Fiódor Dostoiévski
PRIMEIRA PARTE
LIVRO III
OS SENSUAIS
X
OUTRA REPUTAÇÃO PERDIDA
Da cidade ao mosteiro era apenas 1 versta. Aliócha
caminhava rapidamente pela estrada, deserta
àquela hora. Era quase noite e difícil, a trinta passos,
distinguir os objetos. Em meio do caminho, no centro
duma encruzilhada, elevava-se um salgueiro isolado,
sob o qual percebia-se um vulto. Mal Aliócha chegara
àquele local, o vulto destacou-se da árvore e lançou
se a ele gritando:
— A bolsa ou a vida!
— Como, és tu, Mítia! — exclamou, espantado,
Aliócha, bastante comovido.
— Ah! ah! não esperavas por isto, hein? Perguntava
a mim mesmo onde esperar-te. Perto da casa dela?
Há três caminhos que partem dali e eu podia não te
encontrar. Tive a idEia afinal de esperar-te aqui,
porque devias necessariamente passar por esta
estrada, uma vez que não há outra para ir ao
mosteiro. Pois bem, dize-me a verdade, esmaga-me
como a uma barata... Que tens, então?
— Não é nada, irmão... É o medo! Ah! Dimítri! Ainda
há pouco, esse sangue de nosso pai (Aliócha pôs-se
a chorar, desde muito tinha vontade disso, parecia-lhe que alguma coisa se dilacerava dentro dele). Tu
quase o mataste... tu o amaldiçoaste... e eis que
agora... aqui... fazes brincadeira... a bolsa ou a vida!
— Ah! sim. Pois bem! É indecente? Não convém isto
à situação?
— Mas não, dizia isto...
— Espera, olha essa noite; vê como está sombria,
aquelas nuvens, esse vento que se levantou. Oculto
sob o salgueiro, esperava-te e, de repente, disse a
mim mesmo (Deus me seja testemunha!): "Que
adianta sofrer ainda, por que esperar? Eis um
salgueiro, tenho meu lenço e minha camisa, a corda
ficaria trançada em breve, com meus suspensórios
ainda por cima... A terra ficaria livre de mim, não
mais a desonraria com a minha presença!" E eis que
ouço os teus passos. Senhor, foi como se um raio
descesse sobre mim! "Há pois um homem a quem
amo, ei-lo, esse homenzinho, o meu querido
irmãozinho, a quem amo mais que tudo no
mundo e é o único a quem amo!" Tão vivo era meu
afeto naquele minuto
que pensei: "Vou atirar-me ao seu pescoço!" Mas
veio-me uma idEia estúpida: "Para diverti-lo, vou
fazer-lhe medo". E gritei como um imbecil: "A bolsa!"
Perdoa minha tolice; é absurdo, mas no fundo da
alma... sou bom... Pois bem! com o diabo! Fala pois,
que houve lá? Que foi que ela disse? Esmaga-me,
bate-me, não me poupes! Ela está exasperada?
—
Não... não é totalmente isto, Mítia. Encontrei as
duas.
— Quais duas?
— Grúchenhka em casa de Catarina Ivânovna.
Dimítri ficou estupefato.
— É impossível! — exclamou. — Deliras! Grúchenhka
em casa dela?
Numa narrativa despida de artifício,
mas não de clareza, expôs Aliócha o essencial do
que se passara, acrescentando-lhe suas próprias
impressões. Seu irmão escutava-o em silêncio,
fixando-o com um ar impassível, mas Aliócha via
claramente que ele já havia compreendido tudo,
elucidado todo o caso. À medida que a narrativa
avançava, seu rosto tornava-se não sombrio, mas
ameaçador. Franzia o cenho, de dentes cerrados, o
olhar ainda mais fixo, mais terrível na sua
obstinação... A mudança súbita que ocorreu em seu
rosto encolerizado foi por isso mesmo totalmente
inesperada; seus lábios crispados distenderam-se, e
Dimítri Fiódorovitch explodiu na gargalhada mais
irresistível e mais franca. Ficou um bom momento
sem poder falar, à força de rir.
— De modo que ela
não lhe beijou a mão! Fugiu sem beijar-lhe a mão! —
exclamou ele num arrebatamento mórbido, que se
teria podido qualificar de impudente, se não fosse
tão ingênuo.
— E a outra chamou-a de teoriza? É
uma mesmo! Devia subir ao cadafalso! Certamente,
estou de acordo; deveriam tê-lo feito desde muito.
Mas não é tudo, irmão, é preciso em primeiro lugar
recuperar a saúde. Ela está toda inteira nesse beijo
de mão, aquela rainha da impudência, aquela
criatura infernal! É a rainha de todas as fúrias que se
possam imaginar! De encher de entusiasmo, de
certa maneira! Partiu para sua casa? Agora mesmo...
corro até lá. Aliócha, não me acuses, convenho que
seria pouco o estrangulá-la...
— E Catarina
Ivânovna? — perguntou tristemente Aliócha.
—
Também a compreendo, como até agora tenho
compreendido! Ê a descoberta das quatro partes do
mundo, das cinco, quero dizer! Tal passo
que deu! Ê bem a mesma Catarina, a pensionista
que não receia ir ter com
um oficial grosseiro, com o nobre desígnio de salvar
seu pai, arriscando-se a ser insultada! Mas essa
altivez, essa sede do perigo, esse desafio ao destino,
até os derradeiros limites!... Sua tia, dizes, queria
impedi-la? É uma mulher despótica, irmã daquela
generala de Moscou; fazia muito embaraço, mas seu
marido foi acusado de malversações, perdeu tudo,
seus bens e o resto, sua orgulhosa esposa teve de
baixar o tom. De modo que retinha ela Cátia, mas
esta não a escutou. "Posso tudo vencer, tudo me é
submetido, enfeitiçarei Grúchenhka, se quiser. "
Acreditava bem nisso decerto, e forçou seu talento.
De quem a culpa? Pensas que tenha sido
intencionalmente que beijou por primeira a mão de
Grúchenhka, por cálculo e por astúcia? Não, deixou
se
enfeitiçar
nada mais nada menos por
Grúchenhka, isto é, não por ela, mas pelo seu sonho,
pelo seu desejo, muito simplesmente, porque esse
sonho, esse desejo eram os seus! Aliócha, como
pudeste escapar a semelhantes mulheres? Fugiste,
arrepanhando a batina, hein? Ah! ah! ah!
— Irmão, não pensaste, creio, na ofensa que fizeste
a Catarina Ivânovna contando a Grúchenhka sua
visita à tua casa; Grúchenhka lançou-lhe em rosto
que "ela ia furtivamente traficar seus encantos". Há
pior injúria, meu irmão?
A ideia de que seu irmão se rejubilava com a
humilhação de Catarina Ivânovna atormentava
Aliócha, embora sem razão, evidentemente.
— Ah!
sim! — disse Dimítri, franzindo as sobrancelhas e
batendo na testa. Somente agora se dava conta, se
bem que Aliócha tivesse tudo contado ao mesmo
tempo, a injúria e o grito de Catarina Ivânovna: "Seu
irmão é um canalha!" — Sim, com efeito, devo ter
falado a Grúchenhka daquele "dia fatal", como diz
Cátia. Deveras, contei-lhe, lembro-me! Foi em
Mókroie, enquanto os ciganos cantavam; estava
embriagado... Mas então eu soluçava, rezava de
joelhos diante da imagem de Cátia. Grúchenhka
compreendia-o, ela mesma chorava... Ah! diabos!
poderia ser de outro modo agora? Ela chorava então,
agora crava um punhal no coração. Eis as mulheres!
Pôs-se a refletir, de cabeça baixa.
— Sim, sou um verdadeiro canalha — proferiu ele, de
súbito, com voz sombria. — Que tenha chorado ou
não, tanto faz. Conta-lhe que aceito o qualificativo,
se isto pode consolá-la. Pois bem! chega, de que
serve tagarelar? Não é divertido. Sigamos cada qual
nossa estrada. Não quero
mais rever-te antes do derradeiro momento. Adeus,
Alieksiéi!
Apertou fortemente a mão de Aliócha e, sem erguer
a cabeça, como um evadido, caminhou a grandes
passadas para a cidade. Aliócha acompanhou-o
com o olhar, não podendo crer que tivesse ele
partido deveras.
— Espera, Alieksiéi, ainda uma
confissão, para ti somente! (Dimítri retrocedera. ) —
Olha-me bem no rosto: aqui, vês tu, aqui, uma
infâmia execrável se prepara. (Ao dizer isto, Dimítri
batia no peito com um ar estranho, como se a
infâmia estivesse depositada em seu peito ou
suspensa ao seu pescoço. ) Já me conheces como
um canalha chapado. Mas, fica sabendo, o que quer
que eu tenha feito, o que quer que possa fazer no
futuro, nada se compara em baixeza com a infâmia
que trago no meu peito e que poderia reprimir, mas
não o farei, fica sabendo. Prefiro cometê-la. Tudo te
contei há pouco, exceto isto, não tinha coragem!
Posso ainda deter-me e, dessa maneira, recuperar
amanhã a metade de minha honra, mas não
renunciarei a isto, cumprirei meu negro desígnio,
poderás ser testemunha de que falo disso
antecipadamente e cientemente. Perdição e trevas!
Inútil explicar-te, sabê-lo-ás a seu tempo. A lama é
uma verdadeira fúria! Adeus. Não rezes por mim,
não sou digno e não tenho necessidade de oração
nenhuma... Sai de meu caminho!...
Afastou-se desta
vez, definitivamente. Aliócha seguiu para o mosteiro.
"Como! Não o verei mais? Que é que ele diz?"
Isto pareceu-lhe esquisito. "Amanhã, sem falta, vou pôr-me à sua procura. Que quis ele dizer?"
Contornou o mosteiro e seguiu diretamente para o
eremitério atra- vés do bosque de pinheiros.
Abriram-lhe, se bem que não deixassem entrar
ninguém àquela hora. Entrou na cela do stáriets,
com o coração palpitante.
"Por que partira ele? Por
que o haviam enviado ao mundo? Aqui, a paz, a
santidade; lá, a perturbação, as trevas nas quais a
gente se perde... "
Na cela encontravam-se o noviço Porfírio e um
religioso, o Padre Paísi, que o dia inteiro viera a cada
hora saber notícias do Padre Zósima. Seu estado
piorava, como veio a saber Aliócha, com espanto. A
conversa habitual da noite com a comunidade não
pudera realizar-se daquela vez. Comumente, à noite,
após o ofício, a comunidade, antes de ir repousar,
reunia-se na cela do stáriets; cada qual lhe
confessava bem alto suas faltas do dia, os sonhos
culpados, as ideias, as tentações, até as rusgas
entre
monges,
se
alguma
ocorrera.
confessavam, de joelhos. O stáriets
Outros
se
absolvia, acalmava, ensinava, impunha penitências,
abençoava e despedia. Era contra essas "confissões"
fraternais que se levantavam os adversários do
stáriets, dizendo que era aquilo uma profanação da
confissão, como sacramento, quase um sacrilégio, se
bem que fosse coisa bem diversa. Haviam mesmo
feito denúncia à autoridade diocesana de que não
somente aquelas confissões não atingiam o seu fim,
mas eram na realidade uma fonte de pecados e de
tentações. A muitos, na comunidade, repugnava ir à
casa do stáriets e ali apareciam de má vontade, a
fim de não passarem por orgulhosos e revoltados de
espírito. Contava-se que certos monges, ao irem à
confissão da noite, entendiam-se entre si de
antemão: "Direi que me zanguei contra ti esta
manhã, tu o confirmarás", isto a fim de ter alguma
coisa que dizer e ver-se livre daquilo. Aliócha sabia
que as coisas se passavam por vezes assim. Sabia
também que alguns se indignavam bastante contra
o costume segundo o qual as cartas, mesmo dos
pais, recebidas pelos solitários, eram levadas em
primeiro lugar ao stáriets, para que ele as abrisse e
lesse antes de seus destinatários.
Supunha-se, bem entendido, que essas práticas
deviam realizar-se livremente e sinceramente, de
todo o coração, com um fim de edificação salutar e
de submissão voluntária; de fato, acontecia que,
longe de serem sinceras, não eram senão fingidas.
Mas os mais idosos e os mais experimentados da
comunidade persistiam em sua ideia, estimando que
"os que tinham transposto o recinto para cuidar
sinceramente de sua salvação encontravam naquela
obediência e naquela abdicação de si mesmos um
proveito dos mais salutares; mas que os que
murmuravam com repugnância não tinham a
vocação e melhor teriam feito se tivessem ficado no
mundo. O pecado e a tentação vos tocaiam não
somente no mundo, mas no santuário, melhor valia
não se prestar a isso".
— Está enfraquecendo,
sonolento — murmurou o Padre Paísi a Aliócha. — É
difícil despertá-lo. E para quê? Acordou por uns cinco
minutos e pediu que se transmitisse sua bênção à
comunidade, cujas preces solicita. Amanhã de
manhã, tem intenção de comungar de novo. Lembrou-se de ti, Aliócha, informou-se de onde estavas,
disseram-lhe que havias partido para a cidade.
"Minha bênção o acompanhe ali; seu lugar é lá e não
aqui. " És o objeto de seu amor e de sua solicitude,
compreendes essa honra? Mas por que te marca ele
um estágio no mundo? Será que pressente alguma
coisa no teu destino? Se voltares ao mundo, é para
cumprir uma tarefa imposta pelo teu stáriets,
compreende-o, Alieksiéi, e
não para te entregares à agitação vã e às obras do
século...
O Padre Paísi saiu. Alieksiéi não duvidava de que o
fim do stáriets estivesse próximo, muito embora
pudesse viver ainda um dia ou dois. Jurou a si
mesmo, malgrado os compromissos tomados para
com seu pai, as senhoras Khokhlakovi, seu irmão,
Catarina Ivânovna, não deixar o mosteiro no dia
seguinte e ficar junto do stáriets até seu derradeiro
momento. Seu coração abrasava-se de amor e
censurava-se amargamente ter podido esquecer um
instante, lá embaixo, aquele que deixara em seu
leito de morte e a quem venerava acima de tudo.
Passou para o quarto de dormir, ajoelhou-se,
prosternou-se diante da cama dele. O stáriets
repousava tranquilamente, mal se ouvia sua
respiração. Seu rosto estava calmo.
Voltando ao quarto vizinho, onde tivera lugar a
recepção da manhã, contentou-se Aliócha com tirar
suas botas e estendeu-se sobre o estreito e duro
diva de couro onde se acostumara a dormir,
valendo-se apenas de um travesseiro. Desde muito
tempo renunciara ao colchão de que falava seu pai.
Só fazia tirar sua batina, que lhe servia de coberta.
Antes de adormecer, ajoelhou-se e pediu a Deus
numa prece fervorosa que o esclarecesse, ansioso
por tornar a encontrar o apaziguamento que
experimentava sempre outrora, depois de ter
louvado e glorificado a Deus, como o fazia
comumente na sua prece da noite. A alegria que o
invadia proporcionava-lhe um sono leve e tranquilo.
Enquanto rezava, sentiu em seu bolso o envelopinho
cor-de-rosa, entregue pela criada de Catarina
Ivânovna, que o alcançara na rua. Ficou perturbado,
mas acabou sua prece. Depois abriu o envelope,
com alguma hesitação. Continha um bilhete a ele
dirigido, assinado por Lisa, a filha da Senhora
Khokhlakova, que zombara dele pela manhã, na
presença do stáriets.
Alieksiéi Fiódorovitch:Escrevo-lhe às ocultas de todos e de minha mãe, e sei que isto não está bem. Mas não posso viver mais tempo sem dizer-lhe o que me nasceu no coração e que ninguém, a não ser nós dois, deve saber até nova ordem. Dizem que o papel não cora, que engano! Asseguro-lhe que estamos agora bem corados um e outro. Querido Aliócha, eu o amo, eu o amo desde minha infância, desde Moscou, quando era você bem diferente do que é agora. Elegi-o em meu coração para me unir a você e acabarmos nossos dias juntos. Bem entendido, com a condição de que deixe você o mosteiro. Quanto à nossa idade, esperaremos tanto quanto a lei o exija. Daqui até lá, estarei restabelecida, andarei, dançarei. Isto não tem dúvida nenhuma. Vê você que calculei tudo, mas há uma coisa que não posso imaginar: que pensará você de mim lendo estas linhas? Rio, brinco, fi-lo zangar-se há pouco, mas asseguro-lhe que antes de pegar da pena rezei diante da imagem da Virgem, quase chorando. Meu segredo está em suas mãos e quando você vier, amanhã, não sei como poderei encará-lo. Alieksiéi Fiódorovitch, que acontecerá, se não puder impedir-me de rir ao vê-lo, como esta manhã? Você me tomará por uma zombadora implacável e duvidará de minha carta. Assim, suplico-lhe, meu querido, que não me olhe demasiado o rosto quando vier, porque pode acontecer que rebente a rir à vista de sua batina comprida... Já agora, meu coração fica gelado só de pensar nisso; para começar, lance seus olhares para mamãe ou para a janela... Eis que lhe escrevi uma carta de amor. Meu Deus, que fiz eu? Aliócha, não me despreze; se agi mal e o magoo, desculpe-me. Agora, a sorte de minha reputação, talvez perdida, está entre suas mãos. Haverei de chorar hoje por certo. Adeus, até essa entrevista terrível...PS. — Aliócha, venha sem falta, sem falta. Lisa.
Aliócha leu duas vezes aquela carta com surpresa,
ficou pensativo, depois riu docemente de prazer.
Estremeceu, aquele riso lhe parecia culpado. Mas, ao
fim de um instante, repetiu o mesmo riso feliz.
Tornou a pôr a carta no envelope, fez um sinal da
cruz e deitou-se. Sua alma havia reencontrado a
calma.
"Senhor, perdoa-lhes a todos, protege esses
infelizes e agitados, guia-os, mantém-nos no bom
caminho. Tu que és o amor, concede a todos a
alegria!"
E Aliócha adormeceu num sono tranquilo.
continua na página 229...
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Leia também:
Livro 1
Livro 2
Livro 3
IV. Confissão de um coração ardente - anedotas / V. Confissão de um coração ardente e desbocado / VI. Smierdiákov /
VII. Uma controvérsia / VIII. Saboreando o conhaque / IX. Os sensuais / X. Os dois juntos / XI. Outra reputação perdida /
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Leia também:
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Os Irmãos Karamazov é um romance de Fiódor Dostoiévski, escrito em 1879, uma das mais importantes obras das literaturas russa e mundial, ou, conforme afirmou Freud: "a maior obra da história". Freud considera esse romance, juntamente com Édipo Rei e Hamlet, três importantes livros a respeito do embate pai e filho, e retratam o complexo de Édipo.
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