Simone de Beauvoir
02. A Experiência Vivida
O SEGUNDO SEXO
SlMONE DE BEAUVOIR
SlMONE DE BEAUVOIR
SEGUNDA PARTE
SITUAÇÃO
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CAPÍTULO VI
SITUAÇÃO E CARÁTER DA MULHER
continuando...
Há uma justificação, uma compensação suprema que a sociedade sempre se esforçou por dispensar à mulher: a religião.
É preciso uma religião para as mulheres, como é preciso uma
para o povo, e exatamente pelas mesmas razoes: quando condenam um sexo, uma classe à imanência, é necessário oferecer-lhe
a miragem de uma transcendência. O homem tem toda vantagem em fazer endossar por Deus os códigos que fabrica: e, particularmente, como exerce sobre a mulher uma autoridade soberana é útil que esta lhe seja conferida pelo ser soberano.
Entre os judeus, os maometanos, os cristãos, entre outros, o
homem é senhor por direito divino: o temor a Deus abafará no
oprimido toda veleidade de revolta.
Pode-se apostar em sua
credulidade. A mulher adota em face do universo masculino
uma atitude de respeito e de fé; Deus em seu céu aparece-lhe
menos longínquo do que um ministro e o mistério da gênese nivela-se ao das usinas elétricas. Mas se se entrega assim de bom
grado à religião, é principalmente porque esta vem satisfazer
uma necessidade profunda. Na civilização moderna, que dá certo
valor — mesmo quando se trata da mulher — à liberdade, a
religião apresenta-se muito menos como um instrumento de constrangimento do que como um instrumento de mistificação. O que
se pede à mulher é menos que aceite sua inferioridade em nome
de Deus do que acredite ser, graças a ele, igual ao macho suserano. Suprime-se a própria tentação de uma revolta que pretende
vencer a injustiça. A mulher não é mais frustrada de sua transcendência porque vai destinar sua imanência a Deus; é somente
no céu que se medem os méritos das almas segundo suas realizações terrestres; aqui só há, na expressão de Dostoiewski,
ocupações: engraxar sapatos ou construir uma ponte, tudo é igual
mente vaidade; para além das discriminações sociais, a igualda
de dos sexos é restabelecida. Eis por que a menina e a adolescente mergulham na devoção com um fervor muito maior do que
o de seus irmãos; o olhar de Deus, que transcende sua transcendência humilha o menino: permanecerá sempre uma criança sob
essa tutela poderosa, é uma castração mais radical do que aquela a que se sente ameaçado pela existência do pai. Ao passo
que a "eterna criança" encontra sua salvação nesse olhar que
a metamorfoseia
em uma irmã dos anjos; anula o privilégio do
pênis. Uma fé sincera auxilia muito a menina a evitar todo com
plexo de inferioridade: ela não é macho nem fêmea e sim uma
criatura de Deus. Eis por que encontramos em muitas grandes
santas uma firmeza bem viril: Santa Brígida, Santa Catarina
de Siena pretendiam arrogantemente reger o mundo, não reconheciam nenhuma autoridade masculina: Catarina dirigia mesmo
com dureza seus diretores; Joana d'Arc, Santa Teresa seguiam
seu caminho com uma intrepidez que nenhum homem superou.
A Igreja cuida de que Deus nunca autorize as mulheres a se
subtraírem à tutela dos homens;
colocou exclusivamente em mãos
masculinas estas armas terríveis: recusa de absolvição, excomunhão; obstinada em suas visões, Joana d'Arc foi queimada.
Entretanto, embora submetida à lei dos homens pela própria
vontade de Deus, a mulher encontra nele um sólido recurso contra eles.
A lógica masculina é contestada pelos mistérios; o
orgulho dos homens torna-se um pecado, sua agitação é não somente absurda mas culpada: por que refazer, remodelar este
mundo que Deus criou? A passividade a que a mulher é votada
é santificada. Debulhando o rosário junto à lareira, sente-se ela
mais próxima do céu do que o marido, que participa de comícios
políticos.
Não é preciso fazer nada para salvar a alma, basta
viver sem desobedecer. Consuma-se a síntese da vida e do espírito: a mãe não engendra apenas uma carne, dá a Deus uma
alma; é uma obra mais elevada do que descobrir os segredos
fúteis do átomo. Com a cumplicidade do pai celeste, a mulher
pode reivindicar altivamente a glória de sua feminilidade.
Não somente Deus restabelece, assim, o sexo feminino em
geral em sua dignidade, como ainda cada mulher desta maneira
encontra na celeste ausência um apoio singular; enquanto pessoa
humana, ela não pesa muito; mas, desde que age em nome de
uma inspiração divina, suas vontades tornam-se sagradas. Mme
Guyon diz que aprendeu, a propósito da doença de uma religiosa,
"o que era comandar pelo Verbo e obedecer pelo mesmo Verbo";
assim a devota mascara de obediência humilde sua autoridade;
educando os filhos, dirigindo um convento, organizando uma
obra, é apenas um instrumento dócil em mãos sobrenaturais;
não se pode desobedecer-lhe sem ofender a Deus. Por certo
os homens não desdenham tampouco um tal apoio; mas este não é
muito sólido quando enfrentam semelhantes que o podem também
reivindicar: o conflito resolve-se finalmente num plano humano.
A mulher invoca a vontade divina para justificar absolutamente
sua autoridade aos olhos dos que já lhe são naturalmente subordinados, para justificá-la aos próprios olhos. Se essa cooperação
lhe é tão útil é porque ela se ocupa principalmente de suas relações consigo mesma — ainda que essas relações interessem a
outrem: é somente nesses debates interiores que o silêncio supremo pode ter força de lei. Em verdade, a mulher vale-se da
religião como pretexto para satisfazer seus desejos. Fria, masoquista, sádica, santifica-se renunciando à carne, fazendo-se de
vítima, abafando em si qualquer impulso vital; mutilando-se, aniquilando-se, sobe na hierarquia dos eleitos; quando martiriza marido e filhos, privando-os de toda felicidade terrestre, prepara-lhes
um lugar especial no paraíso; Margarida de Cortona "para se punir de ter pecado", dizem-no seus dois biógrafos, maltrata o
filho de seu erro: só lhe dava comida depois de ter alimentado
todos os mendigos; o ódio do filho não desejado é, como vimos,
frequente: é uma dádiva poder entregar-se a ele com um ardor
virtuoso. Por seu lado, uma mulher de moral pouco rigorosa
arranja-se comodamente com Deus; a certeza de ser um dia redimida do pecado pela absolvição ajuda muitas vezes a mulher
piedosa a vencer seus escrúpulos. Que tenha escolhido o ascetismo ou a sensualidade, o orgulho ou a humildade, a preocupação que tem de sua salvação encoraja-a a entregar-se a esse prazer que sobrepõe a todos: ocupar-se de si; escuta os movimentos
do coração, espia os frêmitos de sua carne, justificada pela presença nela da graça, como a mulher grávida pela de seu fruto.
Não somente se examina com terna vigilância, como ainda revela-se a seu confessor; em tempos idos podia mesmo gozar a embriaguez das confissões públicas. Contam-nos que Margarida de
Cortona, para se punir de um impulso de vaidade, subiu ao terraço de sua casa e pôs-se a dar berros como uma parturiente:
"Levantai-vos, habitantes de Cortona, levantai-vos com círios e
lanternas e saí para ouvirdes a pecadora!" Enumerava todos
os seus pecados clamando sua miséria aos céus. Com essa rui
dosa humildade, satisfazia essa necessidade de exibicionismo de
que se encontram tantos exemplos nas mulheres narcisistas. A
religião autoriza na mulher a complacência para consigo mesma;
dá-lhe o guia, o pai, o amante, a divindade tutelar de que ela
tem nostálgica necessidade, alimenta-lhe os devaneios, ocupa-lhe
as horas vazias.
Mas, principalmente, confirma a ordem do
mundo, justifica a resignação dando a esperança de um futuro
melhor em um céu assexuado. Eis por que as mulheres são ainda
hoje um trunfo tão poderoso nas mãos da Igreja; eis por que a
Igreja é tão hostil a qualquer medida suscetível de facilitar a
emancipação da mulher. É preciso uma religião para as mulheres: é preciso mulheres, "mulheres de verdade" para perpetuarem a religião.
Vê-se que o conjunto do "caráter" da mulher — convicções,
valores, sabedoria, moral, gostos e condutas — se explica pela
sua situação. O fato de sua transcendência lhe ser recusada,
interdita-lhe normalmente o acesso às mais elevadas atitudes humanas: heroísmo, revolta, desprendimento, invenção, criação; mas,
mesmo entre os homens, elas não são tão comuns. Há muitos
homens que, como a mulher, se confinam no terreno do intermediário, do meio inessencial; o operário evade-se pela ação política, exprimindo uma vontade revolucionária, mas os homens das
classes que precisamente chamamos "classes médias" instalam--se deliberadamente nesse meio inessencial; destinados como a
mulher à repetição das tarefas quotidianas, alienados em valores
convencionais, respeitosos da opinião e procurando apenas um
vago conforto na terra, o empregado, o comerciante, o burocrata,
não detêm nenhuma superioridade sobre suas companheiras;
cozinhando, lavando, dirigindo a casa, educando os filhos, ela,
a companheira, manifesta mais iniciativa e independência do que
o homem escravizado a palavras de ordem; ele deve obedecer o
dia inteiro a seus superiores, usar colarinho e afirmar sua posição social; ela pode arrastar-se de roupão pelo apartamento,
cantar, rir com as vizinhas; age como bem entende, corre pequenos
riscos, procura alcançar eficientemente certos resultados. Vive
muito menos do que o marido dentro de convenções e de aparência. O universo burocrático que Kafka — entre outras coisas
— descreveu, esse universo de cerimônias, de gestos absurdos,
de condutas sem objetivo, é essencialmente masculino; ela está
muito mais em contato com a realidade. Quando acaba de
alinhar cifras ou de converter latas de sardinha em dinheiro, só
aprendeu abstrações; a criança alimentada no berço, a roupa
limpa, o assado são bens mais tangíveis; entretanto, como na
perseguição concreta desses fins ela experimenta a contingência
deles — e correlativamente sua própria contingência — ocorre
muitas vezes que não se aliene neles; permanece disponível. As
empresas do homem são a um tempo projetos e fugas: ele se
deixa devorar pela carreira, pela sua personagem; é amiúde
importante, sério; contestando a lógica e a moral masculinas,
ela não cai nessas armadilhas: é o que Stendhal tanto apreciava
nela; não elide no orgulho a ambiguidade de sua condição;
não se esconde atrás da máscara da dignidade humana; descobre com mais sinceridade seus pensamentos indisciplinados, suas
emoções, suas reações espontâneas. Eis por que sua conversa é
muito menos tediosa do que a do marido, desde que fale em
seu próprio nome e não como leal metade de seu senhor. Ele
enuncia ideias ditas gerais, isto é, palavras, fórmulas que se encontram nas colunas de seu jornal ou em obras especializadas; ela
oferece uma experiência limitada mas concreta. A famosa "sensibilidade feminina" participa um pouco do mito, um pouco da
comédia; mas o fato é, também, que a mulher se mostra mais
atenta do que o homem a si mesma e ao mundo. Sexualmente,
vive num clima masculino, que é áspero: tem como compensação o gosto das "coisas bonitas", o que pode engendrar certo pieguismo mas igualmente delicadeza. Como seu domínio é limitado, os objetos que alcança parecem-lhe preciosos: não os encerrando em conceitos, nem em projetos, desvenda-lhes as riquezas;
seu desejo de evasão exprime-se em seu gosto pela festa; encanta-se com a gratuidade de um ramalhete de flores, de um bolo,
de uma mesa bem posta; compraz-se em transformar o vazio de
seus lazeres em uma oferenda generosa; amando os risos, as
canções, os enfeites, os bibelôs, está disposta a acolher tudo o
que palpita ao redor dela: o espetáculo da rua, o do céu, um
convite, um passeio abrem-lhe novos horizontes. O homem, muitas vezes, recusa-se a participar desses prazeres; quando volta para
casa as vozes alegres calam-se, as mulheres da família exibem o ar
aborrecido e decente que ele espera delas. Do seio da solidão, da
separação, a mulher tira o sentido da singularidade de sua vida:
tem do passado, da morte, do correr do tempo, uma experiência
mais íntima que o homem; interessa-se pelas aventuras de seu coração, de sua carne, de seu espírito, porque sabe que não tem na terra outro quinhão; e também, por ser passiva, sofre a realidade que
a submerge de maneira mais apaixonada, mais patética do que o
indivíduo absorvido por uma ambição, por um ofício; tem o
lazer e o gosto de se entregar a suas emoções, de estudar suas
sensações e entender-lhes o sentido.
Quando sua imaginação
não se perde em devaneios vãos, torna-se simpatia: ela procura
compreender os outros em sua singularidade e recriá-los em si;
é capaz de uma verdadeira identificação com o marido ou com
o amante: faz seus os projetos e as preocupações dele, de uma
maneira que ele não poderia imitar. Presta uma atenção ansiosa ao mundo inteiro, que se lhe apresenta como um enigma: cada
ser, cada objeto pode ser uma resposta; ela interroga avidamente.
Quando envelhece, sua espera desiludida converte-se em ironia e
num cinismo amiúde saboroso; recusa as mistificações masculinas, vê o inverso contingente, absurdo, gratuito do imponente edifício construído pelos homens.
Sua dependência proíbe-lhe o
desprendimento; mas ela haure, por vezes, da dedicação que
lhe é imposta, uma verdadeira generosidade; esquece-se em favor
do marido, do amante, do filho, deixa de pensar em si, é toda
oferenda, dom. Sendo mal adaptada à sociedade dos homens,
e frequentemente obrigada a inventar ela própria suas condutas;
pode contentar-se menos com receitas, com clichês; se tem boa
vontade, há nela uma inquietação mais próxima da autenticidade
do que a segurança importante do esposo.
Mas ela só terá esses privilégios sobre o homem sob a condição de rechaçar as mistificações que ele lhe propõe. Nas classes
superiores, as mulheres fazem-se ardentemente cúmplices de seus
senhores porque desejam aproveitar-se dos benefícios que eles lhes
asseguram. Vimos que as grandes burguesas, as aristocratas sempre defenderam seus interesses de classe mais obstinadamente
ainda do que seus maridos: não hesitam em sacrificar a esses
interesses sua autonomia de ser humano; abafam em si todo
pensamento, todo juízo crítico, todo impulso espontâneo; repetem
como papagaios as opiniões aceitas, confundem-se com o ideal
que o código masculino lhes impõe; em seu coração, em seu
rosto mesmo, toda sinceridade morre. A dona de casa reencontra uma independência em seu trabalho, no cuidado dos filhos;
tira disto uma experiência limitada mas concreta: a que se "serve" não tem mais nenhum domínio sobre o mundo; vive no
sonho e na abstração, no vazio. Ela ignora o alcance das ideias
que proclama; as palavras que enuncia perderam em sua boca
qualquer sentido; o financista, o industrial, até o general, por
vezes, assumem fadigas, preocupações, riscos; compram seus privilégios mediante operações injustas, mas pelo menos se expõem;
suas mulheres, em troca de tudo o que recebem, não dão nada,
não fazem nada; e acreditam com uma fé tanto mais cega em
seus direitos imprescritíveis. Sua arrogância vã, sua incapacidade radical, sua ignorância obstinada fazem delas os seres mais
inúteis, mais nulos que produziu a espécie humana.
É pois tão absurdo falar da "mulher" em geral como do
"homem" eterno. E compreende-se por que todas as comparações com que se esforçam por decidir se a mulher é superior,
inferior ou igual ao homem são inúteis: as situações são profundamente diferentes.
Confrontando-se tais situações, faz-se evidente que a do homem é infinitamente preferível, isto é, ele tem
muito mais possibilidades concretas de projetar sua liberdade no
mundo; disso resulta necessariamente que as realizações masculinas são de longe mais importantes que as das mulheres; a
estas é quase proibido fazer alguma coisa. Entretanto, confrontar o uso que em seus limites os homens e as mulheres fazem
de sua liberdade é a priori uma tentativa desprovida de sentido,
posto que, precisamente, eles a empregam livremente. Sob for
mas diversas, as armadilhas da má-fé, as mistificações da seriedade ameaçam-nos a uns como a outros; a liberdade se encontra inteira em cada um. Somente como permanece abstrata e
vazia na mulher, esta só poderia assumir-se autenticamente na revolta: é o único caminho aberto aos que não têm a possibilidade
de construir o que quer que seja; cumpre-lhes recusar os limites
de sua situação e procurar abrir para si os caminhos do futuro;
a resignação não passa de uma demissão e de uma fuga; não
há, para a mulher, outra saída senão a de trabalhar pela sua
libertação.
Essa libertação só pode ser coletiva e exige, antes de tudo,
que se acabe a evolução econômica da condição feminina. Entre
tanto, houve, há ainda, numerosas mulheres que buscam solitariamente realizar sua salvação individual. Tentam justificar sua
existência no seio de sua imanência, isto é, realizar a transcendência na imanência. É este último esforço — por vezes ridículo, por
vezes patético — da mulher encarcerada para converter sua prisão em um céu de glória, sua servidão em liberdade soberana,
que encontramos na narcisista, na amorosa, na mística.
continua página 394...
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O Segundo Sexo. 2. A Experiência vivida
2.a Ed. Tradução de Sergio Milliet. Capa de Fernando Lemos. Título do original: L'EXPÉRIENCE VÉCUE. 1967.
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Leia também:
O Segundo Sexo - 01. Fatos e Mitos: que é uma mulher?
O Segundo Sexo - 02. A Experiência Vivida: Capítulo I - Infância (1)
O Segundo Sexo - 02. A Experiência Vivida: Capítulo II - A Moça (1)
O Segundo Sexo - 02. A Experiência Vivida: Capítulo III - A Iniciação Sexual (1)
O Segundo Sexo - 02. A Experiência Vivida: Capítulo IV - A Lésbica (1)
O Segundo Sexo - 02. Situação: Capítulo I - A Mulher Casada (1)
O Segundo Sexo - 01. Fatos e Mitos: que é uma mulher?
O Segundo Sexo - 02. A Experiência Vivida: Capítulo I - Infância (1)
O Segundo Sexo - 02. A Experiência Vivida: Capítulo II - A Moça (1)
O Segundo Sexo - 02. A Experiência Vivida: Capítulo III - A Iniciação Sexual (1)
O Segundo Sexo - 02. A Experiência Vivida: Capítulo IV - A Lésbica (1)
O Segundo Sexo - 02. Situação: Capítulo I - A Mulher Casada (1)
O Segundo Sexo - 02. Situação: Capítulo VI - Situação e caráter da mulher (5)
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Neste volume complementar de O SEGUNDO SEXO, Simone de Beauvoir, constatando a realidade ainda imediata do prestígio viril, estuda cuidadosamente o destino tradicional da mulher, as circunstâncias do aprendizado de sua condição feminina, o estreito universo em que está encerrada e as evasões que, dentro dele, lhe são permitidas. Somente depois de feito o balanço dessa pesada herança do passado, poderá a mulher forjar um outro futuro, uma outra sociedade em que o ganha--pão, a segurança econômica, o prestígio ou desprestígio social nada tenham a ver com o comércio sexual. É a proposta de uma libertação necessária não só para a mulher como para o homem. Porque este, por uma verdadeira dialética de senhor e servo, é corroído pela preocupação de se mostrar macho, importante, superior, desperdiça tempo e forcas para temer e seduzir as mulheres, obstinando-se nas mistificações destinadas a manter a mulher acorrentada.
Os dois sexos são vítimas ao mesmo tempo do outro e de si. Perpetuar-se-á o inglório duelo em que se empenham enquanto homens e mulheres não se reconhecerem como semelhantes, enquanto persistir o mito do "eterno feminino". Libertada a mulher, libertar-se-á também o homem da opressão que para ela forjou; e entre dois adversários enfrentando-se em sua pura liberdade, fácil será encontrar um acordo.
O SEGUNDO SEXO, de Simone de Beauvoir, é obra indispensável a todo o ser humano que, dentro da condição feminina ou masculina, queira afirmar-se autêntico nesta época de transição de costumes e sentimentos.
"O que é uma mulher?"
POR QUE LER 'O SEGUNDO SEXO' DE SIMONE DE BEAUVOIR? | Filosofia | Thaís Lima #03
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