Estamos fugindo de autores densos e profundos como Machado de Assis, Clarice Lispector, Dostoiévski, Joyce, Victor Hugo, Cecília Meireles, Lobo Antunes, Simone de Beauvoir, Saramago, Hannah Arendt, e tantos e tantas mais, preferindo as páginas que nos distraem sem abismos ou labirintos éticos?
Parece-me que sim, mas com a palavra os livreiros e livreiras, afinal, recebem e abastecem a demanda dos leitores em suas livrarias.
Mas vou arriscar alguns pressentimentos superficiais, bacorejos da minha pequena vivência de bibliotecário escolar. Então, isto posto, sigo em frente, o risco faz parte do jogo de viver com livros entre as pessoas e se lançar, vez ou outra, na aventura do papel, lápis e pensamentos confusos – para mim, escrever é a tentativa de organizar minimamente essa confusão.
Não acredito que exista apenas um único argumento para confirmar a tendência desta busca dos leitores e leitoras por livros que distraem ao invés de preferirem livros que nos revelam.
Talvez a resposta possa estar no excesso de estímulos e decisões rápidas que somos provocados e incitados a mergulhar nosso cérebro. Os livros de distração oferecem a dopamina rápida, ativando nosso sistema de recompensa e satisfação com atividades prazerosas, gerando sensação de satisfação e impulsionando a repetição deste comportamento, enquanto a literatura profunda exige um esforço que sentimos não ter energia nem disposição para despender em análises emocionais dos sentimentos de felicidade, descontentamento ou fracasso, por exemplo.
Talvez seja uma fuga existencial frente a verdades desconfortáveis, traumas ou dilemas éticos. Num mundo globalizado de incertezas, usamos a literatura como anestesia, acreditando que evitando o confronto com nossas crises mais íntimas estamos nos protegendo.
Talvez estejamos economizando nossa atenção para plataformas digitais e redes sociais que fragmentam nossa concentração. Literatura densa exige atenção profunda, enquanto o mercado editorial nos oferece o fast food com suas estruturas descomplicadas, entre o bem e o mal, simples e sem as complexidades humanas da nossa existência.
Talvez o mercado editorial reflita que procuramos o autocuidado como uma mercadoria de conforto, evitando o desconforto intelectual na busca do relaxamento imediato em detrimento da transformação pessoal.
A percepção que busca o lucro.
Minha intuição – gostaria muito de estar desacertado e confuso, o que não seria nenhuma novidade – sussurra sem alardes que estamos evitando o silêncio e a solitude da literatura profunda não só dos livros, mas da música, poesia, cinema - não esqueci de citar o teatro, é omissão -, fugimos do espelho da nossa coragem ou covardia.
Parece-me que sim, mas com a palavra os livreiros e livreiras, afinal, recebem e abastecem a demanda dos leitores em suas livrarias.
Mas vou arriscar alguns pressentimentos superficiais, bacorejos da minha pequena vivência de bibliotecário escolar. Então, isto posto, sigo em frente, o risco faz parte do jogo de viver com livros entre as pessoas e se lançar, vez ou outra, na aventura do papel, lápis e pensamentos confusos – para mim, escrever é a tentativa de organizar minimamente essa confusão.
Não acredito que exista apenas um único argumento para confirmar a tendência desta busca dos leitores e leitoras por livros que distraem ao invés de preferirem livros que nos revelam.
Talvez a resposta possa estar no excesso de estímulos e decisões rápidas que somos provocados e incitados a mergulhar nosso cérebro. Os livros de distração oferecem a dopamina rápida, ativando nosso sistema de recompensa e satisfação com atividades prazerosas, gerando sensação de satisfação e impulsionando a repetição deste comportamento, enquanto a literatura profunda exige um esforço que sentimos não ter energia nem disposição para despender em análises emocionais dos sentimentos de felicidade, descontentamento ou fracasso, por exemplo.
Talvez seja uma fuga existencial frente a verdades desconfortáveis, traumas ou dilemas éticos. Num mundo globalizado de incertezas, usamos a literatura como anestesia, acreditando que evitando o confronto com nossas crises mais íntimas estamos nos protegendo.
Talvez estejamos economizando nossa atenção para plataformas digitais e redes sociais que fragmentam nossa concentração. Literatura densa exige atenção profunda, enquanto o mercado editorial nos oferece o fast food com suas estruturas descomplicadas, entre o bem e o mal, simples e sem as complexidades humanas da nossa existência.
Talvez o mercado editorial reflita que procuramos o autocuidado como uma mercadoria de conforto, evitando o desconforto intelectual na busca do relaxamento imediato em detrimento da transformação pessoal.
A percepção que busca o lucro.
Minha intuição – gostaria muito de estar desacertado e confuso, o que não seria nenhuma novidade – sussurra sem alardes que estamos evitando o silêncio e a solitude da literatura profunda não só dos livros, mas da música, poesia, cinema - não esqueci de citar o teatro, é omissão -, fugimos do espelho da nossa coragem ou covardia.
Mas enfim, são pensamentos superficiais assombrados com a exposição de tantos títulos de autoajuda espiritual, sentimental e monetária.
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Escrever a mão / Eleição / Literatura /
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