O SOBREVIVENTE
As Formas da Sobrevivência
Não é ocioso contemplar as formas que o sobreviver assume; elas são muitas, e é importante não negligenciar nenhuma delas.
A concepção, o primeiro acontecimento na vida de qualquer ser
humano — muito anterior a seu nascimento e, decerto, superando-o em
importância —, não foi ainda examinada à luz desse importante aspecto
que é a sobrevivência. Sabe-se muito do que acontece desde o instante
em que o espermatozoide penetra no óvulo: poder-se-ia dizer que em
breve se saberá tudo. Mas pouco se refletiu acerca da existência, quando
da concepção, de um número impressionante de espermatozoides que
não atingem sua meta, embora participem intensamente do processo
como um todo. Não é um espermatozoide isolado que busca seu
caminho até o óvulo, mas seu número é de cerca de 200 milhões. Numa
única ejaculação, eles são lançados todos juntos e, densamente
comprimidos, movem-se rumo a uma única meta.
Seu número é, pois, gigantesco. Tendo se originado por divisão, são
todos iguais entre si; sua densidade dificilmente poderia ser maior, e
todos têm uma única e mesma meta. Lembremo-nos de que justamente
essas quatro características são as que foram aqui definidas como as
propriedades essenciais da massa.
Desnecessário faz-se enfatizar que a massa composta de
espermatozoides não pode ser a mesma coisa que a massa de seres
humanos. Indubitavelmente, contudo, verifica-se uma analogia — e
talvez mais do que uma mera analogia — entre ambos esses fenômenos.
Todos esses espermatozoides caminham seja rumo a uma meta, seja
— posteriormente, e nas proximidades desta última — rumo a seu fim.
Somente um deles penetra no óvulo. Este, pode-se muito bem
caracterizá-lo como um sobrevivente. É, por assim dizer, o líder
[Führer] dos demais, e conseguiu aquilo que todo líder [Führer], secreta
ou abertamente, almeja: conseguiu sobreviver a todos quantos liderou.
Desse único sobrevivente em meio a 200 milhões origina-se o ser
humano.
Dessa forma elementar, ainda que jamais considerada, de
sobrevivência passemos a outras, mais conhecidas. Nos segmentos
precedentes deste livro, falou-se muito do matar. O homem confronta-se com seus inimigos: confronta-se com um único inimigo, matando-o,
assaltando-o sorrateiramente ou travando com ele um duelo;
confronta-se com uma malta a cercá-lo ou, por fim, com toda uma
massa. Nesse último caso, ele não está sozinho, mas lança-se à batalha
juntamente com sua própria gente. Contudo, quanto mais elevado o seu
posto, tanto mais sentirá ele a sobrevivência como algo que pertence
exclusivamente a ele. Quem vence é o “general”. Como, porém,
tombaram também muitos dos seus, o amontoado dos mortos constitui
uma mescla, mescla esta consistindo em amigos e inimigos; a batalha
assume assim a forma “neutra” da epidemia. O matar avizinha-se aqui do morrer, e, aliás, de sua forma mais
monstruosa: do morrer em epidemias e catástrofes naturais. Sobrevive-se aí a todos quantos são mortais, a amigos e inimigos a um só tempo.
Todas as relações se diluem; o morrer pode vir a ser tão abrangente que
não se sabe mais quem está sendo enterrado. Assaz características são as
histórias sempre recorrentes de homens que, dentre os mortos, em meio
ao amontoado destes, retornam à vida: eles acordam em meio aos
mortos. Tais pessoas tendem a julgar-se invulneráveis — heróis da peste,
por assim dizer.
Uma satisfação mais comedida, encoberta, resulta da morte esporádica
dos homens. Trata-se aqui da morte de parentes e amigos. Não é o
próprio homem quem mata, tampouco sente-se ele atacado. Não faz
nada para que tal aconteça, mas espera a morte dos outros. Os mais
jovens sobrevivem aos mais velhos, o filho ao pai.
O filho julga natural que o pai morra antes dele. O dever o obriga a
correr até o leito de morte para fechar-lhe os olhos e carregá-lo até a
cova. Ao longo desses acontecimentos, que se estendem por dias, seu
próprio pai jaz morto na sua frente. Aquele que podia lhe dar ordens
como quase nenhum outro homem silenciou. Sem poder fazer coisa
alguma, o pai tem de suportar que lhe manuseiem o corpo, e é o filho
quem o ordena — o filho que, outrora, durante muitos anos, era quem
ele mais tinha sob seu poder.
Até mesmo aí está presente a satisfação pela sobrevivência. Ela resulta da relação entre pai e filho, dos quais este último, fraco e desamparado, esteve por muitos anos inteiramente sob o poder do primeiro, ao passo que é este, o outrora todo-poderoso, quem agora sucumbiu e morreu, podendo o filho dispor de seus restos mortais.
Até mesmo aí está presente a satisfação pela sobrevivência. Ela resulta da relação entre pai e filho, dos quais este último, fraco e desamparado, esteve por muitos anos inteiramente sob o poder do primeiro, ao passo que é este, o outrora todo-poderoso, quem agora sucumbiu e morreu, podendo o filho dispor de seus restos mortais.
Tudo quanto lhe é legado pelo pai fortalece o filho. A herança é sua
presa. Com ela, pode fazer tudo o que o pai não faria. Se este era
econômico, o filho pode ser um perdulário; se era inteligente, o filho
pode ser um desatinado. É como se agora se decretasse a vigência de
uma nova lei. A ruptura é portentosa, irreparável. Ela se deu pela
sobrevivência, constituindo-lhe a forma mais pessoal e íntima.
Inteiramente diversa é a natureza do sobreviver a pessoas de mesma idade, aos próprios contemporâneos. A propensão à sobrevivência é aí, por se tratar do grupo do próprio sobrevivente, encoberta por formas mais amenas de rivalidade. Um grupo de pessoas de uma mesma idade é reunido numa classe etária. Em determinados ritos, compostos de provações difíceis e amiúde cruéis, os jovens ascendem de uma classe à seguinte. É possível — embora constitua exceção — que o jovem morra em decorrência de uma tal provação.
Os velhos — homens que, transcorrido um certo número de anos, permanecem vivos — desfrutavam de um prestígio bastante elevado já entre os povos primitivos. Entre estes, as pessoas geralmente morrem mais cedo; vivem expostas a grandes perigos e estão muito mais sujeitas a doenças do que nós. Para elas, atingir uma certa idade constitui uma façanha, e tal façanha encerra em si sua recompensa. Não se trata apenas do fato de esses velhos saberem mais, de terem adquirido experiência em um número maior de situações; eles deram provas também de seu valor, pois continuam vivos. Devem ter tido sorte para ter escapado ilesos das caçadas, das guerras e dos acidentes. Ao longo de todos esses perigos, seu prestígio cresceu. Suas vitórias sobre os inimigos, eles podem comprová-las com troféus. Sua prolongada existência como membros de uma horda que jamais consiste em um número demasiado grande de homens afigura-se particularmente notável a estes últimos. Vivenciaram muitas situações ensejando a lamentação. Seguem, porém, vivos, e as mortes dos membros de sua própria classe etária contribuem para o seu prestígio. É possível que os membros de um grupo não tenham consciência tão clara desse fato quanto do valor atribuído às vitórias sobre os inimigos. Uma coisa, porém, não se há de contestar: o sucesso mais elementar e evidente consiste em ainda se estar vivo. Os velhos não estão apenas vivos: eles ainda estão vivos. Podem escolher as mulheres jovens que quiserem, ao passo que os rapazes têm, por vezes, de se contentar com as velhas. É assunto dos velhos determinar para onde se vai, contra quem se vai travar uma guerra e com quem se fará aliança. Tanto quanto se possa falar em um governo entre os povos primitivos, é o conjunto dos velhos que o exerce.
Inteiramente diversa é a natureza do sobreviver a pessoas de mesma idade, aos próprios contemporâneos. A propensão à sobrevivência é aí, por se tratar do grupo do próprio sobrevivente, encoberta por formas mais amenas de rivalidade. Um grupo de pessoas de uma mesma idade é reunido numa classe etária. Em determinados ritos, compostos de provações difíceis e amiúde cruéis, os jovens ascendem de uma classe à seguinte. É possível — embora constitua exceção — que o jovem morra em decorrência de uma tal provação.
Os velhos — homens que, transcorrido um certo número de anos, permanecem vivos — desfrutavam de um prestígio bastante elevado já entre os povos primitivos. Entre estes, as pessoas geralmente morrem mais cedo; vivem expostas a grandes perigos e estão muito mais sujeitas a doenças do que nós. Para elas, atingir uma certa idade constitui uma façanha, e tal façanha encerra em si sua recompensa. Não se trata apenas do fato de esses velhos saberem mais, de terem adquirido experiência em um número maior de situações; eles deram provas também de seu valor, pois continuam vivos. Devem ter tido sorte para ter escapado ilesos das caçadas, das guerras e dos acidentes. Ao longo de todos esses perigos, seu prestígio cresceu. Suas vitórias sobre os inimigos, eles podem comprová-las com troféus. Sua prolongada existência como membros de uma horda que jamais consiste em um número demasiado grande de homens afigura-se particularmente notável a estes últimos. Vivenciaram muitas situações ensejando a lamentação. Seguem, porém, vivos, e as mortes dos membros de sua própria classe etária contribuem para o seu prestígio. É possível que os membros de um grupo não tenham consciência tão clara desse fato quanto do valor atribuído às vitórias sobre os inimigos. Uma coisa, porém, não se há de contestar: o sucesso mais elementar e evidente consiste em ainda se estar vivo. Os velhos não estão apenas vivos: eles ainda estão vivos. Podem escolher as mulheres jovens que quiserem, ao passo que os rapazes têm, por vezes, de se contentar com as velhas. É assunto dos velhos determinar para onde se vai, contra quem se vai travar uma guerra e com quem se fará aliança. Tanto quanto se possa falar em um governo entre os povos primitivos, é o conjunto dos velhos que o exerce.
O desejo de uma vida longa, que desempenha um grande papel na
maioria das culturas, significa, na realidade, que se quer sobreviver aos
próprios contemporâneos. Sabe-se que muitos morrem cedo, e quer-se
para si um destino diferente. Na medida em que roga aos deuses por
uma vida longa, o homem aparta-se de seus companheiros. É certo que
não os menciona em sua oração, mas o que imagina é que viverá mais
do que eles. “Sadia” é a longevidade do patriarca que pode abarcar com
os olhos muitas gerações de descendentes. Não se imaginam outros
patriarcas a seu lado. É como se, com ele, tivesse início uma nova
estirpe. Enquanto seus netos e bisnetos viverem, pouco importa que
alguns de seus filhos tenham já encontrado a morte; eleva-lhe o
prestígio o fato de sua vida ser mais tenaz que a deles.
Na classe dos mais velhos, resta, por fim, um único sobrevivente — precisamente o mais velho de todos. O século etrusco é definido segundo a duração de sua vida. Vale a pena dizer aqui algumas palavras a esse respeito.
Na classe dos mais velhos, resta, por fim, um único sobrevivente — precisamente o mais velho de todos. O século etrusco é definido segundo a duração de sua vida. Vale a pena dizer aqui algumas palavras a esse respeito.
Entre os etruscos, o “século” possui duração variada: é ora breve ora
extenso, precisando-se continuamente definir-lhe a duração. A cada
geração há um homem que, tendo vivido mais, torna-se o mais velho de
todos. Quando esse homem, que sobreviveu a todos os outros, morre, os
deuses enviam certos sinais aos homens. É em função desse momento da
sua morte que se determina a extensão do século: se o sobrevivente
tinha 110 anos, 110 anos tem o século; se morreu aos 105, isso resulta
num século mais breve, de 105 anos. O sobrevivente é o século: são os
anos de sua vida que o compõem.
Cada cidade e cada povo têm uma duração predeterminada. À nação dos etruscos caberão dez desses séculos, contados a partir da fundação de uma cidade. Se o sobrevivente de cada geração logra perdurar por um tempo particularmente longo, a nação como um todo atingirá uma idade muito mais avançada. Esse fato é notável e, como instituição religiosa, único.
Cada cidade e cada povo têm uma duração predeterminada. À nação dos etruscos caberão dez desses séculos, contados a partir da fundação de uma cidade. Se o sobrevivente de cada geração logra perdurar por um tempo particularmente longo, a nação como um todo atingirá uma idade muito mais avançada. Esse fato é notável e, como instituição religiosa, único.
A sobrevivência a uma distância temporal é a única forma de
sobrevivência na qual o homem permanece inocente. Aqueles que
viveram há muito tempo, que não se chegou a conhecer, estes não se
pôde matar, não se pôde desejar-lhes ou esperar-lhes a morte.
Descobre-se que existiram quando eles já não mais existem. Graças à
consciência que se tem deles, pode-se auxiliá-los mesmo a atingir uma
forma de sobrevivência, ainda que assaz branda e amiúde vazia. Nesse
sentido, eles são mais servidos, talvez, do que se é por eles servido. Não
obstante, é fácil demonstrar que também eles contribuem para o
surgimento de um sentimento próprio de sobrevivência.
Tem-se, pois, a sobrevivência aos antepassados — os quais não se
chegou a conhecer —, e à humanidade passada como um todo. Esta
última é a que se experimenta nos cemitérios. Ela se aproxima da
sobrevivência numa epidemia: em vez da peste, tal epidemia é a própria
morte, uma epidemia coletada de várias épocas e reunida num único
lugar.
Poder-se-ia objetar que neste estudo do sobrevivente não se está
abordando outra coisa que não aquilo que sempre se conheceu pelo
velho nome de instinto de autopreservação.
Será, porém, que ambas essas coisas coincidem realmente? Seriam a
mesma coisa? Que ideia se tem da atuação do instinto de
autopreservação? A mim, parece-me que esse conceito é já inadequado
pelo fato de isolar o indivíduo sozinho. A ênfase recai sobre o prefixo
auto. Mais importante ainda é a segunda parte da palavra: preservação. Na
verdade, quer-se dizer duas coisas com ela: primeiramente, que toda
criatura precisa comer para permanecer viva e, em segundo lugar, que ela
se defende dos ataques contra si própria, sejam estes de que natureza
forem. O que se vê aí é, por assim dizer, a criatura inerte, na condição
de um monumento que, com uma das mãos, se alimenta e, com a outra,
mantém afastado o inimigo. No fundo, uma criatura pacífica! Deixada
em paz, ela comeria um punhado de ervas e não faria o menor mal a
ninguém.
Existiria uma ideia mais inadequada do homem mais equivocada e ridícula do que essa? É certo que o homem come, mas não o mesmo que come uma vaca, tampouco é levado a pastar. A maneira pela qual consegue sua presa é pérfida, sangrenta e tenaz, e ele absolutamente não se comporta de modo passivo ao fazê-lo. Não é brando ao afastar de si os inimigos, mas ataca-os já ao farejá-los de longe. Suas armas de ataque são mais bem desenvolvidas do que aquelas que servem à defesa. Por certo, o ser humano deseja preservar-se, mas, ao mesmo tempo, deseja também outras coisas, inseparáveis dessa preservação. O homem quer matar para sobreviver aos outros; e não quer morrer, para que outros não sobrevivam a ele. Se se pudessem tomar ambas essas coisas por autopreservação, a palavra teria um sentido. Mas não se pode compreender por que razão apegar-se a um conceito tão inexato, se há um outro que apreende melhor a questão.
Existiria uma ideia mais inadequada do homem mais equivocada e ridícula do que essa? É certo que o homem come, mas não o mesmo que come uma vaca, tampouco é levado a pastar. A maneira pela qual consegue sua presa é pérfida, sangrenta e tenaz, e ele absolutamente não se comporta de modo passivo ao fazê-lo. Não é brando ao afastar de si os inimigos, mas ataca-os já ao farejá-los de longe. Suas armas de ataque são mais bem desenvolvidas do que aquelas que servem à defesa. Por certo, o ser humano deseja preservar-se, mas, ao mesmo tempo, deseja também outras coisas, inseparáveis dessa preservação. O homem quer matar para sobreviver aos outros; e não quer morrer, para que outros não sobrevivam a ele. Se se pudessem tomar ambas essas coisas por autopreservação, a palavra teria um sentido. Mas não se pode compreender por que razão apegar-se a um conceito tão inexato, se há um outro que apreende melhor a questão.
Todas as formas da sobrevivência enumeradas acima são
antiquíssimas; conforme se demonstrará a seguir, elas podem ser
encontradas já entre os povos primitivos.
continua página 379...
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Título original Masse und Macht
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Leia também:
Massa e Poder - O Sobrevivente: As Formas da Sobrevivência
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ELIAS CANETTI nasceu em 1905 em Ruschuk, na Bulgária, filho de judeus sefardins. Sua família estabeleceu-se na Inglaterra em 1911 e em Viena em 1913. Aí ele obteve, em 1929, um doutorado em química. Em 1938, fugindo do nazismo, trocou Viena por Londres e Zurique. Recebeu em 1972 o prêmio Büchner, em 1975 o prêmio Nelly-Sachs, em 1977 o prêmio Gottfried-Keller e, em 1981, o prêmio Nobel de literatura. Morreu em Zurique, em 1994.
Além da trilogia autobiográfica composta por A língua absolvida (em A língua absolvida Elias Canetti, Prêmio Nobel de Literatura de 1981, narra sua infância e adolescência na Bulgária, seu país de origem, e em outros países da Europa para onde foi obrigado a se deslocar, seja por razões familiares, seja pelas vicissitudes da Primeira Guerra Mundial. No entanto, mais do que um simples livro de memórias, A língua absolvida é a descrição do descobrimento do mundo, através da linguagem e da literatura, por um dos maiores escritores contemporâneos), Uma luz em meu ouvido (mas talvez seja na autobiografia que seu gênio se evidencie com maior clareza. Com este segundo volume, Uma luz em meu ouvido, Canetti nos oferece um retrato espantosamente rico de Viena e Berlim nos anos 20, do qual fazem parte não só familiares do escritor, como sua mãe ou sua primeira mulher, Veza, mas também personagens famosos como Karl Kraus, Bertolt Brecht, Geoge Grosz e Isaak Babel, além da multidão de desconhecidos que povoam toda metrópole) e O jogo dos olhos (em O jogo dos olhos, Elias Canetti aborda o período de sua vida em que assistiu à ascensão de Hitler e à Guerra Civil espanhola, à fama literária de Musil e Joyce e à gestação de suas próprias obras-primas, Auto de fé e Massa e poder. Terceiro volume de uma autobiografia escrita com vigor literário e rigor intelectual, O jogo dos olhos é também o jogo das vaidades literárias exposto com impiedade, o jogo das descobertas intelectuais narrado com paixão e o confronto decisivo entre mãe e filho traçado com amargo distanciamento), já foram publicados no Brasil, entre outros, seu romance Auto de fé e os relatos As vozes de Marrakech, Festa sob as bombas e Sobre a morte.
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"Não há nada que o homem mais tema do que o contato com o desconhecido."
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