Tradução: Alexandre Hubner e Heloisa Jahn
Parte 1
1.
Era um dia frio e luminoso de abril, e os relógios davam treze horas. Winston Smith, queixo enfiado no peito no esforço de esquivar-se do vento cruel, passou depressa pelas portas de vidro das Mansões Victory, mas não tão depressa que evitasse a entrada de uma lufada de poeira arenosa junto com ele.
O vestíbulo cheirava a repolho cozido e a velhos capachos de pano
trançado. Numa das extremidades, um pôster colorido, grande demais para
ambientes fechados, estava pregado na parede. Mostrava simplesmente um
rosto enorme, com mais de um metro de largura: o rosto de um homem de
uns quarenta e cinco anos, de bigodão preto e feições rudemente agradáveis.
Winston avançou para a escada. Não adiantava tentar o elevador. Mesmo
quando tudo ia bem, era raro que funcionasse, e agora a eletricidade
permanecia cortada enquanto houvesse luz natural. Era parte do esforço de
economia durante os preparativos para a Semana do Ódio. O apartamento
ficava no sétimo andar e Winston, com seus trinta e nove anos e sua úlcera
varicosa acima do tornozelo direito, subiu devagar, parando para descansar
várias vezes durante o trajeto. Em todos os patamares, diante da porta do
elevador, o pôster com o rosto enorme fitava-o da parede. Era uma dessas
pinturas realizadas de modo a que os olhos o acompanhem sempre que você
se move. O GRANDE IRMÃO ESTÁ DE OLHO EM VOCÊ, dizia o letreiro, embaixo.
No interior do apartamento, uma voz agradável lia alto uma relação de
cifras que de alguma forma dizia respeito à produção de ferro-gusa. A voz
saía de uma placa oblonga de metal semelhante a um espelho fosco,
integrada à superfície da parede da direita. Winston girou um interruptor e a
voz diminuiu um pouco, embora as palavras continuassem inteligíveis. O
volume do instrumento (chamava-se teletela) podia ser regulado, mas não
havia como desligá-lo completamente. Winston foi para junto da janela: o
macacão azul usado como uniforme do Partido não fazia mais que enfatizar
a magreza de seu corpo frágil, miúdo. Seu cabelo era muito claro, o rosto
naturalmente sanguíneo, a pele áspera por causa do sabão ordinário, das
navalhas cegas e do frio do inverno que pouco antes chegara ao fim.
Fora, mesmo visto através da vidraça fechada, o mundo parecia frio. Lá embaixo, na rua, pequenos rodamoinhos de vento formavam espirais de poeira e papel picado e, embora o sol brilhasse e o céu fosse de um azul áspero, a impressão que se tinha era de que não havia cor em coisa alguma a não ser nos pôsteres colados por toda parte. Não havia lugar de destaque que não ostentasse aquele rosto de bigode negro a olhar para baixo. Na fachada da casa logo do outro lado da rua, via-se um deles. o GRANDE IRMÃO ESTÁ DE OLHO EM VOCÊ, dizia o letreiro, enquanto os olhos escuros pareciam perfurar os de Winston. Embaixo, no nível da rua, outro pôster, esse com um dos cantos rasgado, adejava operosamente ao vento, ora encobrindo, ora expondo uma palavra solitária: Socing. Ao longe, um helicóptero, voando baixo sobre os telhados, pairou um instante como uma libélula e voltou a afastar-se a grande velocidade, fazendo uma curva. Era a patrulha policial, bisbilhotando pelas janelas das pessoas. As patrulhas, contudo, não eram um problema. O único problema era a Polícia das Ideias.
Fora, mesmo visto através da vidraça fechada, o mundo parecia frio. Lá embaixo, na rua, pequenos rodamoinhos de vento formavam espirais de poeira e papel picado e, embora o sol brilhasse e o céu fosse de um azul áspero, a impressão que se tinha era de que não havia cor em coisa alguma a não ser nos pôsteres colados por toda parte. Não havia lugar de destaque que não ostentasse aquele rosto de bigode negro a olhar para baixo. Na fachada da casa logo do outro lado da rua, via-se um deles. o GRANDE IRMÃO ESTÁ DE OLHO EM VOCÊ, dizia o letreiro, enquanto os olhos escuros pareciam perfurar os de Winston. Embaixo, no nível da rua, outro pôster, esse com um dos cantos rasgado, adejava operosamente ao vento, ora encobrindo, ora expondo uma palavra solitária: Socing. Ao longe, um helicóptero, voando baixo sobre os telhados, pairou um instante como uma libélula e voltou a afastar-se a grande velocidade, fazendo uma curva. Era a patrulha policial, bisbilhotando pelas janelas das pessoas. As patrulhas, contudo, não eram um problema. O único problema era a Polícia das Ideias.
Por trás de Winston, a voz da teletela continuava sua lenga-lenga
infinita sobre o ferro-gusa e o total cumprimento — com folga — das metas
do Nono Plano Trienal. A teletela recebia e transmitia simultaneamente.
Todo som produzido por Winston que ultrapassasse o nível de um sussurro
muito discreto seria captado por ela; mais: enquanto Winston permanecesse
no campo de visão enquadrado pela placa de metal, além de ouvido também
poderia ser visto. Claro, não havia como saber se você estava sendo
observado num momento específico. Tentar adivinhar o sistema utilizado
pela Polícia das Ideias para conectar-se a cada aparelho individual ou a
frequência com que o fazia não passava de especulação. Era possível
inclusive que ela controlasse todo mundo o tempo todo. Fosse como fosse,
uma coisa era certa: tinha meios de conectar-se a seu aparelho sempre que
quisesse. Você era obrigado a viver — e vivia, em decorrência do hábito
transformado em instinto — acreditando que todo som que fizesse seria
ouvido e, se a escuridão não fosse completa, todo movimento examinado
meticulosamente.
Winston mantinha as costas voltadas para a teletela. Era mais seguro;
contudo, como sabia muito bem, mesmo as costas de uma pessoa podem ser
reveladoras. A um quilômetro de distância, o Ministério da Verdade, onde ele
trabalhava, erguia-se vasto e branco por sobre a paisagem encardida. Aquela,
pensou com uma espécie de contrariedade difusa, aquela era Londres,
principal cidade da Faixa Aérea Um, terceira mais populosa das províncias da
Oceania. Tentou localizar alguma lembrança de infância que lhe dissesse se
Londres sempre fora assim. Será que sempre houvera aquele cenário de
casas do século XIX caindo aos pedaços, paredes laterais escoradas com
vigas de madeira, janelas remendadas com papelão, telhados reforçados com
chapas de ferro corrugado, decrépitos muros de jardins adernando em todas
as direções? E os lugares bombardeados, onde o pó de gesso dançava no ar e
a salgueirinha crescia e se espalhava sobre as pilhas de entulho? E os locais
onde as bombas haviam aberto clareiras maiores e onde tinham brotado
colônias sórdidas de cabanas de madeira que mais pareciam galinheiros? Não
adiantava, ele não conseguia se lembrar. Tudo o que lhe ficara da infância
era uma série de tableaux superiluminados, desprovidos de paisagem de
fundo e quase sempre ininteligíveis.
O Ministério da Verdade — Miniver, em Novafala* — era
extraordinariamente diferente de todos os outros objetos à vista. Era uma
enorme estrutura piramidal de concreto branco cintilante, erguendo-se,
terraço após terraço, trezentos metros espaço acima. Do lugar onde Winston
estava mal dava para ler, escarvados na parede branca em letras elegantes,
os três slogans do Partido:
GUERRA É PAZ
LIBERDADE É ESCRAVIDÃO
IGNORÂNCIA É FORÇA
Comentava-se que o Ministério da Verdade continha três mil salas acima
do nível do solo e ramificações equivalentes abaixo. Em Londres havia
somente três outros edifícios de aparência e dimensões equivalentes. Eles
tinham o efeito de reduzir tão drasticamente a arquitetura circundante que
do telhado das Mansões Victory era possível avistar os quatro ao mesmo
tempo. Eram as sedes dos quatro ministérios entre os quais se dividia a
totalidade do aparato governamental. O Ministério da Verdade, responsável
por notícias, entretenimento, educação e belas-artes. O Ministério da Paz,
responsável pela guerra. O Ministério do Amor, ao qual cabia manter a lei e a
ordem. E o Ministério da Pujança, responsável pelas questões econômicas.
Seus nomes, em Novafala: Miniver, Minipaz, Minamor e Minipuja.
Desses, o realmente apavorante era o Ministério do Amor. O edifício não
tinha nenhuma janela. Winston nunca entrara no Ministério do Amor,
nunca chegara nem a meio quilômetro de distância. Era impossível entrar no
prédio sem uma justificativa oficial, e mesmo nesses casos só transpondo
um labirinto de novelos de arame farpado, portas de aço e ninhos ocultos de
metralhadora. Mesmo as ruas que levavam até as barreiras externas eram
percorridas por guardas com cara de gorila vestindo fardas negras e armados
de cassetetes articulados.
Winston virou-se abruptamente. Compusera a própria fisionomia de
modo a ostentar a expressão de tranquilo otimismo que convinha ter no
rosto sempre que se encarasse a teletela. Atravessou a sala e entrou na
minúscula cozinha. Para poder sair do Ministério naquele horário, sacrificara
o almoço na cantina; sabia que o único alimento existente na cozinha era
um naco de pão escuro que só seria consumido no café da manhã do dia
seguinte. Tirou da prateleira uma garrafa de líquido incolor com uma simples
etiqueta branca onde se lia GIM VICTORY. A bebida exalava um odor oleoso
enjoativo semelhante ao da aguardente de arroz dos chineses. Winston
serviu-se de pouco menos de uma xícara de chá, preparou-se para o impacto
e engoliu o líquido como quem toma uma dose de remédio.
No mesmo instante seu rosto ficou rubro e lágrimas começaram a escorrer-lhe dos olhos. A substância parecia ácido nítrico e ao engoli-la a pessoa tinha a sensação de receber um golpe de cassetete na nuca. Logo em seguida, porém, a ardência no ventre esmoreceu e o mundo começou a parecer mais prazeroso. Tirou um cigarro de um maço amarrotado onde estava escrito CIGARROS VICTORY e imprudentemente segurou-o na vertical, o que fez com que o recheio de tabaco caísse ao chão. Na tentativa seguinte teve mais sorte. Voltou para a sala de estar e sentou-se junto a uma mesinha que ficava à esquerda da teletela. Abriu a gaveta da mesa e tirou um porta-penas, um vidro de tinta e um caderno grosso, formato in quarto, sem nada escrito, de lombada vermelha e capa marmorizada.
Por alguma razão, a teletela da sala de estar ocupava uma posição atípica. Em vez de estar instalada, como de hábito, na parede do fundo, de onde podia controlar a sala inteira, ficava na parede mais longa, oposta à janela. Em um de seus lados havia uma reentrância pouco profunda na qual Winston estava agora instalado e que na época da construção dos apartamentos provavelmente se destinava a abrigar uma estante de livros. Sentando-se na reentrância e permanecendo bem ao fundo, Winston conseguia ficar fora do alcance da teletela, pelo menos no que dizia respeito à visão. Podia ser ouvido, claro, mas enquanto se mantivesse naquela posição não podia ser visto. Em parte fora a topografia pouco usual do aposento que lhe dera a ideia de fazer a coisa que estava prestes a fazer.
No mesmo instante seu rosto ficou rubro e lágrimas começaram a escorrer-lhe dos olhos. A substância parecia ácido nítrico e ao engoli-la a pessoa tinha a sensação de receber um golpe de cassetete na nuca. Logo em seguida, porém, a ardência no ventre esmoreceu e o mundo começou a parecer mais prazeroso. Tirou um cigarro de um maço amarrotado onde estava escrito CIGARROS VICTORY e imprudentemente segurou-o na vertical, o que fez com que o recheio de tabaco caísse ao chão. Na tentativa seguinte teve mais sorte. Voltou para a sala de estar e sentou-se junto a uma mesinha que ficava à esquerda da teletela. Abriu a gaveta da mesa e tirou um porta-penas, um vidro de tinta e um caderno grosso, formato in quarto, sem nada escrito, de lombada vermelha e capa marmorizada.
Por alguma razão, a teletela da sala de estar ocupava uma posição atípica. Em vez de estar instalada, como de hábito, na parede do fundo, de onde podia controlar a sala inteira, ficava na parede mais longa, oposta à janela. Em um de seus lados havia uma reentrância pouco profunda na qual Winston estava agora instalado e que na época da construção dos apartamentos provavelmente se destinava a abrigar uma estante de livros. Sentando-se na reentrância e permanecendo bem ao fundo, Winston conseguia ficar fora do alcance da teletela, pelo menos no que dizia respeito à visão. Podia ser ouvido, claro, mas enquanto se mantivesse naquela posição não podia ser visto. Em parte fora a topografia pouco usual do aposento que lhe dera a ideia de fazer a coisa que estava prestes a fazer.
Mas essa coisa também lhe fora sugerida pelo caderno que acabara de
tirar da gaveta. Era um caderno singularmente bonito. Seu papel acetinado,
cor de creme, um pouco amarelecido pela idade, era de um tipo que já não se
fabricava havia pelo menos quarenta anos. Dava para imaginar, porém, que o
caderno era muito mais velho do que isso. Vira-o exposto na vitrine de uma
lojinha de badulaques desmazelada de um setor miserável da cidade (qual
setor, exatamente, já não se recordava) e fora no mesmo instante tomado
pelo desejo avassalador de possuí-lo. Supunha-se que os membros do Partido
não frequentassem estabelecimentos comerciais comuns (“dedicados ao
livre comércio”, diziam), mas a regra não era obedecida com rigor porque
havia diversas coisas, por exemplo cadarço de sapato e lâmina de barbear,
impossíveis de serem obtidas de outra forma. Depois de olhar rapidamente
para os dois lados da rua, Winston se enfiara na loja e comprara o caderno
por dois dólares e meio. Na ocasião, não tinha consciência de querê-lo para
alguma coisa específica. Cheio de culpa, levara-o para casa dentro da pasta.
Mesmo sem nada escrito nele, aquele era um bem comprometedor.
A coisa que estava prestes a fazer era começar um diário. Não que isso
fosse ilegal (nada era ilegal, visto que já não existiam leis), mas se o fato
fosse descoberto era praticamente certo que o punissem com a morte ou
com pelo menos vinte e cinco anos de prisão em algum campo de trabalhos
forçados. Winston encaixou uma pena no porta-penas e chupou-a para
remover a graxa. A pena era um instrumento arcaico, pouco usado inclusive
para assinaturas, e ele obtivera aquela, furtivamente e com alguma
dificuldade, só por ter sentido que o belo papel creme merecia que
escrevessem nele com uma pena de verdade, em vez de ser rabiscado com
lápis-tinta. Na verdade, Winston não estava habituado a escrever a mão.
Exceto no caso de um ou outro bilhete muito curto, o hábito era ditar tudo ao
ditógrafo, o que, evidentemente, não se aplicava à circunstância presente.
Mergulhou a caneta na tinta e vacilou por um segundo. Suas entranhas
foram percorridas por um estremecimento. Marcar o papel era o ato decisivo.
Em letras miúdas, desajeitadas, escreveu:
4 de abril de 1984.
Recostou-se na cadeira. Estava possuído por uma sensação de absoluto
desamparo. Para começar, não sabia com certeza se estava mesmo em 1984.
Devia ser por aí, visto que estava seguro de ter trinta e nove anos e
acreditava ter nascido em 1944 ou 1945; mas nos tempos que corriam era
impossível precisar uma data sem uma margem de erro de um ou dois anos.
Para quem, ocorreu-lhe perguntar-se de repente, estava escrevendo
aquele diário? Para o futuro, para os não nascidos. Sua mente deu voltas por
um momento em torno da data duvidosa na página, depois, com um
solavanco, colidiu com um termo em Novafala: duplipensamento. Pela
primeira vez deu-se conta da dimensão de seu projeto. Como fazer para
comunicar-se com o futuro? Era algo impossível por natureza. Ou bem o
futuro seria semelhante ao presente e não daria ouvidos ao que ele queria
lhe dizer, ou bem seria diferente e sua iniciativa não faria sentido.
Ficou sentado por algum tempo contemplando estupidamente o papel. A
teletela passara a transmitir uma música militar estridente. Estranho,
parecia não apenas ter perdido a capacidade de se expressar, como inclusive
ter esquecido o que originalmente pretendia dizer. Durante semanas se
preparara para aquele momento e jamais lhe passara pela cabeça que
pudesse ter necessidade de alguma outra coisa que não coragem. Escrever,
em si, seria fácil. Bastava transferir para o papel o monólogo infinito e
incansável que ocupava o interior de sua cabeça havia anos, literalmente.
Naquele momento, porém, mesmo o monólogo estancara. Para rematar, sua
úlcera varicosa começara a comichar, uma coisa torturante. Não ousava
coçar-se, porque sempre que fazia isso a úlcera inflamava. Os segundos se
sucediam. Só estava consciente da página vazia diante dele, da comichão na
pele acima do tornozelo, do clangor da música e de uma leve tontura
provocada pelo gim.
De repente começou a escrever de puro pânico, percebendo apenas de modo impreciso o que ia anotando. Sua letra miúda, infantil, se espalhava pela página em linhas incertas, abandonando primeiro as maiúsculas, depois até mesmo os pontos finais.
De repente começou a escrever de puro pânico, percebendo apenas de modo impreciso o que ia anotando. Sua letra miúda, infantil, se espalhava pela página em linhas incertas, abandonando primeiro as maiúsculas, depois até mesmo os pontos finais.
4 de abril de 1984. Ontem à noite cineminha. Só filme de guerra. Um muito bom do bombardeio de um navio cheio de refugiados em algum lugar do Mediterrâneo. Público achando muita graça nos tiros dados num gordão que tentava nadar para longe perseguido por um helicóptero. primeiro ele aparecia chafurdando na água como um golfinho, depois já estava todo esburacado e o mar em volta ficou rosa e ele afundou tão de repente que parecia que a água tinha entrado pelos buracos. público urrando de tanto rir quando ele afundou. depois aparecia um bote salva vidas cheio de crianças com um helicóptero pairando logo acima. tinha uma mulher de meia-idade talvez uma judia sentada na proa com um garoto de uns três anos no colo. garoto chorando de medo e escondendo a cabeça entre os seios dela como se tentasse se enterrar nela e a mulher envolvendo o garoto com os braços e tentando acalmá-lo só que ela mesma estava morta de medo, e o tempo todo cobria o garoto o máximo possível como se achasse que seus braços iam conseguir protegê-lo das balas. aí o helicóptero largou uma bomba de vinte quilos bem no meio deles clarão terrível e o bote virou um monte de gravetos. depois uma tomada sensacional de um braço de criança subindo subindo pelo ar um helicóptero com uma câmera no nariz deve ter acompanhado o braço subindo e muita gente aplaudiu nos assentos do partido mas uma mulher sentada no meio dos proletas de repente começou a criar caso e a gritar que eles não tinham nada que mostrar aquilo não na frente das crianças não deviam não era direito não na frente das crianças não era até que a polícia botou ela botou pra fora acho que não aconteceu nada com ela ninguém dá a mínima para o que os proletas falam típica reação de proleta eles nunca...
Winston parou de escrever, em parte porque estava com cãibra. Não
sabia o que o levara a derramar aquela torrente de idiotices. Mas o estranho
era que enquanto ele fazia aquilo uma lembrança completamente diferente
se definira em sua mente, a tal ponto que quase decidira registrá-la. Fora por
causa desse outro incidente, percebia agora, que tomara a decisão repentina
de ir para casa e começar o diário.
continua na página 16...
continua na página 16...
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Parte 1.1a ( Era um dia frio e luminoso de abril) /
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George Orwell (pseudônimo de Eric Arthur Blair) nasceu em 25 de junho de 1903, na Índia. Com menos de um ano de idade, o escritor foi morar na Inglaterra, onde estudou no Eton College. Mais tarde, trabalhou na Polícia Imperial Indiana, na Birmânia, e, também, lutou na Guerra Civil Espanhola, ao lado dos republicanos.
Foi apenas em 1945 que o autor teve sucesso em sua carreira literária, com a publicação de seu livro A revolução dos bichos. Depois, o romancista publicou, em 1949, sua obra mais famosa, o livro 1984, que, assim como aquele, condena os regimes totalitários. Ele faleceu em 21 de janeiro de 1950, em Londres.Mil novecentos e oitenta e quatro é um romance distópico do escritor inglês George Orwell. Foi publicado em 8 de junho de 1949 pela Secker & Warburg como o nono e último livro de Orwell concluído em vida.
_________________Resenha literária:
o título do livro 1984 é inversão da dezena e da unidade do ano em George Orwell escrevia o livro, ou seja, 1948 virou 1984!
o fascismo, o totalitarismo... as ditaduras! governam controlando o nosso pensamento, fazem desaparecer o conceito de verdade, toda mentira passa a ser verdade: a guerra é paz, a liberdade é escravidão, a ignorância é força!
o grande irmão (big techs) já está acontecendo!
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