sábado, 25 de julho de 2026

Ilíada: Homero (Apêndice.a)

Apêndice

Este apêndice contém os principais nomes¹ mencionados na Ilíada, apresentando um pequeno resumo do seu mito e pelo menos uma remissão ao seu aparecimento na obra, com o(s) número(s) do(s) canto(s) seguido(s) do(s) número(s) do(s) verso(s). Também estão presentes termos não usuais em português, usados por Homero. No entanto, não se trata de um índice remissivo completo.

[1] Um dos problemas em relação aos nomes gregos é a forma de transliterá-los, isto é, escrevê-los em caracteres latinos. Assim, temos Posídon, Posido, Poseidon, como também Atlas e Atlante ou Agamenon, Agamenão e Agamémnone, entre outros. Aqui, neste apêndice, seguimos as escolhas do tradutor. (N.R.)

Afrodite: deusa do amor, identificada em Roma como Vênus. Há dois nascimentos para ela. Em um deles, ela é filha do pênis de Zeus, castrado por Crono, que, caindo no Oceano, formou uma espuma de onde ela emergiu. Assim ela foi para Chipre, sendo adornada pelas Horas e levada ao mundo dos Imortais. Em outro, ela é filha de Zeus com Dione. É muito famoso o relato de Platão, no Banquete, que a partir desse duplo nascimento diz que existem realmente duas Afrodites e dois Eros (Amor) correspondentes a cada uma delas: um divino e celestial (Urano) e outro do povo (Pandêmia), do amor popular. Na Odisseia, aparece o mito da traição de Hefesto por Afrodite e Ares (ver II, 820; III, 54; IV, 10; V, 131, 312; IX, 389; XIV, 188, 193, 224; XIX, 282; XX, 40, 105, 209; e XXI, 416).

Agamémnone: o rei por excelência, governou Micenas, e na Ilíada é dele o comando supremo dos gregos na guerra contra Troia. Também diz-se rei da Lacedemônia ou de Argos. Filho de Atreu e Aérope, é chamado, como seu irmão Menelau, de atrida, que quer dizer “filho de Atreu” (ver, por exemplo, Crônida). Às vezes diz-se também ser descendente de Pélops e de Tântalo. O início da Guerra de Troia foi o seguinte: como vários pretendentes apareceram para casar com Helena, todos fizeram um juramento, em que aquele que fosse escolhido seria defendido caso Helena fosse raptada. Menelau foi escolhido, e após o rapto de Helena por Páris, Menelau foi pedir ajuda a seu irmão, Agamémnone, e este lembrou o juramento a todos os aqueus. Este foi, então, declarado chefe maior da expedição.
     Casado com Clitemnestra, irmã de Helena, foi traído por ela junto com Egisto, que foi morto em sua volta de Troia (ver os versos da Odisseia, Canto III). Ele é pai também do famoso Orestes, que o vinga, matando Egisto. Na Ilíada ele é um dos personagens mais importantes, já que toda a história se desenrola desde uma desavença que tem com Aquiles, o peleio (filho de Peleu) (ver I, 24, 122; II, 6, 107, 441; IV, 368; IX, 62, 114; XI, 91, 251; XIV, 83; e XIX, 76).

Ágora: em grego, quer dizer praça pública, e é onde o povo se reúne para resolver assuntos políticos (ver I, 54; II, 95; e IX, 11).

Ajaz: também chamado de Ajax, há dois na Ilíada:
     1. Ajaz, comandante dos lócrios, é filho de Oileu, chamado de Ajaz Menor, para diferenciá-lo de Ajaz telamônio, filho de Telamão. Ele está presente em todas as grandes batalhas da Ilíada, sendo considerado muito arrogante e ímpio. Comete sacrilégios perante Atena, com perda de grande parte dos navios gregos, inclusive o dele, mas Posido o salva (ver II, 527; X, 169; XIII, 66, 695, 701; XIV, 442; XVII, 256; e XXIII, 473, 483, 754, 789).
     2. Ajaz telamônio, isto é, filho de Telamão, é um dos heróis mais importantes na Guerra de Troia, junto com Diomedes e Odisseu. Reina sobre Salamina e é considerado o segundo em força, depois de Aquiles. Foi Héracles, vestido com sua pele de leão, quem o trouxe de Telamão para lutar em Troia. Calmo e controlado, andava sempre pesadamente armado com um escudo feito com sete camadas de couro e a oitava de bronze. Ele luta diversas vezes com Heitor em combate singular, e várias vezes leva vantagem.
     Depois da morte de Aquiles, uma disputa é travada para saber quem ficaria com a armadura do grande herói. Odisseu ganha e Ajaz trama uma vingança. Atena lhe infunde loucura e ele mata um rebanho de ovelhas. Quando desperta de sua loucura, se mata, e do seu sangue, que penetra na terra, nasce um jacinto, cuja flor tem as primeiras letras do seu nome: A e I. Uma versão afirma que depois do naufrágio de Odisseu, a armadura de Aquiles vai até Troia e para em cima do túmulo de Ajaz. Os atenienses ofereciam sacrifícios a ele todo ano. Na tomada de Troia, ele quis castigar Helena pelo seu adultério, mas os filhos de Atreu a protegeram (ver II, 527; VII, 206; IX, 169; XI, 544; XV, 419; XVI, 102; e XVII, 128, 278).

Ambrosia: a palavra quer dizer “imortal” (an+brosios) e às vezes é um alimento sólido, em oposição ao líquido néctar que torna os deuses imortais. Mas também é chamado de alimento dos cavalos. É também o nome de um óleo perfumado que os deuses usam e que serve também para conservar um cadáver. Apolo o usa com Sarpédone e Afrodite, com Heitor (ver XIV, 170; e XIX, 38).

Andrômaca: filha de Eecião (ou Etion), rei de Tebas, na Mísia, cuja cidade foi saqueada por Aquiles antes do nono ano da Guerra de Troia. Esposa de Heitor, perdeu seus sete irmãos e seu pai no ataque de Aquiles. Teve de Heitor um único filho, Astianacte (ou Astíanax). Depois da queda de Troia, como escrava, foi para as mãos de Neoptólemo, filho de Aquiles (ver VI, 374; e XXIV, 722).

Apolo: um dos deuses mais importantes do panteão heleno. É primeiramente o deus da adivinhação, das artes e da música (as Musas dependiam diretamente dele). É também o deus-arqueiro e podia matar muitos homens e destruir cidades com suas setas em forma de pragas. É também o patrono dos médicos. Estudiosos dizem ser ele um deus vindo do Oriente. É chamado de Febo, o Brilhante, por ser o deus-Sol. É filho de Zeus e Leto (ou Latona) e irmão gêmeo de Ártemis, também flecheira. Zeus lhe dá uma lira e um carro guiado por cisnes. É o deus do oráculo mais famoso da Grécia, do templo de Delfos, em cujo portal se vê escrito “Conhece-te a Ti Mesmo”. Lá ele mata a serpente Píton que protegia o templo. Todo ano havia festejos para Apolo, tanto em Delfos quanto em Atenas (ver I, 14, 36; IV, 507; V, 344; XV, 360; XVI, 703, 715, 788; XVII, 71; XX, 443; XXI, 596; e XXIII, 188). 

Aqueus ou aquivos ou acaios: ver Dânaos (ver I, 2, 42, 71, 162; e III, 167, 226).

Aquiles: filho de Tétis e Peleu (por isso chamado de pelida ou peleio, ver Crônida), este último sendo rei de Ftia, na Tessália. Tétis é filha de Oceano, e na tentativa de imortalizar seus filhos ela sempre os matava. No sétimo filho, entretanto, ela resolve banhá-lo no rio Stix, segurando-o pelos calcanhares, tornando-o, assim, invulnerável em todo o corpo, menos nessa parte. Em outras versões, às vezes aparece como sendo educado por Fenice ou pelo centauro Quirão, no alto do monte Pélio. Com Quirão, ele aprende a tocar lira e as histórias das antigas virtudes, como desprezo pelos bens terrenos, horror à mentira, um sentido de moderação, resistência a paixões e remorso. Também aprende medicina com Quirão, que é um grande médico. É o herói mais importante da Guerra de Troia e talvez um dos maiores de toda a Grécia. O tema principal da Ilíada é a sua briga com Agamémnone. Ele comanda uma frota de cinquenta navios tripulados pelos mirmídones. Antes de partir para Troia, sua mãe o adverte que, se fosse, morreria em breve, mas sua fama seria eterna, e se ficasse e não lutasse, teria uma vida calma e morreria de velhice. Aquiles escolhe a fama e a morte rápida.
      Na versão dos poetas trágicos, a história de sua ida para Troia é a seguinte: seu pai, Peleu, tendo ouvido de um oráculo que seu filho iria morrer junto aos muros de Troia, disfarça-o em mulher e o esconde como uma das filhas de Licomedes, rei de Ciros. Lá é dito que ele se torna amante de Deidâmia, filha de Licomedes, e tem um filho, mas o Destino acaba por levar Aquiles para Troia, pois Odisseu ouve de um oráculo que Troia não seria conquistada se Aquiles não fosse junto, e termina por encontrá-lo.
     Existem várias versões da sua morte, todas posteriores aos escritos homéricos. Uma delas diz que Aquiles se apaixona pela filha de Príamo, Polixena, e diz para este que trairia os gregos se pudesse se casar com ela. Príamo, então, arma uma emboscada para Aquiles e Páris o mata no local onde eles iriam selar o pacto. Outra diz que ao atacar os muros de Troia, depois da morte de Heitor, Apolo o adverte para não ir mais adiante, mas ele não o ouve, e o deus acaba por guiar uma flecha de Páris para o calcanhar de Aquiles, seu único ponto fraco (ver I, 1, 131; II, 685; IX, 434; XI, 830; XVI, 168; XVIII, 22, 181; XIX, 12, 75; XX, 160; XXI, 39, 137, 139, 182, 233, 324, 599; XXIII, 59, 128; e XXIV, 59).

Ares: o deus grego da guerra, equivalente ao deus romano Marte (note a importância que Junito de Souza Brandão dá para que não confundamos os deuses gregos com os deuses romanos: não são os mesmos deuses, apesar de podermos fazer analogias e comparações. Ver as Referências Bibliográficas). Filho de Zeus e Hera, como Apolo e Hermes, é da segunda geração dos Olímpicos. É um dos doze grandes deuses Olímpicos. Na Guerra de Troia, está basicamente ao lado dos troianos, mas tem pouca relação com a justiça de sua causa. Em guerra, ele é atendido por espíritos, especialmente Deimos e Fobos (Terror e Medo). Vivia na Trácia, lugar inóspito, de cavalos selvagens e das Amazonas, que se consideravam filhas de Ares. Mais bruto que inteligente, ele nem sempre é o vencedor nas guerras. Parece até que os gregos gostavam de vê lo perdendo. No Canto V, na Aristia de Diomedes, ele é atingido por este com o auxílio da esperta Atena, que estava invisível com o elmo de Ares. No Canto VIII da Odisseia, Demódoco, aedo dos feácios, canta o episódio de sua traição com Afrodite (ver II, 110, 401, 842; e V, 29, 289).

Ártemis: é a irmã gêmea de Apolo, filha de Zeus e Leto. Sendo a mais velha, logo depois de nascer ajudou a mãe a dar à luz a seu irmão, e por isso resolveu nunca ter filhos: deusa sempre virgem, se interessava apenas pela caça. Da mesma forma que seu irmão, tem o arco como arma principal (ver V, 51, 53; VI, 205, 428; XVI, 183; XIX, 60; e XX, 39).

Asclépio: deus da medicina, filho de Apolo. Há muitas versões para seu nascimento. Um deles diz que Apolo amou Coronis, filha do rei da Tessália, Flégias, mas antes de seu filho nascer, Coronis amou Elato.
     Pelo seu erro, Apolo a mata, mas retira o filho de seu ventre. Ele foi educado pelo centauro Quirão (ou Chiron) (ver IV, 194).

Atena: junto com Hera, na Guerra de Troia, ela está sempre ao lado dos gregos. Ajuda em vários momentos o grande herói Diomedes. Na Odisseia, é a deusa mais importante, guardiã incansável de Odisseu. É chamada “a de olhos glaucos” (azul-acinzentados) ou, às vezes, somente de Palas, como de Palas Atena. Sem mãe, nasceu da cabeça de Zeus. Este teria engolido a titânida Métis (Prudência), por medo de a filha desta ser superior a ele, e tendo grande dor de cabeça, pediu a Hefesto que o ajudasse; este, abrindo sua cabeça, fez nascer Atena, já adulta, toda armada e pronta para a guerra. Por ela Zeus tem um amor todo especial: ela sempre acaba por conseguir tudo do seu pai. É tanto deusa da guerra quanto das artes e profissões. Sempre virgem, ama, no entanto, as ações viris de vários mortais, ajudando-os (Perseu, Jasão, Héracles, Diomedes). Seu animal simbólico é a coruja. Atena carrega em seu escudo a cabeça da górgona Medusa, que lhe foi ofertada por Perseu. Como Odisseu, ela é famosa não apenas por ser forte fisicamente, mas por ser astuta (ver I, 195; II, 166; IV, 86; V, 733, 845; VIII, 384; e XI, 437).

Atrida: ver Crônida (ver I, 7; e III, 347).

Aurora (em grego, Éos): muito conhecida pelo seu epíteto, “de dedos de rosa”, esses dedos róseos abrem o portão do céu para a carruagem de Hélio, o Sol. É uma deusa antiga, da geração dos Titãs. Filha, como Hélio (Sol) e Selene (Lua), de Hipérion e Teia, ela é mãe dos ventos, Bóreas (Norte), Zéfiro (Oeste), Noto (Sul), da estrela da manhã Eosforus e das estrelas. Suas lendas consistem praticamente de suas intrigas. Uma delas aparece na Odisseia, quando ela rouba o jovem Clito por causa de sua beleza (ver XV, 250). No Canto XXII, 197, ela nasce de Oceano (ver XI, 1).

Beócia: é de um porto na Beócia, Áulis, que os gregos partiram para Troia. Assim se explica por eles serem os primeiros a serem contados no “Catálogo das Naus” e também o título do Canto II (ver I, 494).

Bóreas: também chamado de Aquilão, é o Vento Norte, frio e forte, normalmente maléfico. É filho de Ástreos e Éos (Astros e Aurora). Seu lugar de origem é a Trácia, região fria e ao Norte. Rapta Oreitia, filha de Erecteu, rei de Atenas, enquanto ela brincava na margem do rio Ilísio. Com ela teve dois filhos, Alais e Zetes, e duas filhas, Chione e Cleópatra. Tem estreita relação com os cavalos, é pai de vários e é frequentemente representado na forma equina (ver V, 524, 697; e IX, 5).

continua página 85...
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A peste e a ira
Apêndice
Apêndice(a) / Apêndice(b) /   
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A Ilíada é um poema épico atribuído a Homero que narra os eventos do último ano da Guerra de Troia, destacando a ira de Aquiles e suas consequências. É considerada uma das obras fundadoras da literatura ocidental, composta por cerca de 15.693 versos em hexâmetro datílico e dividida em 24 cantos, cada um correspondente a uma letra do alfabeto grego. A autoria é tradicionalmente atribuída a Homero, poeta grego que teria vivido no século VIII a.C., na região da Jônia, atual Turquia.
O poema se passa durante 51 dias do décimo ano da Guerra de Troia, iniciando com a ira de Aquiles, causada pela disputa com Agamenon, comandante dos exércitos gregos, que lhe retira a serva Briseida. A narrativa aborda:
- O cerco de Troia pelos aqueus para resgatar Helena, esposa de Menelau, raptada por Páris.
- A retirada de Aquiles do combate e o impacto dessa decisão sobre os gregos.
- A morte de Pátroclo, amigo de Aquiles, que leva o herói a retomar a luta.
- O duelo final entre Aquiles e Heitor, culminando com o funeral do herói troiano.
- A obra também inclui episódios de deuses e heróis, como Afrodite, Zeus, Páris e Helena, que influenciam diretamente os acontecimentos humanos.
A Ilíada, junto com a Odisseia, representa a síntese da tradição oral grega e permanece até hoje como um estudo essencial da literatura e da cultura clássica.

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