volume IV
Sodoma e Gomorra
Capítulo Segundo
Os mistérios de Albertine. - As moças que ela vê no espelho. - A dama desconhecida. - O ascensorista. - A Senhora de Cambremer. - Os prazeres do Sr. Nissim Bernard. - Primeiro esboço do estranho caráter de Morel. - O Sr. de Charlus janta em casa dos Verdurin.
continuando...
O horror ao tédio era agora, para a Sra. Verdurin, o motivo encarregado de explicar a
composição do pequeno grupo. Ela ainda não recebia duquesas por ser incapaz de entediar-se,
como era incapaz de fazer um cruzeiro marítimo por causa dos enjoos. Dizia comigo que o que a
Sra. Verdurin proclamava não era absolutamente falso, e, nesse caso, mesmo que os
Guermantes tivessem declarado Brichot o homem mais imbecil que já houvessem encontrado, eu
ficaria incerto de que, se no fundo ele não era superior ao próprio Swann, era-o pelo menos às
pessoas que, dotadas do espírito dos Guermantes e tendo o bom gosto de evitar e o pudor de
enrubescer de suas facécias pedantescas, eu o indagava a mim mesmo, como se a natureza da
inteligência pudesse esclarecer-se em alguma medida pela resposta que eu me daria com a
seriedade de um cristão influenciado por Port-Royal, que se questiona o problema da Graça.
- O senhor verá - continuou a Sra. Verdurin -, quando se tem gente da alta sociedade com
pessoas verdadeiramente inteligentes, pessoas do nosso meio, aí é que é necessário vê-los, o
aristocrata mais espirituoso no reino dos cegos não passa de um zarolho aqui. Além disso, acolhe
com frieza os outros, que já não se sentem mais à vontade. Aí eu me pergunto se, em vez de
tentar fusões que estragam tudo, não seria melhor arranjar umas séries só para os aborrecidos,
de modo que pudéssemos gozar plenamente do nosso pequeno grupo. Concluindo, o senhor virá
com sua prima. É conveniente. Bem. Pelo menos, aqui, ambos terão o que comer. Em Féterne, é
a fome, é a sede. Ah, por exemplo, se gosta de ratos, vá logo para lá, será servido a contento. E
lhe guardarão tanto quanto quiser. Aí sim, o senhor morre de fome. De resto, quando eu for lá,
jantarei antes de partir. E para que fique mais alegre, o senhor deveria vir buscar-me. Tomaríamos
um bom chá e cearíamos na volta. Gosta de tortas de maçã? Sim? Ótimo! Nosso cozinheiro-chefe
prepara-as como ninguém. Bem vê que eu tinha razão de dizer que o senhor foi feito para viver
aqui. Portanto, venha morar conosco. Sabe muito bem que há muito mais lugar em nossa casa do
que parece. Não o digo para não atrair as pessoas aborrecidas. Poderia trazer sua prima para
morar aqui. Ela respiraria um ar diferente do de Balbec. Com o ar daqui, tenho a pretensão de
curar os incuráveis. Palavra que os curei, e não é de hoje. Pois morei outrora bem perto daqui,
alguma coisa que havia desencovado, que obtive por um pedaço de pão e que possuía um
caráter diferente do da Raspeliere deles. Vou mostrá-la, se formos passear. Porém reconheço
que, mesmo aqui, o ar é realmente vivificante. Não desejo falar muito nisso, pois os parisienses
começariam a apreciar o meu cantinho. Essa foi sempre a minha boa sorte. Enfim, fale nisso à
sua prima. Vão lhe ser dados dois lindos quartos com vistas para o vale; verá o que é isso pela
manhã, o sol na neblina! E quem-é esse Robert de Saint-Loup de que fala? - Acrescentou com ar
inquieto, porque ouvira que eu deveria ir vê-lo em Doncieres e temia que ele me fizesse desertar. -
Talvez fosse melhor trazê-lo para cá, se não é uma pessoa aborrecida. Ouvi falar dele por Morel;
parece que é um de seus grandes amigos - disse a Sra. Verdurin, mentindo completamente, pois
Saint-Loup e Morel nem sequer tinham noção da existência um do outro. Mas, tendo ouvido que
Saint-Loup conhecia o Sr. de Charlus, pensava que era através do violinista e queria dar a
impressão de estar ciente de tudo. - Por acaso ele não pratica a medicina, ou a literatura? O
senhor sabe que, se tem necessidade de recomendações para os exames, Cottard pode tudo, e
faço dele o que quero. Quanto à Academia, para mais tarde, pois julgo que ainda não tem idade
para isso, disponho de vários votos. Seu amigo estaria aqui em terra conhecida e talvez o
divertisse ver a casa. Donciers não tem graça nenhuma. Enfim, o senhor proceda como entender,
como lhe parecer melhor - concluiu sem insistir, para não dar a impressão de que procurava a
nobreza, e porque sua pretensão era de que o regime sob o qual fazia viver os fiéis, a tirania,
fosse denominado liberdade.
- Vamos, o que é que tens? - indagou ela, ao ver o Sr. Verdurin que, fazendo gestos de
impaciência, alcançava o terraço de tábuas que se estendia sobre a sala, do lado do vale, como
um homem que sufoca de raiva e precisa de ar. Foi ainda Saniette quem te irritou? Mas, visto que
sabes que ele é um idiota, toma o teu partido e não fica nesse estado... Não gosto disto disse-me
ela porque é mau para ele, deixa-o congestionado. Mas devo confesse! também que às vezes é
necessário ter uma paciência de santo para aturar Saniette, e sobretudo lembrar que é uma
caridade recolhê-lo. De minha parte, confesso que o esplendor da sua tolice é antes uma alegria.
Pena que ouviu a frase dele depois do jantar: "Não sei jogar uíste, mas sei tom piano." Tremenda,
não? É grande como o mundo, e aliás uma mentira, ele não sabe um nem outro. Porém meu
marido, sob sua aparência rude, é muito sensível, muito bondoso, e essa espécie de egoísmo de
Saniette, preocupado sempre com o efeito que vai fazer, deixa-o fora de si... Vamos, meu querido,
acalma-te, sabes muito bem que Cottard te disse que faz mal para o teu fígado. E tudo acaba
recaindo sobre mim - disse a Sra. Verdurin. - Amanhã Saniette vai ter a sua pequena crise de
nervos e lágrimas. Pobre homem, está muito doente. Mas afinal isso não é motivo para que mate
os outros. E, além disso, mesmo nos momentos em que mais sofre, quando a gente gostaria de
sentir pena dele, sua tolice corta logo qualquer sentimento. Ele é por demais estúpido. Basta que
lhe digas, muito gentilmente, que tais cenas fazem vocês dois ficarem doentes, que ele não volte
aqui; como é o que ele mais teme, isso terá um efeito calmante sobre seus nervos - soprou a Sra.
Verdurin a seu marido.
Mal se distinguia o mar pelas janelas da direita. Mas as do outro lado mostravam o vale
sobre o qual agora caíra a neve do luar. De vez em quando, ouvia-se a voz de Morel e a de
Cottard.
- Tem o trunfo?
- Yes.
- Ah, o senhor tem boas - disse a Morel, em resposta à sua pergunta, o Sr. de Cambremer,
pois havia visto que o jogo do doutor estava repleto de trunfos.
- Aqui está a dama de ouros - disse o doutor.
- Isto é trunfo, sabia? Eu corto, eu faço a vaza...
- Mas não há mais Sorbonne - disse o doutor ao Sr. de Cambremer; só existe a
Universidade de Paris. - O Sr. de Cambremer confessou que ignorava o motivo pelo qual o doutor
lhe fazia essa observação. - Eu julgava que o senhor estava falando da Sorbonne - replicou o
doutor. - Tinha ouvido o senhor dizer: "tu nous la sors bonne" - acrescentou piscando o olho, para
mostrar que se tratava de um trocadilho. - Espere - disse ele mostrando o adversário -, preparo
lhe um golpe de Trafalgar. -
E o golpe devia ser excelente para o doutor, pois, em sua alegria, ele se pôs a rir,
movendo voluptuosamente os ombros, o que, na família, no "gênero" Cottard, era um traço quase
zoológico de satisfação. Na geração anterior, o movimento de esfregar as mãos como se se
ensaboassem, acompanhava o movimento. O próprio Cottard usara primeiro, simultaneamente, a
dupla mímica; porém um dia, sem que se soubesse a que intervenção conjugal, magistral, quem
sabe, aquilo era devido, o esfregar das mãos havia desaparecido. O doutor, mesmo no dominó,
quando forçava o adversário a "pedir" e a ficar com o carroção, o que para ele era o mais vivo dos
prazeres, contentava-se com o movimento dos ombros. E quando o mais raramente possível ia à
sua terra natal por alguns dias, encontrando lá o seu primo-irmão, o qual ainda estava na fase da
esfregação de mãos, dizia na volta à Sra. Cottard:
- Achei bastante vulgar o pobre Renê. - Tem aquela coisinha? - disse ele, voltando-se para
Morel. - Não? Então eu jogo este velho David.
- Mas então o senhor tem cinco, e ganhou!
- Eis uma bela vitória, doutor - disse o marquês.
- Uma vitória de Pirro - disse Cottard, voltando-se para o marquês e encarando-o por sobre
o seu lorgnon, para avaliar o efeito de sua tirada.
- Se ainda temos tempo - disse ele a Morel -, dou-lhe a sua revanche. É a minha vez... Ah,
não, eis os carros; ficará para a sexta, e eu lhe mostrarei um golpe todo especial. -
Sr. e Sra. Verdurin nos conduziram para fora. A Patroa foi particularmente carinhosa com
Saniette, a fim de assegurar-se de que ele voltaria no dia seguinte.
- Mas não me parece que esteja bem agasalhado, meu filho - disse-me o Sr. Verdurin, cuja
idade permitia esse tratamento paternal. - Tenho a impressão de que o tempo mudou. -
Estas palavras encheram-me de alegria, como se a vida profunda, e o aparecimento de
combinações diferentes que elas implicam na natureza, devesse anunciar outras mudanças, estas
a cumprirem-se na minha vida e nela criar possibilidades novas. Mal se abria a porta para o
parque antes de partir, e já se sentia que um outro "tempo" ocupava a cena desde alguns
instantes; sopros frescos, volúpia estival, erguiam-se na mata de abetos (onde outrora a Sra. de
Cambremer sonhava com Chopin) e quase imperceptivelmente, em meandros acariciadores, em
remoinhos caprichosos, principiavam os seus leves noturnos. Recusei o agasalho que nas noites
seguintes deveria aceitar quando Albertine estivesse presente, antes pelo segredo do prazer do
que pelo perigo do frio. Procuraram em vão o filósofo norueguês. Sentira uma cólica? Teria medo
de perder o trem? Um aeroplano viera buscá-lo? Fora arrebatado numa assunção? O fato é que
desaparecera sem que ninguém percebesse, como um deus.
- O senhor está errado - disse-me o Sr. de Cambremer -, faz um frio de pato.
- Por que de pato? - indagou o doutor.
- Cuidado com as sufocações - prosseguiu o marquês.
- Minha irmã nunca sai à noite. De resto, ela está bem mal hipotecada, neste momento. Em
todo caso, não fique de cabeça descoberta, ponha logo o seu boné.
- Não são sufocações a frigore - disse Cottard sentenciosamente.
- Ah, então - disse o Sr. de Cambremer, inclinando-se -, visto que é de seu aviso...
-Aviso ao leitor! - exclamou Cottard, deslizando seus olhares para fora do lorgnon, a fim de
sorrir. O Sr. de Cambremer riu, mas, convencido de que estava com a razão, insistiu.
- No entanto - disse ele -, cada vez que minha irmã sai à noite, tem uma crise.
- É inútil argumentar - respondeu o doutor, sem se dar conta de sua descortesia. - Aliás,
não pratico a medicina à beira-mar, salvo se sou chamado em consulta. Estou aqui de férias. -
De resto, ele o estava ainda mais talvez do que o desejaria. Tendo-lhe dito o Sr. de
Cambremer, ao subir para o carro:
- Temos a sorte de também ter perto de nós (não do seu lado da baía, mas do outro, mas
ela é até apertada nesse local) uma outra celebridade médica, o Dr. Du Boulbon. -
Cottard, que de hábito, por deontologia, abstinha-se de criticar os confrades, não pôde
deixar de gritar, como o fizera diante de mim no dia funesto em que tínhamos ido ao pequeno
cassino:
- Mas isto não é um médico. Ele pratica a medicina literária, é a terapêutica fantasista, é
charlatanismo. Aliás, nós estamos em bons termos. Tomaria o barco para ir visitá-lo uma vez se
não estivesse obrigado a me ausentar. -
Mas, pelo ar que assumira Cottard para falar de Du Boulbon ao Sr. de Cambremer, senti
que o barco, no qual iria de bom grado visitá-lo, muito se parecia com o navio que, para arruinar
as águas descobertas por um outro médico literário, Virgílio (o qual, assim, lhes roubava toda a
clientela), os doutores de Salerno haviam fretado, mas que soçobrou com eles durante a
travessia.
- Adeus, meu bom Saniette, não deixe de vir amanhã; bem sabe que meu marido o aprecia
muito. Aprecia o seu espírito, sua inteligência; mas, se, como sabe perfeitamente, gosta de
atitudes bruscas, o fato é que não pode passar sem vê-lo. É sempre a primeira pergunta que me
faz: "Será que Saniette vem? Gosto tanto de vê-lo."
- Eu nunca falei isto - disse o Sr. Verdurin a Saniette com uma franqueza simulada que
parecia conciliar perfeitamente o que dizia a Patroa com a maneira como ele tratava Saniette.
Depois, consultando o relógio, sem dúvida para não prolongar as despedidas na umidade da
noite, recomendou aos cocheiros que não se atrasassem, que fossem prudentes na descida, e
assegurou-nos que chegaríamos antes do trem. Este devia deixar os fiéis, um numa estação,
outro em outra, terminando por mim, pois nenhum ia a tão grande distância como Balbec, e
principiando pelos Cambremer. Estes, para não fazerem os cavalos subirem de noite até La
Raspeliere, tomaram o trem conosco em Douville-Féterne. Com efeito, a estação mais próxima da
casa deles não era esta, que, já um pouco distante da aldeia, o é ainda mais do castelo, porém La
Sogne.
Chegando à gare de Douville-Féterne, o Sr. de Cambremer fez questão de dar "a peça",
como dizia Françoise, ao cocheiro dos Verdurin (justamente o gentil cocheiro sensível de idéias
melancólicas), pois o marquês era generoso e nisso antes "puxava à sua mamãe". Mas fosse
porque o seu "lado do papai" interviesse aqui, e enquanto dava a moeda experimentava o
escrúpulo de um erro cometido ou por ele, que, enxergando mal, dava por exemplo um sou em
vez de um franco, ou pelo destinatário, que não perceberia da importância do que lhe davam.
Assim, observou:
- É mesmo um franco que lhe estou dando, não? - disse ao cocheiro, fazendo rebrilhar a
moeda na luz, e para que os fiéis pudessem repeti-lo à Sra. Verdurin. - Não é? É mesmo de vinte
sous, já que foi só uma pequena corrida. - Ele e a Sra. de Cambremer nos deixaram em La
Sogne. - Eu direi à minha irmã - repetiu-me ele - que o senhor tem sufocações, estou certo de
interessá-la. -
Compreendi o que ele queria dizer: agradar-lhe. Quanto à sua mulher, empregou, ao
despedir-se de mim, duas dessas abreviaturas que, mesmo escritas, me chocavam então numa
carta, embora nos tenhamos habituado depois a isso, mas que, faladas, me pareciam, e até
mesmo hoje, conter, em sua displicência intencional, em sua familiaridade adquirida, algo de
insuportavelmente pedante:
- Encantada por ter passado a noite com o senhor - disse-me ela. - Recomendações a
Saint-Loup se o vir. -
Dizendo-me esta frase, a Sra. de Cambremer pronunciou Saint-Loupe. Jamais pude saber
quem o pronunciara assim diante dela, ou quem lhe tivera dado a entender que se devia
pronunciar desse modo. Sempre é verdade que, durante algumas semanas, ela pronunciou Saint
Loupe e que um homem que lhe tinha grande admiração, e que com ela fazia uma só pessoa, fez
o mesmo. Se outras pessoas diziam Saint-Lou, eles insistiam, diziam com força Saint-Loupe, ou
para dar indiretamente uma lição aos demais, ou para se distinguir deles. Mas, sem dúvida,
mulheres mais brilhantes que a Sra. de Cambremer lhe disseram, ou lhe fizeram indiretamente
compreender que não se devia pronunciar assim, e que o que ela tomava por originalidade era um
erro que faria com que a julgassem pouco a par das coisas da sociedade, pois, pouco depois, a
Sra. de Cambremer voltava a dizer Saint-Lou, e seu admirador igualmente deixou toda resistência,
ou porque ela o tivesse advertido, ou porque tivesse ele percebido que ela já não fazia soar a
final, dizendo consigo que, para que uma mulher daquele valor, daquela energia e de tanta
ambição houvesse cedido, era preciso que fosse por uma boa razão. O pior de seus admiradores
era o marido. A Sra. de Cambremer gostava de fazer aos outros brincadeiras muitas vezes bem
impertinentes. Logo que ela investia desse modo contra mim ou contra algum outro, o Sr. de
Cambremer punha-se a olhar a vítima, rindo. Como o marquês fosse vesgo o que dá uma
intenção de espírito à própria graça dos imbecis -, o efeito daquele riso era o de trazer um pouco
de pupila para o branco do olho, que sem isso ficaria completo. Da mesma forma, uma abertura
põe um tanto de azul num céu coberto de nuvens. O monóculo protegia do resto essa operação
delicada, como um vidro sobre um quadro precioso. Quanto à própria intenção do riso, não se
sabe se por acaso seria amável: "Ah, tratante! Poderia considerar-se digno de inveja. Está
recebendo os favores de uma mulher de espírito rude"; ou travessa: "Espero que se arranje,
senhor, engolindo cobras e lagartos"; ou prestimosa: "O senhor sabe, aqui estou; levo a coisa a
rir, pois é puro gracejo, mas não deixaria que o maltratassem"; ou cruelmente cúmplice: "Não
tenho porque atirar o meu grãozinho de sal, mas bem vê que morro de rir com todas essas
maldades que ela lhe prodigaliza. Gargalho como um corcunda, portanto aprovo, eu o marido.
Agora, se lhe der na telha corcovear, achará quem lhe faça frente, meu senhor. Primeiro, lhe daria
um par de bofetadas, com capricho, depois iríamos cruzar os ferros na floresta de Chantepie."
Fosse qual fosse o resultado dessas diversas interpretações da alegria do marido, os gracejos da
esposa rapidamente acabavam. Então o Sr. de Cambremer cessava de rir, a pupila
momentaneamente desaparecia e, como a gente perdera havia alguns minutos o hábito daquele
olho inteiramente branco, dava este àquele rubro normando algo a um tempo de exangue e de
extático, como se o marquês acabasse de ser operado ou como se implorasse aos céus, sob o
monóculo, as palmas do martírio.
continua na página 175...
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Leia também:
Volume 1
Volume 2
Volume 3
Volume 4
Sodoma e Gomorra (Cap II - O horror ao tédio)
Volume 5
A Prisioneira (Prefácio)Volume 6
Volume 7
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