez então?
O réu engoliu em seco.
— Ela chegou perto e me beijou no rosto. Disse que nunca tinha beijado um homem e que dava no mesmo se beijasse um
preto. E que o que o pai fazia com ela não contava. Falou: “Me beija, preto”, e eu pedi para ela me deixar sair dali, tentei
correr, mas ela se encostou na porta e tive que empurrar a srta. Mayella. Não queria machucar ela, sr. Finch, pedi para passar
e então o sr. Ewell apareceu na janela e ficou esbravejando.
— O que ele disse?
Tom Robinson engoliu em seco outra vez e arregalou os olhos.
— Disse uma coisa que não convém repetir com essas crianças aqui…
— O que ele disse, Tom? Você precisa contar aos jurados o que ele disse.
Tom Robinson fechou bem os olhos.
— Ele disse “Sua puta maldita, vou matar você.”
— E o que aconteceu depois disso?
— Corri tanto, sr. Finch, que não sei o que aconteceu.
— Tom, você estuprou Mayella Ewell?
— Não, senhor.
— Machucou-a de alguma maneira?
— Não, senhor.
— Resistiu às investidas dela?
— Tentei, senhor. Tentei, sem ser bruto com ela. Não queria machucar, empurrar nem nada.
Cheguei à conclusão de que, do jeito dele, Tom Robinson era tão educado quanto Atticus. Só mais tarde, quando meu pai
explicou, entendi a delicada situação em que Tom tinha se metido: ele jamais ousaria tocar em uma mulher branca, em
nenhuma circunstância, pois sabia que se fizesse isso não viveria muito tempo, então aproveitou a primeira chance de fugir, um
sinal claro de culpa.
— Tom, vamos voltar ao sr. Ewell. Ele disse algo a você? — perguntou Atticus.
— Nada, senhor. Pode ter dito, mas eu não estava mais lá.
— Certo — disse Atticus, ríspido.
— Então o que você ouviu, com quem ele falou?
— Sr. Finch, ele estava falando e olhando para a srta. Mayella.
— Então você correu?
— Corri sim, senhor.
— Por quê?
— Estava com medo, senhor.
— Medo de quê?
— Sr. Finch, se o senhor fosse negro como eu, também ficaria com medo.
Atticus se sentou. O sr. Gilmer se encaminhou para o banco das testemunhas, mas, antes que ele chegasse lá, o sr. Link
Deas levantou-se na plateia e berrou:
— Quero que todos vocês saibam que esse homem trabalhou para mim por oito anos e nunca deu nenhum problema, por
menor que fosse.
— Cale-se, sr. Deas! — rugiu o juiz Taylor, que estava bem acordado. Também estava muito vermelho. Por milagre, o
charuto não atrapalhou a fala. — Sr. Link Deas — continuou o juiz —, se quer fazer alguma declaração, preste o juramento e
se apresente na hora marcada. Até lá, queira deixar o recito. Entendeu? Saia do recinto já. Não aguento mais ouvir esse caso!
O juiz Taylor lançou olhares irritados para Atticus, como se o desafiasse a dizer alguma coisa, mas Atticus tinha abaixado
a cabeça e disfarçava o riso. Lembrei que uma vez ele me disse que às vezes o juiz Taylor dizia coisas que excediam sua
competência, mas poucos advogados protestavam. Olhei para Jem, que balançou a cabeça.
— É diferente de um jurado se levantar e fazer uma declaração. Acho que nesse caso seria diferente. O sr. Link só estava
perturbando a ordem ou algo assim — avaliou Jem.
O juiz Taylor mandou o estenógrafo apagar tudo o que tivesse anotado depois da frase “Sr. Finch, se o senhor fosse negro
como eu, também ficaria com medo” e disse para os jurados ignorarem a interrupção. Olhou desconfiado para o tribunal e
esperou, imagino, para ter certeza de que o sr. Link Deas tinha saído. Então disse:
— Prossiga, sr. Gilmer.
— Robinson, foi condenado a trinta dias de detenção por perturbação da ordem? — perguntou o sr. Gilmer.
— Sim, senhor.
— Como ficou o outro negro quando terminou a briga?
— Ele ganhou a briga, sr. Gilmer.
— Sim, mas você foi condenado, não foi?
Atticus levantou a cabeça.
— Foi apenas um delito leve e está nos autos do processo, meritíssimo.
Tive a impressão de que Atticus estava cansado.
— Mesmo assim o réu deve responder — observou o juiz Taylor, também com a voz cansada.
— Sim, senhor, peguei trinta dias de detenção.
Eu sabia que o sr. Gilmer queria mostrar aos jurados que quem já tinha sido condenado por perturbação da ordem poderia
facilmente abusar de Mayella Ewell, pois era o único argumento que interessava a ele. E esse tipo de argumento ajudava.
— Robinson, você é bom em cortar armários com machados usando apenas um braço, não é?
— Sim, senhor, acho que sim.
— Tem força para apertar o pescoço de uma mulher até sufocá-la e jogá-la no chão?
— Nunca fiz isso, senhor.
— Mas tem força para fazer, não tem?
— Acho que sim, senhor.
— Estava de olho nela há muito tempo, não estava, rapaz?
— Não, senhor, nunca pus o olho nela.
— Então foi só uma grande gentileza sua cortar tanta lenha e apanhar tanta água, não é?
— Estava só querendo ajudar, senhor.
— Foi muito generoso, já que, quando voltava do trabalho, tinha o que fazer em casa, não?
— Sim, senhor.
— Então por que não foi para casa fazer suas tarefas domésticas em vez de atender o pedido da srta. Ewell?
— Fiz os dois, senhor.
— Deve ter trabalhado muito. Por quê?
— Por que o quê, senhor?
— Por que estava tão disposto a ajudar essa mulher?
Tom Robinson hesitou, buscando uma resposta.
— Parecia que ela não tinha quem ajudasse, como eu disse…
— E o pai e os sete irmãos dela, rapaz?
— Bom, parecia que eles não ajudavam em nada.
— Cortou lenha e fez tudo o mais por pura bondade, rapaz?
— Como disse, tentei ajudar.
O sr. Gilmer deu um sorriso amargo para os jurados.
— Pelo jeito, é uma pessoa muito bondosa. Fez tudo de graça, sem ganhar um centavo?
— Sim, senhor. Tive pena dela, parecia fazer mais do que todos…
— Você teve pena dela? Teve pena dela? — O sr. Gilmer parecia não acreditar no que estava ouvindo.
O réu percebeu o erro e se remexeu na cadeira, desconfortável. Mas o dano estava feito. Na plateia, ninguém gostou da
resposta de Tom Robinson. O sr. Gilmer fez uma longa pausa para que suas palavras fossem assimiladas.
— Em vinte e um de novembro, você estava passando em frente à casa como sempre e ela pediu para você entrar e cortar
um armário?
— Não, senhor.
— Não passou em frente à casa?
— Não, senhor, ela disse que tinha uma coisa para eu fazer na casa…
— Ela disse que pediu para você cortar um armário, não foi?
— Não, senhor.
— Está dizendo que ela mentiu, rapaz?
Atticus levantou-se, mas Tom Robinson não precisou da ajuda dele:
— Não digo que ela está mentindo, sr. Gilmer, estou dizendo que ela se confundiu.
Nas dez perguntas seguintes, enquanto o sr. Gilmer conferia a versão dada por Mayella, o réu continuou insistindo que ela
tinha se confundido.
— O sr. Ewell não pôs você para fora da casa, rapaz?
— Não, senhor, acho que não.
— O que quer dizer com “acho que não”?
— Quero dizer que não fiquei lá tempo suficiente para ele me expulsar.
— Está sendo muito sincero a esse respeito, então por que saiu correndo?
— Eu disse que fiquei com medo, senhor.
— Se tinha a consciência limpa, por que teve medo?
— Já disse, não era seguro para um negro se meter numa encrenca assim…
— Mas você não estava numa encrenca, declarou que resistiu à srta. Ewell. Teve medo que ela o machucasse e correu, um
homem do seu tamanho?
— Não, senhor, tive medo de ir parar no tribunal, exatamente como estou agora.
— Teve medo de ser preso, de responder pelo que fez?
— Não, senhor, de responder pelo que não fiz.
— Está sendo insolente comigo, rapaz?
— Não, senhor, de jeito nenhum.
Foi só o que ouvi das perguntas do sr. Gilmer, pois Jem me obrigou a levar Dill para casa. Por alguma razão Dill tinha
começado a chorar sem parar; no começo, baixinho, depois seus soluços foram ouvidos por várias pessoas no balcão. Jem
disse que se eu não levasse Dill, ele ia me obrigar. E o reverendo Sykes achou melhor eu ir, então fui. Naquele dia, Dill
parecia bem, não parecia haver nada de errado com ele, mas eu achava que talvez não tivesse se recuperado totalmente da
fuga.
— Está se sentindo mal? — perguntei, quando terminamos de descer a escada.
Dill tentou se recompor enquanto descíamos as escadas de fora do tribunal. O sr. Link Deas estava sozinho no alto da
escada.
— Aconteceu alguma coisa, Scout? — perguntou quando passamos por ele.
— Não, senhor — respondi, por cima do ombro.
— Dill não está se sentindo bem.
— Vamos para baixo das árvores. Acho que você está assim por causa do calor — eu disse.
Escolhemos o maior carvalho de todos e nos sentamos embaixo dele.
— Eu não estava mais aguentando ele — disse Dill.
— Ele quem, Tom?
— Não, aquele sr. Gilmer tratando Tom daquele jeito, com tanto ódio…
— Dill, o sr. Gilmer estava fazendo o trabalho dele. Sem os promotores não teríamos advogados de defesa, acho.
Dill deu um suspiro resignado.
— Eu sei, Scout. Foi o jeito de ele falar que me deixou mal, muito mal.
— Ele tinha que agir assim, Dill, estava interrogando…
— Não falou daquele jeito quando…
— Dill, aquelas eram as testemunhas de acusação.
— Bem, o sr. Finch não agiu daquela forma com Mayella e o velho Ewell quando os interrogou. O jeito como ele chamava
Tom de “rapaz”, zombava dele e olhava para os jurados toda vez que ele respondia...
— Bom, Dill, no fim das contas, Tom é apenas um negro.
— Não dou a mínima. Não é direito fazer isso. Ninguém precisa falar daquele jeito… me dá nojo.
— É o jeito do sr. Gilmer. Dill, ele é assim com todo mundo. Você não viu ele tratar alguém mal de verdade. Quando…
bem, hoje parecia que ele não estava se esforçando muito… Os advogados são assim mesmo. Quase todos, quer dizer.
— O sr. Finch não é.
— Ele não serve de exemplo, Dill, ele…
— Estava tentando me lembrar de uma frase perspicaz da srta. Maudie Atkinson.
Consegui: — “Ele é a mesma pessoa no tribunal e na rua.”
— Não foi o que eu quis dizer — disse Dill.
— Eu sei o que você quis dizer, garoto — disse uma voz atrás de nós. Pensamos que a voz vinha da árvore, mas era o sr.
Dolphus Raymond. Ele espiou por trás do tronco e disse:
— Você não é sensível demais, mas fica enojado com essas coisas,
não é?
continua página 144...
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Leia também:
O Sol é para todos: 2ª Parte (19)
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Copyright © 1960 by Harper Lee, renovado em 1988
Copyright da tradução © José Olympio
Título do original em inglês
TO KILL A MOCKINGBIRD
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Um dos romances mais adorados de todos os tempos, O sol é para todos conta a história de duas crianças no árido terreno sulista norte-americano da Grande Depressão no início dos anos 1930.
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